quinta-feira, 30 de setembro de 2010

MENSAGEM DO HOMEM TRISTE



Passaste por mim com simpatia, mas quando me  viste os olhos parados, indagaste em silêncio  por que vagueio na rua.
Talvez por isso estugaste o passo e, embora te  quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca.
É possível tenhas suposto que desisti do trabalho,  no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina em oficina.... Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade, e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.
Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrine, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor...Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a idéia do furto, apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.
Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo, não tive coragem de explicar-lhes que não tomo qualquer alimento há três dias...
A ti, porém, que me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.

Meimei

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

UMA MENSAGEM IMPORTANTE PARA VOCÊ

Meu prezado irmão(ã).

Que me ouça o Altíssimo, a cujo coração augusto e resplandecente, em o qual se contêm todas as excelsitudes do Cosmos, envio por ti a minha suplica fraternal. Para cá das fronteiras da terra, os Espíritos, despojados das impressões carnais como que se despersonalizam, identificados nas essências sublimes do amor fraterno, laço sacrossanto que une todos os mundos e todas as almas. E’ por esse motivo que nos qualificamos de irmãos. De fato, todos o somos, sob as vistas amoráveis do Magnânimo Pai Celestial, já que nos ligam as mesmas aspirações ao Perfeito, palpitando em nossos corações a mesma partícula divina, que nos faz vibrar as almas do mais forte de todos os anseios: o de união ao Criador. Até a mim chegou o apelo do teu coração dolorido e, se eu pudesse, arrancaria de ti as penosas impressões psíquicas, como se extirpa uma chaga. Todavia, Jesus é o médico de todas as almas e sabe qual o tratamento que lhes convém; mas, em razão do nosso livre alvedrio, somos senhores do nosso próprio destino. Depois de Deus, Ente Supremo, Absoluta Majestade do Universo, nada há, para os Espíritos, tão sagrado como o livre arbítrio. Dai a necessidade da iniciativa de cada individualidade, a bem da sua própria evolução. Afastar as possibilidades da auto-educação seria eliminar o progresso, seria despojar o ser de um dos seus divinos atributos, que é a liberdade. Da realidade desse asserto ressalta a ineficácia dos recursos da taumaturga, para a cura integral de uma alma enferma e abatida. E’ á própria alma que compete, em meio das lutas ásperas e dos cruciantes amargores, nos quais está o preço de sua redenção, quando denodadamente suportadas, concatenar as suas energias latentes e as suas forças desaproveitadas para estabelecer o controle da sua existência temporária, corrigindo defeitos, dominando inclinações nocivas, envidando esforços para que a sua vontade se fortaleça, seu sentimento se eleve, sua mente se clarifique, integrando-se ela assim na harmonia dos seres e das coisas. Uma doutrina religiosa ou um bom alvitre são elementos de cura, mas não são a própria cura. A primeira a auxilia, porque ensina, esclarece, ilumina, conforta, representando para o coração angustiado um manancial de energias, onde as criaturas encontram forças para sustar os fracassos quais irremediáveis, as desgraças coletivas e para evitar a propagação de males e ruínas, paralisando o surto de resoluções inconfessáveis. Isoladamente, porém, o Espírito, em qualquer plano da vida, tem de coordenar as suas possibilidades para o bem, para a luz, para o amor, em seu beneficio, fazendo das aspirações nobres e do trabalho proveitoso o santuário onde a sua mentalidade penetre diariamente para se purificar. Só assim conseguirá armazenar em si os grandes cabedais de energia, de fé e beleza moral, que lhe farão viver em correspondência com os planos superiores do universo, de onde lhe virão os primores intelectivos e sentimentais, como recompensa natural aos seus esforços. Uma das mais proveitosas formas dos Espíritos se entregarem a uma atividade fecunda a prol do seu aprimoramento está na reencarnarão e elas a escolhem como o caminho mais fácil para a evolução necessária e a almejada ventura. Na plenitude da consciência, calculam as suas possibilidades e traçam um plano a que obedecerão rigorosamente e que constitue quais sempre um como mapa de trabalhos e sofrimentos. Tomam a carne. Lutam e padecem. Suas provações parecem obedecer a um implacável determinismo e, com efeito, obedecem, porquanto foi o próprio Espírito quem traçou a senda que lhe compete percorrer, para vencer, dizemo-lo sem paradoxo, o seu próprio destino, transformando os acúleos da estrada em flores de evolução espiritual. Os bons desejos, a moral elevada, a confiança nos poderes superiores do Bem, as preces sinceras, se mantidas com perseverante vontade, lhe evitam os distúrbios psicológicos e as quedas, por pior que seja o caminho. E’ por estas razões, estribadas na mais pura lógica, que não nos é possível modificar de vez o teu estado físico. expendemos as nossas mãos fraternas, amparamos-te com os nossos braços intangíveis, mas poderosos, e te indicamos a senda por onde chegarás á felicidade ou redenção: a misericórdia divina responderá aos teus apelos veemente. Luta com abnegação e com heroísmo. Todos os homens nascem para triunfar da prova a que se submetem; toda carne está eivada de taras perniciosas; mas, será licito ao Espírito entregar-se-lhe á influencia, olvidando as noções da sua liberdade ativa? Não. O atavismo é um dos grandes escolhos que devem ser vencidos pelas almas, no trabalho da sua purificação. O Espírito, em qualquer circunstancia, é obrigado a preponderar sobre a matéria. Operando dessa maneira, o homem espiritualizará todas as suas células orgânicas, porque, se o objetivo da matéria é dar corpo e expressão ás vibrações do Espírito, a função da alma é apurá-la, santificá-la. Quando o homem compreender o alcance dessa realidade, as taras desaparecerão do planeta; por enquanto, porém, os desígnios divinos se utilizam delas como de elementos úteis nas batalhas morais que a humanidade sustenta em favor do seu aperfeiçoamento. A causa de todas as moléstias reside na alma; mas, infelizmente, as criaturas humanas, vivendo apenas entre efeitos, que são coisas transitórias e efêmeras da existência planetária, não vão ás fontes de origem escrutar a causa das dores que as afligem. Para a enfermidade da alma, somente os remédios espirituais são aplicáveis; por isso é que te ofereço as minhas pobres palavras. Muito perde o homem com a sua impaciência. Em face da imoralidade, deveria ele encarar cada vida como um dia de trabalho. Que tu saibas aproveitar o teu dia, purificando-te nos ideais e nos atos generosos, santificando-te em sabedoria e amor. Aprende a viver em contacto com todos quantos te rodeiam. A sociabilidade atenua os rigores da provação; a doçura e a afabilidade nos proporcionam novos elementos vetais. Insular-nos, em meio das fontes de vida que os cercam, constitui grande mal. Deus nos criou para que nos amassemos intimamente uns aos outros. És incompreendido, torturado, ridiculizado ás vezes? Sirva isso ao teu progresso moral. Adapta-te ás formas de expressão dos que te não compreendem ainda e faze lhes o bem que puderes. Toda alma deve ser um foco atraente de virtudes. O maior mérito de um Espírito reside nas boas ações que levou a efeito a prol dos outros. No sacrifício está o segredo da ventura espiritual e, nos instantes amargos de ríspidas provas, refugia-te no templo augusto das preces fervorosas e veementes. Do Alto dimanarão radiosidades indefiníveis para o teu Espírito, que se sentirá reconfortado na jornada terrena. Considera o objetivo do “CONHECE-TE A TI MESMO” e a tua mente, longe de ser atingida por vibrações de amargura, constituirá um refúgio luminoso de sagradas energias espirituais, onde outras almas buscarão conforto, coragem, luz e amor.

