quinta-feira, 13 de maio de 2010

ETERNA PROCURA



Maria de Magdala é um dos maiores exemplos de todos os tempos quanto à transformação de uma pessoa. Antes de conhecer Jesus de Nazaré, ela vivia em meio a festas e loucuras advindas da promiscuidade com os homens mais ricos e poderosos que permaneciam em sua cidade. Eram comerciantes, generais, sultões, ricos proprietários de terras que pagavam absurdos em dinheiro para desfrutar momentos idílicos com a mulher mais linda que o mundo conhecia ou alguma de suas favoritas.

Maria de Magdala vivia na maior das opulências enfeitada com os mais belos ornamentos que se possa imaginar. Tecidos provindos dos mais remotos lugares, comidas as mais deliciosas, uma verdadeira mansão para se abrigar e os mais diferentes serviçais que estavam sempre prontos para satisfazer os seus desejos.

Ela tinha uma vida de rainha, cercada de todos os prazeres possíveis. Uma jovem dos dias atuais certamente perguntaria o que seriam os prazeres daquela época, que não tinha shopping center, auto-estrada, carros luxuosos, motos possantes, aviões, iphone, Internet, passeio no espaço e na lua, televisão, cinema, celular, notebook, playstation, e outras modernidades mais.

O que é que tinha de interessante naquela época? Puxa vida. Coisa difícil descobrir. Mas vamos por partes: para uma jovem bonita como Maria de Magdala, o mais importante era receber os homens em sua mansão, pois isso rendia dinheiro e fama. Depois, nas horas de folga, poderia passear de barco pelo mar de Tiberiades, ou mesmo bronzear a pele em suas areias ardentes, visitar algum monumento erguido à honra dos romanos que tudo dominavam, conhecer lugares novos em viagens de recreio, fazer compras nos mercados das cidadezinhas próximas, perder um tempo em conversa com os amigos, tomar um chá no fim de tarde, ouvir as fofocas da grande Jerusalém. O que mais?

Magdala era uma cidade próspera, mas que ficava num fim de mundo, pois lá na região do lago de Genesaré só havia lugarejos simples com moradores mais simples ainda, que só viviam para esperar o tempo passar, na maior das modorras possíveis.

Em Cafarnaum, cidade cravada à beira do Mar da Galiléia, é que Jesus decidiu morar na casa de um pescador chamado Simão Pedro. Lugarejo pequeno, com a maioria da população formada por agricultores e pescadores, e que tinha um pequeno destacamento de soldados romanos.

A casa de Pedro ficava à beira do lago e era um local agradável e bucólico. Também pudera, com o Mestre Divino morando ali, tudo teria que ser o mais perfeito possível, pois que Ele atraía beleza sem fim. Sua presença modificava as paisagens e por certo, um pedaço do céu ali se formou. Felizes os que puderam sentir a Sua presença e vivenciar os Seus ensinos.

Maria de Magdala certa feita ouviu Jesus falando sobre as bem-aventuranças do Reino de Deus. Ficou impressionada com os ensinos que ouviu daqueles lábios doces. Tanto ficou exaltada que passados alguns dias, logo ao escurecer, chegou na casa de Pedro e pediu para falar com Jesus. Foi atendida pelo Mestre, que a convocou ao trabalho da Boa Nova. Sentiu que poderia reformular o seu modo de pensar e agir. Maria transformou o seu coração, distribuiu os seus haveres e, levando apenas o essencial, passou a seguir Jesus em suas andanças.

Logo ficou conhecida por adentrar a casa de Simão e derramar ungüento de alto valor nos pés de Jesus e enxugá-los com seus cabelos. Esteve sempre junto a Jesus em todos os momentos, tornando-se uma das figuras exponenciais do Evangelho.

O Divino Cordeiro apareceu primeiramente a essa mulher quando de sua ressurreição e retorno ao convívio com os apóstolos.

Depois, ela seguiu com os apóstolos para Cafarnaúm, onde trabalhou nos mais diversos serviços para poder se manter. Quando os últimos apóstolos rumaram para Jerusalém, onde começariam o trabalho de difusão do Evangelho de Jesus, Maria foi discriminada por eles e somente conseguiu seguir para a cidade santa junto com leprosos.

Permaneceu com eles, no vale dos leprosos, ensinando a Boa Nova, até que a lepra começou a tomar conta de seu corpo. Seguiu para Éfeso onde estavam João Evangelista e Maria de Nazaré, pois desejava abraçá-los antes da morte.

Morreu atendida pelos cristãos de Éfeso e em espírito, reencontrou Jesus à beira do lago de Tiberíades, como coroação do êxito de sua missão na Terra.

Maria de Magdala foi o exemplo vivo de quem está eternamente procurando por algo a mais na vida. Ela tinha tudo o que alguém poderia ter naquela época. Só não tinha o verdadeiro amor, aquele amor que machuca e fere sem cessar, quando não se está em consonância com ele. É o amor que vem das alturas do céu e que só entende quem trabalha com este tipo de sentimento.

Ela reencontrou o verdadeiro sentido da vida depois que conheceu Jesus. Transformou seu coração e começou a lutar por este ideal. Doou sua vida, seu corpo, seu espírito, para que pudesse alcançar o objetivo maior que era vivenciar os ensinos de Jesus Cristo. Imolou-se a vida toda até alcançar a redenção espiritual.

Vejo também nos médiuns espíritas-cristãos o mesmo sentido de trabalho que Maria de Magdala teve, pois quem é médium com o caráter cristão, sente o mesmo desejo de seguir Jesus com a mesma audácia de Maria de Magdala.

Quem segue verdadeiramente os passos de Jesus não se conforma com a mesmice de todos os dias. Com os mesmos ensinos, com as mesmas frases, com os mesmos conhecimentos. O trabalhador cristão procura por algo a mais. Está sempre em busca de novos conhecimentos, de novas energias, de novas atitudes, de novos horizontes.

O seu descanso é o trabalho pelo próximo. Ele compreende que é parte atuante de um universo que marcha para a perfeição e não se contenta em ficar parado esperando o tempo passar.

A cada novo conhecimento que adquire exulta de felicidade, em cada ação benemérita sente-se feliz, em cada trabalho executado, vibra por ser um personagem útil no mundo.

A eterna procura cala fundo no coração de quem já atingiu os parâmetros norteados pelo Evangelho de Jesus. E são esses trabalhadores que Deus quer que andem pelo mundo, pois eles fazem a diferença na hora de falar e promover as ações oriundas dos ensinamentos do Cristo.

Nós podemos reconhecê-los por muito amarem a Jesus e por muito fazerem pelo próximo.

São eles os maiores representantes do Cristo na Terra, e por certo, os encontraremos em meio às maiores tempestades, às maiores lutas, aos mais terríveis embates, pois nessas condições é que Jesus os auxilia e os ampara.

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