quarta-feira, 31 de março de 2010

EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

EM LEMBRANÇA AOS 141 ANOS DO DESENCARNE DE ALLAN KARDEC



CAPÍTULO XXIV

Não ponhais a candeia debaixo do alqueire
Candeia sob o alqueire. Porque fala Jesus por parábolas - Não vades ter com os gentios - Não sãos os que gozam saúde que precisam de médico - A coragem da fé - Carregar a cruz. Quem quiser salvar a vida, perdê-la-á

Candeia sob o alqueire. Porque fala Jesus por parábolas

1. Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa. (S. MATEUS, cap. V, v.15.)

2. Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; - pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. (S. LUCAS, cap. VIII, vv. 16 e 17.)

3. Aproximando-se, disseram-lhe os discípulos: Por que lhes falas por parábolas? - Respondendo-lhes, disse ele: É porque, a vós outros, foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, a eles, isso não lhes foi dado (1). Porque, àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância; àquele, entretanto, que não tem, mesmo o que tem se lhe tirará. - Falo-lhes por parábolas, porque, vendo, não vêem e, ouvindo, não escutam e não compreendem. -E neles se cumprirá a profecia de Isaías, que diz: Ouvireis com os vossos ouvidos e não escutareis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque, o coração deste povo se tornou pesado, e seus ouvidos se tornaram surdos e fecharam os olhos para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, para que seu coração não compreenda e para que, tendo-se convertido, eu não os cure. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 10 a 15.)
(1) No original francês falta o versículo 12 que aqui repomos. - A Editora da FEB, em 1948.

4. É de causar admiração diga Jesus que a luz não deve ser colocada debaixo do alqueire, quando ele próprio constantemente oculta o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, dizendo a seus apóstolos: "Falo-lhes por parábolas, porque não estão em condições de compreender certas coisas. Eles vêem, olham, ouvem, mas não entendem. Fora, pois, inútil tudo dizer-lhes, por enquanto. Digo-o, porém, a vós, porque dado vos foi compreender estes mistérios." Procedia, portanto, com o povo, como se faz com crianças cujas idéias ainda se não desenvolveram. Desse modo, indica o verdadeiro sentido da sentença: "Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entrem a possam ver." Tal sentença não significa que se deva revelar inconsideradamente todas as coisas. Todo ensinamento deve ser proporcionado à inteligência daquele a quem se queira instruir, porquanto há pessoas a quem uma luz por demais viva deslumbraria, sem as esclarecer.

Dá-se com os homens, em geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. E então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé. (Cap. XIX, nº 7.)

5. Se, pois, em sua previdente sabedoria, a Providência só gradualmente revela as verdades, é claro que as desvenda à proporção que a Humanidade se vai mostrando amadurecida para as receber. Ela as mantém de reserva e não sob o alqueire. Os homens, porém, que entram a possuí-las, quase sempre as ocultam do vulgo com o intento de o dominarem. São esses os que, verdadeiramente, colocam a luz debaixo do alqueire. É por isso que todas as religiões têm tido seus mistérios, cujo exame proíbem. Mas, ao passo que essas religiões iam ficando para trás, a Ciência e a inteligência avançaram e romperam o véu misterioso. Havendo-se tornado adulto, o vulgo entendeu de penetrar o fundo das coisas e eliminou de sua fé o que era contrário à observação.

Não podem existir mistérios absolutos e Jesus está com a razão quando diz que nada há secreto que não venha a ser conhecido. Tudo o que se acha oculto será descoberto um dia e o que o homem ainda não pode compreender lhe será sucessivamente desvendado, em mundos mais adiantados, quando se houver purificado. Aqui na Terra, ele ainda se encontra em pleno nevoeiro.

6. Pergunta-se: que proveito podia o povo tirar dessa multidão de parábolas, cujo sentido se lhe conservava impenetrável? E de notar-se que Jesus somente se exprimiu por parábolas sobre as partes de certo modo abstratas da sua doutrina. Mas, tendo feito da caridade para com o próximo e da humildade condições básicas da salvação, tudo o que disse a esse respeito é inteiramente claro, explícito e sem ambigüidade alguma. Assim devia ser, porque era a regra de conduta, regra que todos tinham de compreender para poderem observá-la. Era o essencial para a multidão ignorante, à qual ele se limitava a dizer: "Eis o que é preciso se faça para ganhar o reino dos céus." Sobre as outras partes, apenas aos discípulos desenvolvia o seu pensamento. Por serem eles mais adiantados, moral e intelectualmente, Jesus pôde iniciá-los no conhecimento de verdades mais abstratas. Daí o haver dito: Aos que já têm, ainda mais se dará. (Cap. XVIII, nº 15.)

Entretanto, mesmo com os apóstolos, conservou-se impreciso acerca de muitos pontos, cuja completa inteligência ficava reservada a ulteriores tempos. Foram esses pontos que deram ensejo a tão diversas interpretações, até que a Ciência, de um lado, e o Espiritismo, de outro, revelassem as novas leis da Natureza, que lhes tornaram perceptível o verdadeiro sentido.

7. O Espiritismo, hoje, projeta luz sobre uma imensidade de pontos obscuros; não a lança, porém, inconsideradamente. Com admirável prudência se conduzem os Espíritos, ao darem suas instruções. Só gradual e sucessivamente consideraram as diversas partes já conhecidas da Doutrina, deixando as outras partes para serem reveladas à medida que se for tornando oportuno fazê-las sair da obscuridade. Se a houvessem apresentado completa desde o primeiro momento, somente a reduzido número de pessoas se teria ela mostrado acessível; houvera mesmo assustado as que não se achassem preparadas para recebê-la, do que resultaria ficar prejudicada a sua propagação. Se, pois, os Espíritos ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque haja na Doutrina mistérios em que só alguns privilegiados possam penetrar, nem porque eles coloquem a lâmpada debaixo do alqueire; é porque cada coisa tem de vir no momento oportuno. Eles dão a cada idéia tempo para amadurecer e propagar-se, antes que apresentem outra, e aos acontecimentos o de preparar a aceitação dessa outra.

Não vades ter com os gentios
8. Jesus enviou seus doze apóstolos, depois de lhes haver dado as instruções seguintes: Não procureis os gentios e não entreis nas cidades dos samaritanos. - Ide, antes, em busca das ovelhas perdidas da casa de Israel; - e, nos lugares onde fordes, pregai, dizendo que o reino dos céus está próximo. (S. MATEUS, cap. X, vv. 5 a 7.)

9. Em muitas circunstâncias, prova Jesus que suas vistas não se circunscrevem ao povo judeu, mas que abrangem a Humanidade toda. Se, portanto, diz a seus apóstolos que não vão ter com os pagãos, não é que desdenhe da conversão deles, o que nada teria de caridoso; é que os judeus, que já acreditavam no Deus uno e esperavam o Messias, estavam preparados, pela lei de Moisés e pelos profetas, a lhes acolherem a palavra. Com os pagãos, onde até mesmo a base faltava, estava tudo por fazer e os apóstolos não se achavam ainda bastante esclarecidos para tão pesada tarefa. Foi por isso que lhes disse: "Ide em busca das ovelhas transviadas de Israel", isto é, ide semear em terreno já arroteado. Sabia que a conversão dos gentios se daria a seu tempo. Mais tarde, com efeito, os apóstolos foram plantar a cruz no centro mesmo do Paganismo.

10. Essas palavras podem também aplicar-se aos adeptos e aos disseminados do Espiritismo. Os incrédulos sistemáticos, os zombadores obstinados, os adversários interessados são para eles o que eram os gentios para os apóstolos. Que, pois, a exemplo destes, procurem, primeiramente, fazer prosélitos entre os de boa vontade, entre os que desejam luz, nos quais um gérmen fecundo se encontra e cujo número é grande, sem perderem tempo com os que não querem ver, nem ouvir e tanto mais resistem, por orgulho, quanto maior for a importância que se pareça ligar à sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claro, do que a um só que se compraza na treva, porque, assim procedendo, em maior proporção se aumentará o número dos sustentadores da causa. Deixar tranqüilos os outros não é dar mostra de indiferença, mas de boa política. Chegar-lhes-á a vez, quando estiverem dominados pela opinião geral e ouvirem a mesma coisa incessantemente repetida ao seu derredor. Aí, julgarão que aceitam voluntariamente, por impulso próprio, a idéia, e não por pressão de outrem. Depois, há idéias que são como as sementes: não podem germinar fora da estação apropriada, nem em terreno que não tenha sido de antemão preparado, pelo que melhor é se espere o tempo propício e se cultivem primeiro as que germinem, para não acontecer que abortem as outras, em virtude de um cultivo demasiado intenso.

Na época de Jesus e em conseqüência das idéias acanhadas e materiais então em curso, tudo se circunscrevia e localizava. A casa de Israel era um pequeno povo; os gentios eram outros pequenos povos circunvizinhos. Hoje, as idéias se universalizam e espiritualizam. A luz nova não constitui privilégio de nenhuma nação; para ela não existem barreiras, tem o seu foco em toda a parte e todos os homens são irmãos. Mas, também, os gentios já não são um povo, são apenas uma opinião com que se topa em toda parte e da qual a verdade triunfa pouco a pouco, como do Paganismo triunfou o Cristianismo. Já não são combatidos com armas de guerra, mas com a força da idéia.

Não são os que gozam saúde que precisam de médico
11. Estando Jesus à mesa em casa desse homem (Mateus), vieram aí ter muitos publicanos e gente de má vida, que se puseram à mesa com Jesus e seus discípulos; - o que fez que os fariseus, notando-o, disseram aos discípulos: Como é que o vosso Mestre come com publicanos e pessoas de má vida? - Tendo-os ouvido, disse-lhes Jesus: Não são os que gozam saúde que precisam de médico. (S. MATEUS, cap. IX, vv. 10 a 12.)

