quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

REFLEXÕES DE DEZEMBRO

Mais um ano que finda, no calendário humano, mais um período de variadas experiências na trajetória de cada um, convidando-nos a levantar os olhos para o mais além.
Para muitos é hora apropriada para refletir sobre o passado e planejar o futuro imediato, na busca do crescimento espiritual. Para outros é tão-somente a hora da continuação das ilusões dominantes na maioria dos habitantes deste Planeta.
Quantos acontecimentos ocorridos no mundo, neste pequeno período!
Quantos deles afetaram-nos diretamente, influindo sobre nosso círculo de relações ou sobre o meio social em que vivemos!
Quantas palavras ouvimos, lemos e dissemos, quantos pensamentos e ações, justos e injustos, partiram de nós, ou passaram por nossa apreciação.
Impossível realizar um inventário de tudo o que aconteceu no mundo, conosco ou ao redor de nós, nesse lapso de tempo.
Para o espírita, que já tem um rumo certo a seguir, que já aprendeu o que é essencial no seu comportamento, que sabe distinguir entre o primordial e o secundário, não mais se deixando dominar pelas ilusões que levam à perda de tempo e às inutilidades, um ano de vida pode representar um bom avanço ou um desagradável atraso em sua trajetória evolutiva.
Precisamos esquecer as experiências negativas e aproveitar quantas nos mostrem os deveres e obrigações que engrandecem a existência.
Nesse balancete permanente de pensamentos, palavras e ações, precisamos não só reter o ensino sintético do Cristo sobre o Amor soberano, compreendendo toda a lei – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo – mas aplicá-lo nas experiências de cada dia.
Os espíritas temos consciência de nossa inferioridade e de nossas imperfeições, como habitantes de um mundo atrasado, de provas e expiações.
Por isso mesmo a Doutrina Consoladora não exige de nós a perfeição, mas induznos ao esforço para que nos aperfeiçoemos moral e intelectualmente, tornandonos sempre melhores.
O que não se coaduna com o caráter e a índole da Doutrina é a preocupação do adepto em apenas conhecê-la, enriquecendo-se intelectualmente mas sem esforçar-se por vivenciá-la, acordando para a luz e para o bem, no cultivo dos sentimentos que enobrecem o coração.
Nunca será demasiado repetir que o objetivo final do Espiritismo é a transformação interior, espiritual, do indivíduo. O conhecimento da Doutrina é o passo inicial do processo educativo, ou reeducativo, de cada seguidor.
É uma ilusão julgar-se o adepto quite com seu dever pelo fato de estudar a Doutrina e aprofundar-se no seu conhecimento, sem preocupar-se com as conseqüências morais que daí advêm, a primeira das quais é justamente a vivência dos princípios ensinados por Jesus, em sua Mensagem.
Não há como dizer-se espírita, cristão, ou espírita-cristão se não houver esforço para viver de conformidade com o preceito evangélico do “amai-vos uns aos outros”.
Que dizer-se dos irmãos e companheiros espíritas que não se entendem, que preferem a divisão do Movimento, que acusam, digladiam, polemizam e esquecem totalmente o mandamento essencial do amor ao próximo?
“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã”. (Epístola de Tiago, cap. I,v. 26).
Se substituída a palavra religioso pela palavra espírita, a advertência do apóstolo é proveitosa e correta, mesmo para os adeptos que não aceitam o Espiritismo como religião, mas como doutrina moral.
Palavras...
Quantos adeptos da Doutrina Consoladora colocam-se como seus seguidores entusiastas baseados em interpretações verbais, esquecendo-se de que a legítima vinculação com os princípios renovadores não é problema de simples palavras, mas de esforço permanente na prática do amor!
Os aspectos morais da Doutrina Espírita fundem-se totalmente nas diretrizes contidas no Evangelho de Jesus. Os ensinos do Espiritismo, na interpretação da Espiritualidade Superior, sobre a Justiça, o Amor e a Caridade, que sintetizam todas as leis morais, são os mesmos do Mestre Incomparável.
Todos concordamos que não é fácil, para criaturas imperfeitas que somos todos os habitantes deste Orbe, o cumprimento de deveres morais para consigo mesmas, para com seus semelhantes mais próximos, para com toda a Humanidade e para com a Natureza que nos cerca.
A sincera adesão à Doutrina e ao Evangelho induz o aprendiz a aplicar sua vontade na eliminação de arestas e inclinações infelizes do próprio temperamento, a retificar conceitos e eliminar preconceitos arraigados, buscando assim melhor equilíbrio.
No que concerne a todos os seus semelhantes, na vida de relação, o esforço há que concentrar-se na prática do amor, que é a caridade tal como Jesus a conceituava: benevolência para com todos, indulgência para com as ações alheias e perdão das ofensas, sem limitações.
Convenhamos que o caminho indicado pelo Cristo para a redenção humana requer de criaturas imperfeitas muito esforço, persistência, firmeza, convicção e predisposição para repetir as experiências que não produziram os efeitos desejados.
O aprendiz sincero sabe que a Lei Divina é justa, equânime e misericordiosa. O que não se consegue hoje poderá ser realizado amanhã. O proveito está na razão direta do esforço e do sacrifício. A reencarnação é um dos mecanismos da lei. A dor e o sofrimento ajustam-se às vidas sucessivas. A toda ação, no bem ou no mal, corresponde uma reação.
O espírita, sabendo de todas essas regras da lei e de inúmeras outras que a Doutrina lhe proporciona, não é um privilegiado, mas uma criatura responsável pelo conhecimento que já detém.
Compete-lhe, pois, carregar a cruz simbólica dos testemunhos no Bem, renovando-se sempre, sem se deixar enganar pelas ilusões, pelo personalismo sustentado por vaidades, inveja, ciúmes, revoltas e fugas.
A renovação interior de cada um baseia-se no conhecimento das verdades evangélicas, sintetizadas no Amor, e na aplicação da própria vontade na busca dessas verdades.
A convicção, a fé, a esperança, como a perseverança, a humildade e todas as virtudes cristãs auxiliam a renovação.
Aquele que se dispõe a renovar-se intimamente, atendendo ao apelo da própria razão e ao incitamento do “amai-vos uns aos outros”, começa por abandonar, pouco a pouco, as paixões de que se tornou portador.
Aprender sempre, ajudar e servir seus semelhantes substituem seus interesses anteriores. Servir, eis a fórmula infalível de nos ajustar à Lei Divina e de repelir as tentações e os impulsos resultantes do egoísmo e do personalismo exagerado.
Para cada qual, será sempre melhor ajudar e auxiliar hoje, agora, nas circunstâncias que a vida oferece a todos, que necessitar de auxílio amanhã, pela própria incúria.
Nós, espíritas, como grande parte da Humanidade, aceitamos as vidas sucessivas, renascimentos na carne como um dos mecanismos da evolução individual. É a reencarnação lei divina.
Entretanto, por que não renascer continuamente, a cada dia e a cada hora, superando-se a si mesma nas imperfeições de que seja portadora a criatura?
Quem já conhece o caminho, aquele que é indicado pela luz da Doutrina Consoladora, dependendo de seu empenho e vontade firme, pode renovar-se sempre, na corrente do bem, em seus pensamentos e ações. É questão de aplicação e perseverança.
Todos sabemos, por experiência própria, quão difícil é reverter os sentimentos inferiores a respeito daqueles que nos ofendem ou ferem, às vezes injustamente.
Entretanto, contrariando frontalmente tradições milenares que precederam sua presença no Mundo, o Cristo de Deus sentenciou:
“Tendes ouvido que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”.
“Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos; fazei bem aos que vos odeiam; orai pelos que vos perseguem e caluniam” (Mateus, 5:43-44).
A Doutrina Espírita sanciona integralmente o ensino do Cristo.
Não há outro caminho a seguir para terminar com as aversões, ódios, malquerenças, incompreensões senão o do amor e da compreensão, o do perdão e da indulgência para com aqueles que nos odeiam. A sabedoria do Cristo não só ensinou essa verdade como também a exemplificou.
O tempo flui sempre. Os homens o dividem, contam, convencionam: dias, horas, minutos; anos, séculos, milênios. Pura convenção, mas útil a todos nós.
Um ano que finda e outro que começa é ensejo para a renovação do ser e do fazer.
Para alcançar o grande ideal de nossa renovação, no campo da inteligência e dos sentimentos, não podemos dispensar o esforço de cada dia e de cada hora, num processo contínuo.
A Doutrina Espírita, o Consolador, orienta permanentemente nossa atuação.
Compete-nos conhecê-la suficientemente, pautar nossos pensamentos e ações pelos seus preceitos, perseverar no caminho vigiar sempre.
Haverá pedras e percalços, lutas e dificuldades no decurso da vida? Sem dúvida.
Há um alvo a alcançar. Temos de buscá-lo. Se o Espírito já despertou, com perseverança chegará a ele. .
JUVANIR BORGES DE SOUZA
Reformador

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

NO ALVORECER DE NOVO ANO

Maravilhosa e sublime abre-se a cortina da vida, mais uma vez, no reflorir do tempo, para dar passagem à manifestação promissora de um Novo Ano.
Estejamos atentos para bem aproveitar mais esta oportunidade que a Divina Providência nos enseja ao serviço do crescimento de nossa estatura espiritual.
Cada dia do Novo Ano do calendário humano representará o acréscimo de um capítulo no percurso de nossa trajetória terrena. Que saibamos grafar, em cada uma de suas páginas, poemas de espiritualidade e de ascensão em nossa escalada evolutiva. Que os lapsos e senões da negligência e do menor esforço, do medo e do egoísmo, da ociosidade e do comodismo, do tédio e do desânimo, dos fascínios e seduções das ilusões e fantasias, das degenerescências do sexo e dos desvarios do orgulho não representem borrões em nossas atitudes e ações, em nossos gestos e atos, enfeitando-nos os registos dos quadros do dia-a-dia, a fim de que possamos compulsar, gratificados, as páginas de mais um capítulo autobiográfico do que fomos e fizemos no curso das horas dos dias de nossa passagem por todo um ano.
Construamos obra salutar! Escrevamos com os nossos suores e lágrimas, com as nossas renúncias e gestos fraternos, com os nossos impulsos generosos e testemunhos de solidariedade as linhas, data após data, do diário que conterá os nossos próprios depoimentos, outorgando-nos a faculdade de podermos usufruir de gratificante tranqüilidade de espírito e de inefável paz de consciência.
Estimulando-nos ao trabalho de renovação espiritual, teremos sempre junto a nós, ao longo de nossa caminhada, como cicerones atentos e leais, os Emissários do Senhor, Amigos certos das horas incertas, encorajando-nos a que perseveremos no bom combate. Novo Ano - mais uma etapa a vencer! São novas oportunidades que se aproximam. São novas perspectivas de lutas remissoras que se nos ensejam para consecução de nossa marcha ascensional. Novos desafios, na arena da vida, de terçamos armas pelo nosso renascimento em espírito. Novos esforços pelo Bem.
Novas arremetidas para a Luz.
Novo Ano - ponto de recomeço de redobradas porfias pela aquisição crescente de maiores e melhores coisas que edifiquem para a Eternidade! Outras esperanças surgirão. Outros desejos inflamarão nossos corações. Outras aspirações bafejarão nossas mentes. Outros sonhos e anseios irromperão dos arcanos indevassáveis do nosso ser.
Novo Ano - sucessão de surpresas! Quem de nós sabe, acaso, o que traz ele para as horas porvindouras? Por certo, inúmeras coisas se ocultam sob o seu longo manto de 365 dias e entre elas as que nos dizem respeito diretamente.
Em verdade, ignoramos o que cada Novo Ano nos reserva em acontecimentos, mas não podemos nem devemos desconhecer as condições espirituais em que precisamos estar, de permanente sintonia com o Alto, para viver qualquer de suas horas e resolver, segundo os imperativos cristãos, as nossas próprias atitudes. Indispensável, pois, pensemos apenas o que for bom e, necessariamente, falemos e façamos tão-somente o que se ajustar aos desígnios de Deus.
Saibamos sobretudo estimar o valor do Tempo, sempre atentos às idéias que emitimos, às mentalizações que fazemos, aos pensamentos que vibramos, aos desejos que nutrimos, aos sentimentos que alimentamos e às intenções de que nos deixamos animar. São, por assim dizer, porções de nós mesmos que se desprendem de nossas almas, seguindo quase imperceptivelmente o curso dos segundos para determinação, nos desvãos do Espaço, de formas e paisagens fluídicas, como expressão fidedigna e iniludível de nossas criações mentais.
Daí, a necessidade de rigorosa vigilância a todas as manifestações de nossos impulsos íntimos, reprimindo umas, selecionando outras, depurando-as sempre para não sermos depois presas fáceis e indefesas de suas conseqüências penosas, se desajustadas aos desígnios da Suprema Vontade do Sempiterno.
É, pois, ante essas perspectivas de amanhã, na vida futura - fruto genuíno das coisas e causas a que hoje damos lugar - que precisamos nos resguardar do fermento dos fariseus e dos ressaibos do homem velho, procurando apresentarmos a Deus com um coração renovado em Cristo e como obreiros aprovados em todas as experimentações.
Passos Lírio (Reformador)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O BRASIL E A SUA MISSÃO HISTÓRIA DE "CORAÇÃO DO MUNDO E PÁTRIA DO EVANGELHO"

