terça-feira, 31 de março de 2009

ANTONIO LUIZ SAYÃO

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 12 de abril de 1829 e retornou à Espiritualidade no dia 31 de março de 1903, próximo a completar 74 anos de idade
Pioneiríssimo trabalhador do Espiritismo no Rio de Janeiro, quiçá do Brasil, foi um dos fundadores do Grupo dos Humildes, depois Grupo Ismael da Federação Espírita Brasileira, do qual foi diretor. Sayão tornou-se espírita no ano de 1878 e como autêntico trabalhador e colaborador de Jesus e Ismael, começou de imediato nas atividades, destacando-se entre os grandes pioneiros do Espiritismo. Foi o Grupo Ismael, verdadeira fortaleza moral, que levantou o ânimo dos trabalhadores da FEB e conseguiu fazê-la a Casa Máter do Espiritismo no Brasil, arregimentando homens da envergadura moral de Bittencourt Sampaio, Bezerra de Menezes, Ewerton Quadros, Dias da Cruz e tantos outros baluartes da Boa Nova. A vida de Sayão foi um exemplo de amor e trabalho. Escritor, Jornalista, Pregador, dedicado à assistência aos necessitados e itimorato propagador da Doutrina.

31.03.1869 - DESENCARNE DE ALLAN KARDEC



Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804. Estudou em Yverdun (Suíça) com o célebre Johann Heinrich Pestalozzi, de quem se tornou um eminente discípulo e colaborador. Aplicou-se à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha.
Lingüista insigne, falava alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês. Traduziu para o alemão excertos de autores clássicos franceses, especialmente os escritos de Fénelon (François de Salignac de la Mothe).
Rivail, o educador
Fundou em Paris – com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet – um estabelecimento semelhante ao de Yverdun. Escreveu gramáticas, aritméticas, estudos pedagógicos superiores; traduziu obras inglesas e alemãs. Organizou, em sua casa, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada.
Membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real de Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, com a monografia Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época? Dentre as suas obras, destacam-se: Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública (1828); Curso prático e teórico de aritmética (1829, segundo o método de Pestalozzi); e Gramática francesa clássica (1831).
Kardec, o codificador
Foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar das mesas girantes, fenômeno mediúnico que agitava a Europa. Em Paris, ele fez os seus primeiros estudos do Espiritismo. Aplicou à nova ciência o método da experimentação: nunca formulou teorias pré-concebidas, observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; procurava sempre a razão e a lógica dos fatos. Interrogou os Espíritos, anotou e ordenou os dados que obteve. Por isso é chamado Codificador do Espiritismo. Os autores da Doutrina são os Espíritos Superiores. A princípio, Rivail objetivava apenas sua própria instrução. Mais tarde, quando viu que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, decidiu publicar um livro, para instrução de todos. Assim, lançou O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, em Paris. Adotou o pseudônimo Allan Kardec a fim de diferenciar a obra espírita da produção pedagógica anteriormente publicada.
Em janeiro de 1858, Kardec lançou a Revue Spirite (Revista Espírita) e fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em seguida, publicou O que é o Espiritismo (1859), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).
Kardec desencarnaou em Paris, em 31 de março de 1869, aos 64 anos, em razão da ruptura de um aneurisma. Seu corpo está enterrado no cemitério Père Lachaise, na capital francesa.
Seus amigos reuniram textos inéditos e anotações de Kardec no livro Obras Póstumas, que foi lançado em 1890. Em seu tumulo está escrito: “Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei.”
Fonte: Feb

segunda-feira, 30 de março de 2009

SIGNOS ZODIACAIS


A posição de Allan Kardec quanto à Astrologia e à influência dos signos zodiacais em nossas vidas está claramente exposta em “A Gênese”, cap. V, item 12.
O próprio Codificador escreveu os seguintes trechos:
“Os grupos que tomaram o nome de constelações mais não são do que agregados aparentes, causados pela distância; suas figuras não passam de efeitos de perspectiva. Na realidade, porém, tais agrupamentos não existem. Se nos pudessemos transportar para a reunião de uma dessas constelações, à medida que nos aproximássemos dela, a sua forma se desmancharia e novos grupos se nos desenhariam à vista. Ora, não existindo esses agrupamentos senão na aparência, é ilusória a significação que uma supersticiosa crença vulgar lhe atribui e somente na imaginação pode existir.
A crença na influência das constelações, sobretudo das que constituem os doze signos do zodíaco, proveio da idéia ligada aos nomes que elas trazem (Leão, Touro, Gêmeos, Virgem, etc.). Se à que se chama Leão fosse dada o nome de Asno ou de Ovelha, certamente lhe teriam atribuído outra influência.”
Portanto, essa é a posição do Espiritismo sobre o assunto. O resto, ainda que venha de origem espiritual, constitui a opinião particular de espíritos pseudo-sábios ou de animismo do médium. Horóscopo e influência dos signos não passam de fantasias sem qualquer comprovação científica. Dizer que “eu sou de tal signo e portanto tenho tais características” é uma opinião meramente subjetiva, até porque podem-se encontrar características comportamentais de uma pessoa em todos os signos, além do signo dela.
No fundo, nós somos apenas o que fazemos de nós mesmos, seja nesta vida, seja nas anteriores. O livre arbítrio e as Leis Divinas, articulando-se entre si, regem o universo, nada mais.

domingo, 29 de março de 2009

CALVÁRIO DA INDECISÃO

Se você fixa os olhos na perfeição, provavelmente nunca fará as coisas de maneira natural e tranquila. Somente aqueles que exploraram seu interior é que reconhecem a capacidade limitadora para decidir as coisas.
A realidade é semelhante ao trabalho de azulejar uma parede. Ele não fica pronta com aplicação de um só lote de azulejos; cada caixa traz uma parte, e cada parte é assentada por vez. Peças distintas e de cores variadas são colocadas a cada novo dia até completarem a construção definitiva do painel decorativo.
Portanto, não seja temerosa e categórica em suas decisões. A resolução correta deve ser a experimental, não a definitiva. Isso não quer dizer que deva ser inconstante, mas maleável.
Em vista das diversas encarnações pelas quais passam todos os seres humanos, você há de convir que todas as coisas se transformam, e as criaturas também.Sua vinda a este Planeta tem como objetivo um aprendizado constante. Você está se descobrindo por meio de inéditas experiências, e é natural sua vacilação e insegurança.
Através da análise de suas decisões erradas é que você ficará mais apta para agir acertadamente em suas próximas atitudes. Aprenda a correr riscos, assuma a condição de criatura humana e se desligue do fervor pela perfeição presunçosa.
Pessoas rígidas não conseguem conviver com a possibilidade de ter dúvidas. Precisam resolver tudo rapidamente. Por analogia, sua personalidade é uma lente desfocada da luz do equilíbrio; por isso se mantém num estado flutuante, dirigida inteiramente pela ambiguidade terrena, ou seja, vive sob a pressão da dualidade do certo e do errado.
Você encontrará na terapêutica espírita o auto-conhecimento, a lucidez mental, a convicção e a estabilidade que tanto busca na vida. Esse encontro deve ser o primeiro passo; a seguir, estabeleça uma escala de valores morais/espirituais e exercite a confiança em seus impulsos interiores.
Alinhe a mente ao físico a fim de encontrar seu ritmo interno. Quando surgirem novas evidências que complementam os fatos (base de suas decisões), ajuste as conclusões e retifique as interpretações anteriores.
Será que você quer resolver as coisas apressadamente por medo de explorar novas idéias e conclusões?
Hammed, do livro Conviver é Melhorar.

sábado, 28 de março de 2009

É HOJE


O Prefeito Eduardo Paes participou na manhã desta quarta-feira, dia 28, do lançamento no Brasil da Hora do Planeta, um movimento mundial de combate ao aquecimento global, e anunciou a adesão da Cidade do Rio de Janeiro no evento, promovido pelo World Wildlife Foundation (WWF-Brasil). A solenidade foi realizada no Palácio da Cidade, em Botafogo, e teve a presença de autoridades municipais e federais, representantes do WWF-Brasil, além de artistas e convidados.
O Rio de Janeiro será a primeira cidade brasileira a se engajar nesse ato simbólico que, no dia 28 de março, das 20h30 às 21h30, apagará as luzes de monumentos cariocas como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o Parque do Flamengo, o Jockey Club Brasileiro e a orla de Copacabana, que terá a segurança reforçada pela Guarda Municipal e Polícia Militar. A iniciativa contará ainda com a participação da comunidade do Morro Dona Marta, em Botafogo.

Para o Prefeito, o Rio de Janeiro tem um papel fundamental na discussão do tema ambiental e esse ato é o primeiro de uma série de movimentos que a cidade do Rio de Janeiro vai passar a desenvolver, no sentido de recuperar o protagonismo na discussão dessa agenda ambiental urbana.
- A Prefeitura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estão discutindo o Programa Favela Bairro III, para que sejam feitas mudanças ambientais. Além disso, vamos trabalhar toda a parte de proteção dos Maciços da Pedra Branca e da Tijuca, que são peculiaridades do Rio de Janeiro, para recuperar esse papel de maior floresta urbana do mundo – afirmou.
A Hora do Planeta, que conta com a adesão de empresas, organizações não-governamentais, associações de bairro e pessoas em todo o mundo, tem o objetivo de conscientizar toda a população sobre a importância da adoção de novos hábitos, além de mobilizar a sociedade em torno da luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas. Este ano, a ação espera atingir mais de um bilhão de pessoas, em mil cidades ao redor do mundo.
- No Brasil, resolvemos lançar a campanha pela cidade do Rio de Janeiro, que é o ícone do país. O ato simbólico de apagar as luzes, ao contrário do que muitos podem pensar, não é uma iniciativa para poupar energia, mas uma forma de manifestação para conscientização e adesão a esse programa – explicou Álvaro de Souza, presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil.
O movimento Hora do Planeta, conhecido internacionalmente como Earth Hour, começou em 2007, em Sydney, na Austrália, quando 2,2 milhões de habitações e empresas desligaram as luzes por uma hora. Em 2008, cerca de 100 milhões de pessoas abrangendo 35 países participaram da iniciativa, que incluiu o desligamento das luzes de marcos históricos mundiais como o Coliseu de Roma; a Ponte Golden Gate, em São Francisco; e Opera House de Sydney, entre outros.