12. Jesus se acercava, principalmente, dos pobres e dos deserdados, porque são os que mais necessitam de consolações; dos cegos dóceis e de boa fé, porque pedem se lhes dê a vista, e não dos orgulhosos que julgam possuir toda a luz e de nada precisar. (Veja-se: "Introdução", artigo: Publicanos, Portageiros.)

Essas palavras, como tantas outras, encontram no Espiritismo a aplicação que lhes cabe. Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade devera ser atributo exclusivo dos de maior merecimento.

Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. Ora, nenhuma há de que o homem, por efeito do seu livre-arbítrio, não possa abusar, e se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. l)cus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa.

Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. Não são estes últimos os doentes que necessitam de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que o pode arrancar ao lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo, do que se os recebesse indiretamente. Deus, em sua bondade, para lhe poupar o trabalho de ir buscá-la longe, nas mãos lhe coloca a luz. Não será ele bem mais culpado, se não a quiser ver? Poderá desculpar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo haja escrito com suas mãos, visto com seus próprios olhos, ouvido com seus próprios ouvidos, e pronunciado com a própria boca a sua condenação? Se não aproveitar, será então punido pela perda ou pela perversão da faculdade que lhe fora outorgada e da qual, nesse caso, se aproveitam os maus Espíritos para o obsidiarem e enganarem, sem prejuízo das aflições reais com que Deus castiga os servidores indignos e os corações que o orgulho e o egoísmo endureceram.

A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. E apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral. O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência. Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade.

Coragem da fé
13. Aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos céus; - e aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus. - (S. MATEUS, cap. X, vv. 32 e 33.)

14. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem também dele se envergonhará, quando vier na sua glória e na de seu Pai e dos santos anjos. (S. LUCAS, capítulo IX, v. 26.)

15. A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente idéias que não são as de toda gente. Aqui, como em tudo, o merecimento é proporcionado às circunstâncias e à importância do resultado. Há sempre fraqueza em recuar alguém diante das conseqüências que lhe acarreta a sua opinião e em renegá-la; mas, há casos em que isso constitui covardia tão grande, quanto fugir no momento do combate.

Jesus profliga essa covardia, do ponto de vista especial da sua doutrina, dizendo que, se alguém se envergonhar de suas palavras, desse também ele se envergonhará; que renegará aquele que o haja renegado; que reconhecerá, perante o Pai que está nos céus, aquele que o confessar diante dos homens. Por outras palavras: aqueles que se houverem arreceado de se confessarem discípulos da verdade não são dignos de se verem admitidos no reino da verdade. Perderão as vantagens da fé que alimentem, porque se trata de uma fé egoísta que eles guardam para si, ocultando-a para que não lhes traga prejuízo neste mundo, ao passo que aqueles que, pondo a verdade acima de seus interesses materiais, a proclamam abertamente, trabalham pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.

16. Assim será com os adeptos do Espiritismo. Pois que a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo. Eles semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual. Colherão lá os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.

Carregar sua cruz. Quem quiser salvar a vida, perdê-la-á
17. Bem ditosos sereis, quando os homens vos odiarem e separarem, quando vos tratarem injuriosamente, quando repelirem como mau o vosso nome, por causa do Filho do Homem. - Rejubilai nesse dia e ficai em transportes de alegria, porque grande recompensa vos está reservada no céu, visto que era assim que os pais deles tratavam os profetas. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 22 e 23.)

18. Chamando para perto de si o povo e os discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; -porquanto, aquele que se quiser salvar a si mesmo, perder-se-á; e aquele que se perder por amor de mim e do Evangelho se salvará. - Com efeito, de que serviria a um homem ganhar o mundo todo e perder-se a si mesmo? (S. MARCOS, cap. VIII, vv. 34 a 36; - S. LUCAS, cap. IX, vv. 23 a 25; - S. MATEUS, cap. X, vv. 38 e 39; - S. JOÃO, cap. XII, vv. 25 e 26.)

19. "Rejubilai-vos, diz Jesus, quando os homens vos odiarem e perseguirem por minha causa, visto que sereis recompensados no céu." Podem traduzir-se assim essas verdades: "Considerai-vos ditosos, quando haja homens que, pela sua má-vontade para convosco, vos dêem ocasião de provar a sinceridade da vossa fé, porquanto o mal que vos façam redundará em proveito vosso. Lamentai-lhes a cegueira, porém, não os maldigais."

Depois, acrescenta: "Tome a sua cruz aquele que me quiser seguir", isto é, suporte corajosamente as tribulações que sua fé lhe acarretar, dado que aquele que quiser salvar a vida e seus bens, renunciando-me a mim, perderá as vantagens do reino dos céus, enquanto os que tudo houverem perdido neste mundo, mesmo a vida, para que a verdade triunfe, receberão, na vida futura, o prêmio da coragem, da perseverança e da abnegação de que deram prova. Mas, aos que sacrificam os bens celestes aos gozos terrestres, Deus dirá: "Já recebestes a vossa recompensa."

ALLAN KARDEC, MÉDIUM DO ESPÍRITO DA VERDADE

EM LEMBRANÇA AOS 141 ANOS DO DESENCARNE DE ALLAN KARDEC


"Médium de Deus" foi como a Jesus chamou, em comunicação dada a Alexandre Bellemare, um dos elevados Espíritos que o assistiram na elaboração da sua esplêndida obra "Espírita e Cristão", pubiicada na mesma época em que o foram as do excelso missionário da Terceira Revelação. Tãçí expressivo e justo achou este aquele cognome aplicado ao Mestre Divino, que, autorizado por Bellemare, também se servju!dele nalguns de seus livros, notadamente em "A Gênese", para designar o Filho do Homem no exercício do seu glorioso messianato.

Pois bem, com igual propriedade pensamos poder aplicar ao seu grande servo dos modernos tempos uma designação semelhante, cognominando-o de "Médium do Espírito de Verdade".

É certo que, dentro do papel que lhe coube no advento da Nova Revelação, ele foi, por excelência, segundo a denominação que se generalizou, o Codificador da Doutrina Espírita, com a tarefa especial de joeirar a imensidade de revelações parciais, de instruções e ensinamentos que do mundo invisível lhe chegavam, através de diversos médiuns, como abundante material destinado à grandiosa edificação que lhe cumpria erguer sobre as mesmas bases do puro Cristianismo - os Evangelhos.

Encarado como trabalho meramente humano, esse joeiramento e essa edificação poderiam parecer, embora com escasso fundamento, de importância secundária, em confronto com vários outros de gênero mais ou menos análogo, já anteriormente realizados.

De executá-lo, porém, como ele o executou, com perfeição tal que nem os mais meticulosos adversários do Espiritismo ainda puderam encontrar aí, à guisa de brecha favorável ao esforço em que se empenham por demoli-lo, uma contradição, um deslize, uma desconexão, uma falha de clareza, de lógica, ou de concatenação absoluta de princípios, só um médium excepcional seria capaz, um médium apto a manejar com inteira segurança e completa eficiência o instrumento da intuição, de modo a receber, em toda a luminosidade, o pensamento, não de um ou alguns Espíritos mais ou menos elevados, porém do conjunto daqueles que formam a coorte do Espírito de Verdade, refletor do pensamento do Cristo, Senhor do mundo terreno, diretor da humanidade que o habita, também, Ele mesmo, Espírito de Verdade.

É o que foi, acima de tudo, aquele a quem os espíritas chamam Mestre. Pela altitude que já o seu Espírito galgara, pela excelsitude das aquisições morais e intelectuais que já o haviam qualificado para fazer parte daquela coorte de proeminentes seres espirituais, pôde ele, como homem, antecipando-se ao tempo, servir-se em larga escala, para a sua obra de verdadeiro missionário, desse instrumento - a intuição profunda, que será no futuro, segundo "A Grande Síntese,,, o das pesquisas que conduzirão a humanidade às culminâncias do progresso, por todas as suas sendas.

Legítimo é, conseguintemente. que, do ponto de vista dessa obra, o qualifiquemos de "Médium do Espírito de Verdade" e nele reconheçamos um "super-homem,,, do tipo dos de que fala aquele mesmo formidável trabalho também de natureza mediúnica - "A Grande Síntese".

Allan Kardec foi, portanto, um modelo, modelo do que virá a ser o homem da Porvindoura civilização do terceiro milênio, quando, integrados na verdadeira concepÇão de Deus e no seu amor, os encarnados viverão dentro de radiosa e sã atmosfera espiritual, em comunhão íntima com os altos planos da espiritualidade, a alargarem cada vez mais, pela intuição inerente a essa comunhão, a implantação do reino de Jesus na Terra.

Quanto à sua obra, já estudada, analisada e aprofundada, quer sob o aspecto científico, quer sob o aspecto filosófico-moral-religioso, se pode resumir em poucas palavras, dizendo-se que consistiu e consiste em reconduzir o homem a Deus pela trilha do Evangelho em espírito e verdade, escopo que ainda "A Grande Síntese", em todos os seus pontos, confirma plenamente ser o da Terceira Revelação, visto que a Lei social do Evangelho é a que presidirá, no seio daquela civilização, a todas as relações entre os homens, a todas as atividades e labores humanos. Essa @recondução, porém, das criaturas ao Criador, não se dará, é claro, por efeito de nenhum ato milagroso, nem se daria assim, mesmo que-o milagre, no sentido de derrogação das leis divinas ou naturais, não fosse inadmissível, por absurdo.

