sexta-feira, 30 de abril de 2010

A ESCRAVA DO SENHOR

Quando João, o discípulo amado, veio Ter com Maria, anunciando-lhe a detenção do Mestre, o coração materno, consternado, recolheu-se ao santuário da prece e rogou ao Senhor Supremo poupasse o filho querido. Não era Jesus o Embaixador Divino? Não recebera a notificação dos anjos, quanto à sua condição celeste? Seu filho amado nascera para a salvação dos oprimidos... Ilustraria o nome de Israel, seria o rei diferente, cheio de amoroso poder. Curava leprosos, levantava paralíticos sem esperança. A ressurreição de Lázaro, já sepultado, não bastaria para elevá-lo ao cume da glorificação?

E Maria confiou ao Deus de Misericórdia suas preocupações e súplicas, esperando-lhe a providência; entretanto, João voltou em horas breves, para dizer-lhe que o Messias fora encarcerado.

A Mãe Santíssima regressou à oração em silêncio. Em pranto, implorou o favor do Pai Celestial. Confiaria n’Ele.

Desejava enfrentar a situação, desassombradamente, procurando as autoridades de Jerusalém. Mas, humilde e pobre, que conseguiria dos poderosos da Terra? E, acaso, não contava com a proteção do Céu? Certamente, o Deus de Bondade Infinita, que seu filho revelara ao mundo, salvá-lo-ia da prisão, restituí-lo-ia à liberdade.

Maria manteve-se vigilante. Afastando-se da casa modesta a que se recolhera, ganhou a rua e intentou penetrar o cárcere; todavia, não conseguiu comover o coração dos guardas.

Noite alta, velava, súplice, entre a angústia e a confiança.

Mais tarde, João voltou, comunicando-lhe as novas dificuldades surgidas. O Mestre fora acusado pelos sacerdotes. Estava sozinho. E Pilatos, o administrador romano, hesitando entre os dispositivos da lei e as exigências do povo, enviara o Mestre à consideração de Herodes.

Maria não pôde conter-se. Segui-lo-ia de perto.

Resoluta, abrigou-se num manto discreto e tornou à via Pública, multiplicando as rogativas ao Céu, em sua maternal aflição. Naturalmente, Deus modificaria os acontecimentos, tocando a alma de Antipas. Não duvidaria um instante. Que fizera seu filho para receber afrontas? Não reverenciava a lei? Não espalhava sublimes consolações? Amparada pela convertida de Magdala, alcançou as vizinhanças do palácio do tretarca. Oh! Infinita amargura! Jesus fora vestido com uma túnica de ironia e ostentava, nas mãos, uma cana suja à maneira de cetro e, como se isso não bastasse, fora também coroado de libertar-lhe a fronte sangrenta e arrebatá-lo da situação dolorosa, mas o filho, sereno e resignado, endereçou-lhe o olhar mais significativo de toda a existência. Compreendeu que ele a induzia à oração e, em silêncio, lhe pedia confiança no Pai. Conteve-se, mas o seguiu em pranto, rogando a intervenção divina. Impossível que o Pai não se manifestasse. Não era seu filho o escolhido para a salvação? Lembrou-lhe a infância, amparada pelos anjos... Guardava a impressão de que a Estrela Brilhante, que lhe anunciara o nascimento, ainda resplandecia no alto!...

A multidão estacou, de súbito. Interrompera-se a marcha para que o governador romano se pronunciasse em definitivo.

Maria confiava. Quem sabe chegara o instante da ordem de Deus? O Supremo Senhor poderia inspirar diretamente o juiz da causa.

Após ansiedades longas, Pôncio Pilatos, num esforço extremo para salvar o acusado, convidou a turba farisaica a escolher este Jesus, o Divino Benfeitor, e Barrabás, o bandido. O povo ia falar e o povo devia muitas benções ao seu filho querido. Como equiparar o

Mensageiro do Pai ao malfeitor cruel que todos conheciam? A multidão, porém, manifestou-se, pedindo a liberdade para Barrabás e a crucificação para Jesus. Oh! - pensou a mãe atormentada - onde está o Eterno que não me ouve as orações? Onde permanecem os anjos que me falavam em luminosas promessas?

Em copioso pranto, viu seu filho vergado ao peso da cruz. Ele caminhava com dificuldade, corpo trêmulo pelas vergastadas recebidas e, obedecendo ao instinto natural, Maria avançou para oferecer-lhe auxílio. Contiveram-na, todavia, os soldados que rodeavam o Condenado Divino.

Angustiada, recordou-se repentinamente de Abraão. O generoso patriarca, noutro tempo, movido pela voz de Deus, conduzira o filho amado ao sacrifício. Seguira Isaac inocente, dilacerado de dor atendendo a recomendação de Jeová, mas, eis que no instante derradeiro, o Senhor determinou o contrário, e o pai de Israel regressara ao santuário doméstico em soberano triunfo. Certamente, o Deus Compassivo escutava-lhe as súplicas e reservava-lhe júbilo igual. Jesus desceria do Calvário, vitorioso, para o seu amor, continuando no apostolado da redenção; no entanto, dolorosamente surpreendida, viu-o içado no madeiro, entre ladrões.

Oh! A terrível angústia daquela hora!! ... Por que não a ouvira o Poderoso Pai?? Que fizera para não lhe merecer a benção?

Desalentada, ferida, ouvia a voz do filho, recomendando-a aos cuidados de João, o companheiro fiel. Registrou-lhe, humilhada, as palavras derradeiras. Mas, quando a sublime cabeça pendeu inerte, Maria recordou a visita do anjo, antes do Natal Divino. Em retrospecto maravilhoso, escutou-lhe a saudação celestial. Misteriosa força assenhoreava-se-lhe do espírito.

Sim... Jesus era seu filho, todavia, antes de tudo, era o Mensageiro de Deus. Ela possuía desejos humanos, mas o Supremo Senhor guardava eternos e insondáveis desígnios. O carinho materno poderia sofrer, contudo, a Vontade Celeste regozijava-se. Poderia haver lágrimas em seus olhos, mas brilhariam festas de vitória no Reino de Deus. Suplicara aparentemente em vão, porquanto, certo, o Todo-Poderoso atendera-lhe os rogos, não segundo os seus anseios de mãe e sim de acordo com seu planos divinos.

Foi então que, Maria, compreendendo a perfeição, a misericórdia e justiça da Vontade do Pai, ajoelhou-se aos pés da cruz e, contemplando o filho morto, repetiu as inesquecíveis afirmações: - "Senhor, eis aqui a tua serva! Cumpra-se em mim, segundo a tua palavra!".

Irmão X
Livro: Lázaro Redivivo

terça-feira, 27 de abril de 2010

OS SUICIDAS QUANDO REENCARNAM

- Parece que o suicídio é um ato de rompimento do plano de Deus, pelo qual se paga um preço.

Assim, de que maneira e com que traumas se reencarnam as pessoas que se matam: a) por tiro no ouvido, b) por veneno, c) jogando-se embaixo de um carro, d) através de superexposição à radiação atômica?

“O suicídio está ligado ao senso de responsabilidade. Nosso Emmanuel sempre explica que nós somos culpados por aquilo que conhecemos como sendo uma atitude imprópria para nós. Porém, nós temos, ainda, povos, que adotam o suicídio como norma de comportamento heróico. Temos comunidades no mundo que consideram o suicídio sob este ponto de vista. Demonstram que não possuem um conhecimento tão exato sobre a responsabilidade de viver, produzir o bem, como nós os Cristãos fomos instruídos pelos evangelhos de Nosso Senhor. Então, vamos dizer que a escola de Jesus, preparando nosso espírito para a construção do mundo melhor, um mundo de amor e paz e não obstante os conflitos e guerras que temos sofrido, ou que estejamos sofrendo, nós então vemos que para nós o suicídio já adquire dimensões diferentes, porque nós somos chamados para valorizar a vida, a compreender o sofrimento como processo educativo e reeducativo de nossa personalidade. Então, o suicídio para nós, os cristãos, é algo de ingratidão para com os poderes supremos que regem os nossos destinos. O suicídio, para aqueles que conhecem a importância da vida, impõe um complexo culposo muito grande nas consciências. Então, nós os cristãos, que temos responsabilidades de viver e de compreender a vida, em suicidando, nós demandamos o além com a lesão das estruturas, do corpo físico. De forma que, se damos um tiro no crânio, conforme a região que o projétil atravessa, sofremos no além as lesões conseqüentes. São os espíritos doentes, os espíritos enfermiços que recebem carinho especial dos protetores espirituais.”

Chico continua, sobre os suicidas:

“Mas o problema está dentro de nós e, na hora de voltar à Terra, pedimos para assumir as dificuldades inerentes às nossas próprias culpas. Assim...

• Se a bala atravessou o centro da fala, naturalmente vamos retomar o corpo físico em condições de mudez.

• Se atravessa o centro da visão, vamos renascer com processo de cegueira.

• Se nos precipitamos de alturas e aniquilamos o equilíbrio das nossas estruturas espirituais, vamos voltar com determinadas moléstias que afetam o nosso equilíbrio.

• Quando nos envenenamos, quando envenenamos as nossas vísceras, somos candidatos, quando voltamos à Terra, ao câncer nos primeiros dias de infância, ao problema de fluidos comburentes que criam desequilíbrio no campo celular. Muitas vezes encontramos numa criança recentemente nascida um processo canceroso que nós não sabemos justificar, senão pela reencarnação, porque o espírito traz consigo aquela angústia, aquele desequilíbrio que se instala dentro de si próprio.

• Pelo enforcamento, nós trazemos determinados problemas de coluna e caímos logo nos processos de paraplegia. Somos crianças ligadas, parafusadas ao leito durante determinado tempo, em luta de auto-corrigenda, de autopunição, de reestruturação de peças do nosso corpo espiritual.”

O A Terra e o Semeador – Chico Xavier/Emmanuel – págs. 130 e 136

154. Quais as primeiras impressões dos que desencarnam por suicídio?

“A primeira decepção que os aguarda é a realidade da vida que se não extingue com as transições da morte do corpo físico, vida essa agravada por tormentos pavorosos, em virtude de sua decisão tocada de suprema rebeldia.

Suicidas há que continuam experimentando os padecimentos físicos da última hora terrestre, em seu corpo somático, indefinidamente. Anos a fio, sentem as impressões terríveis do tóxico que lhes aniquilou as energias, a perfuração do cérebro pelo corpo estranho partido da arma usada no gesto supremo, o peso das rodas pesadas sob as quais se atiraram na ânsia de desertar da vida, a passagem das águas silenciosas e tristes sobre os seus despojos, onde procuraram o olvido criminoso de suas tarefas no mundo e, comumente, a pior emoção do suicida é a de acompanhar, minuto a minuto, o processo da decomposição do corpo abandonado no seio da terra, verminado e apodrecido.

De todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia.”

O Consolador – Emmanuel

sábado, 24 de abril de 2010

A VIOLÊNCIA INTERIOR DE TODOS NÓS

A violência do mundo se combate com as armas do bem apontadas em nossa própria direção.