sexta-feira, 27 de março de 2009


CONHECE-TE


Cenyra Pinto
Qual a tua atitude em face da vida? Como te classificas?
Dize-me: és capaz da sinceridade de te situares, de te conheceres, de te identificares como realmente és?
Se responderes afirmativamente, eu te felicito, ainda que te reconheças com todas as qualidades negativas. Terás a teu favor a lealdade, e não viverás iludido a teu respeito.
Por certo, ao te reconheceres portador de inferioridades, não aprovarás teu modo de ser e procurarás tua reforma. Este é o primeiro passo, depois irás eliminando um a um os defeitos reconhecidos por ti, transformando-os em virtudes.
Logicamente não se espera milagres de um dia para o outro. Esse processo é lento, penoso, mas precisa ser contínuo, ininterrupto, para que não se cristalize num ponto e daí não queira mais sair.Tudo caminha, tudo cresce, tudo evolui, com ou sem a nossa autorização e colaboração, mas será para nós bem melhor caminharmos com a evolução, com os próprios pés, em plena consciência, do que aos trambolhões, arrastados pelos mil motivos que levam o homem adormecido através dos pesadelos da dor e do sofrimento, em todos os seus matizes.
Se já tens capacidade para te conheceres, és um herói e as batalhas que terá que travar no campo da tua alma, ainda manietada pelas várias ilusões do mundo, te darão mais um galão, te oferecerão a condecoração que mereces, como soldado destemido que não deserta ao enfrentar o inimigo, quando as mortíferas armas do desdém, da ingratidão, da injúria e outras armadilhas e tentações preparadas pelos senhores do carma te atingirem através das criaturas imaturas que se comprazem, ainda, em servir instrumentos de tortura para os que precisam ser testados.
Essas almas, em embrião no campo magnético da vida, são portadores de tarefas compatíveis com a sua primária evolução, mas estão a serviço, embora num setor doloroso, pois a maioria, ao invadir o campo alheio para levar sua carga demolidora, fere-se com as próprias armas, empolgada que fica com a sua triste incumbência.
Em geral, dizemos: quanto daríamos para despertar-vos sem mágoas, para fazer-vos viver sem sofrimentos. Mas a vossa atitude de acomodação, de satisfação quase total com os bens que desfrutais na Terra, bens efêmeros, mas visíveis, palpáveis e agradáveis aos vossos sentidos, torna-vos tão inacessíveis ao nosso trabalho a vosso lado que somos forçados a sacudir-vos pela dor, porque para vós só a dor é real. Só ela arranca de vós gemidos, gritos e pedidos de socorro que esperamos ouvir, para que possais entender a grande lição que a vida vos quer ensinar.
Ninguém acorda por vontade espontânea. Dormir e sonhar, ainda que os sonhos nem sempre sejam como desejais, mas sempre vos entorpecem e vos dão algum prazer, é o que desejais.
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Por isto, consideramos herói quem já é capaz de conhecer a si mesmo, quem é capaz de não sentir nenhum constrangimento, nem mesmo perante a própria consciência, de estar como está, e que já tem coragem de se lançar tenazmente contra os princípios errados que o vinham mantendo, talvez há milênios, e reconquistá-los, transmutando-os em qualidades construtivas, a serviço da grande causa do Cristo.
Meu irmão, se tu que me lês estás em condições de colocar um espelho diante da tua consciência sem sentires nenhum choque se não te apavoras com a fisionomia que vês a tua frente, por mais deformada que ela se te afigure, e se sentes o desejo de ser belo espiritualmente, se anelas ver refletida nesse espelho a imagem e semelhança de Deus, que te criou, então, meu irmão, começa agora mesmo. Retoca, reconstrói, reforma - o espelho da tua consciência.
Nesse dia, meu amigo, jovem ou ancião, te sentirás envolto num manto maravilhoso de paz, de equilíbrio e felicidade. Por onde andares, na Terra ou no espaço, será o doador da herança de nosso Pai, que tem em abundância todos os bens de que a humanidade tanto necessita e deseja, mas que, cega e surda, caminha pelo vale da sombra da morte, sem ver a beleza esparsa em tudo o que existe.
Que o Senhor dos mundos de conceda a graça de não vacilares mais, agora que te revelaste a ti mesmo. Que caminhes, levando na tua mão direita o cetro da fé, na esquerda o bordão da esperança e no coração, o amor que irá despontando, como flor tímida, mas que subirá até o céu da tua consciência e ornamentará e espargirá o perfume benfazejo e suave das almas eleitas do Senhor.
Paz, luz e amor.

Cenyra Pinto

quinta-feira, 26 de março de 2009

JUDAS ESCLARECE.

Todos os anos no mês de abril a cidade assiste a malhação de Judas e muitas pessoas se comprazem no simbólico suplício, que não encontra aceitação nos meios espíritas.
A mediunidade cristã e dedicação fraterna de Francisco Cândido Xavier, somadas a inteligência e humildade de Humberto de Campos, permitiram-nos a montagem da entrevista a seguir apresentada.
Deixamos que os próprios leitores, analisando as palavras de Judas, tirem suas conclusões, inclusive quanto á afirmativa que muitos fazem de posteriormente ter sido Joana D~arc.
Pergunta: O Senhor é de fato o filho de Iscariotes?
Judas: Sim sou Judas.
Pergunta: É verdade tudo quanto diz o novo testamento a respeito de sua personalidade, na tragédia da condenação de Jesus ?
Judas: Em parte ... os Escribas que redigiram os evangelhos não atenderam ás circunstancias e as tricas políticas que, acima dos meus atos, predominaram na nefanda crucificação.
Pergunta: Que tricas políticas ?
Judas: Pôncio Pilatos e o ( Cáifas) tretarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado Romano, empenhado em satisfazer ás aspirações religiosas dos anciões judeus. Sempre a mesma história. O Sinédrio desejava o reino do Céu, pelejando por Jeová a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre forças antagônicas, com a sua pureza imaculada.
Pergunta: E daí ?
Judas: Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias do Mestre; porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador.
Pergunta: Como assim ?
Judas: Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar. Jesus não obteria nenhuma vitória com o desprendimento das riquezas. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder. já que em seu manto de pobre se sentia possuído de um santo horror ás propriedade.
Pergunta: Que fez então ?
Judas: Planejei uma revolta surda, como se planeja hoje na terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica.
Pergunta: Porque entregou Jesus ?
Judas: Entregando o Mestre a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável.
Pergunta: Arrependeu-se ?
Judas: Sim, e presumi que o suicídio fosse a única maneira de me redimir diante dos olhos do Mestre.
Pergunta: Salvou-se pelo arrependimento ?
Judas: Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus.
Pergunta: Teve outras reencarnações ?
Judas: Sim. As minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vitima da felonia e da traição deixei a Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa, no século XV. Desde esse dia em que me entreguei, por amor do Cristo, a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o osculo do perdão da minha própria consciência.
Pergunta: Muitas lembranças dos fatos ?
Judas: Sim... estou recapitulando os fatos como se passaram.
Pergunta: Qual a sua posição agora ?
Judas: Agora, irmanado com Jesus, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas, que ainda não é deste mundo, sinto nas estradas da Terra o sinal dos meus passos divinos.
Pergunta: Que sentiu mais ?
Judas: Senti a clamorosa injustiça dos companheiros que o abandonaram inteiramente e me vem sempre uma recordação carinhosa das poucas mulheres que o ampararam no doloroso transe.
Pergunta: E quanto á figura do traidor ?
Judas: Em todas homenagens prestadas a Jesus, eu sou sempre a figura repugnante do traidor. Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência, no tribunal dos suplícios redentores.
Pergunta: E Jesus ?
Judas: Quanto ao divino Mestre, infinita é sua misericórdia e não é só para comigo, porque se recebi trinta moedas vendendo-o aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado...
Repórter: É verdade, e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vende-lo.
(Matéria Publicada no Órgão “A REVELAÇÃO “, da União Espirita Paraense)

quarta-feira, 25 de março de 2009

SOFRIMENTO E EUTANÁSIA


O Homem tem o direito de dispor da sua própria vida?
Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei.
O suicídio não é sempre voluntário?
— O louco que se mata não sabe o que faz.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec (questões 944 e 944 A)
Quando te encontres diante de alguém que a morte parece nimbar de sombra, recorda que a vida prossegue, além da grande renovação...
Não te creias autorizado a desferir o golpe supremo naqueles que a agonia emudece, a pretexto de consolação e de amor, porque, muita vez, por trás dos olhos baços e das mãos desfalecidas que parecem deitar o último adeus, apenas repontam avisos e advertências para que o erro seja sustado ou para que a senda se reajuste amanhã.
Ante o catre da enfermidade mais insidiosa e mais dura, brilha o socorro da Infinita Bondade facilitando, a quem deve, a conquista da quitação.
Por isso mesmo, nas próprias moléstias reconhecidamente obscuras para a diagnose terrestre, fulgem lições cujo termo é preciso esperar, a fim de que o homem lhes não perca a essência divina.
E tal acontece, porque o corpo carnal, ainda mesmo o mais mutilado e disforme, em todas as circunstâncias, é o sublime instrumento em que a alma é chamada a acender a flama da evolução.
É por esse motivo que no mundo encontramos, a cada passo, trajes físicos, em figurino moral diverso.
Corpos – santuários...
Corpos – oficinas...
Corpos – bênçãos...
Corpos – esconderijos...
Corpos – flagelos...
Corpos – ambulâncias...
Corpos – cárceres...
Corpos – expiações...
Em todos eles, contudo, palpita a concessão do Senhor, induzindo-nos ao pagamento de velhas dívidas que a Eterna Justiça ainda não apagou.
Não desrespeites, assim, quem se imobiliza na cruz horizontal da doença prolongada e difícil, administrando-lhe o veneno da morte suave, porquanto, provavelmente, conhecerás também mais tarde o proveitoso decúbito indispensável à grande meditação.
E usando bondade para os que atravessam semelhantes experiências para que te não falte a bondade alheia, no dia de tua experiência maior, lembra-te de que, valorizando a existência na Terra, o próprio Cristo arrancou Lázaro às trevas do sepulcro, para que o amigo dileto conseguisse dispor de mais tempo para completar o tempo necessário à própria sublimação.
Emmanuel
Do livro: Religião dos Espíritos
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

domingo, 22 de março de 2009

VISÃO ESPÍRITA DO HOMEM


Já se sabe que o perispírito não é uma invenção do Espiritismo, como não é um conceito abstrato. É um elemento real, que tem propriedades e toma formas visíveis. Com o Espiritismo, entretanto, em virtude das experiências mediúnicas que já se acumularam até hoje, o estudo desse “corpo intermediário” necessariamente se tornou mais específico, permitindo que se lhe reconheçam propriedades relevantes no mecanismo psico-fisiológico. Além de outros autores, considerados clássicos na literatura espírita, Gabriel Delanne dedicou boa parte de seus trabalhos ao perispírito, e trouxe, por isso mesmo, uma contribuição significativa e ainda válida em toda a plenitude. Estudou ele, por exemplo, as “Provas da existência do perispírito - sua utilidade - seu papel”, no alentado livro O Espiritismo perante a Ciência. E, assim, em toda a obra de Delanne, realmente portentosa, há o que se estudar e pensar a respeito do perispírito. Não se precisaria fazer referência a outros, aliás bastante conhecidos no meio espírita, porque não temos objetivo de erudição nesta breve crônica jornalística. Queremos acentuar, sim, o perispírito ou mediador fluídico tem funções próprias no composto humano, não é uma criação imaginária...
Na antigüidade oriental, como na grega, como entre doutores da Igreja, admitiu-se claramente a existência de uma “substância”, um corpo, um elemento equivalente, afinal de contas, entre as duas realidades fundamentais: a matéria e o Espírito. Os nomes são diversos e, por isso, há uma infinidade de expressões para traduzir a significação do perispírito (terminologia do Espiritismo) no conjunto psicossomático. Existem até uns tantos preciosismos de linguagem, verdadeiras sutilezas verbais para dizer o que seja, no fundo, esse “corpo bioplásmico”, segundo a moderníssima denominação resultante de experiências realizadas na Rússia. Há contextos espiritualistas em que se encontra o perispírito, dividido ou apresentado sob outras rubricas, com as especificações que lhe são atribuídas. Mas o que é fundamental no caso é a existência, necessária, de um elemento que se interpõe no binômio corpo-espírito. A Doutrina Espírita prefere chamá-lo simplesmente de perispírito, com explicações acessíveis a todos os níveis de instrução.
Sob o ponto de vista histórico, entretanto, além do que já se encontra em velhas fontes orientais, como noutros ramos da literatura antiga, convém considerar que na Escolástica primitiva, muito influenciada por Platão e Agostinho, também se admitiu a constituição trinária do ser humano:
1) a alma habita numa casa que lhe é essencialmente estranha; o corpo é o albergue, o hábito, o recipiente, o invólucro da alma; além de semelhante imagem, é também usada a do matrimônio.
2) o corpo e a alma estão unidos por um “spiritus physucys”, que serve de intermediário;
3) corpo e alma estão unidos pela personalidade como em uma espécie de união hipostática.
(Barnarco Bartmann - “Teologia Dogmática” - I vol., Edições Paulinas)