Pelo que ora se passa no mundo inteiro, como, corolário do que de há muito vem sendo preparado mediante a obiiteração do senso moral, do endurecimento dos corações em virtude do ascendente cada vez maior do egoísmo e do orgulho nas almas, facilmente se percebe que aquela recondução tem de ser feita pelo caminho inverso do que elas, as criaturas, tomaram para se afastarem, da Divindade e que foi o dos gozos materiais, da satisfação de todos os apetites grosseiros e de todas as ambições de que aqueles sentimentos enchem as almas. Esse outro caminho não pode, pois, ser senão o da penitência viva, ao qual elas serão levadas pelas grandes provações que aí estão e pelas ainda mais duras e aflitivas que se anunciam, a fim de que nos corações renasça a fé que o materialismo da ciência aniquilou, com a cumplicidade das religiões, por ele também invadidas.

O Espiritismo, portanto, mais não é, afinal, do que uma exortação, qual tão ampla e vibrante ainda não houve, à penitência, para salvação dos que trocaram o tesouro do céu pelos da matéria, em cujo bojo, aliás, só encontram o único bem que lhes pode ela proporcionar: as dores, os sofrimentos, as amarguras e as aflições, como meio exclusivo de redenção dos que pecaram, porque de remissão das culpas e pecados, que exprimem desobediência à Lei soberana do amor a Deus e ao próximo.

Assim, com o ser, de fato, o Consolador prometido, o Espiritismo também é novo Precursor de Jesus e o Mestre foi a voz humana pela qual se fez ele ouvir, advertindo novamente os homens, como o fez outrora João Batista, igualmente super-homem, visto que, "dos nascidos de mulher nenhum maior do que ele", da "cólera" que há de vir e está vindo, em cumprimento e no dizer das profecias.

Saudemo-lo, então, reverentes e agradecidos, bem do imo dos nossos corações, na data em que se verificou o seu aparecimento na Terra, para cumprir a preclara missão que trazia, de amor e caridade. Reverentes, sim, ante a grandeza do seu Espírito e do seu mandato; agradecidos, por ter sido o veículo da misericórdia do Pai, facultando-nos meio de nos tornarmos penitentes, sem necessitarmos de que a consciência nos seja despertada pelas provas acerbas e pelas dores cruciantes, a menos que não compreendamos a verdadeira finalidade do seu labor, ou que, embora compreendendo-a, não cuidemos de aproveitá-lo para a reforma do nosso, eu, a fim de que em nós reviva a fé naquele que é Caminho, Verdade e Vida, conforme lhe tocou de novo proclamar no fim dos tempos da "abominação da desolação", quando se prepara a "purificação do santuário" - os corações, pela cristianização das almas.

Artigo de Guillon Ribeiro, de "Reformador" de 1939, página 326.

terça-feira, 30 de março de 2010

ADVERTÊNCIA PRECIOSA

A fase terminal de nossas tarefas, na noite de 12 de agosto de 1954, trouxe-nos à presença antigo companheiro de lides espíritas em Belo Horizonte, que passaremos a nomear simplesmente por Irmão Lima, já que o respeito fraternal nos impede identificá-lo plenamente. Lima, que era pai de família exemplar, desfrutava excelente posição social e, por muitos anos, exerceu os dons mediúnicos de que era portador em ambientes íntimos. Em 1949, como que minado por invencível esgotamento, suicidou-se sem razões plausíveis, trazendo, com isso, dolorosa surpresa a todos os seus amigos. Na noite a que nos referimos, naturalmente trazido por Amigos Espirituais, utilizou-se das faculdades psicofônicas do médium e ofertou-nos o relato de sua história comovente, que constitui para nós todos uma advertência preciosa.

Venho da escura região dos mortos-vivos, à maneira de muitos vivos-mortos que se agitam na Terra. O Espiritismo foi minha grande oportunidade. Fui médium. Doutrinei. Contribuí para que os irmãos sofredores e transviados recebessem uma luz para o caminho.

Recolhi as instruções dos mestres da sabedoria e tentei acomodar-me com as verdades que são hoje o vosso mais alto patrimônio espiritual.

Fui consolado e consolei.

Doentes, enfraquecidos, desesperados, tristes, fracassados, desanimados, derrotados da sorte, muitas vezes se reuniam junto de nós e junto de mim...

Através da oração, colaborei para que se lhes efetivasse o reerguimento.

Mas, no círculo de minhas atividades, a dúvida era como que um nevoeiro a entontecer-me o espírito e, pouco a pouco, deixei-me enredar nas malhas de velhos inimigos a me acenarem do pretérito que guarda sobre o nosso presente uma atuação demasiado poderosa para que lhe possamos entender, de pronto, a evidência...

E esses adversários sutilmente me impuseram à lembrança o passado que se desenovelou, dentro de mim, fustigando-me os germes de boa-vontade e fé, assim como a ventania forte castiga a erva tenra.

Enquanto a vida foi árdua, sob provações aflitivas, o trabalho era meu refúgio. No entanto, à medida que o tempo funcionava como calmante celeste sobre as minhas feridas, adoçando-me as penas, o repouso conquistado como que se infiltrou em minha vida por venenoso anestésico, através do qual as forças perturbadoras me alcançaram o mundo íntimo.

E, desse modo, a idéia da autodestruição avassalou-me o pensamento. Relutei muito, até que, em dado instante, minha fraqueza transformou-se em derrota.

Dizer o que foi o suicídio para um aprendiz da fé que abraçamos, ou relacionar o tormento de um espírito consciente da própria responsabilidade é tarefa que escapa aos meus recursos.

Sei somente que, desprezando o meu corpo de carne, senti-me sozinho e desventurado.

Perambulei nas sombras de mim mesmo, qual se estivera amarrado a madeiro de fogo, lambido pelas chamas do remorso.

Após muito tempo de agoniada contrição, percebi que o alívio celeste me visitava. Senti-me mais sereno, mais lúcido...

Desde então, porém, estou na condição daquele rico da parábola evangélica, porque muitos dos encarnados e desencarnados que recebiam junto de mim as migalhas que nos sobravam à mesa surgem agora, ante a minha visão, vitoriosos e felizes, enquanto me sinto queimar na labareda invisível do arrependimento, ouvindo a própria consciência a execrar-me, gritando:

-Resigna-te ao sofrimento expiatório! Quando te regalavas no banquete da luz, os lázaros da sombra, hoje triunfantes, apenas conheceram amarguras e lágrimas!...

Imponho-me, assim, o dever de clamar a todos os companheiros quanto aos impositivos do serviço constante.

A ação infatigável no bem é semelhante à luz do Sol, a refletir-se no espelho de nossa mente e a projetar-se de nós sobre a estrada alheia. Contudo, no descanso além do necessário, nossa vida interior passa a retratar as imagens obscuras de nossas existências passadas, de que se aproveitam antigos desafetos, arruinando-nos os propósitos de regeneração.

Comunicando-me convosco, associo-me às vossas preces.

Sou o vosso Irmão Lima, companheiro de jornada, médium que, por vários anos, guardou nas mãos o archote da verdade, sem saber iluminar a si próprio.

Creio que um mendigo ulcerado e faminto à vossa porta não vos inspiraria maior compaixão.

Cortei o fio de minha responsabilidade...

Amigos generosos estendem-me aqui os braços, no entanto, vejo-me na posição do sentenciado que condena a si mesmo, porquanto a minha consciência não consegue perdoar-se.

Sinto-me intimado ao retorno...

A experiência carnal compele-me à volta.

Antes, porém, da provação necessária, visito, quanto possível, os ambientes familiares de nossa fé, buscando mostrar aos irmãos espiritistas que a nossa mesa de fraternidade e oração simboliza o altar do amor universal de Jesus-Cristo.

Temos conosco aquele cenáculo simples, em que o Senhor se reuniu aos companheiros de sublime apostolado...

De todas as religiões, o espiritismo é a mais bela, por facultar-nos a prece pura e livre, em torno desse lenho sagrado, como sacerdotes de nós mesmos, à procura da inspiração divina que jamais é negada aos corações humildes, que aceitam a dor e a luta por elementos básicos da própria redenção.

Estou suplicando ao Senhor me conceda, oportunamente, a graça de reencarnar-me num bordel. Isso por haver desdenhado o lar que era meu templo...

Indispensável que eu sofre, para redimir-me, diante de mim mesmo.

Não mereço agora o sorriso e os braços abertos de nossos benfeitores, perante o libelo de meu próprio juízo.

Cabia-me aproveitar o tesouro da amizade, enquanto o dia era claro e quando o corpo carnal - enxada divina - estava jungido a minha existência como instrumento capaz de operar-me a renovação.

Ah! meus amigos, que as minhas lágrimas a todos sirvam de exemplo!...

Sou o trabalhador que abandonou o campo antes da hora justa... O tormento da deserção dói muito mais que o martírio da derrota.

Devo regressar...Reentrarei pela porta da angústia.

Serei enjeitado, porque enjeitei...

Serei desprezado, por haver desprezado sem consideração...

E,mais tarde, encadear-me-ei, de novo, aos velhos adversários. Sem a forja da tentação, não chegaremos ao reajuste.

Rogo, pois, a Deus para que o trabalho não se afaste de minhas mãos e para que a aflição não me abandone... Que a carência de tudo seja socorro espiritual em meu benefício e, se for necessário, que a lepra me cubra e proteja para que eu possa finalmente vencer.

Não me olvideis nas vibrações de amizade e que Jesus nos abençoe.

Lima
Chico Xavier - Livro Instruções Psicofônicas

segunda-feira, 29 de março de 2010

NÃO DEIXE PARA AMANHÃ


Irmãos: não deixemos para amanhã o que se pode fazer hoje. Quem sabe o tempo de que Deus nos deixará aqui na vida terrena. O tempo corre aceleradamente e não podemos viver novamente os minutos passados. Irmãos, a oportunidade se nos apresenta. Não deixemos escapá-la. Plantemos e cultivemos as boas ações, pois isso é o nosso passaporte para a vida espiritual. Para nossa vida no plano espiritual não precisamos de nada material, porque só nos será cobrado o que de bom plantamos e semeamos. Irmãos ajudemos sempre com ações ou com palavras, porque só assim estaremos seguindo os ensinamentos do Cristo. Com boa vontade não é difícil seguir os passos do Senhor. Estejamos preparados para, a qualquer momento, sermos chamados, tudo fazendo para que não lamentemos a encarnação perdida, pois teremos que esperar muitos e muitos anos para nova oportunidade, e, às vezes, com provas bem mais difíceis do que as que agora nos são cobradas.

