sábado, 28 de agosto de 2010

SINTONIA VIBRATÓRIA



Ensina-nos a Doutrina Espírita, e confirmam os grandes e iluminados pensadores, que o mundo físico ou material vive imerso num mundo extrafísico ou espiritual, do qual as criaturas encarnadas não se apercebem pelos sentidos normais da natureza corpórea. Em virtude desse fato, estamos permanentemente rodeados de seres desvencilhados do corpo carnal, e com os quais, voluntária ou involuntariamente, permutamos pensamentos e sentimentos.
Em seu livro magistral O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Léon Denis escreve na página 113 da 15a edição, referindo-se aos estados vibratórios da alma: “A vida é uma vibração imensa que enche o Universo, e cujo foco está em Deus. Cada alma, centelha destacada do Foco Divino, torna-se, por sua vez, um foco de vibrações que hão de variar, aumentar de amplitude e intensidade, consoante o grau de elevação do ser. Este fato pode ser verificado experimentalmente.
Toda alma tem, pois, a sua vibração particular e diferente. O seu movimento próprio, o seu ritmo, é a representação exata do seu poder dinâmico, do seu valor intelectual, da sua elevação moral.”
Conclui-se, da transcrição supra, que cada ser possui um estado vibratório peculiar, resultante do somatório das vibrações componentes; positivas as que se referem aos sentimentos superiores, negativas as correspondentes aos inferiores.
Esses estados vibratórios, variáveis ao infinito, correspondem aos pensamentos, palavras e atos que exteriorizamos a cada momento, e que são a expressão dos conhecimentos e sentimentos já incorporados ao acervo de conquistas, boas ou más.
Do inevitável convívio com a população extrafísica, resulta estarmos em constante contato com Espíritos que, como seres da Criação, também possuem um estado vibratório próprio. Sendo o poder de percepção dos desencarnados muito mais sensível que o dos encarnados; decorre daí perceberem eles com muito maior precisão nosso estado vibratório pessoal, estabelecendo conosco a sintonia por semelhança de ideais, identidade de pensamentos e acervo de conhecimentos.
Cada paixão, cada fraqueza, cada vício, cada sentimento, cada pensamento, cada gesto, quer seja de nobreza, de superioridade moral, de humildade, de fraternidade, ou de desprezo, indiferença, vaidade, prepotência, sensualidade, orgulho, displicência, rebeldia, desesperança, desânimo, descrença, ócio e tantos outros que lhes são equivalentes, têm sua freqüência vibratória própria.
Esta é a explicação para o problema das presenças espirituais à nossa volta.
Consoante o que exteriorizamos, estabelecemos a natureza de Espíritos que atraímos para nosso convívio.
O intercâmbio vibratório se faz perispírito a perispírito, de modo que, sendo ele o transmissor das sensações para a natureza física, seu efeito eclode no corpo somático sob a forma correspondente à natureza da freqüência recebida.
Temos, assim, as enfermidades, os estados mórbidos, as propensões para acidentes, as sensações que arrastam aos vícios, os estados depressivos, de cólera, desânimo, etc.
Ensina-nos Allan Kardec que a única maneira de vencermos a influência de um mau Espírito é nos fazermos mais fortes do que ele. Efetivamente, quando nos sentirmos assediados por Espíritos inferiores, o remédio será elevarmos nossa freqüência vibratória, interrompendo a sintonia estabelecida. Assim, perdido para ele o campo de ação, somente lhe restará a opção de afastar-se.
O tratamento pela desobsessão é, sem dúvida, valioso recurso para levar alívio a quantos se encontram atormentados pelas más influências espirituais.
Afastados os causadores do incômodo, o paciente sente-se aliviado, e imagina-se curado finalmente. Entretanto, o mais radicalmente beneficiado nestes trabalhos é o perseguidor. Ele recebeu dos que o atenderam conhecimentos novos que lhe trarão esperanças renovadas no futuro. Em geral, compreendendo o erro em que estava laborando, com prejuízo para si mesmo, afasta-se. O paciente, no entanto, não percebendo a parte que lhe cabe cumprir no tratamento, não busca compreender a causa daquela aproximação, e assim, não modificando seu estado vibratório para mais elevada freqüência, atrairá outro Espírito da mesma natureza, que ocupará o lugar do primeiro.
O sábio ensinamento de Jesus “vigiai e orai” está a nos alertar para a vigilância constante dos nossos pensamentos, palavras e atos, a fim de que não estabeleçamos sintonias vibratórias indesejáveis, trazendo, para nosso lado, influências de Espíritos malfazejos.

MAURO PAIVA FONSECA
REFORMADOR SET.2001

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