Mensagem de Bezerra de Menezes
Meus filhos:
Prossegue o Brasil na sua missão histórica de “Pátria do Evangelho” colocada no “Coração do Mundo”.
Nem a tempestade de pessimismo que avassala, nem a vaga de dúvida que açoita os corações da nacionalidade brasileira impedirão que se consume o vaticínio da Espiritualidade quanto ao seu destino espiritual. Apesar dos graves problemas que nos comprometem em relação ao porvir – não obstante o cepticismo que desgoverna as mentes em relação aos dias do amanhã – o Brasil será pulsante coração espiritual da Humanidade, encravado na palavra libertadora de Jesus, que fulge no Evangelho restaurado pelos Benfeitores da Humanidade.
Não se confunda missão histórica do País com a competição lamentável, em relação às megalópoles do mundo, que triunfam sobre as lágrimas das nações vencidas e escravizadas pela política financeira e econômica internacional.
Não se pretenda colocar o Brasil no comando intelectual do Orbe terrestre, através de celebrações privilegiadas que se encarreguem de deflagrar as guerras de aniquilamento da vida física.
Não se tenham em mente a construção de um povo, que se celebrize pelos triunfos do mundo exterior, caracterizando-se como primeiro no concerto das nações.
Consideremos a advertência de Jesus, quando se reporta que “os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros”.
Sem dúvida, o cinturão da miséria sócio-econômica que envolve as grandes cidades brasileiras alarma a consciência nacional. A disputa pela venda de armas, que vem colocando o País na cabeceira da fila dos exportadores da morte, inquieta-nos. Inegável a nossa preocupação ante a onda crescente de violência e de agressividade urbana...
Sem dúvida, os fatores do desrespeito à consciência nacional e a maneira incorreta com que atuam alguns homens nas posições relevantes e representativas do País fazem que o vejamos, momentaneamente, em uma situação de derrocada irreversível.
Tenha-se, porém, em mente que vivemos uma hora de enfermidades graves em toda a Terra, na qual, o vírus da descrença gera as doenças do sofrimento individual e coletivo, chamando o homem a novas reflexões.
A História se repete!...
As grandes nações do passado, que escravizaram o mundo mediterrâneo, não se eximiram à derrocada das suas edificações, ao fracasso dos seus propósitos e programas; assírios e babilônios ficaram reduzidos a pó; egípcios e persas guardam, nos monumentos açoitados pelos ventos ardentes do deserto, as marcas da falência pomposa, das glórias de um dia; a Hélade, de circunferência em torno das suas ilhas, legou, à posteridade, o momento de ilusório poder, porém, milênios de fracassos bélicos e desgraças políticas.
As maravilhas da Humanidade reduziram-se a escombros: o Colosso de Rodes foi derrubado por um terremoto; o Túmulo de Mausolo arrebentou-se, passados os dias de Artemísia; o Santuário de Zeus, em Olímpia, e a estátua colossal foram reduzidos a poeira; os jardins suspensos de Semíramis arrebentaram-se e ficaram cobertos da sedimentação dos evos e das camadas de areia sucessivas da história. Assim, aconteceu com outros tantos monumentos que assinalaram uma época, porém foram fogos-fátuos de um dia ou névoa que a ardência da sucessão dos séculos se encarregou de demitizar e de transformar. Mas, o Herói Silencioso da Cruz, de braços abertos, transformou o instrumento de flagício em asas para a libertação de todas as criaturas, e a luz fulgurou no topo da cruz converteu-se em perene madrugada para a Humanidade de todos os tempos.
O Brasil recebeu das Suas mãos, através de Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem de carmas coletivos, com pequenas exceções, a cruz da libertação das consciências de onde o amor alçará o vôo para abraçar as nações cansadas de guerras, os povos trucidados pela violência desencadeada contra os seus irmãos, os corações vencidos nas pelejas e lutas da dominação argentaria, as mentes cansadas de perquirir e de negar, apontando o rumo novo do amor para re restaurem no coração a esperança e a coragem para a luta de redenção.
Permaneçam confiantes, os espíritas do Brasil, na missão espiritual da “Pátria do Cruzeiro”, silenciando a vaga do pessimismo que grassa e não colocando o combustível da descrença, nem das informações malsãs, nas labaredas crepitantes deste fim de século prenunciador de uma madrugada de bênçãos que teremos ensejo de perlustrar.
Jesus, meus filhos, confia em nós e espera que cumpramos com o nosso dever de divulgá-lO, custe-nos o contributo do sofrimento silencioso e das noites indormidas em relação à dificuldade para preservar a pureza dos nossos ideais, ante as licenças morais perturbadoras que nos chegam, sutis e agressivas, conspirando contra nossos propósitos superiores.
Divulgá-lO, vivo e atuante, no espírito da Codificação Espírita, é compromisso impostergável, que cada um de nós deve realizar com perfeita consciência de dever, sem nos deixarmos perturbar pelos hábeis sofistas da negação e pelas arengas pseudo-intelectuais dos aranzéis apresentados pela ociosidade dourada e pela inutilidade aplaudida.
Em Jesus temos “o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir-nos de modelo e guia”; o meio para alcançar o Pai, Amorável e Bom; o exemplo de quem, renunciando-se a si mesmo, preferiu o madeiro de humilhação à convivência agradável com a insensatez; de quem, vindo para viver o amor, fê-lo de tal forma que toda a ingratidão de quase vinte séculos não lhe pôde modificar a pulcridade dos sentimentos e a excelsitude da mensagem. Ser espírita é ser cristão, viver religiosamente o Cristo de Deus em toda a intensidade do compromisso, caindo e levantando, desconjuntando os joelhos e retificando os passos, remendando as carnes dilaceradas e prosseguindo fiel em favor de si mesmo e da Era do Espírito Imortal.
Chamados para essa luta que começa no país da consciência e se exterioriza na indimensionalidade geográfica, além das fronteiras do lar, do grupo social, da Pátria, em direção do mundo, lutais para serdes escolhidos. Perseverai para receberdes a eleição de servidores fiéis que perderam tudo, menos a honra de servir; que padeceram, imolados na cruz invisível da renúncia, que vos erguerá aos páramos da plenitude.
Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado pela ingratidão de muitos homens – é livre em nossos corações, caminha pelos nossos pés, afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras gentis e só vê beleza pelos nossos olhos fulgurantes como estrelas luminíferas no silêncio da noite.
Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e Caridade” insculpida em vossos sentimentos e trabalhai pela Era Melhor, que já se avizinha, divulgando o Espiritismo Libertador onde quer que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, mas, sem a covardia conivente, que teme desvelar a verdade para não ficar mal colocada no grupo social da ilusão.
Agora, quando se abrem as portas para apresentar a mensagem do Cristo e de Kardec ao mundo, e logo mais, preparai-vos para que ela seja vista em vossa conduta, para que seja sentida em vossas realizações e para que seja experimentada nas Casas que momentaneamente administrais, mas que são dirigidas pelo Senhor de nossas vidas, através de vós, de todos nós.
O Brasil prossegue, meus filhos, com a sua missão histórica de “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual, o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em gargalhada estrídula e zombeteira tentem diminuir, em nome de ideologias materialistas travestidas de espiritualismo e destrutivas em nome da solidariedade.
Que nos abençoe Jesus, o Amigo de ontem – que já era antes de nós -, o Benfeitor de hoje – que permanece conosco -, e o Guia para amanhã – que nos convida a tomar do Seu fardo e receber o Seu jugo, únicos a nos darem a plenitude e a paz.
Muita paz, meus filhos!
São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,
Bezerra

Revista Reformador - Nº 2053 - Abril de 2000

sábado, 27 de dezembro de 2008

A TRINDADE


DIGRESSÕES SOBRE UM TEMA JUNGUIANO
ESPÍRITO -PERISPí RITO-CORPO.
A MANIFESTAÇÃO TRINA DO SER NO UNIVERSO
O Criador é visto como trino, não apenas no cristianismo, mas também em várias outras tradições espirituais. Se somos a imagem e semelhança de Deus (Gn.1 ,26-27), então nada mais justo do que nos vermos como uma tríade - corpo, alma (perispírito)* e espírito - ao invés de uma visão dualista do homem.
Em outras oportunidades comentamos como o cristianismo veio a se tornar dualista em relação à vida, influenciado pelo maniqueísmo no início da Idade Média. A visão cristã do homem, dividido entre um corpo e uma alma, é o seu melhor exemplo. Até onde nos foi possível rastrear, esse não era o ponto de vista de Jesus nem da Igreja nos primeiros tempos. Paulo de Tarso, citado acima, nos apresenta o modelo de um "tripé existencial", bem mais estável que a divisão corpo/alma que nos dilacera.
Nossa época é ainda refém do racionalismo cartesiano. Só aquilo que é comprovado como realidade física é considerado verdade. Jung chamou-o "estranho pressuposto". Mas trata-se ainda de uma abordagem calcada na visão medieval. Apenas a cisão corpo/ alma foi substituída pelo dualismo mente/matéria, o que tornou a hipótese cartesiana mais operacional do ponto de vista científico. Descartes, pessoalmente, nunca se declarou materialista, mas seu legado serviu de matriz para todo materialismo moderno.
O Iluminismo deixou-nos essa herança: a crença, por um lado, de que o nascimento original de Cristo foi um acontecimento físico e, por outro, a descrença de que tenha ocorrido, por ser considerado fisicamente impossível. Essa divergência é logicamente insolúvel. Por isso, seria melhor que os contendores abandonassem essas discussões estéreis que a nada levam. Segundo Jung, ambas as partes têm lá suas razões e chegariam mais facilmente a um acordo se renunciassem à palavrinha "físico". Tal conceito não é o único critério de verdade, pois há também realidades psíquicas, que não podem ser provadas ou negadas do ponto de vista físico. Todo enunciado religioso seria dessa categoria.
O sentido espiritual evidencia-se por si. Assim, o sentido e o espírito do Cristo estão presentes em nós e podemos percebê-lo sem recorrer a milagres. Não negamos que a sua presença vital seja, às vezes, acompanhada de fenômenos extraordinários; mas esses úlltimos não substituem e muito menos produzem o conhecimento espiritual. A teologia tradicional diria, usando outras palavras, que "a fé é um dom de Deus".

