segunda-feira, 16 de março de 2009

IDOLATRIA

“Não são deuses os que se fazem com as mãos” (Atos, 19:26)
O primeiro mandamento do Decálogo prescreve que não se deve fazes escultura alguma do está na terra, no céu ou no mar, debaixo das águas, e nem lhe prestar culto.
Moisés, quando desceu do Monte Sinai, portando as tábuas da lei, viu o seu povo adorar o bezerro de ouro; ficou enfurecido, quebrou as tábuas e ordenou que fossem mortos todos aqueles que adoravam ídolo.
Não obstante, até mesmo algumas religiões do ramo cristão, que aceitam e adotam dos Dez Mandamentos, persistem na adoração de imagens, mergulhadas que estão, num sistema de franca idolatria.
A história registra que um imperador, chamado Leão III, aboliu a idolatria, no seio da Igreja. Ele e seus seguidores, então, chamados iconoclastas, encontram feroz resistência, tentando-se, após a sua morte, a restauração das estátuas, nos altares. Isaurico, no ano de 726, décimo ano do seu reinado, publicou um decreto contra o culto das imagens, declarando-o inadmissível, segundo as Sagradas Escrituras; não se sabe ao certo, se induzido pelo exemplo dos muçulmanos, ou como conseqüência de abusos supersticiosos, ou por qualquer outra razão. Essa lei foi aplaudida pelos bispos Constantino de Nacólia, na Frigia, Thomaz de Claudiópolis e Theodósio e Éfeso. No ano de 730, foi lavrado novo decreto, contra o uso de imagens, não só proibindo a sua veneração, como, até, mandando destruí-las todas. Esse ato teve a condescendência do chefe da igreja do Oriente, tendo sido aplaudida por muitos bispos, no tempo do imperador Constantino V Caprônio.
O Concílio de Constantinopla, realizado em 754, declarou a veneração das imagens, como “obra do demônio” e grande idolatria. Em todos os lugares, foram as esculturas retiradas das igrejas, as pinturas substituídas por paisagens, e quase todos se curvaram à vontade imperial. A igreja do Ocidente ofereceu resistências, porém, não foi muito bem sucedida. Leão, o armênio, no ano 815, renovou aquele ato, ordenando a destruição das imagens, uma vez que os decretos anteriores haviam sido revogados por alguns dos seus antecessores.
Os que apóiam o uso de imagens, afirmam que se trata, apenas de veneração, e que a adoração, somente, é prestada a Deus.
Não nos consta que os cristãos dos dois primeiros séculos adotassem o costume de adorar ou venerar imagens. Esse hábito foi introduzido após ter o Cristianismo sido oficializado pelo imperador Constantino, no ano 306, pois os pagãos, principalmente os membros da nobreza, não se sentiam bem em humildes casas, desprovidas das imagens dos antigos deuses. A singeleza das casas, onde se reuniam cristãos primitivos, contrastava com a suntuosidade dos templos pagãos, agravada pela ausência das imagens que alegravam as vistas. Procurou-se, então, um meio de agradar os novos conversos do Cristianismo, restaurando-se, nos altares, as figuras petrificadas, agora, com nova roupagem e novo nome.
Muita gente não consegue fazer uma prece a Deus se não estiver frente a uma imagem ou gravura. Para fixar o pensamento e fazer a adoração, precisam contemplar qualquer coisa tangível.
O uso de imagens deixou rastros profundos, até mesmo em muitos daqueles que mudaram de religião. Numa grande Casa Espírita de São Paulo, existe um grande busto de Allan Kardec, moldado em bronze. A casaca do Codificador, já, está bem gasta, em determinado ponto, de tanto os freqüentadores da Casa, ao adentrarem o salão principal da instituição, tocarem-na com os dedos, num gesto de pedir uma benção ou esperar uma graça.
A seu tempo, o apóstolo Paulo de Tarso insurgiu-se contra o uso de imagens, entre os gentios. Para tanto, ele dirigiu-se à cidade de Éfeso, juntamente com outros companheiros, tentando explicar ao povo que “não são deuses os que se fazem com as mãos”, e que não deveriam continuar a prestar homenagem à deusa Diana, através de nichos de prata, geralmente vendidos na cidade.
Entretanto, levantaram-se contra ele os ourives da cidade, inspirado por outro ourives, chamado Demétrio. Formaram, assim, uma espécie de motim, dentro da cidade e, durante duas horas, o povo gritou enfurecido: “Grande é a Diana dos Éfesios”. É desnecessário dizer que prevaleceu o fanatismo, e Paulo e seus companheiros tiveram que deixar, apressadamente, a cidade, dada a fúria fanática da multidão enfurecida.
O Espiritismo não adota o uso de imagens ou quaisquer outros objetos de adoração. Sendo uma doutrina que vem a fim de cumprir a sentença de Jesus: “Conheça a verdade e ela vos fará livres”, ano poderá, de forma alguma, consagrar essas esdrúxulas formas de adoração ou veneração, pois conforme sentenciou o Mestre à mulher samaritana: “Deus é Espírito e, em Espírito, deverá ser adorado pelos verdadeiros adoradores”.
Tribuna Espírita - Setembro/Outubro de 2000

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