terça-feira, 16 de março de 2010

DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA - O DEVER DA PROPAGAÇÃO

"Na companhia sublime
Do amigo Excelso e Imortal,
Nós somos semeadores
Da terra espiritual." - Casimiro Cunha/Chico Xavier

 
"O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus". - Emmanuel/Chico Xavier.



"Há companheiros que se dizem contrários à divulgação espírita.
Julgam vaidade o propósito de se lhe exaltar os méritos e agradecer os benefícios nas iniciativas de caráter público.
Para eles, o Espiritismo fala por si e caminhará por si.
Estão certos nessa convicção mas isso não nos invalida o dever de colaborar na extensão do conhecimento espírita com o devotamento que a boa semente merece do lavrador.
O ensino exige recintos para o magistério.
O Espiritismo deve ser apresentado por seus profitentes em sessões públicas.
A cultura reclama publicações.
O Espiritismo tem a sua alavanca de expansão no livro que lhe expõe os postulados.
A arte pede representações.
O Espiritismo não dispensa as obras que lhe exponham a grandeza.
A indústria requisita produção que lhe demonstre o valor.
O Espiritismo possui a sua maior força nas realizações e no exemplo dos seus seguidores, em cujo rendimento para o bem comum se lhe define a excelência.
Não podemos relaxar a educação espírita, desprezando os instrumentos da divulgação de que dispomos a fim de estendê-la e honorificá-la.
Allan Kardec começou o trabalho doutrinário publicando as obras da codificação e instituindo uma sociedade promotora de reuniões de palestras públicas, uma revista e uma livraria para a difusão inicial da Revelação Nova.
Mas não é só.
Que Jesus estimou a publicidade, não para si mesmo, mas para o Evangelho, é afirmação que não sofre dúvida.
Para isso, encetou a sua obra aliciando doze agentes respeitáveis para lhe veicularem os ensinamentos e ele próprio fundou o cristianismo através de assembleias públicas.
O "ide e pregai" nasceu-lhe da palavra que é pura luz.
E compreendendo que a Boa Nova estava ameaçada pela influência judaizante em vista da comunidade apostólica confinar-se de modo extremo aos preceitos do Velho Testamento, após regressar à Esferas Superiores, comunicou-se numa estrada vulgar, chamando Paulo de Tarso para publicar-lhe os princípios junto à gentilidade a que Jerusalém jamais se abria.
Visto isso, não sabemos como estar no Espiritismo sem falar nele ou, em outras palavras, se quisermos preservar o Espiritismo e renovar-lhe as energias, a benefício do mundo, é necessário compreender-lhe as finalidades de escola e, toda escola para cumprir seu papel precisa divulgar."
(André Luiz, Opinião Espírita, cap. 37, Editora CEC
Entre tantos chamamentos ao trabalho de divulgação espírita, há uma mensagem inserida por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo com o título A felicidade não é deste mundo (capítulo V, item 20), que chama a atenção pela força de expressão em determinado trecho. Solicito ao leitor ler e reler com muita atenção o trecho referido, que transcrevemos: "Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos!".
Que belo trecho! Que convite mais direto! Que sagrada luz realmente a Doutrina dos Espíritos! Quantas vezes já não repassamos os olhos por aquela mensagem e não havíamos notado nas "entrelinhas" esta bela expressão assinada pelo espírito François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot, em mensagem ditada em Paris em 1863.
As alegrias e o bem que nos têm proporcionado o Espiritismo poderão igualmente iluminar os lares e os corações de nossos irmãos que ainda não tiveram acesso ou ainda não conhecem esses ensinamentos. E a quem cabe o papel da distribuição dessas luzes, senão aos próprios espíritas em nossos grupos?
O estudioso da doutrina que se disponha a aprofundar-se no conhecimento de seus postulados e à pesquisa de seus princípios e sólidos fundamentos, para, posteriormente, divulgá-los e comentá-los, é um arauto designado pela Espiritualidade, que se anuncia pela letra e não pela voz.
Dele requer-se dedicação, sacrifícios, tolerância, senso acendrado de ética, ajuizamento dos fatos, mais com o coração do que com o cérebro.
Dele requer-se o entusiasmo, sem que, contudo, a fidelidade dos fatos possa ser prejudicada.
Dele requer-se ponderação, ainda que seu íntimo esteja em brasa, ante intransigências e incompreensões.
O divulgador espírita é um interprete, um tradutor das verdades kardequianas, que, pelos vícios do galicismo, pela variação de sentido das palavras, com o passar do tempo, torna-se muitas vezes, de difícil assimilação por muitos. O divulgador espírita é preparado para esta tarefa, porque nada, rigorosamente, é obra do acaso.
O êxito do divulgador espírita faz estremecer as organizações de espíritos menos felizes, pois, quanto menos entendam os espíritas de sua Doutrina, mais fácil a semeadura de superstição, da descrença, da ritualística, das "verdades" sem lastro...
Quanto mais evolua a divulgação espírita, menos êxito terão os vassalos das interpretações polemizantes, sem outro objetivo que não o de cindir, de desarmonizar. Eis a razão pela qual, também nesse campo, existe tanto personalismo, tanta vaidade, tantos interesses pessoais se sobrepondo ao coletivo.
A Doutrina Espírita precisa de sua divulgação. Não foi sem razão de ser que, em 1858, o Mestre Allan Kardec recebeu permissão da Espiritualidade Superior para iniciar a edição da Revista Espírita, não é sem motivo que a divulgação espírita cresce e se desenvolve, nascendo periódicos a quantos feneçam.
Honra, pois, aos verdadeiros divulgadores espíritas e seus periódicos; que prossigam na cruzada de amor às letras doutrinárias, que faz fremir corações e jubilam os espíritas que a ela se dedicam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário