segunda-feira, 30 de novembro de 2009

EXISTÊNCIAS PASSADAS


"No esquecimento das existências anteriormente transcorridas, sobretudo quando foram amarguradas, não há qualquer coisa de providencial e que revela a sabedoria divina?".
Gravíssimos inconvenientes teria os nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores. Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira. Em outros, nos exaltaria o orgulho, peando-nos, em conseqüência, o livre-arbítrio. Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acrescentamos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais. Nem sempre podendo honrar-nos do nosso passado, melhor é que sobre ele um véu seja lançado “. (Allan Kardec –” O Livro dos Espíritos “, Q. 394).

Há uma tendência especial, entre certos adeptos pouco avisados da Doutrina Espírita, para investigarem sobre o próprio passado espiritual, a ver se descobrem o que foram e o que fizeram em existências pregressas. Certamente que, já com um século de Codificação e em plena florescência da Revelação, vem chegando o tempo de os Espíritos encarnados sentirem em si mesmos, através das emersões da subconsciência, ativadas pelas inquietações da mediunidade, os enredos em que se comprometeram outrora.
Os códigos da Terceira Revelação, ou Espiritismo, muito criteriosamente esclarecem o meio de a criatura saber, com segurança, quem foi, o que fez e onde viveu antes da presente existência. Dedicando-se ao estudo sério e à meditação e consultando o próprio íntimo e suas tendências, sem se deixar levar pelos arrastamentos do orgulho e da vaidade, necessariamente terá as faculdades predispostas às irradiações da própria mente. As recordações, embora veladas, discretas, as reminiscências que jazem ocultas nos recessos do seu ser, evoluirão o necessário para que ela se aposse de algo a respeito de si mesma. Será, portanto, uma faculdade da alma, que se desenvolverá com o cuidadoso cultivo moral e mental.
Se, com a devida atenção, se dessem ao estudo da Doutrina, teriam compreendido, desde muito, esse ponto essencial e melindroso da mesma, sem os riscos das mistificações tão comuns nas consultas feitas aos médiuns.
Vemos, então, mediante tais consultas, uma multidão de Espíritas a se julgarem antigos fidalgos europeus reencarnados, príncipes, duques, heróis de guerras e de grandes batalhas em revoluções celebres, e até reis e rainhas! Existem mesmo, aos montes, Catarinas de Médicis, Marias Antonietas, Neros, Napoleões Bonapartes, Tiradentes e tantos outros vultos do passado.
Não diremos que tais migrações sejam impossíveis, pois que a nobreza mundial é milenária e esses nobres teriam de reencarnar em alguma parte, visto que e reencarnação é lei invariável para todos. Todavia, à luz mesma da Terceira Revelação, convirá se faça um reparo sensato sobre aquela possibilidade, ou seja, de serem os caros aprendizes do Espiritismo, ou não aprendizes, fidalgos reencarnados. Ainda que o sejam, não deverão esquecer, logo ao primeiro exame, que é possível já tenham vivido como escravos africanos ou não africanos, depois de haverem sido fidalgos; que já esmolaram pelas ruas, chagados e miseráveis, como expiação urgente das inconseqüências da nobreza que aviltaram, e que já sucumbiram no fundo de prisões infectas ou tombaram sob a ignomínia de um ferro assassino, porque assim o exigiu a consciência própria, em ânsias de dolorosas, mas remissores resgates! Não deverão, outrossim, esquecer de que reis, rainhas, príncipes, duques e heróis, não obstante testas coroadas, foram igualmente tiranos, celerados, homicidas, rapinadores, incendiários, perseguidores, perjuros, adúlteros, hipócritas, falsos crentes tripudiando sobre os Evangelhos!
Se, portanto, vivestes na Idade Média e ali fostes condestáveis, por exemplo, ficai certos de que também levantastes fogueiras cruéis para incinerarem criaturas frágeis e indefesas, vossas irmãs de Humanidade!
Se vivestes na bela e decantada Espanha, aí ocupando solares soberbos e poderosos tronos, lembrai-vos de que estes mesmos grãos-senhores que os ocuparam se tornaram responsáveis pelos crimes da Inquisição, que por períodos seculares ali assumiu proporções estarrecedoras.
Se na aristocrática Inglaterra vivestes, ou na belicosa Alemanha, não percais de vista que nos países anglo-saxões a intolerância da Reforma cometeu atrocidades contra os míseros católico-romanos, idênticas às que nos países latinos, cometeu contra míseros luteranos a intolerância católico-romana, e que vós lá estivestes, entre ambas, cometendo insultos contra Deus na pessoa do vosso próximo!
Se, na França gloriosa e tão amada, participastes do famigerado governo da Rainha Catarina de Médicis, lembrai-vos dos dias trágicos de São Bartolomeu, quando andastes matando pobres defensores do Evangelho, para satisfação de torpes paixões alheias, as quais bajulastes servindo-vos do nome de uma religião como ignóbil desculpa e não justa realidade!
Se, nos dias sombrios do terror, na França ainda, cargos importantes exercestes, tendo em mente que ajudastes a mover a guilhotina para decapitar inocentes subjugados pelo furor de muitos, e também que fostes regicidas ímpios, trucidadores de mulheres e até crianças!
E se, na Roma dos Césares, fostes tribunos ou patrícios, envergando peplos elegantes e mantos solenes e vistosos..., recordai os uivos dos leões nos circos, leões que açulastes contra os defensores do Cristianismo nascente, os quais morreram para que o mundo herdasse as virtudes do perdão, da esperança e do amor, recomendados pela Suprema Lei!
Assim sendo, meus caros amigos, vós, que vos julgais reis, rainhas, príncipes e heróis reencarnados, não vos esqueçais de que, com esta remota glória de tronos e mantos, de espadas e coroas, arrastais também, ainda na presente existência, a conseqüência deprimente de crimes e abusos vergonhosos e inomináveis! Não olvideis que fostes grandes criminosos a quem Jesus de Nazaré enviou as bênçãos do Consolador como auxílio para que vos reergais do tremendal de trevas em que o fausto mergulhou o vosso Espírito!
Agora vos cumpre esquecer esse passado que para nada vos valeu, senão para vos infelicitar a alma e o destino, a fim de que, através dos conselhos e da misericórdia do Alto, possais entrar, finalmente, nas sendas do Dever, de que vos afastastes nos passados tempos, passado esse do qual tanto vos envaideceis ainda!

Paz!

Ignácio Bittencourt
(Página recebida pela médium Yvonne A. Pereira, em 02.09.59, no Rio de Janeiro).

(Publicada no "Reformador", de novembro de 1959).

domingo, 29 de novembro de 2009

A TENTAÇÃO DO REPOUSO


Num campo de lavoura, grande quantidade de vermes desejava destruir um velho arado de madeira, muito trabalhador, que lhes perturbava os planos e, em razão disso, certa ocasião se reuniram ao redor dele e começaram a dizer:
- Por que não cuidas de ti? Estás doente e cansado...
- Afinal, todos nós precisamos de algum repouso...
- Liberta-te do jugo terrível do lavrador!
- Pobre máquina! A quantos martírios te submetes!...
O arado escutou... escutou... e acabou acreditando.
Ele, que era tão corajoso, que nem sentia o mais leve incômodo nas mais duras obrigações, começou a queixar-se do frio da chuva, do calor do Sol, da aspereza das pedras e da umidade do chão.
Tanto clamou e chorou, implorando descanso, que o antigo companheiro concedeu-lhe alguns dias de folga, a um canto do milharal.
Quando os vermes o viram parado, aproximaram-se em massa, atacando-o sem compaixão.
Em poucos dias, apodreceram-no, crivando-o de manchas, de feridas e de buracos.
O arado gemia e suspirava pelo socorro do lavrador, sonhando com o regresso às tarefas alegres e iluminadas do campo ...
Mas, era tarde.
Quando o prestimoso amigo voltou para utilizá-lo, era simplesmente um traste inútil.
A história do arado é um aviso para nós todos.
A tentação do repouso é das mais perigosas, porque, depois da ignorância, a preguiça é a fonte escura de todos os males.
Jamais olvidemos que o trabalho é o dom divino que Deus nos confiou para a defesa de nossa alegria e para a conservação de nossa própria saúde.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pai Nosso.
Ditado pelo Espírito Meimei.
19a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.