Tão forte lhe parece a união da alma com o corpo, com a intercalação desse - “spiritus physucus”, que funciona como intermediário, que o Autor chega a compará-la a uma espécie de união hipostática, isto é, união do Verbo divino com a natureza humana. A idéia de um “invólucro” ou “intermediário”, uma vez que o Espírito precisa de um revestimento para que possa conviver com o corpo, faz parte dos contextos espíritas, sejam quais forem os nomes que se lhe dêem. É o persipírito, sem tirar nem por.
Como o perispírito, a reencarnação, por sua vez, também já teve adeptos na Igreja, embora contra ela se tenha pronunciado e firmado sentença o Concílio de Constantinopla. Mas o certo é que Orígenes, teólogo e exegeta, defendeu a tese da preexistência, o que, aliás, é fato muito citado. Outros teólogos, como se sabe, adotaram a tese “criacionista”, isto é, a criação da alma com o corpo ou para o corpo. Justamente nesse ponto, um dos maiores doutores de sua época - Santo Agostinho - se defrontou com dificuldades para conciliar a criação da alma com o “pecado original”. Quem o diz é ainda Bartmann, na mesma obra (já referida), e ele próprio, o autor de “Teologia Dogmática”, também encontra obscuridade. Vejamos: Se é incompreensível que a alma derive do ato corpóreo da geração, todavia também o criacionismo apresenta não pequenas dificuldades. Já Santo Agostinho não sabia explicar como a alma, criada por Deus, podia nascer com o pecado original. A dificuldade conserva seu valor também para nós. Outra dificuldade pode surgir da consideração de uma criação contínua até o fim do mundo, de um número incalculável de atos diretos de Deus. mas o ponto-chave do problema, como denuncia o Autor, está justamente nesta decorrência da tese “criacionista”: Pareceria, por fim, necessário admitir uma cooperação imediata de Deus, nas numerosas gerações manchadas pela culpa. Não se pode responder à primeira dificuldade senão recorrendo ao mistério do pecado original. E no mistério esbarra tudo, não há mais saída para o raciocínio...
Contrapondo-se à idéia da criação do Espírito juntamente com o corpo, a Doutrina Espírita propõe outra análise do problema, nestes termos:
“Donde vem a aptidão extranormal que muitas crianças em tenra idade revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres durante a vida toda?”
“Donde, em certas crianças, o instinto precoce que revelam para os vícios ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?” (O Livro dos Espíritos - questão 222).
Se, realmente, o Espírito fosse criado por Deus no ato do nascimento, seria o caso de admitir, ainda que por absurdo, criação de indivíduos que nascem com tendências para a perversão ou para a delinqüência. Seria obra de Deus?!...
A tese da preexistência explica as inclinações inatas para o bem ou para o mal, embora a Doutrina Espírita não negue a influência fortíssima da educação, do meio social, da cultura e de outros fatores contingentes. Mas o Espírito, ao voltar à Terra, pela reencarnação, traz certa bagagem de conhecimentos, virtudes ou vícios, responsáveis pelo curso de sua existência, com todos os altos e baixos deste mundo. Deus não iria criar para a vida um Espírito que já estivesse marcado com as paixões inferiores. Todos começam “simples e ignorantes” - ensina a Doutrina - mas o próprio arbítrio, que é indispensável à experiência individual, pode desviar o Espírito da rota mais justa e levá-lo aos despenhadeiros morais. “Simples e ignorantes” é a expressão textual da Doutrina “O Livros dos Espíritos - questões 115-121-133-634. É o ponto de partida. Daí por diante, cada qual adquire sua experiência através das vidas sucessivas. É um princípio que nos faz compreender a responsabilidade individual, ao passo que, se admitíssemos a criação juntamente com o corpo, chegaríamos a esta conclusão a fatal: se a criatura é má, se abusa de suas faculdades ou de seus recursos para dar expansão a tendências viciosas, não é responsável por seu procedimento, uma vez que nasceu assim, foi criada assim por Deus, colocada no corpo, ao nascer, com todas as suas mazelas morais. No entanto, o princípio da responsabilidade individual é válido no tempo e no espaço, segundo o Espiritismo.
Outra, portanto, é a perspectiva da reencarnação, que já teve defensores no seio da Igreja, embora condenada, mais tarde, como heresia. O desenvolvimento do Espírito modifica o perispírito, e este, pela ação plasmadora, tem influência sobre o corpo. Como já vimos, não apenas Platão, luminar da constelação grega da antigüidade, esposou a concepção trinária do homem, mas entre escolásticos também houve partidários dessa concepção. O homem tríplice não desagrega a unidade básica do EU. Com esta visão antropológica, a Doutrina Espírita situa o homem na Terra, em relação ao presente e ao passado, apontando-lhe o caminho do futuro, sem ilusões nem quimeras.
Deolindo Amorim
Obreiros do Bem - Agosto de 1976

sábado, 21 de março de 2009

DESENCARNADOS EM TREVAS


Reunião pública de 18-9-61.
1ª Parte, cap. VII, § 25.

Desencarnados em trevas...
Insulados no remorso...
Detidos em amargas recordações...
Jungidos à trama dos próprios pensamentos atormentados...

Eram donos de palácios soberbos e sentem-se aferrolhados no estreito espaço do túmulo.
Mostravam-se insensíveis, nos galarins do poder, e derramam o pranto horizontal dos caídos.
Amontoavam haveres e agarram-se, agora, aos panos do esquife.
Possuíam rebanhos e pradarias e jazem num fosso de poucos palmos.
Despejavam fardos de dor nos ombros sangrentos dos semelhantes, e suportam, chorando, os mármores do sepulcro, a lhes partirem os ossos.
Estagiavam ciência inútil e tremem perante o desconhecido.
Devoravam prazeres e gemem a sós.
Exibiam títulos destacados e soluçam no chão.
Brilhavam em salões engrinaldados de fantasias e arrastam-se, estremunhados, ante as sombras da cova.
Oprimiam os fracos e não sabem fugir à gula dos vermes.
Eram campeões da beleza física, e procuram, debalde, esconder-se nas próprias cinzas.
Repoltreavam-se em redes de ouro, e estiram-se, atarantados, entre caixas de pó.
Emitiam discursos brilhantes e gaguejam agora.
Deitavam sapiência e estão loucos.

Nada disso, porém, acontece porque algo possuíssem, mas sim porque foram possuídos de paixões desregradas.
Não se perturbam, porque algo tiveram, mas sim porque retiveram isso ou aquilo, sem ajudar a ninguém.
Se podes verificar a tortura dos desencarnados em trevas, aproveita a lição.
Não sofrerás pelo que tens, nem pelo que és.
Todos colheremos o fruto dos próprios atos, no que temos e somos.
Onde estiveres, pois, faze o bem que puderes, sem apego a ti mesmo.
Escuta o companheiro que torna do Além, aflito e desorientado, e aprenderás, em silêncio, que todo egoísmo gera o culto da morte.
Emmanuel
Do livro A Justiça Divina. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sexta-feira, 20 de março de 2009

AS ALMAS TORTURADAS


Quão triste, toda via, é a situação dos que no mundo se apegaram, demasiadamente, às alegrias mentirosas e aos prazeres fictícios. Muitos anos de dor os aguardam, nas regiões espirituais, onde contemplam incessantemente os quadros do seu pretérito, em desoladoras visões retrospectivas, na posse imaginária das coisas que os obsidiam.
Amantes do ouro, ali ouvem, continuamente, o tilintar de suas supostas moedas; ingratos, escutam os que foram enganados pelas suas traições; cenas penosas se verificam e muitas almas piedosas se entregam ao mister de guias e condutores espirituais desses Espíritos enceguecidos na ilusão e nos tormentos. Só ao amor dessas almas carinhosas permite que as esperanças não desfaleçam, cultivando-as incessantemente no coração abatido e desolado dos sofredores, a fim de que renasçam para os resgates necessários.

Fonte: Livro “Emmanuel” – Psicografia: Francisco Cândido Xavier – Espírito: Emmanuel

quinta-feira, 19 de março de 2009

O ESPIRITISMO COMO REVELAÇÃO




Falemos sobre os porquês de o Espiritismo ser considerado a "Terceira Revelação Divina".
Em primeiro lugar, tenhamos presente em nossa memória o conteúdo do cap. I do livro "A Gênese": Caráter da Revelação Espírita. Ali fica claro que Kardec emprega a palavra revelação no sentido de "tirar o véu", mostrar uma verdade que era desconhecida. Daí por que Kardec classifica como reveladores os cientistas: Copérnico, Galileu, Newton, Laplace, Lavoisier.
Revelação divina - No item 10 do mesmo capítulo, Kardec escreve: "Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la" e "O caráter essencial de toda revelação divina é o da eterna verdade".
No intuito de ser breve, resumamos:
1ª revelação - Moisés (Decálogo): a Lei Divina (O que fazer);
2ª revelação - Jesus (Evangelho): o Amor Divino (Como fazer);
3ª revelação - Espíritos (Espiritismo): a Verdade Divina (Por que fazer).
Estas revelações são cumulativas e veio cada uma a seu tempo, em resposta ao crescimento contínuo da inteligência nas camadas menos involuídas do Homem terreno.
Convém lembrar, por oportuno, que, na condição de o "Consolador Prometido por Jesus", o Espiritismo é uma ampla cosmovisão que engloba, indissociavelmente, aspectos filosóficos e científicos, dos quais defluem consequências ético-morais afinadas com a essência dos ensinos do Cristo-Jesus. Tenhamos presente que a hipertrofia ou a atrofia de qualquer um destes aspectos descaracteriza a Doutrina Espírita.
"A verdade vos libertará" - proclamou o Excelso Mestre Jesus.
Proclamando a excelência da razão para iluminar as crenças humanas, o Espiritismo configura a "ciência admirável" prenunciada pelo Espírito da Verdade a René Descartes (em 1614). Parece-nos razoável que entendamos a doutrina espírita como o corolário do movimento iluminista, libertador do pensamento humano do obscurantismo dogmático e anticristão.
Tal como consta d'O Evangelho segundo o Espiritismo (cap. I), eis que está conosco o Paracleto, relembrando e ampliando a mensagem do Cristo e explicando, numa linguagem atualizada, os mecanismos causais dos fenômenos que produziram as chamadas "escrituras sagradas": os profetas eram médiuns! Os chamados "milagres" são, na verdade, fenômenos naturais, pois nada pode acontecer ao arrepio das Leis estatuídas pela Divindade. Na Doutrina Espírita, Deus se desantropomorfiza; Jesus é o Irmão Maior, o Mestre por excelência; a imortalidade é o selo da Vida, somos espíritos imortais; a perfeição é a nossa meta; a evolução, o caminho; a reencarnação, o meio...

quarta-feira, 18 de março de 2009

EM HOMENAGEM A EDIÇÃO DEFINITIVA DO LIVRO DOS ESPÍRITOS EM 18 DE MARÇO DE 1860



Na manhã de 18 de abril de 1857, chega uma carruagem na Livraria Dentu na Galerie d'Orleans, no Palais-Royal, em Paris. Trazia 1.200 exemplares da primeira edição de O Livro dos Espíritos. Era o dia do lançamento da obra, composta num perfeito encadeamento de idéias, organizada metodicamente pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que em virtude de seu nome ser muito conhecido e respeitado pela comunidade científica à época da publicação, optou pelo pseudônimo Allan Kardec para que esta fosse conhecida não em virtude do seu nome e, sim, pelo conteúdo.
A primeira edição trazia 501 perguntas e respostas. Em 18 de março de 1860 foi publicada a segunda edição, definitiva, revisada e ampliada, com 1.019 perguntas e respostas, trazendo ensinamentos que conduzem o homem à redescoberta de si mesmo, fornecendo-lhe recursos para que compreenda, sem mistérios, quem é, de onde veio, e para onde vai.
O Livro dos Espíritos contém os princípios fundamentais da Doutrina Espírita em seus três aspectos: científico, filosófico e religioso, tais como transmitidos pelos próprios espíritos, seus autores. Assim, não se considera a obra de um homem, Allan Kardec, mas da espiritualidade, cabendo a Kardec, o Codificador, a incumbência de classificar, selecionar e organizar os itens em uma seqüência lógica, com bom senso e espírito crítico.