Fonte: Reformador – SETEMBRO, 1936

domingo, 26 de setembro de 2010

NÃO MERECEM

Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante. O mal não merece consideração.
Há muito que fazer, valorizando a oportunidade de serviço que surge inesperada.
A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.
A injúria não merece o respeito da sua preocupação.
A ingratidão não merece o zelo da sua aflição.
O ultraje não merece o seu revide verbalista.
A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.
A exasperação não merece o seu sofrimento.
A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.
A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.
A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.
Os maus não merecem a sua inquietação.
Entregue-os ao tempo benfazejo.
Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço, abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.
O lídimo cristão é fiel servidor.
Você tem somente um amo a quem prestará contas: Jesus!
Preocupado com o que deve fazer, não pare a escutar os que não têm o que fazer ou nada querem fazer.
Transformando-se em antena viva da inspiração superior, registre o ensinamento evangélico do amor, no coração, viva-o na ação e prossiga sem medo.
Você sabe que em toda seara existem abelhas diligentes e marimbondos destruidores. Também, não ignora “que os maus por si mesmos se destroem”, como afirma a sabedoria popular.
Identifique no obstáculo o ensejo iluminativo e não se detenha.
Por essa razão, enquanto a ventania açoita, guarde a sua fé robusta e, sem dar atenção ao mal, esteja acautelado, porque, não descendo às ondas mentais dos maus, você paira inatingível nas vibrações superiores das Altas Potências da Vida. Doe amor e, assim, faça o bem, para que não venha “a responder por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”.