sábado, 28 de novembro de 2009

JOANA, A GUERREIRA



TEXTO NÃO ESPÍRITA

Joana d’Arc foi uma das mulheres mais fortes e guerreiras que o mundo já conheceu, pertencia a uma família de camponeses, foi educada para ser uma boa esposa, para isso aprendia as prendas domésticas. Fora isso, não recebera outro tipo de educação, era praticamente analfabeta. Ao completar 13 anos a jovem passou a ouvir vozes sagradas: São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida. A primeira orientação feita por essas vozes à Joana foi de que a menina deveria permanecer virgem para obter a salvação de sua alma. Mais tarde as vozes passaram a orientá-la sobre política, dizendo que deveria coroar o príncipe herdeiro do trono, Carlos, mais conhecido como delfim, e salvar a França dos ingleses. Joana foi concebida no ápice da Guerra dos Cem Anos e a situação francesa era crítica tanto na política como na economia. A Igreja estava enfraquecida devido às limitações do papado, para sobreviver em meio aos poderosos a Igreja saiu em busca de alianças.
Com a França em decadência, a Igreja optou por aliar-se à Inglaterra, que até então era a mais forte. Para Joana e sua família, tais alianças significava o início de tragédias, já que o feudo era vizinho de Lorena, onde se localizava o vilarejo de Domrémy. Com isso, as terras da família d’Arc passaram a sofrer constantes ataques. Na época em que os borguinhões se apossaram de vez de Domrémy, em 1428, Joana tinha 16 anos de idade. Com os conselhos das vozes santas na cabeça, decidiu que iria coroar o rei. Tinha consciência de que a paz só seria possível com uma França forte, e que o país só atingiria tal objetivo quando o delfim recebesse a coroa na catedral de Notre-Dame de Reims, conforme a tradição. Decida, Joana convenceu o padrinho, um soldado que já havia se aposentado, a acompanhá-la até a cidade de Vaucouleurs. Ela tinha o objetivo de persuadir o nobre Roberto de Baudricourt, chefe militar e senhor local, a lhe conceder um exército. No primeiro encontro se impressionou com a força e a coragem da jovem, mas não cedeu um exército de imediato. Na espera de uma resposta favorável, Joana ficou vagando por Vaucouleurs. Nesse tempo acabou levando muito soldado na conversa.
Ao tomar conhecimento de que cada vez mais soldados juravam lealdade à Joana, Baudricourt não teve alternativa. D’Arc partiu para o castelo de Chinon, quartel-general do delfim Carlos, juntamente com o duque de Anjou, com os cavaleiros que havia amealhado e com os soldados que Baudricourt finalmente lhe concedera. Ao chegar a Chinon, Carlos já havia sido informado sobre a jovem camponesa, provavelmente louca, que dizia ouvir vozes sagradas. Ficando meio receoso, permaneceu dois dias recluso, discutindo com a corte se deveria ou não recebê-la. Por fim d’Arc convenceu Carlos de que estava ali com um propósito e que era digna de ser recebida por ele. Com tudo, delfim equipou e abençoou Joana em sua Marcha até Orléans. Apesar de estarem em menor número, os franceses contavam com a força, coragem e garra de Joana. A batalha durou alguns dias e os ingleses recuaram.
Em maio de 1429, a França obteve sua primeira grande vitória militar. Joana d’Arc estava pronta para sua missão, a de coroar o delfim, sendo assim, em julho de 1429, Carlos recebeu a coroa do rei na Catedral de Notre-Dame de Reims. Com isso, Joana havia atingido seu objetivo maior, só que sua ambição militar falou mais alto. Partiu para Paris a fim de expulsar os ingleses, em setembro de 1429 invadiu Paris, onde foi derrotada, seus soldados partiram em retirada, mas seu espírito guerreiro resistiu. Joana foi capturada, levada para a fortaleza de Beaulieu e, logo em seguida, para o castelo de Beaurevoir. Tentou escapar de ambas as prisões, mas não obteve êxito, Joana foi vendida pelos borguinhões por 10 mil libras aos ingleses. Em 1430, foi levada a julgamento no tribunal inglês, sendo conduzido pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. todas as acusações eram de ordem religiosa: bruxa, herege, idólatra, entre outras. Martírio que durou seis meses, sua sentença foi ser queimada viva.
Cumpriu-se então a sentença, Joana foi queimada viva em uma fogueira aos 19 anos de idade. Foi o fim da heroína francesa.
Foi uma guerreira? E que tipo de Guerreira foi?
Joana empregava consistentemente uma linguagem direta e dedicava-se a resultados práticos, identificava-se com os aspectos mais ativos da cavalaria: o auto-sacrifício heróico, o esquecimento de si mesmo para salvar outros ou em defesa de uma grande causa. Era uma mestra dos símbolos, mas escolhia símbolos simples e de fácil interpretação, seu estandarte tinha a flor-de-lis e as palavras “Jesus Maria”. Que vocação mais direta da religião e do patriotismo seria possível? Seu simbolismo era acessível a todos, nobres e Plebeus igualmente, nada tinha a ver com a cultura da cavalaria, a não ser que a usava a serviço da guerra: seu estandarte era tanto um farol prático quanto um sinal.
Joana apenas arrastada pelo fascínio sobrenatural de seus sonhos e proposta de missão a cumprir segundo a vontade divina e sem saber nada sobre arte de guerra comandou os soldados rudes com seu ar angelical e inocente.

GORDON, Mary. Joana D’Arc: breve biografia. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2000.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

AUTO-DESOBSESSÃO


Se você já pode dominar a intemperança mental...
Se esquece os próprios constrangimentos, a fim de cultivar o prazer de servir...
Se sabe cultivar o comentário infeliz, sem passá-lo adiante...
Se vence a indisposição contra o estudo e continua, tanto quanto possível, em contato com a leitura construtiva...
Se olvida mágoas sinceramente, mantendo um espírito compreensivo e cordial, à frente dos ofensores...
Se você se aceita como é, com as dificuldades e conflitos que tem, trabalhando com tudo aquilo que não pode modificar...
Se persevera na execução dos seus propósitos enobrecedores, apesar de tudo que se faça ou fale contra você...
Se compreende que os outros têm o direito de experimentar o tipo de felicidade a que se inclinem, como nos acontece...
Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados...
Se é capaz de sofrer e lutar na seara do bem, sem trazer o coração amargoso e intolerante...
Então, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da autodesobsessão.

André Luiz
Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, extraído da obra “Passos da Vida”

domingo, 22 de novembro de 2009

A FÉ RELIGIOSA


Em todos os tempos, o homem sonha com a pátria celestial.
As idéias do céu e inferno jazem no pensamento de todos os povos.
Os indígenas da América admitem o paraíso de caça abundante e danças permanentes, com reservas inesgotáveis de fumo.
Os esquimós localizavam o éden nas cavernas adornadas.
As tribos maori, que cultivam a guerra, por estado natural de felicidade, esperam que o céu lhes seja uma rinha eterna, em que se digladiem, indefinidamente.
Entre os hindus, as noções de responsabilidade e justiça estão fortemente associados à idéia da sobrevivência. De conformidade com a crença por eles esposadas, nas eras mais remotas, os desencarnados eram submetidos às apreciações do Juiz dos Mortos. Os bons seriam destinados ao paraíso, a fim de se deliciarem, ante os coros celestes, e os maus desceriam para os despenhadeiros do império de Varuna, o deus das água, onde se instalariam em câmaras infernais, algemados uns aos outros, por laços vivos de serpentes. Situados, porém, na sementeira da verdade, sempre admitiram que do palácio celeste ou do abismo tormentoso, as almas regressariam à esfera carnal, de modo a se adiantarem na ciência da perfeição.
Os assírios-caldeus supunham que os mortos viviam sonolentos em regiões subterrâneas, sob amplo domínio das sombras.
Na Grécia, a partir dos mistérios de Orfeu, as concepções de justiça póstuma alcançam grau mais alto. No Hades terrificante de Homero, os Espíritos são julgados por Minos, filho de Zeus.
Os gauleses aceitavam a doutrina da transmigração das almas e eram depositários de avançadas revelações da Espiritualidade Superior.
Os hebreus localizavam os desencarnados no "scheol", que Job classifica como sendo "terra de miséria e trevas, onde habitam o pavor e a morte".
Com Virgílio, encontramos princípios mais seguros no que se refere às leis de retribuição. Na entrada do Orco, há divindades infernais para os trabalhos punitivos, quais a Guerra, o Luto, as Doenças, a Velhice, o Medo, a Fome, os Monstros, os Centauros e as Harpias, as Fúrias e a Hidra de Lerna, simbolizando os terríveis suplícios mentais das almas que se fazem presas da ilusão, durante a vida física. Entre esses deuses do abismo, ergue-se o velho ulmeiro, em cujos galhos se dependuram os sonhos, aí principiando a senda que desemboca no Aqueronte, enlameado e lodoso, com largos redemoinhos de água fervente.
Os egípcios atravessavam a existência, consagrando-se aos estudos da morte, inspirados pelo ideal da justiça e da felicidade, além-túmulo.
Mais recentemente, Maomet estabelece novas linhas à vida espiritual, situando o Céu em sete andares e o inferno em sete sub divisões. Os eleitos respiram em deliciosos jardins, com regatos de água cristalina, leite e mel, e os condenados vivem no território do suplício, onde corre ventania cruel, alimentando estranho fogo que tudo consome, e Dante, o vidente florentino, apresenta quadros expressivos do Inferno, do Purgatório e do Céu.
As realidades da sobrevivência acompanham a alma humana que a vida não se encontra circunscrita às estreitas atividades da Terra.
O corpo é uma casa temporária a que se recolhe nossa alma em aprendizado. Por isso mesmo, quando atingido pelas farpas da desilusão e do cansaço, o espírito humano recorda instintivamente algo intangível que se lhe afigura ao pensamento angustiado como sendo o paraíso perdido.
Desajustado na Terra, pede ao Além a mensagem de reconforto e harmonia. Semelhante momento, porém, é profundamente expressivo no destino de cada alma, porque, se o coração que pede é portador da boa vontade, a resposta da vida superior não se faz esperar e um novo caminho se desdobra à frente da alma opressa e fatigada que se volta para o Além, cheia de amor, sofrimento e esperança.