A palavra violência exprime todo pensamento, complementado ou não por palavras e ações, que exteriorize um sentimento contrário à lei do amor e da caridade. No mundo atual acompanhamos muitas vezes com o requinte de detalhes, as notícias e reportagens sobre os atos mais violentos da humanidade. Esse contato diário com os atos extremados do ser humano toma as pessoas mais insensíveis, levando-as a desconsiderar suas pequenas atitudes de violência, esquecendo de colocá-las no rol daquelas que devem sofrer o esforço de transformação no trabalho constante de autoaprimoramento.

A propensão à violência é característica dos Espíritos vinculados ao planeta Terra, variando apenas quanto a intensidade e aos estímulos necessários para desencadear a ação violenta. Daí o "não julgueis", induzindo-nos pelo raciocínio, a buscarmos maior prudência ao julgar o próximo, porque não sabemos se guardamos em nosso íntimo o mesmo grau de violência que condenamos, esperando apenas as condições propícias para despertar.

Segundo os entendidos, o maior obstáculo ao progresso moral é o orgulho e o egoísmo. Ambos caracterizam o sentimento ainda muito imperfeito que aliado à ignorância das leis naturais e seus mecanismos de atuação, originam as ações contrárias a essas mesmas leis constituindo a violência.

Essa ignorância, no entanto, não nos exime de culpa e responsabilidade pelos nossos atos uma vez que a lei de Deus está escrita na consciência de cada um, permitindo ao homem discernir sobre o bem e o mal. As imprudências cometidas sem intenção negativa ou consciência perfeita da situação estariam livres de culpa embora o Espírito mais adiantado se sinta naturalmente compelido a auxiliar àqueles envolvidos pela sua imprudência.

Devemos combater a nossa violência interior em todas as suas formas e intensidades, porque, com ela e através da Lei de Sintonia contribuímos para a sua manutenção entre nós. Muitas vezes achamos que não fazemos mal a ninguém (pelo menos diretamente), apesar de fazermos mal a nós próprios diariamente, agredindo nosso corpo com fumo, bebidas, remédios e alimentos inadequados ou exagerados, agredindo nosso campo emocional e psíquico com impaciência, irritação e pensamentos infelizes.

Parece lógico supor que os pequenos atos de violência sejam mais fáceis de eliminar e que o conjunto desses atos favorecem perigosamente o aumento gradativo da tendência de agir com violência. Logo, convém priorizar a eliminação das pequenas atitudes inconvenientes, bem como evitar que elas se transformem em hábitos, o que dificultaria sua constatação e eliminação pelo seu portador.

O conhecimento espírita oferece diversas medidas preventivas imprescindíveis para evitar que o sofrimento surja em conseqüência da lei de ação e reação. Eis alguns deles: fixar objetivos de aperfeiçoamento moral, conhecer melhor a si mesmo, enriquecer dia-a-dia o seu conhecimento espiritual, estimular continuamente o bem interior, trabalhar pelo seu auto-aprimoramento, fazer o bem, evitar o mal, orar.

Estando a evolução do homem subordinada ao relacionamento com outros seres, pode-se concluir que os atos de violência surgem do conflito entre pessoas. O remédio auxiliar para prevenir conflitos maiores é a busca da compreensão pela prática da empatia, procurando sentir o que sentiria se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa.

Este exercício proporciona ótimos resultados, mas requer muita boa vontade para desempenhar o papel de advogado de defesa, inclusive especulando sobre os possíveis componentes espirituais que possam estar influenciando o contexto analisado.

A consciência das dificuldades do processo de melhoria interior não deve ser causa de desânimo e sim de desafio a ser vencido. O fato de se possuir algum conhecimento das leis naturais não assegura a ninguém manter um comportamento equilibrado. É preciso entender, aceitar, enfrentar situações difíceis utilizando o conhecimento, para reavaliar os resultados num ciclo que se repete indefinidamente. No início nem nos lembramos do conhecimento ao começarmos uma ação violenta, mas temos a chance de identificá-lo e analisá-lo depois. A prática dessa conduta leva a um estágio mais adiantado, em que a exata consciência de estar procedendo mal surge no meio da ação, possibilitando algum reparo antes de sua finalização. O estágio seguinte permite detectar a tendência para agir negativamente antes de tomar qualquer atitude. No último estágio conseguimos responder automaticamente com boas ações e pensamentos, aos estímulos recebidos.

Existe a influência das ondas de pensamentos com as quais nos sintonizamos segundo o princípio que o semelhante atrai o semelhante, fortalecendo os pensamentos e sentimentos próprios da faixa vibratória em que nos situamos.

O Espiritismo oferece os meios para aceleração do sistema natural de evolução, exigindo, porém, vontade firme, melhoria contínua do conhecimento e prática incessante do bem. Ao absorver e procurar adotar o conhecimento espírita, o homem acerta as bases racionais do seu intelecto facilitando o trabalho de transformação dos seus impulsos emotivos inferiores.

O exame de consciência periódico é instrumento útil, não só de identificação dos erros cometidos, mas também como registro dos acertos e sucessos obtidos visando alimentar a motivação necessária para a continuidade da tarefa de melhoria interior. Tudo isso o homem pode fazer com o governo consciente de sua vida. Nada melhor do que poder conduzir com segurança a própria trajetória rumo à realização plena. É hora de agradecer a oportunidade e trabalhar pela própria felicidade.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

AÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL

“Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluídos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.”
(A Gênese, Allan Kardec, capítulo 14º, item 14.)

Quando nós, encarnados, chegamos à reunião mediúnica já o ambiente espiritual está preparado, de acordo com as tarefas programadas.

A sala passa por rigorosa assepsia, visando defendê-la das larvas psíquicas criadas pelas emissões mentais negativas e profundamente desequilibradas dos obsessores e demais enfermos espirituais (01).

Assinala André Luiz: “A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.” (02)

Explica-nos o Espírito Efigênio S. Vítor que em cada reunião espírita, orientada com segurança, trabalham equipes especializadas que têm a incumbência de preparar o ambiente espiritual, dando a esses trabalhadores dedicados o nome de Espíritos Arquitetos. Informa-nos, ainda, que havendo um grupo de pessoas com um “centro mental definido, para o qual convergem todos os pensamentos, possibilitando a formação de “vasto reservatório de plasma sutilissimo” (03), utilizado pelos trabalhadores mencionados na criação de formas-pensamentos constituindo paisagens, telas, painéis movimentados com imagens temporariamente vivas, criadas após pesquisa sobre o passado dos comunicantes que devam ser amparados. E durante o horário da reunião formam-se assim jardins, hospitais, templos, escolas, quadros, espelhos ectoplásmicos e recursos outros que façam os irmãos necessitados recordarem-se do seu pretérito. Com essas providências feitas de modo tão cuidadoso, é possível sensibilizar tais corações, favorecendo a compreensão imprescindível.

Por outro lado, os Espíritos que irão comunicar-se são trazidos ao recinto e permanecem dentro do círculo magnético formado para mantê-los não só na faixa vibratória mais próxima dos participantes da esfera física, como também no intuito de retê-los, para que recebam todos os benefícios possíveis em cada caso.

Todos os que forem escalados para a comunicação recebem tratamento especial, visando, em alguns casos, a diminuir ou atenuar os efeitos dos fluídos pesados, grosseiros, que emitem. Enquanto isto, os médiuns designados para tais e quais comunicações recebem toda a assistência imprescindível a colocá-los em condições compatíveis com as dos comunicantes. Assim, são-lhes fornecidos fluídos magnéticos que os fortalecerão, enquanto que servirão também de defesas contra as vibrações desequilibradas dos obsessores e sofredores.

Outro recurso adotado pelos trabalhadores espirituais nas reuniões, conforme foi explicado há anos pelo Espírito Ivon Costa, é a transmissão das ocorrências das reuniões (quando se faz necessário), ampliando-se as vozes através de aparelhos análogos aos nossos amplificadores ou alto-falantes, para serem ouvidas na via pública, com a finalidade de se atender às entidades espirituais sofredoras, perturbadas e perturbadoras.

A ação dos Trabalhadores da Espiritualidade é feita, sobretudo, de maneira muito prática — e nem poderia ser de outra forma —, visando sempre a auxiliar maior número possível de sofredores.

Ao comunicar-se, quase sempre o Espírito é como que o representante de um número bem grande de outros em idênticas condições. Não podendo e nem necessitando manifestarem-se todos, um é designado para isto. Os demais companheiros em problemas e sofrimentos beneficiam-se ouvindo as palavras do doutrinador, e igualmente recebem as vibrações amorosas dos presentes.

Como exemplo do trabalho acima mencionado apresentamos dois casos.

1º CASO

Certa noite, na reunião de desobsessão em que trabalhamos, comunicou-se um Espírito que havia partido em plena juventude. Havia sido estudante de Engenharia em Belo Horizonte e desencarnara dirigindo o seu automóvel — o prêmio que recebera ao ser aprovado no vestibular — quando voltava da Universidade onde cursava o primeiro ano. O doutrinador confortou e esclareceu o jovem, com palavras repletas de carinho. O esclarecimento foi ouvido, simultaneamente, por um grupo de jovens presentes, todos desencarnados na faixa etária de 16 a 23 anos, aproximadamente. A presença desse grupo foi pressentida por todos, o que motivou uma homogeneidade incomum de vibrações. Foi uma noite belíssima e de grande aproveitamento espiritual, em que a caridade e o amor iluminaram o ambiente.

2º CASO

Certa ocasião comunicaram-se três Espíritos que tinham uma problemática em relação ao aborto. As comunicações, uma em seguida à outra, eram todas vinculadas ao assunto.

A primeira delas foi a de um médico que, enquanto encarnado, dedicara –se a fazer abortos. Apresentou-se muito perturbado, perseguido por vários Espíritos. Acusava a si mesmo de criminoso e sentia-se aterrorizado com os próprios atos. Estava arrependido — dizia sem cessar — e tinha muito medo dos que o perseguiam.

O segundo comunicante foi uma mulher. Acusava o médico, a quem perseguia, desejosa de vingar-se. Explicou ter morrido em suas mãos, quando este tentava provocar-lhe a interrupção de uma gravidez. Estava atormentada pelo remorso dessa ação e pelo ódio que nutria pelo médico.

Ambos foram esclarecidos e retiraram-se bastante reconfortados.

A terceira entidade era também uma mulher. Veio para apoiar e estimular o nosso trabalho. Já possuía bastante conhecimento sobre a vida espiritual e trabalhava muito, principalmente ajudando a combater a idéia e a prática do aborto. Ela mesma, em sua última existência, havia cometido esse crime, quando da gestação de seu sexto f ilho. Sendo pobre e lutando com dificuldades de toda ordem, ao engravidar pela sexta vez, desorientou-se e provocou o aborto, do qual se arrependeu imediatamente. Jamais se perdoara e daí para frente sofreu duplamente, carregando o peso do remorso. Teve um a existência longa, de muitas lutas e desencarnou após prolongada moléstia. No plano espiritual, encontrou-se com aquele que seria o seu sexto filho e teve um grande abalo ao certificar-se que era um ente muito querido ao seu coração e que iria reencarnar com a finalidade de ajudá-la. Ele a havia perdoado, mas ela, inconformada com o fato, não conseguira até então perdoar a si mesma. Dedicou-se, por isto, ao trabalho de preservação da vida, ao mesmo tempo em que faz parte de um grupo de atendentes (ou enfermeiros), dedicados a socorrer os que praticam esse delito e que jazem no remorso e no desespero.

