sábado, 31 de julho de 2010

A RAIVA DESTRUIDORA

O homem aprende à custa de muita dor e sofrimento a cuidar do corpo, após conhecer (ou ignorar) a variedade, podemos afirmar, infinita de vermes, bactérias, vírus e micróbios infelicitadores da sua vestimenta carnal.
Desconhece, no entanto, tudo quanto infelicita a alma, os “bacilos” pestilenciais, causadores de tantos males e distúrbios, cuja patogênese se acha nela própria.
Nesta oportunidade, iremos deter-nos, um pouco que seja, nesse “bacilo” que é tão nosso conhecido, encontrado com tanta freqüência nas camadas nervosas mais sutis do psiquismo humano. Está alojado lá, e resiste a todos os apelos do bom senso, da medicina terrena e espiritual, malgrado seja a causa de tantas experiências dolorosas que infelicitam a condição somática do ser. Queremos referir--nos à raiva.
Antes de prosseguirmos, notemos onde ela, raiva, se estriba para intoxicar todo o cosmo neurológico da criatura. A raiva somente assoma à periferia da criatura porque o orgulho, instalado no seu interior, foi atingido duramente. Fosse ela humilde, a raiva não teria como se plantar e espraiar-se por toda a sua estrutura.
A raiva tem a sua raiz na forma de julgar as situações e os fatos. Escolhemos, impomos e também fantasiamos determinado padrão de comportamento, modelando o de acordo com o nosso ponto de vista. Se a pessoa tem ou não conhecimento desse padrão, para nós pouco importa.
Não corresponder às expectativas das pessoas é motivo para terem raiva de nós, malgrado sejam as expectativas irreais e irrealizáveis.
A mãe de uma menina tinha-lhe raiva por ela não ser loura, e um pai exigia que a filha relatasse, com minúcias, grandes tragédias sem mexer as mãos e sem alterar o tom de voz. Não ser atendido em seu desejo o deixava raivoso. Estes dois casos foram relatados pelo Dr. Brian Weiss no seu livro A Divina Sabedoria dos Mestres, da GMT Editores Ltda. Dois relatos que mostram até onde chega a doença espiritual motivada pela raiva.
É bem verdade que os casos acima são mais raros, ou pelo menos somente nos consultórios de psicanalistas, psiquiatras, psicoterapeutas eles chegam ao conhecimento.
Os demais motivos de provocação da raiva vividos pelo ser humano são bem conhecidos de todos. A irritação é o estopim. Aceso, fica incontrolável.
Voltando ao “relacionamento pais e filhos”, importa que possa existir um reconhecimento recíproco de que alguém incorreu em erro após se agredirem verbalmente.
Consertar a atitude errada é próprio de almas enobrecidas pela humildade.
Os pais que são cultivadores de motivos para sentir raiva, costumam exigir demasiadamente dos filhos, provocando trauma nestes, mais cedo ou mais tarde. É costume os pais exigirem de seus filhos que sejam produtivos e inteligentes como eles são, ou, em outros casos, gostariam de ter sido. Nessas horas, os pais se realizam em cima dos filhos. É um grande erro porque sabemos, segundo a Doutrina Espírita e a reencarnação, que nossos filhos são herdeiros de si mesmos, trazem para o hoje o que foram ontem. Exigir dos filhos o que eles não possuem traumatiza-os, torna-os insatisfeitos e daí para o conflito no relacionamento é um passo.
Conhecemos certo pai que chegou ao absurdo de não ir ao casamento da filha, não ajudou nada nas despesas desse evento, e culminou o seu despreparo paternal quando, ao ser indagado por alguém da família se iria ao casamento, respondeu com outra pergunta: “Mas que casamento”? Outro pai obriga o filho de vinte anos a ser tão diligente e entendido de negócios como ele próprio, chegando ao absurdo de despedir o filho como se ele fora um empregado qualquer, deixando-o desempregado e tendo que se sustentar. O salário que pagava ao filho era um minguado salário mínimo de R$ 130,00.
Espíritas que somos, é muito importante que olhemos os filhos como Espíritos que na verdade são, estejam em qualquer fase de crescimento.
Outro motivo de raiva é a preocupação com o que pensam de nós. Não nos importemos com isso, desde que estejamos fazendo o que nos parece certo, agindo sem prejudicar ninguém. Assim procedendo evitamos a instalação da raiva em nós.