Marco Prisco
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Legado Kardequiano

sábado, 11 de setembro de 2010

VOTEM: NOSSO LAR E CHICO XAVIER PODEM REPRESENTAR O BRASIL NO OSCAR 2011.

NOSSO LAR e CHICO XAVIER podem ser indicados para representar o Brasil no Oscar 2011.

Em uma iniciativa inédita, o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, abre, de 8 a 20 de setembro, a votação pública para a sugestão do filme brasileiro a ser indicado para concorrer ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011.

Os filmes estão listados no link abaixo, e você poderá escolher.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PURIFICAR A RELIGIÃO


Cada religião é um reflexo do pensamento eterno, envolto nas sombras e nas imperfeições do pensamento humano. Às vezes, dificilmente se podem separar as verdades que nele se contêm, dos erros acumulados pela obra dos séculos. Entretanto, o que há de divino naquele pensamento projeta uma luz que aclara as almas sinceras. As religiões são mais ou menos verdadeiras; são, sobretudo, as estações que o espírito humano percorre, para elevar-se às concepções sempre mais largas do futuro do ser e da natureza de Deus. As formas, as manifestações religiosas são discutíveis, porque passageiras e mutáveis. O mesmo, porém, não se dá com o sentimento profundo que as inspira, com a razão d ser de cada uma delas.
A Humanidade, em sua marcha para os destinos que a aguardam, vê-se compelida a purificar mais e mais a religião, desembaraçando-a das fórmulas materiais e dos dogmas, sob os quais o pensamento se encontra quase sempre sepultado. Nasce de uma idéia falsa e perigosa o desejo, que muitos alimentam, de destruir as concepções religiosas do passado. A sabedoria consiste em aproveitar os elementos de vida que elas encerram, para com eles construir o edifício do pensamento futuro, que indefinidamente se alteará para o céu.
Cada religião contribuirá com uma centelha da verdade para a constituição da fé vindoura. O druidismo1 e o budismo lhe fornecerão a noção das vidas sucessivas; a religião grega - o pensamento divino enfeixado na Natureza; o Cristianismo - a revelação mais alta do amor, o exemplo de Jesus, esvaziando o cálice das dores e sacrificando-se pelo bem dos homens. Se as fórmulas do catolicismo estão gastas, o pensamento do Cristo se conserva vivaz. Seus ensinamentos, sua moral e seu amor são ainda o consolo dos corações mortificados pelas lutas acerbas deste mundo. Sua palavra pode ser renovada; as partes veladas de sua doutrina, expostas à luz, reservam tesouros de beleza para as almas ávidas de vida espiritual.
A época presente assinalará uma etapa decisiva da idéia religiosa. As religiões, envelhecidas, acurvadas sob o peso dos séculos, sentem a necessidade da inoculação, em seus organismo, de outros princípios regeneradores, da amplidão de suas concepções referentes á finalidade da existência e das leis do destino.
A Humanidade procura o caminho para novos luminares. De quando em quando, um grito de angústia, um lamento doloroso sobe das profundezas da alma ao céu. É um anseio por mais luz. No pélago das incertezas, das contradições e das ameaças da quadra que atravessamos, o pensamento se agita febril e busca um ponto de apoio, donde possa desferir o vôo para regiões mais belas e mais ricas do que todas as que percorreu até aqui. Uma espécie de surda intuição o impele para a frente. Há, no fundo do ser, uma necessidade imperiosa de saber, de conhecer, de desvendar o mistério augusto do Universo e o segredo de seu próprio porvir.
E eis que pouco a pouco a estrada se clareia. A grande lei se revela, graças às lições do Além. Por processos variados: tiptologia, mensagens escritas, discursos pronunciados em estado de transe, os Espíritos-guias e inspiradores nos fornecem, vai para meio século, os elementos de uma nova síntese religiosa. Do seio dos espaços, jorra sobre a Terra poderosa corrente de força moral e de inspiração.
Expusemos algures os princípios essenciais deste ensinamento. Em nosso livro “Cristianismo e Espiritismo”, tratamos mais particularmente da questão religiosa. Sobre este problema vital, que provoca tantas contradições apaixonadas, o que sobretudo importa façamos conhecer ao leitor é o pensamento direto de nossos guias invisíveis, as vistas dos grandes Espíritos, das Entidades tutelares, que pairam acima de nós, longe das competições humanas, e que, julgando de mais alto, julgam melhor.