Estava conosco naquela noite, acompanhando vários Espíritos comprometidos por esse mesmo crime.

Foi um belo trabalho, e uma vez mais emocionamo-nos ante as lições maravilhosas que recebemos nas reuniões de desobsessão.

AÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL: UM QUADRO DE RARA BELEZA

Em nossa equipe de desobsessão, estávamos realizando, há algumas semanas, determinado trabalho com um grupo de entidades bastante endurecidas e muito cultas. As comunicações se sucediam e os obsessores apresentavam-se como perseguidores do movimento espírita.

A cada reunião os doutrinadores desdobravam-se em argumentações elucidativas, buscando mostrar a toda a falange a real situação e m que se encontrava, em virtude dos erros cometidos. Usaram vários tipos de abordagem e notou-se que, após algumas semanas, as energias desses infelizes irmãos começaram a decrescer. Já não tinham mais tanta veemência e os argumentos que usavam eram totalmente sobrepujados pela palavra firme dos doutrinadores, toda ela baseada no Evangelho.

Finalmente, uma noite, os dois mais rebeldes e frios sentiram-se tocados.

Os esclarecimentos, que a cada sessão se aprofundavam mais no cerne da problemática que apresentavam, dessa vez atingiram o auge.

Foi quando um dos obsessores, afinal plenamente conscientizado do mal praticado e do estado lamentável em que se encontrava, sentiu-se desorientado, no fim de suas forças, aflito e com uma sensação de sufocamento insuportável. Em sofrimento, disse estar sedento e pediu água. Nesse momento, o Mentor dos trabalhos interveio e, por nosso intermédio, começou lentamente a descrever a passagem em que Jesus no “poço de Jacó” oferece à mulher samaritana a água viva, aquela que realmente dessedenta por todo o sempre.

À medida que ia descrevendo a cena, começou a se formar um deslumbrante quadro fluídico, com a reprodução do encontro do Mestre com a mulher de Samaria. Este painel, suspenso no ar, acima de nossas cabeças, reproduzia a passagem evangélica, estando o Senhor sentado junto ao poço e a samaritana com o cântaro nas mãos, de pé, a seu lado. A tela tinha movimento, cor e luz, qual se fosse uma cena cinematográfica; parecia real, viva, tanto que tivemos a sensação de também ser parte integrante da paisagem e que sentíamos até mesmo a brisa suave e amena, enquanto víamos o céu com os matizes do entardecer.

Cada um viu e sentiu o quadro à sua maneira. Desnecessário dizer da emoção que invadiu a todos. Choravam os Espíritos comunicantes, bem assim nós, os encarnados, que sentíamos as lágrimas descer pelas faces, tomados de inolvidável unção.

Tanta beleza e grandiosidade levou-nos a um estado espiritual poucas vezes sentido e do qual não desejávamos sair. Sentíamo-nos, espiritualmente, ajoelhados, pois parece-nos impossível outra atitude diante das maravilhas que o Mundo Maior nos oferece. Enquanto as entidades eram levadas pelos Amigos Espirituais, o quadro foi -se esvanecendo aos poucos, tal como a fumaça se desfaz no ar.

Jamais esqueceremos essa noite sublime.

(01) Também os encarnados movidos por sentimentos negativos emitem pensamentos desequilibrados que dão origem às criações mentais inferiores mencionadas.
(02) Missionários da Luz, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 4, 13ª edição FEB.
(03) Instruções Psicofônicas, Autores Diversos psicografia de Francisco Candido Xavier, capítulo 44, 3•8 edição FEB

Suely Caldas
Obsessão e desobsessão

terça-feira, 20 de abril de 2010

UMA LIÇÃO E UMA GRAÇA

Residiamos em Tres Rios, no Estado do Rio, e realizávamos no lar o Culto Cristão, em atenção a um conselho medicamentoso do venerável Espírito Bezerra de Menezes.

Nossa prezada esposa, já aí, estava com a vidência espontaneamente aparecida. Conosco na direção dos trabalhos, duas abnegadas irmãs - Filizualina Jacó e Sinhá Carneiro - pela psicografia nos traziam consolações, esclarecimentos e graças comovedoras.

Regra geral, não recebíamos outras pessoas senão as citadas e que conosco participavam do ágape espiritual durante o qual líamos "O Evangelho segundo o Espiritismo". Mas, embora ignorando nossa humilde tarefa, compareciam às vezes alguns amigos, levados pelas mãos dos Espíritos que nos assistiam.

Certa vez, porém, um estimado confrade nosso, espírita da velha guarda, ignorando a sessão, compareceu ao nosso lar, acompanhado de um médico recentemente chegado à localidade para ali fixar residência e sua clínica. Ambos desejavam assistir a uma reunião espírita e receber passes.

Abrimos uma exceção e os recebemos, sentindo, todavia, que suas presenças acanhavam os médiuns.. . Os trabalhos foram iniciados. A lição do Evangelho, depois da prece, versou sobre o capítulo dos "chamados", particularizando a "porta estreita".

Comentamos, de leve, a magistral página, lembrando um caso que se dera conosco, quando um pastor comparecera ao Centro Espírita de cuja Diretoria fazíamos parte. Conversando então sobre aquela mesma lição - "Eu sou a porta" -, fizera-o numa comparação rigorosa com os templos de pedra, obrigando-nos, delicadamente, a discordar de seu ponto de vista.

Sentíamos que os Espíritos presentes nos inspiravam a recordação do caso e a repetição do nosso comentário, visto como desconfiávamos de que as visitas extraordinárias vinham do Protestantismo, ainda conservavam idéias acanhadas e ali estavam buscando ilusões, benefícios materiais, vitórias da "Porta larga" .
Nossa esposa viu no copo com água, ao seu defronte, o Espírito de um militar e o descreveu com os óculos na ponta do nariz e trazendo um corte de espada no lado esquerdo do rosto... Então, o médico arregalou os olhos e, como que envergonhado, abaixou a cabeça e começou a chorar, emocionadíssimo, murmurando

- É meu pai. . .

Depois, uma das médiuns psicografas recebeu pequeno recado, que dizia: "Você, meu filho, como fez num Centro, em Niterói, busca ajuda material e se esquece de realizar, como prometeu, uma missão apostolar na arte de curar corpos e almas.. . "

- É minha mãe, que me repete seu conselho, feito há dias, num Centro Espírita de Niterói - concluiu nosso médico visitante. . .

O Culto foi encerrado com emoção e lágrimas doces pela graça alcançada, benéfica a todos nós. As visitas, agradecidamente, saíram. Ficamos, um pouco, tocado pelo que acontecera.

Tempos decorreram. E, mais tarde, soubemos que o médico em causa, com a lição recebida, compreendeu sua missão e realizou, numa cidade mineira para onde se transferira com a família, o trabalho verdadeiro do Senhor, procurando fazer da Medicina um sacerdócio e realizando, assim, a terapêutica do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Médico dos Médicos!

Reformador – Fevereiro de 1975

domingo, 18 de abril de 2010

EXORTAÇÃO PRIVADO AO BISPO

Quarta-feira dia 18 de abril 1431, Nós, os juízes conhecimento, já tendo por que as deliberações e as opiniões de um grande número de doutores em Teologia e em Direito Canônico, de Licenciaturas e outros graduados, dos muitos erros e trouxe consideráveis nas respostas e afirmações do referido Jeanne, e sabendo que ela fez se expuser, se não corrigir a si mesma, a graves perigos:

Por esta razão, nós fizemos decidir exortar sua caridade, para admoestá-la gentilmente, e fazer com que ela delicadamente advertidos por muitos homens do conhecimento e da probidade, médicos e outros, a fim de levá-la de volta no caminho da verdade e uma profissão sincero de nossa fé.

Para este fim, fizemos reparo hoje para o local de sua prisão, tendo conosco Guillaume Lebouchier, Jacques de Touraine, Maurice de Quesnay, Nicolas Midi, Guillaume Adelie, Gerard Feuillet, e Guillaume Haiton.

Na sua presença nós, o bispo, não começar a falar de Jeanne, que declarou-se doente. (Guillaume Delachambre diz que ele foi enviado pelo cardeal de Inglaterra e do Conde de Warwick para atender Jeanne, com Desjardins e outros médicos, ele foi informado por Warwick dar toda a atenção ao paciente ", como o rei não por nada no mundo, que ela deveria morrer de morte natural, ela custou muito caro por isso, ele tinha comprado seu querido, e ele não queria que ela morresse, exceto pela justiça e pelo fogo. ") Nós dissemos-lhe que os doutores e mestres que nos acompanharam foram visitá-la de uma forma amigável e de caridade, para visitá-la em seu sofrimento e trazer-lhe consolação e conforto. Então, nós a lembramos, que tinha sido durante muitos dias, e às vezes os mergulhadores, e na presença de muitos eclesiásticos cheios de sabedoria, questionado sobre os pontos, grave e difícil, a respeito da fé, que ela tinha feito respostas variadas e diversificada, que sábios e letrados têm examinado com a atenção mais escrupulosa, que eles notaram muitas de suas palavras e confissões que, do ponto de vista da fé, que lhes apareceu perigosa, mas que ela é apenas uma pobre analfabeta mulher, que não conhece as Escrituras. Chegamos a ela e oferecer-lhe Nós aprendemos e sábios, atento e honesto, que lhe dará, como é seu dever, o conhecimento que ela não tinha. E ao mesmo tempo Fizemos exortar os doutores e mestres aqui presentes para dar a Jeanne, o advogado rentável para a salvação de seu corpo e alma, e isso em virtude do direito que os liga à doutrina da fé verdadeira. Se Jeanne deve saber que os outros lhe parecem mais do que os médicos aqui presentes, nós oferecemos para enviá-los para o seu conselho e para instruí-la sobre o que ela deve fazer, manter e acreditar. Acrescentamos que todos nós somos Clero, sempre disposto, por vocação, vontade e inclinação, para procurar por todos os gemidos da salvação do corpo e da alma, absolutamente, como deveríamos fazê-lo para o nosso próximo e para nós mesmos. Teremos o maior prazer em lhe fornecer a cada dia com esses homens para obter sua instrução do que devemos dela, e fazer em relação a ela tudo o que a Igreja está acostumada a fazer em tais circunstâncias, que ela não se feche a tampa contra o cordeiro arrependido.

Finalmente, disse-lhe para ter em grande consideração esta advertência que Abordamos a ela para sua salvação, e para segui-lo até de forma eficiente: pois, se ela deve agir em oposição a nossas palavras, se ela deve ser obstinado em sua própria mente em consultoria Apenas o cérebro inexperiente deveu abandonar ela, e ela pode ver o que ela fez perigo expor-se neste caso. É esse o perigo que procuramos evitar por ela com todo o poder da nossa afeição.

Para que Jeanne tinha respondido:

"Agradeço-lhe por que você me diz a minha salvação. Parece-me, vendo que estou doente, que estou em grande perigo de morte: se é que Deus deve fazer o seu prazer em mim, eu peço de você que eu possa ter a confissão, e meu Salvador também, e que eu possa ser colocado em terra santa. "

"Se você vai ter os direitos aos sacramentos da Igreja," Nós dissemos a ela: "você deve fazer como bons católicos fazem, e submeter-se à Igreja. Se você perseverar em sua intenção de não se submeter à Igreja, você não pode ter os sacramentos administrados você perguntar para você, exceto o Sacramento da Penitência, que estamos sempre prontos a dar-lhe. “.

