quinta-feira, 28 de outubro de 2010

JESUS, O INCOMPARÁVEL

Vencendo os milênios que nos separam do Seu berço, ninguém que se Lhe equipare ou sequer apresente as características que O assinalaram.
Havendo nascido em um recinto modesto e quase desprezível, transformou-o num esplêndido reduto de luzes e de harmonias gloriosas.
Residindo mais tarde em uma aldeia desconhecida, tornou-a imortal na História, na literatura e na memória dos tempos.
Convivendo com as pessoas do Seu pequeno burgo, evitou destacar-se, mantendo-se simples e de relacionamento afável, de forma a não os perturbar ou provocar celeuma antes do momento.
Fiel servidor das Divinas Leis, trabalhou na pequena carpintaria do pai sem alarde ou demonstração inoportuna de superioridade.
Conhecendo a tarefa para a qual viera, não se precipitou, tampouco postergou a hora em que se deveria desvelar. E o fez de maneira natural, sem alarde nem provocação, quando tomou do texto de Isaías, inserto no Testamento Antigo e, em plena sinagoga, interpretou-o com inusitada acuidade, deixando-se identificar como o Messias.
Compreendeu a reação de surpresa dos Seus coevos e familiares que, tomados de espanto e ira, atiraram-se contra Ele, ameaçando-O de morte. Mas não reagiu, nem os agrediu com palavras ou ações que desmentissem o Seu ministério de amor, quando predominavam as sombras da ignorância e da perversidade.
Sem qualquer acusação, deixou aqueles sítios e partiu para a gentil Galiléia, onde as almas simples e desataviadas, sedentas de paz, cansadas de sofrimentos e humilhações, anelavam pela oportunidade de serem livres do jugo cruel da servidão e realmente felizes.
Entre os pobres e desafortunados, os sofredores e puros de coração, entoou o Seu hino de amor à Vida como dantes jamais alguém o fizera, e depois nunca mais se repetiria.
A Sua canção de misericórdia e de ação temperada pela sabedoria arrebatou as gentes de todos aqueles rincões, que abririam espaço para se alargarem pelas terras do futuro, dando início à Era da fraternidade que, embora ainda não vivida, já se encontra instalada desde aqueles inesquecíveis momentos.
A Sua revolução diferiu de todas as que a precederam e a sucederiam, porquanto, tratava-se de lutas contínuas nas paisagens do coração contra as más inclinações, as tendências primárias e as heranças asselvajadas do período primitivo.
Amando a todos sem distinção, até mesmo àqueles que obstinadamente O perseguiam e tentavam malsinar-Lhe as horas, Jesus permaneceu incomparável, ensinando compaixão e ternura, trabalho e confança irrestrita em Deus.
Ninguém jamais se Lhe equipararia!
*
Os grandes gênios da fé que O precederam e os nobres missionários do amor que O sucederam foram, respectivamente, Seus mensageiros que Lhe deveriam preparar o advento e continuadores insistindo na preservação dos Seus ensinamentos e atitudes.
Esse homem nascido em Belém e morador em Nazaré, dividiu os fastos históricos, assinalando a Sua trajetória com os incomparáveis testemunhos da Sua elevação.