Culpar-nos e ficar girando mentalmente em torno da raiva por havermos errado é uma forma trágica de ter raiva de nós mesmos. Nunca nos culpemos, doentiamente.
Uma coisa é reconhecer o erro, prometer não incidir nele; outra, bem diferente, é permitir encharcar-se do sentimento de culpa, da monoidéia culposa e cultivá-la. A criatura está sujeitando-se a todas as suas seqüelas; uma delas a obsessão, a participação perniciosa, infecciosa de mentes doentias na casa mental do raivoso.
O desapontamento leva à raiva de nós mesmos. Duas atitudes existem para o desapontamento: perseverar ou desistir. Cabe analisar a causa do desapontamento e de forma detalhada, consciente, sem paixão.
A raiva, como vamos percebendo, é perniciosa, inútil, destrutiva. Somente pode ser dissolvida pela compreensão e pelo amor.
O Dr. Brian Weiss narra outro caso de muita beleza, no livro supracitado, que lhe foi contado por uma avó. A neta de quatro anos era sistematicamente agredida pela outra mais velha. Reagia, no entanto, assim: “Não faz isso comigo, não. Eu sou sua irmãzinha e fico triste com seu modo de me tratar!” Afirmou a avó que, passado algum tempo, a mais velha de suas netas mudou o comportamento diante da reação amorosa da mais nova.
Quando sentirmos raiva, perguntemos se ela resolve a questão que nos aborrece. Veremos sempre que não. Pelo contrário, sempre prejudica. Por quê? Ora, a raiva é sintoma de estresse que provoca uma mudança do nosso ritmo cardíaco, da pressão sangüínea e dos níveis de açúcar no sangue, ocasionando desequilíbrio fisiológico.
É aconselhável que, ao sentirmos raiva, respiremos profundamente, tentemos descobrir os motivos que a desencadearam e busquemos como resolver a questão.
Com toda a certeza desaparecerá o apego à raiva. Isto tem a sua razão de ser porque existem criaturas que são verdadeiras fomentadoras da raiva, cultivam-na, só sabem viver sob a sua influência. Agem e falam sempre com raiva. Nestas criaturas a doença não demora a instalar-se.
Quem ama não sente raiva, porque o amor é o seu antídoto. A raiva somente se apropria de quem não ama. O ritmo vibratório de quem ama é eficaz eliminador de qualquer emoção nociva desequilibrante. Dissolve-a, antes dela instalar-se.
É difícil um sistema imunológico resistir por muito tempo a quem constantemente se irrita, se enraivece. A desarmonia vibratória logo explode nas paredes do estômago, nos vasos sangüíneos do coração e da cabeça e vai por aí afora destruindo toda reserva de resistência interior do organismo. O ser humano não sabe que é o seu emocional em desequilíbrio que lhe provoca tanta dor e sofrimento, tanta desarmonia para viver em paz.
É notório o papel desempenhado pela mídia: o de projetar para o homem modelos de pessoas vencedoras, verdadeiros heróis possuidores da “raiva justa”. São eles os Rambos, os Exterminadores do Futuro, os Ninjas, os Policiais imbatíveis, os Heróis de Ficção e toda uma gama de falsos modelos. São figuras que se vão tornando arquetípicas e forjam cada vez mais a raiva, o ódio, a frieza dos sentimentos diante da dor alheia.
São imagens em desserviço para a nossa sociedade, principalmente por impressionarem fortemente a formação das crianças, as quais, em boa maioria, não encontram em seus lares, com raras exceções, os bons exemplos de amor ao próximo.
No fundo, a raiva só possui uma função: destruir-nos pelo funcionamento destrambelhado da química do nosso sistema imunológico ou pela bala disparada por quem for alvo de nossa raiva.
Compreensão e amor, vamos repetir, destroem a raiva, trazem-nos saúde e bem-estar físico, emocional, psicológico e espiritual.
O amor é sempre um alívio para todo e qualquer tipo de dor. Ele vivido, sentido em plenitude imuniza, cria barreiras intransponíveis contra as causas e os efeitos da raiva.
Amemo-nos muito, mais um pouco, em nome e por amor a Jesus, Ele que fez do que poderia ser a sua dor, a sua raiva, um hino de Amor para a Humanidade.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

REVENDO O PASSADO

Todas as almas têm a mesma origem


Não é sem um sadio orgulho que admiro as florestas por onde passei, as lutas que enfrentei, as lágrimas que derramei!

