segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

REGENERAÇÃO

Tudo que procede de Deus para a Humanidade obedece a um planejamento feito com séculos de antecedência, cujo estabelecimento é evolutivo-dependente, pois que de nada adiantaria liberar revelações ao homem sem a devida capacidade para entendê-las e guardá-las. A Inteligência Suprema nada faz de improviso.

A primeira etapa para que a Humanidade passasse a crer no Deus Único foi a escolha de um missionário, em tempos remotos e data incerta, que constituísse uma grande nação monoteísta, verdadeira ilha cercada de povos do mais variado e absurdo politeísmo. Esse missionário foi Abraão, a quem Deus abençoou e em quem pôs o seu concerto, pondo-o por pai de uma multidão de nações. (Ver Gênesis, capítulos 12 e 17.)

O segundo passo foi a concretização, não sem grandes sacrifícios probatórios, do monoteísmo por Moisés, cuja legenda e exemplo de extraordinária perseverança e inabalável fé no Senhor e nos seus superiores desígnios estão registrados no livro Êxodo. Através da mediunidade deste grande missionário e legislador, o Senhor deu a conhecer ao homem os seus Mandamentos (Primeira Revelação), seguro roteiro para o bom relacionamento entre as criaturas, entre si e entre elas e Ele, que a todas criou e ama igualmente.

Ainda com Moisés profetizou a vinda do Messias (Deuteronômio, 18:18), o que verdadeiramente ocorreu treze séculos depois. Neste ínterim, numerosos profetas foram enviados pelo Mais Alto ao povo monoteísta, aos quais cabia o chamamento para as coisas de Deus em termos diretos quando relativos às suas atualidades e, quando em relação ao futuro, em linguagem simbólica, muita vez de difícil interpretação.

A etapa seguinte foi a vinda de Jesus-Cristo, o Messias, consubstanciando diversas profecias anunciadoras desse extraordinário evento único. Jesus mudou radicalmente os conceitos sobre Deus, vigentes à sua época, chamando-o Pai sempre justo e misericordioso, que não faz acepção de nenhuma das suas criaturas e ama a todas igualmente.

O Mestre dos Mestres pregou o Amor irrestrito à exaustão, esmiuçando-o em todas as suas nuanças e dimensões. Os ensinos de Jesus, cuja exemplificação foi irreprochável, constituem a Segunda Revelação e foram dirigidos todos eles para o Espírito, o que implica renúncia às coisas da matéria. O Mestre Incomparável confirmou a crença, a Lei e os profetas.

Finalizando este encadeamento dos desígnios divinos, Jesus prometeu enviar outro Consolador, o Espírito de Verdade, que procede do Pai e que não fala de si mesmo, mas, sim, do que aprendeu d’Ele, Deus, usando de linguagem direta, sem parábolas ou simbolismos (João, 14 e 16), para retirar o véu que oculta à criatura as coisas do seu Criador (Mateus, 10:26). Esta é a Terceira Revelação, trazida ao homem, dezoito séculos depois, pelo Espírito de Verdade e sua falange de Entidades Sublimes, através da extremada dedicação de Allan Kardec, o bom senso encarnado, e que está corporificada na Doutrina Espírita.

No versículo 2 do mesmo capítulo 14 do Evangelho, acima citado, João consigna a afirmação de Jesus, segundo a qual na casa de meu Pai há muitas moradas. O Mestre de Lyon, no capítulo III de O Evangelho segundo o Espiritismo, esclarece, com base em instruções dos Espíritos Reveladores, que a casa do Pai é o Universo, e, materialmente falando, que as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, referindo que há dois tipos de mundos extremos.

Nos degraus mais baixos da escada evolutiva encontram-se os mundos primitivos, habitados por Espíritos brutos e materializados, recém-saídos da fase animal, predominando as paixões, sendo quase inexistente a moral. Nos patamares mais elevados estão os mundos celestiais, em que habitam Espíritos puros, experientes, bondosos e sábios, remidos da matéria por terem percorrido, com mérito, todo o carreiro evolutivo.

Entre esses mundos, há os intermediários.

Logo acima dos mundos inferiores estão os mundos de provas e de expiações, sendo a Terra um deles, nos quais o mal predomina sobre o bem e a atração pela matéria sobrepuja as coisas do Espírito.

Abaixo dos celestiais estão os mundos ditosos, nos quais a bondade reina, habitados que são por Espíritos elevados, mas ainda errantes.

No entremeio, estão os mundos regeneradores, que são mundos de transição, nos quais o bem ombreia com o mal. A classificação acima nada tem de absoluta e os diferentes tipos de mundos não são estanques, mas amplamente comunicantes entre si, sempre tendo em vista as metas evolutivas a serem alcançadas.

Na parábola do Mancebo Rico (Mateus, 19:28) está registrado: “(...) e Jesus disse-lhes [dirigindo-se aos discípulos]: ‘Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vós assentareis sobre doze tronos para julgar as doze tribos de Israel’” (destaque do autor), confirmando o que Ele havia dito anteriormente (João, 5:22): “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo.” .

Deus não tem pressa; Ele orienta e aguardará que suas criaturas evoluam até à mansuetude para herdar este Planeta (Mateus, 5:4).

Entretanto, aqueles Espíritos obstinados no mal e refratários ao Bem serão emigrados para outros orbes, mais apropriados às suas obras, a fim de que, para dar cumprimento ao planejado, este Planeta deixe de ser mundo de provas e expiações e passe a mundo de regeneração, conforme as palavras do próprio Governador Espiritual da Terra, o nosso muito amado Mestre Jesus.

Reformador Dez/2005

Nenhum comentário:

Postar um comentário