"Eu tenho para o momento nada mais a dizer a você."

"Quanto mais você teme por sua vida, por conta da doença que você tem, mais você deve alterar, você não terá os direitos de um católico se não apresentar à Igreja".

"Se o meu corpo morre na prisão, espero que você tenha que colocar em solo sagrado, se você não tem que colocar lá, eu coloco minha confiança em Deus!"

"Você disse em seu julgamento que se você tivesse dito ou feito alguma coisa contra a fé cristã estabelecida por Nosso Senhor, você não mantê-lo."

"Refiro-me à resposta que eu tenha feito isso, e ao Senhor."

"Você disse que teve muitas revelações de Deus por São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida: se alguma boa pessoa viesse a afirmar que tinha revelações de Deus tocando a sua missão, você iria acreditar nele?"

"Não há nenhum cristão neste mundo que pode vir a mim e dizem que ele teve uma revelação, mas que eu deveria saber se ele estava falando a verdade ou não, eu deveria conhecê-lo por Santa Catarina e Santa Margarida".

"Você imagina então que Deus pode revelar nada a ninguém que é desconhecido para você?"

"Eu sei bem que ele pode, mas para mim, eu não deveria, neste caso acredito que qualquer homem ou mulher, se eu não tivesse algum sinal."

"Você acredita que as Sagradas Escrituras têm sido reveladas por Deus?"

"Você sabe muito bem, eu sei muito bem!"

"Temos que convocar, nós vos exortamos, nós vos imploramos que tomar conselho dos secretários e notáveis mestres aqui presentes, e acredito que o conselho que lhe dão para a salvação de sua alma. E mais uma vez, pedimos-lhe se apresentará à Igreja militante tuas palavras e ações? "

"Aconteça o que acontecer comigo, vou fazer e dizer nada além do que eu já disse no julgamento."

Aqui, os veneráveis Médicos que estavam nos assistindo que exortá-la com o exemplo mais vivem e não se esforçam para obter a partir dela que ela iria se apresentar e seus atos para a Igreja militante. Citaram-lhe uma série de autoridades tomadas da Sagrada Escritura, e mostrou seus numerosos exemplos. Eles alargada a essas autoridades e esses exemplos. Um dos médicos, (Nicolas Midi.), Em sua exortação, apresentou esta passagem de Mateus, capítulo 18. : "Se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só", e este outro: "Se ele não ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão homem e um publicano." Ele mostrou a Jeanne estas verdades em francês, e disse-lhe, no final, que se ela não se apresentar à Igreja e obedecê-la, a Igreja deve abandoná-la como um infiel.

"Eu sou um bom cristão", ela respondeu: "Eu fui batizado, eu morrerei um bom cristão!"

"Como você pedir que a Igreja devesse administrar a Eucaristia a você, porque você não vai apresentar à Igreja? Ela seria administrada a você de uma vez."

"É essa submissão não direi mais do que eu disse, eu amo a Deus, eu servi-Lo, eu sou um bom cristão, gostaria de ajudar e manter a Igreja com todas as minhas forças."

"Não gostaria que uma procissão bom e notável possa ser ordenado para restaurar-lhe uma propriedade boa se você não está aí?"

"Eu desejo que a Igreja e os católicos deva orar por mim."

quarta-feira, 14 de abril de 2010

NUNCA MATEI NINGUÉM

JEHANNE

Não pretenderemos que Joana d'Arc tenha sido quem nos trouxe a primeira noção de humanidade. Muito antes dela, em todos os tempos, os gemidos dos que sofrem despertaram nas almas sensíveis os sentimentos de piedade, de compaixão, de solidariedade. Estas qualidades, porém, no decurso da guerra de Cem Anos, se haviam tornado raríssimas, particularmente entre os que cercavam Joana, entre aqueles soldados embrutecidos, que fizeram da guerra uma obra de rapina e de banditismo. E' numa época assim, férrea e sanguinária, que a virgem Lorena nos faz ouvir a cariciosa linguagem da comiseração, da bondade.

Não há dúvida de que ela se armou para salvar a França, mas, passada a hora da luta, volve a ser a mulher de terno coração, o anjo de meiguice e da caridade. Por toda parte, opõe-se aos massacres e sempre oferece a paz antes de atacar. Três vezes, diante de Orleães, reitera propostas deste gênero. Socorre os feridos e mesmo os feridos ingleses. Aos desgraçados leva o conforto e sofre por todos os sofrimentos humanos.

Na escura noite feudal, o décimo quinto século se mostra mais tenebroso, ainda mais sinistro do que os outros. E' o século em que se vê um rei de Aragão matar o filho e um conde de Gueldre assassinar o pai; em que um duque da Bretanha se faz assassino do irmão, e uma condessa de Foix o carrasco da irmã. Através da densa nuvem sangrenta que envolve homens e coisas, Joana nos aparece qual visão do Alto. Fitando-a, encontramos repouso para a vista e nos consolamos do espetáculo dos morticínios. São dela estas dulcíssimas palavras: «Jamais vi correr sangue de francês, sem que os cabelos se me eriçassem».

Na corte de Carlos VII não se praticava somente toda sorte de roubos e de atos de banditismo. Os assassínios também eram freqüentes. O senhor de Giac, camarista-mor e mais tarde favorito do rei, assassinara a mulher, Joana de Naillac, para casar com a opulenta condessa de Tonnerre, Catarina de 1'Isle-Bouchard, e pereceu, ele próprio, afogado, por instigações não só do condestável de Richemont, a cuja política se constituíra um embaraço, como de La Trémoille, que lhe cobiçava a esposa, depois de ter, à força de maus tratos, dado a morte àquela com quem se casara. Um outro favorito de Carlos VII, Le Camus de Beaulieu, morre assassinado na presença do monarca. O conde d'Armagnac seqüestra o marechal de Séverac, arranca-lhe um testamento a seu favor e em seguida manda matá-lo.

Num meio assim monstruoso é que à boa Lorena cumpre intervir. Essa circunstância lhe tornará ainda mais penosa a tarefa e multiplicará, para a sua sensibilidade, as causas de sofrimento.

Alguns escritores quiseram ver em Joana d'Arc uma espécie de virago, de virgem guerreira exaltada pelo gosto dos combates. Nada mais falso; desmentem semelhante opinião as ações e palavras da heroína. E' certo que ela sabe afrontar os perigos e expor-se aos golpes do inimigo; mas, quer nos acampamentos, quer no ardor das refregas, jamais se despojou da doçura e da modéstia peculiares à mulher. Era bondosa e pacífica de natureza. Nunca trava combate com os ingleses, sem que previamente os convide a se afastarem.

Quando os adversários se retiram sem lutar, como a 8 de maio, junto de Orleães, ou quando cedem ao embate dos franceses, ordena que os poupem:

«Deixai-os ir, dizia, não os mateis. A mim me basta que se retirem.»

Nos interrogatórios de Ruão perguntam-lhe: «Que era o a que mais querias, ao estandarte, ou à espada?» Ela responde: «Amava muito mais, mesmo quarenta vezes mais ao meu estandarte, do que à minha espada. Nunca matei ninguém!».

Para se preservar dos arrastamentos da luta, estava sempre com a bandeira empunhada, porque, dizia ainda: «Não quero servir-me da espada.» Não raro surgia onde mais violenta era a peleja, em risco de ser morta ou presa.

Nesses momentos, referem seus companheiros d'armas, deixava de ser a mesma.

Passado, porém, o perigo, voltavam a predominar nela a doçura e a simplicidade. Ainda durante a ação, sua sentimentalidade acorda, reaparece a mulher: «Ao sentir-se ferida, consta no texto, teve medo e chorou.» Depois, decorrido algum tempo, disse: «Estou consolada.» Seus temores. suas lágrimas a tornam mais tocante aos nossos olhos, pois que lhe emprestam ao caráter esse encanto, essa força misteriosa, que constituem um dos maiores atrativos de seu sexo.

Joana, dizíamos, tinha um coração sensível. As injúrias dos inimigos feriam-na fundo: «Quando os ingleses lhe chamavam ribalta, refere uma testemunha, rompia em pranto.» Mas, logo, por meio da prece, que dirigia a Deus, purificava a alma de todo ressentimento e perdoava.

No cerco de Orleães, um dos principais chefes ingleses, Glasdale, assim que a divisava, cobria-a de invectivas. De cima do parapeito do forte das Tourelles, pos, no dia do ataque, a vociferar contra ela. Dali a pouco tempo, ao ser o bastião tomado de assalto, caía, completamente armado, no Liger e se afogava. «Joana - acrescenta a testemunha -, cedendo à piedade, entrou a chorar copiosamente pela alma de Glasdale e dos outros que, em grande número, também se afogaram».

Joana, portanto, não é unicamente a virgem dos combates. Mal cessa a batalha, ei-la que se transforma no anjo de misericórdia. Vimos que, ainda criança, já socorria os pobres e cuidava dos enfermos. Investida no comando do exército, consegue inflamar a coragem na hora do perigo; mas, findo o reecontro, comove-a o infortúnio dos vencidos e seus esforços convergem para lhes minorar os malefícios da guerra. Em oposição aos costumes do tempo, na medida que o interesse predominante da França lho permite, empenha-se, com risco da própria vida, na defesa dos prisioneiros e dos feridos votados à decapitação. Tudo faz por tornar menos cruel a morte dos moribundos.

Na Idade Média, era de regras não dar quartel aos vencidos.

Como Joana, sejamos equânimes e não odiemos os inimigos. Saibamos render homenagem ao merecimento, trate-se embora de um adversário. Defendamos nossos direitos, nosso patrimônio, quando for preciso, porém não provoquemos os outros.

