segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O PRESÉPIO DE GÚBIO



Engastada nas faldas dos Apeninos, a modorrenta e pequenina Gúbio de vez em quando acolhia amorosamente o homem que iluminava toda a Úmbria. Quando Francisco de Assis chegava, os pastores largavam os cajados, o gado parava de mugir, os regatos cantavam alegremente, os passarinhos pulavam contentes de ramo em ramo, e os velhos, as mulheres e as crianças olhavam o céu azul, agradecendo a JESUS a vinda do mensageiro da paz e da bondade.
Um dia o Francisco chegou triste. Era véspera de Natal, Andava peregrinando por Perusa, estivera em Assis e Espoleto e, por toda parte vira a mesma febre, o mesmo entusiasmo, a mesma alegria. Eram os preparativos para a comemoração do dia de JESUS. Eram os assados, os bolos, as compotas, as frutas, as massas e os vinhos que deveriam enfeitar as mesas na tão esperada hora da ceia. Eram roupas vistosas tiradas das arcas e passadas a ferro com esmero, pois todos queriam mostrar-se brilhantes na grande festa.
Francisco porém, estava triste. Em nenhum semblante vislumbrara piedade cristã; estava triste. Em nenhuma casa notara recolhimento; em nenhum coração sentira JESUS. Sentou-se, abatido, num banco tosco, fechou os olhos, e deixou que o pensamento o levasse à antiga Palestina. Esteve em Belém, no Tiberiades, em Cafarnaum, na Samaria, em Jericó, na Betânia, em Caná, no Jordão, em Jerusalém, no Calvário ... E viu JESUS pobre, sem ter onde nascer; viu José mourejando de sol a sol; viu Maria, humilde e sofredora; viu JESUS pregando a caridade e o amor ao próximo; viu JESUS caluniado e esbofeteado; viu JESUS orando no Monte das Oliveiras, na véspera da crucificação. E ouviu JESUS dizer: "Eu sou a ressurreição e a vida"; "Ninguém vai ao Pai senão por mim"; "Não ajunteis tesouros na Terra"; "Olhai os lírios do campo, não fiam nem tecem; não obstante, vestem-se com mais pompa do que os áulicos de Salomão"; "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Francisco abriu os olhos, e duas lágrimas rolaram pelas faces pálidas. Eis, então, que se levantou, e nos lábios antes contraídos, um sorriso aflorou. Uma idéia, uma idéia de Santo, fê-lo correr por toda a aldeia. Por que não erguer, numa pequenina praça de Gúbio, um presépio vivo? Por que não reunir toda a gente e comemorar o Natal recordando o Salvador? Foi a todas as casas, a todos convenceu, e à tardinha tudo estava pronto. Maria, José, o boi, o carneiro, o burrinho, a manjedoura. Só faltava JESUS. A pequenina igreja de Gúbio não tinha uma imagem do Menino. Um bebê não suportaria o duro frio que gelava a cidadezinha. Um pastor quis ir, correndo, a uma aldeia próxima, na esperança de conseguir a imagem tão desejada. Francisco porém, não consentiu. E a noite chegou, alumiada por uma multidão de estrelas.
E, ajoelhados ao pé do presépio vivo, todos ouviriam-no exclamar com ardor: Glória a DEUS NAS ALTURAS! Paz na terra aos homens de boa vontade! No mesmo instante, uma figurinha de imensa doçura apareceu deitada na palha que Maria delicadamente afofara. Era o Menino JESUS... Era o Menino JESUS que entrava no coração da gente simples de Gúbio.
Há dois mil anos, uma ESTRELA, de primeira grandeza, brilhou no firmamento. Era JESUS que nos trazia a sua LUZ DO EVANGELHO.
Feliz natal.

JOAQUIM S. THIAGO

Federação Espírita Brasileira

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