Não é sem pesar que conto o tempo que perdi na inércia, abrasado pelo fogo das paixões más; não é sem gratidão que me elevo ao Senhor, pedindo-lhe prêmios para aqueles que foram os guias da minha alma, os mestres da minha vida, o lenitivo nas minhas aflições!

Cada corpo por que passei, como as contas de um colar presas pelo mesmo fio, entoa o cântico eterno com que louvo o meu Criador, pelo amparo com que me cercou, pela vida que me concedeu!

"Todas as almas têm a mesma origem, e são destinadas ao mesmo fim; a todos o Supremo Senhor proporciona os mesmos meios de progresso, a mesma luz, o mesmo Amor". O cão é sempre cão, como o asno é sempre asno, mas o Espírito que anima aqueles corpos vêm de longe e destina-se às esferas elevadas onde reina a felicidade; tudo tem um alvo, e acreditar que Deus criou seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade e justiça!

Estudai a inteligência e a reflexão do cão, o seu amor-próprio, a sua linguagem, o amor pelo seu dono, os seus atos de verdadeiro heroísmo, e negai, se fordes capazes, que aquele corpo inferior encerra um Espírito, uma alma que pensa, que sente, que quer e que não quer, que ama!

Percorrei toda a escala zoológica, penetrai com espírito investigador todos os animais que formam os seres inferiores da Criação e vereis ao lado do instinto que os movimenta, a inteligência desabrochando como prêmio dos seus sofrimentos!

A Revelação Espírita soluciona o problema da alma do animal, ao mesmo tempo que esclarece a Gênese da Alma.

Para estes estudos que vamos fazer, muito nos valeu a interessante obra Evolução Anímica, de Gabriel Delanne, obra que recomendamos à atenção dos leitores e que está de pleno acordo com o O Livro dos Espíritos e A Gênese, de Allan Kardec, extraordinários missionários que enriqueceram a Ciência com livros de real valor, não só para resolver a questão de que tratamos, como também para dar a conhecer a causa dos fenômenos em geral, da memória, do inconsciente psíquico, do futuro das almas.

Felizes os que aproveitaram o seu tempo, aproximando os lábios sequiosos da taça da Revelação e beberem a água da sabedoria, para se esclarecerem e poderem ver o passado; apoderarem-se do presente e vislumbrarem o futuro que lhes acena com as magnificências da Vida Imortal!

Cairbar Schutel
A Gênese da alma

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A MALDADE: UMA DOENÇA DO ESPÍRITO

Impossível ignorar a existência do mal. Relatos de maldade e atos criminosos ocupam espaço na mídia escrita e falada, corriqueiramente. O assunto faz parte de estudos médicos, psicológicos, filosóficos e literários, do passado e do presente. A Ciência admite, inclusive, a existência de componente genético para a maldade. O pensamento espírita, porém, é que:

O mal não é intrínseco no indivíduo, não faz parte da natureza íntima do Espírito; é, antes, uma anomalia, como o são as enfermidades. O bem, tal como a saúde, é o estado natural, é a condição visceralmente inerente ao Espírito. Um corpo doente constitui um caso de desequilíbrio, precisamente como um Espírito transviado, rebelde, viciado, ou criminoso.