Léon Denis
Obra: Joana D’Arc, Médium.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O CENTRO ESPÍRITA


O Centro Espírita é importante núcleo educativo na vasto instituto da família humana, recolhemos sublimes inspirações que nos induzem ao auto-aperfeiçoamento e nos ensejam o dever do auxílio mútuo no plantio do amor.
Imaginemo-lo na complexidade da usina e laboratório, hospital e escola, núcleo de pesquisas e células de experiências valiosas, onde o coração e o cérebro se entregam à inadiáveis tarefas de abnegação e fraternidade, de equilíbrio e união, de estudo e luz.
Abençoado lar de nossas almas, recorda-nos a efetiva integração na família universal.
Sentindo-lhe a missionária participação na atualidade de nossos destinos, abracemos responsabilidades e encargos na Casa Espírita, evitando, quanto possível, que a instituição cresça ao sabor da casualidade, relembrando à inspiração de benfeitores espirituais zelos e providências inerentes aos encarnados.
Findas as primeiras emoções no contato com as verdades espirituais, deixemos que a razão nos governe os sentimentos, a fim de que o Centro Espírita se alteie, disciplinado e nobre, conservando seu potencial de atividades futuras, à feição de semente exuberante de esperanças entremostrando nos terrenos os gérmens que organizarão os diversos departamentos do vegetal superior, transformadores da seiva nutris em frutos sazonados.
Evitemos as improvisações na sementeira da fé. Dois mil anos de experiência no Cristianismo são preciosas lições que não se pode desprezar.
A casa Espírita guardará, por certo, a simplicidade do templo de corações, mas não poderá fugir às destinações de educandário de almas.
Adequar-lhe a ambiência física, com vistas às suas finalidades precípuas, é conseqüência inadiável de nossa vivência à luz do bom senso, que jamais se compadece com a inoperância de tudo relegar à determinação única dos Espíritos.
Observemos , em breves comparações, os valores da cultura terrestre determinando eficientes orientação para o progresso geral, criando, nos bastidores de suas conquistas, ambientes propícios ao desenvolvimento de suas atividades. Aqui, reconhecemos que os redutos de instrução pedem salas adequadas, do pré-escolar ao estudo de nível superior; ali verificamos que os laboratórios médicos exigem implementos próprios, em meio asséptico; adiante, anotamos os engenhos da cibernética reclamando da tecnologia crescente compartimentos especiais para que funcionem a contendo, amparando o progresso...
Se as conquistas transitórias da mente reclamam tempo e espaço adequados às manipulações do estudo digno, estipulando em média quinze anos no labor ininterrupto com os livros para que os diplomas rotulem o conhecimento especializado, que não dizer das aquisições perenes do espirito
No trato com a moral sublime onde a religião reserva à fé seu galardão de luz?!
Contemplemos o recanto de terra trabalhada pelo agricultor. Após o primeiro instante do êxtase sob a força do ideal, o lidador do solo entrega-se, afanoso, a arrotear o campo, dividindo a área cultivada em compartimento destinados a este ou aquele cultivo.
O Centro Espírita não deve crescer, igualmente, ao influxo de nosso puro sentimentalismo, que nem sempre reflete amadurecimento, segurança ou equilíbrio.
Entendemos, assim, a importância do movimento unificador da Doutrina, cujas instituições mais experientes orientarão o crescimento equilibrado dos novos núcleos, ainda carentes de previsão e segurança.
A família cuidadosa edificará o domicilio acolhedor, prevendo, para melhor prover, departamentos nos quais acolherá a prole querida, nos quais atenderá às obrigações, sociais e montará o indispensável laboratório da alimentação e saúde. Similarmente, a Casa Espírita há de surgir, crescer e desenvolver-se, considerando suas definições próprias nos cenários humanos.
É indispensável a sala de orações onde nos entregamos de igual modo aos estudos públicos do Evangelho e da Vida ou à conversação discreta com irmãos enfermiços do plano espiritual. Contudo, bem maior é a responsabilidade, ainda não percebida por todos os espíritas, de mobilizar todos os recursos possíveis à instrução, orientação, alertamento e educação dos encarnados, seja na infância, na mocidade, na madureza ou velhice, a fim de que se desincumbam com êxito de suas tarefas.
O Centro Espírita será, antes de tudo, estabelecimento educativo para encarnados, de vez que o plano espiritual não se abstém de organizar a ambiência adequada ao amparo dos desencarnados.
Atentos, pois, à organização jurídico-social de nossas instituições, sem nos descurarmos dos encargos econômicos impostos pelo cotidiano, observemos, com singular ênfase, sua adequação física com vistas ao funcionamento ideal os núcleos doutrinários vigilantes no conhecimento de que o Centro Espírita, ainda que singelo e pequenino, exigirá de cada um de nós dignidade de convicção e fé, bem como disciplina e elevação no sublime sacerdócio que nos cabe no santuário de nossa renovação espiritual.

