quinta-feira, 22 de abril de 2010

AÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL

“Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluídos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.”
(A Gênese, Allan Kardec, capítulo 14º, item 14.)

Quando nós, encarnados, chegamos à reunião mediúnica já o ambiente espiritual está preparado, de acordo com as tarefas programadas.

A sala passa por rigorosa assepsia, visando defendê-la das larvas psíquicas criadas pelas emissões mentais negativas e profundamente desequilibradas dos obsessores e demais enfermos espirituais (01).

Assinala André Luiz: “A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.” (02)

Explica-nos o Espírito Efigênio S. Vítor que em cada reunião espírita, orientada com segurança, trabalham equipes especializadas que têm a incumbência de preparar o ambiente espiritual, dando a esses trabalhadores dedicados o nome de Espíritos Arquitetos. Informa-nos, ainda, que havendo um grupo de pessoas com um “centro mental definido, para o qual convergem todos os pensamentos, possibilitando a formação de “vasto reservatório de plasma sutilissimo” (03), utilizado pelos trabalhadores mencionados na criação de formas-pensamentos constituindo paisagens, telas, painéis movimentados com imagens temporariamente vivas, criadas após pesquisa sobre o passado dos comunicantes que devam ser amparados. E durante o horário da reunião formam-se assim jardins, hospitais, templos, escolas, quadros, espelhos ectoplásmicos e recursos outros que façam os irmãos necessitados recordarem-se do seu pretérito. Com essas providências feitas de modo tão cuidadoso, é possível sensibilizar tais corações, favorecendo a compreensão imprescindível.

Por outro lado, os Espíritos que irão comunicar-se são trazidos ao recinto e permanecem dentro do círculo magnético formado para mantê-los não só na faixa vibratória mais próxima dos participantes da esfera física, como também no intuito de retê-los, para que recebam todos os benefícios possíveis em cada caso.

Todos os que forem escalados para a comunicação recebem tratamento especial, visando, em alguns casos, a diminuir ou atenuar os efeitos dos fluídos pesados, grosseiros, que emitem. Enquanto isto, os médiuns designados para tais e quais comunicações recebem toda a assistência imprescindível a colocá-los em condições compatíveis com as dos comunicantes. Assim, são-lhes fornecidos fluídos magnéticos que os fortalecerão, enquanto que servirão também de defesas contra as vibrações desequilibradas dos obsessores e sofredores.

Outro recurso adotado pelos trabalhadores espirituais nas reuniões, conforme foi explicado há anos pelo Espírito Ivon Costa, é a transmissão das ocorrências das reuniões (quando se faz necessário), ampliando-se as vozes através de aparelhos análogos aos nossos amplificadores ou alto-falantes, para serem ouvidas na via pública, com a finalidade de se atender às entidades espirituais sofredoras, perturbadas e perturbadoras.

A ação dos Trabalhadores da Espiritualidade é feita, sobretudo, de maneira muito prática — e nem poderia ser de outra forma —, visando sempre a auxiliar maior número possível de sofredores.

Ao comunicar-se, quase sempre o Espírito é como que o representante de um número bem grande de outros em idênticas condições. Não podendo e nem necessitando manifestarem-se todos, um é designado para isto. Os demais companheiros em problemas e sofrimentos beneficiam-se ouvindo as palavras do doutrinador, e igualmente recebem as vibrações amorosas dos presentes.

Como exemplo do trabalho acima mencionado apresentamos dois casos.

1º CASO

Certa noite, na reunião de desobsessão em que trabalhamos, comunicou-se um Espírito que havia partido em plena juventude. Havia sido estudante de Engenharia em Belo Horizonte e desencarnara dirigindo o seu automóvel — o prêmio que recebera ao ser aprovado no vestibular — quando voltava da Universidade onde cursava o primeiro ano. O doutrinador confortou e esclareceu o jovem, com palavras repletas de carinho. O esclarecimento foi ouvido, simultaneamente, por um grupo de jovens presentes, todos desencarnados na faixa etária de 16 a 23 anos, aproximadamente. A presença desse grupo foi pressentida por todos, o que motivou uma homogeneidade incomum de vibrações. Foi uma noite belíssima e de grande aproveitamento espiritual, em que a caridade e o amor iluminaram o ambiente.

2º CASO

Certa ocasião comunicaram-se três Espíritos que tinham uma problemática em relação ao aborto. As comunicações, uma em seguida à outra, eram todas vinculadas ao assunto.

A primeira delas foi a de um médico que, enquanto encarnado, dedicara –se a fazer abortos. Apresentou-se muito perturbado, perseguido por vários Espíritos. Acusava a si mesmo de criminoso e sentia-se aterrorizado com os próprios atos. Estava arrependido — dizia sem cessar — e tinha muito medo dos que o perseguiam.

O segundo comunicante foi uma mulher. Acusava o médico, a quem perseguia, desejosa de vingar-se. Explicou ter morrido em suas mãos, quando este tentava provocar-lhe a interrupção de uma gravidez. Estava atormentada pelo remorso dessa ação e pelo ódio que nutria pelo médico.