A esta luz, a virgem Lorena nos dá mais do que uma lição de patriotismo, dá-nos uma lição viva de humanidade. Armando-se, fê-lo muito menos em nome da lei de guerra, do que em nome da lei de amor, muito menos para atacar, do que para defender e salvar. Ainda quando revestida da armadura, revela as mais belas qualidades da mulher: o espírito de desprendimento, espontânea e absoluta de si mesma, a compaixão de todos os que sofrem, o apego, levado ao sacrifício, aos entes amados, à família, à pátria, o engenho do senso prático e das intuições para lhes advogar os interesses numa palavra - a dedicação, até à morte, a tudo que lhe é caro. Neste sentido, Joana d'Arc sintetiza e personifica o que há de mais nobre, de mais delicado e de mais belo na alma das mulheres da França.

trecho do livro JOANNA D'ARC de Leon Denis

terça-feira, 13 de abril de 2010

A VERDADE SOBRE JOANA D'ARC

Foi no meio dos debates sobre o caso Miller que apareceu "A Verdade sobre Joana D'Arc".
Léon Denis, apoiado em revelações de caráter pessoal, que o haviam fortemente esclarecido, jamais cessara, desde sua juventude, de meditar sobre o mistério da vida e da morte da heroína nacional francesa.
Desde 1877, abordava em suas palestras esse apaixonante assunto: "As Grandes Cenas da História da França.
Retornou ao tema, alguns anos após, em "O Patriotismo na Idade Média", "O Gênio da Gália" e "Nossas Verdadeiras Tradições Nacionais."
Em 1896, em Agen e, depois, no Havre, desenvolveu sua tese sobre a missão da "Donzela", em três grandes conferências: "Joana D'Arc, sua vida, seu processo e sua morte", "Joana D'Arc, suas Vozes" e "Joana D'Arc e o Espiritualismo Moderno".
De novo, voltou ao assunto em sua palestra sobre "Joana D'Arc em Touraine" e "O Papel da Mediunidade na História". Era o momento de condensar tudo em capítulos definitivos, fazendo um livro que trouxesse uma contribuição nova ao estudo desse grande tema.
No começo do novo século, muito se falava de Joana D'Arc e, como de costume na França, haviam subordinado a preocupação pela verdade histórica a preferências de ordem política ou religiosa.
Obras e ensaios contraditórios nasceram desse apaixonado movimento de idéias e de sentimentos, dos quais a memória da "Boa Lorena" mais sofria do que ganhava.
Depois de Thalamas e Anatole France, que só fizeram confundir a questão, Léon Denis abordou essa página da História com um novo método.
Nossos grandes historiadores tinham perfeita compreensão de que, com Joana D'Arc, se achavam diante de um fato excepcional, dificilmente explicável pelos processos habituais. "Jamais a História se aproximou tão perto do milagre", disse um deles, que não era místico. "Quer a Ciência queira ou não, será preciso admitir suas visões", afirmava o sábio e probo Quicherat. A Ciência nada tem a perder, reconhecendo a verdade.
A mediunidade é um fato patente.
Ao afirmar que toda a epopéia de Joana se baseia nessa faculdade ainda mal definida, Léon Denis tentou uma obra certamente audaciosa, mas de forma alguma anticientífica.
A novidade desse método era de ordem psicológica. Somente os conhecimentos psíquicos aprofundados possibilitam encontrar o "fio condutor que orientará os historiadores, no meio dos episódios daquela incomparável existência.
Eis porque os escritores, que se basearam exclusivamente nos documentos dos arquivos, nada compreenderam dos prodígios de uma tal vida.
Os historiadores ou hagiógrafos católicos modernos fazem de Joana uma visionária, uma santa.
A Igreja a canonizou; os escritores materialistas anticlericais, baseados numa tese médica perigosa, fazem dela uma histérica.
Em quem acreditar? Como preencher essa lacuna?
"A maior parte dos fenômenos dos passados afirmados em nome da fé, negados em nome da razão, podem, agora, receber umas explicações lógicas, científicas.
Os fatos extraordinários que marcam a existência da Virgem de Orléans são dessa ordem.
Somente seu estudo, tornado mais fácil pelo conhecimento de fenômenos idênticos, observados, classificados e registrados, em nossos dias, pode nos explicar a natureza e a intervenção de forças que atuavam nela, em seu derredor e que orientaram sua vida para um nobre fim."
Tal é a tese que o escritor espírita vai sustentar.
De qual natureza são essa forças? Eis o primeiro ponto a estabelecer. O Espiritismo demonstrou, disse Denis:
“Que laços poderosos unem a Humanidade terrena ao mundo invisível, que uma ação recíproca exerce nos dois sentidos, por seus efeitos, uma estreita solidariedade”.
É por uma incessante ação dos Espíritos sobre a Humanidade, combinada com os efeitos da lei superior de justiça, que se explicam o fato da História.
O aparecimento, no meio das tempestades sociais, de seres especialmente dotados, de missionários encarnados para um objetivo previamente traçado, dá, igualmente a chave de fatos prodigiosos, incríveis, se, para julgá-los, nos limitamos em ver neles o lado puramente terrestre."
E isto é tão verdadeiro para certos povos, como para certos seres predestinados.
Esta versão, examinada sem partidarismo, não deixa de aclarar, singularmente, o "Caso Joana D'Arc". Todavia, quando da publicação da obra, tanto quanto hoje, ela não poderia agradar nem a católicos, nem a ateus.
Léon Denis afirmava, comprovadamente, que Joana não admitia intermediários entre "suas vozes" e Deus; que, mesmo observando os ritos e práticas religiosas de seu tempo, ela se colocava acima de todas as autoridades estabelecidas neste mundo, repetindo, inúmeras vezes, que só se dirigia ao Criador.
O autor foi violentamente marginalizado pelos escritores "bem pensantes". Por essa razão encontrou defensores do lado oposto. "Le Journal", "Eclair" e "Le Matin" o sustentaram, vigorosamente.
"Espiritualistas e científicos, dizia Denis, se estenderão as mãos, por causa dessa interpretação? Pelo menos é uma oportunidade que se lhes oferece, apresentando lhes essa nova tese."
Notou-se que "A Verdade sobre Joana D'Arc" havia tido alguma repercussão, porém, foi em 1912, quando o livro reapareceu com novo título , que obteve inesperados elogios de um alto professor universitário: Desdevizes du Désert, então decano da Faculdade de Letras de Clermont-Ferrand.
Em um magistral artigo de alta crítica, publicado no "Lien", órgão dos "crentes livres", ele apreciava a obra com uma serena imparcialidade.
"Os Orléans de 1429 - escrevia ele - viram em Joana uma santa enviada por Deus, um anjo salvador; os ingleses quiseram que ela fosse uma bruxa. Apesar de toda a nossa vaidade moderna, ficamos limitados a essas duas opiniões primitivas, um pouco modificados."
Fazer da boa Lorena, robusta e valente, de juízo perfeitamente sadio, uma histérica é fora do mais elementar bom-senso. A explicação do escritor espírita é ainda a melhor que pode explicar "suas vozes".
Quanto ao processo, o eminente crítico afirmava que:
“O julgamento iníquo do tribunal eclesiástico pesa igualmente sobre a Igreja, a coroa da Inglaterra e a coroa da França”.
Foi, acrescentava ele, um belo processo da Inquisição, igual a tantos outros.
O mais odioso do processo não foi a fogueira e sim a abjuração arrancada de Joana pelo terror e mais tarde falsificada.
O mais sublime da história da "Donzela" foi a retratação, foi a retomada de consciência, após um instante de fraqueza, foi a coragem com a qual ela exclama diante da fogueira: "A voz me disse que era uma traição abjurar. A verdade foi que Deus me enviou.
O que eu fiz, está bem feito."
O professor assim terminava:
"Aí está porque Joana nos deve ser tão cara: é que ela não admitia nenhum intermediário entre ela e Deus; certa de tê-lo consigo, enfrentou o mundo inteiro unido para a sua condenação."
Não é uma brilhante confirmação do que Léon Denis escrevera?
Quanto à segunda parte da obra, referente às "mensagens", o crítico respeitava, sem querer discutir esses fatos que não interessavam à História, porém, assinalava as páginas de "Jerônimo" sobre o futuro da Igreja, "que são certamente, as mais elevadas e mais nobres do livro." Terminava sua conclusão com uma firmeza perfeita, onde ele opunha a obra do escritor espírita à de Anatole France sobre o mesmo tema:
"A obra de Anatole France está aí para demonstrar a impotência radical do criticismo irônico para compreender o heroísmo e o ideal; e sejam quais forem os exageros dos místicos, é a eles que cabe louvar aqueles que foram grandes pela alma, pelo desinteresse e pela virtude.
Por estranho que possa parecer, por certos aspectos, o livro do sr. Denis é um belo e bom livro, como o livro do sr. Anatole France é um livro mau e feio."
Isto é que é falar claro.
Todavia, houve uma coisa que os críticos não destacaram suficientemente: foi o cuidado carinhoso do autor ao nos apresentar um retrato físico e moral tão real quanto possível, só lhe faltando falar. Para tanto, de nada se esqueceu. Não consultou apenas os textos, como um bom historiador, porém, quis impregnar-se na medida do possível, do ambiente no qual se escoou a curta vida da "Donzela".
E foi a Domrémy que ele se dirigiu, inicialmente.
"Filho de Lorena e, como Joana, nascido no Vale do Mosa, minha infância foi embalada pelas lembranças que ela ali deixou.
Já homem, quis seguir, através da França, as pegadas de seus passos. Repeti a dolorosa caminhada, quase que etapa por etapa. Não ficou lugar algum, por onde ela houvesse passado, que eu não tivesse visitado para meditar, orar e chorar, em silêncio.
Como os cristãos, que percorrem, passo a passo, o caminho que conduz ao Calvário, eu segui a via dolorosa que conduzia ao suplício a grande mártir."
Deduz-se que semelhante método, e um tal amor pelo tema deram uma profunda capacidade de penetração a uma alma dessa envergadura!
Denis percorria esses sagrados lugares, tão caros a toda a alma francesa.
"Revi a humilde cabana, onde ela nasceu, o quarto com estreito respiradouro, onde seu corpo virginal, destinado à fogueira, roçou as paredes; o armário rústico onde ela guardava suas roupas e o lugar onde, empolgada, em êxtase, ouvia suas vozes; depois, a igreja onde tantas vezes orou."
A capela de Bermont, por onde Joana vinha, seguindo pela vereda de Greux; Vouthon, a aldeia natal de sua mãe, Burey, onde se encontra a casa de seu tio Durand Laxart, o Bois-Chenu mais próximo; por todos os cantos ele passou, com o coração cheio de lembranças e o espírito aberto às vozes misteriosas do Alto.
Não foi assim, com essa efusão de alma, que deveria surgir, num passeio vespertino, a primeira comunicação de Joana com seu amigo?
"O ar tremia; tudo parecia iluminado em meu derredor; asas invisíveis vibravam no crepúsculo, uma melodia desconhecida descia dos espaços, embalando meus sentidos e fazendo jorrar minhas lágrimas."
Lembramo-nos desse prelúdio na bela página que abre esse livro.
Os historiadores, os poetas e os artistas tentaram, em oportunidades diferentes, traçar um retrato fiel da "Donzela".
Tarefa difícil, já que não possuímos qualquer desenho, nem a menor pintura autêntica.
Reunindo alguns fragmentos de documentos escritos que chegaram até nós, Léon Denis conseguiu nos apresentar, aos poucos, uma imagem verossímil, bem viva, da heroína.
Quanto ao físico, temos a seu respeito dados bem precisos:
"Ela era bonita e bem feita de corpo", "robusta e incansável", "tendo boa aparência sob as armas", e um "ar risonho e olhos fáceis para as lágrimas."
Os lances do processo nos dizem que seus cabelos eram negros, curtos "em forma de tigela, de modo a formar sobre sua cabeça uma espécie de calota, parecida com um tecido de seda escura."
"Vestida de branco, menos a cabeça, trazia na mão uma machadinha e montava um corcel negro", é como nos aparece Joana, segundo as descrições da época.
Ao demais, possuía uma elegância de maneiras e uma distinção natural, de fazer admiração aos senhores e damas da Corte.
De todos os pintores e escultores que tentaram reconstituir sua imagem, apenas Barrias e Antonin Mercié agradaram a Léon Denis.
Os outros, por ignorância ou falta de compreensão, fracassaram totalmente.
O retrato moral que Denis traça de Joana D'Arc é uma obra- prima de penetração.
"O que mais nos surpreende nela não é sua tarefa heróica, embora única na História, é o caráter admirável, onde se unem e se fundem as qualidades aparentemente mais contraditórias: a força e doçura, a energia e a ternura; a previdência, a sagacidade, o espírito vivo, engenhoso e penetrante, que sabe, em poucas palavras, nítidas e exatas, resolver as mais difíceis questões e as mais ambíguas das situações.
"Era muito confortador conversar com ela", diziam as pessoas de Orléans, chamadas como testemunhas, no processo de reabilitação.
Sua existência toda foi sempre um ensinamento, porque "Joana é tão admirável em suas idéias como em seus atos. Aqueles lábios de 18 anos proferiram afirmativas que merecem figurar ao lado dos mais belos preceitos da Antiguidade."
Ingenuidade e sabedoria, humildade e altivez, ardor varonil, pureza angelical e, acima de tudo, uma infinita bondade. Ela possuía todas as virtudes.
Foi, todavia, na prisão e no correr do processo e até na fogueira que essas virtudes brilharam com um fulgor sobre-humano.
O historiador espírita, tendo seguido Joana, durante sua maravilhosa epopéia, agora a acompanha na prisão e, depois, perante o tribunal.
Sabe-se que Joana ficou, durante meses, "a mercê de mercenários brutais, estúpidos e lúbricos", que tentaram violentá-la e a espancaram; que Stafford e o miserável Loyseleur buscaram comprometê-la.
"Pensemos nos horrores de semelhante situação, em seus pensamentos de mulher, nos receios dessa virgem, exposta a todas as surpresas, a todos os ultrajes a uma contínua privação do repouso e do sono, que lhe quebrantavam suas forças, no meio de ansiedades e incessantes agonias.
Como suportar semelhantes provações, sem a assistência fiel de seus amigos invisíveis, que ela denomina como seus "irmãos do paraíso"?
São eles que lhe dão as forças necessárias e a sustentam nessa hora extrema.
Depois, Denis nos mostra Joana diante do Tribunal do Santo Ofício:
"De um lado, tudo quanto o espírito do mal pode destilar de negra hipocrisia, astúcia, perfídia e ambição servil. Setenta e um padres e doutores, fariseus de coração insensível, todos membros de igreja, porém, para os quais a religião é apenas uma máscara para encobrir ardentes paixões: a cupidez, o espírito de intriga e o fanatismo radical.
Do outro lado, sozinha, sem apoio, sem conselheiro e sem defensor, uma menina de 19 anos, inocente, a pureza encarnada, uma alma heróica num corpo de virgem, um coração sublime e terno, pronto a todos os sacrifícios, para salvar seu país, cumprir com fidelidade sua missão e dar o exemplo da virtude, dentro do dever."
As páginas que Léon Denis consagra à prisão, ao processo e ao suplício são nítidas, incisivas, vingadoras e pungentes, como imagens gravadas em água-forte.
Uma bela luz ardente e serena ali se projeta, emanando um profundo tom de nobreza e de verdade.
Se a memória da Lorena ficou por muito tempo mergulhada em pérfidas sombras, agora se eleva ao seu verdadeiro lugar, que é o da glória imaculada.
"A justiça foi demorada para ela, mas, finalmente, surgiu, brilhante, absoluta e universal."
Será preciso relembrar aqui as singulares apreciações e os ultrajes de jornalistas e de universitários franceses, cegos pela paixão política e religiosa?
Não devem, hoje, envergonhar-se das ímpias palavras saídas outrora de sua pena imprudente?
Léon Denis lhes disse o que pensava deles.
Não apenas alteraram a verdade histórica conscientemente, porém, cometeram, como franceses, uma ação muito vil.
Deviam ler, para se conscientizarem, os autores estrangeiros, em particular os ingleses: Richard Green, Carlyle, John Stirling, Andrew Lang e Bernard Shaw.
Quanto ao seu próprio livro, pode-se afirmar que ele completa admiravelmente os de Michelet, Henri Martin e Lavisse, não quanto a aspectos da História, que não eram de sua obrigação, mas sobre a interpretação de fatos relativos ao milagre.
Esta interpretação tem algo semelhante com a tese católica, mas é, certamente, menos radical.
De qualquer forma, é a mais completa que se possa dar e a mais verossímil.
"Somente vós - escrevia-lhe Albin Valabrégue, depois da leitura de seu livro apresentastes Joana D'Arc em sua verdade total."
Não há sequer um admirador da boa Lorena que não subscreva tal julgamento.
Não é um fato significativo ver-se hoje os ingleses homenagearem aquela que, no passado, queria "enxotá-los para fora da França"?
Os descendentes dos bretões, em particular, os reconheceriam um parentesco espiritual do rei Artur com Joana D'Arc, a Velleda Lorena?
Será isto um novo milagre, um alma céltica?
Não obstante os desentendimentos passageiros, mais aparentes que reais, a fulgurante glória de Joana D'Arc trabalhou pela reaproximação de dois grandes povos, destinados a se entenderem e a se unirem numa tarefa civilizadora comum e também o radioso arcanjo, mais do que nunca vivo e atuante nos planos superiores da existência, se dedica, asseguranos o Mestre, a desarmar os tolos ressentimentos e a acalmar os corações furiosos dos homens.
"Por que eu odiaria os ingleses? disse ela, em uma de suas mensagens; eu lhes devo uma bela coroa de luz." Assim, Jehanne de Domrémy continua sua missão de mediadora acima de nossas paixões e de nossas disputas, geralmente tolas ou imprudentes.
Escrevendo esse livro irradiante de fé espírita, Léon Denis só vislumbrava um objetivo: basear-se nos testemunhos históricos para refazer a verdadeira e sublime imagem da Santa da Pátria.
Devemos à sua filosofia tão humana, tão compreensiva e tão prudente uma obra profunda e de uma beleza que não será jamais ultrapassada.