Em termos médicos, maldade (do latim malus: mal) é o “desejo ou intenção de causar danos a alguém ou de verem outras pessoas sofrerem”. A psiquiatria considera a maldade como uma psicopatia que “não aparece de forma única e uniforme [pois], há graus variados”, afirma Ana Beatriz Barbosa Silva, professora brasileira de Psiquiatria e autora da instrutiva obra Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado (Rio de Janeiro, Objetiva, 2008). Em linguagem compreensível ao grande público, o livro estuda a maldade, segundo critérios médicos, mais precisamente da Psiquiatria, oferece ao leitor oportunos esclarecimentos, pontua conceitos, indica os avanços da Ciência e, ao final, apresenta um “manual de sobrevivência”, que ensina como a pessoa pode se prevenir de ações ou situações que envolvam a maldade.

A doutora Ana Beatriz ensina que, como psicopatia, a maldade é um “transtorno da personalidade que apresenta dois elementos causais fundamentais: uma disfunção neurobiológica e o conjunto de influências sociais e educativas recebidas ao longo da vida”. ³ Informa ainda que tais psicopatas são, em geral, indivíduos frios, calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores e que visam apenas o próprio benefício. Eles são incapazes de estabelecer vínculos afetivos ou de se colocar no lugar do outro. São desprovidos de culpa ou remorso e,muitas vezes, revelam-se agressivos e violentos. Em maior ou menor nível de gravidade e com formas diferentes de manifestarem os seus atos transgressores, os psicopatas são verdadeiros “predadores sociais”, em cujas veias e artérias corre um sangue gélido.

A maldade apresenta gradações que, no ponto máximo, é denominado perversão pelos psicanalistas. “Originada do latim perversione, a palavra designa o ato ou efeito de tornar-se mau, corromper, depravar ou desmoralizar. [...]. Da mesma raiz de perversão, deriva perversidade que quer dizer ‘índole ferina ou ruim’.”

Para a Doutrina Espírita “Deus não criou Espíritos maus; criou- -os simples e ignorantes [...]. Os que são maus, assim se tornaram por sua vontade”. Neste contexto, a índole perversa ou as más tendências identificadas em certas pessoas refletem o somatório de ações infelizes, atentados contínuos à legislação divina, em razão do uso incorreto do livre-arbítrio, ao longo das reencarnações. Nestas condições instalam-se perturbações nos refolhos da alma que produzem desordens mentais, observáveis nas atitudes e comportamentos individuais, às vezes desde a mais tenra infância.

Se as manifestações de maldade não forem precocemente controladas ou tratadas, a pessoa pode se transformar em sociopata, praticando atos classificados como crimes hediondos.

O Espírito André Luiz explica melhor a problemática:

[...] na retaguarda dos desequilíbrios mentais, sejam da ideação e da afetividade, da atenção e da memória, tanto quanto por trás de enfermidades psíquicas clássicas [...] permanecem as perturbações da individualidade transviada do caminho que as Leis Divinas lhe assinalam à evolução moral. [...]

Torturada por suas próprias ondas desorientadoras, a reagirem, incessantes, sobre os centros e mecanismos do corpo espiritual, cai a mente nas desarmonias e fixações consequentes e, porque o veículo de células extrafísicas que a serve, depois da morte, é extremamente influenciável, ambienta nas próprias forças os desequilíbrios que a senhoreiam, consolidando- se-lhe, desse modo, as inibições que, em futura existência, dominar-lhe-ão temporariamente a personalidade, sob a forma de fatores mórbidos, condicionando as disfunções de certos recursos do cérebro físico, por tempo indeterminado.

O espírita consciente evita, a todo custo, praticar atos de maldade, mesmo os considerados “toleráveis” pela sociedade. Mantém- se atento aos próprios pensamentos e atos, a fim de não fazer vinculações mentais com entidades desarmonizadas, encarnadas ou desencarnadas. Compreende, enfim, que o processo obsessivo está na maioria das vezes associado às desarmonias espirituais, exacerbando- as. O Instrutor Barcelos, de acordo com os registros de André Luiz, orienta, a propósito:

[...] No círculo das recordações imprecisas, a se traduzirem por simpatia e antipatia, vemos a paisagem das obsessões transferida ao corpo carnal, onde, em obediência às lembranças vagas e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos laços da consanguinidade ou dos compromissos morais, se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre si. Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente irreconciliáveis, entre pais e filhos, esposos e esposas, parentes e irmãos, resultam dos choques sucessivos da subconsciência, conduzida a recapitulações retificadoras do pretérito distante. [...]