Espírito Guillon Ribeiro
(Mensagem psicografada por Júlio Cezar Grandi Ribeiro).

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PRESSENTIMENTOS


Conta-se que Francisco de Assis, notável missionário cristão da Idade Média, estava tratando de seu jardim, quando um amigo se aproximou, perguntando-lhe: – Francisco, o que você faria se soubesse que iria morrer hoje? Ao que ele teria respondido, com a maior naturalidade:
– Continuaria a fazer o que estou fazendo: cuidando do meu jardim!
Será que nós, diante de um pressentimento sombrio ou ditoso, cultivaríamos a mesma serenidade de um Francisco de Assis?
É possível conhecer o futuro?
O pressentimento, a premonição, a precognição, a presciência, o presságio, são diferentes palavras utilizadas para designar um só fenômeno: o conhecimento do futuro, que repousa sobre “um mesmo princípio: a emancipação da alma, mais ou menos desprendida da matéria”. (1)
O conhecimento do futuro depende da elevação dos Espíritos que, muitas vezes, apenas o entreveem, “porém nem sempre lhes é permitido revelá-lo”(2) ao homem (Espírito encarnado), porquanto “a certeza de um acontecimento venturoso o lançaria na inação”. A de um acontecimento infeliz o encheria de desânimo.
“Em ambos os casos, suas forças ficariam paralisadas”. (3) Logo, “em princípio, o futuro lhe é oculto e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja revelado”,(4) com o objetivo de facilitar “a execução de uma coisa, em vez de estorvar, obrigando o homem a agir diversamente do modo por que agiria, se lhe não fosse feita a revelação”.(5)
Muitos creem que a existência física é regida por um determinismo ou fatalidade irrevogável, e que, independentemente de como agirmos, ninguém escapará do destino que lhe está reservado.
Um pouco de reflexão sobre o assunto, entretanto, é suficiente para afastar tal ideia. Ensina o Espiritismo que a fatalidade(6) existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova física. Elegendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é o resultado da posição em que vem a achar-se colocado, como homem, na Terra, “nas funções que aí desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão”. (7)
Por conseguinte, não se pode dizer que tudo já está predeterminado em nossas vidas. Assim fosse, seríamos meros autômatos e de nada adiantaria nosso esforço para nos melhorar, de forma que tanto o que fizesse o bem, quanto o que fizesse o mal, teriam a mesma compensação ou o mesmo futuro, o que estaria em desacordo com a Justiça Divina incorruptível.
A fatalidade a que todos estamos submetidos, sem exceção, é a morte física: chegado esse momento, de uma forma ou de outra, dela não podemos nos esquivar, (8), contudo, “nunca há fatalidade nos atos da vida moral”, (9) porque somos senhores, por nossa vontade, de ceder ou não às tendências inatas que trazemos de encarnações pretéritas e às influências de outros Espíritos.
O resultado da má utilização do livre-arbítrio é que retardará o nosso progresso, protelando o encontro com a Verdade, mas todos chegaremos lá, muitas vezes pela dor, que é um aguilhão a nos impulsionar à correção de nossas imperfeições e a nos mostrar o roteiro de nossa emancipação espiritual.
Considerando a margem de liberdade que o Criador nos confere, dentro de suas leis imutáveis, para exercitarmos o livre-arbítrio e as faculdades, não há incoerência alguma em dizer que somos responsáveis pelo nosso passado e os artífices de nosso futuro.
Quanto mais evoluído o Espírito – encarnado ou desencarnado –, melhores condições tem de prever o futuro, baseado na experiência acumulada dos fatos do passado e na análise dos acontecimentos do presente, considerando que, à luz do princípio de causa e efeito, tudo o que fazemos acarreta resultados que se projetam no tempo. Por isso, “o futuro não é surpresa atordoante. É consequência dos atos presentes”. (10)
Ao ensino dado em O Livro dos Médiuns, os benfeitores acrescentam que os pressentimentos são uma espécie de mediunidade:
O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida.
Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as consequências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. [...](11)
Ou ainda:
São recordações vagas e intuitivas do que o Espírito aprendeu em seus momentos de liberdade e algumas vezes avisos ocultos dados por Espíritos benévolos. (12)