OS CORPOS DO ESPÍRITO
O fato de que os enunciados religiosos se acham muitas vezes em oposição às leis da física é uma clara demonstração da autonomia do espírito, e também de uma certa independência psíquica, em relação às realidades do mundo físico.
Podemos abordar a realidade de vários pontos de vista. O dualismo religioso é apenas um deles. Privado, porém, do "tripé existencial", torna-se frágil e instável. A qualquer tropeço da nossa parte, cai facilmente no dogmatismo ou no seu parente próximo, o fundamentalismo. Existem outras abordagens que falam em sete corpos ou níveis, como no Voga, por exemplo. Já a árvore sefiroidal da Cabala, num dos enfoques que a compara ao ser humano, vai dividi-lo em 10 partes, as sefirotos. E assim por diante, conforme a tradição.
A abordagem tripartite, no entanto, parece ser de todas a mais simples, segura e eficaz. O princípio espiritual aglutina corpo e alma. Impede sua dissociaação arbitrária, pura criação mental, sem qualquer base na realidade, pois a vida é una. No dizer do evangelista, "O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito." (Jo.3,8). Assim, a existência física é permeada tanto pela psique como pelo espírito. A psique permeia a nossa vida física, mas deixa-se permear pelo espírito. Já o espírito permeia tanto a existência física quanto a psíquica. Em outras palavras, o mais sutil permeia o mais denso que, por sua vez, é permeado por aquele.

IMANÊNCIA E TRANSCENDÊNCIA
Os enunciados religiosos têm suas raízes em processsos inconscientes e transcendentais. Como uma árvore invertida, têm sua parte visível- seu tronco e sua copa - nesse mundo físico, mas seu lado invisível deita raízes no céu, os mundos psíquico e espiritual. O termo "Deus", por exemplo, expressa uma imagem ou conceiito verbal que sofreu muitas mudanças ao longo da história. Podemos conceber um Deus imanente, como um agir em perpétuo fluxo, transbordante de vitalidade e que se transfunde num número interminável de formas; mas também podemos concebê-lo como transcendente, um Ser eternamente imóvel e imutável.
Trabalhamos com imagens e representações que dependem de nossos condicionamentos e fantasias. Sua origem transcendental, no entanto, nos garante que essas imagens e representações não variem de forma caótica e ilimitada, relacionando-as com alguns poucos arquétipos universais. Tais arquétipos, incognoscíveis em si, só podem ser percebidos de maneira difusa e incompleta, de que os enunciados religiosos dão testemunho. É bom que se o diga, a própria consciência e matéria também nada nos dizem a que vieram.
Todos os enunciados religiosos nos chegam por meio da consciência humana, sob influências internas e externas a ela. Todo esse universo de representações é constituído de imagens antropomórficas e, portanto, vulnerável à crítica racional; mas, por outro lado, é preciso não esquecer que se assenta em arquétipos, dotando-o de um certo fundamento emocional que o deixam imune à razão crítica.
Avançando um pouco mais, as afirmações das Sagradas Escrituras podem ser vistas como manifestações da própria alma, ainda que possamos ser acusados aqui de "psicologismo". Os enunciados da consciência podem não passar de enganos, mentiras e outras arbitrariedades, mas não os enunciados da alma. Em primeiro lugar porque ultrapassam os limites de nosso pensar consciente comum e referem-se a realidades que vão além da consciência. Trata-se de fenômenos espontâneos que escapam ao nosso arbítrio. Por isso mesmo, podemos atribuir-lhes certa autonomia. Devemos considerá-los não só objetos em si como também sujeitos dotados de leis próprias. Vale dizer, reconhecer-lhes o caráter espontâneo e a intencionalidade.
Ver tais arquétipos tanto como sujeito quanto como objeto encontra seu paralelo na física quântica, ao não separar o observador do fenômeno observado, consiiderando-os em seu conjunto. Esse duplo ponto de vissta conduz a um duplo resultado: de um lado, um relato "objetivo" sobre o que eu faço com esse arquétipo-objeto; e de outro lado, um relato "subjetivo" do que esse arquétipo-sujeito pode fazer comigo. Abordagens dessa segunda espécie é que podem conduzir a afirmações aparentemente irracionais do tipo "Creio porque é absurdo!" (Tertuliano) e que devem ser entendidas no contexto em que foram ditas.
(alma (perispírito): o autor usa o termo alma neste artigo para designar a totalidade perispiritual do ser, diferente de Kardec, que utilizou o termo para especificar o espírito enquanto encarnado). Carl Gustav Jung
Revista Cristã de Espiritismo

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ALMAS PROBLEMA

A pessoa-problema que renteia contigo, no processo evolutivo, não te é desconhecida. . .
O filhinho-dificuldade que te exige doação integral, não se encontra ao teu lado por primeira vez.
O ancião-renitente que te parece um pesadelo contínuo, exaurindo-te as forças, não é encontro fortuito na tua marcha. . .
O familiar de qualquer vinculação que te constitui provação, não é resultado do acaso que te leva a desfrutar da convivência dolorosa.
Todos eles provêm do teu passado espiritual.
Eles caíram, sim, e ainda se ressentem do tombo moral, estando, hoje, a resgatar injunção penosa. Mas, tu também.
Quando alguém cai, sempre há fatores preponderantes e outros predisponentes, que induzem e levam ao abismo.
Normalmente, oculto, o causador do infortúnio permanece desconhecido do mundo. Não, porém, da consciência, nem das Soberanas Leis.
Renascem em circunstâncias e tempos diferentes, todavia, volvem a encontrar-se, seja na consanguinidade, através da parentela corporal, ou mediante a espiritual, na grande família humana, tornando o caminho das reparações e compensações indispensáveis.
Não te rebeles contra o impositivo da dor, seja como se te apresente.
Aqui, é o companheiro que se transforma em áspero adversário; ali, é o filhinho rebelde, ora portador de enfermidade desgastante; acolá, é o familiar vitimado pela arteriosclerose tormentosa; mais adiante, é alguém dominado pela loucura, e que chegam à economia da tua vida depauperando os teus cofres de recursos múltiplos.
Surgem momentos em que desejas que eles partam da Terra, a fim de que repouses. . .
Horas soam em que um sentimento de surda animosidade contra eles te cicia o anelo de ver-te libertado . . .
Ledo engano!
Só há liberdade real, quando se resgata o débito.
Distância física não constitui impedimento psíquico.
Ausência material não expressa impossibilidade de intercâmbio.
O Espírito é a vida, e enquanto o amor não lene as dores e não lima as arestas das dificuldades, o problema prossegue inalterado.
Arrima-te ao amor e sofre com paciência. Suporta a alma-problema que se junge a ti e não depereças nos ideais de amparar e prosseguir. Ama, socorrendo.
Dia nascerá, luminoso, em que, superadas as sombras que impedem a clara visão da vida, compreenderás a grandeza do teu gesto e a felicidade da tua afeição a todos.
O problema toma a dimensão que lhe proporcionas.
Mas o amor, que "cobre a multidão dos pecados" voltado para o bem, resolve todos os problemas e dificuldades, fazendo que vibre, duradoura, a paz por que te afadigas.
Joana de Ângelis

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008


É Natal
E em nossos corações, a esperança toma vida.
É tempo de festa.
Tempo de união entre os seres.
Vamos festejar o Menino Deus com alegria.
E desejarmos que o amor do Cristo continue sempre presente entre nós, trazendo a certeza de um amanhã, num mundo cheio de alegrias.

Feliz Natal.

NA NOITE DE NATAL

-Minha mãe, porque Jesus,
Cheio de amor e grandeza,
Preferiu nascer no mundo
Nos caminhos da pobreza?
...
Porque não veio até nós
Entre flores e alegrias,
Num berço todo enfeitado
De sedas e pedrarias?"
..
-"Acredito, meu filhinho,
Que o Mestre da Caridade
Mostrou, em tudo e por tudo,
A luminosa humildade!...
..
Às vezes, penso também,
Nos trabalhos deste mundo,
Que a Manjedoura revela
Ensino bem mais profundo!".
..
E a pobre mãe de olhos fixos
Na luz do céu que sorria,
Concluiu com sentimento
Em terna melancolia:
..
-"Por certo, Jesus ficou
Nas palhas, sem proteção,
Por não lhe abrirmos na Terra
As portas do coração."
..
João de Deus

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O MESTRE NASCEU

Ouve-se, ao longe, magnífica canção...
Rompendo a escuridão surge uma estrela...
A brisa leve espalha suave perfume no ar...
O Mestre nasceu!
O mundo precisa de paz...
A humanidade clama por justiça...
O homem se entristece, solitário e sem rumo...
O Mestre nasceu, trazendo notícias de um Deus justo e bom.
A humanidade tem sede de amor...
O mundo reclama fraternidade...
O homem se embrutece nas guerras...
O Mestre nasceu, e disse que é preciso amar o próximo como a si mesmo.
O homem contempla o céu e busca tesouros na Terra.
Quer a felicidade e se entrega às sensações passageiras.
Aspira ser livre e se prende a grilhões.
O Mestre nasceu, e falou dos caminhos que nos levam ao céu, afagou com ternura os deserdados da Terra e envolveu num abraço os sedentos de amor.
O ser humano cansado da luta e exaurido na dor tem sede de paz...
Procura um remanso seguro, mas esquece das lições que o Mestre deixou.
É preciso ter olhos de ver e ouvidos de ouvir...
O Mestre nasceu...
Como um sorriso na face da vida.
Como uma estrela desconhecida...
Como a beleza serena de Deus...
Nasceu o menino.
Como nasce o rio na fonte.
Como o sol por detrás do monte.
Nova esperança no mundo acendeu.
Como as causas que geram a vida.
Como a vida se enche de amor.
Como um plano do Criador.
A semear a sua força divina.
O Mestre nasceu!
Cantou a esperança, em poemas de luz...
Falou da justiça em versos de amor...
Ensinou a fraternidade com a força do exemplo...
Plantou diretrizes em sábias parábolas...
Falou de um Reino que não é daqui...
Enalteceu um Pai Nosso que é feito de amor.
Perdoou seus irmãos que o pregaram na cruz.
E espera até hoje quem o queira seguir...
O Mestre nasceu!
É Natal outra vez...
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na música “O Mestre nasceu”, de autoria de Marco Lima.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