Léon Denis

segunda-feira, 12 de abril de 2010

OS PROBLEMAS DA EXISTÊNCIA

EM LEMBRANÇA AOS 83 ANOS DO DESENCARNE DE LÉON DENIS,
OCORRIDO EM 12 DE ABRIL DE 1927.

O que importa ao homem saber, acima de tudo, é: o que ele é, de onde vem, para onde vai, qual o seu destino. As idéias que fazemos do universo e de suas leis, da função que cada um deve exercer sobre este vasto teatro, são de uma importância capital. Por elas dirigimos nossos atos. Consultandoas, estabelecemos um objetivo em nossas vidas e para ele caminhamos. Nisso está a base, o que verdadeiramente motiva toda civilização.

Tão superficial é seu ideal, quanto superficial é o homem. Para as coletividades, como para o indivíduo, é a concepção do mundo e da vida que determina os deveres, fixa o caminho a seguir e as resoluções a adotar.

Mas, como dissemos, a dificuldade em resolver esses problemas, muito freqüentemente, nos faz rejeitálos.

A opinião da grande maioria é vacilante e indecisa, seus atos e caracteres disso sofrem a conseqüência. É o mal da época, a causa da perturbação à qual se mantém presa. Tem-se o instinto do progresso, pode-se caminhar mas, para chegar aonde? É nisto que não se pensa o bastante. O homem, ignorante de seus destinos, é semelhante a um viajante que percorre maquinalmente um caminho sem conhecer o ponto de partida nem o de chegada, sem saber porque viaja e que, por conseguinte, está sempre disposto a parar ao menor obstáculo, perdendo tempo e descuidando-se do objetivo a atingir.

A insuficiência e obscuridade das doutrinas religiosas e os abusos que têm engendrado, lançam numerosos espíritos ao materialismo. Crê-se, voluntariamente, que tudo acaba com a morte, que o homem não tem outro destino senão o de se esvanecer no nada.

Demonstraremos a seguir como esta maneira de ver está em oposição flagrante à experiência e à razão. Digamos, desde já, que está destituída de toda noção de justiça e progresso.

Se a vida estivesse circunscrita ao período que vai do berço à tumba, se as perspectivas da imortalidade não viessem esclarecer sua existência, o homem não teria outra lei senão a de seus instintos, apetites e gozos. Pouco importaria que amasse o bem e a eqüidade. Se não faz senão aparecer e desaparecer nesse mundo, se traz consigo o esquecimento de suas esperanças e afeições, sofreria tanto mais quanto mais puras e mais elevadas fossem suas aspirações; amando a justiça, soldado do direito, acreditar-se-ia condenado a quase nunca ver sua realização; apaixonado pelo progresso, sensível aos males de seus semelhantes, imaginaria que
se extinguiria antes de ver triunfarem seus princípios.

Com a perspectiva do nada, quanto mais tivesse praticado o devotamento e a justiça, mais sua vida seria fértil em amarguras e decepções. O egoísmo, bem compreendido, seria a suprema sabedoria; a existência perderia toda sua grandeza e dignidade. As mais nobres faculdades e as mais generosas tendências do espírito humano terminariam por se dobrar e extinguir inteiramente.

A negação da vida futura suprime também toda sanção moral. Com ela, quer sejam bons ou maus, criminosos ou sublimes, todos os atos levariam aos mesmos resultados. Não haveria compensações às existências miseráveis, à obscuridade, à opressão, à dor; não haveria consolação nas provas, esperança para os aflitos. Nenhuma diferença se poderia esperar, no porvir, entre o egoísta, que viveu somente para si, e freqüentemente na dependência de seus semelhantes, e o mártir ou o apóstolo que sofreu, que sucumbiu em combate para a emancipação e o progresso da raça humana. A mesma treva lhes serviria de mortalha.

Se tudo terminasse com a morte o ser não teria nenhuma razão de se constranger, de conter seus instintos e seus gostos. Fora das leis terrestres, ninguém o poderia deter. O bem e o mal, o justo e o injusto se confundiriam igualmente e se misturariam no nada. E o suicídio seria sempre um meio de escapar aos rigores das leis humanas.

A crença no nada, ao mesmo tempo em que arruína toda sanção moral, deixa sem solução o problema da desigualdade das existências, naquilo que toca à diversidade das faculdades, das aptidões, das situações e dos méritos. Com efeito, por que a uns todos os dons de espírito e do coração e os favores da fortuna, enquanto que tantos outros não têm compartilhado senão a pobreza intelectual, os vícios e a miséria? Por que, na mesma família, parentes e irmãos, saídos da mesma carne e do mesmo sangue, diferem essencialmente sobre tantos pontos? Tantas questões insolúveis para os materialistas e que podem ser respondidas tão bem pelos crentes. Essas questões, nós iremos examinar brevemente à luz da razão.

Léon Denis
O PORQUÊ DA VIDA

domingo, 11 de abril de 2010

A CASA DE DEUS


EM LEMBRANÇA AOS 110 ANOS DO DESENCARNE DE ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI, OCORRIDA EM 11 DE ABRIL DE 1900, ÀS 11:30 Hs.

A CASA DE DEUS, filhos, é o universo inteiro, porque Deus está em toda parte, a revelar-se para que as fôrças do mal não conduzam para as trevas os que buscam a luz, para orientar-lhes a caminhada pela estrada da vida, em roteiro seguro para a perfeita união com o Pai, que é o supremo amor, a suprema alegria, tão bem representado pelo espelho sublime que sua imagem reflete: JESUS.