Emmanuel
Chico Xavier – Livro: Roteiro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

REMÉDIO PARA AS ALMAS

Antigamente, em época não muito remota, o ser humano vivia relativamente pouco. Não havia a bênção do antibiótico, tínhamos que tratar com parcos recursos as enfermidades.
Era, às vezes, o quinino o que mais nós usávamos, e trazia tantas descobertas que para nós eram tão atuais: o carro, o telefone, o telégrafo, tanta coisa importante.
E, no entanto, pensávamos na Medicina, tão pouco adiantada. Hoje, a medicina aí está, avançando a largos passos.
Cada dia, uma descoberta nova e, no entanto a idade média de grande número das pessoas que partem está na faixa de trinta anos., Por que? Acidentes e acidentes, partidas violentas em “overdose”.
O número daqueles que chegam à idade avançada, para nós do plano espiritual, que observamos o mundo de cima, é muito menor do que aqueles que aportam muito antes, por antecipação, por não cumprimento do traçado cármico de suas vidas.
Lamentavelmente, os jovens estão partindo em larga escala para o plano espiritual. Não chegam a atingir a idade madura, pela insensatez, pelos princípios tão inferiores dolorosamente abraçados, pela falta de objetivos cristãos, pela imaturidade, pela viciação. E nós perguntamos:
“Quando será que aprenderão a servir a si mesmos servindo ao próximo?
Quando aprenderão a valorizar a saúde, a bênção da vida, a bênção de ter um corpo perfeito?
Por que tantos têm que ser aprisionados em leitos de deformações físicas pelos acidentes cada vez mais constantes? Por que essa velocidade na estrada?
Por que essa velocidade imensa, buscando a morte”? Fala-se à juventude, mostram-se espetáculos dantescos, diante dos olhos dos jovens desfilam cenas e cenas dolorosas, mas nem assim eles se previnem...
E colônias e colônias são abertas para colher esses farrapos espirituais que, na verdade, foram rapazes e moças belos, cheios de juventude, de inteligência.
Para onde vai caminhando o nosso mundo? Lamentavelmente, nós temos que ver, sentir e prever o pior...
Por isso, meus filhos, aquele que é cristão, o quanto puder divulgue a página esclarecedora, divulgue o livro que é um alimento completo, um banquete de luz, divulgue as palavras sensatas, os exemplos dignificantes, pratique a caridade. Não se deixem cansar pela ociosidade dos outros, porque aquele que está trabalhando encontrará sempre alguém para pedir: “DÊ-me a sua enxada. Deixe eu encostá-la ali para você descansar.” Esses são os que mais devem e são os que menos fazem. Meus filhos, privilegiados vocês são e serão sempre, quando escolherem a melhor parte, que é a parte do bem, a parte da luz, a parte da renúncia e do amor. Porque o que mais ouvimos é gritarem pelos quatro rincões da Terra: “Senhor, Senhor!” Tantas seitas, tantas religiões de corações vazios e mãos vazias.. Vocês preencham o coração e transbordem as mãos no trabalho caritativo, porque Deus é por todos vocês!

Bezerra de Menezes

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

NÃO SE DEIXE VENCER

- Seja bom, ajude as pessoas, mantenha-se honesto. Não só com o dinheiro, mas seja verdadeiro nas atitudes, nas amizades. Palavras que meus pais sempre me diziam.
Eu crescia, e, já nos primeiros anos, percebia como seria difícil viver como me ensinaram. Mas eu tinha de esforçar-me e ser bom filho. Valeria o céu !
Na disputa pelas primeiras namoradas, ficou claro o que me esperava. A sinceridade tinha de competir com a hipocrisia. Mas eu não desistiria.
Formei-me e saí em busca de trabalho. Sem amigos ou políticos que me recomendassem, fui pelo caminho normal. E começaram as desilusões ...
- Sem experiência não podemos contratá-lo. Desculpe.
- Só pagamos salário mínimo, porque você nunca trabalhou;
- No escritório não temos, se quiser como operário;
- Sei que tem diploma, mas outros também têm;
- O emprego que temos não é para o seu nível.
Lia jornais, falava com pessoas, procurava agências e nada! Qualquer coisa servia para começar, mas nada conseguia.
Certa tarde, cansado, sentei-me numa soleira, pensando nas injustiças do mundo, com fome e perdido na multidão. Carros, motos, pessoas, iam apressados.
Um "carinha" me olha e pergunta: - E ai, meu, tudo certo ?
Estranhei, mas que mal podia haver em falar com ele ! - Legal não tá. Tô procurando serviço e não acho. Faz quatro meses.
- É, emprego não tá fácil. Mas se quiser, posso arranjar um quebra galho, até "pintar" algo melhor. É coisa "manera", mas dá pra faturar uma "graninha".
Será que chegou o meu dia, pensei. Então lhe perguntei: - Você tem um serviço pra mim?
- Pode ser. Eu trabalho para uns "caras" que vendem um pó pra curar dor de cotovelo, briga de família, traição de amor ...É remédio barato ! A gente compra e revende. O lucro não é grande, mas dá pro arroz e feijão ...
- Remédio! Mas quem vende remédio é farmácia ...
- Esse não, meu. Esse a gente vende tête-à-tête, corpo-a-corpo. Em dinheiro vivo.. Toma lá, dá cá. Da fábrica ao consumidor, manjou ? E aí ? É pegar ou largar.
Quando me dei conta do que se tratava, lembrei das lutas pelo céu e agora estava ali à beira do inferno. Mas vou arriscar. Não tem emprego. Eu saio logo dessa ...
- Falou, cara. Dá a dica. Qual é o barato?
- É assim que se fala, irmão. Vamos nessa!
Semana passada completei vinte e oito anos. Não fiz carreira como vendedor, mas virei consumidor do tal remédio que cura tudo. E como nunca tenho dinheiro, para consegui-lo já roubei, matei e sei que logo parto desta pra melhor. Fazer o que? Eu bem que tentei ser honesto, mas não deu. Se eu pelo menos tivesse arranjado trabalho. E olhe que lutei muito para ter um diploma!
Nos poucos minutos que a minha cabeça me deixa pensar, eu vejo como é difícil alguém ganhar o céu. O ser humano da Terra não leva a sério essa coisa de amor ao próximo. Talvez haja algum planeta onde uns se preocupem com os outros, porque aqui não é assim. É cada um pra si.
- Sou escravo do maldito pó. Queria ser homem e hoje não passo de uma droga...
Uma história fictícia. Para muitos, infelizmente, um história real.

domingo, 15 de novembro de 2009

DIVALDO PEREIRA FRANCO RESPONDE

P: Jesus valorizou a mulher, porém não a colocou entre os doze apóstolos. Por que?

R: A estrutura social de Israel desdenhava a mulher, tornando-a um objeto para uso, sem maior consideração pela sua dignidade, dela exigindo tudo e nada lhe oferecendo, qual hoje acontece em diversos países do Islã. Antropólogos e Sociólogos contemporâneos admiram-se como Jesus conseguiu romper com a tradição e valorizar a feminilidade, erguendo-a do submundo das paixões a que estava submetida para alça-la à grandeza que lhe está destinada. Essa Sua atitude sempre escandalizou, mesmo aos companheiros de ministério.
Suponho, e a opinião é minha, que tendo em vista o futuro do Seu pensamento, Ele tenha tido a prudência de não eleger a mulher para o ministério imediatamente em razão das dificuldades a enfrentar e dos obstáculos a vencer. Ademais, se o fizesse, poderia gerar embaraços, naquela época por imposição da convivência de ambos os sexos na mesma comunidade, quanto, atormentado, o homem evitava-lhe a presença, em razão da própria fragilidade. Mas tarde com os mesmos receios e castrações masculinas disfarçadas de pureza, religiosos de vários matizes, derivados do Cristianismo, resolveram manter a discriminação, culminando com Santa Tereza de Ávila ao reformar o Carmelo.
Lentamente, porém, como o engrandecimento de Joana D´Arc e de outras mulheres elegidas pelos próprios esforços e sacrifícios, e hoje com a revolução cultural, o ser feminino ocupa o lugar que lhe está destacado pela vida.

P: Como entender, entre os dez mandamentos, aquele que diz: Não cobiceis a mulher do próximo?”.

R: Nesse enunciado estão embutidos outros regulamentos de referência à cobiça, convidando o indivíduo a contentar-se com o que tem, não desejando o que lhe não é propriedade, o que lhe não pertence.
A especificidade em relação à mulher reforça a tese antropológica, na qual, como acima nos referimos, a mesma era um objeto, uma propriedade. Hoje aplicaríamos o pensamento em termos próprios, equivalentes: - Não cobiceis o homem comprometido, o homem de outrem... O adultério é grave, tanto em relação aos homens quanto às mulheres.

P: Se o Espírito não tem sexo, porque, ao longo do tempo, ocorreu essa desigualdade entre o homem e a mulher?

R: É um fenômeno sociológico, porque houve época em que a mulher predominou na cultura ancestral, por ocasião do matriarcado. Além disso, ao Espírito reencarnado na anatomia feminina, foi concedida a oportunidade de desenvolver sentimentos de ternura, de amor maternal, de renúncia, característicos dos hormônios da mulher.

P: Como conciliar a educação dos filhos com a necessidade de trabalhar fora do lar?

R: O desenvolvimento pedagógico e psicológico em torno da criança mudou completamente a visão que se tinha do lar. Certamente, o abandono da família é causa de muitas desditas. No entanto, a educação deve ser proporcionada por ambos os cônjuges e não apenas pela mulher, conforme exigia a visão machista e desigual da sociedade. À mãe são direcionadas tarefas específicas.O mesmo ocorre com o pai. Este, não raro, através da História, sempre foi visto como alguém que deveria ser temido, a quem se apresentavam as queixas para ele solucionar, impor-se, etc. Felizmente esse comportamento está totalmente superado. Através d um bom entendimento entre os parceiros a respeito dos deveres que lhes competem, organiza-se um programa familiar e atende-se com amor à prole sem qualquer prejuízo domestico. O exagero, a fuga para o trabalho, a fim de libertar-se do dever da família, é que constitui equívoco lamentável.

P: Como você vê o movimento feminista?

R: Como a libertação da mulher, digno como todos os outros que têm objetivado contribuir para a felicidade da criatura humana na Terra.
O excesso, as paixões, as lutas perturbadoras são prejudiciais em qualquer tipo de atividade, não sendo portanto, exclusivo, do Movimento feminista. Certamente, há pessoas que exageram nas suas posturas e ideações, porém, isto é da criatura humana e não especificamente deste ou daquele grupamento.

P: No movimento Espírita, a mulher e o homem têm a mesma importância? Há papéis específicos para ela ou são os mesmos designados para o homem?

