domingo, 15 de novembro de 2009

DIVALDO PEREIRA FRANCO RESPONDE

P: Jesus valorizou a mulher, porém não a colocou entre os doze apóstolos. Por que?

R: A estrutura social de Israel desdenhava a mulher, tornando-a um objeto para uso, sem maior consideração pela sua dignidade, dela exigindo tudo e nada lhe oferecendo, qual hoje acontece em diversos países do Islã. Antropólogos e Sociólogos contemporâneos admiram-se como Jesus conseguiu romper com a tradição e valorizar a feminilidade, erguendo-a do submundo das paixões a que estava submetida para alça-la à grandeza que lhe está destinada. Essa Sua atitude sempre escandalizou, mesmo aos companheiros de ministério.
Suponho, e a opinião é minha, que tendo em vista o futuro do Seu pensamento, Ele tenha tido a prudência de não eleger a mulher para o ministério imediatamente em razão das dificuldades a enfrentar e dos obstáculos a vencer. Ademais, se o fizesse, poderia gerar embaraços, naquela época por imposição da convivência de ambos os sexos na mesma comunidade, quanto, atormentado, o homem evitava-lhe a presença, em razão da própria fragilidade. Mas tarde com os mesmos receios e castrações masculinas disfarçadas de pureza, religiosos de vários matizes, derivados do Cristianismo, resolveram manter a discriminação, culminando com Santa Tereza de Ávila ao reformar o Carmelo.
Lentamente, porém, como o engrandecimento de Joana D´Arc e de outras mulheres elegidas pelos próprios esforços e sacrifícios, e hoje com a revolução cultural, o ser feminino ocupa o lugar que lhe está destacado pela vida.

P: Como entender, entre os dez mandamentos, aquele que diz: Não cobiceis a mulher do próximo?”.

R: Nesse enunciado estão embutidos outros regulamentos de referência à cobiça, convidando o indivíduo a contentar-se com o que tem, não desejando o que lhe não é propriedade, o que lhe não pertence.
A especificidade em relação à mulher reforça a tese antropológica, na qual, como acima nos referimos, a mesma era um objeto, uma propriedade. Hoje aplicaríamos o pensamento em termos próprios, equivalentes: - Não cobiceis o homem comprometido, o homem de outrem... O adultério é grave, tanto em relação aos homens quanto às mulheres.

P: Se o Espírito não tem sexo, porque, ao longo do tempo, ocorreu essa desigualdade entre o homem e a mulher?

R: É um fenômeno sociológico, porque houve época em que a mulher predominou na cultura ancestral, por ocasião do matriarcado. Além disso, ao Espírito reencarnado na anatomia feminina, foi concedida a oportunidade de desenvolver sentimentos de ternura, de amor maternal, de renúncia, característicos dos hormônios da mulher.

P: Como conciliar a educação dos filhos com a necessidade de trabalhar fora do lar?

R: O desenvolvimento pedagógico e psicológico em torno da criança mudou completamente a visão que se tinha do lar. Certamente, o abandono da família é causa de muitas desditas. No entanto, a educação deve ser proporcionada por ambos os cônjuges e não apenas pela mulher, conforme exigia a visão machista e desigual da sociedade. À mãe são direcionadas tarefas específicas.O mesmo ocorre com o pai. Este, não raro, através da História, sempre foi visto como alguém que deveria ser temido, a quem se apresentavam as queixas para ele solucionar, impor-se, etc. Felizmente esse comportamento está totalmente superado. Através d um bom entendimento entre os parceiros a respeito dos deveres que lhes competem, organiza-se um programa familiar e atende-se com amor à prole sem qualquer prejuízo domestico. O exagero, a fuga para o trabalho, a fim de libertar-se do dever da família, é que constitui equívoco lamentável.

P: Como você vê o movimento feminista?

R: Como a libertação da mulher, digno como todos os outros que têm objetivado contribuir para a felicidade da criatura humana na Terra.
O excesso, as paixões, as lutas perturbadoras são prejudiciais em qualquer tipo de atividade, não sendo portanto, exclusivo, do Movimento feminista. Certamente, há pessoas que exageram nas suas posturas e ideações, porém, isto é da criatura humana e não especificamente deste ou daquele grupamento.

P: No movimento Espírita, a mulher e o homem têm a mesma importância? Há papéis específicos para ela ou são os mesmos designados para o homem?

R: Allan Kardec pode ser considerado um dos primeiros e notáveis feministas da Humanidade, seguindo as pegadas de Jesus. Ele ergueu a bandeira da igualdade dos direitos do homem e da mulher em O Livro dos Espíritos enriquecendo a sociedade desde então a respeito do tema, qual ocorreu com todos aqueles que ele abordou.
Desse modo, não há atividades específicas para o homem e para a mulher no Movimento Espírita. Se, por acaso, repontam esses preconceitos, estamos diante de atitudes retrógradas, que não condizem com a idéia do Espiritismo, portanto, reprováveis.
Vemos, na vivência da Doutrina, homens e mulheres notáveis, que realizaram idênticas atividades com brilhantismo. Na mediunidade os fenômenos sociológicos não são diferentes. Desde Bezerra de Menezes a Eurípedes Barsanulfo, os médiuns Frederico Júnior a Francisco Xavier, Yvonne Pereira, a Zilda Gama, a Adelaide Câmara A Francisco Peixoto Lins (e inúmeros outros) vemos homens e mulheres extraordinários realizando tarefas equivalentes com êxito semelhante. Assim, qualquer atitude de discriminação, remanescente da ignorância, deve ser banida dos arraiais do Movimento Espírita.
Quem estiver isento de culpa, atire a primeira pedra – Justifico o conceito de Jesus e repito-o aqui, para culminar: quem discrimina, acusa, ataca, teme, é porque, inseguro do próprio valor moral, refugia-se na separação para dominar na escuridão.

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