Quando provocado pelo farisaísmo compreendia a fúria do despeito e da mesquinhez humana, lamentando o atraso moral daqueles que se Lhe apresentavam como adversários. Admoestava-os e esclarecia-os, embora eles não desejassem respostas honestas, porque os seus eram os objetivos perversos...
Visitado pelo sofrimento dos indivíduos e das massas, não obstante sabendo da transitoriedade do corpo físico, renovava os enfermos e curava-lhes as mazelas, advertindo-os quanto aos valores imperecíveis do Espírito.
Acusado de atitudes que se chocavam contra a Lei e os Profetas, informava que não os veio combater, mas vitalizá-los e dar-lhes cumprimento.
Tentado pela hipocrisia e envolvido nas malhas das insensatas ciladas, destrinchava os fios envolventes e devolvia-os aos sistemáticos perseguidores.
Jamais se escusou aos enfrentamentos promovidos pela perversidade dos pigmeus morais, mesmo conhecendo-lhes as artimanhas e propósitos nefastos. Também nunca se recusou a esclarecer qual era a Sua tarefa e quais as bases da Sua revolução, estruturadas no amor a Deus, ao próximo e a si mesmo.
Nunca desmentiu os postulados propostos nos Seus sermões, mediante uma conduta dúbia ante as ameaças e malquerenças que se Lhe apresentavam a cada momento.
Resistiu a todos os tipos de tentação na Sua humanidade, avançando sempre no rumo do holocausto sem qualquer tipo de revolta ou de insegurança quanto aos valores esposados e divulgados.
Profundo conhecedor da psicologia humana, jamais se utilizou desse recurso incomum para humilhar ou submeter quem quer que fosse ao Seu ministério. Pelo contrário, dele se utilizava para identificar as causas transatas geradoras dos sofrimentos que os aturdiam e para aplicar a terapêutica mais conveniente em relação aos múltiplos distúrbios que os afligiam.
Perfeitamente identificado com Deus, não fingiu ser-Lhe igual e jamais se Lhe equiparou, informando sempre ser o Filho, o Embaixador, o Caminho para a Verdade e para a Vida...
Confundido com os profetas que O precederam, revelou a própria procedência, informando que aqueles que vieram antes realizaram o seu mister com elevação, mas a Sua era a confirmação de tudo quanto ensinaram no seu tempo.
Incomparável, Jesus, o Homem libertador de todos os homens e mulheres!
*
A humanidade sempre recebeu no transcurso da História guias admiráveis, que vieram iluminar as sombras dominantes.
Em cada povo e em todos os tempos surgiram missionários incomuns, que demonstraram a vacuidade da vida física e a perenidade do ser espiritual, convidando à reflexão e à conquista da liberdade total.
Alguns tiveram a existência assinalada por muitos conflitos antes da revelação que os transformou; outros sentiram o impulso interno e romperam com os preconceitos e condicionamentos existentes, trazendo o conhecimento e a vivência do dever como essenciais, à conquista da paz.
Diversos se imolaram em testemunho do que ensinavam, mas só Jesus é o Modelo e Guia nunca ultrapassado ou sequer igualado.
Havendo chegado à Terra na condição de Espírito puro, por haver realizado o Seu processo de evolução em outra dimensão, permanece como o Homem incomparável para conduzir a humanidade na direção do inefável amor de Deus.

