sexta-feira, 27 de março de 2009

CONHECE-TE


Cenyra Pinto
Qual a tua atitude em face da vida? Como te classificas?
Dize-me: és capaz da sinceridade de te situares, de te conheceres, de te identificares como realmente és?
Se responderes afirmativamente, eu te felicito, ainda que te reconheças com todas as qualidades negativas. Terás a teu favor a lealdade, e não viverás iludido a teu respeito.
Por certo, ao te reconheceres portador de inferioridades, não aprovarás teu modo de ser e procurarás tua reforma. Este é o primeiro passo, depois irás eliminando um a um os defeitos reconhecidos por ti, transformando-os em virtudes.
Logicamente não se espera milagres de um dia para o outro. Esse processo é lento, penoso, mas precisa ser contínuo, ininterrupto, para que não se cristalize num ponto e daí não queira mais sair.Tudo caminha, tudo cresce, tudo evolui, com ou sem a nossa autorização e colaboração, mas será para nós bem melhor caminharmos com a evolução, com os próprios pés, em plena consciência, do que aos trambolhões, arrastados pelos mil motivos que levam o homem adormecido através dos pesadelos da dor e do sofrimento, em todos os seus matizes.
Se já tens capacidade para te conheceres, és um herói e as batalhas que terá que travar no campo da tua alma, ainda manietada pelas várias ilusões do mundo, te darão mais um galão, te oferecerão a condecoração que mereces, como soldado destemido que não deserta ao enfrentar o inimigo, quando as mortíferas armas do desdém, da ingratidão, da injúria e outras armadilhas e tentações preparadas pelos senhores do carma te atingirem através das criaturas imaturas que se comprazem, ainda, em servir instrumentos de tortura para os que precisam ser testados.
Essas almas, em embrião no campo magnético da vida, são portadores de tarefas compatíveis com a sua primária evolução, mas estão a serviço, embora num setor doloroso, pois a maioria, ao invadir o campo alheio para levar sua carga demolidora, fere-se com as próprias armas, empolgada que fica com a sua triste incumbência.
Em geral, dizemos: quanto daríamos para despertar-vos sem mágoas, para fazer-vos viver sem sofrimentos. Mas a vossa atitude de acomodação, de satisfação quase total com os bens que desfrutais na Terra, bens efêmeros, mas visíveis, palpáveis e agradáveis aos vossos sentidos, torna-vos tão inacessíveis ao nosso trabalho a vosso lado que somos forçados a sacudir-vos pela dor, porque para vós só a dor é real. Só ela arranca de vós gemidos, gritos e pedidos de socorro que esperamos ouvir, para que possais entender a grande lição que a vida vos quer ensinar.
Ninguém acorda por vontade espontânea. Dormir e sonhar, ainda que os sonhos nem sempre sejam como desejais, mas sempre vos entorpecem e vos dão algum prazer, é o que desejais.
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Por isto, consideramos herói quem já é capaz de conhecer a si mesmo, quem é capaz de não sentir nenhum constrangimento, nem mesmo perante a própria consciência, de estar como está, e que já tem coragem de se lançar tenazmente contra os princípios errados que o vinham mantendo, talvez há milênios, e reconquistá-los, transmutando-os em qualidades construtivas, a serviço da grande causa do Cristo.
Meu irmão, se tu que me lês estás em condições de colocar um espelho diante da tua consciência sem sentires nenhum choque se não te apavoras com a fisionomia que vês a tua frente, por mais deformada que ela se te afigure, e se sentes o desejo de ser belo espiritualmente, se anelas ver refletida nesse espelho a imagem e semelhança de Deus, que te criou, então, meu irmão, começa agora mesmo. Retoca, reconstrói, reforma - o espelho da tua consciência.
Nesse dia, meu amigo, jovem ou ancião, te sentirás envolto num manto maravilhoso de paz, de equilíbrio e felicidade. Por onde andares, na Terra ou no espaço, será o doador da herança de nosso Pai, que tem em abundância todos os bens de que a humanidade tanto necessita e deseja, mas que, cega e surda, caminha pelo vale da sombra da morte, sem ver a beleza esparsa em tudo o que existe.
Que o Senhor dos mundos de conceda a graça de não vacilares mais, agora que te revelaste a ti mesmo. Que caminhes, levando na tua mão direita o cetro da fé, na esquerda o bordão da esperança e no coração, o amor que irá despontando, como flor tímida, mas que subirá até o céu da tua consciência e ornamentará e espargirá o perfume benfazejo e suave das almas eleitas do Senhor.
Paz, luz e amor.

Cenyra Pinto

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