domingo, 4 de julho de 2010

MENSAGEM CONSOLADORA AOS PAIS

Cerrar os olhos dos filhos amados, especialmente os que desencarnam ainda crianças, dilacera a ternura dos pais, que permanecem a indagar, sem palavras, para onde seus entes queridos se dirigem, após a morte do pequeno corpo, impassível e silencioso.

A evidência da morte torna-se um fato cruel e inexorável, tal como se apresenta em nosso meio, desafiando a coragem e a fé dos que acreditam na Justiça Divina.

Haverá algo mais desalentador do que a ideia da destruição absoluta dos filhos que criamos com tanto desvelo? Esta e outras indagações surgem no momento derradeiro, causando-nos amargas aflições e deixando-nos atônitos diante do doloroso testemunho de vermos partir aqueles que mais amamos.

Entretanto, é preciso crer, incessantemente, na imortalidade do Espírito!

Allan Kardec, no capítulo II, de O Céu e o Inferno, considera:

O homem, seja qual for a escala de sua posição social [...] tem o sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos.(1)

Referindo-se ao fenômeno da morte, Léon Denis (1846-1927), escritor francês, fervoroso divulgador do Espiritismo, elucida, acertadamente:

[...] A morte [...] em nada muda a nossa natureza espiritual, os nossos caracteres, o que constitui o nosso verdadeiro “eu”; apenas nos torna mais livres, dota-nos de uma liberdade, cuja extensão se mede pelo nosso grau de adiantamento. De um, como do outro lado, temos a possibilidade de fazer o bem ou o mal, a facilidade de adiantar-nos, de progredir, de reformar-nos. (2)

Cientes da veracidade desta proposição é preciso encarar a morte como simples passagem para a verdadeira vida, e nos cabe conhecer as condições e vivências encontradas no plano invisível, noticiadas pelos próprios Espíritos, ao se utilizarem dos meios de comunicação de que dispõem.

Na obra Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, médico desencarnado, responsável pela autoria de vários livros, psicografados por Francisco C. Xavier, que nos orientam sobre a contextura dos fatos ocorridos entre os dois mundos, destaca-se a instituição Lar da Bênção que, aos olhos do preclaro autor espiritual, surge como “abençoada e colorida colmeia de amor, harmonioso casario”. (3)

Trata-se de uma importante colônia educativa, criada para ser escola de mães e domicílio das crianças que retornam da esfera carnal, conforme afirma o escritor, ao ouvir as explicações de Blandina, dedicada seareira a serviço da infância, naquele abençoado refúgio. Diz a generosa guardiã:

[...] Tenho tarefas variadas aqui e alhures, entretanto, sou mera servidora. O nosso educandário guarda mais de duas mil crianças, mas, sob os meus cuidados, permanecem apenas doze.

Somos um grande conjunto de lares [...] e conosco multidões de meninos encontram abrigo para o desenvolvimento que lhes é necessário [...]. (4)

As crianças, ao desencarnar, não prescindem do período de recuperação; são encaminhadas para as inúmeras unidades infantis existentes no mundo espiritual, atendidas por mães substitutas, companheiras abnegadas, desveladas, carinhosas e dedicadas ao serviço do bem. Nesses locais, são ministrados cuidados especiais, indispensáveis à melhoria dos meninos e meninas que lá aportam.

A resposta à questão 381, de O Livro dos Espíritos, relacionada com o tema, aclara-nos sobre a criança, depois de sua morte, ao readquirir, como Espírito, o seu precedente vigor:

“Assim tem que ser, pois que se vê desembaraçado de seu invólucro corporal. Entretanto, não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório, isto é, quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo”. (5)

Os Espíritos que já alcançaram elevada classe evolutiva, de posse do seu equilíbrio mental, adquirem o poder de facilmente desprender-se do corpo material, compreendendo as razões da desencarnação prematura. Na obra de André Luiz, citada, sua interlocutora, Blandina, afirma conhecer [...] grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira. (6)

A dor é o grande e abençoado remédio(7) e é sempre o elemento amigo e indispensável de que dispomos para o aprendizado de comportamentos morais mais sublimes.

O Espírito Neio Lúcio, no livro Mensagem do Pequeno Morto, dedica páginas singelas aos mais jovens, oferecendo conhecimentos valiosos sobre as impressões de um menino, de nome Carlos, desde os primeiros momentos de seu desenlace do corpo físico e das particularidades ocorridas durante o seu processo de adaptação na Espiritualidade, amparado por familiares que lhe precederam na passagem pela sombra do túmulo.

O estimado Benfeitor, através da mediunidade de Francisco C. Xavier, registra, de forma sensível, as dificuldades vividas pelo Espírito, no período inicial de sua chegada à instituição que o acolheu. Relata o infante:

Tanta serenidade infundiu-me confiança. Contudo, os gritos que eu ouvia perturbavam-me o equilíbrio. Por que motivo escutava semelhantes vozes da mamãe, ali, onde não tinham razão de ser? Imenso mal-estar apoderou-se de mim. Todas as dores, que eu sentia anteriormente, regressaram ao meu corpo. (8)

O Espírito tem consciência dos pensamentos que se lhe dirigem e nossos esforços devem ser no sentido de transmitir vibrações afetuosas, em atitude de resignação, para atenuar esses instantes e permitir, ao ser que parte, soltar-se, mais facilmente, dos últimos laços que o acorrentam à Terra.

O lenitivo chega por meio das palavras benevolentes do Espírito Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris, publicadas em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V, item 21. De forma dulcíssima, ele nos aconselha:

[...] Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria [...](9)

Nossos filhos, pois, continuam vivos no mundo espiritual. Precisamos adquirir convicção inabalável a respeito dessa realidade e de sua grandeza! O conhecimento da sobrevivência do Espírito é extremamente importante à compreensão de todos os familiares, para que não se deixem extenuar pelo excessivo sofrimento, eternizando-o.

Com a luz divina no coração, elevemos a nossa visão imaterial para os novos e mais sublimes horizontes na vida do Infinito. E, como Léon Denis, proclamemos:

Não é, pois, com um hino fúnebre que devemos acolher a morte, e sim com um cântico de vida, porque não é o astro da tarde que se ergue cruel, mas a estrela radiosa da verdadeira manhã. (10)

CLARA LILA GONZALEZ DE ARAÚJO
Reformador Abril2009

Referências:
(1)KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. Edição de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2006. P. 1, cap. 2, item 1.
(2)DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 8. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 1, cap. 10, p. 183-184.
(3)XAVIER, Francisco C. Entre a terra e o céu. Pelo Espírito André Luiz. 2. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 8, p. 59.
(4)______.______. Cap. 11, p. 75.
(5)KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 381.
(6)XAVIER, Francisco C. Op. cit., cap. 10, p. 70-71.
(7)______.______. Cap. 21, p. 147.
(8)______. Mensagem do pequeno morto: a grande viagem. Pelo Espírito Neio Lúcio. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Carinho e conforto, p. 30.
(9)KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 13. ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 5, item 21, p. 123-124.
(10)DENIS, Léon. O grande enigma. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 3, A lei circular, a missão do século XX, item 15, p. 213.

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