Lembrem-se irmãos, que as provas terrenas são escolhidas pelos espíritos, quando ainda na erraticidade.

Que Deus nos ilumine e nos ampare hoje e sempre!

Espírito Comunicante: Dorotéia Menassai

Médium: Celeste Amieiro da Silva

domingo, 28 de março de 2010

ESPÍRITO DA TREVA





Está em toda parte.
Surge inesperadamente e assume faces de  surpresa que produzem estados da alma  afligentes, configurando pungentes conflitos  que conduzem, não raro, a nefandas consequências.
Ás vezes, no lar, os problemas se avultam,  na ordem moral, desconcertando a paisagem doméstica; no trabalho, discussões inesperadas,  por nada, tomam aspectos de gravidade que  conduzem os contendores a ódios virulentos e perniciosos; nas relações, irrompem incompreensões urdidas nas teias da maledicência, fragmentando velhas amizades que antes se firmavam em compromisso de lealdade fraterna inamovível;  na rua e nas conduções gera inquietações que consomem; e lança pessoas infelizes no caminho, provocantes, capazes de atirar por coisas de  pequena monta, nos rebordos de abismos  profundos, aqueles que defrontam...
É o Espírito da treva. Está, sim, em toda parte.
Membro atuante do que constitui as forças do mal, que por enquanto ainda assolam a Terra, na atual conjuntura do Planeta, irrompe inspirando e agindo, nos múltiplos departamentos humanos, objetivando desagregar e infelicitar as criaturas no que se compraz. Espírito estigmatizado pela agonia  íntima que sofre, envenenado pelo ódio em  que se consome ou revoltado pelo tempo perdido,  na vida passada, sintoniza com as imperfeições morais e espirituais do homem, mantendo comércio pernicioso de longo curso.
Está, também, às vezes, encarnado  no circulo das afeições. Aqui, é o esposo rebelde,  a genitora alucinada a nubente corroída por ciúme injustificável, o filho ingrato, o irmão venal,  a filha viciada e ultrajante, a irmã desassisada,  ali, é o vizinho irritante, o colega pusilânime,  o chefe mesquinho, o amigo negligente, o servidor cansativo, o companheiro hipócrita axigindo  atitude de sumo equilíbrio, em convite contínuo  à serenidade e à perseverança nos bons propósitos.
Transmite a impressão de que não há lugar para  o amor nem para o bem, como se a vida planetária fosse uma arbitrária punição e não sublime  concessão do Amor Divino,  a benefício da nossa redenção.

Joana de Ângelis

sábado, 27 de março de 2010

PERDA


São compreensíveis as lamentações e os pesares, o pranto e os suspiros, pois o ser humano passa por processos psicológicos de adaptação e de reajuste às perdas da vida.
“Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar: Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.” (1)
Nascer e morrer fazem parte de um fenômeno comum e necessário. Tudo nasce, tudo se desenvolve, mas tudo se definha. Sempre há um tempo de partir.
A morte na Terra é o término de uma existência física, é a passagem do ser infinito para uma nova forma existencial. Ela é um interlúdio, ou seja, um intervalo entre as diversas transformações da vida, a fim de que a renovação e a aprendizagem se estabeleçam nas almas, ao longo da eternidade.
Morrer não é uma perda fatal, não é um mal, é um essencial processo de harmonização da Natureza. Durante quanto tempo lamentaremos o passamento de um ser amado? Dependerá de como estamos preparados para isso, de que modo ocorreu a morte, de como era a nossa história pessoal com ele. No entanto, a perda de um ente querido é universalmente causa de tristezas e de lágrimas, em qualquer rincão do Planeta, mas a forma como demonstramos esses nossos sentimentos e emoções está intimamente moldada ao nosso grau evolutivo. o conjunto de conhecimentos adquiridos, ou seja, o acervo cultural, espiritual e intelectual que possuímos, é de fundamental importância em nossa maneira de expressar essa perda.
Por isso, devemos entender e respeitar as múltiplas reações emocionais manifestadas no luto, pois acontecem de conformidade com as estruturas psicossociais que caracterizam cada indivíduo, levando sempre em conta suas diferentes nacionalidades, crenças e costumes peculiares.
A dor da perda, contudo, está radicada na incompreensão a seu respeito ou na apreensão que a precede e a acompanha. Eliminando-se esses fatores, os indivíduos verão a morte como um momento de renovação inerente à Natureza. Inquestionavelmente, é um período que antecede o reencontro dos atuais e dos antigos amores.
São compreensíveis as lamentações e os pesares, o pranto e os suspiros, pois o ser humano passa por processos psicológicos de adaptação e de reajuste às perdas da vida. Os pesares e os murmúrios fazem parte da seqüência de fatos interiores, que são provimentos mentais gradativos e difíceis, através dos quais as criaturas passam a aceitar lentamente a ausência — mesmo convictas de sua temporalidade — das pessoas que partiram.
Uma das mais importantes funções da tristeza é a de propiciar um ajustamento íntimo, para que a criatura replaneje ou recomece urna nova etapa vivencial. É importante identificarmos nossa tristeza e sua função de momento; jamais devemos, no entanto, identificar-nos com ela em si.
“Não, não é verdade! Não pode estar acontecendo!”, “Isso deve ser um horrível pesadelo que vai acabar!” são expressões comumente usadas como negação. São reações costumeiras diante de perdas desesperadoras. A recusa em admitir os fatos e as circunstâncias que os determinaram é uma forma de defesa habitual nas situações devastadoras com nossos entes queridos. É necessária a bênção do tempo para que a alma elabore novamente um ajustamento mental e reúna forças para compreender a privação e a real extensão promovida pela dor.
Alguns choram em voz alta; outros, porem, ficam sentados em silêncio. O isolamento transitório pode ser considerado também como urna outra forma psicológica de defesa para suportar esses transes dolorosos. A atenção destes se fixa unicamente no falecimento da pessoa querida, não se permitindo fazer contato com outras pessoas, a fim de que o sentimento de tristeza não aperte ainda mais seu coração, ou para evitar sejam evocadas com maior intensidade as lembranças queridas. Dessa forma, a criatura abranda o impacto da perda, fazendo um retraimento introspectivo.
“O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” (2) Com toda a certeza, essa mensagem do Antigo Testamento incita-nos a uma aceitação incondicional dos desígnios da Assistência Divina.
O Criador da Vida fez com que a Natureza se mantivesse num eterno reciclar de experiências e energias, numa constante mudança de formas e ritmos, em nossa viagem maravilhosa de conhecimentos através da imortalidade.
Quando nossa visão se liga em nossa pura essência, vamos além de todas as coisas diminutas e insignificantes, fazendo com que nosso discernimento se amplie numa imensa lucidez diante de nossa jornada evolutiva.
Não existe perda, não existe morte, assim garantiram os Espíritos Amigos a Kardec: “...O que chamais destruição não passa de uma transformação...”
 
 
(1) Questão 728 – É lei da Natureza a destruição?
“Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.”
 