COMEMORAÇÃO ESPÍRITA DO NATAL

Sander Salles Leite
As antigas e primitivas civilizações viviam quase que exclusivamente da caça e da pesca para a sobrevivência. O instinto sobrepujava a razão e a vida em coletividade propiciava certamente grandes reuniões em torno da comida caçada, seja para festejar a vitória do homem sobre o animal, para saciar a fome ou pelo prazer de estarem juntos.
O progresso da humanidade pela utilização da inteligência proveu ao homem sua casa, sua roupa, suas armas, até a invenção das letras e o registro escrito das idéias, mas o senso de coletividade, da vida em sociedade descrito no Livro dos Espíritos(1) sempre existiram e todas as grandes ou pequenas reuniões sempre foram acompanhadas de farta alimentação, não raro para "informar" a condição social do grupo.
Este hábito milenar não mudou. Pequenas e singelas reuniões espíritas também são acompanhadas do tradicional chazinho, bolinho, bolachinha e outros humildes "inhos", reflexo das fortes impressões secularmente marcadas em nosso espírito.
Daí, para entendermos a razão de comemorarmos o Natal com banquetes deslumbrantes, bebidas alcoólicas e demais desatinos não é necessário muito exercício de raciocínio.
O que nos interessa, portanto, após a compreensão desse fato, é desvinculação dele do verdadeiro sentido da data natalina. Já que não podemos fugir da convenção da existência do 25 de dezembro como sendo a comemoração do nascimento de Jesus; não podemos nos esconder no porão da casa para fugir ao consumismo comercial provocado pela euforia da troca de presentes, nós espíritas devemos nos envolver mais profundamente com seu significado maior, lembrando aos amigos e freqüentadores das Casas Espíritas que Jesus, em nenhuma hipótese espera que comemoremos seu aniversário empanturrados de comida ou bêbados, pois Ele veio nos ensinar a viver em paz, a amar os semelhantes e a compreender Deus como Pai bondoso e sempre disposto a nos oferecer oportunidades de aprendizado através da reencarnação como forma de crescer espiritualmente e atingir as altas paragens espirituais, até sermos perfeitos(2).
Lembrar aos espíritas, que a data é propícia para as famílias que realizam reuniões de estudos do Evangelho no Lar, oferecerem neste dia aos demais familiares a oportunidade de comemorar o Natal sem os exageros conhecidos. Participar da vida social normalmente, participando até das conhecidas brincadeiras de amigo secreto, almoço confraternativo na empresa também faz parte do nosso dia-a-dia terreno, porém , tendo sempre em mente a condição espírita: o Natal é uma alusão ao nascimento do Cristo e em nenhuma hipótese os exageros devam fazer parte de nossa vida e o nosso exemplo junto aos não espíritas poderá ser uma útil fonte para reflexões.
(1) O Livro dos Espíritos, A. Kardec - Q. 766 - 76ª Ed. - FEB
(2) O Livro dos Espíritos, A. Kardec - Q. 112/113 - 76ª Ed. - FEB

domingo, 21 de dezembro de 2008

FESTIVAL DE BÊNÇÃOS

Não desdenhes os valores inapreciáveis do serviço cristão, no teu processo de renovação espiritual.Não desconsideres a contribuição ao sofrimento, na programática do teu crescimento íntimo.
Não subestimes os testemunhos da renúncia e da humildade, no esforço de libertação pessoal.
Não desdenhes as ciladas morais na vilegiatura carnal, durante a aprendizagem espírita.
Não desprezes o contributo do estudo e da meditação, face aos compromissos da tua própria evolução.
Não te escuses ao trabalho, por mais insignificante ou mais expressivo, que te constitui desafio à comodidade, perante a escalada do teu progresso.
Não te infirmes, na condição de aprendiz, colocado como estás no processo de educação espiritual.
Comprometido com a vida, estagias no educandário terrestre, sob disciplinas necessárias ao crescimento e à conquista da paz.
Atado à retaguarda por vínculos infelizes, experimentas as constrições de que dependes, embora anelando por libertação.
Age, enquanto é hoje. Ajuda, além do teu limite. Cresce, pelo desprendimento de ti mesmo e auxilia os que te retêm no dédalo das aflições.
Não marchas a sós, sem companhias com as quais sintonizas em razão do pretérito, tanto quanto dos objetivos que te fascinam a mente e o sentimento.
Eleva o padrão das tuas aspirações e trabalha o solo dos teus desejos, semeando a luz do amor, a fim de que o amor te responda com paz por cada lance de sacrifício e luta.
Vigia as nascentes do sentimento e não te canses de aprender, ensinar e viver a lição do otimismo que ressuma da palavra do Senhor.
Um dia, bendirás todo este esforço e, ao praticá-lo, desde agora, compreenderás que a verdadeira felicidade nasce como uma suave claridade estelar que atinge a plenitude e absorve toda a sombra e tristeza, num festival de bênçãos para o Espírito.
Joanna de Ângelis

sábado, 20 de dezembro de 2008

O CAMINHO DA VIDA

A comparação que se segue pode ajudar a compreender as peripécias da vida da alma.
Suponhamos uma longa estrada, sobre o percurso da qual se encontram de distância em distância, mas em intervalos desiguais, florestas que é preciso atravessar; à entrada de cada floresta, a estrada larga e bela é interrompida e não retoma senão na saída. Um viajor segue essa estrada e entra na primeira floresta; mas lá, não encontra mais vereda batida; um dédalo inextrincável no meio do qual se perde; a claridade do Sol desapareceu sob o espesso maciço das árvores; ele erra sem saber para onde vai; enfim, depois de fadigas extraordinárias chega aos confins da floresta, mas abatido de fadiga, rasgado pelos espinhos, machucado pelos calhaus. Lá reencontra a estrada e a luz, e prossegue seu caminho, procurando se curar de suas feridas.
Mais longe, encontra uma segunda floresta, onde o esperam as mesmas dificuldades; mas já tem um pouco de experiência e dela sai menos contundido. Numa, encontra um lenhador que lhe indica a direção que deve seguir e impede-o de se perder. A cada nova travessia a sua habilidade aumenta, se bem que os obstáculos são mais e mais facilmente superados; seguro de reencontrar a bela estrada na saída, essa confiança o sustenta; depois sabe se orientar para encontrá-la mais facilmente.
A estrada termina no cume de uma montanha muito alta, de onde avista todo o percurso desde o ponto de partida; vê também as diferentes florestas que atravessou e se lembra das vicissitudes que experimentou, mas essa lembrança nada tem de penosa, porque alcançou o objetivo; é como o velho soldado que, na calma do lar doméstico, se lembra das batalhas às quais participou. Essas florestas disseminadas sobre a estrada são para ele como pontos negros sobre um quadro branco; ele diz a si mesmo: "Quando estava nessas florestas, nas primeiras vezes, sobretudo, como me pareciam longas para atravessar!
Parecia-me que não chegaria mais ao fim; tudo me parecia gigantesco e intransponível ao meu redor. E quando penso que, sem esse bravo lenhador que me recolocou no bom caminho, talvez estaria ali ainda! Agora que considero essas mesmas florestas, do ponto de vista onde estou, como me parecem pequenas! Parece-me que, com um passo, teria podido transpô-las; bem mais, a minha vista as penetra e nelas distingo os menores detalhes; vejo até as faltas que cometi". Então um velho lhe diz:
- Meu filho, eis-te no fim da viagem, mas um repouso indefinido te causaria logo um tédio mortal, e ficarias a lamentar as vicissitudes que experimentaste e que deram atividade aos teus membros e ao teu Espírito. Vês daqui um grande número de viajores sobre a estrada que percorreste, e que, como tu, correm risco de se perder no caminho; tens a experiência, não temes mais nada; vai ao seu encontro e, pelos teus conselhos, trata de guiá-los, a fim de que cheguem mais cedo.
- Vou com alegria, redargue nosso homem; mas, ajuntou, por que não há uma estrada direta do ponto de partida até aqui? Isso pouparia, aos viajores, passar por essas abomináveis florestas.
- Meu filho, replica o ancião, olha bem nelas e verás que muitos evitam um certo número delas; são aqueles que, tendo adquirido mais cedo a experiência necessária, sabem tomar um caminho mais direto e mais curto para chegar; mas essa experiência é o fruto do trabalho que as primeiras travessias necessitaram, de tal sorte que não chegam aqui senão em razão do seu mérito. Que saberias, tu mesmo, se por ali não tivesses passado? A atividade que deveste desdobrar, os recursos de imaginação que te foram necessários para te traçar um caminho, aumentaram os teus conhecimentos e desenvolveram a tua inteligência; sem isso, serias novato como em tua partida.
E depois, procurando tirar-te dos embaraços, tu mesmo contribuíste para a melhoria das florestas que atravessaste; o que fizeste é pouca coisa, imperceptível; mas pensa nos milhares de viajores que o fazem também, e que, trabalhando para si mesmos, trabalham, sem disso desconfiarem, para o bem comum. Não é justo que recebam o salário de seu trabalho no repouso do qual gozam aqui? Que direito teriam a este repouso se nada tivessem feito?
- Meu pai, questiona o viajor, numa dessas florestas, encontrei um homem que me disse: "Sobre a borda há um imenso abismo que é preciso transpor de um salto; mas, sobre mil, apenas um consegue; todos os outros lhe caem no fundo, numa fornalha ardente e estão perdidos sem retorno. Esse abismo eu nunca vi".
- Meu filho, é que não existe, de outro modo isso seria uma armadilha abominável estendida a todos os viajores que viessem em minha casa. Eu bem sei que lhes é preciso superar as dificuldades, mas sei também que, cedo ou tarde, as superarão; se tivesse criado impossibilidades para um único, sabendo que deveria sucumbir, teria sido cruel, e com mais forte razão se o fizera para o grande número. Esse abismo é uma alegoria da qual vais ver a explicação.
Olha sobre a estrada, nos intervalos das florestas; entre os viajores, vês os que caminham lentamente, com um ar feliz, vês esses amigos que se perderam de vista nos labirintos da floresta, como estão felizes em se reeencontrarem na saída; mas, ao lado deles, há outros que se arrastam penosamente; são estropiados e imploram a piedade dos que passam, porque sofrem cruelmente das feridas que, por sua falta, fizeram a si mesmos atravessando os espinheiros; mas disso se curarão, e isso será, para eles, uma lição da qual aproveitarão na nova floresta que terão que atravessar, e de onde sairão menos machucados.
O abismo é a figura dos males que sofrem, e dizendo que sobre mil só um o transpõe, esse homem teve razão, porque o número dos imprudentes é muito grande; mas errou dizendo que, uma vez caído dentro, dele não se sai mais; há sempre uma saída para chegar a mim. Vai, meu filho, vai mostrar essa saída àqueles que estão no fundo do abismo; vai sustentar os feridos da estrada e mostra o caminho àqueles que atravessam as florestas.
A estrada é a figura da vida espiritual da alma, sobre o percurso da qual se é mais ou menos feliz; as florestas são as existências corpóreas, onde se trabalha para o seu adiantamento, ao mesmo tempo que para a obra geral.
O viajante que chega ao objetivo e que retorna para ajudar aqueles que estão atrasados, é a dos espíritos guardiães, missionários de Deus, que encontram a sua felicidade em seu objetivo, mas também na atividade que desdobram para fazerem o bem e obedecerem ao supremo Senhor.
Allan Kardec - Obras Póstumas

