segunda-feira, 17 de novembro de 2008

MENSAGEM ESPIRITUAL DE JOANA EM 15 DE JULHO DE 1909



«Doce me é a comunhão com os que, como eu, amam a Nosso Senhor e Pai - e não me dói à visão do passado, por isso que ela me aproxima de vós e a lembrança de minhas comunicações com os mortos e os santos me faz irmã e amiga de todos aqueles a quem Deus concedeu o favor de conhecer o segredo da vida e da morte.
«Rendo graças a Deus por me permitir transmitir-vos minha crença e minha fé e por poder ainda dizer, aos que sabem um pouco, que as vidas que o Senhor nos dá devem ser utilizadas santamente, a fim de estarmos em sua graça. Devem ser-nos gratas às vidas em que possamos desempenhar a tarefa que o todo poderoso Juiz e Pai nos assinou e devemos bendizer o que de suas mãos recebemos.
Ele sempre escolheu os fracos para realizar seus desígnios, porquanto sabe dar força ao cordeiro, conforme o prometeu; mas, este não deve misturarse com os lobos e a alma inflamada pela fé deve guardar-se das ciladas e sofrer com paciência todas as provações e castigos que ao Senhor apraza darlhe.
«Ele nos ministra a sua verdade sob as mais variadas formas, porém nem todos penetram a sua vontade. Submissa às suas leis e procurando respeitálas, mais acreditei do que compreendi. Eu sabia que conselhos tão salutares não podiam ser obra de inimigo e o reconforto que me deram foi para mim um arrimo e a mais doce das satisfações. Jamais soube qual era a vontade remota do Senhor. Ele me ocultou, por seus enviados, o fim doloroso que tive, compadecido da minha fraqueza e do medo que o sofrimento me causava; porém, chegada à hora, recebi, por intermédio daqueles enviados, toda a força e toda a coragem.
«Ê-me doce e delicioso volver aos momentos em que primeiramente ouvi minhas vozes. Não posso dizer que me amedrontei. Fiquei grandemente admirada e mesmo um pouco surpreendida de me ver objeto da misericórdia divina. Senti subitamente, antes que as palavras me houvessem chegado, que elas vinham de servos de Deus e grande doçura experimentou em meu coração, que afinal se aquietou quando a voz do santo ressoou aos meus ouvidos. Dizer-vos o que se passava então em mim não é possível, porque eu não vos poderia descrever a minha alegria calma e intensa; mas, senti tão grande paz que, ao partirem os mensageiros, me julguei órfã de Deus e do Céu. Compreendi um pouco que à vontade deles devia ser a minha; porém, desejando imensamente que me
visitassem, admirei-me das ordens que me davam e receei um pouco ver realizados os desejos que exprimiam. Parecia-me, certamente, uma bela obra tornar-me eu a salvaguarda da França; mas, uma donzela não vai para o meio de homens d'armas. Finalmente, na doce e habitual companhia dos seres que me falavam, cheguei a ter mais confiança em mim própria e o amor que sempre consagrei a Deus me indicou a conduta a seguir, pois que não é decorosa a rebelião contra a vontade de um pai.
«Foi-me penoso, embora também motivo de alegria, o obedecer e, enfim, fiz primeiramente à vontade de Deus. Por essa obediência sou feliz e nisto também acho uma razão para fazer o que Deus quer, para perdoar aos que foram o instrumento de minha morte, crente de que não tinham ódio à minha alma, tanto que lhe deram a liberdade, mas sim à obra que era por mim executada.
«Tendo sido essa obra abençoada por Deus, eles eram grandemente culpados; também nenhum ódio lhes tenho às almas. Sou inimiga de tudo o que Deus reprova, da falta e da maldade. A obra que fizeram é que está fora da graça. Todos reentrarão na graça de Deus, mas a lembrança do passado não se lhes apagará. Choro o ódio que plantaram entre seus irmãos, o mau grão que semearam no campo da Igreja e que levou esta mãe que tanto amei a procurar mais a fé do que o amor do perdão. 2-me grato, entretanto, vê-los emendar-se a confessar um pouco o erro que cometeram; porém, não o fizeram como eu desejara e a minha afeição à Igreja se desligará cada vez mais desta antiga
reitora das almas, para se dar tão somente ao nosso doce e gracioso Senhor.»

Jehanne

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