Uma vez reveladas tendências para a prática do mal, na criança ou no jovem, pais e educadores devem somar esforços, buscando apoio profissional, médico e/ou psicológico. O auxílio espiritual, usual na casa espírita (prece, passe, irradiações, estudo etc.), é também imprescindível.O Instrutor Barcelos, anteriormente citado, orienta que como medida preventiva

[...] Precisamos divulgar no mundo o conceito moralizador da personalidade congênita, em processo de melhoria gradativa, espalhando enunciados novos que atravessem a zona de raciocínios falíveis do homem e lhe penetrem o coração, restaurando- lhe a esperança no eterno futuro e revigorando-lhe o ser em suas bases essenciais. As noções reencarnacionistas renovarão a paisagem da vida da Crosta da Terra, conferindo à criatura não somente as armas com que deve guerrear os estados inferiores de si própria, mas também lhe fornecendo o remédio eficiente e salutar. [...]

sábado, 24 de julho de 2010

ANTE AS PROVAS NECESSÁRIAS

Confessas-te, frequentemente, à beira do desânimo, à face das alfinetadas morais que te ferem a alma sensível: a impensada desconsideração de um amigo; a frustração de um negócio que te propiciaria lucros sobre lucros; o comportamento infeliz de companheiro determinado em experiências difíceis; a perda de condução; a roupa estragada...

Esquecemo-nos habitualmente de que pequena invigilância é suscetível de inclinar-nos aos desastres da alma, tanto quanto um abuso no trânsito pode custar muitas vidas e recusamos os contratempos educativos com que a vida nos abençoa, imunizando-nos contra males maiores, descendo ao delírio e à irritação que bastas vezes precedem a obsessão ou a delinquência.

Quando te vejas, assim, sob o impacto de aborrecimentos claramente remediáveis pelas tuas atitudes de serenidade e de paciência, deixa que as asas de tua própria imaginação te conduzam aos milhares de hospitais, consultórios médicos, clínicas de tratamento, ambulatórios diversos e aposentos de enfermos, a fim de ver e escutar, em espírito, tantos irmãos nossos que jazem comprometidos em desequilíbrios orgânicos muitas vezes irreversíveis.

Visita, pelo menos mentalmente, os paralíticos, os mutilados, os cegos, as mães sofredoras que suportam a penúria dos filhos, como se trouxessem um punhal de fogo enterrado no coração; a dor dos pais amorosos, tombados em pauperismo e moléstias, incapazes de prover as necessidades do lar; os presidiários esquecidos, os doentes em supremo abandono e aqueles outros companheiros nossos em absoluta e desesperada exaustão que suspiram pela morte, como sendo a esperada solução para os problemas aflitivos que lhes martirizam a alma.

Pensa alguns momentos por dia, nas provações e nas privações dos outros e aprenderás a somar as vantagens que te felicitam a existência, verificando enorme saldo de bênçãos em teu favor.

Então, compreenderás que ao invés de nos queixarmos do mundo, ante as provas e as lutas que ainda nos incomodam, será talvez o próprio mundo que possua motivos para queixar-se de nós.

Livro: Urgência
Emmanuel

segunda-feira, 5 de julho de 2010

PRECE A SABEDORIA INFINITA

De pé sobre a Terra, meu sustentáculo. Minha nutriz e minha mãe, elevo os meus olhares para o infinito, sinto-me envolvido na imensa comunhão da vida; os eflúvios da Alma universal me penetram e fazem vibrar meu pensamento e meu coração; forças poderosas me sustentam, aviventam em mim a existência. Por toda parte onde a minha vista se estende, por toda parte a que minha inteligência se transporta, vejo, discirno contemplo a grande harmonia que rege os seres e, por vias diversas, os faz rumar para um fim único e sublime. Por toda parte vejo irradiar a Bondade, o Amor, a Justiça!