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ORAÇÃO DO NATAL


Senhor Jesus. Há quase dois milênios, estabelecias o Natal com a tua doce humildade na manjedoura, onde te festejaram todas as harmonias da natureza. Reis e pastores vieram de longe, trazendo-te ao berço pobre o testemunho de sua alegria e de seu reconhecimento. As estrelas brilharam com luz mais intensa nos fulgores do céu e uma delas destacou-se no azul do firmamento, para clarificar o suave momento de tua glória. Desde então, Senhor, o mundo inteiro, pelos séculos afora, cultivou a lembrança da tua grande noite, extraordinária de luz e de belezas diversas.
Agora, porém, as recordações do Natal são muito diversas.
Não se ouvem mais os cânticos dos pastores, nem se percebem os aromas agrestes da Natureza.
Um presepe do século XX seria certamente arrranjado com eletricidade, sobre uma base de bombas e de metralhadoras, onde aquela legenda suave do "Gloria in excelsis Deo" seria substituída por um apelo revolucionário dos extremismos politicos da atualidade.
As comemorações já não são as mesmas.
Os locutores de rádio falarão da tua humildade, no cume dos arranha-céus, e, depois de um programa armamentista, estranharão, para os seus ouvintes, que a tua voz pudesse abençoar os pacificos, prometendo-lhes um lugar de bem-aventurados, embora haja isso ocorrido há dois mil anos.
Numerosos escritores falarão, em suas crônicas elegantes, sobre as crianças abandonadas, estampando nos diários um conto triste, onde se exalte a célebre virtude cristã da caridade; mas, daí a momentos, fecharão a porta dos seus palacetes ao primeiro pobrezinho.
Contudo, Senhor, entre os superficialismos desta época de profundas transições, almas existem que te esperam e te amam. Tua palavra sincera e branda, doce e enérgica, lhes magnetiza os corações, na caprichosa e interminável esteira do tempo. Elas andam ocultas nas planícies da indiferença e nas montanhas de iniquidade deste mundo. Conservam, porém, consigo a mesma esperança na tua inesgootável misericórdia.
É com elas e por elas que, sob as tuas vistas amoráveis, trabalham os que já partiram para o mundo das suaves revelações da Morte. É com a fé admirável de seus corações que semeamos, de novo, as tuas promessas imortais, entre os escombros de uma civilização que está agonizando, à míngua de amor.
E por essa razão que, sem nos esquecermos dos pequeninos que agrupavas em derredor da tua bondade, nos recordamos hoje, em nossa oração, das crianças grandes, que são os povos deste século de pomposas ruínas.
Tu, que és o príncipe de todas as nações e a base sagrada de todos os surtos evolutivos da vida planetária; que és a misericórdia infinita, rasgando todas as fronteiras edificadas no mundo pelas misérias humanas, reúne a tua família espiritual, sob as algemas da fraternidade e do bem que nos ensinaste! ...
Em todos os recantos do orbe, há bocas que maldizem e mãos que exterminam os seus semelhantes. Os espíritos das trevas fazem chover o fogo de suas forças apocalípticas sobre as organizações terrestres, ateando o sinistro incêndio das ambições, na alma de multidões alucinadas e desvalidas. Por toda a parte, assomam os falsos ídolos da impenitência do mundo e místicas políticas, saturadas do vírus das mais nefastas paixões, entornam sobre os espíritos o vinho ignominioso da Morte.
Mas, nós sabemos, Senhor, como são falazes e enganadoras as doutrinas que se afastam da seiva sagrada e eterna dos teus ensinos, porque dissipas misericordiosamente a confusão de todas as almas, ainda que os seus arrebatamentos se apóiem nas paixões mais generosas.
Tu, que andavas descalço pelos caminhos agrestes da Galileia, faze florescer, de novo, sobre a Terra, o encanto suave da simplicidade no trabalho, trazendo ao mundo a luz cariciosa de tua oficina de Nazaré! ...
Tu, que és a essência de nossos pensamentos de verdade e de luz, sabes que todas as dores são irmãs umas das outras, bem como as esperanças que desabrocham nos corações dos teus frágeis tutelados, que vibram nos mesmos ideais, aquém ou além das linhas arbitrárias que os homens intitularam de fronteiras!
Todas as expressões da filosofia e da ciência dos séculos terrenos passaram sobre o mundo, enchendo as almas de amargosas desilusões. Numerosos sábios e numerosos políticos te ridicularizaram, desdenhando as tuas lições inesquecíveis. mas, nós sabemos que existe uma verdade que dissimulaste aos mais inteligentes para a revelares às criancinhas, encontrada, aliás, por todos os homens, fiilhos de todas as raças, sem distinção de crenças ou de pátrias, de tradições ou de família, que pratiquem a caridade em teu nome ...
Pastor do rebanho de ovelhas tresmalhadas, desde o primeiro dia em que o sopro divino da vontade do Nosso Pai fêz brotar a erva tenra, no imenso campo da existência terrestre, pairas acima de todos os povos e de suas transmigrações incessantes, no curso do tempo, ensinando as criaturas humanas a considerar o nada de suas inquietações, em face do dia glorioso e infinito da Eternidade! ...
Agora, Senhor, que as línguas da impiedade conclamam as nações para um novo extermínio, manifesta a tua bondade, ainda uma vez, aos homens infelizes, para que compreendam, a tempo, a extensão do seu ódio e de sua perversidade.
Afasta o dragão da guerra de sobre o coração dilacerado das mães e das crianças de todos os países, curando as chagas dos que sangram de dor selvagem à beira dos caminhos.
Revela aos homens que não há outra força além da tua e que nenhuma proteção pode existir, além daquela que se constitui da segurança de tua guarda!
Ensina aos sacerdotes de todas as crenças do Globo, que falam em teu nome, o desprendimento e a renúncia dos bens efêmeros da vida material, a fim de que entendam as virtudes do teu reino, que ainda não reside nas suntuosas organizações dos Estados deste mundo!
Tu, que ressuscitaste Lázaro das sombras do sepulcro, revigora o homem moderno, no túmulo das suas vaidades apodrecidas !
Tu, que fizeste que os cegos vissem, que os mudos falassem, abre de novo os olhos rebeldes de tuas ovelhas ingratas e desenrola as línguas da verdade e do direito, que o medo paralisou, nesta hora torva de penosos testemunhos!
Senhor, desencarnados e encarnados, trabalhamos no esforço abençoado de nossa própria regeneração, para o teu serviço divino!
Nestas lembranças do Natal, recordamos a tua figura simples e suave, quando ias pelas aldeias que bordavam o espelho claro das águas do Tiberíades! . .. Queremos o teu amparo, Senhor, porque agora o lago de Genesaré é a corrente represada de nossas próprias lágrimas. Pensamos ainda ver-Te, quando vinhas de Cesareia de Filipe para abraçar o sorriso doce das criancinhas. .. De teus olhos misericordiosos e compassivos, corria uma fonte perene de esperanças divinas para todos os corações; de tua túnica humilde e clara, vinha o símbolo da paz para todos os homens do porvir e, de tuas palavras sacrossantas, vinha a luz do céu, que confunde todas as mentiras da Terra! ...
Senhor, estamos reunidos em teu Natal e suplicamos a tua bênção!... Somos as tuas crianças, dentro da nossa ignorância e da nossa indigência! .. ' Apiada-te de nós e dize-nos ainda:
"Meus filhinhos ... "
HUMBERTO DE CAMPOS

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

GESTOS SIMPLES

Não te proclames inútil
Porque te falte vintém.
O amor espontâneo e puro
É a fonte de todo o bem.
...
Se o desejo de ajudar
É a força com que te afinas,
Resguarda-te na humildade,
Olha as coisas pequeninas.
..
Toda delonga no auxílio
E' como luz que se atrasa:
Na exaltação do melhor,
Começa da própria casa.
..
à queixa dos entes caros,
Traze a bênção da esperança:
Suporta com paciência
O choro de uma criança.
..
Se um parente vive errado,
Dá-lhe à vida, estranha e louca,
A prece no sentimento
E a caridade na boca.
..
Lava o prato que te serve,
Compõe a roupa da mesa,
Toma a vassoura e protege
A formação da limpeza.
..
Na indiferença da rua,
Por mais pressa em teu caminho,
Estende o braço ao enfermo
Que segue triste e sozinho.
..
Atravessando a calçada,
Coopera em favor do asseio
E desloca todo entrave
Que perturbe o passo alheio.
..
Estira a semente amiga
No extenso lençol do chão,
Envolvendo a própria estrada
Em vida, perfume e pão.
..
Articula, onde estiveres,
Verbo doce e cristalino.
Duas frases de bondade
Elevam qualquer destino.
..
Não olvides que Jesus
O Mestre da Redenção,
Trouxe a luz do Céu à Terra
No ouro do coração.
..
Casimiro Cunha

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ENCONTRO DE NATAL

Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção ...
Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo.
Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesses no peito um canteiro de rosas orvalhado de lágrimas! ...
É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria.
Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos do carinho perfeito; entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus, suspirando por leve proteção que os resguarde contra o frio da noite; banqueteias-te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças desprotegidas, aguardando o socorro do Cristo, enlanguescem de fadiga e necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana dos astros; no entanto, nas vizinhanças, cooperadores humildes do Mestre choram cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excessos de reconforto; contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando quem lhes dê a bênção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas grades dos manicômios ou no leito dos hospitais ...
Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença do Cristo no coração!
Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se derramou das estrelas.
Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo·te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!
MEIMEI

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

PORQUE, SENHOR ?