O fato de um pressentimento não se confirmar nem sempre significa que se estava enganado a respeito das premonições, visto que as ações dos Espíritos (encarnados ou desencarnados), antes de ocorrerem, são concebidas na mente, cujos pensamentos são captados por determinadas pessoas, durante o sono, por meio dos sonhos, ou durante a vigília.
No entanto, pode haver desistência da ação planejada, por parte do agente, ou é possível haver alguma circunstância que o impeça de concretizar seu desejo.
Isto é, [...] como a sua realização [da ação planejada] pode ser apressada ou retardada por um concurso de circunstâncias, este último [o médium ou vidente] vê o fato, sem poder, todavia, determinar o momento em que se dará. Não raro acontece que aquele pensamento não passa de um projeto, de um desejo, que se não concretizem em realidade, donde os frequentes erros de fato e de data nas previsões. (13)
Por isso, devemos desconfiar de mensagens proféticas que anunciam precisamente, com data e hora marcadas, o acontecimento de coisas fantásticas.
Sendo assim, o pressentimento nada tem de sobrenatural, posto que “se funda nas propriedades da alma e na lei das relações do mundo visível com o mundo invisível, que o Espiritismo veio dar a conhecer”. (14) Kardec traz um interessantíssimo exemplo de pressentimento.
Trata-se de uma carta, dirigida ao Codificador, pela Senhora Angelina de Ogé, que foi avisada, com seis meses de antecedência, sobre a morte de seu genitor. Eis algumas considerações dadas a respeito deste caso pela Sociedade Espírita de Paris:
“O Espírito do pai dessa senhora, em estado de desprendimento, tinha um conhecimento antecipado de sua morte e da maneira por que ela se daria”. Sua vista espiritual abarcando certo espaço de tempo, para ele é como se a coisa estivesse presente, embora no estado de vigília não lhe conservasse qualquer lembrança.
Foi ele próprio que se manifestou à sua filha, seis meses antes, nas condições que deviam se produzir, a fim de que, mais tarde, ela soubesse que era ele e que, estando preparada para uma separação próxima, não ficasse surpreendida com a sua partida.
Ela mesma, como Espírito, tinha conhecimento disto, porque os dois Espíritos se comunicavam em seus momentos de liberdade.
É o que lhe dava a intuição de que alguém devia morrer naquele quarto. “Essa manifestação ocorreu igualmente com o objetivo de fornecer um assunto de instrução a respeito do conhecimento do mundo invisível”. (15)
O progresso intelecto-moral confere ao ser humano maior amplitude de percepção sobre as coisas, à semelhança de uma pessoa que, situando-se no topo de uma montanha, de posse de um potente binóculo, pode prever algum acontecimento em certo trecho da estrada, que não é dado a outro descortinar, se estiver em plano mais baixo, por falta de uma visão panorâmica do que se passa à sua volta.
Não sem razão, o Codificador destaca:
O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. (16)
Kardec, lembrando a forma misteriosa e cabalística de certas predições antigas, de que Nostradamus é o exemplo mais completo, ressalva:
[...] Pela sua ambiguidade, elas se prestam a interpretações muito diferentes, de tal sorte que, conforme o sentido que se atribua a certas palavras alegóricas ou convencionais, conforme a maneira por que se efetue o cálculo, singularmente complicado, das datas e, com um pouco de boa vontade, nelas se encontra quase tudo o que se queira. (17)
Na atualidade, porém, as previsões dos Espíritos “são antes advertências, do que predições propriamente ditas e quase sempre motivam a opinião que manifestam, por não quererem que o homem anule a sua razão sob uma fé cega e desejarem que este último lhe aprecie a exatidão”. (17)
A perplexidade de muitas pessoas ante os fenômenos relacionados com o futuro, entre eles o pressentimento, demonstra o quanto o homem ainda desconhece a sua própria natureza espiritual. O Espiritismo veio projetar luz sobre esta questão, trazendo a chave para o seu entendimento: “o estudo das propriedades do perispírito”. (18)
Se há um determinismo, na acepção absoluta da palavra, este é o determinismo do progresso, para a felicidade de todos nós.
Mesmo que façamos mal uso do livre-arbítrio, fatalmente, mais cedo ou mais tarde, nos arrependeremos, expiaremos e repararemos nossos erros,(19) motivo por que sempre estaremos jungidos ao resultado final estabelecido pelo Criador, que instituiu a Lei Maior de que “o bem é o fim supremo da Natureza”,(20) o que implica na acepção de que “determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens”.(21)