Ó meu Deus! Ó meu Deus! Ó meu Pai! Fonte de toda sabedoria, de todo o amor, Espírito Supremo cujo nome é Luz, eu te ofereço meus louvores e minhas aspirações! Que elas subam a Ti, qual um perfume de flores, qual sobem para o céu os odores inebriantes dos bosques. Ajuda-me a avançar na senda sagrada do conhecimento, para uma compreensão mais alta de tuas leis, a fim de que se desenvolva em mim mais simpatia, mais amor pela grande família humana; pois sei que pelo meu aperfeiçoamento moral, pela realização, pela aplicação ativa em torno de mim e, em proveito de todos, da caridade e da bondade aproximar-me-ei de ti, e merecerei conhecer-te melhor, comungar mais intimamente contigo na grande harmonia dos seres e das coisas. Ajuda-me a desprender-me da vida material, a compreender, a sentir o que é a vida superior, a vida infinita. Dissipa a obscuridade que me envolve; depõe em minha alma uma centelha desse fogo divino que aquece e abrasa os Espíritos das esferas celestes. Que tua doce luz e, com ela, os sentimentos de concórdia e de paz se derramem sobre todos os seres.

Léon Denis
Tirado do livro “O grande Enigma”

domingo, 4 de julho de 2010

MENSAGEM CONSOLADORA AOS PAIS

Cerrar os olhos dos filhos amados, especialmente os que desencarnam ainda crianças, dilacera a ternura dos pais, que permanecem a indagar, sem palavras, para onde seus entes queridos se dirigem, após a morte do pequeno corpo, impassível e silencioso.

A evidência da morte torna-se um fato cruel e inexorável, tal como se apresenta em nosso meio, desafiando a coragem e a fé dos que acreditam na Justiça Divina.

Haverá algo mais desalentador do que a ideia da destruição absoluta dos filhos que criamos com tanto desvelo? Esta e outras indagações surgem no momento derradeiro, causando-nos amargas aflições e deixando-nos atônitos diante do doloroso testemunho de vermos partir aqueles que mais amamos.

Entretanto, é preciso crer, incessantemente, na imortalidade do Espírito!

Allan Kardec, no capítulo II, de O Céu e o Inferno, considera:

O homem, seja qual for a escala de sua posição social [...] tem o sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos.(1)

Referindo-se ao fenômeno da morte, Léon Denis (1846-1927), escritor francês, fervoroso divulgador do Espiritismo, elucida, acertadamente:

[...] A morte [...] em nada muda a nossa natureza espiritual, os nossos caracteres, o que constitui o nosso verdadeiro “eu”; apenas nos torna mais livres, dota-nos de uma liberdade, cuja extensão se mede pelo nosso grau de adiantamento. De um, como do outro lado, temos a possibilidade de fazer o bem ou o mal, a facilidade de adiantar-nos, de progredir, de reformar-nos. (2)

Cientes da veracidade desta proposição é preciso encarar a morte como simples passagem para a verdadeira vida, e nos cabe conhecer as condições e vivências encontradas no plano invisível, noticiadas pelos próprios Espíritos, ao se utilizarem dos meios de comunicação de que dispõem.

Na obra Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, médico desencarnado, responsável pela autoria de vários livros, psicografados por Francisco C. Xavier, que nos orientam sobre a contextura dos fatos ocorridos entre os dois mundos, destaca-se a instituição Lar da Bênção que, aos olhos do preclaro autor espiritual, surge como “abençoada e colorida colmeia de amor, harmonioso casario”. (3)

Trata-se de uma importante colônia educativa, criada para ser escola de mães e domicílio das crianças que retornam da esfera carnal, conforme afirma o escritor, ao ouvir as explicações de Blandina, dedicada seareira a serviço da infância, naquele abençoado refúgio. Diz a generosa guardiã:

[...] Tenho tarefas variadas aqui e alhures, entretanto, sou mera servidora. O nosso educandário guarda mais de duas mil crianças, mas, sob os meus cuidados, permanecem apenas doze.

Somos um grande conjunto de lares [...] e conosco multidões de meninos encontram abrigo para o desenvolvimento que lhes é necessário [...]. (4)

As crianças, ao desencarnar, não prescindem do período de recuperação; são encaminhadas para as inúmeras unidades infantis existentes no mundo espiritual, atendidas por mães substitutas, companheiras abnegadas, desveladas, carinhosas e dedicadas ao serviço do bem. Nesses locais, são ministrados cuidados especiais, indispensáveis à melhoria dos meninos e meninas que lá aportam.