R: Allan Kardec pode ser considerado um dos primeiros e notáveis feministas da Humanidade, seguindo as pegadas de Jesus. Ele ergueu a bandeira da igualdade dos direitos do homem e da mulher em O Livro dos Espíritos enriquecendo a sociedade desde então a respeito do tema, qual ocorreu com todos aqueles que ele abordou.
Desse modo, não há atividades específicas para o homem e para a mulher no Movimento Espírita. Se, por acaso, repontam esses preconceitos, estamos diante de atitudes retrógradas, que não condizem com a idéia do Espiritismo, portanto, reprováveis.
Vemos, na vivência da Doutrina, homens e mulheres notáveis, que realizaram idênticas atividades com brilhantismo. Na mediunidade os fenômenos sociológicos não são diferentes. Desde Bezerra de Menezes a Eurípedes Barsanulfo, os médiuns Frederico Júnior a Francisco Xavier, Yvonne Pereira, a Zilda Gama, a Adelaide Câmara A Francisco Peixoto Lins (e inúmeros outros) vemos homens e mulheres extraordinários realizando tarefas equivalentes com êxito semelhante. Assim, qualquer atitude de discriminação, remanescente da ignorância, deve ser banida dos arraiais do Movimento Espírita.
Quem estiver isento de culpa, atire a primeira pedra – Justifico o conceito de Jesus e repito-o aqui, para culminar: quem discrimina, acusa, ataca, teme, é porque, inseguro do próprio valor moral, refugia-se na separação para dominar na escuridão.

sábado, 14 de novembro de 2009

OFICIALIZAÇÃO DO DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO

A Câmara aprovou, no dia 6 de novembro, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 291/07, da deputada Gorete Pereira (PR-CE), que institui 18 de abril como o Dia Nacional do Espiritismo. A proposta foi aprovada com parecer favorável relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A autora do projeto lembra que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade e que os praticantes brasileiros têm realizado "obras extraordinárias no campo da assistência social", destaca a figura do médium Chico Xavier, segundo ela fundamental para a difusão do Espiritismo no Brasil. A data escolhida é uma homenagem ao dia em que Allan Kardec lançou, em 1857, na França, O Livro dos Espíritos, marco inicial da Doutrina Espírita. O Projeto de Lei tramita agora no Senado Federal.

Fonte: FEB

terça-feira, 10 de novembro de 2009

VAMPIRISMO


A Simbiose prejudicial é conhecida como parasitose mental. Esse processo é tão antigo como o próprio homem. Após a morte, os espíritos continuam a disputar afeição e riquezas com os que permanecem na carne ou armam empreitadas de vingança e violência contra eles.
Na parasitose mental temos o vampirismo. Por esse processo, os desencarnados sugam a vitalidade dos encarnados, podendo determinar nos hospedeiros doenças das mais variadas e até mesmo à morte prematura.
Para o mundo espiritual “ vampiro é toda entidade ociosa que se vale indebitamente das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens “
O Médico desencarnado Dias da Cruz lembra que “toda forma de vampirismo está vinculada à mente deficitária, ociosa ou inerte que se rende às sugestões inferiores que a exploram sem defensiva “ E explica a técnica utilizada pelos Espíritos vampirizadores, situando-a nos processos de hipnose. Por ação do hipnotizador, o fluido magnético derrama-se no campo mental do paciente voluntário, que lhe obedece o comando. Uma vez neutralizada a vontade do sujet, as células nervosas estarão subjugadas à invasão dessa força. Os desencarnados de condição inferior, consciente ou inconsciente, utilizam esse processo na cultura do vampirismo.

Sugando As Energias
Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade, sugando-lhes as energias, tomam conta de suas zonas motoras e sensoriais, inclusive os centros cerebrais [ linguagem e sensibilidade, memória e percepção] dominando-as à maneira do artista que controla as teclas de um piano. Criam assim, doenças fantasmas de todos os tipos, mas causam também degeneração dos tecidos orgânicos, estabelecendo a instalação de doenças reais que persistem até a morte. Entre essas doenças, Dias da Cruz afirma que “ podemos encontrar desde a neurastenia até a loucura complexa e do distúrbio gástrico à rarissima afemia estudada por broca.”
Relaciona ainda outras moléstias: “ pelo imã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca sobre si a contaminação fluídica de entidades em desequilíbrio, capazes de conduzi-lo à escabiose e a ulceração, à dipsomania e a loucura, à cirrose e aos tumores benignos ou malignos de variada procedência, tanto quanto aos vícios que corroem a vida moral. Através do próprio pensamento desgovernado, pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de alienação mental, como são as psicoses de angustia e ódio, vaidade e orgulho, usura e delinqüência, desânimo e egocentrismo, impondo ao veiculo orgânico processos patogênicos indefiníveis que lhe favorecem a derrocada ou a morte.
Nos Domínios da Mediunidade André Luiz se refere a um caso interessante de um homem desencarnado e uma mulher encarnada que vivem em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro. Ela busca ajuda na sessão do trabalho desobsessivo realizado por um centro espirita e, com o concurso de entidades abnegadas, consegue o afastamento momentâneo do espirito obsessor. Bastou, porém, que o espirito fosse retirado para que ela o fosse procurar, reclamando sua presença. Há muitos casos em que o encarnado julga querer o reajustamento, porém no intimo, alimenta-se dos fluidos doentios do companheiro desencarnado e se apega a ele instintivamente.
Em Obreiros da Vida Eterna, André Luiz descreve cenas de vampirismo em uma enfermaria de Hospital: “ Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, infligindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os.”, afirma. É confessa que os quadros lhe traziam grande mal estar.

Vampirismo Com Repercussões Orgânicas
Na possessão temos um grau mais avançado de atuação do espirito obsessor, constrangendo de forma quase absoluta à ação do obsediado. Kardec a compreendeu como “ uma substituição, posto que parcial, de um espirito errante à um encarnado “ Como se trata de um grau mais avançado de vampirismo, as patologias orgânicas estão sempre presentes.
Dentro desse item de vampirismo com repercussões orgânicas, destacamos os casos de epilepsia e obsessão, como por exemplo no livro: Nos Domínios da Mediunidade, caso Pedro. Analisando essa casuística, constatamos que a possessão tem características e mecanismos diversos. No caso Pedro- Camilo, instalou-se ao longo de 20 anos sob a atuação de um único obsessor. Durante esse período, o quimismo espiritual ou a fisiologia do perispírito se desequilibrou e, consequentemente, desencadeou distúrbios orgânicos, entre os quais a ameaça de amolecimento cerebral.
No caso Margarida, estabeleceu mais efetivamente em dez dias, com organização técnica competente e atuação de uma falange composta de, aproximadamente, 60 obsessores, entre os quais dois hipnotizadores e dezenas de parasitas ovóides, decretando a falência orgânica quase total em virtude do controle do sistema endócrino, da pressão sangüínea e de funções importantes da economia orgânica

Infeções Fluidicas
Da mesma maneira como existem infeções orgânicas, acontecem também as fluidicas, resultantes do desequilíbrio mental.
O Instrutor Aniceto, em conversa com André Luiz, argumenta que “ se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente, temos a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma, em identidade de circunstâncias. Desse modo, na esfera das criatura desprevenidas de recursos espirituais, tanto adoecem corpos como almas.”
Os homens não têm preparo quase nenhum para a vida espiritual. Em geral, não tem a mínima idéia de que “ a cólera, à intemperança, os desvarios do sexo e as viciações de vários matizes formam criações inferiores que afetam profundamente a vida intima”
E cada uma dessas viciações da personalidade produz as larvas mentais que lhe são conseqüentes, contaminando o meio ambiente onde quer que o responsável pela sua produção, circule ou estagie. Elas não tem forma esférica, nem são do tipo bastonete , como as bactérias biológicas, mas formam colônias densas e terríveis. E tal qual acontece no plano físico, o contágio também pode se verificar na esfera psíquica.
Na condição de parasitismo mental, as larvas servem de alimentação habitual, porque são portadoras de vigoroso magnetismo animal. Para nutrir-se desse alimento, bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância ainda encarnados como erva daninha aos galhos das arvores e sugar-lhes a substância vital.

Substancias Para Dominar O Pensamento
Dentro do estudo a que nos propormos, temos de considerar também a produção dos espíritos inferiores desencarnados. As “ substâncias “ destrutivas produzidas dentro do quimismo que lhes é próprio atingem os pontos vulneráveis de suas vitimas. Esses produtos, conhecidos como simpatinas e aglutininas mentais, têm a propriedade de modificar a essência do pensamento dos encarnados, que vertem contínuos dos fulcros energéticos do tálamo, no diencéfalo. Esse ajuste entre desencarnados e encarnados é feito automaticamente, em absoluto primitivismo nas linhas da natureza. Os obsessores tomam conta dos neurônios do hipotálamo. “ acentuando a dominação sobre o feixe amielinico que o liga ao córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que ai se fixam para o governo das excitações e produzindo nas suas vitimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parasssimpático.”
Temos ai um intrincado processo de vampirismo, que leva as vitimas ao medo, à guerra nervosa, alterando-lhes a mente e o corpo. É possível compreender, assim, os casos de possessos relatados nos Evangelhos, que se curaram de doenças físicas quando os espíritos inferiores que os subjugavam foram retirados pela ação curadora de nosso mestre Jesus ou dos apóstolos.
Por enquanto, os médicos estão às voltas com a extensa variedade de microorganismos patogênicos que devem combater diuturnamente . Mas, no futuro, “ a medicina da alma absorverá a medicina do corpo,. Poderemos, na atualidade da terra, fornecer tratamento ao organismo de carne, semelhante tarefa dignifica a missão do consolo, da instrução e do alivio, mas no que concerne à cura real, somos forçados a reconhecer que esta pertence exclusivamente ao homem-espirito.”

