domingo, 28 de março de 2010

ESPÍRITO DA TREVA





Está em toda parte.
Surge inesperadamente e assume faces de  surpresa que produzem estados da alma  afligentes, configurando pungentes conflitos  que conduzem, não raro, a nefandas consequências.
Ás vezes, no lar, os problemas se avultam,  na ordem moral, desconcertando a paisagem doméstica; no trabalho, discussões inesperadas,  por nada, tomam aspectos de gravidade que  conduzem os contendores a ódios virulentos e perniciosos; nas relações, irrompem incompreensões urdidas nas teias da maledicência, fragmentando velhas amizades que antes se firmavam em compromisso de lealdade fraterna inamovível;  na rua e nas conduções gera inquietações que consomem; e lança pessoas infelizes no caminho, provocantes, capazes de atirar por coisas de  pequena monta, nos rebordos de abismos  profundos, aqueles que defrontam...
É o Espírito da treva. Está, sim, em toda parte.
Membro atuante do que constitui as forças do mal, que por enquanto ainda assolam a Terra, na atual conjuntura do Planeta, irrompe inspirando e agindo, nos múltiplos departamentos humanos, objetivando desagregar e infelicitar as criaturas no que se compraz. Espírito estigmatizado pela agonia  íntima que sofre, envenenado pelo ódio em  que se consome ou revoltado pelo tempo perdido,  na vida passada, sintoniza com as imperfeições morais e espirituais do homem, mantendo comércio pernicioso de longo curso.
Está, também, às vezes, encarnado  no circulo das afeições. Aqui, é o esposo rebelde,  a genitora alucinada a nubente corroída por ciúme injustificável, o filho ingrato, o irmão venal,  a filha viciada e ultrajante, a irmã desassisada,  ali, é o vizinho irritante, o colega pusilânime,  o chefe mesquinho, o amigo negligente, o servidor cansativo, o companheiro hipócrita axigindo  atitude de sumo equilíbrio, em convite contínuo  à serenidade e à perseverança nos bons propósitos.
Transmite a impressão de que não há lugar para  o amor nem para o bem, como se a vida planetária fosse uma arbitrária punição e não sublime  concessão do Amor Divino,  a benefício da nossa redenção.

Joana de Ângelis

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