(2) Jó 1:21
 
As dores da alma - Hammed

sexta-feira, 26 de março de 2010

APELO A VIDA


Quero deixar aqui, o meu apelo a vocês mãezinhas, que carregam em seus ventres a pequenina sementinha que irá se transformar num novo ser.
Por mais que tudo seja contrário a este ser que luta pela sobrevivência, já dando demonstrações de vida no íntimo de vossos corpos, por mais que haja pessoas se opondo á existência desta nova vida, não se intimidem.
Sempre vemos ocorrer, todos dias, jovenzinhas grávidas, que mal sabem o que é viver, que são escandalizadas pela sociedade, são mal apontadas pelas colegas de escola, são maltratadas pelos próprios pais, às vezes namorados inconformados com uma situação nova, maridos que não querem mais uma responsabilidade.
Mãezinhas que vivem ao relento, sem ter o que dar a seus filhos, e temem a fome de mais um, mais um para sofrer, colocado no frio das ruas, na miséria, na violência do mundo e das favelas.
Mãezinhas que foram iludidas por um grande amor e depois desprezadas e abandonadas, sem piedade pelos companheiros ao saberem de sua gravidez.E mesmo aquelas que não querem a gestação, para não destruírem seu ideal de beleza do corpo físico, ou aquelas que não a desejam porque não fora planejado de forma alguma.
Podemos verificar o caso de muitas que são até ameaçadas, violentadas pelos esposos, namorados, e mesmo os próprios pais que, julgam o acontecimento como algo vergonhoso, irrepreensível, lastimável e inesperado.E neste momento, em que é como se o pior estivesse ocorrendo, como se o mundo estivesse desabando, o desespero se agiganta e envolve a mente destas pessoas, que não se sentem fortes o suficiente para reagirem contra os familiares, os namorados e esposos ou contra sua própria fraqueza e ilusões de viver.É quando, muitas recorrem ao caminho do aborto, que julgam a melhor solução para seu problema, julgado tão imenso, sem saída.
. Desde que o mundo é mundo acontecem freqüentemente casos assim, e muitas vezes estas pobres mãezinhas, vítimas de circunstâncias infelizes e ás vezes vítimas de sua própria invigilância e inconseqüência caminham para este lastimável desfecho e o que aparentemente é considerado a melhor saída, será sem sombra de dúvidas o pior de todos os caminhos, que terá conseqüências seriíssimas, com comprometimentos altamente dolorosos no plano espiritual.
Porque, na atualidade, o homem dispõe de recursos que lhe permite um melhor controle familiar, formas de se evitar a gravidez inesperada na adolescência, numa família onde a miséria domina o ambiente, enfim, hoje há formas de se evitar a gravidez, sem que se tenha que recorrer ao aborto. Há casos em que a gravidez ocorre, por descuido, inconseqüência, mas há os que ocorrem mesmo quando a mulher toma suas precauções. Porquê? Como explicar? Falhas nos métodos? Como explicar uma mulher que fora submetido a uma laqueadura e após muitos anos aconteceu uma gravidez inexplicável? O que acontece meus irmãos, é que muitas vezes, a espiritualidade, e mesmo os espíritos com necessidades urgentes de reencarnação forjam uma situação para retornarem a terra, uns para cumprir uma missão junto destes que procuram para reencarnar, e muitas vezes, são espíritos familiares que solicitam à espiritualidade maior uma reencarnação rápida para ajudar, para auxiliar, por muito amarem, por desejarem estar ao lado de seus afetos e outros para resgatarem débitos.
Muitas vezes, ocorre reencarnação prematura, em jovenzinhas, justamente por uma necessidade urgente de aquele espírito reencarnar, que aproveitam a falta de preparo, orientação familiar, pela falta de estrutura doméstica capaz de dar uma base sólida de vida.
Mas em quaisquer casos, a vida é sempre vida, e o aborto é um crime aos olhos de Deus que nunca terá justificativas e que terão os responsáveis, um dia, que responder com lágrimas o engano cometido.Porque aquele espírito que veio para cumprir uma missão, ele será lesado, será lhe tirado o direito de também viver, de ter suas experiências a que pediu, e freqüentemente, com grande necessidade. Então o que poderia ser um caminho para o amor, para a vida, para encontros, a chance de espíritos familiares trazerem mais luz aquele ambiente, incentivo, alegria, ressarcir débitos adquiridos juntos, poderá ser o caminho para conquistar inimigos, desafetos, perseguidores ferrenhos no mundo espiritual, contraindo dívidas altas que poderão ser muito difíceis de serem resgatadas, e podem levar séculos e séculos.
O que parece ser uma solução melhor, porque muitas vezes o aborto fica encoberto para a sociedade ou até para a família, poderá se tornar um caminho árduo que poderá terminar em desilusão, em doenças, arrependimentos, culpas, tragédias para esta pessoa que o praticou.
Mãezinhas, por mais que achem impossível uma gravidez assim, indo contra os princípios da sociedade, que pode considerar vergonhoso, indo contra a vontade de pais, namorados, por mais que fiquem sozinhas, nesta decisão, por maior que seja a miséria em que se encontrem, não desistam de lutar pela vida, que é a maior maravilha permitida por Deus. Lute contra sua própria desilusão, medo, desespero, inconseqüência. Reflita, lute, não teme em dizer que carrega um filho, porque a vida não é vergonha seja como vier, porque vergonhoso é matar, é lesar, é prejudicar.Sempre há amigos, pessoas bondosas, sensatas e caridosas a estender às mãos em auxílio. Que falem os preconceituosos, que não medem esforços em criticar. Afastem a indecisão no futuro.
Mas uma vida que se inicia, mesmo com todas dificuldades encontradas ela é sempre um novo amanhã, que poderá trazer novos horizontes de amor, de esperança, de paz, de luz. A terra é um palco de provações, dores, problemas, saibam enfrentá-los com coragem, porque aquela mãe que a tudo isto enfrenta com amor e coragem, ela é realmente aquela a que podemos chamar de verdadeira mãe, aquela que abandou tudo e todos, aquela que não se importou em como os outros iriam reagir. Mesmo que o mundo caia a seu redor, ela assume o filho que vem e o abraça e o protege com toda força de seu ser. Sejam mães, não entreguem a vida deste serzinho que se inicia aos braços da morte, porque a semente e o embrião são a vida que germina latente.Não duvide que já carrega em você um ser que já vive.
Não tenham temor, vergonha de enfrentar seus familiares, pois muitos abortam, escondendo dos pais este fato, que julgam que seriam mal-vindo, que seria desastroso uma notícia assim. Não omitam, pois o que vocês julgam ser algo de difícil aceitação poderia ser recebido de forma diferente, e quem sabe bem vinda.E mesmo que seja, a gravidez, recebida com dificuldade, entreguem ao tempo, que permitirá uma melhor aceitação. Se puderem se prevenir de uma gestação vinda em momento inoportuno, com o parceiro errado, se previnam, mas se ela já ocorreu, deixem-na acontecer como vier, enfrentem a situação com coragem, destemidos, certos de que maior mérito terá aquele que soube lutar contra todos, contra toda e qualquer situação contrária para deixar vir um filho de Deus que pede a chance de nascer.
E se ele vier em meio à fome, a miséria, a imensas dificuldades, à solidão, ao desespero, não percam as esperanças, avancem e assumam esta responsabilidade com coragem e certos de que Jesus e Maria não desamparam nenhum de seus filhos, por piores que sejam as dores. Levantem ao horizonte infinito os seus olhos, vejam como fazem as aves do céu, que alimentam seus filhotes, num ninho construído numa área deserta ou no inverno frio e aconchegam quantos ali tiverem, trazendo no seu bico pequenino o alimento de cada dia, que alimentará a todos sem saber o dia de amanhã, cobrindo com seus corpinhos, aqueles serzinhos indefesos.
. Haverá sempre alguém para ajudar, para orientar, para apoiar, para oferecer o pão, estender a caridade e a aceitação.Mas quando a dúvida cruel, insistir nesta decisão lembrem-se e orem a Maria de Nazaré, mãe de Jesus, que trazendo ao mundo seu filho, contradizendo todo costume da época, com uma gravidez que já fora programado e protegido pelas altas esferas espirituais, desejou aquela vida já a ela anunciada.Aguardou a chegada de seu filho que viria, mesmo entre privações, entre necessidades maiores, mesmo já sabendo que ele nasceria, encontrando todo caminho de dificuldades e a incompreensão de grande parte da humanidade.
Então, mãezinha, faça como Maria, não importa o que irão pensar, como as pessoas reagirão, como fará para sustentar, amparar e alimentar este ser.Mesmo que seja abandonada pelo companheiro, lembre que os amores podem ser passageiros, as ilusões. A beleza do corpo, mais cedo ou mais tarde, sempre se altera, mas um filho é algo para se ter eternamente no coração de uma mãe. Dê-lhe, primeiro a chance de viver, e as dificuldades que surgirem posteriormente, poderão ser minoradas com a própria vida e o amor, porque somente o amor é capaz de construir situações melhores, no seu mundo interior, no seu caminho a percorrer e em toda a humanidade.
Os espinhos, o desamor, o desrespeito à vida e seu extermínio só trarão complicações no destino daqueles que o plantarem, enquanto que a renúncia, a coragem de lutar pela vida, enfrentando todas adversidades, o amor plantado, assim, no meio deste chão árduo, deste solo arenoso, hão de fazer florir uma estrada, com mais chances de êxito, uma estrada mais fácil de se trilhar, porque as pétalas das rosas, cobrirão como um tapete, o chão a percorrer e perfumarão de esperança todo e qualquer viver.

Que deixem vir à vida!!!!!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

NUNCA DESANIMAR

"E Ele disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou, vai em paz."-Lucas, 8:48.

Nunca é tarde pira mudarmos o rumo de nossa vida e recomeçarmos.
Qualquer que seja a extensão do sofrimento ou das dificuldades, a solução chegará.
Nos dias sombrios que marcam nossa existência, experimentamos emoções de revolta. medo e insegurança, dando-nos a impressão de que o nosso problema não terá fim. É este o momento de movimentarmos a fé.
Mas, o que é fé'' A resposta pode ser encontrada no livro O CONSOLADOR, do sábio benfeitor Emmanuel, na questão 354: "Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar nunca energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer: "eu creio", mas afirmar: "eu sei" com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento.”
Entendemos, então, que fé é a movimentação das forças internas, daquelas possibilidades que todos trazemos direcionando-as para o alvo pretendido. Quando o Cristo nos falou “vós sois deuses" afirmou o nosso potencial para alcançar um estado de felicidade.
A Doutrina Espírita, através da fé raciocinada, oferece-nos condições de compreender a razão dos sofrimentos. Embasados nos porquês e finalidades da vida, fortalecemo-nos. Através do entendimento, retiramos de nós mesmos (pela reflexão, vontade, esforço e confiança em Deus) os meios de transpor as dificuldades.
Razão e sentimento - diz Emmanuel - e isto significa analisar o problema, enfrentar a situação, buscar soluções que a razão aponta, usando o sentimento para amenizar os acontecimentos. A maior quota de resoluções está conosco, no entanto, a presença de um amigo, um confidente sincero e leal sempre nos ajuda a raciocinar melhor, e esta afetividade é fundamental.
A fé, corno podemos observar, é uma conquista alcançada através do exercício, do esforço empreendido ao depararmos corri situações difíceis. "A tua fé te salvou", leciona Jesus. Pensemos nisso, ouçamos o Mestre. A fé é operosa, dinâmica, basta-nos impulsiona-la.
Emmanuel, ao encerrar a questão 354, diz: "Traduzindo a certeza na assistência de Deus, a fé exprime a confiança que sabe enfrentar as lutas e problemas..." Fé é saber que o nosso amanhã será a vitória, que os problemas são desafios e que o nosso crescimento espiritual está em vence-los. Desanimar, nunca!

O Médium – Ano 66 – nº 596 – 07 e 08/97

quarta-feira, 24 de março de 2010

PERDÃO, REMÉDIO PARA A ALMA



Quando nos dirigimos a Deus, pedindo perdão pelos nossos erros, estamos realmente arrependidos? E quando dizemos a alguém que perdoamos a ofensa sofrida, esquecemos realmente o ato danoso?

Na busca dessas respostas, pensemos sobre isso procurando perceber, em nossos corações e em nossas mentes, como essas atitudes se refletem dentro de nós. E para iniciar essa caminhada, é importante lembrar que todos nós cometemos equívocos e que, por esta razão, estamos sujeitos a críticas. O problema é que na maioria das vezes somos bastante tolerantes com nossos enganos, enquanto nos tornamos juizes severos dos enganos alheios.

Por quais razões essa atitude se manifesta em nós? Porque imaginamos - o egoísmo está no centro desse nosso comportamento - que temos motivos que justificam as nossas grosserias, as nossas injustiças, os nossos desmandos. Os outros não os têm para assim agirem, sobretudo se nós formos os alvos desse comportamento desequilibrado.

O Espiritismo propõe-nos, duas questões que poderiam nortear nossa conduta diante dessa situação:

1 - como julgar os atos de criaturas que vivem experiências tão diferentes das nossas?

2 - como poderemos saber o que se passa no coração daquele que nos ofende ou agride?

Certamente não podemos, pois quando também agimos assim os outros ignoram o que acontece conosco naquele momento. Para essa mudança, para essa nova forma de ver o outro. Emmanuel nos faz um convite: "Renova o teu modo de sentir, pelos padrões do Evangelho, e enxergarás o Propósito Divino da Vida, atuando em todos os lugares, com justiça e misericórdia, sabedoria e entendimento".

Mas, por onde começar a corrigir? Como fazer? Deparamos aí com um grande problema íntimo: sabemos o que corrigir, mas não conhecemos o caminho para essa mudança.

Jesus é o modelo a ser procurado! Eis a resposta certa à nossa indagação. O Mestre referiu-se, inúmeras vezes, ao perdão como instrumento valioso e indispensável à nossa evolução. O "perdoai para serdes perdoados", que nos deixou em Seus ensinamentos, significa perdoar indefinidamente, tantas vezes quantas forem necessárias. Gostaríamos, evidentemente, de ser perdoados todas as vezes que nos desviamos da trilha, mas como esperar o perdão que pedimos a Deus se ainda não somos capazes de perdoar o próximo?

Parece-nos que, em primeiro lugar, precisamos aprender a nos perdoar, pois se fizemos ou se ainda fazemos algo errado é porque não sabíamos - como ainda não sabemos - de que forma fazer o certo; e, em segundo lugar, buscar a resposta em Jesus porque, mais do que falar sobre o perdão, Ele o exemplificou em Sua caminhada de luz, exercitando a bondade, a mansuetude, de modo integral, completo, sem distinção de quem quer que fosse.

E a prova disso está no pedido que fez ao Pai para que perdoasse aqueles que O crucificavam. Médico de almas, o Cristo propôs o perdão como remédio para todos os nossos males. E é interessante notar a preocupação da Medicina moderna em tentar compreender por que essa atitude, praticada por muitos doentes do corpo, ajuda a curar ou a minimizar as dores. Os médicos, hoje, querem descobrir como e por que isso acontece. Jesus já sabia e veio nos ensinar. Só nos resta, portanto, aprender!

Vamos, então, juntos com Jesus, usar a bondade para com todos. Aprendamos a perdoar conforme Ele nos ensinou: sem rancor, sem ressentimento, sem estabelecer condições, ajudando inclusive o ofensor, nem que seja com as nossas preces, mesmo que ele não saiba ... Busquemos algum bem nessas criaturas, como nós gostaríamos que o encontrassem em nós, apesar do momento de desequilíbrio no qual estejamos envolvidos.

Quantas vezes notamos plantas aparentemente secas que voltam a ficar verdes com o milagre do Sol e da chuva! Já imaginaram o que aconteceria a um coração sedento de compreensão e amor?

Já temos o modelo, os instrumentos e o caminho para realizar a transformação em nós. Estamos aguardando o quê?

Paulo da S.N.Sobrinho - Jornal Espírita

terça-feira, 23 de março de 2010

ANOREXIA: O SANTO PRAZER DA INAPETÊNCIA

Nos anos que vão de 1200 a1500, na Europa Medieval, muitas mulheres faziam prolongados jejuns e por conservarem-se vivas apesar do seu estado de inanição, eram tidas como santas ou milagrosas. O termo "anorexia santa" foi cunhada por Rudolph Bell que, valendo-se de uma moderna teoria psicológica que explicava o jejum, classificou-o como sintoma de anorexia.

Para chegar a uma posição espiritual mais elevada, conservarem-se distantes dos prazeeres sexuais e comprometerem-se com Deus, a Idade Média forçou as mulheres a praticarem o jejum. O registro da manifestação da anorexia, no entanto, não teve início nessa época, mas foi, sem dúvida, um instante de capital importância no estudo dos possíveis paralelos entre as diversas culturas históricas.

Ha alguns séculos, a anorexia, como um comportamento humano padronizado e não muito raro, foi descrito de forma dramática na história da medicina. Somente em 1884, através de Lasegue e Gull teve sua patologia formulada de modo compreensível. Há menos de trezentos anos, em 1694, Richard Morton apresentou o sintoma como uma forma de consumpção nervosa causada por ansiedade e tristeza. Também a anorexia mostrava-se como uma parte de um complexo sintomatológico maior e não era só ligado às mulheres.

Morton relata o caso de uma jovem de 18 anos, que sofrendo de resfriamento do corpo, completa supressão da menstruação e dada a desmaios frequentes, lembrava um "esqueleto com pele', cuja magreza nada tinha a ver com tosse, febre ou problemas respiratórios.

A doença, na ausência de estudos e pesquisas complementares, atravessou um largo período sem apresentar descobertas relevantes. Por volta de 1890, a questão mostrou-se bem próxima ao quadro atual, embora Laségue e Gull nada afirmassem quanto ao desejo manifesto de emagrecer como uma exigência de um padrão estético. Nos dias de hoje, dá-se destaque muito maior à manifestação desse desejo.

Raimbault e Eliacheff, duas psicanalistas francesas, afirmaram que não é somente das anoréxicas mas de uma grande maioria das mulheres que admiram-nas por levarem tão a sério a vontade de emagrecer.

A paciente anoréxica diferencia-se da mulher atual pelo exagerado controle das necessidade alimentares e a flagelação imposta a si mesma decorrente da recusa em ingerir comida. Reconhece-se, obviamente, a questão cultural da influência de um padrão estético valorizado socialmente, porisso está longe de explicar a anorexia nervosa. Raimbaut e Eliacheff declaram: "As anoréxicas utilizam os valores que elas mesmas dispõem em determinados momentos da história e, esses valores são os valores dominantes da sociedade em que vivem. "Dentro de uma perspectiva social diferentes objetivos e raciocínios para o controle: O Catolicismo dos séculos XII ao XVII e a era pós-industrial. Flandrin e Montanari concluem que, até o final do século XIX, as mulheres, mesmo trabalhando arduamente, consumiam menos alimentos que os homens. Esta situação parece perdurar até o século XX.

Ao fazer-se o histórico das formulações referentes à anorexia, é necessário percorrer a parte da história, que vai da Idade Média até os dias atuais, paralelamente à história da Psiquiatria. Esta última acompanha a manifestação anoréxica, separando-a de seitas religiosas, elaborando amplos estudos dos sintomas através da fisiologia das pacientes, determinando o funcionamento psiquico e retornando, de novo, ao organicismo.

Nos anos que vão de 1200 a 1500, na Europa Medieval, muitas mulheres faziam prolongados jejuns e por conservarem-se vivas apesar do seu estado de inanição, eram tidas como santas ou milagrosas. O termo "anorexia santa" foi cunhada por Rudolph Bell que, valendo-se de uma moderna teoria psicológica que explicava o jejum, classificou-o como sintoma de anorexia. Muitas mulheres consideradas santas como Catarina de Siena e Margareth de Cortuna tinham padrões de comportamennto anoréxico que se assemelhavam a anorexia nervosa.

Bell afirma que existe um que atravessou os tempos e as mudanças sociais. Para ele, a anorexia santa e a nervosa faziam parte da imensa procura pela liberação da mulher nas sociedades predominantemente masculinas.

Uma pesquisadora da época medieval, Caroline Bynum, diz que Bell cometeu um erro ao considerar apenas um aspecto da vida das "santas'. O meio de expressar ideais religiosos funcionava através da prática alimentar. No jejum medieval, simbolizava os valores do povo, de elevação espiritual. A anoréxica moderna retrata o individualismo de nossa época, expressando-se num padrão estético socialmente aceito. Se um é ligado a devoção e crença religiosa, o outro é ligado a uma procura de perfeição de ideais físicos e não traz nenhum anseio espiritual. Nesse sentido, a ênfase de Caroline Byrum é maior do que a necessária à influência cultural. A psiquiatra busca, nas mais variadas manifestações do sintoma, as razões destas mulheres procurarem ideais, independente da época em que viviam e que exigiam um rígido controle de algo inerente a manutenção da vida e que faz do corpo um campo de indizíveis tormentos.

As "doenças da alma" são interesses que o Renascimento traz à tona. Espíritos conturbados, embora atrelados a uma visão religiosa, começam a ganhar conotações científicas. Forças de naturezas inexplicáveis que agem no organismo humano são vistas como emanações do demônio, afirma Etienne Trillat em História da Histeria (Editora Escuta, 1991). Os jejuns prolongados tornam as mulheres vítimas de possessões diabólicas. A renúncia ao ato de comer, que na Idade Média era forma de devoção, transforma-se em manifestação herética ou insana. A incipiente medicina renascentista, ainda assim interessou-se pela sobrevivência das mulheres dentro de um quadro de completa inaníção, buscando uma explicação científica. Mas, muítas vezes, constatou-se fraudes e grosseiros simulacros.