A resposta à questão 381, de O Livro dos Espíritos, relacionada com o tema, aclara-nos sobre a criança, depois de sua morte, ao readquirir, como Espírito, o seu precedente vigor:

“Assim tem que ser, pois que se vê desembaraçado de seu invólucro corporal. Entretanto, não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório, isto é, quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo”. (5)

Os Espíritos que já alcançaram elevada classe evolutiva, de posse do seu equilíbrio mental, adquirem o poder de facilmente desprender-se do corpo material, compreendendo as razões da desencarnação prematura. Na obra de André Luiz, citada, sua interlocutora, Blandina, afirma conhecer [...] grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira. (6)

A dor é o grande e abençoado remédio(7) e é sempre o elemento amigo e indispensável de que dispomos para o aprendizado de comportamentos morais mais sublimes.

O Espírito Neio Lúcio, no livro Mensagem do Pequeno Morto, dedica páginas singelas aos mais jovens, oferecendo conhecimentos valiosos sobre as impressões de um menino, de nome Carlos, desde os primeiros momentos de seu desenlace do corpo físico e das particularidades ocorridas durante o seu processo de adaptação na Espiritualidade, amparado por familiares que lhe precederam na passagem pela sombra do túmulo.

O estimado Benfeitor, através da mediunidade de Francisco C. Xavier, registra, de forma sensível, as dificuldades vividas pelo Espírito, no período inicial de sua chegada à instituição que o acolheu. Relata o infante:

Tanta serenidade infundiu-me confiança. Contudo, os gritos que eu ouvia perturbavam-me o equilíbrio. Por que motivo escutava semelhantes vozes da mamãe, ali, onde não tinham razão de ser? Imenso mal-estar apoderou-se de mim. Todas as dores, que eu sentia anteriormente, regressaram ao meu corpo. (8)

O Espírito tem consciência dos pensamentos que se lhe dirigem e nossos esforços devem ser no sentido de transmitir vibrações afetuosas, em atitude de resignação, para atenuar esses instantes e permitir, ao ser que parte, soltar-se, mais facilmente, dos últimos laços que o acorrentam à Terra.

O lenitivo chega por meio das palavras benevolentes do Espírito Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris, publicadas em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V, item 21. De forma dulcíssima, ele nos aconselha:

[...] Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria [...](9)

Nossos filhos, pois, continuam vivos no mundo espiritual. Precisamos adquirir convicção inabalável a respeito dessa realidade e de sua grandeza! O conhecimento da sobrevivência do Espírito é extremamente importante à compreensão de todos os familiares, para que não se deixem extenuar pelo excessivo sofrimento, eternizando-o.

Com a luz divina no coração, elevemos a nossa visão imaterial para os novos e mais sublimes horizontes na vida do Infinito. E, como Léon Denis, proclamemos:

Não é, pois, com um hino fúnebre que devemos acolher a morte, e sim com um cântico de vida, porque não é o astro da tarde que se ergue cruel, mas a estrela radiosa da verdadeira manhã. (10)

CLARA LILA GONZALEZ DE ARAÚJO
Reformador Abril2009

Referências:
(1)KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. Edição de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2006. P. 1, cap. 2, item 1.
(2)DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 8. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 1, cap. 10, p. 183-184.
(3)XAVIER, Francisco C. Entre a terra e o céu. Pelo Espírito André Luiz. 2. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 8, p. 59.
(4)______.______. Cap. 11, p. 75.
(5)KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 381.
(6)XAVIER, Francisco C. Op. cit., cap. 10, p. 70-71.
(7)______.______. Cap. 21, p. 147.
(8)______. Mensagem do pequeno morto: a grande viagem. Pelo Espírito Neio Lúcio. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Carinho e conforto, p. 30.
(9)KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 13. ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 5, item 21, p. 123-124.
(10)DENIS, Léon. O grande enigma. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 3, A lei circular, a missão do século XX, item 15, p. 213.