quarta-feira, 10 de novembro de 2010

UMA TELHA

Um homem passa pela rua. Uma telha lhe cai aos pés. Ele diz: “Que sorte! um passo mais e eu estaria morto.” Em geral é o único agradecimento que envia a Deus. Entretanto esse mesmo homem, pouco tempo depois, adoece e morre na cama. Por que foi preservado da telha, para morrer alguns dias após, como a maioria das pessoas? Foi o acaso, dirá o incrédulo, como ele próprio disse: Que sorte! Para que, então lhe serviu escapar ao primeiro acidente, se sucumbiu ao segundo? em todo o caso, se a sorte o favoreceu, o favor não durou muito.
A essa pergunta o Espírita responde: A cada instante escapamos de acidentes que, como se costuma dizer, nos deixam a dois dedos da morte. Não vedes nisso um aviso do céu, para vos provar que a vida está por um fio, que jamais temos certeza de viver amanhã e que, assim, devemos sempre estar preparados para partir? Mas, que fazeis quando ides empreender uma longa viagem? Tomais disposições, arranjais os negócios, muni-vos de provisões e de coisas necessárias para o caminho; desembaraçai-vos de tudo quanto pudesse atrapalhar e retardar a marcha. Se conheceis a terra para onde ides, se lá tendes amigos e conhecidos, partis sem receio, certos de serdes bem recebidos. Caso contrário, estudais o mapa da região, e arranjais cartas de recomendação. Suponde que sejais obrigados a empreender essa viagem no dia seguinte, que não tendes tempo de fazer preparativos, ao passo que se estivésseis prevenidos com bastante antecedência, teríeis disposto todas as coisas para vossa utilidade e vossa conveniência.
Então! todos os dias estais expostos a empreender a maior, a mais importante das viagens, a que deveis fazer inevitavelmente; e, contudo, não pensais nisto mais do que se tivésseis de viver perpetuamente na Terra! Em sua bondade, Deus cuida de vós, advertindo-vos por numerosos acidentes, aos quais escapais, e só lhe tendes esta expressão: Que sorte!
Espíritas! sabeis quais os preparativos a fazer para essa grande viagem, que tem para vós conseqüências muito mais importantes que todas as que empreendeis aqui na Terra, porque da maneira por que ela se realizar depende a vossa felicidade futura. O mapa que vos dará a conhecer o país onde ides entrar é a iniciação nos mistérios da vida futura. Por ela o país não será desconhecido para vós; vossas provisões são as boas ações que tiverdes realizado e que vos servirão de passaporte e de cartas de recomendação. Quanto aos amigos que lá encontrareis, vós os conheceis. É dos maus sentimentos que vos devereis desembaraçar, pois infeliz é aquele a quem a morte surpreende com ódio no coração como alguém que caísse na água com uma pedra atada ao pescoço, e que o arrastaria para o fundo. Os negócios que deveis pôr em ordem é o perdão àqueles que vos ofenderam; são os erros cometidos para com o próximo e que urge reparar, a fim de conquistardes o perdão, pois os erros são dívidas, de que o perdão é a quitação. Apressai-vos, pois, que a hora da partida pode soar de um momento para outro e não vos dar tempo para reflexão.
Em verdade vos digo, a telha que cai aos vossos pés é o sinal a vos advertir para estardes sempre prontos a partir ao primeiro sinal, a fim de não serdes tomados de surpresa.

(O Espírito de Verdade - R. E. 1862)

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