O nosso Mestre amado ensina-nos em seu Evangelho de amor o caminho da Verdade, fazendo de nossos corações, alimentados por pensamentos puros de mentes já iluminadas para orientar as atitudes fraternas de paz e amor à serviço do Cristo de Deus, esclarecem as ovelhas a fim de que não se desviem do caminho verdadeiro, fazendo das casas de oração casas de comércio. Pois, onde as almas se reunem para o maravilhoso encontro com Deus, não se permite nem um só gesto que identifique qualquer transação comercial, porque o ouro traz a ambição e a ambição pelo ouro é que perde as almas, interrompendo a caminhada para Deus.

O Mestre Jesus nos adverte quanto a isso de forma bem concisa, que não deixa nem uma dúvida. Mas certos orientadores religiosos é que não querem entender a Divina Mensagem do Mestre.

Quando Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém, o povo veio alegremente para as ruas para recebê-lo, bradando em vozes fortes e cheias de entusiasmo: Viva Deus nas alturas e Jesus entre os homens!

Jesus foi ao Templo. Pelos pátios, pelos arredores e dentro do Templo, se fazia mercado de animais, cereias e tudo quanto aquela gente possuía para vender, com o consentimento dos sacerdotes. Então, Jesus mandou que se retirassem dali com suas súplicas das criaturas a seu Criador. Foi para terem aquele recanto reservado, onde pudessem falar com Deus e seus anjos(ou Espíritos), que os homens construíram seus templos. É ali que as almas se abrem, cheias de fé, porque lá estão as vibrações puríssimas do Amor do Pai para suas criaturas.

Ali é famosa escada de Jacó, por onde sobem as preces, as súplicas, as manifestações de amor e gratidão, e por onde descem, em catadupas de amor, as bênçãos e as respostas que os céus enviam às almas da Terra. Profanar um templo é grande crime. Por isso o Divino Senhor espantou daquele lugar sagrado os que o maculavam com sua cobiça e egoismo.

Naquele acumulado de vibrações de amor, de prece, de perdão, na explosão da sua fé e confiança em Deus, as criaturas achavam-se em Jesus. Ele estava ali na manifestação da mais alcandorada efusão de amor para com Deus; e, por isso Ele disse: “A minha casa é casa de oração”. Sim ali, e onde quer se faça oração, está unido com o Cristo, porque Ele disse: “Eu e meu Pai soms um”. Assim, bem claro ficou seu pensamento, quando disse a João: “Não proibais que curem em meu nome, esses não são contra mim”.

E para que estejamos com Cristo, necessário se faz cumpramos seus ensinamentos evangélicos, não desobedecendo as suas determinações e procurando estar com Ele tanto quanto Ele está conosco.

Bezerra de Menezes

sábado, 10 de abril de 2010

JEHANNE É INTERROGADA NA PRISÃO PARA SUBMISSÃO A IGREJA E OS DOZE ARTIGOS DE CONDENAÇÃO



E no sábado seguinte, o último dia do mês de março, véspera da Páscoa, sob a presidência de nós, os juízes citado, na prisão de Joana, sendo assistida pelos Senhores e Mestres, Beaupère Jean, de J. Touraine, N. Midi , P. Maurício, G. Feuillet, G. Haiton, e T. de Courcelles, Guillaume Muton e John Grey, testemunhas:

Jeanne tinha sido questionada como se segue, tocando diversos pontos em que ela fez como foi visto, perguntar demora em responder:

"Será que você se refere-se ao juízo da Igreja sobre a terra para tudo o que você disse ou fez, seja ela boa ou ruim? Especialmente se você se referir à Igreja dos casos, os crimes e delitos que são imputados a você e a tudo o que toca neste julgamento?

"Em tudo o que me pedem, vou me referir à Igreja militante, desde que não comando nada impossível. E eu mantenha como uma coisa impossível declarar que minhas ações e as minhas palavras e tudo o que eu respondi sobre o assunto de minhas visões e revelações não tenho feito e dito por ordem de Deus: essa, eu não vou declarar nada em todo o mundo. E que Deus me fez fazer, tinha ordenado ou ordenar, não vou deixar de fazer para qualquer homem viva. Seria impossível para eu revogá-la. E no caso de a Igreja queira que eu faça algo contrário à ordem que me foi dada de Deus, eu não consenti-la, seja ela qual for. "

"Se a Igreja militante diz que suas revelações são ilusões ou coisas diabólicas, você vai adiar para a Igreja?"

"Vou adiar a Deus, Mandamento quem eu sempre faço. Eu sei bem que o que está contido no meu caso veio a mim pelo mandamento de Deus, o que afirmo no caso é que eu tenho agido por ordem do Deus: é impossível para eu dizer o contrário. No caso, a Igreja deve prescrever o contrário, eu não deveria se referir a qualquer um no mundo, mas somente a Deus, Mandamento quem eu sempre seguir. "

"Não acredito que você, então você está sujeito à Igreja de Deus que está sobre a terra, isto é, o nosso Senhor, o Papa, aos Senhores Cardeais, Arcebispos, Bispos e outros prelados da Igreja?"

"Sim, eu me sujeito a elas, mas Deus deve ser servido em primeiro lugar."

"Você, em seguida, o comando de suas Vozes não submeter-se à Igreja militante, que está na terra, nem a sua decisão?"

"Eu respondo nada da minha própria cabeça, que eu respondo é por comando de minha voz, eles não me desobedecer a ordem da Igreja, mas Deus deve ser servido em primeiro lugar."

"No Castelo de Beaurevoir, em Arras ou em outro lugar, você tinha todos os arquivos?

"Se foram encontradas em cima de mim, não tenho nada a dizer."

Isto feito fez aposentar, adiando a continuação do presente julgamento para a crença.

DELIBERAÇÕES REALIZADAS EM 2 de abril, 3, 4 e 5.

A escolha é feita de afirmações em que a deliberação deve ter, e estas afirmações são elaboradas em doze artigos.

A segunda, terça e quarta-feira após a Páscoa, a 2, 3 e 4 de abril, no ano de Nosso Senhor, 1431.

Nós, os juízes, que convocou diversos doutores e mestres com quem examinou cuidadosamente a Setenta artigos que foram recentemente transcritos, juntamente com as perguntas e respostas de Jeanne, associadas a cada um desses setenta artigos.

Este exame realizado, nós decidimos que é conveniente para extrair dessa coleção algumas afirmações e propostas, e para incorporar estas afirmações e proposições em apenas doze artigos, que devem, portanto, compreender, em um resumo e uma forma sucinta, a maior parte da as palavras do acusado.

Estes doze artigos de ter sido preparado, nós, os juízes, não decreto que é conveniente para transmitir esses artigos com os médicos, e outros, especialista em leis divina e humana, a fim de que a partir deles, para o benefício da Fé, consultoria e aconselhamento sobre o caráter das afirmações nele contidas.

[O Setenta artigos anteriores, que constituem a Lei de acusação para o julgamento, foram reduzidos a doze por Maître Nicolas Midi; doze artigos são dados aqui.]

Os doze artigos de acusação.

ARTIGO 1
Essa mulher disse e afirmo que quando era da idade de treze anos ou por aí, ela fez, com os olhos corporais, ver Saint Michael vir para confortá-la, e de vez em quando também de São Gabriel, que tanto um como o outros lhe apareceu em forma corporal. Às vezes, ela também tinha visto uma grande multidão de anjos, desde então, Santa Catarina e Santa Margarida tem se mostrado a ela em forma corpórea, a cada dia ela vê estes dois santos e ouve a sua voz, tinha muitas vezes beijou e abraçou-os, e às vezes ela tivesse tocado em uma forma física e corporal. Ela tinha visto os chefes desses anjos e esses santos, mas o resto das suas pessoas e dos seus vestido que ela vai dizer nada. A referida Santa Catarina e Santa Margarida, também anteriormente falado com ela perto de uma nascente que corre no sopé de uma grande árvore, no bairro chamado "As Fadas" Árvore ". Esta Primavera e esta árvore, no entanto, ter sido, segundo se diz, freqüentados por fadas, as pessoas doentes da peste ter reparado que em grande número para recuperar sua saúde. Esta Primavera e esta árvore está, no entanto, em um lugar profano. Lá e em outros lugares que muitas vezes estes dois santos venerados, e fizera-lhes obediência.

Além disso, ela disse que Santa Catarina e Santa Margarida apareceram e mostraram-se a ela adornada com mais bonitas e mais coroas preciosas. Neste momento, e muitas vezes, pois, eles anunciaram a ela, pela ordem de Deus, que era para ir em busca de um certo príncipe secular, prometendo que, por sua ajuda e socorro, o príncipe deve mesmo, por força de armas, recuperar um grande domínio temporal ea honra deste mundo, e deve obter a vitória sobre seus adversários: esse mesmo príncipe recebeu dela, e sua decoração com armas e soldados para a realização do que foi dito. Além disso, Santa Catarina e Santa Margarida ter ordenado essa mesma mulher, pelo comando de Deus, para levar e vestir-se de um homem, que tinha dado e não têm ainda, a persistência em obedecer a essa ordem, na medida em que ela disse preferiria morrer a renunciar a esse vestido, acrescentando que ela só vai abandoná-lo por ordem expressa de Deus. Ela ainda não preferenciais para auxiliar no exercício da Missa e privar-se da Sagrada Comunhão da Eucaristia, no momento em que a Igreja ordena o crente para recebê-lo, ao invés de retomar o vestido feminino e para encerrar esse hábito do homem .

A mulher disse que tinha ido tão longe, sob a inspiração destes dois Santos, que, sem o conhecimento e contra a vontade dos pais, na idade de dezessete anos, ela fez sair da casa paterna e juntou-se a uma grande tropa de soldados, com quem ela vivia dia e noite, sem nunca ter tido, ou pelo menos muito raramente, uma outra mulher com ela. Estes dois Santos ter dito e previsto para ela muitas outras coisas pelas quais ela se declara enviado pelo Deus do Céu e da Igreja Vitoriosa, composto por santos que já desfrutam de bem-aventurança celestial, é para eles que ela considera como certo tudo o que tinha feito. Quanto à Igreja militante, ela teve adiada e se recusou a submeter-se, seus atos e suas palavras para ele, embora muitas vezes necessária e advertiu para tal, dizendo sempre que é impossível para ela fazer ao contrário do que tinha, em seu julgamento, afirmou ter feito por ordem de Deus, e que, por estas coisas que ela não faz referência à decisão ou do acórdão de qualquer homem vivo, mas ao julgamento de Deus.

Os Santos disseram ter revelado a esta mulher que ela vai obter a glória do abençoado e ganharão a salvação de sua alma, se ela fez preservar a virgindade, que ela prometeu a esses santos a primeira vez que ela viu e reconheceu-os. Como resultado dessa revelação, ela fez afirmar que ela é a certeza da sua salvação, como se, agora e na verdade, ela já estava no Reino dos Céus.

