quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

PASSAGEM E PAISAGEM DE NATAL

Em ligeiro encontro que tivemos com um amigo, perguntou-nos ele:
- Como é, você já está preparado para o Natal?
Respondemo-lhe:
- Meu caro, há muitos anos que nos vimos preparando para o Natal, mas até agora, lamentavelmente, não conseguimos ainda o preparo necessário.
Via de regra, o sentido da pergunta, tal como no-la fazem, diz respeito:
- à aquisição de vestimenta para estréia no dia de Nascimento do Senhor;
- à compra de guloseimas e bebidas finas para solenizar o acontecimento;
- à possível remodelação de nossas residências, com melhoramentos gerais, quer na decoração, quer no mobiliário;
- à realização de negócios vantajosos;
- à programação de fuga do burburinho da cidade para a quietude bucólica de um sítio;
- à apresentação de uma árvore de Natal, toda cheia de lantejoulas irisadas de luzes policrômicas;
- à armação de um presépio, reproduzindo o quadro da Manjedoura;
- à lembrança dos amigos para conosco, representada nos presentes ganhos ou à nossa retribuição a eles;
Não é assim que entendemos a passagem do Grande Dia do Senhor?
Geralmente, pensamos em como passar o Natal.
A questão em si não é todavia, de passagem do Natal e, sim, de paisagem do Natal.

Paisagem do Natal em nós mesmos:
- do pensamento alcandorado nas Alturas, tocando os cimos iluminados e luminosos da Espiritualidade;
- da mente em sintonia com o Alto, nimbada das claridades do Grande Além;
- dos sentimentos acrisolados nos ensinos e testemunhos cristãos;
- da vontade a serviço único e exclusivo dos desígnios do Altíssimo;
- do cérebro transformado em centro das mais nobres e formosas cogitações espirituais;
- do coração engrandecido nas mais profundas e sinceras manifestações do amor;
- dos olhos, visualizando tão-somente os quadros dignificantes da vida;
- dos ouvidos, captando, de todos os lados e pelas formas múltiplas sob que se apresentam, as mensagens silenciosas e abscônditas que nos vêm da alma das coisas, dos arcanos sagrados do Universo;
- das mãos em diligentes atividades de reconstrução espiritual do Homem e do Mundo;
- dos pés , em deslocamento para o Bem e pelo Bem, sem desfalecimentos nem recuos, sem paradas nem desvios ante os percalços do Caminho;
- da boca externando invariavelmente palavras de vida eterna, ajustadas ao diapasão evangélico, enquadrados nos ditames de uma consciência retilínea;
- de toda a instrumentalidade fisiológica elevada à condição de santuário, de “templo do Espírito Santo”, onde o oficiante possa celebrar o culto, de todas as horas e de todos os dias, da adoração ao Senhor através do serviço ativo de edificação de si mesmo.

Não sabemos em que sentido aquele nosso amigo nos teria feito a sua pergunta, mesmo porque tão rápido fora nosso encontro, que não nos deu tempo para outras indagações. Mas temos a impressão, quase certeza, de que se tivéssemos entrado em maiores considerações, pelo menos nós passaríamos por não tê-lo entendido, quando bem poderia ser ele quem, talvez, não nos entendesse.
De qualquer sorte, ficamos-lhe sumamente agradecidos pela feliz oportunidade que nos ensejou de poder ressaltar a diferença existente entre passagem de Natal e paisagem de Natal.

Diferença que se resume nisto:

Passagem de Natal.

- Nós dentro de exterioridades, que se findam poucos dias depois;

Paisagem de Natal.

- Interioridade no âmago de nossas almas que perduram por todo o sempre, no infinito do espaço e na eternidade do Tempo.

Diferença que se explica por isto Natal é Jesus no coração. Ele nascido em nós; nós nascidos n’Ele.

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