Nos princípios do século XIX, Ann Moore teve seus dias de glória através da sua inapetência. Ela tinha sido abandonada pelo marido e, trabalhando como doméstica, foi seduzida pelo patrão, tendo dois filhos desta união. Apesar da sua conduta moral ser condenável, à época, Ann conquistou a simpatia da população quando foi cuidar de um homem com chagas na pele. Sua falta de apetite teve início, então, no momento em que ao comer algo, sentiu o repugnante odor exalado pelo dooente. Sua repulsa à comida tornou-se crônico. Mas sua simpatia e comportamento irrepreensivel cresceram aos olhos de todos.

Recebeu os ensinamentos bíblicos e articulando-os às suas idéias espirituais, passou a ter uma imagem de uma beata. Pessoas de todos os lugares vinham conhecê-la. Visitas a seu leito foram comercializadas. Ann Moore despertou tanta comoção nessa época que alguns incrédulos resolveram investigá-la. Descobriram que hidratava-se com um lenço umedecido com água e vinagre e recebia pedaços de alimento através dos beijos de sua filha. A fraude foi revelada, representando o fim da anorexia santa, que durou seis longos anos de abstinência. Mas o mistério da sobrevivência de Ann permanece: como conseguiu viver com tão pouca quantidade de alimentos?

Laségue e Gull, em 1884, descrevem o ocorrido, mas são as teses do primeiro que contém uma atualidade incontestável em sua proposta terapêutica.

A nosografla psiquiátrica denomina neurose para designar uma série de afecções do sistema nervoso com sede orgânica definida (como neurose digestiva, neurose cardíaca, etc.), afecções funcionais sem inflamação ou lesão da estrutura, que são os casos de histeria e hipocondria ou doenças do sistema nervoso. O conceito de neurose do século XIX está muito próxima às noções atuais de psicossomática, dizem Laplanche e Pontalis em seu vocabulário de Psicanálise. (Martins Fontes, 1985).

Laségue é um dos precursores da Psiquiatria. Conseguiu êxito profissional sendo representante de Estado e da psiquiatria e expert em medicina legal, que defendia o fim das responsabilidades civis aos portadores de desequilíbrios mentais. É nesssa época que a ascensão do método de asilamento nos manicômios encontra total apoio das entidades governamentais. O psiquiatra não oferecia a cura, mas tão somente um certificado de Estado para o asilo do enfermo. O médico do manicômio tinha regras definidas: Autoridade, Ordem e Castigo.

O reconhecimento profissional é pouco para Laségue e seu interesse volta-se para a medicina somática, onde obtém novo sucesso. Em 1869, é nomeado catedrático da Clínica Médica em Pitié, posto que ocupará até 1883, ano de sua morte. Durante essa época, faz imensas pesquisas da sintomatologia, a que denominou como anorexia histérica, sob ressalvas. Considerava o termo inanição histérica por determinar melhor a doença, mais delicada como também mais médica", em seu dizer. Nos estudos mais recentes, conclui-se que a anoréxica não sofre da falta de apetite, mas busca um controle da fome.

Laségue propõe uma forma de tratamento que leva em conta a relação da paciente, seu sintoma e a família. Para isso, abandona o poder e a autoridade médica para ir conquistando aos poucos a confiança de suas pacientes. A crença era de que essa não era uma enfermidade fatal e a cura poderia vir com o passsar do tempo. Ele considerava a anorexia uma das formas de apresentação da histeria. Diferenciava os níveis de intensidade na sintomatologia, que iriam de uma repulsa por determinada comida até a abstenção total de comer.

Etienne Trillat escreve, em 1991, que "o problema da histeria, na época, era de distingui-la da epilepsia, da neurastenia (neurose de manifestação somática) e da simulação (a histeria representa sem saber, porque acredita na realidade das situações)."

É preciso considerar que, àquele tempo, a Psiquiatria não dispunha das ferramentas teóricas desenvolvidas por Freud, como a noção de inconsciente, fantasia, recalcamento, conflito defensivo, etc. Laségue vê nas anoréxicas uma obstinação em alcançar um propósito, em comparação as suas pacientes acometidas de doenças gástricas.

A anoréxica, por sua vez, vai mais além: "elabora uma hipótese teórica desenvolvida com uma lógica irrefutável, até suas conseqüências mais extremas", observa ele.

A anoréxica moderna retrata o individualismo de nossa época, expressando-se  num padrão estético socialmente aceito. Se um é ligado a devoção e crença religiosa, o outro é ligado a uma procura de perfeição de ideais físicos e não traz nenhum anseio espiritual.

Observa uma perversão do sistema nervoso central, que, no sentido moral, está associada a uma escolha consciente entre passar por enferma ou por caprichosa. A histérica opta pela primeira alternativa e parece gozar de um contentamennto patológico. A anoréxica, por sua vez, vai mais além: "elabora uma hipótese teórica desenvolvida com uma lógica irrefutável, até suas connseqüências mais extremas", observa ele "Este pode ser o ponto de partida de um delírio. Não se espantem ao ver-me, ao contrário de nossos hábitos, estabelecer um paralelo constante entre o estado mórbido da histeria e as preocupações de seus próximos. Ambos os termos são solidários e obter-se-ia uma noção errônea da doença ao limitarmos o exame à doente O meio em que vive a paciente exerce uma inftuência que seria igualmente lamentável ignorar ou desconhecer", escreve.

Entre 1914 a 1937, a anorexia foi tratada como uma enfermidade endócrina. Um número razoável de psicanalistas pesquisam os mecanismos intrínsecos da enfermidade e a pesquisa orgânica sai vitoriosa.

A investigação toma novos rumos, em 1965. As perturbações corporais ganham destaque. É na imagem física que está o conflito e não mais nas funções alimentares. Através do sintoma, a anorexia mostra sua incapacidade de assumir transformações próprias da adolescência. Hilde Bruch ganha a admiração dos analistas. Sua finalidade terapêutiica é a aquisição, por parte dos pacientes, de "suas próprias capacidades, seus recursos, suas atitudes interiores para pensar, julgar e sentir." Ela propõe uma terapêutica condutivista, levando em conta o processo do sujeito.

Nos princípios dos anos 80, a convergência dos vários campos de estudos para englobar os inúmeros fatores predisponentes (de ordem individual ou familiar), de elementos desencadeantes e de fatores perpetuantes.

Atualmente, o desenvolvimennto de uma linha de pesquisa para medir a eficiência dos modelos psicoterápicos é o grande desafio que a ciência enfrenta. Trabalhanndo com parâmetros objetivos na análise dos dados como melhora dos sintomas, ganho de peso, etc., médicos e psiquiatras têm obtido algum sucesso. Mas a eficácia a longo prazo ainda é duvidosa.

A enfermidade está relacionada a problemas sociais, morais e científicos de cada época em que se manifesta. Conseqüentemente, as mulheres acometidas deste mal parecem-se com heroínas, santas ou pacientes, em seu devido tempo. Elas montam um cenário trágico, pondo em evidência as suas próprias vidas.

Fonte: Soraia Bento Gorgati ("Corpos Desencarnados - Um histórico da anorexia") - Revista Intrigante

segunda-feira, 22 de março de 2010

O ESCRAVO

Gostaria de deixar uma mensagem aos homens do mundo, onde vivi, outrora, sob difíceis condições. Carreguei um pesado fardo, o qual hoje bendigo, que limitou a minha ânsia de poder e de prazeres fugazes.

Fui escravo nos trópicos, mais precisamente em terras brasileiras. Sob a veste física negra, segui vivo por longos 70 anos, quando, chegar até esta idade, era algo raro.

Trabalhei em canaviais, cujas moendas eram movidas pela força do gado. O caldo da cana era transformado no açúcar, que era o ouro da então província portuguesa. Permaneci por longo tempo lavrando a terra fértil, a regá-la com o meu suor.

Dura disciplina marcou a minha vida, que resumia-se a despertar do sono para trabalhar, alimentar-me mal e dormir poucas horas, para, em seguida, tornar ao trabalho. A senzala apresentava péssimas condições de higiene e suas acomodações para o repouso eram desprezíveis. Por tudo isso, o ódio era sentimento comum, que mantinha-se contido pelas próprias limitações a que estávamos submetidos. Qualquer palavra ou movimento que denunciasse a insatisfação que ia no nosso íntimo, resultava em castigo imediato, quase sempre através da chibata e do pelourinho.

Desta forma, minha mocidade se esvaiu e, junto com ela, as boas lembranças da terra natal, na mãe África, donde fui levado quando criança ainda. Parentes meus, como pai e mãe, há muito perdera, pois a expectativa de vida naquela época era de 30 a 40 anos no máximo, normalmente. Eu, já estando nesta faixa etária, não esperava mais nada da vida. Acolhia a idéia da morte com certa alegria, porque, intuitivamente, percebia que ela consistia numa espécie de libertação. Além disso, o meu povo de origem acreditava que os espíritos dos ancestrais falecidos, ainda vivessem numa outra forma, a espreitar seus descendentes sobre a terra. Portanto, eu concluía que estava prestes a me juntar à legião de espíritos que me antecederam na morte física.

Contudo, a minha vida material prolongou-se além do esperado. Até mesmo o senhor do engenho que me viu chegar àquelas plagas, já havia deixado o mundo. Assim, não fui mais aproveitado nos trabalhos sob o sol, permanecendo na senzala, prestando serviços menores aos escravos mais jovens, ou, ainda, realizando pequenas benfeitorias na casa-grande.

Eu era tido como um negro bondoso, mas, na verdade, era apenas um ser resignado.

Fazia as coisas com serenidade porque tinha a esperança de ser feliz no mundo dos espíritos, o que era corroborado por uma sensibilidade especial que desenvolvera na maturidade. Esta sensibilidade me permitia vislumbrar o outro lado da vida, enxergando antigos companheiros de lida, já falecidos, a sorrir-me ou simplesmente a fitar-me.