FONTE: REVISTA CRISTÃ DE ESPIRITISMO – ANO 02 NUMERO 12
Livro: Evolução Em Dois Mundos – Titulo: Vampirismo Espiritual

PARASITISMO NOS REINOS INFERIORES : Comentando as ocorrências da obsessão e do vampirismo no veiculo fisiopsicossomático é importante lembrar os fenômenos do parasitismo nos reinos inferiores da Natureza.
Sem nos reportamos às simbioses fisiológicas, em que microorganismos se alhergam no trato intestinal dos seus hospedadores, apropriando-se-lhes dos sucos nutritivos, mas gerando substâncias úteis à existência dos anfitriões, encontraremos a associação parasitária, ao domínio dos animais, à maneira de uma sociedade, na qual uma das partes, quase sempre após insinuar-se com astúcia, criou para si mesma vantagens especiais, com manifesto prejuízo para a outra, que passa, em seguida, à condição de vitima.
Em semelhante desequilíbrio, as vitimas se acomodam, por tempo indeterminado, à pressão externa dos verdugos; contudo, em outras eventualidades, sofrem-lhes a intromissão direta na intimidade dos próprios tecidos, em ocupação impertinente que, as vezes, se degenera em conflito destruidor e, na maioria dos casos, se transforma num acordo de tolerância, por necessidade de adaptação, perdurando até à morte dos hospedeiros espoliados, chegando mesmo a originar os remanescentes das agregações imensamente demoradas no tempo, interferindo nos princípios da hereditariedade, como raízes do conquistador, a se entranharem nas células que lhes padecem a invasão nos componentes protoplasmáticos, para além da geração em que o consorcio parasitário começa.
Em razão disso, apreciando a situação dos parasitas, perante os hospedadores, temo-los por ectoparasitas, quando limitam a própria ação às zonas de superfície, e endoparasitas quando se alojam nas reentrâncias do corpo a que se impõem.
Não será licito esquecer, porem, que toda simbiose exploradora de longo curso, principalmente a que se verifica no campo interno, resulta de adaptação progressiva entre o hospedador e o parasita, os quais, não obstante reagindo um sobre o outro, lentamente concordam na sociedade em que persistem, sem que o hospedador considere os riscos e perdas a que se expõe, comprometendo não apenas a própria vida, mas a existência da própria espécie.

TRANSFORMACÕES DOS PARASITAS : Temos, assim, na larga escala dos acontecimentos dessa ordem; os parasitas temporários, quais as sanguessugas e quase todos os insetos hematofagos, que apenas transitoriamente visitam os hospedadores; os ocasionais ou os pseudoparasitas, que sistematicamente não são parasitas, mas que vampirizam outros animais, quando as situações do ambiente a isso os conduzam, os permanentes de desenvolvimento direto, que dispõem de um hospedador exclusivo e a cuja existência se encontram ajustados por laços indissolúveis, quase todos relacionáveis entre os endoparasitas; os parasitas chamados heteroxênicos, que se fazem adultos, em ciclo biológico determinado, contando com um ou mais hospedeiros intermediários, quando se encontram em período larval, para atingirem a forma completa no hospedeiro definitivo; os hiperparasitas, que são parasitas de outros parasitas.
Concluído-se que o parasitismo, entre os animais, não decorre de uma condição natural, mas sim de uma autêntica adaptação deles a modo particular de comportamento, é justo admitir se inclinem para novos característicos na espécie.
Assim é que o parasita, no regime de adaptação a que se entrega, experimenta mutações de vulto a se lhe exprimirem na forma, por reduções ou acentuações orgânicas, compreendendo-se, desse modo, que o desaparecimento de certos órgãos de locomoção em parasitas fixados e a conseqüente formação de órgãos necessários à estabilidade em que se harmonizam devem ser analisados como fenômeno inerentes à simbiose injuriante, notando-se nesses seres a facilidade da fecundação e a resistência vital, com a extrema capacidade de encistamento, pela qual segregam recursos protetores e se isolam dos fatores adversos do meio, com o frio e o calor, tolerando vários períodos de abstenção de qualquer alimento, a exemplo do que ocorre com o percevejo do leito, que consegue viver, mais de seis meses consecutivos, em completo jejum.
Continuando a examinar as alterações nos parasitas em atividade, assinalamos muitos platelmintos e anelideos que, em virtude do parasitismo, perderam ao apêndices locomotores, substituindo-os por ventosas ou ganchos.
Identificamos a degeneração do aparelho digestivo em vários endoparasitas do campo intestinal e, por vezes, a total extinção desse aparelho, como acontece a muitos cestóides e ancantocéfalos que, vivendo, de maneira invariável, na corrente abundante de sucos nutritivos já elaborados no intestino de seus hospedadores, convertem os órgãos bucais em órgãos de fixação, prescindindo de sistema intestinal próprio, de vez que passam a realizar a nutrição respectiva por osmose, utilizando toda a superfície do corpo.
De outras vezes, quando o parasita costuma ingerir grande massa de sangue, demonstra desenvolvimento anormal do intestino médio, que se transforma em bolsa volumosa a funcionar por depósito de reserva, onde à assimilação se opera, vagarosa, para que esses animais, como sejam as sanguessugas e os mosquitos, se sobreponham a longos jejuns eventuais.

Livro: Missionários Da Luz - Titulo: Vampirismo
A Sessão de desenvolvimento mediúnico, segundo deduzi da palestra entre os amigos encarnados, fora muito escassa em realizações para eles. Todavia, não se verificava o mesmo em nosso ambiente, onde se podia ver enorme satisfação em todas as fisionomias, a começar de Alexandre, que se mostrava jubiloso.
Os trabalhos haviam tomado mais de duas horas e, com efeito, embora me conservasse retraído, ponderando os ensinamentos da noite, minúcia a minúcia, observei o esforço intenso despendido pelos servidores de nossa esfera. Muitos deles, em grande numero, não somente assistiam os companheiros terrestres, senão também atendiam a longas filas de entidades sofredoras de nosso plano.
Alexandre, o instrutor devotado, movimentara-se de mil modos. E Tocando a tecla que mais me impressionara, no circulo de observações do nobre concerto de serviços, acentuou, satisfeito, em reaproximando de mim.
Graças ao Senhor, tivemos uma noite feliz. Muito trabalho contra o vampirismo.
Oh era o vampirismo a tese que me preocupava. Vira os mais estranhos bacilos de natureza psíquica, completamente desconhecidos na microbiologia mais avançada. Não guardavam a forma esférica das cocáceas, nem o tipo de bastonete das bacteriáceas diversas. Entretanto, formavam também colônias densas e terríveis. Reconhecera-lhes o ataque aos elementos vitais do corpo físico, atuando com maior potencial destrutivo sobre as células mais delicadas.
Que significava aquele mundo novo? Que agentes seriam aqueles, caracterizados por indefinível e pernicioso poder? Estariam todos os homens sujeitos à sua influenciação?.
Não me contive. Expus ao orientador, francamente, minhas duvidas e temores.
Alexandre sorriu e considerou:
Muito bem, muito bem, Você veio observar trabalhos de mediunidade e está procurando seu lugar de médico. É natural. Se estivesse especializado noutra profissão, teria identificado outros aspectos do assunto em análise.
E a encorajar-me, fraternalmente, acrescentou:
Você demostra boa preparação, diante da medicina espiritual que lhe aguarda os estudos.
Depois de longa pausa, prosseguiu explicando:
Sem nos referirmos aos morcegos sugadores, o vampiro, entre os homens, é o fantasma dos mortos, que se retira do sepulcro, alta noite, para alimentar-se do sangue dos vivos. Não sei quem é o autor de semelhante definição, mas, no fundo, não está errada. Apenas cumpre considerar que, entre nós, vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens.
Alexandre fez ligeiro intervalo na conversação, dando a entender que expusera a preliminar de mais sérios esclarecimentos, e continuou:
Você não ignora que, no círculo das enfermidades terrestres, cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido. O pneumococo aloja-se habitualmente nos pulmões; o bacilo de Eberth localiza-se nos intestinos onde produz a febre tifóide; o bacilo de Klebs-Loffler situa-se nas mucosas onde provoca a diferia. Em condições especiais do organismo, proliferam os bacilos de Hansen ou de Koch. Acredita você que semelhantes formações microscópicas se circunscrevem à carne transitória? Não sabe que o macrocosmo está repleto de surpresas em suas formas variadas? No campo infinitesimal, as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. André, meu amigo, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis. A patogenese da alma está dividida em quadros dolorosos. A cólera , a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida intima. Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça. A organização fisiológica, segundo conhecemos ao campo das cogitações terrestres não vai além do vaso de barro, dentro do molde preexistente do corpo espiritual. Atingido o molde em sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores, o vaso refletirá imediatamente.
Compreendi onde o instrutor desejava chegar. Entretanto, as suas considerações relativas às novas expressões microbianas davam ensejo a certas indagações. Como encarar o problema das formações iniciais? Enquadrava-se a afecção psíquica no mesmo quadro sintomatológico que conhecera, até então, para as enfermidades orgânicas em geral? Haveria contágio de moléstias da alma? E seria razoável que assim fosse na esfera onde os fenômenos patológicos da carne não mais deveriam existir?
Afirmara Virchow que o corpo humano “é um pais celular, onde cada célula é um cidadão, constituindo a doença um atrito dos cidadões, provocado pela invasão de elementos externos “. De fato, a criatura humana desde o berço deve lutar contra diversas flagelações climáticas, entre venenos e bactérias de variadas origens. Como explicar, agora, o quadro novo que me defrontava os escassos conhecimentos?
Não sopitei a curiosidade. Recorrendo à admirável experiência de Alexandre, perguntei:
Ouça meu amigo. Como se verificam os processos mórbidos de ascendência psíquica? Não resulta a afecção do assédio de forças exteriores? Em nosso domínio, como explicar a questão? É a viciação da personalidade espiritual que produz as criações vampiristicas ou estas que avassalam a alma impondo-lhes certas enfermidades? Nesta ultima hipótese, poderíamos considerar a possibilidade de contágio?