O ESPIRITISMO ILUMINATIVO


O Espiritismo não é apenas o Sol da nova era. É o Cristo de Deus, descendo até nós, para nos alçar aos cumes da montanha da sublimação evangélica.
Toda ascensão é feita de sacrifício e está assinalada pela dificuldade.
Não ignoramos, nós outros, vossos guias espirituais, os vossos sofrimentos e as vossas dificuldades.
Suplicais socorros, muitas vezes, na expectativa de que vos apresentemos soluções mágicas ou retiremos o fardo das aflições de sobre os vossos ombros.
Acompanhamos a vossa jornada de sublimação, assinalada por defecções e angústias, por sorrisos e aspirações do bom e do belo, e envolvemo-vos em dúlcidas vibrações de paz.
Ainda não somos os querubins em que um dia conseguiremos transformar-nos. Somos apenas vossos companheiros de jornada, cireneus que conhecemos o caminho que percorreis.
Atravessamos, oportunamente, a mesma senda. Semeamos calhaus e colhemos pedrouços, e temos as mãos em chaga viva pelo amanho da terra, graças à charrua do dever.
Por isto, filhos d´alma, não podemos realizar as vossas tarefas, mas partilhamos dos vossos esforços, solidários à vossa dor e afáveis às vossas preces ao Amigo de todos nós.
Prossegui, com os joelhos desconjuntados, as carnes dilaceradas, porque tudo isso tem breve duração, a fim de que o Espírito que sois, esplenda de luz no momento em que superardes o casulo carnal e planardes na Pátria da plenitude.
Não desfaleçais na luta!
Ajuntai onde todos ou quase todos pensam em separar. Uni-vos para vos sustentardes uns aos outros.
...E amando, cantai o hino da caridade desfraldado pelo eminente Codificador do Espiritismo.
Vossos guias espirituais velam por vós em nome de Jesus. Vossos Amigos que se responsabilizaram pela vossa tarefa, na condição de fiadores amorosos, assistem-vos.
Não duvideis.
E quando, em um momento ou outro, vos sentirdes dominados pela solidão, fazei silêncio íntimo e os escutareis.
Tereis oportunidade de senti-los, recebereis o alento para prosseguirdes, restabelecereis as forças e a coragem, tendo em mente que além deles, vossos guias, o Amor de Jesus, o Sublime Governador do planeta terrestre em transição, estará convosco até o fim dos tempos.
Ide e amai!
Relevai ofensas e ingratidões, cantando o hino dos mártires da fé e agindo como obreiros da última hora que sois, na Seara da Verdade.
Que o Senhor da Vida a todos nos abençoe!
São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre, Bezerra.
Muita paz, meus filhos!
Mensagem psicofônica do Espírito Bezerra de Menezes, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, no encerramento da VII Conferência Estadual Espírita, no dia 10.4.2005, em Curitiba, Paraná.





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segunda-feira, 16 de março de 2009

IDOLATRIA

“Não são deuses os que se fazem com as mãos” (Atos, 19:26)
O primeiro mandamento do Decálogo prescreve que não se deve fazes escultura alguma do está na terra, no céu ou no mar, debaixo das águas, e nem lhe prestar culto.
Moisés, quando desceu do Monte Sinai, portando as tábuas da lei, viu o seu povo adorar o bezerro de ouro; ficou enfurecido, quebrou as tábuas e ordenou que fossem mortos todos aqueles que adoravam ídolo.
Não obstante, até mesmo algumas religiões do ramo cristão, que aceitam e adotam dos Dez Mandamentos, persistem na adoração de imagens, mergulhadas que estão, num sistema de franca idolatria.
A história registra que um imperador, chamado Leão III, aboliu a idolatria, no seio da Igreja. Ele e seus seguidores, então, chamados iconoclastas, encontram feroz resistência, tentando-se, após a sua morte, a restauração das estátuas, nos altares. Isaurico, no ano de 726, décimo ano do seu reinado, publicou um decreto contra o culto das imagens, declarando-o inadmissível, segundo as Sagradas Escrituras; não se sabe ao certo, se induzido pelo exemplo dos muçulmanos, ou como conseqüência de abusos supersticiosos, ou por qualquer outra razão. Essa lei foi aplaudida pelos bispos Constantino de Nacólia, na Frigia, Thomaz de Claudiópolis e Theodósio e Éfeso. No ano de 730, foi lavrado novo decreto, contra o uso de imagens, não só proibindo a sua veneração, como, até, mandando destruí-las todas. Esse ato teve a condescendência do chefe da igreja do Oriente, tendo sido aplaudida por muitos bispos, no tempo do imperador Constantino V Caprônio.
O Concílio de Constantinopla, realizado em 754, declarou a veneração das imagens, como “obra do demônio” e grande idolatria. Em todos os lugares, foram as esculturas retiradas das igrejas, as pinturas substituídas por paisagens, e quase todos se curvaram à vontade imperial. A igreja do Ocidente ofereceu resistências, porém, não foi muito bem sucedida. Leão, o armênio, no ano 815, renovou aquele ato, ordenando a destruição das imagens, uma vez que os decretos anteriores haviam sido revogados por alguns dos seus antecessores.
Os que apóiam o uso de imagens, afirmam que se trata, apenas de veneração, e que a adoração, somente, é prestada a Deus.
Não nos consta que os cristãos dos dois primeiros séculos adotassem o costume de adorar ou venerar imagens. Esse hábito foi introduzido após ter o Cristianismo sido oficializado pelo imperador Constantino, no ano 306, pois os pagãos, principalmente os membros da nobreza, não se sentiam bem em humildes casas, desprovidas das imagens dos antigos deuses. A singeleza das casas, onde se reuniam cristãos primitivos, contrastava com a suntuosidade dos templos pagãos, agravada pela ausência das imagens que alegravam as vistas. Procurou-se, então, um meio de agradar os novos conversos do Cristianismo, restaurando-se, nos altares, as figuras petrificadas, agora, com nova roupagem e novo nome.
Muita gente não consegue fazer uma prece a Deus se não estiver frente a uma imagem ou gravura. Para fixar o pensamento e fazer a adoração, precisam contemplar qualquer coisa tangível.
O uso de imagens deixou rastros profundos, até mesmo em muitos daqueles que mudaram de religião. Numa grande Casa Espírita de São Paulo, existe um grande busto de Allan Kardec, moldado em bronze. A casaca do Codificador, já, está bem gasta, em determinado ponto, de tanto os freqüentadores da Casa, ao adentrarem o salão principal da instituição, tocarem-na com os dedos, num gesto de pedir uma benção ou esperar uma graça.
A seu tempo, o apóstolo Paulo de Tarso insurgiu-se contra o uso de imagens, entre os gentios. Para tanto, ele dirigiu-se à cidade de Éfeso, juntamente com outros companheiros, tentando explicar ao povo que “não são deuses os que se fazem com as mãos”, e que não deveriam continuar a prestar homenagem à deusa Diana, através de nichos de prata, geralmente vendidos na cidade.
Entretanto, levantaram-se contra ele os ourives da cidade, inspirado por outro ourives, chamado Demétrio. Formaram, assim, uma espécie de motim, dentro da cidade e, durante duas horas, o povo gritou enfurecido: “Grande é a Diana dos Éfesios”. É desnecessário dizer que prevaleceu o fanatismo, e Paulo e seus companheiros tiveram que deixar, apressadamente, a cidade, dada a fúria fanática da multidão enfurecida.
O Espiritismo não adota o uso de imagens ou quaisquer outros objetos de adoração. Sendo uma doutrina que vem a fim de cumprir a sentença de Jesus: “Conheça a verdade e ela vos fará livres”, ano poderá, de forma alguma, consagrar essas esdrúxulas formas de adoração ou veneração, pois conforme sentenciou o Mestre à mulher samaritana: “Deus é Espírito e, em Espírito, deverá ser adorado pelos verdadeiros adoradores”.
Tribuna Espírita - Setembro/Outubro de 2000

sábado, 14 de março de 2009

PERANTE A DOR ALHEIA


Quando alguém se corta, se machuca, quando possui uma enfermidade que provoca dores, essa pessoa grita, essa pessoa procura um remédio para diminuir a sua dor, essa pessoa chora. Então, a dor física é uma dor que provoca uma reação, também física, e a busca de um lenitivo. Quem nunca passou por terríveis dores de cabeça e de dente? Quer logo um medicamento para sanar essa dor... Então, é o instinto natural de defesa da pessoa: sentiu dor, procura um medicamento; adoeceu, procura um médico.Mas, as dores espirituais são silenciosas e difíceis, às vezes, de serem compreendidas por aqueles que estão de fora, porque cada um é senhor da sua alma, cada um é dono absoluto dos seus sentimentos e, só ele, sabe explicar e compreender esses sentimentos. Então, para que alguém possa invadir o campo do sentimento de alguém, é preciso de que este alguém esteja disposto a falar, sensível à ajuda e disposto a procurar o medicamento para a sua cura. Quase todas as dores morais, espirituais, estão no comportamento da pessoa ou de outras pessoas, interferindo nos sentimentos das criaturas. É preciso, então, buscar aqueles recursos que, nós sabemos, funcionam no campo da alma: a prece, para ter equilíbrio; a leitura edificante, para a disciplina; muita cautela, para não ter, como coniventes, pessoas que possam agravar as dores espirituais e morais. É necessário saber, então, como vai falar, com quem vai falar e a hora que vai falar. Nós, do plano espiritual, observamos que, na grande maioria, as pessoas são incapazes de compreender a dor da outra, por isso, não conseguem ajudar. As pessoas que conseguem ajudar são aquelas que, realmente, se apagam nas suas limitações, trancam a porta dos deus traumas, das suas neuroses, para entender as neuroses e os traumas dos outros. Mas, na grande maioria, mesmo as pessoas muitos ligadas diretamente, por elos até biológicos e de afetividade – porque, nem sempre, os elos biológicos estão ligados ao campo da afetividade, às vezes estão ligados ao campo provacional- essas pessoas, às vezes, não são capazes de entender porque o outro sofre, a extensão do que o outro sofre. Diante, às vezes, de uma reação de desequilíbrio extremo, mesmo assim, não é capaz de ver que ali tem uma alma gritando de dor, de insegurança, de desespero, de carência.A prece será sempre a busca de um remédio com o médico das almas, que é Jesus. Através da prece nós recebemos ajuda dos amigos que estão altamente ligados a nós, mantemos uma convivência salutar com a luz, nos fortalecemos dentro dos nossos princípios renovadores, encontramos aquilo que buscamos dentro do nosso ser, no âmago mais profundo do nosso coração. A prece será sempre o recurso maior e aquela necessidade de conversar com Deus, usando intermediários diretos e indiretos dele, é muito importante, porque vamos buscar os seres que estão disponíveis, às vezes, esses seres nos cercam com extremo amor. Vocês são cercados de entidades inferiores, de entidades sofredoras, de entidades intrusas e oportunistas, imaginam vocês que não são cercados de entidades bondosas, amigas, preocupadas com o trabalho, felizes por ver que vocês debruçam diante do trabalho redentor, com isso levam consolo e, ao mesmo tempo, crescem? Claro que qualquer gota de trabalho, nesse oceano imenso de necessidade é um sol imenso de luz, nas trevas densas de cada um.Que esse médico das almas possa ajudar a todos vocês.