Quando a morte veio recolher-me ao seu regaço, fui em paz, mas surpreendi-me com tanta festa que fizeram a minha humilde pessoa, no plano espiritual. Fiquei sabendo que em outra época eu havia sido escravagista, quando apresentava-me num corpo de pele branca e traços faciais aquilinos. Pude rememorar que havia sido frio como um abutre e esperto como uma serpente. Barganhava seres humanos como se fossem simples peças de comércio. Nada valiam além do que algumas moedas de cobre, prata ou ouro. Separei famílias e destruí vidas para usufruir de um bem estar que foi passageiro e ilusório, pois minha vida acabou sendo

ceifada por um infeliz escravo, que tentava fugir de minha propriedade.

Naquela oportunidade, revoltei-me pelo desencarne, para mim prematuro. Por isso, não absorvi praticamente nada da lição que me era dada pelas forças superiores. Assim, necessitei voltar como escravo, sob condições muito difíceis, para compreender o que é ter a sua vida dirigida por vontade alheia. Sofri, mas agora estava recebendo a dor de forma diferente. A revolta perdeu a força em meu coração e a longa estadia na Terra permitiu-me refletir e solidarizar-me com meus irmãos de jornada e de infortúnio.

Por isso, hoje, agradeço ao Pai a grande oportunidade que tive de evoluir espiritualmente, ao ter minha liberdade tolhida. Ainda envergo no espaço astral a roupagem negra, que muito respeito e estimo como símbolo da minha libertação espiritual. Espero, em Cristo, que meu relato seja útil aos irmãos do plano físico e despeço-me deixando os melhores votos de boa sorte.

Rubem

03/05/1995

Mensagem do livro: Depoimentos do Além

domingo, 21 de março de 2010

A PROPOSTA DE CRISTO




Seria impossível para nós, mensurarmos a grandeza dos ensinamentos do Mestre Jesus, mas podemos afirmar, que a proposta destes, e nortear o comportamento individual de cada um de nós, proporcionando-nos ensinamentos, que provocam profundas reflexões ensejando orientações, que despertam para o desenvolvimento espiritual.

Para lograr objetivos, a mensagem do Evangelho fundamenta-se, em dois grandes aspectos: A autoridade moral e a autoridade espiritual. A primeira, refere-se, a exemplificação dos ensinamentos através dos atos, a segunda interagente a primeira, além de denotar a grandeza moral do Cristo que transcende aos atos e palavras, faculta a modificação do ser, pelo envolvimento fluídico que provoca a sua superioridade espiritual, promanada não das qualidades de seu corpo, mas do seu Espírito. A exemplo disso nos narra Lucas cap. 19 v. 1 a 10, a passagem de Jesus por Jericó.

"E tendo Jesus entrado em Jericó, ele atravessava a cidade .

Havia um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sincômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: "Zaqueu desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa". Ele desceu imediatamente e recebeu com alegria. A vista do acontecido todos murmuravam, dizendo: "Foi hospedar-se na casa de um pecador!" Zaqueu, de pé disse ao Senhor: "Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo". Jesus lhe disse: Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido ".

O diálogo que aparentemente manifesta-se como que de caráter simplista, revela grandes ensinamentos que para muitos passam despercebidos, mas que, destaca claramente o ensinamento moral e o ensinamento espiritual. O fato de Zaqueu procurar uma melhor forma de ver Jesus, revela uma predisposição a mudança dos atos, pois a simples presença do Rabi Galileu provocava profundas reflexões. Outro ponto indiscutível, é que a mudança de Zaqueu já fazia parte dos objetivos do Mestre, tanto que ao entrar em Jericó, o percebe facilmente em cima de uma árvore ansioso por um olhar, ao que Jesus corresponde, demonstrando profundos conhecimentos de psicologia transpessoal, levantando o olhar, se dirige a ele dizendo:

"Zaqueu desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa", neste momento o vocábulo casa adquire outra conotação, visto que, ele vem antecedido de uma afirmativa verbal, "pois hoje devo ficar em tua casa", na frase, o verbo devo, é aplicado no sentido de certeza e não de hipótese. Entendemos com isso, que o Mestre, se refere a casa mental de Zaqueu, pois a hospedagem que desejava Jesus, não era apenas no lar físico de Zaqueu, mas principalmente no seu coração, a fim de que este se modificasse. Convém ressaltar, a imensa facilidade, com que Jesus manipula os fluidos, pois, subentende-se, que ele altera a psicosfera pessoal de Zaqueu, permitindo, que este, compreenda a mensagem de natureza espiritual na sua perfeita essência, e ele a entende como se Jesus a propusesse: "Desse depressa pois hoje devo ficar em teu coração para sempre".

O envolvimento fluídico na questão é tão patente, que bastou alguns momentos em contato com o Mestre para que se processasse profundas modificações morais em Zaqueu, não apenas pelo compromisso público de restituir quadruplamente (segundo a lei de Moisés), aqueles a quem prejudicou anteriormente, mas por despertar nele, o sentimento de caridade e desprendimento, levando-o a doar aos pobres, metade dos bens que lhe pertenciam.

A autoridade espiritual de Jesus se faz presente, ao afirmar: "A salvação entrou nesta casa, porque ele também é filho de Abraão. Com efeito, o filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Não obstante demonstrar claramente o conhecimento da ficha espiritual de cada Espírito encarnado na Terra, visto que, conhecia as mazelas que marcavam o caminho espiritual de Zaqueu, percebia nos seus pensamentos a vontade de mudar. Se não fosse verdade estaria Jesus interferindo no livre arbítrio daquele, modificando-o intimamente contra sua vontade.

A receptividade de Zaqueu as sugestões fluídicas do Mestre, modifica instantaneamente seu comportamento para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo, salvando aquela encarnação e por conseguinte reformando-se pela conversão, através de atos e não de promessas.

É oportuno recordarmos que a passagem de Zaqueu é de grande alcance e importância na condução de nossas atitudes, subir no sincômoro representa a predisposição para a mudança, que funciona como agente facilitador da reforma íntima, reforma esta, que constitui-se no preparo da morada de nossos corações, onde o Cristo com certeza pedirá pousada.

Publicado na revista Reformador em fev/97

sábado, 20 de março de 2010

ESTUDOS DEMOGRÁFICOS DE REENCARNAÇÃO

A Reencarnação, do ponto de vista demográfico, é um assunto pouco mencionado pelas comunicações espirituais confiáveis. No livro Roteiro, publicado em 1952, Emmanuel cita que a população espiritual mundial de desencarnados conscientes era de mais de 20 bilhões de espíritos. Nesta época, a população mundial de encarnados estava em torno de 3 bilhões.

Assim como ocorre em um país de encarnados, a população do planeta (encarnados e desencarnados) é dinâmica, pode aumentar, diminuir ou estabilizar-se, e depende de seus índices de natalidade, mortalidade, emigração e imigração. Como somos eternos, não temos propriamente mortalidade; mas, temos geralmente o restante, embora natalidade seja mais comum em mundos mais primitivos.

Compartilhamos o universo com uma pluralidade de mundos menos e mais evoluídos (geralmente mais), temos, portanto, um fluxo permanente de emigração e imigração ordinárias com estes mundos, e, eventualmente, extraordinárias em massa. Quanto à emigração ordinária de espíritos, ocorre usualmente em três situações: aqueles que evoluíram o suficiente para merecer mundos melhores; aqueles que persistiram tanto no erro que ficaram muito para trás em relação ao nível médio do planeta e, por conseguinte, são transferidos para mundos inferiores; e por último, em muito menor escala, os que vão ser missionários em mundos ainda inferiores por opção. Este último ocorre com maior freqüência nos orbes mais evoluídos do que nos de expiação e provas, como a nossa ínfima Terra. A imigração se faz de forma análoga: recebemos os emigrados de mundos melhores por missão e/ou por retardo evolutivo, ou ainda os promovidos de mundos inferiores.

A proporção entre encarnados e desencarnados não é fixa, varia conforme permitirmos um maior reencarne de nossos irmãos do plano espiritual. A população desencarnada deve variar mais de acordo com a natalidade e mortalidade da encarnada do que propriamente com a emigração e imigração para outros orbes. Os espíritos revelam que em planetas mais evoluídos passa-se pouco tempo na vida desencarnada, pois a população, consciente da necessidade de progresso, quer encarnar e evoluir o mais rápido possível, e lá a vida de encarnado não é tão sofrida como aqui. Provavelmente, à medida que a população encarnada da Terra cresce, reencarna-se mais rapidamente após a passagem para o plano espiritual.

Atualmente somos aproximadamente 6 bilhões de encarnados (em primeiro de julho de 1998: 5.925.158.495). Aliás, verifiquem os sites http://www.census.gov/cgi-bin/ipc/popclockw e http://sunsite.unc.edu/lunarbin/worldpop que mostram a população mundial atualizada diariamente.

Éramos cerca de 1,5 bilhão na época da codificação e estima-se que atingiremos pelo menos 11 bilhões no ano de 2100, sendo a maior parte na África e Ásia. A população da Europa está diminuindo e a das Américas e Oceania tendem a se estabilizar em poucas décadas. Isso se não houver um desencarne em massa devido a catástrofes de alcance mundial.

Hoje, apesar da alardeada preocupação com a explosão demográfica (teoria de Malthus), precisamos nos organizar para recebermos com mais amor e justiça os reencarnantes de amanhã (que seremos provavelmente nós e outros). Há motivo sim para medidas urgentes, principalmente de maior honestidade e justiça social. Sabemos que nunca tivemos tanta capacidade de proporcionar bem estar, casa, educação e alimento à todos, embora nunca tivéssemos tantos desabrigados, famintos e principalmente carentes de educação. Esta contradição é própria do nível moral inferior de nossa sociedade. E é nesse aspecto que a Doutrina Espírita é revolucionária, pois promove um senso maior de fraternidade, unidade e caridade.

Fonte: Boletim GEAE Nº 297 – junho/1998