Franco, Divaldo P. Da obra: Nascente de Bençãos. Ditado pelo EspÍrito Joanna de Ângelis.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

VELÓRIOS

Diante do corpo de alguém que demandou a Pátria Espiritual, examina o próprio comportamento, a fim de que não te faças pernicioso, nem resvales pelas frivolidades, que nesse instante devem ser esquecidas.
O velório é um ato de fraternidade e de afeição aos recém-desencarnados que, embora continuem vinculados aos despojos, não poucas vêzes permanecem em graves perturbações.
Imantados à organização somática, da qual são expulsos pelo impositivo da morte, que os surpreende com o "milagre da vida", não obstante em outra dimensão, desesperam-se, experimentando asfixia e desassossegos de difícil classificação, acompanhando o acontecimento, em crescente inquietude.
Raras pessoas estão preparadas para entender o fenômeno da morte, ou possuem suficientes recursos de elevação moral a fim de serem trasladadas do local mortuário, de modo a serem certificadas do ocorrido em circunstâncias favoráveis, benignas.
No mais das vêzes, atropelam-se com outros desencarnados, interrogam os amigos que lhes vêm trazer o testemunho último aos despojos carnais, caindo, quase sempre, em demorado hebetamento ou terrível alucinação...
Em tais circunstâncias, medita a posição que desfrutas nos quadros da vida orgânica, considerando a inadiável imposição do teu regresso à Espiritualidade.
*
Se desejas ajudar o amigo em trânsito, cujo corpo velas, ora por êle.
No silêncio a que te recolhes, evoca os acontecimentos felizes a que êle se encontrava vinculado, os gestos de nobreza que o caracterizaram, as renúncias que se impôs e os sacrifícios a que se submeteu... Recorda-o lutando e renovando-se.
Não o lamentes, arrolando os insucessos que o martirizaram, as aflições em rebeldia que experimentou.
O chôro do desespero como as observações malévolas, as imprecações quanto às blasfêmias ferem-nos à semelhança de ácido derramado em chagas abertas.
De forma alguma registres mágoas ou desaires entre ti e êle, os vínculos da ira ou as cicatrizes do ódio ainda remanescentes.
Possivelmente êle te ouvirá as vibrações mentais, sem compreender o que se passa, ou sofrerá a constrição das tuas memórias que acionarão desconhecidas fôrças na sua memória, que, então, sintonizará contigo, fazendo que as paisagens lembradas o dulcifiquem - se são reminiscências felizes - ou o requeimem interiormente - se são amargas ou cruéis - fomentando estados íntimos que se adicionarão ao que já experimenta.
A frivolidade de muitos homens tem transformado os velórios em lugares de azêdas recriminações ao desencarnado, recinto de conversas malsãs, cenáculo de anedotário vinagroso e picante, sala de maledicências insidiosas ou agrupamento para regabofes, onde o respeito, a educação, a consideração à dor alheia, quase sempre batem em retirada...
E não pode haver uma dor tão grande na Terra, quanto a que experimenta alguém que se despede de outrem, amado, pela desencarnação!
*
Sem embargo, o desencarnado vive.
Ajuda-o nesse transe grave, que defrontarás também, quando, quiçá, êsse por quem oras hoje seja as duas mãos da cordialidade que te receberão no além ao iniciares, por tua vez, a vida nova...
Unge-te, pois, de piedade fraternal nas vigílias mortuárias, e comporta-te da forma como gostarias que procedessem para contigo nas mesmas circunstâncias.
*
"Deixai que os mortos enterrem os seus mortos". Lucas: capítulo 9º, versículo 60.
*
"Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo". Evangelho Segundo o Espíritismo - Capítulo 5º - Item 21, parágrafo 5.

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Florações Evangélicas. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

QUANDO E COMO REVERENCIAR OS "MORTOS"


Se colocado o título na forma interrogativa, a maioria das pessoas estará inclinada a responder que existe a data de 02 de novembro para isso, quando se visita cemitérios e túmulos de cada parente ou amigo morto, acendem-se velas, colocam-se flores e faz-se orações. A proximidade do Dia de Finados serve-nos como pretexto para demonstrar que, além da denominação imprópria, estabelecer uma data fixa às almas dos que já viveram sobre a Terra não passa de mera convenção herdada das civilizações antigas. Alguns povos reverenciavam apenas as personalidades revestidas de maior importância como líderes religiosos ou guerreiros, mas quase todos incluíam aí os entes queridos que não alcançaram qualquer grau de notoriedade. No primeiro caso, teríamos os chamados cultos aos ancestrais movidos por desejos de acalmar sua ira caso não fossem lembrados ou de solicitar deles algum favor. No caso de cerimônias que englobam todos os mortos, o objetivo era invocar seus feitos, prestar-lhes homenagem e talvez esperar por proteção ou favorecimentos.

No seio de povos antigos e modernos, diferenciados por práticas religiosas próprias, a homenagem assume características particulares, variando desde os simples rituais acima citados prevalecentes no ocidente até cerimônias complexas desenvolvidas com manifestações festivas como canto, danças e alimentos especiais oferecidos aos mortos e, às vezes, aos vivos. A data varia, como no Japão com o Festival das Lanternas - o Obon - entre 13 e 16 de julho ou em partes da China com o Festival do Fantasma Faminto, no outono austral. Em certas ramificações hindus as comemorações dos mortos duram 10 dias. O feriado americano do Halloween ou Dia das Bruxas, a 31 de outubro, inspirou-se no Dia dos Mortos dos antigos europeus. Parece haver a acomodação de calendário entre esta data, a de Todos os Santos e de Finados, todos em seqüência.