... E Nicodemos, o grande Nicodemos dos dias primeiros do Evangelho, passou a contar-nos;
- Depois da aparição do Senhor aos quinhentos da Galiléia, certo dia, ao entardecer, detive-me à beira do lago de suas pregações, rogando a Ele me dissipasse as dívidas. Ante os ensinamentos divinos, eu experimentava o entrechoque em torno das ideias de justiça e misericórdia, responsabilidade e perdão... De que maneira conciliar o bem e o mal? como estabelecer a diferença entre prêmio e castigo? Atormentado, perante as exigências da Lei de que eu era intérprete, supliquei-lhe a palavra e eis que, de súbito, o Excelso Benfeitor apareceu junto de mim... Prostrei-me na areia e Jesus, aproximando-se, tocou-me, de leve, a cabeça fatigada, e inquiriu:
- Nicodemos, que pretendes de mim?
- Senhor – explique -, tenho o pensamento em fogo, tentando discernir sobre retidão e delinquência, bondade e correção... Porque te banqueteaste com pecadores e tanta vez te referiste, quase rudemente, aos fariseus, leais seguidores de Moisés? Acaso, estão certas as pessoas de vida impura, e erradas aquelas outras que se mostram fiéis à Lei?
Jesus respondeu com inflexão de brandura inesquecível:
- Nunca disse que os pecadores estão no caminho justo, mas afirmei que não vim ao mundo socorrer os sãos, e sim os enfermos. Quanto aos princípios de santidade, que dizer dos bons que detestam os maus, dos felizes que desprezam os infelizes, se todos somos filhos de Deus? de que serve o tesouro enterrado ou o livro escondido no deserto?
- Messias – prosseguiu -, porque dispensaste tanta atenção a Zaqueu, o rico, a ponto de lhe compartilhares a mesa, sem visitar os lares pobres que lhe circundam a moradia?
- Estive com a multidão, desde as notícias iniciais do novo Reino!... Relativamente a Zaqueu, é ele um rico que desejava instruir-se, e furtar a lição, àqueles amigos a quem o mundo apelida de avaros, é o mesmo que recusar remédio ao doente...
- E as meretrizes, Senhor? porque as defendeste?
- Nicodemos, na hora do Juízo Divino, muitas dessas mesmas desventuradas mulheres, que censuras, ressurgirão do lodo da angústia, limpas e brilhantes, lavadas pelo pranto e pelo suor que derramarem, enquanto que aparecerão pejados de sobra e lama aquelas que lhes prostituíram a existência, depois de lhes abusarem da confiança, lançando-as à condenação e à enfermidades.
- Senhor, ouví dizer que deste a Pedro o papel de condutor dos teus discípulos... Porquê? não é ele o colaborador que te negou três vezes?!
- Exatamente por isso... Na dor do remorso pelas próprias fraquezas, Simão ganhará mais força para ser fiel... Mais que os outros companheiros, ele sabe agora quanto custa o sofrimento da deserção...
- Mestre, e os ladrões do último dia? porque te deixaste imolar entre dois malfeitores? e porque asseguraste a um deles o ingresso no paraíso, junto de ti?
- Como podes julgar apressadamente a tragédia de criaturas cuja história não conheces desde o princípio? Não acaberto os que praticam o mal; no entanto, é preciso saber até que ponto terá alguém resistido à tentação e ao infortúnio para que se transformam em vítimas do próprio desequilíbrio e há empreiteiros da fome que responderão pela crueldade com que sonegam o pão... Com referência ao amigo a quem prometi a entrada imediata na Vida Superior, é verdade que assim o fiz, mas não disse para quê... Ele realmente foi conduzido ao Mundo Maior para ser reeducado e atendido em suas necessidades de erguimento e transformação!...
- Senhor – insistiu -, e a responsabilidade com que nos cabe tratar da justiça? porque pediste perdão ao Todo-Poderoso para os próprios carrascos, quando dependurado na crus do martírio, inocentando os que te espancavam?
- Não anulei a responsabilidade em tempo algum... Roguei, algemado à cruz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem...” Com isso, não asseverei que os nossos adversários gratuitos estivessem fazendo o que deviam fazer... Esclareci, tão-so, que eles não sabiam o que estavam fazendo e, por isso mesmo, se revelavam dignos da maior compaixão!...
Ante as palavras do Senhor – concluiu o antido mestre de Israel -, as lágrimas me subiram das entranhas da lama para os olhos... Nada mais ví que não fosse o véu diáfano do pranto, a refletir as sombras que anunciavam a noite... Ainda assim, ouvi, como se o Senhor me falasse lonfe, muito de longe:
- Misericórdia quero, não sacrifício...
Nesse ponto da narrativa, Nicodemos calou-se. A emoção sufora a voz do grande instrutor, cuja presença nos honrava a mansão espiritual. E, quanto a nós, velhos julgadores do mundo, que o ouvíramos atentos, entramos todos em meditação e silêncio, de vez que ninguém apareceu em nossa tertúlia íntima com bastante disposição para acrescentar palavra.


Livro Estante da Vida – Pelo Espírito “Irmão X” - Psicografia Francisco C. Xavier

domingo, 14 de dezembro de 2008

O DIA DE NATAL

O dia de Natal é, por excelência, o dia grande para o cristão. Não há outro maior. Para que a natureza das coisas esteja sempre em desarmonia com a verdade delas, até o dia maior da humanidade é o dia mais pequeno do ano. É naturalmente por isso que o Cristo nasceu de noite.
A noite era a maior; e Deus, nosso Pai, queria, com aquele nascimento na maior noite, dizer ao homem que era aquele Filho seu a luz maior para dissipar a mais dilatada treva.
A civilização, feita de comodismos e vaidades, vai rindo das coisas que eram o encanto dos nossos avós, e que constituíam os mais belos reflexos da crença e do amor. Hoje, só nos recantos ignorados da nossa província se festeja sincera e devotamente a grande noite.
Só lá se reúnem os parentes ausentes, para quinhoarem a consoada, fazerem a meia noite e irem assistir devotamente ao nascimento do Menino como se em verdade ele nascesse no humilde presbitério, caiadinho de branco e recendendo a incenso, perdido no centro da povoação, como sentinela vigilante contra a heresia civilizada.
Lá vão todos, cantando e folgando, como quem vai para a festa maior, depois de, nas suas salas e nos seus eirados, terem passado revista amistosa às suas famílias, deixando cair uma lágrima de saudade pelo ausente que a distância conservou afastado, ou que a morte afastou para sempre daquela consoladora cerimônia.
Ali, naquele meio, onde as filosofias ainda não chegaram, ainda não há pejo de se confessar em voz alta a crença em Deus. Não se presumirá quem seja o Deus que adoram, nem o Jesus de que festejam o nascimento; mas sabem, na simplicidade da sua alma, que aquele menino que vão ver nascer é a paz do seu lar e da sua consciência, que é por ele que ali estão reunidos, e que é a ele que se apegam nas suas dores; que é a ele que encarregam de velar pelo filho, pelo pai ou pelo irmão ausente e é dele que esperam o pão e a salvação. Às almas boas isso lhes basta. Essa fé encontraram ao entrar no mundo, e essa fé desejam legar ao sair dele.
Não conheci na Terra coisa tão tocante como a noite de natal provinciana. É o momento único da família. Os ausentes, naquele momento, deixam de pensar nos seus interesses, nas suas mágoas pessoais, para enviarem um pensamento de saudade e de ternura aos seus velhinhos de cabelos alvos como estrigas de linho, que naquele mesmo momento rezam por esses ausentes, alheando-se de si próprios, na magoada saudade de os não verem, e no tímido receio de que a neve, que lhes cobre os cabelos, desça ao coração sem que eles voltem a abençoá-los em nome de Deus.
Momentos de recordação e de saudade, em que os risos têm a placidez dos justos, e as lágrimas a suavidade do amor puro. Todos se lembram, todos se reúnem em pensamento ou em corpo, em nome de Jesus, para lhe festejarem mais um nascimento.
Ali estão todos, à luz mortiça do braseiro, a recordar, a rir ou a rezar, consoante o sentimento que domina a família toda, na mais tocante comunhão de afetos. E tudo suavemente, e tudo tranqüilamente, como se a suavidade humilde e divina do Mestre tivesse baixado a envolver na luz morna do seu afeto aqueles que, em nome dele, ali se acham reunidos.
Nas cidades, onde o silvo do vapor, o rugido dos enormes monstros d'aço e ferro, o fumo das chaminés, a celeridade do movimento, a luta pela vida, a moda da civilização, empederniu o coração humano, ou, pelo menos, o embotou pelo egoísmo ou o perverteu pela vaidade, não se conhecem aqueles deliciosos momentos, e alcunham de pieguice condenável o que de bom existe no organismo humano - o sentimento.
Como eu os lamento! Como são dignos de lástima na sua ignorância ou na sua inconsciência!Natal! Natal! Nasceu o Redentor!
Que ele dê a paz ao mundo, e a ti, meu querido amigo, a luz à tua alma e a paz à tua vida!
(Espírito Júlio Diniz - médium: Fernando de Lacerda - Obra: Do País da Luz)

Nota do compilador: Júlio Diniz foi o pseudônimo literário de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, romancista português (1839-1871). Suas obras que se situam entre o romantismo e o realismo são de linguagem simples e enredo casto, e se espelham nos meios burgueses e campesinos. As Pupilas do Senhor Reitor é de sua autoria.
Esta mensagem foi recebida em 1906.

sábado, 13 de dezembro de 2008

REENCONTRO NO NATAL

A SENHORA M. C., funcionária dos correios de grande metrópole atendia à seleção da correspondência recolhida pela manhã, prelibando a festa marcada para a noite. A véspera do Natal lhe surgia excitante. Encontro alegre de amigos.
Separada do marido, depois de dois anos, promovia o desquite. Com ele, deixara o filho único e os ideais mais lindos de mulher. Escolhera uma profissão, vencendo as dificuldades por si mesma.
Agia com as mãos e pensava: “Hoje, renovarei o caminho. Um sonho diferente. Afinal, estou livre e posso aceitar obrigações para com outro homem. Partirei, de hoje em diante, para a formação de novo lar. Já disse tudo a ele e ele me compreendeu. É um rapaz desquitado, sofrido quanto eu mesma”.
Enquanto isso, os dedos tateavam cartas e jornais. Quase mecanicamente, revisava nomes, carimbos, anotações. Escolhia material, aqui e ali.
Em dado momento, um papel dobrado, sem envelope, lhe caiu aos pés. Apanhou-o. Uma folha simples com endereço com letras desajeitadas: “Para Jesus – No Céu”.
A funcionária examinou o pequeno e estranho documento e, porque estivesse claramente aberto, mergulhou-se na leitura, de modo a inteirar-se de como devia agir e devorou o conteúdo, palavra por palavra:
“Querido Jesus.
Soube que o Senhor é quem distribui presentes para todos no Natal. Muita gente acredita no Papai Noel, mas tia Belinda me disse que Papai Noel é o Senhor mesmo.
Vou colocar esta carta na caixa do correio, pedindo uma cousa. Vou explicar.
Não querida que o Senhor me desse brinquedos, nem mesmo o automóvel que vi na loja. Queria que o Senhor me trouxesse minha mãe.
O Senhor sabe que ela nos deixou porque sofria demais. De noite, quando meu pai chegava da rua, fechava a porta com força e xingava muito, porque havia tomado bebidas fortes. Dava pontapés nas cadeiras e depois avançava para ela querendo bater e, às vezes, até batia.
Mamãe chorava, abraçada comigo, mas, uma noite, ela saiu e não voltou mais. Fiquei muito triste e papai também. Ele é bom para mim, mas quando bebe diz que eu não presto, que vai me levar para um asilo ou para o hospital.
Estou doente, querido Jesus, mas estou na escola. Quando é de noite, sinto frio e tenho muita tosse. Tia Belinda e Dona Silvana cuidam de mim, mas não é a mesma cousa que minha mãe.
O Senhor poderá encontrar mamãe e trazê-la. Se o Senhor falar com ela que estou doente, sem dormir de noite e tomando remédios, sei que ela virá.
Querido Jesus, não precisa mandar brinquedos nem bombons como no ano passado. Traga mamãe para mim.”
A Senhora M. C. leu a assinatura engasgada de emoção. Chegara-lhe às mãos a missiva do filhinho de oito anos.
Recompunha o rosto, lavado em pranto, quando foi chamada ao telefone. Atendendo, disse apenas ao interlocutor que conversava no outro lado do fio:
- Agradeço, mas sinto muito. Não me espere mais. Tenho novos compromissos.
E, à noite, a senhora M. C. demandou o antigo lar. Recebida alegremente pelas duas senhoras que lhe chefiavam agora a casa, passou na sala de visitas pelo esposo que, embora embriagado, a cumprimentou, surpreendido.
Rapidamente, alcançou o quarto do filhinho, com a ansiedade de quem reencontra um tesouro perdido e o pequeno, ao vê-la, ergueu-se do leito, exclamando, feliz:
- Ah! Mamãe!... Mamãe!... Então Jesus recebeu a minha carta e trouxe a senhora?!...
Ela somente respondeu, com o peito rebentando em lágrimas de ventura:
- Ah! Meu filho!... Meu filho!...