CHRISTIANO TORCHI
Reformador Ago?09

(1)KARDEC, Allan. Teoria dos sonhos. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 8, p. 282, jul. 1865. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
(2)Idem. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 243.
(3)Idem, ibidem. Q. 871 (Comentário de Kardec), p. 447.
(4)Idem, ibidem. Q. 868.
(5)Idem, ibidem. Q. 870.
(6)Idem, ibidem. Q. 851-867.
(7)Idem, ibidem. Q. 872, p. 449.
(8)KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 853.
(9)Idem, ibidem. Q. 872, p. 449.
(10)XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. O espírito da verdade. Espíritos diversos. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 82, p. 274.
(11)KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. 80. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. P. 1, cap. 15, item 184.
(12)Idem. O que é o espiritismo. 55. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 3, q. 138.
(13)KARDEC, Allan. A gênese. 52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 16, item 7.
(14)Idem, ibidem. Item 6.
(15)KARDEC, Allan. Uma manifestação antes da morte. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 11, p. 47-48, jan. 1868. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
(16)Idem. A gênese. 52. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 6, item 2, p. 125.
(17)Idem, ibidem. Cap. 16, item 17, p. 418.
(17)Idem, ibidem.
(18)Idem, ibidem. Cap. 1, item 40.
(19)Idem. O céu e o inferno. 60. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 1, cap. 7, item Código penal da vida futura, n. 16.
(20)DENIS, Léon. Depois da morte. Ed. espec. 1. imp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P. 1, A Índia, p. 41-42.
(21)XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 132.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A BÚSSOLA DO ESPIRITISMO