Embora o respeito que nos merecem os homenageados e os que prestam tais homenagens, na visão espírita, Dia dos Mortos tanto pode ser todos como nenhum. Explicando: todos porque não precisamos nem devemos ocupar nossa lembrança com eles somente num dia do ano e poderia não haver dia algum destinado a eles porque morto ninguém está. Todos vivem, a despeito de estarmos deles separados por configurações de dimensões específicas. Assim como nós encarnados vivemos, pensamos e agimos todos os dias, os que já partiram deste mundo, também permanecem vivos e atuantes na dinâmica própria que suas novas condições se lhes impõem.

A regra vale para o tempo e espaço. Não é só junto aos túmulos que devemos buscar o reencontro com as almas bem-amadas. Preferencialmente que não seja lá. Devemos vibrar para que eles não estejam mais lá. A sepultura não é a última morada, mas o local onde permanecem os despojos materiais que constituíram o veículo de sua expressão neste mundo. Oxalá, as almas encontrem-se bem distantes de tais locais lúgubres, palco de lamentações e tristeza.

Podemos lembrar e "conversar" com os que estão separados temporariamente de nós em casa, num bosque, na montanha, na praia ou na rua. Se o contato via pensamento ocorrer de modo tranqüilo e equilibrado, nada há a temer. Só fará bem a um e outro. O que já está do outro lado da vida sentirá júbilo por ser lembrado por aquele a quem, não amou, no passado, mas ama ainda, no presente. Se enredado em dificuldade por qualquer motivo, a prece dos familiares e amigos vivos na matéria, lhe será de grande utilidade e melhor será, se sincera, vez por outra, do que as formalidades num só dia, mas desacompanhadas do sentimento puro de saudade e afeto. Para quem a profere representa um gênero de caridade.

Para espíritos atrasados moralmente ou apegados em demasia aos prazeres desta vida, ao desencarnar, poderão ficar retidos mais tempo junto ao local onde imaginam estar aprisionados, isto é, com o corpo físico sepultado. Irresistivelmente imantados, não concebem que a verdadeira vida continua. Confusos, vêem-se ora no corpo energético ou perispírito e julgam-se vivos, ora afundam no desespero ao constatar a inexorável decomposição cadavérica e a indiferença dos demais que já não lhe ouvem nem vêem.

A falta de melhor orientação a respeito do próprio fenômeno morte e do que a ela se segue, causa esta dubiedade atroz. Evitaríamos inúmeros desconfortos se déssemos, enquanto vivos na matéria, menos valor às coisas que lhe são pertinentes e buscássemos com mais determinação adquirir virtudes e praticar o Bem. A morte perderia o ar de mistério e terror e o triunfo da vida no além seria uma certeza tranqüila. Agiríamos pensando mais no futuro do que nas ilusões que se nos oferecem no presente e seríamos mais felizes desde agora.

O Espiritismo matou a morte. Rompeu com o véu de ignorância e sombra para descortinar os horizontes da vida imortal de que todos somos possuidores. O mundo é de vivos, não importa o lado em que estivermos. Não se ressuscita porque não se morre, reencarna-se enquanto for necessário para determinado estágio evolutivo. Ninguém vai para o "céu" ou para o "inferno"; não há penas eternas. Deus é bom, justo e misericordioso em grau máximo e todos somos salvos pelas próprias obras, nesta etapa da vida ou nas próximas. Logo, dispensa-se o Dia de Finados. Para o espírita, os mortos sempre vivem e é nesta condição que devemos celebrar suas memórias, feitos e essências espirituais originadas do Ser Supremo.

