quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

JOANA D'ARC



Para a França, uma heroína. Para o mundo, o maior exemplo de fé e coragem já visto.
Joana D’Arc nasceu em 1412 e, aos dezenove anos, foi queimada em Rouen, na Normandia, então ocupada pelos ingleses. No entanto, mesmo tendo morrido muito jovem, entrou para a história da França e foi canonizada pela Igreja Católica. Trata-se portanto, de um destino absolutamente excepcional, e que tem merecido a atenção de várias gerações de estudiosos, desde o século XV até o nosso tempo.
Era uma camponesa extremamente religiosa da Lorena, nascida na pequena aldeia de Domrémy. A partir dos treze anos começou a ter visões nas quais São Miguel, Santa Catarina (de Alexandria) e Santa Margarida (de Antioquia) lhe apareciam, insistindo para que colaborasse na obra de libertação da França, oprimida pela ocupação dos ingleses e seus aliados borgonheses.
Embora tivesse inicialmente resistido aos apelos das vozes, alegando ainda ser menina e não entender de guerra, ela acabou cedendo àquela insistência face à profecia bastante difundida na época: a de que a França haveria de ser salva por uma virgem.
Joana não hesitou em procurar o capitão Roberto de Baudricourt, que lhe forneceu uma pequena escolta para a viagem a Chinon (onde se encontrava o delfim Carlos, futuro Carlos VII), nem vacilou em vestir-se com roupas masculinas, o que sempre foi visto com naturalidade por seus companheiros de armas, mas lhe valeu severas críticas dos inimigos, especialmente ingleses. Por estar frequentemente entre os combatentes franceses, não foram poucas as vezes em que Joana tenha sido difamada.
Em 1429 aconteceu a famosa entrevista, onde a Donzela reconheceu o delfim entre todos os homens presentes sem nunca antes ter-lhe visto. Foi então que o convenceu a dar-lhe permissão para participar das operações que visavam levantar o cerco que os ingleses faziam a Orleans.
Estes últimos e os borgonheses dominavam a metade setentrional da França, enquanto os franceses dominavam a área ao sul do Vale do Loire. As operações que estavam sendo realizadas nas cidades e fortalezas ao longo do rio eram, portanto, da maior importância para a recuperação do território invadido e para a vitória francesa na guerra.
Orleans foi liberada e, no mesmo ano de 1429, os companheiros de Joana derrotaram os ingleses na batalha de Patay. Mas a jovem não considerava sua missão terminada. Ela desejava ver o delfim coroado em Reims, como a tradição impunha, e Paris retomada.
A Donzela viveu a grande emoção de assistir à coroação do rei, após longa viagem que o levou até Reims por um trajeto que atravessava, em parte, o território dos inimigos borgonheses. Ele não havia conseguido, porém, entrar em Paris. A tentativa de retomar a cidade, ainda em 1429, pelo exército francês, havia redundado em fracasso, e o soberano ordenou o retorno dos soldados ao Vale do Loire.
Joana nunca se conformou com a interrupção das operações militares nem com as tentativas feitas pelos conselheiros reais de negociar a paz com os borgonheses. Assim, no ano seguinte, ela seguiu para o norte, à frente de uma pequena tropa, e acabou chegando a Compiègne. Um dia, ao tentar liberar uma ponte que se encontrava em mãos inimigas, nas redondezas da cidade, foi capturada e entregue a João de Luxemburgo, comandante da tropa borgonhesa.
João de Luxemburgo cedeu-a aos ingleses,a levaram para Rouen e submeteram-na ao julgamento da Igreja. Joana foi acusada de ter usado roupas masculinas, de ter profetizado, de ter dado certeza de que suas visões eram revelações divinas e de estar convencida de sua salvação.
Assim, em 29 de maio de 1431, foi condenada à morte e, no dia seguinte, queimada na praça do Mercado Velho.
Em 1456, quando os franceses já tinham recuperado praticamente todo o território nacional, Joana foi reabilitada após a investigação solicitada pelo rei Carlos VII, pelo papa Calixto III e pela própria mãe da jovem, Isabel Ronée.
Desde então, cronistas, poetas, romancistas e historiadores têm fornecido imagens diferentes dessa grande personagem histórica.
No período romântico e nacionalista que se seguiu à Revolução Francesa, a Donzela de Orleans foi revalorizada e recebeu um tratamento notável na História da França de Jules Michelet. Em 1869, o bispo de Orleans iniciou as gestões para uma canonização, decidida finalmente no ano de 1920, no papado de Benedito XV.

"Ó Jeanne, sem sepulcro e sem retrato, tu que sabias que o túmulo dos heróis é o coração dos vivos"

André Malraux

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