Irmão X
LiVro Os Dois Maiores Amores - Psicografia Chico Xavier - Autores Diversos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A MANJEDOURA


As comemorações do Natal conduzem-nos o entendimento à eterna lição de humildade de Jesus, no momento preciso em que a sua mensagem de amor felicitou o coração das criaturas, fazendo-nos sentir, ainda, o sabor de atualidade dos seus divinos ensinamentos.
A Manjedoura foi o Caminho.
A exemplificação era a Verdade.
O Calvário constituía a Vida.
Sem o Caminho, o homem terrestre não atingirá os tesouros da Verdade e da Vida.
É por isso que, emaranhados no cipoal da ambição menos digna, os povos modernos, perdendo o roteiro da simplicidade cristã, desgarra-se da estrada que os conduziria à evolução definitiva, com o Evangelho do Senhor. Sem ele, que constitui o transunto de todas as ciências espirituais, perderam-se as criaturas humanas, nos desfiladeiros escabrosos da impiedade.
Debalde, invoca-se o prestígio das religiões numerosas, que se afastaram da Religião Única, que é a Verdade ou a Exemplificação com o Cristo.
Com as doutrinas da Índia, mesmo no seio de suas filosofias mais avançadas, vemos os párias miseráveis morrendo de fome, à porta suntuosa dos pagodes de ouro das castas privilegiadas.
Com o budismo e com o sintoísmo, temos o Japão e a China mergulhados num oceano de metralha e de sangue.
Com o Alcorão e com o judaísmo, temos as nefandas disputas da Palestina.
Com o catolicismo, que mais de perto deveria representar o pensamento evangélico, na civilização ocidental, vemos basílicas suntuosas e frias, onde já se extinguiram quase todas as luzes da fé. Aí dentro, com os requintes da ciência sem consciência e do raciocínio sem coração, assistimos as guerras absurdas da conquista pela força, identificamos o veneno das doutrinas extremistas e perversoras, verificamos a onda pesada de sangue fratricida, nas revoluções injustificáveis, e anotamos a revivescência das perseguições inquisitórias da Idade Média, com as mais sombrias perspectivas de destruição.
Um sopro de morte atira ao mundo atual supremo cartel de desafio.
Não obstante o progresso material sente a alma humana que sinistros vaticínios lhe pesam sobre a fronte. É que a tempestade de amargura na dolorosa transição do momento significa que o homem se mantém muito distante da Verdade e da Vida.
As lembranças do Natal, porém, na sua simplicidade, indicam à Terra o caminho da Manjedoura... Sem ele, os povos do mundo não alcançarão as fontes regeneradoras da fraternidade e da paz. Sem ele, tudo serão perturbação e sofrimento nas almas, presas no turbilhão das trevas angustiosas, porque essa estrada providencial para os corações humanos é ainda o Caminho esquecido da Humildade.

Emmanuel
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL -

Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

EM HOMENAGEM AO NASCIMENTO DA ÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE JOANNA ANGÉLICA EM 11.12.1761


PERDOAR
Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente, e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor.
Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão.
Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos.
Se ele agiu, cruciado pela ira, assacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde.
Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo.
Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito.
Conquanto justifique manter a animosidade contra tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção.
Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for.
O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.
* * *
Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia.
O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espirito em lucro.
Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem.
Todo agressor sofre em si mesmo. E um espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar.
Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema - graças à fé clara e nobre que esflora em tua alma - que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, estás considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar.
Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor.
O que te é Inusitado, nele é habitual.
Se não te permitires a ira ou a rebeldia - perdoarás!
* * *
A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações.
O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou para, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante.
A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdescendo tudo e logo multiplicando flores e grãos.
E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da pai-sagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim.
Que é o "Consolador", que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?!
Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez, e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é.
* * *
"Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes".Mateus: 18-22.
"A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for miseri-cordioso não poderá ser brando e pacifico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas".O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. X - Item 4.
* * *
Joanna de Ângelis

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

JUDAS ISCARIOTE/JOANA D’ARC


Nota do compilador: Trecho do romance "Solar de Apolo" que narra a vivência de um grupo familiar há centenas de anos.
Após o convite filial que Políbio dirigiu a seus protetores da infância, decorreram algumas semanas e, por uma tarde hibernal, chegaram aqueles dois amigos ao Solar de Jesus, sendo recebidos com o maior acatamento e carinho por todos os presentes. Nereu e sua consorte já haviam partido para o além.
Depois de refeitas as forças orgânicas, esgotadas em aspérrimas lutas, tendo ambos sido substituídos no templo de Delfos, e, com a recepção afetuosa que lhes fora dispensada, alguns dias após sentiam-se reanimados, embora envelhecidos e algo abatidos.
- Estamos nas proximidades do Solar de Minerva, que pertenceu a meus pais, e, logo depois de sua morte, era meu e de minha desditosa irmã, disse Samuel a seu filho adotivo.
- Quereis ir vê-lo, pai? Mandarei aprestar a sege para vos levar.
- Não, filho, não o quero ver, jamais. Era também meu desejo, Políbio, jamais penetrar neste castelo, ou antes, nesta região, onde tanto padecemos eu e meus entes queridos, mas o Destino impeliu-me a agir de modo contrário, para minha humilhação, ou meu maior conforto. É sempre caprichosa a nossa sina! Temos que nos curvar sob o seu império inexorável!
- Não, pai, respondeu-lhe o jovem inspirado. Em bendita hora vós me levastes ao templo de Delfos onde desabrochou a faculdade psíquica que me salvou do mais bárbaro delito e do suicídio. As luzes que lá me foram transmitidas, em hora oportuna, foram-me preciosas, pois, após haver sido decepado meu braço direito, compreendi que assim foi decretado pelo Juiz Supremo para não cometer um revoltante crime que iria ofender, esfacelar os corações que, até então, tinham sido mais generosos para comigo.
Pois, pensaste, filho, em exterminar teu companheiro de infância? Interpelou-o Samuel admirado.
- Sim, pai, e, neste momento, eu vos imploro perdão, como já o fiz, inúmeras vezes, ao Magistrado universal. Eu fui preterido por aquela que eu já julgava noiva e, embora não vos houvesse revelado, agora confesso toda a verdade: quase enlouqueci de desespero e quis impedir que outrem fruísse a felicidade que eu desejava para mim. Tudo se passou no recesso de minha alma e, foi quando ouvi um amigo invisível bradar a meus ouvidos: - “Foge, desventurado Políbio, para que não apunhales corações amigos e paternais!”
Obedeci ao imperativo da voz tutelar e quanto tenho agradecido ao Pai celestial o haver me proporcionado tão desvelados inspiradores! Deus tudo remediou nos momentos angustiosos. Nunca havia sonhado com a pose deste Solar que, se já foi o palco de cenas condenáveis, hoje é o refúgio dos desventurados, o conforto dos discípulos de Jesus!
Eu, que já perpetrei diversos homicídios em vidas anteriores e, para que não fosse também assassino na que decorre, o alfanje da Tamis divina decepou o meu braço direito! Ao princípio, nos primeiros dias do martírio moral eu me revoltei contra o Destino, mas, depois, quanto o tenho bendito! O Destino, pois, pai, não é arbitrário, mas baseado no Código celestial.
Tudo quanto nos sucede tem uma base real na vida presente ou nas outras peregrinações planetárias, já transcorridas. Por mais que nos atormente essa verdade, devemos nos resignar com os sucessos dolorosos de nossas existências materiais e agradecer ao Sumo Juiz por nos ter proporcionado o ensejo de resgate de uma dívida penosa.
- Muito te agradeço, filho, as elucidações que acabo de receber! Exclamou Samuel, apertando a mão de Políbio. Não duvidarei, jamais, de que tens recebido as inspirações dos Mensageiros celestes!
- Obrigado, pai! Todos os nossos esforços devem tender para culminar este objetivo: nossa Redenção espiritual!
- Dizei-me, pai, como deixastes a missão que desempenháveis em Delfos.
Samuel deixou transparecer profunda melancolia no olhar, e respondeu: - Por enquanto, prossegue a obra de paz e espiritualização que tem por centro de forças aquele Santuário, mas fomos informados pelos nossos mentores de que as condições de trabalho se tornam cada vez mais difíceis e que talvez tenhamos de cessar as nossas atividades no plano físico, lá, por longos séculos. As trevas preparam uma aliança nefanda com os bispos cristãos, em conseqüência da qual eles abandonarão os princípios da sua religião, para participar do governo material do mundo. Prevê-se um demorado período de deturpação dos ensinos de Jesus. Fadado a desaparecer da superfície da Terra, o império romano tentará sobreviver na consciência dos homens pelo terror. Não será possível impedi-lo porque a humanidade em conjunto adora ao bezerro de ouro, evolui lentamente e não está apta a apreciar em seu justo valor as lições de Jesus. Durante muitos séculos os homens ainda buscarão os gozos efêmeros da matéria, o poder temporal, esquecidos do espírito e desprezando as revelações cristãs. Mas a dor e a desilusão os acompanharão e um dia todos serão despertos para a Verdade. Até lá, deveremos trabalhar sem desfalecimento, hora a hora, minuto a minuto, sem indagar se chegaremos a ver os frutos do nosso labor. Todos os homens estão fadados a se tornar gênios do bem, por muito que se transviem e retardem. Herodes, o autor da matança dos inocentes, virá a ser mais tarde o protetor da infância desvalida com o nome de Vicente de Paulo. Judas Iscariotes renascerá como Joana D’Arc; os sumos sacerdotes que condenaram Jesus serão os maiores defensores e divulgadores da sua doutrina, futuramente. Portanto, não há razão para o pessimismo. Só o Bem é eterno, porque emana de Deus; o mal é apenas o Bem ainda imperfeito, como o diamante é o brilhante ainda não lapidado.
(Espírito de Victor Hugo - Obra: O Solar de Apolo - Zilda Gama).

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A PROCURA DA FÉ


Enquanto dolorosos fenômenos políticos e sociais afligem os povos do mundo, a alma humana procura ansiosamente a fé.
Angustiado, desiludido, o homem do século vertiginoso, busca a solução do mistério do destino e do se¿. Ele sabe que as civilizações vieram e passaram, que as guerras se sucederam às promessas de paz, que numerosos códigos surgiram e desapareceram, que as afirmações científicas e filosóficas nao são as mesmas do passado próximo.
Onde a estabilidade?
Na dominação política? Não desconhece que Alexandre e Napoleão brilharam, como pirilampos, através de algumas noites.
Na cultura intelectual, pura e simplesmente? A inteligência disvirtuada fortalece os monstros bélicos.
No império dos sentidos? As emoções transitórias não resolvem o problema fundamental da vida.
Na satisfação egoística dos interesses individuais? É possível que a morte física se verifique para cada lutador terrestre em minuto inesperado.
Aflito, o transviado do País Divino recorre às religiões antigas, mas o culto externo, aparatoso e convencional, dificulta a visão da consciência.
O por isto que o Espiritismo, em sua feição de cristianismo restaurado, provoca os interesses de todos os trabalhadores do pensamento, sequiosos de libertação espiritual. Acorrem todos aos seus estudos, experiências e benefícios.
Urge compreender, todavia, que não se arrebata a luz divina, através dos aparelhos materiais, com que se observam os médiuns humanos, nem se olhe o trigo eterno da verdade, à força de interrogatórios e imposições.
A aquisição de qualquer utilidade terrestre exige pagamento ou compromisso. A obtenção da fé reclama, por sua vez, determinados valores da natureza espiritual. Buscar-lhe o valor positivo, exibindo um coração carregado de forças negativas das convenções terrestres é o mesmo que reclamar água cristalina da fonte, trazendo um cântaro cheio de vinagre e detritos.
Não vale experimentar sem entendimento, responsabilidade, sinceridade e consciência. A fé, ciosa de suas dádivas, não se interessa pelos insensatos, já de si mesmos recomendados à piedade do bem.
É por este motivo que Espiritismo sem edificação do homem interior é simples fenômeno e de fenômenos estão repletos todos os recantos da vida. O por isto que a procura da fé, sem a reforma íntima dos interessados, em Jesus Cristo, costuma representar mera aventura da vaidade humana, impermeável à revelação superior, nas densas trevas dos abismos do “eu”.