ADE-PR - Assoc. de Divulgadores do Espiritismo do Paraná.)

domingo, 24 de outubro de 2010

A MELHORA DA MORTE

Diante do agonizante o sentimento mais forte naqueles que se ligam a ele afetivamente é o de perda pessoal.
"Meu marido não pode morrer! Ele é o meu apoio, minha segurança!"
"Minha esposa querida! Não me deixe! Não poderei viver sem você!"
"Meu filho, meu filho! Não se vá! Você é muito jovem! Que será de minha velhice sem o seu amparo?"
Curiosamente, ninguém pensa no moribundo. Mesmo os que aceitam a vida além-túmulo multiplicam-se em vigílias e orações, recusando admitir a separação. Esse comportamento ultrapassa os limites da afetividade, desembocando no velho egoísmo humano, algo parecido com o presidiário que se recusa a aceitar a idéia de que seu companheiro de prisão vai ser libertado.
O exacerbamento da mágoa, em gestos de inconformação e desespero, gera fios fluídicos que tecem uma espécie de teia de retenção, a promover a sustentação artificial da vida física. Semelhantes vibrações não evitarão a morte. Apenas a retardarão, submetendo o desencarnante a uma carga maior de sofrimentos.
É natural que, diante de sério problema físico a se abater sobre alguém muito caro ao nosso coração, experimentemos apreensão e angústia. Imperioso, porém, que não resvalemos para revolta e o desespero, que sempre complicam os problemas humanos, principalmente os relacionados com a morte.
Quando familiares não aceitam a perspectiva da separação, formando a indesejável teia vibratória, os técnicos da espiritualidade promovem, com recursos magnéticos, uma recuperação artificial do paciente que, "mais prá lá do que prá cá", surpreendentemente começa a melhorar, recobrando a lucidez e ensaiando algumas palavras...
Geralmente tal providência é desenvolvida na madrugada. Exaustos, mas aliviados, os "retentores" vão repousar, proclamando:
"Graças a Deus! O Senhor ouviu nossas preces!"
Aproveitando a trégua na vigília de retenção os benfeitores espirituais aceleram o processo desencarnatório e iniciam o desligamento. A morte vem colher mais um passageiro para o Além.
Raros os que consideram a necessidade de ajudar o desencarnante na traumatizante transição. Por isso é freqüente a utilização desse recurso da Espiritualidade, afastando aqueles que, além de não ajudar, atrapalham. Existe até um ditado popular a respeito do assunto:
"Foi a melhora da morte! Melhorou para morrer!"

Richard Simonetti. Da obra: Quem tem medo da morte?.

sábado, 23 de outubro de 2010

A INDULGÊNCIA

Espíritas, queremos falar-vos hoje da indulgência, sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.
A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.
A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. Quando criticais, que conseqüência se há de tirar das vossas palavras? A de que não tereis feito o que reprovais, visto que estais a censurar; que valeis mais do que o culpado. O homens! quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?
Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.
Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.

José, Espírito protetor. (Bordéus, 1863.)
Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo X, item 16.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

