sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

JESUS E JUSTIÇA

Tem por objetivo a justiça reparar o dano causado e corrigir o infrator, tornando-o útil à sociedade na qual se encontra.
A justiça trabalha em favor da educação uti­lizando-se de métodos disciplinares, inclusive limitando a liberdade do delinqüente, a fim de poupá-lo, bem como a comunidade, de males mais graves.
O delito resulta do desrespeito aos códigos estabelecidos de leis que regem os povos, propiciando direitos e deveres iguais aos indivíduos.
Quando a justiça se corrompe, o homem tresvaria e o abuso da autoridade conduz aos extremos da sandice.
Em uma sociedade justa, todos desfrutam de oportunidades iguais de progresso, face a uma idêntica distribuição de rendas. Nela, o forte am­para o fraco, o sadio socorre o enfermo, o jovem ajuda o idoso, comportamento natural, decorren­te de uma consciência clara de dever, que estabe­lece a felicidade como conseqüência da solidariedade entre as diversas criaturas.
À medida que o homem desenvolve os senti­mentos e a inteligência se aprimora, as suas leis são mais brandas e a sua justiça mais eqüânime.
Nos povos primitivos, a “lei do mais forte” prevalecia, substituída, mais tarde, pela condi­ção absurda da hereditariedade, até alcançar os elevados princípios sóciodemo cráticos, nos quais, a responsabilidade pessoal tem prioridade na ação livre dos seus membros.
É longo, porém, ainda, o caminho a percor­rer, para que seja alcançado o respeito do homem pela vida, pelo próximo, pela natureza, pela jus­tiça sem arbitrariedade, sem punição.

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Jesus fez-se paladino da justiça equânime.
Sua atitude para com as pessoas era sempre a mesma: de benevolência, com o objetivo da educação.
A Nicodemos, que era doutor da alta câma­ra do Sinédrio, concedeu uma entrevista, nada diferente daquela que facultou a Zaqueu, o co­brador de impostos, ou à convivência com Lázaro e suas irmãs, em Betânia, ou ao ladrão, na cruz, que Lhe buscara apoio.
Reconhecendo que os homens se diferen­ciam pelas suas conquistas intelectuais e mo­rais e que a hierarquia na qual se encontram é de aquisição pessoal e sem jactância ou privilé­gios, a todos proporcionava as mesmas condições e oportunidades, jamais se excedendo com qual­quer um deles.
À adúltera, ou à vendedora de ilusões, ou aos sacerdotes que o interrogaram, ou aos saduceus hábeis, ou aos fariseus hipócritas, sempre concedeu o mesmo tratamento.
Quando invectivou os que tentavam envol­vê-lo em ciladas sofistas, comprometedoras, usou de energia sem esquecer da compaixão, por sabê-los enfermos da alma, da qual procedem todos os fenômenos do comportamento.
Num período de arbitrariedades, foi magnâ­nimo; de abuso do poder, falou sobre a renúncia à arrogância, e fez-se humilde; de exploração, ensinou a generosidade e viveu-a.
Propõs que a nossa não fosse a “justiça dos fariseus” que. moralmente doentes, esfalfavam os fracos, exploravam as viúvas e as crianças, apro­veitando-se da situação.
E quando Pilatos, que iria lavar as mãos cul­padas pela pusilanimidade do caráter. Lhe dis­se que tinha poder e autoridade sobre Ele, redargüiu-lhe que estes lhe haviam sido concedidos, des­de que, por sua vez, ele também se encontrava sob uma condução maior. Porque o verdadeiro poder, a excelente justiça, vêm de Deus.

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Emaranhado nos próprios erros e tropeçan­do nas malhas da incompleta justiça humana, reeduca-te.
Vítima das circunstâncias infelizes que te pesam, confia em Deus e aguarda.
Injustiçado e sob arbitrária cobrança, não te desesperes.
Paga agora o que esqueceste de regularizár ontem, certo de que a falência das leis terrenas não te exime de ser alcançado pela divina justiça.
Melhor que estejas sob reparação de com­promissos, dos quais não te recordas, do que gozando de liberdade física, mas carregando a consciência culpada que se esconde na ilusão.
A real justiça sempre encontra o infrator.
Por tua parte, sê justo, eqüânime para com todos, tomando como modelo de comportamen­to Jesus, que nunca se recusava.
Joanna de Angêlis

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