Bezerra de Menezes
Mensagem recebida por Shyrlene Soares Campos, dia 02/03/2000, no Núcleo Servos Maria de Nazaré

sexta-feira, 13 de março de 2009

O AMOR DE JESUS



Quantos religiosos - uns, fanáticos, outros porque sofreram verdadeiras "lavagens cerebrais" - vivem a repetir, entusiasmados:-- Jesus me ama!-- Jesus te ama!-- Jesus ama todos nós!Neste caso, numa raríssima exceção de tais métodos tão perniciosos de crença religiosa, eles estão certos! Absolutamente certos! Certíssimos! No entanto, será que todos eles conhecem a verdadeira dimensão desse maior testemundo de amor fraterno que já ocorreu na nossa história?
Vamos conferir?
Jesus
O mais elevado dos Enviados Divinos a este nosso mundo físico, e o único terráqueo que dividiu a nossa história em antes e depois dEle, saiu do Seu infinitamente distante mundo celeste e desceu a este nosso primitivo planeta, pagando o heróico preço de séculos de sacrifícios decorrentes da penosa reconstrução dos corpos indispensáveis à Sua encarnação terrestre.
Este sim, foi o sacrifício de Jesus maior e mais longo de todos!
O segundo maior sofrimento de Jesus
Foi, bravamente, suportar conviver trinta e três anos com as vibrações deste nosso plano físico - tão normais e naturais para nós - que, para Ele, um Ser Excelso, eram insuportavelmente pesadas, grosseiras, agressivas e repugnantes.
O terceiro maior sofrimento de JesusFoi ter que, continuamente, rechaçar as ininterruptas investidas dos espíritos que ainda estagiavam nas trevas e, a todo custo - porém, obviamente, em vão! - tentavam impedir o sucesso da Maior Missão Divina na Terra.
Mas, justamente ao contrário do que podemos imaginar Suas menores dores foram as incompreensões, difamações, calúnias e perseguições que Ele sofreu durante Seus três anos de pregações evangélicas, e até mesmo as Suas injustas e infames condenação e crucificação como reles criminoso.
Por que?Simplesmente porque Ele já sabia que nós éramos assim! Tanto que as Suas últimas palavras, proferidas enquanto agonizava e ainda sofria as terríveis dores da crucificação, foram:-- Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem!Então, precisamos saberÀ custa do maior preço pessoal que um enviado divino já pagou para cumprir sua missão na Terra, o que Jesus, há 2.000 anos, veio fazer aqui?
Pessoalmente, Ele veio nos trazer o Evangelho, o mais avançado, simples e claro roteiro tanto para as nossas evolução global e redenção cármica quanto, principalmente, para nossa salvação de milhares de anos de atraso espiritual.Por que "nossa salvação"?
E que tipo de "salvação"
Há 2.000 anos Jesus já sabia que - conforme previamente programado por nossos mentores siderais - a atual transição para o terceiro milênio, justamente por ser o final do nosso primeiro ciclo evolutivo, seria um marco decisivo para toda a humanidade terrena.
Por que seria esse marco tão decisivo para nós?Porque ocorreria o tão mal compreendido "Juízo Final", ou seja, a avaliação individual do nível ético e moral (e não o religioso) de cada terráqueo, quando caberia apenas aos aprovados - ou aos "direitistas" de Jesus, conforme o Novo Testamento da Bíblia - o direito de continuar vivendo na (nova) Terra, e aqui mesmo iniciar o segundo ciclo evolutivo.
E quanto aos reprovados? Justamente neste particular residia a grande preocupação de Jesus! Por este motivo, Sua Missão foi, principalmente, ensinar-nos a salvação dessa reprovação porque Ele sabia que os reprovados seriam deportados para planeta muito primitivo - tipo "na idade das pedras" - onde repetiriam o primeiro ciclo evolutivo, assim sofrendo milhares de anos de atraso evolutivo!Além distoDesde Sua morte terrena, Jesus continua presidindo, no mundo espiritual da Terra, a Sua Missão Divina Maior de Todas, repetindo, em prol tanto da alavancagem do nosso progresso global e da nossa redenção cármica quanto, principalmente, da nossa salvação de tão grande atraso evolutivo!
Mas ainda precisamos entender uma coisa
Tudo bem!
A missão espiritual de Jesus foi (e é) a maior de todas! Mas...-- Por que, há vinte séculos, Ele aceitou imolar-se tanto e durante tanto tempo em benefício de bilhões de pessoas que Ele nem sequer conhecia?
-- Por que, depois de tudo aquilo que nós Lhe fizemos, Jesus continua sendo o nosso Divino Pastor e o Governador Espiritual da Terra?
Resposta
-- Por amor!
-- Por amor incondicional, absoluto e irrestrito a todas as criaturas divinas!-- Pelo amor maior que a Terra já conheceu!
-- Por um amor tão grande, tão grande, mas tão grande que temos dificuldade de medir, entender e até acreditar!
Sim!
É verdade!
-- Jesus me ama!
-- Jesus te ama!
-- Jesus ama todos nós!Por mais dificuldades que tenhamos para compreender - e até para crer - Jesus ama cada um e todos nós, indistintamente, com o Seu Amor que foi e é o maior dentre todos que já encarnaram na Terra!Portanto
Aquela entusiasmada afirmação do tão grande, amplo e irrestrito amor de Jesus por todos nós, em vez de ser mais um condenável chavão fanático-religioso, é a mais pura verdade histórica!Conclusão
Que seres privilegiados nós somos...

quarta-feira, 11 de março de 2009

HIPÓCRATES CONDENA ABORTO E EUTANÁSIA


Médico que faz abortou ou aceita a eutanásia não honra o Juramento de Hipócrates. Às vezes, ele nem sabe disso porque, entre nós, esse código de ética passou por uma “cirurgia” antes de comparecer aos lábios trêmulos e ao coração emocionado dos idealistas formandos de medicina.
A humanidade sabe pouco de Hipócrates, que viveu na Grécia, 460 anos antes de Cristo, e era tido como descendente de Esculápio, o deus da medicina. Seu compromisso de honra, gravado todos os anos em todos os convites de formatura do mundo inteiro, é considerado a lei moral maior da arte e da ciência de curar. Sua íntegra, muito pouco conhecida, contém a proibição tácita do aborto delituoso e da eutanásia. Confira-a, por favor, o gentil leitor:
“Juro por Apolo, médico, por Asclépios, Hiligéia e Panacéia e tomo por testemunha todos os deuses e todas as deusas fazer cumprir conforme o meu poder e a minha razão o juramento cujo texto é este:
- Estimarei, como a meus próprios pais, aquele que me ensinou esta arte e com ela farei vida em comum, e se tiver alguma necessidade, partilhará dos meus bens, cuidarei de seus filhos, como meus próprios irmãos, ensinar-lhes-ei esta arte, se tiverem necessidade de aprende-la, sem salário, nem promessa escrita. Farei participar dos preceitos das lições e de todo o restante do ensinamento os meus filhos, os filhos do mestre que me instruiu, os discípulos, de acordo com as regras da profissão, mas apenas esses.
Aplicarei os regimes, para o bem dos doentes, segundo o meu saber e a minha razão, nunca para prejudicar ou fazer mal a quem quer que seja. A ninguém darei, para agradar, remédio mortal (eutanásia), nem conselho que o induza à destruição. Também não darei a nenhuma mulher um remédio abortivo (aborto). Conservarei puras a minha vida e a minha arte. Não praticarei a talha, ainda que em calculoso manifesto, mas deixarei esta operação para os práticos.
Na casa onde eu for, entrarei para o bem do doente, abstendo-me de qualquer mal voluntário, de toda sedução e sobretudo dos prazeres do amor com mulheres ou com homens, sejam livres, sejam escravos. O que no exercício ou fora do exercício e no comércio da vida eu ver ou ouvir, que seja necessário não revelar, conservarei como segredo. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu a minha vida com boa reputação entre os homens e para sempre. Se dele me afastar ou infringir, suceda-me o contrário”.
Assim, está no original, completo, que pode ser encontrado nas boas enciclopédias. No Brasil, contudo, dele se fez uma síntese, falha e omissa, ausente a condenação à eutanásia e ao aborto, com o nome enganoso de Juramento de Hipócrates, comum nos convites de formatura.

Fonte: SEI- SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES - BOLETIM SEMANAL Nº 1727- 5/5/2001

terça-feira, 10 de março de 2009

NO TEMPLO DA MORTE



O templo da morte tem portas incontáveis,
Como incontáveis são as almas humanas,
E infinitos seus estados de consciência.

Pela porta escura do remorso,
Um dia penetrou os seus umbrais
Uma alma que regressava da Terra.
Lá dentro,
Em nome do Senhor de todos os latifúndios do Universo,
Pontificava o Anjo da Justiça.

“Anjo Bom! – disse-lhe a alma súplice –
Eu tenho a minhalma coberta de feridas cancerosas!
Cura-me as chagas purulentas do remorso...
Tenho os meus olhos vendados
g uma treva incomensurável na consciência!
Apaga os meus atrozes padeceres!...”

“Filha – respondeu compassivo –,
Para sanar tão estranhas feridas,
Tão amargos pesares,
Só há um recurso:
Volta à Terra!
Lá existe o Regato das Lágrimas,
Banha-te nas suas águas cristalinas;
Elas serão o teu bálsamo consolador
E curarão a tua cegueira...
Estás na escuridão absoluta
Pela ausência da luz, do bem na tua alma!
Mas o Anjo da Dor irá contigo;
Ele há de te guiar através das sirtes do mar
encapelado dos sofrimentos,
B te conduzirá ao lugar bendito onde existem as lágrimas salvadoras!...”
E a pobre regressou...
Conduzida pela Dor,
Banhou-se na água lustral dos tormentos,
Submergiu-se no regato encantado,
de cuja fonte límpida promana a Salvação.


E depois de haver percorrido
Tão tortuosos caminhos,
Inçados de perigos
E de dores amargas,
Reconheceu o luminoso Anjo da Dor...
E nos seus braços magnânimos e compassivos,
Penetrou no templo misterioso da morte
Pela porta maravilhosa da Redenção.
MARTA
Do livro Parnaso de Além-Túmulo.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.


domingo, 8 de março de 2009

ORAÇÃO A MULHER


Missionária da Vida.
Ampara o homem para que o homem te ampare.
Não te conspurques no prazer, nem te mergulhes no vício.
A felicidade na Terra depende de ti, como o fruto depende da árvore.
Mãe, sê o anjo do lar.
Esposa, auxilia sempre.
Companheira, acende o lume da esperança.
Irmã, sacrifica-te e ajuda.
Mestra, orienta o caminho.
Enfermeira, compadece-te.
Fonte sublime, se as feras do mal te poluírem as águas, imita a corrente cristalina que no serviço infatigável a todos, expulsa do próprio seio a lama que lhe atiram.
Por mais te aflija a dificuldade, não te confies à tristeza ou ao desânimo.
Lembra os órfãos, os doentes, os velhos e os desvalidos da estrada que esperam por teus braços e sorri com serenidade para a luta.
Deixa que o trabalho tanja as cordas celestes do teu sentimento para que não falte a música da harmonia aos pedregosos trilhos da existência terrestre.
Teu coração é uma estrela encarcerada.
Não lhe apagues a luz para que o amor resplandeça sobre as trevas.
Eleva-te, elevando-nos.
Não te esqueças de que trazes nas mãos a chave da vida porque a chave da vida é a glória de Deus.
Meimei
À LUZ DA ORAÇÃO, Espíritos Diversos,psicografia de Francisco C. Xavier, ed. O CLARIM.

sábado, 7 de março de 2009

APARÊNCIAS

Não acuse o irmão que parece mais abastado. Talvez seja simples escravo de compromissos.
Não condene o companheiro guindado à autoridade. É provável seja ele mero devedor da multidão.
Não inveje aquele que administra, enquanto você obedece. Muitas vezes, é um torturado.
Não menospreze o colega conduzido a maior destaque. A responsabilidade que lhe pesa nos ombros pode ser um tormento incessante.
Não censure a mulher que se apresenta suntuosamente. O luxo, provavelmente, lhe constitui amarga provação.
Não critique as pessoas gentis que parecem insinceras, à primeira vista. Possivelmente, estarão evitando enormes crimes ou grandes desânimos.
Não se agaste com o amigo mal-humorado. Você não lhe conhece todas as dificuldades íntimas.
Não se aborreça com a pessoa de conversação ainda fútil. Você também era assim quando lhe faltava experiência.
Não murmure contra os jovens menos responsáveis. Ajude-os, quanto estiver ao seu alcance, recordando que você já foi leviano para muita gente.
Não seja intolerante em situação alguma. O relógio bate, incessante, e você será surpreendido por inúmeros problemas difíceis em seu caminho e no caminho daqueles que você ama.
Francisco Cândido Xavier. Da obra: Agenda Cristã. Ditado pelo Espírito André Luiz.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A LENDA DO HOMEM ETERNO