Livro: Nosso Lar - Titulo: Vampiro
Eram vinte e uma horas. Ainda são havíamos descansado, senão em momentos de palestra rápida, necessária à solução de problemas espirituais. Aqui, um doente pedia alivio; Ali, outro necessitava passes de reconforto. Quando fomos atender a dois enfermos, no Pavilhão 11, escutei gritaria próxima. Fiz instintivo movimento de aproximação, mas Narcisa deteve-me atenciosa:
Não prossiga – disse -; localizam-se ali os desequilibrados do sexo. O quadro seria extremamente doloroso para seus olhos. Guarde essa emoção para mais tarde
Não insisti. Entretanto, fervilhavam-me no cérebro mil interrogações. Abrira-se um mundo novo à minha pesquisa intelectual. Era indispensável recordar o conselho da genitora de Lisias, a cada momento, para não me desviar da obrigação justa.
Logo após às vinte e uma horas, chegou alguém dos fundos do enorme parque. Era um homenzinho de semblante singular, evidenciando a condição de trabalhador humilde. Narcisa recebeu-o com gentileza, perguntando:
-Que há, Justino? Qual é a sua mensagem?
O operário, que integrava o corpo de sentinelas das Câmaras de Retificação, respondeu, aflito:
Venho participar que uma infeliz mulher está pedindo socorro, no grande portão que dá para os campos de cultura. Creio tenha passado despercebida aos vigilantes das primeiras linhas...
-E por que não a atendeu? – interrogou a enfermeira.
O servidor fez um gesto de escrúpulo e explicou:
Segundo as ordens que nos regem, não pude fazê-lo, porque a pobrezinha está rodeada de pontos negros.
Que me diz? – revidou Narcisa, assustada.
Sim Senhora.
Então o caso é grave.
Curioso, segui a enfermeira, através do campo enluarado. A distancia não era pequena. Lado a lado, via-se o arvoredo tranqüilo do parque muito extenso, agitado pelo vento caricioso. Havíamos percorrido mais de um quilometro, quando atingimos a grande cancela a que se referira o trabalhador.
Deparou-se nos, então, a miserável figura da mulher que implorava socorro do outro lado. Nada vi, senão o vulto da infeliz, coberta de andrajos, rosto borrendo e pernas em chaga viva; mas Narcisa parecia divisar outros detalhes. Imperceptíveis ao meu olhar, dado o assombro que estampou na fisionomia, ordinariamente calma.
Filhos de Deus – bradou a mendiga ao avistar-nos -, dai-me abrigo à alma cansada. Onde está o paraíso dos eleitos, para que eu possa fruir a paz desejada.
Aquela voz lamuriosa sensibilizava-me o coração. Narcisa, por sua vez, mostrava-se comovida, mas falou em tom confidencial:
Não está vendo os pontos Negros?
Não , respondi.
Sua visão espiritual ainda não está suficientemente educada.
E, depois de ligeira pausa, continuou:
Se tivesse em minhas mãos, abriria imediatamente a nossa porta; mas, quando se trata de criaturas nessa condições, nada posso resolver por mim mesma. Preciso recorrer ao Vigilante-Chefe, em serviço.
Assim dizendo, aproximou-se da infeliz e informou, em tom fraterno:
Faça o obséquio de esperar alguns minutos.
Voltamos apressadamente ao interior. Pela primeira vez, entrei em contato com o diretor das sentinelas das Câmaras de Retificação. Narcisa apresentou-me e notificou-lhe a ocorrência. Ele esboçou um gesto significativo e ajuntou:
Fez muito bem, comunicando-me o fato. Vamos até lá.
Dirigimo-nos os três para o local indicado.
Chegados à cancela, o Irmão Paulo, orientador dos vigilantes, examinou atentamente a recém-chegada do Umbral, e disse:
Está mulher, por enquanto, não pode receber nosso socorro. Trata-se de um dos mais fortes vampiros que tenho visto até hoje. É preciso entregá-la à própria sorte.
Senti-me escandalizado. Não seria faltar aos deveres cristãos abandonar aquela sofredora ao azar do caminho? Narcisa, que me pareceu compartilhar da mesma impressão, adiantou-se suplicante:
Mas, Irmão Paulo, não há um meio de acolhermos essa miserável criatura nas Câmaras?
Permitir essa providência – esclareceu ele – seria trair minha função de vigilante.
E indicando a mendiga que esperava a decisão, a gritar impaciente, exclamou para a enfermeira:
Já notou, Narcisa, alguma coisa além dos pontos negros?
Agora, era minha instrutora de serviço que respondia negativamente.
Pois vejo mais – respondeu o Vigilante-chefe.
Baixando o tom de voz, recomendou:
Conte as manchas pretas.
Narcisa, fixou o olhar na infeliz e respondeu, após alguns instantes:
Cinqüenta e oito.
O Irmão Paulo, com a paciência dos que sabem esclarecer com amor, explicou:
Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascerem. Em cada mancha vejo a imagem mental de uma criancinha aniquilada, umas por golpes esmagadores, outras por asfixia. Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia. A pretexto de aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a infelicidade de jovens inexperientes. A situação dela é pior que a dos suicidas e homicidas que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto.
Recordei, assombrado, os processos da medicina, em que muitas vezes enxergara de perto, a necessidade da eliminação de nascituros para salvar o organismo materno, nas ocasiões perigosas; mas, lendo-me o pensamento, o Irmão Paulo acrescentou:
Não falo aqui de providências legitimas, que constituem aspectos das provações redentoras, refiro-me ao crime de assassinar os que começam a trajetória na experiência terrestre, com o direito sublime da vida.
Demonstrando a sensibilidade das almas nobres, Narcisa rogou:
Irmão Paulo, também eu já errei muito no passado. Atendamos a esta desventurada. Se me permite, eu lhe dispensarei cuidados especiais.
Reconheço, minha amiga – respondeu o diretor de vigilância, impressionado pela sinceridade -, que todos somos espíritos endividados; entretanto, temos a nosso favor o reconhecimento das próprias fraquezas e a boa-vontade de resgatar nossos débitos; mas esta criatura, por agora, nada deseja senão perturbar quem trabalha. Os que trazem os sentimentos calejados na hipocrisia emitem forças destrutivas. Para que nos serve aqui um serviço de vigilância?
E, sorrindo expressivamente, exclamou:
Busquemos a prova.
O vigilante-chefe aproximou-se, então, da pedinte e perguntou:
Que deseja a irmã do nosso concurso fraterno?
Socorro, Socorro, Socorro – respondeu lacrimosa.
Mas, minha amiga – ponderou acertadamente - é preciso sabermos aceitar o sofrimento retificador. Por que razão tantas vezes cortou a vida de entezinhos frágeis, que iam à luta com a permissão de Deus?
Ouvindo-o inquieta, ela exibiu terrível carantonha de ódio e bradou:
Quem me atribui essa infâmia? Minha consciência está tranqüila, canalha. ... Empreguei a existência auxiliando a maternidade na terra. Fui caridosa e crente, boa e pura...
Não é isso que se observa na fotografia viva dos seus pensamentos e atos. Creio que a irmã ainda não recebeu, nem mesmo o beneficio do remorso. Quando abrir sua alma às bênçãos de Deus, reconhecendo as necessidades próprias, então, volte até aqui.
Irada, respondeu a interlocutora:
Demônio, Feiticeiro, Sequaz de satã...Não voltarei jamais... Estou esperando o céu que me prometeram e que espero encontrar.
Assumindo atitude ainda mais firme, falou o Vigilante-Chefe com autoridade:
Faça, então o favor de retirar-se. Não temos aqui o céu que deseja. Estamos numa casa de trabalho, onde os doentes reconhecem o seu mal e tentam curar-se, junto de servidores de boa-vontade.
A mendiga objetou atrevidamente:
Não lhe pedi remédio, nem serviço. Estou procurando o paraíso que fiz por merecer, praticando boas obras.
E, endereçando-nos dardejante olhar de extrema cólera, perdeu o aspecto de enferma ambulante, retirando-se a passo firme, como quem permanece absolutamente senhor de si.
Acompanhou-a o Irmão Paulo com o olhar, durante longos minutos e, voltando-se para nós, acrescentou:
Observaram o Vampiro? Exibe a condição de criminosa e declara-se inocente; é profundamente má e afirma-se boa e pura; sofre desesperadamente e alega tranqüilidade; criou um inferno para si própria e assevera que está procurando o céu.
Ante o silencio com que lhe ouvíamos a lição, o Vigilante-Chefe rematou:
É imprescindível tomar cuidado com as boas aparências. Naturalmente, a infeliz será atendida alhures pela Bondade Divina, mas, por principio de caridade legitima, na posição em que me encontro, não lhe poderia abrir nossas portas.

sábado, 7 de novembro de 2009

HÁ 554 ANOS COMEÇOU O PROCESSO DE ANULAÇÃO DO JULGAMENTO



Em 07 de Novembro de 1455, na Notre Dame, em Paris. Isabelle Romee (actualmente cerca de 68 anos de idade), rodeado por seus amigos de Orleans, comparece perante um tribunal da Igreja para fazer o seu fundamento de que o veredicto de julgamento, que condena a sua filha, Jehanne, à morte, ser derrubada.
A partir dessa data até meados de 1456 uma extensa investigação é realizada. O testemunho é procurado em várias cidades, incluindo Orleans e Domremy. Guillaume Manchon, o caixeiro julgamento para o julgamento original fornece testemunho-chave e os documentos de prova (incluindo o seu original francês notas antes do julgamento transcrições foram traduzidas para a língua oficial e legal do latim). Muito do que sabemos agora de vida Jehanne relativas a sua espiritualidade, sua fé pessoal e devoção a Deus é trazida no presente julgamento anulação da pontuação de quem o conheceu o seu melhor

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A FIGUEIRA SEM FRUTO



EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DO NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO

Mat. 21:18-19
18. De manhã, voltando à cidade, teve fome.
19. E vendo uma figueira à beira da estrada, foi a ela e não achou nela senão somente folhas e disse-lhe: "Nunca de ti nasça fruto no eon". E instantaneamente secou a figueira.

