sábado, 16 de janeiro de 2010

A TRANSFORMAÇÃO E O MESTRE

Maria de Magdala caminhava atônita, Jesus havia morrido. Ela renunciara a todos os bens da Terra e perdera o bem maior, que representava o seu apoio no céu. Enlouquecida de saudade e dor, ela buscou o túmulo do Mestre e o encontrou vazio. Dois homens lá se postavam. Eles perguntaram:
- O que buscas, o que procuras?
Ela disse:
- Se vocês levaram o corpo Dele para algum lugar, me falem que irei buscá-lo. Nisso ela escutou uma voz que, às suas costas, falava:
- A quem buscas?
E Ela:
- Eu busco o meu Senhor!
Ele disse:
- Maria!
Ela, em pranto, falou:
Raboni!
Só naquele instante ela percebeu na entonação da voz Dele , "Maria", que era o Mestre que ali estava, redivivo.
Por que uma mulher pecadora, uma mulher com o passado nebuloso, uma mulher odiada por toda a Jerusalém, uma mulher que não era estimada nem pelos discípulos, que, a contra gosto, a suportavam? Principalmente as mulheres, que, até hoje, entre os judeus, não são ouvidas nem respeitadas. Mas Jesus quis dar um testemunho maior para aquela criatura, que fosse procurar seus discípulos e dissesse que Ele ressurgira em espírito.
Ela quis abraçá-lo e Ele recuou, disse que ainda não estivera com o Pai. Mas havia muitas razões para Jesus assumir aquele gesto de recuar, porque, se ela dissesse que não só vira o Mestre, como o abraçara, seria realmente impossível acreditar na comunicação de além túmulo do senhor. Ela foi, cheia de felicidade, falar com os discípulos que estavam temerosos e dispersos, sem nenhum poder de concentração mental ou emocional, totalmente desestruturados diante do impacto do sacrifício do Mestre.
No entanto, o Mestre havia ressurgido. Muitos perguntavam:
- Por que para você, ex-pecadora? Por que para você que não expulsa demônios, não cura? Por que para você a quem Ele não mandou pregar em nome dele e do Pai?
- Eu não sei... Mas eu vi o Raboni, Ele falou comigo.
E verificaram que, realmente, o túmulo estava vazio. Mas o coração de Maria de Magdala estava resplandecente de fé renovada, de força, de alento, principalmente para que ela continuasse sua jornada, sendo exemplo para todas aquelas que a observavam, como uma mulher tão bela, capaz de tamanha renúncia e de tamanha fé.
Em tudo o que Jesus fez existe uma mensagem palpável dos seus objetivos superiores. Ele deixou que Maria de Magdala o seguisse, mas as manifestações físicas Ele sempre impediu, em proteção a ela e em proteção ao evangelho, para que as criaturas não pecassem em pensamento. Porque as mentes, às vezes, são tão envoltas em trevas, que são incapazes de perceber, num abraço fraterno, a fraternidade dos sentimentos. Por isso, então, pelos outros, não por ela, nem por ele, Jesus teve que se manter à distância, mas deu a ela o maior de todos os prêmios, a sua primeira manifestação além túmulo. Foi ela a privilegiada, foi ela a escolhida, foi ela, a desacreditada, que Ele escolheu para dar crédito à sua manifestação de sobrevivência espiritual.
Aí estão os fatos incontestáveis, atravessando os séculos, as imagens de Maria de Magdala e do Raboni, ali estão caminhando juntos a transformação e o Mestre, os discípulos, seus seguidores, e o testemunho eloqüente de uma mulher que foi capaz de apagar-se no mundo e resplandecer nos céus.

Christopher Smith
Mensagem recebida por Shyrlene Soares Campos, dia 11/03/2000 no Núcleo Servos Maria de Nazaré:

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