O Espiritismo, para se conservar isento de influências negativas, tem de permanecer adstrito aos princípios de sua Doutrina, codificada por Allan Kardec, e tão bem defendida pela Federação Espírita Brasileira. Somente o conhecimento doutrinário confere ao espírita digno deste nome pleno conhecimento da Terceira Revelação. Dada a extrema tolerância com que o Espiritismo recebe e agasalha as criaturas egressas de outros credos, desiludidas pela falta de clareza de seus postulados, pela esterilidade de suas obras ou pelo desamparo espiritual em que se sentem, não raro se observam deturpações e desrespeitos à nossa Doutrina, que é meridianamente clara, extraordinariamente simples e de assimilação facílima. Elementos provindos de religiões em declínio, ainda mal adaptados ao Espiritismo, por desconhecerem a Doutrina de Kardec, misturam costumes e preconceitos de seus antigos credos com as práticas singelas dos espíritas, acabando por alcançarem, com a melhor das intenções, acreditamos, um sincretismo bizarro, mas de todo em todo incompatível com os ensinamentos reais do Espiritismo. Em conseqüência, abeiram-se do feiticismo, inovando, ou melhor, transferindo para cá certas práticas julgadas inconcessas por nossa Doutrina.
Dessa balbúrdia se aproveitam rancorosos inimigos do Espiritismo para atacá-lo cada vez com maior veemência, acusando os espíritas de se apropriarem de seus santos, de sua liturgia, de suas rezas... Para os espíritas nada disso vale nada em face do que nos ensina Kardec. Respeitamos as opiniões alheias, as religiões que lutam pela conquista da hegemonia material, mas desejamos continuar fiéis à nossa religião. No Espiritismo não há batismos nem casamentos e muito menos encomendações fúnebres. Não há santos nem imagens, porque reverencia¬mos o Espírito, que é tudo. O que para nós conta é o que contém o corpo da Doutrina codificada por Allan Kardec, porque ela, sim, é a Lei em que se baseia a conduta do espírita verdadeiramente consciente de sua posição no seio da Humanidade e em face de Jesus. Santos, rituais, especulações teológicas, nada disso é nosso, nada disso -queremos, pois não nos es¬coramos tão-pouco em figuras hipostáticas, nem nos perdemos no matagal do metafisicismo inócuo.. Em vez do «Credo quia absurdum», de Santo Agostinho, preferimos Kardec: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a Razão, em todas as épocas da Humanidade.”
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Sendo o Espiritismo formado pela trilogia Religião-Ciência-Filosofia, muito trabalho nos espera dentro dele para que possamos perder tempo com outras religiões que somente possuem passado e vêem o presente se alongar custosa-mente, sem corajosa esperança no futuro... As religiões que se debatem pela sobrevivência não querem reconhecer que sua missão está concluída na Terra e que o Espiritismo, que é o Cristianismo do Cristo em plena florescência, cada vez se torna mais senhor de si e apto a cumprir sua destinação entre os homens, sob as luzes do Evangelho de Jesus. Se essas religiões, agonizantes do ponto de vista espiritual, ainda se dedicarem às tarefas que realmente lhes competem, renunciando às atrações mundanas e resistindo às tentações de preponderância temporal, a ponto de se envolverem na política, então poderão, pelo menos, ter um fim menos doloroso, realizando o supremo esforço de honrar o nome de Deus e do Cristo na hora extrema...
O constante desenvolvimento do Espiritismo está suscitando, ainda agora, reações violentas de credos religiosos inconformados com a realidade dos novos tempos. Vamos recebendo com serenidade os ataques, as provocações, as injúrias, as calúnias, as deturpações do que dizemos e realizamos, as mentiras que nos são assacadas, na vã tentativa de nos desmoralizarem; as perseguições, enfim, disfarçadas ou ostensivas, sempre polimórficas, nas quais os verdadeiros perseguidores preferem ocultar-se por trás dos que ser¬vem de instrumento ao seu ódio, para melhor investir-nos sem suscitar o escândalo público. Devemos continuar humildes e serenos, escuda¬dos na força de nossa fé, de nossa Doutrina, sem esquecermos o dever da exemplificação que nos deu Jesus, conforme se encontra nas lições sublimes de «O Evangelho segundo o Espiritismo».
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O futuro do mundo pertence ao Espiritismo, porque, quanto maior a cultura humana, mais largo o caminho que se abrirá à nossa religião, que ama a claridade do espírito e da mente, repelindo a treva da ignorância e da maldade. Espiritismo é paz, é caridade, é amor. Esta é a moeda do nosso comércio, porque essa foi a moeda de Jesus em sua peregrinação terrena. Não somos insensíveis aos maus tratos. Toda¬via, a nossa sensibilidade cede ao nosso dever de exemplificar. Possamos sempre responder com humildade à arrogância dos imprevidentes. Sabemos que o homem moderno, em sua maioria, não pensa nem age por ouvir dizer, quando já não se encontra prisioneiro da ignorância. Ob¬serva, investiga, analisa e julga, antes de tomar uma decisão definitiva. O Espiritismo não se arreceia da verdade, porque ele é a Verdade, pois está amparado pelo Cristo. Confiantes na excelência da nossa Doutrina, não tememos o porvir. A sucessão dos anos apenas poderá tornar mais vigoroso o Espiritismo, em virtude da segurança de seus postulados morais e da realidade impressionante das relações progressivas do mundo físico com o mundo espiritual. Qual¬quer homem de bom senso pode ler, estudar e interpretar os princípios doutrinários do Espiritismo, usando até nisso, o seu livre arbítrio, sem tremer ante a ameaça ridícula do Purga¬tório e do Inferno. Seu destino é travado pelo uso que fizer desse livre arbítrio. O Espiritismo confia no futuro da Humanidade e a Humanidade está aprendendo depressa a confiar no Espiritismo, porque ele não hostiliza nem faz discriminações. Amparando e auxiliando, ele esclarece, guia, assiste, fazendo reviver; a cada instante, no século inicial da era atômica, o Cristianismo primitivo, bem diferente do pseudo Cristianismo paganizado, que se arrasta orgulhosa e penosamente por aí.
Quanto mais sólido for o conhecimento da Doutrina de Kardec pelos espíritas, tanto mais forte será o Espiritismo, porquanto ela mostra com firmeza a posição exata que a nossa religião já ocupa no seio da Humanidade. A Doutrina é a base da ação espírita e ninguém consegue ser completamente espírita, se não a conhece e não exemplifica seus ensinamentos com amorosa fidelidade.

Fonte: Reformador – dezembro, 1956