sábado, 18 de abril de 2009


18 de Abril de 1857, 152 anos de “O Livro dos Espíritos”
Lei natural, perfeita e estável, impera soberana em todos os fenômenos detectados ou não pela percepção humana. A ignorância das leis que regem os mecanismos causais de certos fenômenos levou homens a crerem no sobrenatural e a persistirem em interpretações incompatíveis com o avanço científico e cultural de nossa época.
O cristianismo nascente não foi plenamente compreendido e sofreu, com o passar do tempo, a inclusão de adereços estranhos que vararam os séculos, sombreando o sentimento religioso, inato no ser humano. O filósofo espírita Leon Denis assevera que a adoração de imagens, os cânticos, a crença no inferno e em satanás, são heranças pagãs incorporadas à doutrina cristã. Os dogmas, as penas eternas, o culto
exterior, as pompas cerimoniais e outras enxertias foram contaminando a mensagem de Jesus, que viu-se afastada da simplicidade, clareza e profundidade que lhe são próprias.
Na plenitude do século das luzes, num período de paradoxos entre a fé e a razão emergiu a nova doutrina a partir de 18 de abril de 1857, com o lançamento d’O Livro dos Espíritos.
O sábio pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail mergulhava na luz da espiritualidade maior para resplandecer no bom senso invulgar de Allan Kardec, pseudônimo com que se imortalizou na tarefa da codificação do Espiritismo.
Com a simplicidade característica das coisas verdadeiras, assentavam-se as bases da Ciência do Espírito derribando os preconceitos do academicismo materialista e abalando os alicerces do obscurantismo religioso: eliminam a visão reducionista acerca do Criador, viabilizam o entendimento do mundo espiritual e das relações dele com o mundo corporal; revelam que a evolução anímica é norma universal, que a reencarnação se insere no estágio temporal que experienciamos dentro do processo da evolução infinita. Descortinam as leis que regem os fenômenos mediúnicos; proclamam que a justiça misericordiosa do criador é incompatível com penas irremissíveis e condenações eternas; informam que o ser humano, dotado de livre-arbítrio a expandir-se à medida em que progride, constrói, com sua ação ou inação, o futuro individual e coletivo que o aguarda.
N’O Evangelho segundo Espiritismo, obra lançada em abril de 1864, o Espírito de Verdade afirma que “no Cristianismo se encontram todas as verdades, sendo de origem humana os erros que nele se enraizaram”.
A Doutrina Espírita é de origem divina. Foi escrita por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional.
Os livros sagrados das antiqüíssimas religiões orientais contêm as regras que nortearem vidas através do tempo. O Antigo Testamento sintetiza o pensamento judaico sobre a religião monoteísta.
O Evangelho de Jesus encerra o mais valioso e belo código moral conhecido pelos homens, com base no Amor Soberano. “O Livro dos Espíritos” é uma nova síntese para os tempos atuais. Nele estão contidas verdades antiqüíssimas, sob nova roupagem, que fazem da Doutrina dos Espíritos a atualização de idéias e realidades que ao lado de revelações descortinam um Novo Mundo, o Mundo dos Espíritos.

SÍNTESE
Esse livro-síntese não é somente a rememoração de verdades antigas como a doutrina das vidas sucessivas, os mandamentos maiores da lei mosaica, relativos ao amor a Deus e ao próximo, e a todos os ensinos morais do Cristo resumidos nas leis de Amor, Justiça e Caridade. Descerra, também, realidades novas, que os homens não tinham condições de conhecer por si mesmo, e que os Espíritos mostraram como fazendo parte da ordem natural das coisas.
Allan Kardec, o sistematizador das revelações provindas do Mundo Espiritual Superior, ao organizar a obra básica da colocou em seu frontispício – “Filosofia Espiritualista – princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade – segundos os ensinos dados por Espíritos superiores com o concurso de diversos médiuns”.
Neste livro básico, a Religião e a Ciência, em sentido lato, interpenetram-se e conciliam-se, já que não pode haver incompatibilidade na criação divina da qual ambas se originam.
A linguagem utilizada abordando difíceis e transcendentes questões, é simples e direta, ao alcance do homem comum.
A primeira edição de “O Livro dos Espíritos” continha 501 perguntas e respostas e a segunda, definitiva, publicada a 16 de março de 1860, da qual derivam as demais obras da Codificação Espírita contém 1 019 questões.

DESDOBRAMENTOS
Dessas diversas partes derivam-se e desdobram-se as demais obras da Codificação Espírita, “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”.
Observa-se que os princípios fundamentais da Doutrina permanecem íntegros e exatos após os 152 anos de seu surgimento. O progresso das ciências, apesar de dominadas pelo materialismo, caminha no sentido dos princípios espíritas. Como por exemplo na Física, com a concepção da matéria como energia concentrada. Daí à percepção da existência de diversos estados da matéria, como demonstra a Doutrina Espírita.
O caráter filosófico evidencia-se pela sua própria natureza e pelas matérias que trata, embora vazado em linguagem simples, mas não vulgar.
O caráter científico é ressaltado não como ciência do mundo, dominada pelo materialismo, mas como ciência do Espírito, com seu objeto e métodos próprios.

DEUS
O caráter religioso sobressai nítido ao tratar de Deus e seus atributos como o Criador do Universo, a Inteligência Suprema, o Deus que não é antropomórfico como Deus bíblico, nem panteísta, como nas religiões orientais.
O Deus do Espiritismo é o Pai, é Amor, Justiça e Bondade.
A religião dos Espíritos mostra a vida do Espírito, livre, no Mundo Espiritual, ou ligado a um corpo material, na Terra, buscando sempre a evolução anímica através das vidas sucessivas.
Toda moral espírita fundamenta-se nos ensinos do Cristo. Demonstrando a inconsistência e incongruência do materialismo.
Além dos aspectos filosóficos, científico e religioso da Doutrina, é inegável os
princípios éticos, morais, educacionais e sociológicos, que a caracterizam como doutrina de educação.
Terminada e revisada a obra, Allan Kardec escreveu a monumental Introdução, que a precede e apresenta, apreciando-a sob múltiplos ângulos e resumindo a doutrina dela decorrente. É nessa introdução que o Codificador cria os neologismos espírita, espiritista e Espiritismo para definir as coisas novas surgidas com o livro.

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