Marc. 11:12-14
12. No dia seguinte, saindo eles de Betânia, teve fome.
13. E vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi (ver) se acaso achava nela (algo) e, aproximando-se dela, nada achou senão folhas, pois não era tempo de figos.
14. E respondendo, disse-lhe: "Nunca neste eon de ti ninguém coma fruto". E ouviram(-no) seus discípulos.

O episódio é narrado por Mateus e Marcos que coincidem em alguns pormenores, diferindo em outros.

Analisemos.

1 - Dizem ambos que, "saindo de manhã de Betânia para voltar à cidade, Jesus teve fome".
Há várias objeções muito sérias. Teria Marta, tão completa dona-de-casa que seu próprio nome tem esse significado, teria ela permitido que o Mestre saísse de sua casa onde se hospedava sem tomar o de jejum? O ar matinal provocou a fome? Mas por andar distância tão pequena, logo ao sair de Betânia, diante de Betfagé? Não convence ...
2 - Jesus viu "à beira da estrada uma figueira". Só tinha folhas. Jesus "foi ver se achava algo para comer".
Mas como poderia fazê-lo, se em abril não era época de figos, como bem anota Marcos? Será que Jesus ignorava o que todos sabiam, até as crianças?
3 - Jesus afinal, decepcionado, amaldiçoa a figueira. Mateus adianta o final do episódio (que Marcos deixa em suspenso para o dia seguinte) e faz que a figueira "seque instantaneamente".

Algumas considerações.
Os figos-flor começam a aparecer, na Palestina, em fins de fevereiro, antes das folhas, mas só amadurecem em fins de junho. No entanto, na figueira selvagem ("figueira braba") apesar de brotarem normalmente as flores, elas secam e caem antes de amadurecer. Vemos, então, claramente, que não era "culpa" da figueira o fato de não ter frutos ...

Vejamos alguns comentaristas o que dizem.
João Crisóstomo (Patrol. Graeca, vol. 58, col. 633/4), depois de classificar a exigência de Jesus de encontrar frutos de "exigência tola", por não ser estação de figos, afirma que a maldição da figueira foi apenas para conquistar a confiança dos discípulos em Seu poder: era um símbolo de "Seu ilimitado poder vingativo" (!).
Jerônimo (Patrol. Lat. vol. 26, col. 153) diz que "o Senhor, que ia sofrer aos olhos de todos e carregar o escândalo de Sua cruz, precisava fortalecer o ânimo de Seus discípulos com Este sinal antecipado".

Figura “LIÇÃO DA FIGUEIRA” – Desenho de Bida, gravura de J. Veyssarat

Outros dizem que não queria figos, mas dar uma lição aos discípulos. Outros que se trata de uma "parábola de ação", bastante comum entre os profetas (1).
(1) Isaías durante três anos andou nu e descalço para profetizar o cativeiro assírio (Is. 23:1-6); Jeremias enterra seu cinto e o desenterra já podre (Jer. 13:1-11); ele mesmo quebra uma botija de barro (Jer. 19:1, 2, 10) e pendura brochas e canzis ao pescoço (Jer. 27:1-11 ); Ezequiel desenha a cidade de Jerusalém num tijolo e constrói fortificações em torno dele (Tz. 4:1-8); corta a barba e o cabelo e queima-os (Ez. 5:1-3); depois se muda com todos os seus móveis, para que todos vejam que vão ter que sair de casa (Ez. 12:3-7).

Quando as contradições ou os absurdos são evidentes, trata-se de símbolos e não, realmente, de fatos.
Ponderemos com lógica. Causaria boa impressão aos discípulos uma injustiça flagrante do Mestre, ao condenar, por não ter frutos, uma figueira que não podia ter frutos? A demonstração de poder não teria sido, ao mesmo tempo, um exemplo de atrabiliário despotismo, além de injusto, desequilibrado e infantil? Que lucro adviria para Jesus e para os discípulos, por meio de uma ação intempestiva e de tamanho ridículo?
Não, não é possível aceitar o fato como ocorrido. Houve, realmente, uma lição. E por que foi escolhido o símbolo da figueira sem figos, ou com figos ainda verdes, porque estavam em abril?
Observemos que, ao sair de Betânia para Jerusalém, a primeira aldeia que "tinham à frente;" era BETFAGÉ, que significa, precisamente, "CASA DOS FIGOS NÃO-MADUROS"! ...
Ora, ao sair de Betânia, a conversa do caminho girou em torno do poder daquele que mantém fidelidade absoluta e inalterável ao Pai, a Deus, ao Espírito. Daí a lição destacar a capacidade de a criatura dominar os elementos da natureza com o poder mental. E o exemplo é apresentado ao vivo: se, quiserem, poderão fazer secar até as raízes, ou fazer crescer rapidamente, uma árvore, e poderão até mesmo erradicar montanhas, como veremos pouco adiante. Se fora apenas para "demonstrar poder", seria muito mais didático e lógico que Jesus fizesse a figueira sem frutos frutificar e produzir de imediato figos maduros! ...
Há, pois, evidentemente, profunda ligação entre a figueira sem figos e o nome da aldeia de Betfagé, o que vem explicar-nos a "motivação" da aula.
* * *
Quanto ao ensinamento em si que poderemos entender dessas poucas linhas que resumem, como conclusão, uma conversa que se estendeu por dois quilômetros e meio? Trata-se, é claro, de uma conclusão, e dela teremos que partir para deduzir pelo menos os pontos essenciais da mesma.

Façamos algumas tentativas.
Quando o Espírito necessita colher experiências por meio de uma personagem que esteja sendo vivificada ou animada por ele, e essa personagem não corresponde em absoluto, não produzindo os frutos, mas apenas as folhas inúteis das aparências, o único remédio que resta ao Espírito, para que não perca seu tempo, é secar ou cortar a ligação, avisando, desde logo que, naquele eon, naquela "vida", ninguém mais aproveitará dela qualquer resultado positivo.
Cabe à personalidade aceitar os estímulos do Espírito e produzir frutos, seja ou não "época" de fazêlos.
O Espírito precisa avançar, e temos por obrigação corresponder à sua expectativa, sem exigir épocas especiais. Taí como o médico deixa a refeição sobre a mesa ou sai do aconchego do leito a qualquer hora e com qualquer tempo para atender a chamados urgentes, assim o cristão tem que passar por cima de tudo; abandonando conforto, amores, amizades, comodismos, riquezas, vantagens, para obedecer incontinenti aos apelos do Espírito, que não obriga, mas convida e pede e solicita "com gemidos inenarráveis" (Rom. 8:26). Se o não fizermos, não desencarnaremos instantaneamente, mas secaremos até as raízes as ligações com a Espiritualidade Superior, que verifica não poder contar conosco nessa existência pelo menos. Mais à frente veremos uma parábola, a dos dois filhos, que vem ilustrar o que acabamos de afirmar. Comentá-la-emos a seu tempo.
Assim compreendemos algumas das expressões empregadas na conclusão da lição evangélica e que, no sentido literal, são incompreensíveis, por absurdas. Jesus "teve fome", ou seja, quando a Individualidade manifesta alguma necessidade vital; "vê uma figueira com folhas", isto é, uma personagem com possibilidades; "vai ver se encontra frutos", vai verificar se pode aproveitá-la para o serviço.
Nada encontra, porque a desculpa é exatamente "não tenho tempo" ... "não é minha hora" ... "não está ainda na época - preciso gozar a mocidade, aposentar-me, esperar enviuvar ... mais tarde"! ...
O que falta, em realidade, é amor e boa-vontade, porque não há "horas" para evoluir. O progresso é obrigação de todos os minutos-segundos, e não se condiciona a "estações" nem "épocas". Lógico que, diante da falta de disposição, tem que vir a condenação. Não é, propriamente, a "maldição". Trata-se do verbo kataráomai, depoente, composto de katá, "para baixo" e aráomai, "orar", já que ará é "oração".
Essa condenação ou execração é introduzida pelo advérbio mêkéti, que exprime apenas "não mais". Não é, pois, uma proibição para a eternidade, mas uma verificação, tanto que o tempo empregado é o subjuntivo, e não o imperativo nem o optativo. Portanto, o Espírito diz, em outros termos: "de agora em diante, percam-se as esperanças de obter fruto de ti nesta encarnação".
A lição portanto é lógica e oportuna. Abramos os olhos enquanto é tempo!