BIOGRAFIA DE JEANNE D'ARC

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A LENDA DA CRIANÇA

Dizem que o Supremo Senhor, após situar na Terra os primeiros homens, dividindo-os em raças diversas, esperou, anos e anos, pela adesão deles ao Bem Eterno. Criando os todos para a liberdade, aguardou pacientemente que cada um construísse o seu próprio mundo de sabedoria e felicidade. À vista disso, com surpresa, começou a ouvir do Planeta Terrestre, ao invés de gratidão e louvor, unicamente desespero e lágrimas, blasfêmias e imprecações, até que, um dia, os mais instruídos, amparados no prestígio de Embaixadores Angélicos, se elevaram até Deus, a fim de suplicarem providências especiais. E, prosternados diante do Todo-Poderoso, rogaram cada qual por sua vez:
-Pai, tem misericórdia de nós!... Repartimos a Terra, mas não nos entendemos... Todos reprovamos o egoísmo; no entanto, a ambição nos enlouquece e, um por um, aspiramos a possuir o maior quinhão!...
-Oh! Senhor!... Auxilia-nos!... Deste-nos a autonomia; contudo, de que modo manejá-la com segurança? Instruíste-nos códigos de amparo mútuo; no entanto, ai de nós!... Caímos, a cada passo, pelos abusos de nossas prerrogativas!...
-Santo dos Santos, socorre-nos por piedade!... Concedeste-nos a paz e hostilizamo-nos uns aos outros. Reuniste-nos debaixo do mesmo Sol!... Nós, porém, desastradamente, em nossos desvarios, na conquista de domínio, inventamos a guerra... Ferimo-nos e ensanguentamo-nos, à maneira de feras no campo, como se não tivéssemos, dada por ti, a luz da razão!...
-Pai Amantíssimo, enriqueceste-nos com os preceitos da justiça; todavia, na disputa de posições indébitas, estudamos os melhores meios de nos enganarmos reciprocamente, e, muitas vezes, convertermos as nossas relações em armadilhas nas quais os mais astuciosos transfiguram os mais simples em vítimas de alucinadoras paixões... Ajuda-nos e liberta-nos do mal!...
-Ó Deus de Infinita Bondade, intervém a nosso favor! Inflamaste-nos os corações com a chama do gênio, mas habitualmente resvalamos para os despenhadeiros do vício... Em muitas ocasiões, valemo-nos do raciocínio e da emoção para sugerir a delinqüência ou envenenar-nos no desperdício de forças, escorregando para as trevas da enfermidade e da morte!...
Conta-se que o Todo-Misericordioso contemplou os habitantes da Terra, com imensa tristeza, e exclamou, amorosamente:
-Ah! Meus filhos!... Meus filhos!... Apesar de tudo, eu vos criei livres e livres sereis para sempre, porque, em nenhum lugar do Universo, aprovarei princípios de escravidão!...
-Oh! Senhor – soluçaram os homens - compadeça-te então de nós e renova-nos o futuro!... Queremos acertar, queremos ser bons!...
O Todo-Sábio meditou, meditou...
Depois de alguns minutos, falou comovido:
-Não posso modificar as Leis Eternas. Dei-vos o Orbe Terreno e sois independentes para estabelecer nele a base de vossa ascensão aos Planos Superiores. Tereis, constantemente e seja onde for, o que fizerdes, em função de vosso próprio livre arbítrio!... Conceder-vos-ei, porém, um tesouro de vida e renovação, no qual, se quiserdes, conseguirei engrandecer o progresso e abrilhantar o Planeta... Nesse escrínio de inteligência e de amor, disporeis de todos os recursos para solidificar a fraternidade, dignificar a ciência, edificar o bem comum e elevar o direito... De um modo ou de outro, todos tereis, doravante, esse tesouro vivo, ao vosso lado, em qualquer parte da Terra, a fim de que possais aperfeiçoar o mundo e santificar o porvir!...
Dito isso, o Senhor Supremo entrou nos Tabernáculos Eternos e voltou de lá trazendo um ser pequenino nos braços paternais...
Nesse augusto momento, os atormentados filhos da Terra receberam de Deus a primeira criança.

Irmão X
Do livro Luz no Lar. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O SÁBIO E O PÁSSARO