Pelo Sr. Armand Durantin
(1- 1Um vol. in-12. Preço: 3 francos.
Casa Dentu e na Livraria central, boulevar dos Italianos, no 24.).
O Espiritismo conquistou seu lugar nas crenças; se é ainda, para alguns escritores, um assunto de zombaria, é de se notar que entre aqueles mesmos que zombavam dele outrora, a zombaria baixou de tom diante do ascendente da opinião das massas, e se limita a reportar, sem comentários ou com restrições mais reservadas, os fatos que ali narram. Outros, sem nele crerem positivamente, e sem mesmo conhecê-lo a fundo, julgam a idéia bastante importante para nela haurir os assuntos de seus trabalhos de imaginação ou de fantasia. Tal é, isso nos parece, o caso da obra de que falamos. É um simples romance baseado sobre a crença espírita, apresentado do ponto de vista sério, mas ao qual podemos censurar alguns erros, sem dúvida, provenientes de um estudo incompleto da matéria. O autor que quer bordar uma ação de fantasia sobre um assunto histórico deve, antes de tudo, compenetrar-se bem da verdade do fato, a fim de não estar ao lado da história. Assim deverão fazer todos os escritores que quiserem aproveitar a idéia espírita, seja para não serem acusados de ignorar do que falam, seja para conquistar a simpatia dos adeptos, bastante numerosos hoje para pesar na balança da opinião, e concorrer ao sucesso de toda obra que toca, direta ou indiretamente, às suas crenças.
Feita essa reserva do ponto de vista da perfeita ortodoxia, a obra em questão não será por isso menos lida com muito interesse pelos partidários como pelos adversários do Espiritismo, e agradecemos ao autor pela graciosa homenagem que consentiu em nos fazer com o seu livro, chamado a popularizar a idéia nova. Dele citaremos as passagens seguintes, que tratam mais especialmente da Doutrina.
"À época em que o Sr. de Boursonne (um dos principais personagens do romance) perdera sua mulher, uma doutrina mística se difundia surdamente, lentamente, e se propagava na sombra. Ela contava ainda poucos apóstolos; mas não aspirava a nada menos do que se substituir aos diferentes cultos cristãos. Não lhe faltava ainda, para se tornar uma religião poderosa, senão a perseguição.
"Essa religião, é a do Espiritismo, tão eloqüentemente exposta pelo Sr. Allan Kardec, em sua notável obra O Livro dos Espíritos. Um de seus adeptos mais convencidos, era o conde de Boursonne.
"Não acrescentarei mais do que algumas palavras sobre essa doutrina, para fazer compreender aos incrédulos que o poder misterioso do conde era inteiramente natural.
"Os Espíritas reconhecem Deus e a imortalidade da alma. Crêem que a Terra é para eles um lugar de transição e de provas. Segundo eles, a alma é primeiro colocada por Deus num planeta de uma ordem inferior. Ali ela fica encerrada num corpo mais ou menos grosseiro, até o dia em que ela esteja bastante depurada para emigrar para um mundo superior. É assim que, depois de longas migrações e numerosas provas, as almas che- gam enfim à perfeição, e são então admitidas no seio de Deus. Depende, pois, do homem abreviar as suas peregrinações e chegar mais prontamente junto ao Senhor, melhorandose rapidamente.
"É uma crença do Espiritismo, crença tocante, que as almas mais perfeitas podem conversar com os Espíritos. Assim, segundo os Espíritas, podemos conversar com os seres que amamos e que perdemos, se nossa alma for bastante aperfeiçoada para ouvi-los e saber se fazer escutada por eles.
"São, pois, almas melhoradas, os homens mais perfeitos entre nós, que podem servir de intermediários entre o vulgo e os Espíritos; esses agentes, tanto zombados pelo ceticismo, tanto admirados e invejados pelos crentes, chamam-se, em linguagem espírita, médiuns.
"Isto explicado, uma vez por todas, anotemos de passagem que a Doutrina Espírita conta, nesta hora, seus adeptos por milhares, sobretudo nas grandeza cidades, e que o conde de Boursonne era um dos médiuns mais poderosos."
Isto é um primeiro erro grave; se fosse preciso ser perfeito para comunicar-se com os Espíritos, bem poucos gozariam desse privilégio. Os Espíritos se manifestam àqueles mesmos que deixam mais a desejar, precisamente para conduzi-los, por seus conselhos, a se melhorarem, segundo esta palavra do Cristo: "Não são aqueles que passam bem que têm necessidade de remédios." A mediunidade é uma faculdade que se prende ao organismo mais ou menos desenvolvido segundo os indivíduos, mas que pode ser dada ao mais indigno, como ao mais digno, com a condição de ser punido o primeiro se dela não aproveita ou se dela abusa. A superioridade moral do médium lhe assegura a simpatia dos bons Espíritos, e o torna apto para receber instruções de uma ordem mais elevada; mas a facilidade de comunicar-se com os seres do mundo invisível, seja diretamente, seja por intermediários, é dada a cada um tendo em vista o seu adiantamento. Eis o que o autor teria sabido se tivesse feito um estudo mais aprofundado da ciência espírita.
"A ciência moderna provou que tudo se encadeia. Assim, na ordem material, entre o infusório, o último dos animais, e o homem, que deles é a expressão mais elevada, existe uma cadeia de criaturas, melhoradas sucessivamente, como o provam com abundância as descobertas dos geólogos. Ora, os Espíritas se têm perguntado por que a mesma harmonia não existiria no mundo espiritual; se têm perguntado por que uma lacuna entre Deus e o homem, como o Sr. Lê Verrier perguntou-se como se fazia que um planeta pudesse faltar em tal lugar do céu, em virtude das leis harmoniosas que regem nosso mundo incompreensível e ainda desconhecido.
"Foi guiado por esse mesmo raciocínio que conduziu o eminente diretor do observatório de Paris à sua maravilhosa dedução, de que os Espíritas vieram para reconhecer os seres materiais entre o homem e Deus, antes de disso ter a prova palpável que adquiriram mais tarde."
Há igualmente aí um erro capital. O Espiritismo foi conduzido às suas teorias pela observação dos fatos, e não por um sistema preconcebido. O raciocínio do qual fala o autor é racional, sem dúvida, mas não foi assim que as coisas se passaram. Os Espíritas concluíram a existência dos Espíritos, porque os Espíritos se manifestaram espontaneamente; indicaram a lei que rege as relações do mundo visível e do mundo invisível, porque observaram essas relações; admitiram a hierarquia progressiva dos Espíritos, porque os Espíritos se mostraram a eles em todos os graus de adiantamento; adotaram o princípio da pluralidade das existências não só porque os Espíritos lhes ensinaram, mas porque esse princípio resulta, como lei da Natureza, da observação dos fatos que temos sob os olhos. Em resumo, o Espiritismo não admitiu nada a título de hipótese preliminar; tudo na doutrina é um resultado da experiência. Eis tudo o que temos muitas vezes repetido em nossas obras.
REVISTA ESPÍRITA
JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE ALLAN KARDEC
ANO 7 - FEVEREIRO 1864 - Nº. 2

