quinta-feira, 18 de março de 2010

OS LÍRIOS DOS CAMPOS

"Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham nem fiam, e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiucomo um deles."
(Lucas, 12:27)

Sem qualquer sombra de dúvida, este ensino de Jesus Cristo é um dos mais consoladores dentre tantos outros contidos nas páginas dos Evangelho. Nele observamos a preocupação do Mestre em complementar o Sermão da Montanha, prometendo que os nus seriam vestidos e os famintos seriam fartos.

A fim de ser ainda mais enfático, afirmou o Mestre que Deus veste os lírios dos campos e alimenta as aves dos Céus, os quais têm vida efêmera e, portanto, com muito mais e maior razão veste e alimenta os homens. Por isso aditou ele: Não se vende um passarinho por um asse? Não valeis muito mais que milhares deles?

Nessa mesma passagem evangélica, Jesus Cristo formula enfática advertência aos que vivem clamando que Deus é injusto e sua justiça defectível.

Não deveremos jamais duvidar da paternidade de Deus que nos propicia o alimento necessário para o sustento do corpo e nos veste, nos agasalha e nos concede todos os meios de vida.

Surge, entretanto, uma interrogação: Por que muitos homens passam fome e outros não têm com que se vestir?

Cabe aqui um esclarecimento muito importante. Se houvesse realmente uma só vida do Espírito na carne, isso representaria clamorosa injustiça. Nesse caso, Deus estaria sendo sumamente unilateral e injusto, porque na Terra existem verdadeiras multidões de famintos e gente que não tem com que se vestir.

No entanto, se analisarmos esse panorama à luz das vidas sucessivas, veremos que Deus é eqüitativo e bom, pois, as falhas que ocorrem na Terra não partem d'Ele, mas são criadas pelos próprios homens, que prevaricam com as dádivas que recebem do Alto, uma vez que somos todos regidos por normas contidas na lei de causa e efeito.

Apreciado à luz da lei da reencarnação, o quadro se nos apresenta bem diverso. Se um homem rico de bens materiais tornar-se perdulário, ambicioso, avarento, egoísta e fizer com que a sua fortuna se reverta apenas em seu próprio benefício, ignorando que a fortuna material é um bem transitório que Deus colocou em suas mãos, é quase infalível que na vida subseqüente ele venha a sofrer fome, nudez e até ser submetido à mendicância. Se, por outro lado, ele for um rico bom, que sabe dar aplicação sadia aos seus bens, distribuindo parte deles para o bem-estar coletivo, que sabe recompensar devidamente aqueles que para ele trabalham, que contribui para o progresso, enfim, que faz com que a fortuna não seja útil apenas para ele e seus familiares, este está perfeitamente enquadrado nos preceitos evangélicos, e muito receberá pelo muito que fez em favor do seu próximo.

O fato de um homem abastado, que não soube aplicar os seus bens em benefício do seu próximo, vir a experimentar conseqüências danosas pela sua falta de discernimento, isso não representa um desequilibrio na justiça divina, mas uma expiação decorrente da falta de observância dos preceitos de caridade e de amor. Nada há de injusto, pelo contrário, significa uma aplicação pura e simples da lei de açâo e reaçâo.

Por outro lado, se uma pessoa nascer na Terra em precárias condições sociais, com minguados recursos materiais, mas souber dar-lhes boa aplicação; se com o pouco que tem, souber minorar os sofrimentos alheios, enxugando lágrimas e compartilhando os problemas agudos que assolam o seu próximo, é óbvio que, na vida subseqüente, Deus lhe concederá possibilidades de tornar-se depositário de maior soma de bens, pois, o Evangelho é categórico na afirmação de que aquele que foi fiel no pouco, o será no muito, e que aquele que muito tem, mais lhe será dado.

A justiça do Criador é eqüitativa. Nela existe o equilíbrio e cada um receberá segundo as suas obras .

Paulo A. Godoy

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