Carlos Pastorino
Sabedoria do Evangelho 7

terça-feira, 3 de novembro de 2009

OS ESPÍRITOS DURANTES OS COMBATES


O tema que ilustra o título deste artigo é uma sequência do ensino dos orientadores da Codificação a respeito da intervenção dos Espíritos no mundo corporal, especificamente sobre o comportamento deles nos combates.1 Influem os Espíritos no ânimo dos homens em guerra? Em caso positivo, como isso acontece?
Os Espíritos constantemente nos rodeiam e exercem incessante ação sobre o mundo físico e o espiritual, atuando sobre a matéria e o pensamento. Tudo o que se passa no plano visível reflete no invisível, que é o mundo causal. As duas humanidades (física e espiritual) encontram-se unidas por laços indissolúveis, como se fossem duas faces da mesma moeda, em que funcionam as leis de afinidade entre os seres pensantes: “[...] tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu”.2
Por isso, não é de se estranhar que haja Espíritos influenciando os combates e amparando cada um dos lados em duelo, como ocorre em qualquer situação corriqueira, na convivência em sociedade, sobretudo nas grandes concentrações urbanas, que não prescindem das leis humanas para disciplinar o relacionamento entre os indivíduos.
Cada pessoa reage de forma diferente, quando seus interesses conflitam com os de seus semelhantes. Conforme a elevação de cada um, desses impasses pode sair uma solução espontânea, negociada ou o confronto direto ou indireto. Nos tempos primitivos, quando o homem vivia no estado de natureza, prevalecia a lei do mais forte. Com a evolução, surgiu o Direito, objetivando mediar os conflitos de forma civilizada, encaminhando-os para uma solução pacífica e evitando, assim, que o homem faça justiça com as próprias mãos. Apesar disso, as estatísticas da violência urbana e rural demonstram que deixamos falar mais alto dentro de nós os instintos primitivos, dos quais ainda não nos libertamos totalmente.
O comportamento de dois indivíduos que entram em litígio é padrão entre os Espíritos de evolução mediana: cada um supõe que a justiça esteja do seu lado. Os Espíritos inferiores, atraídos pelos contendores, quando influenciam os encarnados em confronto, nem sempre estão preocupados com qual lado está a justiça: desejam que prevaleça o direito daqueles com os quais se afinizam ou apoiam, com vistas a algum interesse que beneficiará a si mesmos, como resultado do embate.
Assim, é perfeitamente natural que os Espíritos envolvidos em uma batalha procurem intuir os comandantes dos oponentes, que têm poder de decisão sobre os rumos da campanha. Ademais, os líderes e os combatentes podem ser guiados por uma espécie de segunda vista,3 que é a faculdade de o Espírito se desdobrar do corpo físico, durante a vigília, circunstância em que a pessoa vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos.
A história das guerras está repleta de fatos dessa natureza. Caso clássico e bem difundido é o de Joana d’Arc (1412-1431), heroína francesa que, na condição de médium, recebeu dos Espíritos orientações importantes que influíram para a vitória da França em algumas batalhas acontecidas na chamada “Guerra dos Cem Anos” contra a Inglaterra. Entretanto, todos sabemos que a vitória, em uma guerra, por mais justa que pareça, tem um gosto amargo, em virtude dos efeitos colaterais provocados.
O comportamento de alguns Espíritos que, mesmo depois de perderem o corpo físico, durante o combate, continuam interessados no conflito, confirma o que já aprendemos sobre a imortalidade do ser: o vaso físico é apenas o invólucro do Espírito. Ao desencarnar, conservamos nossa individualidade, porém, a morte não é igual para todos. Depende do estágio evolutivo de cada um. Por isso, há Espíritos que continuam a se interessar pela batalha, lutando renhidamente, como se encarnados estivessem, enquanto outros se afastam, por variados motivos.
Kardec entrevistou um Espírito, que perdera o corpo físico em combate travado durante a guerra da independência italiana contra a Áustria, a chamada “Batalha de Magenta”, ocorrida em 4 de junho de 1859, da qual participou o exército francês. O diálogo deu-se na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 10 de junho de 1859, tendo sido publicado na Revista Espírita, da qual reproduzimos pequeno trecho:
12.No momento da morte percebestes logo que havíeis morrido?
Resp. – Não; eu estava tão atordoado que não podia acreditar.
Observação – Isto concorda com o que temos observado nos casos de morte violenta; não se dando conta imediatamente de sua situação, o Espírito não se julga morto. [...] Para ele a morte é sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ora, desde que vê, sente e raciocina, julga não ter morrido. É necessário certo tempo para poder reconhecer-se.4
De modo geral, a separação entre o corpo e o Espírito não ocorre instantaneamente. Morrer, biologicamente, é fácil; desencarnar já não é tão simples assim. O Espírito não toma consciência de si mesmo logo após a morte do corpo físico, visto que passa algum tempo em estado de perturbação, que também varia de acordo com o progresso de cada um: “A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a posição moral dos Espíritos”.5 Nos casos de mortes violentas, que ocorrem com frequência nos combates, mais fortes são os laços que prendem o corpo ao perispírito, daí ser o indivíduo tomado de espanto, e, se ainda for muito apegado à matéria, não acredita estar morto, pois conserva “as ilusões da vida terrestre”.6
As leis divinas são perfeitas. As expiações coletivas, em que grande multidão sofre os efeitos das lutas fratricidas, dos trágicos acidentes, dos terremotos e da miséria social, entre outras catástrofes, podem representar resgates de faltas passadas, porque atinge grande número de pessoas, boas ou más. Ninguém sofre sem o merecer, em um planeta atrasado moralmente como o nosso, no qual a dor também serve de meio de purificação dos Espíritos, em processo de reequilíbrio e educação: “Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer”.7
Algumas das obras da Série André Luiz, psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier (1910-2002), trazem informações a respeito das repercussões, no mundo espiritual, das guerras entre os homens, e dos ataques de entidades inferiores contra as cidadelas do bem, situadas no plano espiritual, como, por exemplo, aquelas narradas nos livros Nosso Lar, Obreiros da Vida Eterna, Os Mensageiros, bem assim a investida frustrada contra a “Mansão Paz”, estampada no livro Ação e Reação.8 Agredidos, os Espíritos elevados se utilizam de eficientes recursos de defesa, sem descurar do auxílio a esses irmãos ignorantes, conscientes de que “as forças do Céu velam pelo inferno que, a rigor, existe para controlar o trabalho regenerativo na Terra” e de que “a paz não é conquista da inércia, mas sim fruto do equilíbrio entre a fé no Poder Divino e a confiança em nós mesmos, no serviço pela vitória do bem”.9 (Destaque nosso.)
A guerra é resultado das paixões exacerbadas do homem, em virtude da “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual”, porém, ela desaparecerá da Terra, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem as leis de Deus.10
Os flagelos destruidores provocados pelo ser humano representam grave infração às leis morais. Apesar disso, eles o têm impulsionado à ascensão, ainda que pelo sofrimento. Isso não quer dizer que estão isentos de culpa aqueles que lançam a Humanidade em combates sangrentos, por ambição. Neste caso, muitas existências lhes serão necessárias para expiar todos os crimes de que hajam dado causa.
Considerando todo esse panorama que ainda reina em muitos corações humanos, não é de surpreender que haja guerras no mundo:
Infelizmente, o ser humano ainda não está preparado para viver a paz, de forma que a guerra representa, ao lado das graves tragédias, um doloroso processo de conquista da liberdade e do progresso.11 (Grifo nosso.)
Esses contrastes que vemos são bem típicos de um mundo de provas e expiações, como é a Terra, em que o homem precisa da sombra, para valorizar a luz, da dor, para valorizar a saúde, da tristeza, para valorizar a alegria: “A dor é o aguilhão que o impele para a frente, na senda do progresso”.12
O orgulho e o egoísmo estão na raiz de muitos conflitos, sejam eles individuais ou coletivos. Quando o homem cultivar mais a temperança e utilizar melhor o seu livre-arbítrio, não terá necessidade do sofrimento para progredir. Se existem guerras, é porque elas ainda permanecem dentro de cada um de nós, daí a necessidade de nos espiritualizarmos para desfrutarmos de um mundo mais pacífico.

Christiano Torchi
Reformador Novembro09

1KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 541 a 548.
2MATEUS, 18:18.
3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 447 a 454.
4KARDEC, Allan. O Zuavo de Magenta. In: Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 2, p. 277, jul. de 1859. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
5DENIS, Léon. Depois da morte. Ed. espec. 1. imp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 4, cap. Além-túmulo, item 30, A hora final, p. 270.
6Idem. O problema do ser, do destino e da dor. 1. reimp.Rio de Janeiro: 2008.P. 1, cap.O problema do ser, item 11, A vida no Além, p. 205.
7MATEUS, 24:6.
8XAVIER, Francisco C. Ação e reação. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 3.
9Idem, ibidem. p. 41 e 44.
10KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 742 a 745.
11ROCHA, Cecília. (Responsável pela organização). Estudo sistematizado da doutrina espírita: programa fundamental. T. 2, 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. p. 109.
12KARDEC,Allan.A gênese. 52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 3, item 5.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

NOTAS DA SAUDADE

NILO APARECIDA PINTO
Saudade que não se dosa
É excede de toda linha
É a saudade dolorosa
Da saudade que se tinha.

*

SILVEIRA CARVALHO
Saudade depois da morte
É a dor que nos aguilhoa,
Ao ver a pessoa amada
Em busca de outra pessoa.

*
LUCANO REIS
Muita afeição que já vi
Neste conflito se escora:
Por fora, o desejo ri,
Por dentro, a saudade chora.

*

JOVINO GUEDES
Na esfera dos corações
Temos, por norma comum,
Inúmeras ligações
Mas amor só se tem um.

*

MANOEL SERRADOR
Quem ama perante a morte,
Na união que se desata,
Ensina sempre a quem fica
Que a saudade também mata.

*

MEIMEI
Criança de tenra idade
Quando morre, tal qual é,
Cria um jardim de saudade
Para o cultivo da fé.

*

MARIANA LUZ
Mãe que chora um filho morto
Nos mais íntimos refolhos
É a face do desconforto
Com duas fontes nos olhos.

*

CORNÉLIO PIRES
Nem todos sentem saudade.
Exemplo: O Adão Cumbica
No funeral da mulher
Já paquerava a Ninica.

*

LUIZ DE OLIVEIRA
Encontro nos desencontros:
Provação da afinidade;
Quem a carrega é que sabe
Quanto dói uma saudade.

*

AUTA DE SOUZA
Dizem que a crise do mundo,
Para os crentes e os ateus,
Significa, no fundo,
Saudade imensa de Deus.

Da Obra "Sementes De Luz" - Espíritos Diversos –
Psicografadas Por: Francisco Cândido Xavier E Carlos A Baccelli.