Ambos foram esclarecidos e retiraram-se bastante reconfortados.

A terceira entidade era também uma mulher. Veio para apoiar e estimular o nosso trabalho. Já possuía bastante conhecimento sobre a vida espiritual e trabalhava muito, principalmente ajudando a combater a idéia e a prática do aborto. Ela mesma, em sua última existência, havia cometido esse crime, quando da gestação de seu sexto f ilho. Sendo pobre e lutando com dificuldades de toda ordem, ao engravidar pela sexta vez, desorientou-se e provocou o aborto, do qual se arrependeu imediatamente. Jamais se perdoara e daí para frente sofreu duplamente, carregando o peso do remorso. Teve um a existência longa, de muitas lutas e desencarnou após prolongada moléstia. No plano espiritual, encontrou-se com aquele que seria o seu sexto filho e teve um grande abalo ao certificar-se que era um ente muito querido ao seu coração e que iria reencarnar com a finalidade de ajudá-la. Ele a havia perdoado, mas ela, inconformada com o fato, não conseguira até então perdoar a si mesma. Dedicou-se, por isto, ao trabalho de preservação da vida, ao mesmo tempo em que faz parte de um grupo de atendentes (ou enfermeiros), dedicados a socorrer os que praticam esse delito e que jazem no remorso e no desespero.

Estava conosco naquela noite, acompanhando vários Espíritos comprometidos por esse mesmo crime.

Foi um belo trabalho, e uma vez mais emocionamo-nos ante as lições maravilhosas que recebemos nas reuniões de desobsessão.

AÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL: UM QUADRO DE RARA BELEZA

Em nossa equipe de desobsessão, estávamos realizando, há algumas semanas, determinado trabalho com um grupo de entidades bastante endurecidas e muito cultas. As comunicações se sucediam e os obsessores apresentavam-se como perseguidores do movimento espírita.

A cada reunião os doutrinadores desdobravam-se em argumentações elucidativas, buscando mostrar a toda a falange a real situação e m que se encontrava, em virtude dos erros cometidos. Usaram vários tipos de abordagem e notou-se que, após algumas semanas, as energias desses infelizes irmãos começaram a decrescer. Já não tinham mais tanta veemência e os argumentos que usavam eram totalmente sobrepujados pela palavra firme dos doutrinadores, toda ela baseada no Evangelho.

Finalmente, uma noite, os dois mais rebeldes e frios sentiram-se tocados.

Os esclarecimentos, que a cada sessão se aprofundavam mais no cerne da problemática que apresentavam, dessa vez atingiram o auge.

Foi quando um dos obsessores, afinal plenamente conscientizado do mal praticado e do estado lamentável em que se encontrava, sentiu-se desorientado, no fim de suas forças, aflito e com uma sensação de sufocamento insuportável. Em sofrimento, disse estar sedento e pediu água. Nesse momento, o Mentor dos trabalhos interveio e, por nosso intermédio, começou lentamente a descrever a passagem em que Jesus no “poço de Jacó” oferece à mulher samaritana a água viva, aquela que realmente dessedenta por todo o sempre.

À medida que ia descrevendo a cena, começou a se formar um deslumbrante quadro fluídico, com a reprodução do encontro do Mestre com a mulher de Samaria. Este painel, suspenso no ar, acima de nossas cabeças, reproduzia a passagem evangélica, estando o Senhor sentado junto ao poço e a samaritana com o cântaro nas mãos, de pé, a seu lado. A tela tinha movimento, cor e luz, qual se fosse uma cena cinematográfica; parecia real, viva, tanto que tivemos a sensação de também ser parte integrante da paisagem e que sentíamos até mesmo a brisa suave e amena, enquanto víamos o céu com os matizes do entardecer.

Cada um viu e sentiu o quadro à sua maneira. Desnecessário dizer da emoção que invadiu a todos. Choravam os Espíritos comunicantes, bem assim nós, os encarnados, que sentíamos as lágrimas descer pelas faces, tomados de inolvidável unção.

Tanta beleza e grandiosidade levou-nos a um estado espiritual poucas vezes sentido e do qual não desejávamos sair. Sentíamo-nos, espiritualmente, ajoelhados, pois parece-nos impossível outra atitude diante das maravilhas que o Mundo Maior nos oferece. Enquanto as entidades eram levadas pelos Amigos Espirituais, o quadro foi -se esvanecendo aos poucos, tal como a fumaça se desfaz no ar.

Jamais esqueceremos essa noite sublime.

(01) Também os encarnados movidos por sentimentos negativos emitem pensamentos desequilibrados que dão origem às criações mentais inferiores mencionadas.
(02) Missionários da Luz, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 4, 13ª edição FEB.
(03) Instruções Psicofônicas, Autores Diversos psicografia de Francisco Candido Xavier, capítulo 44, 3•8 edição FEB

Suely Caldas
Obsessão e desobsessão

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