quarta-feira, 4 de março de 2009

UMA RELIGIÃO ESPÍRITA



Um conhecido meu, não espírita, questionou-me sobre a condição de religião do espiritismo, propalada pelo movimento espírita como uma de suas características básicas, em paralelo com seus aspectos científico e filosófico. Lembrei-me, então, que essa questão é comumente retomada na imprensa e nas casas espíritas, denotando um importante ponto para debates e esclarecimentos. Vi, certa vez, um orador espírita afirmar que se o espiritismo fosse religião, não seria espírita, e outros que afirmam o inverso, que se interessam pelo espiritismo por conta de seu aspecto religioso, esquecendo um pouco suas outras qualidades.
Meto-me, assim, numa controvérsia, não com a intenção de esclarecer, visto não possuir a verdade, mas para contribuir com minha opinião, mostrando, para tanto, as minhas razões.
O primeiro problema que enfrentei foi a definição de religião, pois como compreender a situação do espiritismo sem antes compreender o que é religião? Resolvi consultar os clássicos da filosofia e da sociologia, que seriam os mais habilitados em resolver essa primeira questão. Apesar de ter consultado vários deles, acabei ficando com as definições colocadas por Émile Durkheim e Mircea Eliade, pensadores do séc. XX e especialistas no tema, que concordam com o fato de que a religião é basicamente caracterizada: 1) pela distinção entre dois mundos diferentes: o sagrado e o profano, sendo o sagrado mais importante que o profano; 2) por seus rituais, que "são regras de conduta que prescrevem como o homem deve comportar-se com as coisas sagradas", no dizer de Durkheim; e 3) pela reunião de seus adeptos em comunidades que seguem determinados comportamentos morais. Nesse último aspecto, Kant antecipa-se afirmando ser essa a principal característica de uma religião racional, que leve o homem à sua obra "mais difícil", que seria a sua transformação moral, superando sua "tendência radical para o mal".
Essa definição acima colocada, evidenciando as três características presentes em todas as manifestações religiosas, desde as mais simples e antigas às mais complexas e modernas, ampara a minha avaliação sobre o espiritismo, demarcando sua situação como religião ou não, caso apresente todas essas características. Mas, nesse ponto, algumas características atribuídas às religiões já são abandonadas: a crença em deuses, por exemplo. Como bem afirma Durkheim, há religiões em determinadas culturas que são atéias, dentre elas, a mais conhecida é o budismo, motivo da deferência nietzscheana em sua obra "O anticristo". Ressalto que o budismo aqui mencionado, o "hinayana", é aquele ensinado por Buda, e não o budismo reformado, hindu ou tibetano, chamado "mahayana". Portanto, a associação entre religião em suas manifestações concretas e o sempre citado verbo latino "religare" não passa de apelo do senso comum, pois há carência empírica no seu uso, o que Wittgenstein classificaria de jogos de linguagem.
Aqui será feito um necessário corte analítico: dum lado a análise do espiritismo, doutro, a do que se popularizou chamar de movimento espírita. Apesar de este considerar-se representante daquele, suas propostas diferem em inúmeros pontos e a divergência de idéias alcança píncaros que permitem afirmar serem coisas bem diversas.
Primeiramente, coube-me avaliar se o espiritismo distingue um mundo sagrado e um mundo profano. Apesar das colocações expostas na questão 84 de "O livro dos espíritos", em que a resposta à pergunta "Os espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?" é afirmativa, para em seguida, na pergunta 85, ainda reiterar que o mundo dos espíritos é o principal na ordem das coisas, deve-se perceber o sentido dado a essas questões. Fora de contexto, aqui já estariam presentes as bases necessárias para a verificação da primeira característica. Todavia, esse mundo dos espíritos não difere do nosso mundo material, já que ele não é habitado por seres diferentes ou entidades transcendentes, como deuses, ninfas ou duendes, ele é habitado pelos mesmos indivíduos que viveram uma vida corporal. Portanto, não há diferenças na essência daqueles que habitam esses mundos diferentes, são os mesmos indivíduos, apenas em condições de vida distintas.
O mesmo não se dá com o movimento espírita. Esse, apesar da aceitação dos princípios exarados nas obras de Kardec, por vezes somente na letra, age de forma bastante diferenciada. Os espíritos que habitam esse "mundo à parte", passam a ser em muitos casos semideuses que devem ser adorados e venerados. O respeito a essas entidades incorpóreas chega a tal grau que se é proibida a contestação ou argumentação, cabem apenas a reverência e a fé, ou seja, perderam a sua humanidade, principal proposta do entendimento desse mundo por parte do espiritismo kardecista. Aqui, então, há verdadeiramente dois mundos distintos em substância e em personagens, o que faz o movimento espírita cumprir plenamente a primeira das características religiosas.
Em seguida, avaliei a existência de rituais no espiritismo, o que seria, inicialmente, um ponto fora de conflito, pois é sabida a pregação espírita da ausência de rituais. Mas entre o discurso e a prática, há sempre um hiato que cabe ao estudioso debruçar-se. Voltando às definições dos clássicos, entende-se que ritual ou culto "não é simplesmente um sistema de signos pelos quais a fé se traduz exteriormente, é o conjunto de meios pelos quais ela se cria e se recria periodicamente. Quer consista em manobras materiais ou em operações mentais", como afirma Durkheim. Portanto, uma prece é um ritual, uma evocação mediúnica é um ritual, desde que feitas com o intuito da prática da fé, com sua afirmação periódica, pois coincide exatamente com o conceito acima, que não reduz a definição de ritual a práticas materiais, como sói acontecer entre nós espíritas. Mais uma vez a diferença entre espiritismo e movimento espírita é evidente. Enquanto o espiritismo não propõe a prece ou suas reuniões como motivos de reafirmação periódica da fé, e sim como algo espontâneo e sem nenhuma formalização, como exercício de aprendizado e de relação com os espíritos, sem necessidade sequer duma participação efetiva em grupos ou de periodicidade nesse contato, o movimento espírita trilha caminho bem diverso, pois ritualizou preces e reuniões da forma mais objetiva possível, fazendo-as formais com tempo determinado, formas específicas e material sacralizado, como se pode ler nas diversas obras que se tornaram clássicas entre os participantes desse segmento. Alguns já chegam ao extremo de consagrar sacramentos em casas espíritas, como as atuais cerimônias de casamento.
Finalmente, a última questão é a menos problemática, pois é o próprio Kardec quem propõe a necessidade da comunhão dos espíritas em uma comunidade como se vê nos seus escritos póstumos e na Revista espírita ―, reconhecendo, inclusive, os verdadeiros espíritas pelo esforço na sua transformação moral. E, aqui, ambas as posições são coincidentes.
Nesse ponto, concluiria que o espiritismo não é uma religião, já que não possui em suas características aquelas que possam dar-lhe essa definição, como visto acima. Diferente do movimento espírita, que desfruta de todas as características básicas apresentadas pelos estudiosos do assunto, e que, por conseguinte, enquadra-se perfeitamente nessa definição.
Faltaria, entretanto, uma última análise: a opinião de Kardec sobre o tema. Primeiramente lembro o clássico artigo publicado na "Revista espírita" de dezembro de 1868, intitulado "O espiritismo é uma religião?", pois nesse texto, Kardec declara não ser o espiritismo uma religião, por não possuir os caracteres das religiões tradicionais, como as cerimônias e os sacerdotes. Todavia, afirma ele nesse mesmo texto: "o laço estabelecido por uma religião é um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, [...]. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, [...] a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. [...] Se assim é, perguntarão, então o espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o espiritismo é uma religião". Kardec é bem claro em sua opinião ao possibilitar que o espiritismo seja considerado uma religião apenas em seu aspecto filosófico, ou seja, por reunir em torno de seus princípios filosóficos os homens numa congregação de fraternidade e benevolência, para então concluir, após a afirmativa acima: "O espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres duma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria ornar-se de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral".
Se tal clareza não for ainda suficiente para ilustrar a opinião de Kardec, resta apenas a citação de mais dois fragmentos da "Revista espírita", o primeiro de maio de 1859, "Refutação dum artigo de L'Univers", em que diz: "Seu [do espiritismo] verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião, e a prova disso é que conta, entre seus adeptos, com homens de todas as crenças, e que por isso não renunciaram às suas convicções [...]. O espiritismo repousa, pois, sobre princípios gerais independentes de todas as questões dogmáticas. [...] O espiritismo não é, pois, uma religião: de outro modo teria seu culto, seus templos, seus ministros. [...] Em resumo, o espiritismo se ocupa com a observação dos fatos, e não com as particularidades de tal ou tal crença". No segundo artigo, de julho de 1859, "Resposta à réplica do Sr. abade Chesnel, em L'Univers", diz Kardec: "O espiritismo, como eu disse, está fora de todas as crenças dogmáticas, com as quais não se preocupa; não o consideramos senão como uma ciência filosófica, que nos explica uma multidão de coisas que não compreendemos, e, por isso mesmo, em lugar de abafar em nós as idéias religiosas, como certas filosofias, fá-las nascer naqueles em que elas não existem; mas se quereis, por toda a força, elevá-lo à categoria duma religião, vós mesmos o empurrais para um caminho novo". É interessante ler Kardec afirmando que não será ele o criador duma nova religião, mas aqueles que tanto querem.
Portanto, a conclusão é indubitável: o espiritismo não é uma religião, sob qualquer artifício sofista ou de interesse pessoal. Por outro lado, o movimento espírita é uma religião com todas as características inerentes a essa definição. Possui sua sacralidade, seus rituais, sacerdotes e tudo o mais que o faz uma religião com seu séqüito de caracteres tradicionais.

terça-feira, 3 de março de 2009

PERFEIÇÃO MORAL



Diz a Espiritualidade em «O LIVRO DOS ESPÍRITOS», no capítulo que trata da Perfeição Moral, Virtudes e Vícios, que muitas vezes as qualidades morais são como a douração feita num objeto de cobre, que não resiste a pedras de toque. Pode um homem possuir reais qualidades que o apontam ao mundo como um homem de bem? Mas, posto seja um progresso, nem sempre essas qualidades resistem a certas provas, e por vezes, basta tocar a corda do interesse pessoal para o pôr a descoberto.

Emendar-se, vencer as paixões, corrigir o caráter, visando crescer espiritualmente e com a intenção de colaborar com Deus e a Humanidade desinteressadamente: Eis, um procedimento sensato, pois não há nenhum egoísmo em melhorar-se tendo em vista aproximar-se de Deus, pois esta é a meta para a qual todos nós tendemos..
Sempre que nos dedicarmos a um estudo sistemático, estaremos seguindo o caminho do bem já que, a par de nos instruirmos – e por conseguinte trabalharmos por nosso progresso individual -, estaremos indiretamente contribuindo para o progresso dos que nos cercam e, em última análise, de toda a humanidade – e isto está conforme à lei natural do progresso que nos direciona para a perfeição.
Neste caminho da perfeição censurar defeitos alheios não é uma boa atitude, pois nenhum de nós dispõe de faculdades completas; e é pela união social que nos completamos, asseguramos nosso próprio bem-estar e progredimos. Antes de qualquer censura a alguém, devemos refletir de como agiríamos se estivéssemos no lugar daquele que desejamos censurar. Este proceder nos levará a compreender melhor a psicologia humana, buscando formas de nos educarmos mutuamente, inclusive analisar o nosso proceder e corrigir possíveis defeitos que ainda existem em nós. Este procedimento também é um meio de crescermos espiritualmente.
Se desejamos provar nossa capacidade, só existe uma maneira de fazê-lo, é através do exemplo.
Diz Alexandre Rangel, especialista em processos de qualidade empresarial, in Artigos/Qualidade da Rádio Bandeirantes, que Napoleão Bonaparte sem dúvida foi um dos maiores líderes que este mundo já conheceu. Certa vez, seu exército estava se preparando para uma das maiores batalhas.

As forças adversárias tinham um contingente três vezes maior que o seu, além de um equipamento muito superior. Napoleão avisou seus generais de que ele estava indo para a frente de batalha e estes procuraram convencê-lo a mudar de idéia:

- Comandante, o senhor é o império! Se morrer, o império deixará de existir. A batalha será muito difícil. Deixe que nós cuidaremos de tudo. Por favor, fique. Confie em nós.

Tudo em vão, não houve nada que o fizesse mudar de idéia. No meio da noite, o general Junot, um de seus brilhantes auxiliares e também amigo, procurou-o e, de novo, tentou mostrar o perigo de ir para a frente de batalha.
Napoleão olhou-o com firmeza e disse:

- Não tem jeito, eu vou.

- Mas por quê, comandante?

E ele respondeu...

- É mais fácil puxar do que empurrar! Servir de exemplo não é a melhor forma de ensinar; é a única forma de ensinar!

Não merece repreensão aquele que sabe, por suas ações, estar fazendo o bem, desde que seu intuito é o de pesar suas ações na balança de Deus, e sobretudo na Sua lei de justiça, amor e caridade, para dizer a si mesmo se suas ações estão no objetivo correto. O que não é racional é se envaidecer, pois significaria que tudo o que fez cairia por terra, já que essa atitude seria uma demonstração que em si ainda há o egoísmo.
Em L.E., q. 913, os Espíritos superiores dizem que o vício que podemos considerar como sendo o mais pernicioso é o egoísmo, pois é dele que deriva todo o mal e, se estudarmos a fundo todos os vícios que possuímos, em todos eles existe o egoísmo.
Podemos lutar de todas as formas para tentar tirar qualquer um de nossos vícios, mas só iremos extirpar o egoísmo quando o atacarmos na sua raiz e destruirmos sua causa, pois quem nesta vida desejar se aproximar da perfeição deve extirpar de si todo o sentimento de egoísmo, porque ele é incompatível com a lei de Justiça, amor e caridade. Aliás, o egoísmo anula todas as outras qualidades.
Muitos de nós podemos alegar que o nosso mundo é dominado pelo egoísmo, por isto a dificuldade em extirpá-lo. A isto podemos dizer que, se cada um de nós trabalhar sua transformação íntima, procurando uma forma de se melhorar, a intensidade desse vício tenderá a diminuir e o mundo melhorar. Caso contrário será necessário que ele cresça mais ainda para que faça danos consideráveis para se compreender a necessidade de sua extirpação, daí a escolha é de cada um de nós.
Realmente, podemos admitir que o egoísmo é muito difícil de se erradicar - pois está ligado à influência da matéria - e que ainda estamos muito próximo de sua origem mas, com certeza, ele se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e sobretudo com a compreensão de doutrinas como o Espiritismo, que nos fazem entender melhor nossa condição futura.
Conforme ensinamentos de Sócrates e Santo Agostinho, in LE 919a: O autoconhecimento é a chave do melhoramento individual, pois permite que alinhemos nossas ações e pensamentos na direção das correções que necessitamos realizar, e assim, ajustar nossos atos de acordo com os ensinamentos dos grandes Mestres que estiveram na Terra, em especial o Mestre Jesus, tanto em relação a Deus, como em relação ao nosso próximo.
Este processo é árduo; assim, necessitaremos de muita coragem e determinação para realizá-lo, mas através do esforço próprio e de exercícios repetidos na direção das boas causas, iremos sedimentar em nós o próprio bem. Deus sempre nos assiste e auxilia, mas devemos fazer a nossa parte se desejamos verdadeiramente melhorar e assim colaborar com a construção de um mundo novo e melhor.

Artigo com base no Livro terceiro, cap. XII de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, obra codificada por Allan Kardec

segunda-feira, 2 de março de 2009

DO PRINCÍPIO DA NÃO-RETROGRADAÇÃO DOS ESPÍRITOS.


