sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PURIFICAR A RELIGIÃO


Cada religião é um reflexo do pensamento eterno, envolto nas sombras e nas imperfeições do pensamento humano. Às vezes, dificilmente se podem separar as verdades que nele se contêm, dos erros acumulados pela obra dos séculos. Entretanto, o que há de divino naquele pensamento projeta uma luz que aclara as almas sinceras. As religiões são mais ou menos verdadeiras; são, sobretudo, as estações que o espírito humano percorre, para elevar-se às concepções sempre mais largas do futuro do ser e da natureza de Deus. As formas, as manifestações religiosas são discutíveis, porque passageiras e mutáveis. O mesmo, porém, não se dá com o sentimento profundo que as inspira, com a razão d ser de cada uma delas.
A Humanidade, em sua marcha para os destinos que a aguardam, vê-se compelida a purificar mais e mais a religião, desembaraçando-a das fórmulas materiais e dos dogmas, sob os quais o pensamento se encontra quase sempre sepultado. Nasce de uma idéia falsa e perigosa o desejo, que muitos alimentam, de destruir as concepções religiosas do passado. A sabedoria consiste em aproveitar os elementos de vida que elas encerram, para com eles construir o edifício do pensamento futuro, que indefinidamente se alteará para o céu.
Cada religião contribuirá com uma centelha da verdade para a constituição da fé vindoura. O druidismo1 e o budismo lhe fornecerão a noção das vidas sucessivas; a religião grega - o pensamento divino enfeixado na Natureza; o Cristianismo - a revelação mais alta do amor, o exemplo de Jesus, esvaziando o cálice das dores e sacrificando-se pelo bem dos homens. Se as fórmulas do catolicismo estão gastas, o pensamento do Cristo se conserva vivaz. Seus ensinamentos, sua moral e seu amor são ainda o consolo dos corações mortificados pelas lutas acerbas deste mundo. Sua palavra pode ser renovada; as partes veladas de sua doutrina, expostas à luz, reservam tesouros de beleza para as almas ávidas de vida espiritual.
A época presente assinalará uma etapa decisiva da idéia religiosa. As religiões, envelhecidas, acurvadas sob o peso dos séculos, sentem a necessidade da inoculação, em seus organismo, de outros princípios regeneradores, da amplidão de suas concepções referentes á finalidade da existência e das leis do destino.
A Humanidade procura o caminho para novos luminares. De quando em quando, um grito de angústia, um lamento doloroso sobe das profundezas da alma ao céu. É um anseio por mais luz. No pélago das incertezas, das contradições e das ameaças da quadra que atravessamos, o pensamento se agita febril e busca um ponto de apoio, donde possa desferir o vôo para regiões mais belas e mais ricas do que todas as que percorreu até aqui. Uma espécie de surda intuição o impele para a frente. Há, no fundo do ser, uma necessidade imperiosa de saber, de conhecer, de desvendar o mistério augusto do Universo e o segredo de seu próprio porvir.
E eis que pouco a pouco a estrada se clareia. A grande lei se revela, graças às lições do Além. Por processos variados: tiptologia, mensagens escritas, discursos pronunciados em estado de transe, os Espíritos-guias e inspiradores nos fornecem, vai para meio século, os elementos de uma nova síntese religiosa. Do seio dos espaços, jorra sobre a Terra poderosa corrente de força moral e de inspiração.
Expusemos algures os princípios essenciais deste ensinamento. Em nosso livro “Cristianismo e Espiritismo”, tratamos mais particularmente da questão religiosa. Sobre este problema vital, que provoca tantas contradições apaixonadas, o que sobretudo importa façamos conhecer ao leitor é o pensamento direto de nossos guias invisíveis, as vistas dos grandes Espíritos, das Entidades tutelares, que pairam acima de nós, longe das competições humanas, e que, julgando de mais alto, julgam melhor.

Léon Denis
Obra: Joana D’Arc, Médium.

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