segunda-feira, 17 de maio de 2010

PRECE

Na fria atmosfera de vossa Terra, glacial e refratária a vida espiritual, não sabeis quanto é mantida pela prece freqüente a relação magnética entre o vosso espírito e os guias, que esperam a petição para transmiti-la. Oraríes mais ainda se soubésseis que rica benção espiritual a prece traz. O laço se aperta por um freqüente uso, a intimidade pela associação mutua. Os vossos sábios eruditos discutiram muito sobre o valor da prece. A ignorância deles os fez tatear em um labirinto de opiniões confusas. Nada souberam; como poderiam sabê-lo? Anjos mensageiros sempre prontos a ajudar o espírito que grita pelo seu Deus, eles experimentaram medir os efeitos da prece, comparar os resultados, mas essas coisas escapam à ciência humana, por serem espirituais e variarem conforme o caso.

Muitas vezes a petição articulada que não parece ter sido ouvida, traz a alma, que ora, abundantes bênçãos. O apelo intimo do ser oprimido, que se atira no espaço, e o grito arrancado por uma dor amarga produzem um alivio desconhecido até então. A alma é aliviada; não sabeis por quê. Seria preciso ver, como nós os guias trabalhando para derramarem na alma aflita o bálsamo de consolação, e saberíeis então donde vem essa estranha paz, que nos faz penetrar no espírito a certeza de que existe um Deus misericordioso. A prece executou a sua obra, atraiu um amigo invisível, e o coração intumescido, macerado, é reconfortado por uma angélica simpatia.

A simpatia magnética, tal qual podemos rodear aqueles que estão em comunhão conosco, é um dos efeitos benditos da ardente invocação que uma alma humana dirige ao se Deus.

Os homens deveriam tomar a resolução de orar com mais freqüência, de ter uma vida de prece. Não essa vida de devoção mórbida, que consiste em abandonar o dever e em consumir as horas preciosas de tirocínio, para atrofiar-se indolentemente a fim de se submergir em investigações prejudiciais, para se perder em imaginaria contemplação ou em súplicas impostas. A vida de prece é inteiramente outra. A prece real é o grito espontâneo do coração à procura dos amigos invisíveis. A invenção de uma prece cochichada aos ouvidos de um Deus sempre presente, e disposto a responder a um pedido caprichoso, modificando leis inalteráveis, tem desacreditado a idéia de prece. Não penseis desse modo. A prece, impulso da alma para seu Deus, não se ostenta exteriormente, não tem nenhuma preparação formal. Petição inarticulada levam-na os agentes desvelados de altura em altura até a um poder que possa responder a ela.

A verdadeira prece é a voz sempre pronta da alma comunicando com a alma; o apelo aos invisíveis amigos com os quais ela tem costume de conversar; a centelha ao longo da linha magnética, que transmite uma súplica e, rápida como o pensamento, traz uma resposta. É unir uma alma sofredora a um Espírito que pode tranqüilizar e curar.

Essa prece não requer palavras, nem atitude, nem forma; é mais verdadeira sem formalidades nem aparatos, e só necessidade de sentir-se próxima de um guia, de ser levada a comunhão. Para atingir essa meta, ela deve ser habitual; de outro modo; como membro muito tempo privado de uso, ela ficaria paralisada. Assim, aqueles dentre vós que vivem em espírito penetram nos mistérios ocultos; podemo-nos aproximar deles.

Trecho retirado do livro “ Ensinos Espiritualistas” de W. Stainton Moses de 1873.

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