Tendo sido levantadas, várias vezes, questões sobre o princípio da não retrogradação dos Espíritos, princípio diversamente interpretado, iremos tentar resolvê-las. O Espiritismo quer ser claro para todo o mundo, e não deixar aos seus futuros filhos nenhum assunto de querelas de palavras, por isso todos os pontos suscetíveis de interpretação serão sucessivamente elucidados.
Os Espíritos não retrogradam, nesse sentido de que não perdem nada do progresso realizado; podem ficar momentaneamente estacionados; mas de bons, não podem se tornar maus, nem de sábios, ignorantes. Tal é o princípio geral, que não se aplica senão ao estado moral, e não à situação material, que de boa pode se tornar má, se o Espírito a mereceu.
Citemos uma comparação.
Suponhamos um homem do mundo, instruído, mas culpado de um crime que o conduziu às galés; certamente, há para ele uma grande queda como posição social e como bem-estar material; à estima e à consideração sucederam o desprezo e a abjeção; e, no entanto, nada perdeu quanto ao desenvolvimento da inteligência; levará à prisão suas faculdades, seus talentos, seus conhecimentos; é um homem caído, e é assim que é preciso entender os Espíritos decaídos.
Deus pode, pois, ao cabo de um certo tempo de prova, retirar, de um mundo onde não terão progredido moralmente, aqueles que o terão desconhecido, que terão sido rebeldes às suas leis, para enviá-los para expiar seus erros e seu endurecimento num mundo inferior, entre os seres ainda menos avançados; lá serão o que eram antes, moral e intelectualmente, mas numa condição tornada infinitamente mais penosa, pela própria natureza do globo, e sobretudo pelo meio no qual se encontrarão; estarão, em uma palavra, na posição de um homem civilizado forçado a viver entre os selvagens, ou de um homem bem educado condenado à sociedade dos forçados. Perderam sua posição, suas vantagens, mas não retrogradaram ao seu estado primitivo; de homens adultos não se tornaram crianças; eis o que é preciso entender pela não-retrogradação. Não tendo aproveitado o tempo, é para eles um trabalho a recomeçar.
Deus, em sua bondade, não quer deixá-los mais por muito tempo entre os bons, dos quais perturbariam a paz; por isso envia-os entre os homens que terão por missão fazer avançar, comunicando-lhes o que sabem; por esse trabalho eles mesmos poderão avançar e resgatar tudo, expiando suas faltas passadas, como o escravo que amontoa, pouco a pouco, o que comprar com a sua liberdade; mas, como o escravo, muitos não amontoam senão o dinheiro em lugar de amontoar as virtudes, as únicas que podem pagar seu resgate.
Tal é até este dia a situação de nossa Terra, mundo de expiação e de prova, onde a raça adâmica, raça inteligente, foi exilada entre as raças primitivas inferiores, que a habitavam antes dela. Tal é razão pela qual há tanta amargura neste mundo, amarguras que estão longe de sentirem no mesmo grau dos povos selvagens. Há certamente retrogradação do Espírito nesse sentido que recua seu adiantamento, mas não do ponto de vista de suas aquisições, em razão das quais e do desenvolvimento de sua inteligência, sua de- caída social lhe é mais penosa; é assim que o homem do mundo sofre mais num meio abjeto do que aquele que sempre viveu na lama.
Segundo um sistema, que tem alguma coisa de especial à primeira vista, os Espíritos não teriam sido criados para serem encarnados, e a encarnação não seria senão o resultado de suas faltas. Esse sistema cai por esta consideração de que, se nenhum Espírito tivesse falido, não haveria homens sobre a Terra nem sobre os outros mundos; ora, como a presença do homem é necessária para a melhoria material dos mundos; que ele concorre pela sua inteligência e sua atividade à obra geral, é um dos órgãos essenciais da criação. Deus não podia subordinar o cumprimento dessa parte de sua obra à queda eventual de suas criaturas, a menos que não contasse para isso sobre um número sempre suficiente de culpados para alimentar de obreiros os mundos criados e a criar. O bom senso repele tal pensamento.

A encarnação é, pois, uma necessidade para o Espírito que, para cumprir sua missão providencial, trabalha em seu próprio adiantamento pela atividade e a inteligência que lhe é preciso empregar para prover à sua vida e ao seu bem-estar; mas a encarnação se torna uma punição quando o Espírito, não tendo feito o que deve, é constrangido a recomeçar sua tarefa e multiplica suas existências corpóreas penosas pela sua própria falta.
Um escolar não chega a colar seus graus senão depois de ter passado pela fieira de todas as classes; são essas classes uma punição?
Não: são uma necessidade, uma condição indispensável de seu adiantamento; mas se, por sua preguiça, é obrigado a repeti-las, aí está a punição; poder passar algumas delas é um mérito.
Portanto, o que é verdade é que a encarnação sobre a Terra é uma punição para muitos daqueles que a habitam, porque teriam podido evitá-la, ao passo que, talvez, a dobraram, triplicaram, centuplicaram por sua falta, retardando assim sua a entrada nos mundos melhores. O que é falso é admitir em princípio a encarnação como um castigo.

Uma outra questão freqüentemente agitada é esta:
O Espírito sendo criado simples e ignorante com liberdade de fazer o bem ou o mal, não há queda moral para aquele que toma o mau caminho, uma vez que chega a fazer o mal que não fazia antes?

Esta proposição não é mais sustentável do que a precedente.
Não há queda senão na passagem de um estado relativamente bom a um estado pior; ora, o Espírito criado simples e ignorante está, em sua origem, num estado de nulidade moral e intelectual, como a criança que acaba de nascer; se não fez o mal, não fez, não mais, o bem; não é nem feliz nem infeliz; age sem consciência e sem responsabilidade; uma vez que nada tem, nada pode perder, e não pode, não mais, retrogradar; sua responsabilidade não começa senão do momento em que se desenvolve nele o livre arbítrio; seu estado primitivo não é, pois, um estado de inocência inteligente e racional; por conseqüência, o mal que faz mais tarde infringindo as leis de Deus, abusando das faculdades que lhes foram dadas, não é um retorno do bem ao mal, mas a conseqüência do mau caminho em que se empenhou.
Isso nos conduz a uma outra questão. Nero, por exemplo, pode, enquanto Nero, ter feito mais mal do que em sua precedente encarnação?
A isto respondemos sim, o que não implica que na existência em que teria feito menos mal fosse melhor.
Primeiro, o mal pode mudar de forma sem ser pior ou menos mal; a posição de Nero, como imperador, tendo-o colocado em evidência, o que ele fez foi mais notado; numa existência obscura pôde cometer atos também repreensíveis, embora sobre uma menor escala, e que passaram desapercebidos; como soberano pôde fazer queimar uma cidade; como simples particular pôde queimar uma casa e ali fazer perecer uma família; tal assassino vulgar que mata alguns viajantes para despojá-los, se estivesse sobre um trono, seria um tirano sanguinário, fazendo em grande o que sua posição não lhe permitia fazer senão em pequeno.
Tomando a questão sob um outro ponto de vista, diremos que um homem pode fazer mais mal numa existência do que na precedente, mostrar vícios que não tinha, sem que isso implique uma degenerescência moral; freqüentemente, o que faltam são as ocasiões para fazer o mal, quando o princípio existe em estado latente; chega a ocasião, e os maus instintos se mostram a nu.
A vida comum disso nos oferece numerosos exemplos:
tal homem que se acreditava bom, mostra de repente vícios que não se supunha, e disso se admira; muito simplesmente é que soube dissimular, ou que uma causa provocou o desenvolvimento de um mau germe.
É muito certo que aquele em que os bons sentimentos estão enraizados não tem mesmo o pensamento do mal; quando este pensamento existe, é que o germe existe: não falta senão a execução.
Depois, como dissemos, o mal, embora sob diferentes formas, não é por isso menos o mal. O mesmo princípio vicioso pode ser a fonte de uma multidão de atos diversos provindo de uma mesma causa; o orgulho, por exemplo, pode fazer cometer um grande número de faltas, às quais se está exposto, enquanto o princípio radical não for extirpado. Um homem pode, pois, numa existência, ter defeitos que não teriam se manifestado numa outra, e que não são senão conseqüências variadas de um mesmo princípio vicioso. Nero é para nós um monstro, porque cometeu atrocidades; mas crê-se que esses homens pérfidos, hipócritas, verdadeiras víboras que semeiam o veneno da calúnia, despojam as famílias pela astúcia e os abusos de confiança, que cobrem suas torpezas com a máscara da virtude para chegar, mais seguramente, aos seus fins e receberem os elogios quando merecem a execração, crê-se, dizemos, que valem mais do que Nero? Seguramente não; ser reencarnado num Nero não seria para eles uma decaída, mas uma ocasião de se mostrarem sob uma nova face; como tais exibirão os vícios que escondiam; ousarão fazer pela força o que faziam pela astúcia, eis toda a diferença. Mas essa nova prova não lhe tornará o castigo senão mais terrível, se, em lugar de aproveitar os meios que lhe são dados de reparar, servem-se deles para o mal. E, no entanto,cada existência, por má que ela seja, é uma ocasião de progresso para o Espírito; desenvolve a sua inteligência, adquire da experiência e dos conhecimentos que, mais tarde, ajudá-lo-ão a progredir moralmente.
REVISTA ESPÍRITA
JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE
ALLAN KARDEC
ANO 6 - JUNHO 1863 - Nº. 6

domingo, 1 de março de 2009

VOZES DA VIDA

Ao homem que alegou perante os Céus
Que de nada dispunha para dar
Por sentir-se tão pobre quão sozinho,
O Senhor concedeu a benção de escutar
As migalhas e cousas do caminho!. . .
Disse-lhe um pão largado a um canto da sacola:
Dá-me a feliz esmola
De poder amparar!
Passaram hoje aqui dois pequenos sem nome. . .
Ah!. . . Quanto desejei arredá-los da fome!. . .
Para ajudar, porém, necessito, primeiro,
De tuas mãos, nobre companheiro,

Porquanto, é lei de Deus, na exaltação do bem,
Que pessoa nenhuma
Possa melhor servir sem apoio de alguém. . .
Uma rosa a entreabrir-se, acetinada e bela,
Exclamou da janela:
O vento da manhã explicou-me que existe
Em vizinho hospital!
Uma jovem doente abandonada e triste,
Desejando uma flor. . .
Quero sair daqui
Para ofertar-lhe ao peito uma nota de amor
Mas para realizar o sonho
Em que, pobre de forças, me agasalho,
Tentando transformar-me em fé, simpatia e trabalho,
Nada posso sem ti!. . .
Um bloco de papel atirado ao relento
Rogou, a sacudir-lhe o pensamento:
Vem agora comigo,
O impulso de teu lápis não me cansa,
Anseio ser contigo
A carta mensageira de esperança!. . .
Antigo cobertor aposentado
Transmitiu-lhe um recado:
O irmão enfermo, em frente, pede caridade,
Não me conserves sem utilidade. . .
Devo entregar-lhe a paz contra a guerra do frio,
Para isso, porém, neste culto de amor,
A fim de que eu lhe dê o amparo do calor,
Tanto ao catre vazio
Quanto ao corpo cansado de exaustão,
Não te dispenso a colaboração. . .
Pequenina moeda ergueu a voz
E falou-lhe do bolso em que jazia:
Pobre mão de criança semimorta
Veio hoje e pediu socorro à porta. . .
Leva-me a trabalhar.
Suplico a Deus para que alguém me aceite,
Preciso converter-me em xícara de leite
Que nutra, reconforte
E arranque essa criança ao domínio da morte!. . .
O homem renovado
Aguçou a atenção e escutou, mais além. . .
Sementes, fruto, fontes,
Os legumes do vale e as árvores dos montes. . .
Tudo era aceno e voz para o convite ao bem!. . .
Integralmente transformado,
Ouvindo a natureza, em derredor,
Viu-se rico e feliz, firme, grande, maior,
E exclamou para os Céus,
Em júbilo profundo:
Obrigado, meu Deus,
O Dom de trabalhar é o tesouro do mundo,
Ensina-me a servir,
Sê louvado, Senhor,
Na grandeza da vida e na benção do amor!. . .
Maria Dolores
Livro Encontro de Paz - Psicografia Chico Xavier