sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MENSAGEM DE JOANA


Junho de 1909. Improviso no estado de transe
"A Igreja vai-se. São fictícias sua energia, sua orientação. A energia lhe vem da desorganização dos partidos que se lhe opõem. Só ela permanece de pé em face das escolas materialistas. Só ela representa a alma em face do materialismo e da Ciência. No momento em que a Ciência consagrar a alma, a Igreja desmoronará. A Igreja é um melhor relativo. Todos os que sentem o enlevo da vida da alma se refugiam nela, porque não têm outra coisa. Muitas almas não podem formar para si uma fé pessoal; pedem a outros a crença e acham mais cômodo dirigir-se à Igreja. Mais vale crer no Catolicismo, do que não crer em coisa alguma. Mas, no dia em que se constituir a filosofia científica, artística e literária, que há-de sintetizar o ideal, a Igreja atual desaparecerá. A Igreja recebeu em seu seio as artes e as letras, não a Ciência. Ela rejeita uma parte do saber; por isso mesmo, terá que ceder o passo a uma filosofia que abrangerá todo o saber humano. Dizemos filosofia - e não religião - porque esta última palavra tem hoje o sentido de seita.
A Reforma seduziu algumas almas, porque permitia unir a moral à religião. Tudo era então consentido pela Igreja, contanto que cada um soubesse obter o perdão pelo dinheiro. A venda das indulgências era pública.
Todo o mundo via, de um lado, a moral; de outro, a religião. A questão moral abalou a Igreja; hoje, será a Ciência quem acabará com ela. No momento em que os homens «souberem>>, a Igreja virá abaixo.
Não choramos o seu desaparecimento. Ela não representa, na História, mais do que uma das formas da idéia religiosa em marcha. Fez o bem e preferimos ver esse bem a notar o mal que causou; acima de tudo, apraz-nos ver nela a grande figura do Cristo, seu fundador. Veremos sempre, na missa, o Evangelho, que lhe é o ponto central e não a elevação da hóstia, como muitos acreditam. Amamos esse Evangelho; é ele que ainda hoje nos atrai a algumas catedrais. Amamos a Igreja, veneramo-la, como veneramos tudo o que haja proporcionado à Humanidade alguma coisa de grande.
Mais tarde, maior veneração consagraremos àquele que há-de trazer uma nova palavra de vida, ao Espírito de Verdade, anunciado desde longo tempo.
Será um homem de ciência, um sábio, um filósofo e, sobretudo, um homem de delicada sensibilidade. Os Maometanos o esperam também. Todas as religiões o prometeram. E' mister que todas as almas se sintam desorientadas, que todas experimentem a necessidade de sua vinda. A dissolução é mais profunda do que na época em que o Cristo apareceu e também o desejo de saber. Todos os povos se acham oprimidos pelos governos. A hora se aproxima.
Ninguém deve levantar-se contra os que se vão, contra a Igreja. O Cristo não clamou contra a religião. Lembrai-vos de que ele pronunciou estas palavras por demais esquecidas: "Aos Judeus, primeiramente!" Nós, também, por nossa vez, dizemos: "À Igreja, primeiramente!") pois é ela que encerra maior número de espiritualistas; é ela quem deles maior necessidade tem. A nova religião se elevará sobre as bases do Cristianismo, como o Cristianismo se elevou sobre o Judaísmo. A antiga Igreja, como a lei de Moisés, será renovada, melhorada.

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