sexta-feira, 2 de abril de 2010

CHICO XAVIER - 100 ANOS



Na hora em que Francisco Cândido Xavier, o homem, o médium, o espírita, o missionário que exemplificou o amor e a humildade, no decorrer do século XX, deixa a vida física para voltar à Pátria Espiritual assaltam-nos sentimentos de tristeza e de alegria, aparentemente inconciliáveis.
Mas a alegria sobrepuja a tristeza.
A privação da convivência com o homem Chico Xavier, a que se acostumaram milhares de seus amigos e admiradores, por muitas décadas, traz o constrangimento natural da despedida, de uma tristeza a que não nos furtamos totalmente.
Mas há um outro lado, de beleza e de alegria interior, que compensa qualquer sentimento de frustração e de ausência – o do término de uma difícil missão, conduzida com pleno êxito pelo amigo de todos nós.
Nisso é que precisamos nos fixar, quando o missionário retorna à Vida Espiritual, da qual nunca se desligara totalmente.
O ministério, os deveres e obrigações que se impôs esse mensageiro da paz e da concórdia, exemplificador da fraternidade entre os homens de todas as condições, que os velhos espíritas têm acompanhado pari passu e de que os mais jovens têm conhecimento pela divulgação contínua, chegam a seu termo, nessa etapa.
Em que circunstâncias termina essa fase que testemunhamos?
Sem a menor dúvida, de forma feliz, se considerarmos os verdadeiros valores conquistados pelo missionário, se medido o Bem que espalhou, os trabalhos que começou e terminou, os sacrifícios que superou, a fidelidade que manteve perante o Cristo.
Por isso, Chico Xavier volta à Pátria Espiritual como um vencedor, após missão difícil e espinhosa em um Mundo áspero.
Ao mesmo tempo que desenvolvia o labor ininterrupto de medianeiro resoluto, aplicado no desejo de não desviar-se, quaisquer fossem os obstáculos, o homem Francisco Cândido Xavier preparava-se sempre mais para as tarefas mediúnicas, ilustrando-se e enriquecendo--se intelectual e moralmente para melhor desempenhá-las.
Vida admirável que não precisamos enaltecer, eis que todos a conhecem e que mesmo os não espíritas respeitam e enaltecem!
Nosso papel, nesse momento, é repetir o que está no consenso de todos.
A Federação Espírita Brasileira, que mesmo antes de iniciar-se a década de 30 tomou conhecimento do médium que principiava sua missão em Pedro Leopoldo, ofereceu-lhe o apoio que ele aceitou feliz, por verificar que só a Doutrina Espírita poderia guiá-lo em uma jornada que se prenunciava difícil, mas muito importante em seus desdobramentos.
Foram anos, décadas, que se desenrolaram plenos de trabalhos e de sacrifícios.
Não foram pequenas as dificuldades a serem transpostas: as necessidades materiais do homem e da família; os problemas próprios e de terceiros; a incompreensão na infância, trazendo-lhe sofrimentos físicos e morais; as perseguições do mundo físico e do mundo espiritual; a necessidade de atender ao Mentor Espiritual e aos Espíritos a serviço do Cristo em suas missões de esclarecimento e de consolação; as incompreensões humanas; as calúnias e difamações; as ingratidões e todo o cortejo de inferioridades dos que se colocam como óbices à realização do Bem.
Mas o missionário venceu a todas, amando e servindo sem se desviar, sem se apegar às pessoas, às coisas, aos bens materiais, àg loria mundi, às paisagens.
No seu excesso de modéstia, por vezes referiu-se a si mesmo como um “cisco”, ou um “pé de capim” de que se servia a Espiritualidade para as realizações do Bem.
Benditos “ciscos” de que tanto carece nosso Mundo dominado pelo egoísmo dos homens.
Embora simples “capim”, Chico muito se assemelhava àquele outro Francisco, que também se despiu de tudo que os homens julgam importante, para servir à Humanidade na simplicidade e grandeza de outra missão, que visou chamar a atenção dos poderosos, em seus desvios.
Mesmo diminuindo-se, Chico, Você não poderá evitar a gratidão das milhões de criaturas que se beneficiaram e se beneficiarão de sua mediunidade com Jesus.
Toda vez que homens e mulheres, crianças e jovens recorrerem às obras produzidas por sua mediunidade extraordinária e se beneficiarem com o esclarecimento portador da consolação, Você será bendito por eles.
Sempre que os poetas e intelectuais compulsarem o Parnaso de Além-Túmulo, ou os livros que instruem e abrem clareiras no futuro, não somente os autores espirituais serão louvados mas também seu médium será lembrado com admiração.
Também as crianças e os jovens se lembrarão de Você, quando se inteirarem de que os primeiros passos no aprendizado da Lei de Deus foram facilitados pelo seu serviço dedicado.
A Federação Espírita Brasileira é guardiã de 88 obras que lhe foram cedidas por Você. Dessas, algumas dezenas são verdadeiras jóias, desdobramentos da Doutrina Espírita que têm beneficiado milhões de seus seguidores.
Esse é um patrimônio da Humanidade, que temos o dever de preservar para transmiti-lo às gerações futuras.
Haveremos de cumprir esse dever.
Mas, a par desse patrimônio, Você legou a outras Instituições outras importantes obras, que somam centenas de livros.
Sua obra assistencial, seu amor à Verdade, sua bondade para com os seus irmãos, especialmente os mais necessitados, são exemplos que ficarão clamando por seguidores.

Caro amigo Chico,
Pensando em todos aqueles que não tiveram a oportunidade de agradecer-lhe, de alguma forma, as sucessivas demonstrações de compreensão e de fraternidade, que ressumam de sua atuação como o missionário especial do século XX, todos nós, os espíritas reconhecidos de hoje e de amanhã, os não espíritas que lhe votam simpatia e respeito, enfim, todos os beneficiários de seu esforço, de seu trabalho, de sua inteligência e sensibilidade e de sua mediunidade gloriosa, agradecemos-lhe por tudo, rogando a Deus, o Pai Celestial, e a Jesus, o Cristo, o abençoem e lhe dêem novas oportunidades de trabalho e de engrandecimento espiritual.
 
Reformador ago/2002

Nenhum comentário:

Postar um comentário