Emmanuel
Do livro “Coletâneas do Além”. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Espíritos Diversos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

PÁGINA DE GRATIDÃO

Agradeço, alma querida e boa,
A presença e o carinho
Com que vens partilhar a festa da amizade,
Espargindo esperança ao longo do caminho.

Sei que deixastes obrigações ao longe
Para colaborar
No alívio aos companheiros que carregam
Solidão, abandono, infortúnio, pesar...

Trocaste as horas de refazimento,
De alegria e lazer,
Para aceitar conosco o amparo aos semelhantes
Por sublime dever.

A ternura fraterna que nos trazes
Lembra clarão de renascente aurora,
Dissipando, de chofre, a sombra que domina,
A dor que se tresmalha e a penúria que chora.

Pôs mais rebusque o mundo das palavras,
Não consigo compor
A frase que enalteça ou que defina
O teu gesto de amor.

Por isso, digo apenas,
Ante a luz da oração que nos bendiz:
- Deus te guarde, alma irmã, Deus te compense,
Deus te faça feliz!...

MEIMEI
Psicografia em Reunião Pública. Data – 29-8-1971.
Local – Chá Beneficente, em favor das obras assistenciais da Comunhão Espírita Cristã,
Em São Paulo – Capital.
(De: “Taça de Luz” (Espíritos Diversos), de Francisco Cândido Xavier)

domingo, 7 de dezembro de 2008

PRECE DE LOUVOR

No louvor que te ofertamos,
Pelas bênçãos que nos dás,
Em forma de luz e paz,
Esperança, fé e amor,

Cantamos nós, igualmente:
- Jesus, por todas as crises
Das horas menos felizes,
Louvado sejas, Senhor!...

Pelos instantes de angústia
Que a tristeza nos descerra,
Quando encontramos na Terra
Tribulações a transpor,

Pela ferida que sangra,
Quando a dor nos toma o peito,
Por qualquer sonho desfeito,
Louvado sejas, Senhor!...

Pelas fadigas da luta,
Que travamos dentro em nós,
Quando nos vemos a sós,
Varando sombra e amargor,

Pelos calvários da vida,
Pela cruz com que nos levas,
Vencendo provas e trevas,
Louvado sejas, Senhor!...

Maria Dolores
Fonte: livro – “Coração e Vida” Francisco Cândido Xavier – Maria Dolores

sábado, 6 de dezembro de 2008

ESPIRITISMO NÃO IMPÕE - EXPLICA


O debate tomou rumo indesejável quando o ouvinte contestou o expositor, alegando que o discurso dele não diferia em nada dos feitos pelos clérigos conservadores. Moralista, castrador, punitivo, discriminatório e, acima de tudo, com vezo de censura.
De fato, toda campanha provida é absolutamente necessária e meritória. As resistências ao aborto, à pena de morte, à depredação do Planeta são sempre merecedoras de respeito e credoras de nossa reflexões. Querer impô-las, entretanto, é desrespeitar o livre arbítrio alheio. Há que se considerar que a melhor forma de se combater a ignorância é espalhar o saber. Fora disso é tolice.
O ser iluminado pelo conhecimento não se guia pelas leis apenas, mas, sobretudo, pela ética consciencial. Quando ele chega a esse estágio, as proibições lhe são inúteis, porque sabe agir com responsabilidade em quaisquer circunstâncias. Tem a liberdade como um bem que deve ser preservado pelo discernimento do certo e do errado, bem como pelo respeito de si e do próximo.
As religiões falham no seu papel quando domina os seus adeptos pelo medo do pecado. O homem precisa saber e não temer. Algumas delas, aproveitando-se de sua influência política, chegaram mesmo a inspirar leis civis que aplacassem a ira de Deus. Estratégia infeliz, inverosímil e inaceitável por todos, o tempo todo. Ira, pois, é sentimento humano e não divino. Descoberta essa farsa, eis o pecador livre da marota peia. Deseducado, continua então a cometer os mesmos erros. É por isso que o Ser Supremo, através de seus Mensageiros, não proíbe, esclarece.
O Estado também claudica quando impõe restrições aos seus cidadãos. Melhor será que os eduque.
O Espiritismo, consciente de sua tarefa, não impõe, não proíbe, explica.
Coerente com essa postura, o divulgador espírita deve analisar, debater os problemas e, buscando as melhores soluções, relacioná-los com postulados doutrinários, sem, contudo, pintar um clima de censura inquisitorial indigno do Espiritismo. Este não busca aprisionar ninguém pela ignorância, mas enseja a liberdade espiritual pelo conhecimento da verdade, conforme sugeriu Jesus.
Tolher o homem por decreto ou por dogmas religiosos é querer permanecer convivendo com a hipocrisia. No Brasil, por exemplo, país essencialmente religioso, o aborto é crime previsto em lei e abominado pelas religiões. E todo mundo sabe que aqui se pratica esse delito milhões de vezes por ano.
Porque desse abuso à legalidade e aos preconceitos religiosos? Porque as pessoas não foram ainda suficientemente informadas e convencidas de que se podem burlar as leis terrenas e esconder seus pecados de suas Igrejas, jamais fugirão das leis divinas.
Desenvolva-se no homem a capacidade de amar e o aborto e as demais mazelas que rolam por esse mundo desaparecerão.
Voltem-se as baterias à destruição do egocentrismo e tudo será equacionado dentro dos parâmetros viáveis e civilizados por cada criatura.
Cada problema tem sua causa-núcleo. Atacá-lo pela periferia, sem atingir-lhe a origem é desperdiçar munição.
Recorra-se, não às opressões, (como se fez no passado e como alguns teimam em fazer ainda hoje), mas às sinceras elucidações e à humildade para levar o esclarecimento mais apropriado aos que buscam novos rumos e dentro em breve veremos florescer uma nova humanidade na Terra.
Revolucionem-se os nossos meios de comunicação, imprimindo-lhes a força da persuasão democrática, pela linguagem objetiva, sadia, sem ranço de personalismo moralista, autoritário, vaidoso, mas, sim, fortalecida pelo equilíbrio de quem fala, e o homem mudará logo seu tonus vibratório e, conseqüentemente, seu procedimento. Que não se combata a treva, simplesmente. Ilumine-a. Que não se limite a falar do mal. Construa o bem.
Se a boa semente for bem cultivada, desabrochará e crescerá de tal forma que o joio não terá condições de sufocá-la. Todo esforço deve ser empregado na manutenção e no desenvolvimento da boa sementeira. A má já basta por si só.
Dar-lhe trela e espaço certamente significará o atrofiamento daquela.
Enfim, semear o bem é uma questão de inteligência.
Concorda?
"Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: Não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar a sua crença para adotar a vossa; não lanceis o anátema sobre os que não pensam como vós. Acolhei os que vos procuram e deixai em paz os que vos repelem. Lembrai-vos das palavras do Cristo:
Antigamente o Céu era tomado por violência, mas hoje o será pela caridade e a doçura".

ALLAN KARDEC
"O Evangelho segundo o Espiritismo"Matéria extraída do Editorial do jornal Correio Fraterno do ABC, Março de 1993

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A IDÉIA DE DEUS

1 - A IDÉIA DE DEUS
Desde os pródromos da Civilização a idéia da imortalidade é congênita no homem. Todas as concepções religiosas da mais remota antigüidade, se bem que embrionárias e grosseiras em suas exteriorizações, no-la atestam. Entre as raças bárbaras abundaram as idéias terroristas de um Deus, cuja cólera destruidora se abrandaria à custa dos sacrifícios humanos e dos holocaustos de sangue, e, por toda parte, onde os homens primitivos deixaram os vestígios de sua passagem, vê-se o sinal de uma divindade a cuja providência e sabedoria as criaturas entregavam confiadamente os seus destinos.
2 - A CONSCIÊNCIA
Na história de todos os povos, observa-se a tendência religiosa da Humanidade; é que, em toda personalidade existe uma fagulha divina - a consciência, que estereotipa em cada espírito a grandeza e a sublimidade de sua origem; no embrião, a princípio rude nas suas menores manifestações, a consciência se vai despindo dos véus de imperfeição e bruteza que a rodeiam, debaixo da influência de muitas vidas do seu ciclo evolutivo, em diferentes círculos de existência, até que atinja a plenitude do aperfeiçoamento psíquico e o conhecimento integral do seu próprio "eu", que, então, se unirá ao centro criador do Universo, no qual se encontram todas as causas reunidas e de onde irradiará o seu poema eterno de sabedoria e de amor.
É a consciência, centelha de luz divina, que faz nascer em cada individualidade a idéia da verdade, relativamente aos problemas espirituais, fazendo-lhe sentir a realidade positiva da vida imortal, atributo de todos os seres da criação.
3 - O ANTROPOMORFISMO
Nos tempos primevos, como na atualidade, o homem teve uma concepção antropomórfica de Deus. Nos períodos prímários da Civilização, como preponderavam as leis da força bruta e a Humanidade era uma aglomeração de seres que nasciam da brutalidade e da aspereza, que apenas conheciam as instintos nas suas manifestações, a adoração aos seres invisíveis que personificavam os seus deuses era feita de sacrifícios inadmissíveis em vossa época. Hodiernamente, nos vossos tempos de egoísmo utilitário, Deus é considerado como poderoso magnata, a quem se pode peitar com bajulação e promessa, no seio de muitas doutrinas religiosas.
4 - O CULTO DOS MORTOS
Dentro, porém, de quase todas as idéias dessa natureza, no seio das raças primigênias, em seus remotíssimos agrupamentos, o culto dos mortos atinge proporções espantosas. Inúmeras eram as tribos que se entregavam às invocações dos traspassados, por meío de encantamentos e de cerimônias de magia. As excessivas homenagens aos mortos, no seio da civilização dos egípcios, constituem, até em vossos dias, objeto de estudos especiais. Toda a vida oriental está amalgamada nos mistérios da morte e, no Ocidente, pode-se reparar, entre as raças primitivas, a do povo celta como a depositária de tradições longínquas, que diziam respeito à espiritualidade.
5 - A EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS RELIGIOSOS
A idéia da imortalidade é latente em todas as almas e é o substrato de todas as religiões antigas e modernas.
Os sistemas religiosos, em cada período de progresso humano, renovam-se na fonte de verdade relativa que promana do Alto, compatível com a época.
Nos tempos modernos, as idéias novas, referenntes ao espiritualismo e à imortalidade, necessitam difusão por toda parte. Não mais a concepção de um Deus terrível, criando a eternidade dos tormentos, segundo a teologia em voga, que tem ensinado erradamente a idéia de um paraíso beatifico, insípido, e um inferno aterrador, irremissivelmente eterno; não mais a religião que malsina o progresso e a investigação, mas a idéia pura e verdadeira da imortalidade para todas as criaturas, a vida estuando em todo o Universo, e a luta em todos os seus mais recônditos redutos argamassando, à custa dos esforços de cada um, o portentoso edifício da evolução humana.
Emmanuel