Conta-se que certa feita um jovem maldoso e inconseqüente resolveu pregar urna peça em idoso e experiente mestre, famoso por sua sabedoria.
—Quero ver se esse velho é realmente sábio, como dizem — pensou — Vou esconder um passarinho em minhas mãos. Depois, em presença de seus discípulos, vou perguntar-lhe se está vivo ou morro. Se ele disser que está vivo, eu o esmagarei e o apresentarei morro. Se ele falar que está morto eu abrirei a mão e o pássaro voará.
Realmente, uma armadilha infalível, como só a maldade pode conceber.
Aos olhos de quem presenciasse o encontro, qualquer que fosse a sua resposta, o sábio estaria incorrendo em erro.
E lá se foi o jovem mal-intencionado com sua armadilha perfeita.
Diante do ancião acompanhado dos aprendizes, fez a pergunta fatal:
—Mestre, este passarinho que tenho preso em minhas mãos, está vivo ou morro?
O sábio olhou bem fundo em seus olhos, como se examinasse os recônditos de sua alma, e respondeu:
—Meu filho, o destino desse pássaro está em suas mãos.
*
Esta história pode ser sugestivo exemplo da maldade humana que não vacila em esmagar inocentes para conseguir seus objetivos.
Será, também, uma demonstração das excelências da sabedoria, a sobrepor-se aos ardis da desonestidade.
Mas é, sobretudo, uma ilustração perfeita sare o destino humano, tão mal definido pelos religiosos em geral.
Consideram muitos que tudo acontece pela vontade de Deus, mesmo a doença, a miséria, a ignorância, o infortúnio...
Essa é a mais flagrante injustiça que cometemos contra o Criador, o pai de infinito amor e bondade revelado por Jesus.
A vida é dádiva divina, mas a qua1idade de vida será sempre fruto das ações humanas.
Segundo os textos bíblicos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus.
Filhos de Deus, o que caracteriza nossa condição é o poder criador que exercitamos como recurso dessa alavanca poderosa que se chama vontade.
Exercitando a vontade temos o poder de moldar nosso destino e de influenciar sobre o destino daqueles que nos rodeiam.
Há os que não vacilam em esmagar a Vida para alcançar seus objetivos, envolvendo-se com a ambição e a usura, a agressividade e a violência, a mentira e a desonestidade, o vício e o crime.
E há os que libertam a Vida, estimulando-a a ganhar as alturas, mãos abertas para a solidariedade.
Entre essas duas minorias, que se situam nos extremos, temos a maioria que não é má, mas não assume compromisso com o Bem.
Por isso, o mal no Mundo está muito mais relacionado com a omissão silenciosa dos que se acreditam bons, mas não desenvolvem nenhum esforço para evitar que os maus façam barulho.
Isso está bem claro na questão 932, de “O Livro dos Espíritos”:
Por que, no Mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
Observe, leitor amigo, o alcance da resposta, uma das mais contundentes da Codificação:
Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.
Poderíamos acrescentar que a omissão dos bons favorece ainda que as pessoas se envolvam com o mal, por que ninguém as ajuda, nem ampara, nem orienta, nem as atende em suas carências e necessidades.
*
Algum progresso tem sido alcançado.
Fala-se muito, na atualidade, sobre cidadania.
Ser cidadão é estarmos conscientes de nossos direitos.
É lutarmos por eles, a partir dos elementares direitos à saúde, à educação, à habitação e, sobretudo, o inalienável direito à vida.
É um passo importante.
Podemos melhorar as condições de vida de uma sociedade, trabalhando pelos direitos humanos.
Mas há outro passo, bem mais importante:
É preciso assumir deveres, particularmente o dever fundamental de exercitar a solidariedade, vivenciando a lição maior de Jesus: prestar ao semelhante todo benefício que gostaríamos de receber dele se sofrêssemos suas carências.
*
A mão que liberta o homem da doença, da miséria, da ignorância, do infortúnio, para que a Vida ganhe as alturas, deve ser a filosofia de trabalho de todo Centro Espírita e, por extensão, de todos os espíritas.
A Doutrina Espírita deixa bem claro que não podemos nos omitir diante das misérias humanas.
É preciso fazer algo pelo semelhante.
O destino de nossa sociedade é o somatório de nossas ações.
Não se faz uma sociedade boa se, a par do exercício de cidadania, não houver o cultivo da solidariedade.
E aqueles que participam, que se dedicam a esse mister, logo fazem uma descoberta maravilhosa.
No empenho de ajudar o próximo, libertam-se das inquietações e angústias que afligem o homem comum, preso ao egoísmo.
Ajudando alguém a erguer-se de suas misérias, pairam acima das inquietações humanas.
Contribuindo para clarear sendas alheias, iluminam o próprio caminho...
E influenciando para o bem o destino de seus irmãos, percebem, deslumbrados, que encontraram sua gloriosa destinação.

