quarta-feira, 24 de março de 2010

PERDÃO, REMÉDIO PARA A ALMA



Quando nos dirigimos a Deus, pedindo perdão pelos nossos erros, estamos realmente arrependidos? E quando dizemos a alguém que perdoamos a ofensa sofrida, esquecemos realmente o ato danoso?

Na busca dessas respostas, pensemos sobre isso procurando perceber, em nossos corações e em nossas mentes, como essas atitudes se refletem dentro de nós. E para iniciar essa caminhada, é importante lembrar que todos nós cometemos equívocos e que, por esta razão, estamos sujeitos a críticas. O problema é que na maioria das vezes somos bastante tolerantes com nossos enganos, enquanto nos tornamos juizes severos dos enganos alheios.

Por quais razões essa atitude se manifesta em nós? Porque imaginamos - o egoísmo está no centro desse nosso comportamento - que temos motivos que justificam as nossas grosserias, as nossas injustiças, os nossos desmandos. Os outros não os têm para assim agirem, sobretudo se nós formos os alvos desse comportamento desequilibrado.

O Espiritismo propõe-nos, duas questões que poderiam nortear nossa conduta diante dessa situação:

1 - como julgar os atos de criaturas que vivem experiências tão diferentes das nossas?

2 - como poderemos saber o que se passa no coração daquele que nos ofende ou agride?

Certamente não podemos, pois quando também agimos assim os outros ignoram o que acontece conosco naquele momento. Para essa mudança, para essa nova forma de ver o outro. Emmanuel nos faz um convite: "Renova o teu modo de sentir, pelos padrões do Evangelho, e enxergarás o Propósito Divino da Vida, atuando em todos os lugares, com justiça e misericórdia, sabedoria e entendimento".

Mas, por onde começar a corrigir? Como fazer? Deparamos aí com um grande problema íntimo: sabemos o que corrigir, mas não conhecemos o caminho para essa mudança.

Jesus é o modelo a ser procurado! Eis a resposta certa à nossa indagação. O Mestre referiu-se, inúmeras vezes, ao perdão como instrumento valioso e indispensável à nossa evolução. O "perdoai para serdes perdoados", que nos deixou em Seus ensinamentos, significa perdoar indefinidamente, tantas vezes quantas forem necessárias. Gostaríamos, evidentemente, de ser perdoados todas as vezes que nos desviamos da trilha, mas como esperar o perdão que pedimos a Deus se ainda não somos capazes de perdoar o próximo?

Parece-nos que, em primeiro lugar, precisamos aprender a nos perdoar, pois se fizemos ou se ainda fazemos algo errado é porque não sabíamos - como ainda não sabemos - de que forma fazer o certo; e, em segundo lugar, buscar a resposta em Jesus porque, mais do que falar sobre o perdão, Ele o exemplificou em Sua caminhada de luz, exercitando a bondade, a mansuetude, de modo integral, completo, sem distinção de quem quer que fosse.

E a prova disso está no pedido que fez ao Pai para que perdoasse aqueles que O crucificavam. Médico de almas, o Cristo propôs o perdão como remédio para todos os nossos males. E é interessante notar a preocupação da Medicina moderna em tentar compreender por que essa atitude, praticada por muitos doentes do corpo, ajuda a curar ou a minimizar as dores. Os médicos, hoje, querem descobrir como e por que isso acontece. Jesus já sabia e veio nos ensinar. Só nos resta, portanto, aprender!

Vamos, então, juntos com Jesus, usar a bondade para com todos. Aprendamos a perdoar conforme Ele nos ensinou: sem rancor, sem ressentimento, sem estabelecer condições, ajudando inclusive o ofensor, nem que seja com as nossas preces, mesmo que ele não saiba ... Busquemos algum bem nessas criaturas, como nós gostaríamos que o encontrassem em nós, apesar do momento de desequilíbrio no qual estejamos envolvidos.

Quantas vezes notamos plantas aparentemente secas que voltam a ficar verdes com o milagre do Sol e da chuva! Já imaginaram o que aconteceria a um coração sedento de compreensão e amor?

Já temos o modelo, os instrumentos e o caminho para realizar a transformação em nós. Estamos aguardando o quê?

Paulo da S.N.Sobrinho - Jornal Espírita

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