ARTIGO 2 º
A mesma mulher disse que o sinal que foi recebido pelo príncipe a quem foi enviado - um sinal que decidiu este Príncipe a acreditar nela e para ajudá-la a continuar a guerra - foi que São Miguel disse que veio para o príncipe, acompanhado por uma multidão de anjos, alguns dos quais tinham coroas e outros tinham asas, com eles também foram Santa Catarina e Santa Margarida. Ela e o Anjo prosseguiram juntos, os pés tocando o chão, à beira da estrada, a escada, e a câmara do príncipe, o Angel foi acompanhado por outros Anjos e por estes dois santos, que deu ao príncipe uma coroa, muito precioso e feito de ouro puro, curvando-se diante dele e fazendo-lhe reverência. Uma vez ela disse que quando seu príncipe recebeu esse sinal, pareceu-lhe que ele estava sozinho, apesar de muitas outras pessoas que estavam por perto, uma outra vez que ela tinha dito que lhe parecia que o arcebispo tinha recebido o sinal da coroa e tinha dado ao príncipe, com a presença de vários senhores temporal.

ARTIGO 3 º
A mesma mulher que digo e afirmo que quem visitá-la é Saint Michael, o que faz com que ela acredite nele é o bom conselho, o conforto e o bom ensino que ele deu a ela, e porque ele nomeou-se a ela, e lhe dissera que ele era São Miguel. Ela, da mesma forma reconhecida de Santa Catarina e Santa Margarida, ela sabia distinguir um do outro, porque o nome dela e se a cumprimentá-la.

Sobre o tema da pretensa Saint Michael, que apareceu para ela, ela acredita que é verdadeiramente Saint Michael, e os ditos e feitos do presente Michael acredita ser verdadeiro e bom como o que ela acredita firmemente que Nosso Senhor Jesus sofreu e morreu por nossa redenção.

ARTIGO 4 º
A mesma mulher que dizer e afirmar que ela está certa sobre o que deve acontecer sobre o tema de certas coisas futuras, tão certas como ela está certa de que ela os vê passar sob seus olhos. Sobre o tema das coisas ocultas que se vangloriou de conhecer ou ter tido conhecimento deles através das revelações que foram feitas a ela pelo Vozes de Santa Catarina e Santa Margarida: por exemplo, que serão entregues a partir de seu cativeiro, e que os franceses vão fazer, sob sua orientação, os maiores façanhas que já fiz em toda a cristandade, por exemplo, novamente, ela disse que tinha conhecido pela revelação sem um apontando-os para ela, homens que ela nunca tinha visto, e revelou-se e apontou a existência de uma espada que estava escondida na terra.

ARTIGO 5 º
A mesma mulher que dizer e afirmar que, pelo comando e boa vontade de Deus, ela tinha tomado e suportadas e continua ainda a ter um vestido de homem. Além disso, ela disse isso, porque ela tinha o comando de Deus para ter esse hábito, era necessária que ela deve ter uma túnica curta, boné, jaqueta, calças, mangueira com muitos pontos, cortar o cabelo fechar acima das orelhas, mantendo-se sem roupa o que pode indicar seu sexo. Ela disse e afirmo que ela tinha este vestido, por diversas vezes recebeu o sacramento da Eucaristia. Ela não tinha desejado e que ainda não o desejo de retomar o vestido da mulher, embora muitas vezes necessária e caridade admoestado fazê-lo. Às vezes, ela disse que preferia morrer a deixar de fora o vestido que ela tem às vezes ela disse que vai deixá-lo fora só pelo comando de Deus. Ela fez também dizer que, se ela voltou a encontrar-se com este vestido entre aqueles para quem ela havia se armado, ela agiria como ela fez antes de sua captura, e isso seria, ela fez acrescentar, um dos maiores benefícios que poderiam acontecer todo o reino da França. Além disso, por nada no mundo que ela vai jurar a usar este vestido ou pegar em armas, não mais. Em tudo isso, ela disse que ela tinha feito e fez bem, obedecendo a Deus e Seus mandamentos.

ARTIGO 6 º
A mesma mulher que confessar e reconhecer que ela tinha feito para ser escrito muitas cartas e avisos sobre os quais foram colocados os nomes de "Jhesus Maria", com o sinal da Cruz. Às vezes, ela colocou uma cruz, e entre ela e seu partido isso significava que ela não queria que eles façam o que na mesma carta que ela lhe disse para fazer. Em outros momentos, ela causou a ser escrito que ela teria que aqueles que não obedecem a suas advertências mortas, e "pelos golpes daria veriam que o verdadeiro direito do Deus do Céu". Ela tinha dito muitas vezes que ela não tinha feito nada, mas pela revelação de Deus e da ordem.

ARTIGO 7
A mesma mulher disse e confesso que, sendo da idade de dezessete anos, pela revelação, como ela disse, e espontaneamente, ela passou a procurar um cavaleiro a quem ela nunca tinha visto, abandonando para este telhado paternal, contra a vontade dos seus pais. Estes, quando eles tinham conhecimento de sua partida, eram selvagens, com tristeza. Esta mesma mulher mandou o cavaleiro a realizá-la, ou tê-la realizado, com os Príncipes já mencionados. O disse Knight, ou Capitão, mobiliado essa mulher, em sua demanda, com o vestido de um homem e uma espada, e nomeado e ordenado por seu comportamento um cavaleiro, um escudeiro, e quatro funcionários. Quando eles vieram para o príncipe, a mulher lhe disse que queria lutar contra seus adversários. Ela prometeu para estabelecê-lo em grande e soberania para vencer seus inimigos, e para isso ela tinha sido enviada pelo Deus dos Céus. Ela disse que tinha agido bem, tendo tido a revelação e o comando de Deus.

ARTIGO 8 º
A mesma mulher que dizer e afirmar que ela, de si mesma, não uma obrigação dela, jogou-se para baixo de uma torre muito alta, desejando, em vez de morrer do que ser colocada nas mãos de seus inimigos e de viver após a destruição da cidade de Compiegne. Ela disse também que ela não foi capaz de evitar esta queda, apesar de Santa Catarina e Santa Margarida havia proibido a ela. Ofendê-los é, ela mesma disse, um grande pecado. Mas ela sabia que esse pecado foi remetido à ela depois que ela confessou que, ela disse que recebeu a revelação do presente.

ARTIGO 9
A mesma mulher disse que Santa Catarina e Santa Margarida prometeram manter suas para o Paraíso, se ela preservar a virgindade com o cuidado do corpo e da alma, que ela prometeu a eles. Desse ela disse que é tão certo como se ela já estava na glória dos bem-aventurados. Ela não acha que ela tinha cometido pecado mortal, pois, se estivesse em estado de pecado mortal, ela disse que lhe parecia que Santa Catarina e Santa Margarida não iriam visitá-la todos os dias como eles fazem.

ARTIGO 10
A mesma mulher que dizer e afirmar que Deus amou diversas pessoas que ainda vivem, designado por seu nome e, mais do que Ele fez esta mulher: isso, ela sabia por revelação de Santa Catarina e Santa Margarida, que fala frequentemente com ela, mas em francês e não em Inglês, porque estes santos não estão do lado do Inglês. Desde que ela tinha conhecido pela revelação de que suas vozes foram para o Príncipe citada ela tinha deixado de amar os burgúndios.

ARTIGO 11
A mesma mulher disse e confesso que, para as vozes e os Espíritos agora sob consideração, a quem ela chama Michael, Gabriel, Catarina e Margarida, ela fez muitas vezes fazem reverência, descobrindo, dobrando o joelho, beijando a terra em que eles andam, jurando para eles a virgindade dela, às vezes aos beijos e abraços de Santa Catarina e Santa Margarida, tinha tocado com as próprias mãos, corporalmente e fisicamente, ela havia pedido ao conselho e ajuda-los, às vezes ela fez chamá-los, e eles ainda vêm ela sem ser chamado, ela adere e obedece a seus conselhos e suas ordens tinham sempre lhes obedeceu, sem ter solicitado o conselho de quem nela seja - pai, mãe, curar, prelado, ou qualquer outro clérigo qualquer. Ela acreditava firmemente nada menos que as vozes e as revelações que ela recebe por meio dos Santos dos quais ela fala vem de Deus e por Sua ordem: ela acredita que tão firmemente como ela acredita que a fé cristã e que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu para nós, Paixão e Morte. Ela fez acrescentar que, se fosse um espírito maligno que veio com ela sob a aparência ea máscara de Saint Michael ia muito bem souberam distinguir que não era São Miguel. Finalmente, ela disse que de sua vontade própria e sem qualquer pressionando ela mesma, ela tinha feito a Santa Catarina e Santa Margarida, que apareceu para ela, para revelar a ninguém o sinal da coroa dado ao príncipe a quem foi enviado, até que ela deveria ter permissão de Deus para revelá-la.

ARTIGO 12
A mesma mulher disse e confesso que, se a Igreja queria que ela devesse fazer algo contrário à ordem que ela fez a pretensão de ter recebido de Deus, ela não consentiria, tudo o que poderia ser. Ela fez afirmar que ela conhece bem, que todos contidos em seu julgamento chegaram a ela por ordem de Deus, e seria impossível para ela fazer ao contrário do que ela fez. Então ela não quis se referir à decisão da Igreja militante, nem a qualquer um, quem quer que seja no mundo, mas somente a Deus, Nosso Senhor, cujos comandos que nem sempre executar, sobretudo no que diz respeito a suas revelações e, o que ela fez em consequência. Esta resposta e todos os outros não são de sua própria cabeça, disse ela, mas ela tinha feito e dado a eles por ordem de suas vozes e revelações: ela fez persistir [nesta], embora pelos juízes e outros dos avaliadores, a artigo de fé, "A Igreja, Una, Santa, Católica," tinha sido muitas vezes chamado de volta para ela, e muitas vezes tinha sido mostrado a ela que todos os fiéis são obrigados a obedecer a Igreja militante ea apresentar-lhe as suas palavras e ações acima de tudo em matéria de fé e em tudo o que diz respeito a doutrina sagrada e sanção eclesiástica.

Doze artigos são enviados para o Comitê.

A seguinte quinta-feira, 5 abril, Nós, os juízes, enviou artigos em questão a cada um dos doutores e mestres com conhecimento dos mesmos, quem sabia que eram para ser encontrado nesta cidade. Temos acompanhado o nosso missivo com uma carta de requisição para cada um deles, redigida nos seguintes termos:

"Nós, Pierre, pela misericórdia divina Bispo de Beauvais, eo irmão Jean Lemaitre, vigário da Inquisição, para você, como [um aqui segue o nome, sobrenome e qualidade do Doutor ou Mestre], nós te rogamos, e para o bem da Fé, exigem que, antes da próxima terça-feira que vai nos dar por escrito e sob o seu selo conselho salutar sobre o tema das afirmações cargo nos Doze artigos em anexo, a fim de saber se, o referido afirmações por você ser maduramente ponderado, considerado, e comparados, todas ou nenhuma delas lhe parece contrário à fé ortodoxa, ou, em qualquer ponto contrárias às Escrituras Sagradas, as decisões da Santa Igreja Romana, para as decisões dos médicos aprovados pela Igreja, ou para a sanção canônica, e se todas ou algumas lhe parecer escandaloso, audacioso, perturbando a Commonwealth, prejudicial, criminoso, ao contrário dos bons costumes, ou culposa, em qualquer outra forma, e em vigor para você dizer que parece que você deve ser promulgada em relação a eles em uma questão de fé.

Escrito em Rouen, quinta-feira depois da Páscoa, 5 de abril, do ano de nosso Senhor, 1431. "