Richard Simonetti
Revista Reformador - Março - 1998

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DO ESPÍRITA

Da análise sintética dos princípios e fundamentos do Espiritismo, com base em O Livro dos Espíritos, e suas correlações com a Filosofia, Sociologia e Política e a visão de que o homem no mundo ”é um ser social e consequentemente, uns ser político”, concluímos:

COMO O ESPÍRITA NÃO DEVE ATUAR NA POLÍTICA:

1.1. Levar a política partidária para dentro do Centro, das Entidades ou do Movimento Espírita;

1.2. Utilizar-se de médiuns e dirigentes espíritas para apoiar políticos partidários candidatos a cargos eletivos aos Poderes Executivo e Legislativo;

1.3. Catar votos para políticos que, às vezes, dão alguma ”verbinha” para asilos, creche? E hospitais, mas cuja conduta política não se afina com os princípios éticos ou morais do Espiritismo;

1.4. Apoiar políticos que se dizem espíritas ou cristãos, mas aprovam as injustiças, as barganhas, a ”politicagem” (usar a política partidária para interesses egoísticos pessoais ou de grupos a que se ligam);

1.5. Participar da política partidária apenas por interesse pessoal, para melhorar a sua vida e de sua família, divorciado em sua militância político-partidária dos princípios e normas da Filosofia Espírita;

2. COMO O ESPÍRITA DEVE ATUAR NA POLÍTICA:

2.1. O espírita pode e deve estudar e reflexionar sobre os princípios político-filosófico-espíritas no Centro Espírita, pois eles estão contidos em O Livro dos Espíritos, Parte Terceira, das Leis Morais;

2.2. Através da análise, do estudo e da reflexão das normas e princípios acima referidos, o espírita deve identificar o egoísmo, o orgulho e a injustiça nas instituições humanas, denunciando-as e agindo para que elas desapareçam da sociedade humana;

2.3. Confrontar os fundamentos morais objetivos do Espiritismo com os fundamentos morais e objetivos dos partidos políticos, verificando de forma coerente qual ou quais deve apoiar e até mesmo participar como membro atuante, se tiver vocação para tal;

2.4. Participar de organizações e movimentos que propugnem pela Justiça, pelo Amor, pelo progresso intelectual, moral e físico das pessoas. Exemplo: clubes de serviços, sindicato, associações de classe, diretório acadêmico, movimentos de respeito e defesa dos direitos humanos, etc.;

2.5. Fazer do voto um elevado testemunho de amor ao próximo; Considerando que a sociedade humana é dirigida por políticos que saem das agremiações partidárias e suas influências podem ajudar ou atrasar a evolução intelecto moral da humanidade, o voto, realmente, é uma forma de exprimir o amor ao próximo e à coletividade.

Deve, pois, analisar se a conduta do candidato político-partidário tem maior ou menor relação com os princípios morais e políticos (aspecto filosófico) do Espiritismo;

2.6. Participar da agremiação partidária, se tiver vocação para tal, sabendo, no entanto, da responsabilidade que assume nesse campo, já que sua militância deve sempre estar voltada para o interesse do ser humano, em seus aspectos social e espiritual. Para isso, sua ação política deverá estar em harmonia com os valores éticos (morais) do Espiritismo que, em última análise, são fundamentalmente os mesmos do Cristianismo;

2 7. Participar conscientemente da ação política na sociedade, sem relegar o estudo e a reflexão do Espiritismo a plano secundário. Pelo contrário, o estudo e a reflexão dos temas espíritas deverão levá-lo a permanente participação, objetivando a aplicação concreta do Amor e da Justiça ao ser humano, seja individual ou coletivamente.

Do livro: O Espiritismo e a Política de Aylton Guido Coimbra Paiva