terça-feira, 12 de abril de 2011

LÉON DENIS – O SUCESSOR DE KARDEC


EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DO DESENCARNE DE LÉON DENIS
Léon Denis, considerado o continuador lógico da obra de Allan Kardec, nasceu a 1º de janeiro de 1846 na pequena localidade de Foug, na França.
Denis foi despertado ainda jovem, (18 anos) para as maravilhas do Espiritismo, ao ler entusiasmado o "O LIVRO DOS ESPÍRITOS" que lhe apresentou, segundo a sua afirmativa, uma "solução clara, completa, lógica do problema universal".
Denis foi um bom médium vidente e psicógrafo. Recebia mensagens de Sorella (Joana D’arc), do Espírito Azul e de Jerônimo de Praga. Foi também brilhante orador, participando de numerosas conferências em que defendeu a Doutrina Espírita com inteligência e ardor.
A Doutrina Espírita apresenta em seu conteúdo três aspectos: científico, filosófico e moral, porém, Denis aprofundou-se mais na abordagem do aspecto filosófico do Espiritismo, no qual fez estudos profundos nessa área.
Denis tratou de assuntos históricos como as origens celtas da França e o dramático episódio do martírio da grande médium francesa Joana D'Arc. E preocupou-se com as origens do Cristianismo e seu processo evolutivo através dos tempos.
A sua bibliografia é vasta e composta de obras monumentais que enriquecem as bibliotecas espíritas, entre as quais destacamos: Depois da Morte, Cristianismo e Espiritismo, No Invisível, O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Provas Experimentais da Sobrevivência, Joana D'Arc Médium, O Porquê da Vida, O Grande Enigma e muitas outras.
Dentre suas múltiplas ocupações, foi presidente de honra da União Espírita Francesa, membro honorário da Federação Espírita Internacional e presidente do Congresso Espiritista Internacional, realizado em Paris, em 1925. Durante longos anos dirigiu um grupo experimental de Espiritismo, na cidade francesa de Tours.
Sua atuação no seio do Espiritismo foi bastante diversa daquela desenvolvida por Allan Kardec. Enquanto o Codificador exerceu suas atividades na própria capital francesa, Léon Denis desempenhou a sua dignificante tarefa na província. Kardec se destacou como uma personalidade de formação universitária, que firmou seu nome nas letras e ciências, antes de se dedicar às pesquisas espíritas e codificar o Espiritismo. Denis foi um autodidata que se preparou em silêncio e na pobreza material para surgir subitamente no cenário intelectual e impor-se como conferencista e escritor de renome, tornando-se figura de destaque no campo da divulgação do Espiritismo.
Sua inusitada capacidade intelectual e a percepção das coisas transcendentais fizeram com que o movimento espírita francês e mesmo mundial, gravitassem em torno da cidade de Tours. Após a desencarnação de Allan Kardec, essa cidade tornou-se o ponto de convergência de todos os que desejavam tomar contato com a Doutrina Espírita recebendo assim as luzes do conhecimento, pois, inegavelmente, a plêiade de Espíritos que tinham por incumbência o êxito do processo de revelação do Espiritismo levou a Léon Denis toda a sustentação necessária a fim de que a nova doutrina se firmasse de forma ampla e irrestrita.
Denis jamais cursou uma academia oficial: formou-se na escola prática da vida, na qual a dor própria e a alheia, o trabalho mal retribuído e as privações heróicas ensinam a verdadeira sabedoria, por isso dizia sempre: “Os que não conhecem essas lições ignoram sempre um dos mais comovedores lados da vida”.
Deve-se a ele, a oportunidade ímpar que os espíritas tiveram de ver ampliados novos ângulos do aspecto filosófico da Doutrina Espírita Suas obras, de um modo geral, focalizam numerosos problemas que assolam os homens e a questão da sobrevivência da alma humana em seu trabalhoso processo evolutivo.
Mesmo prostrado por uma pneumonia, não deixou de trabalhar até seus últimos dias, sendo auxiliado por duas devotadas secretárias na elaboração de mais obras edificantes. Desencarnou em 12 de abril de 1927, na cidade de Tours.
Léon Denis imortalizou-se na gigantesca tarefa de dissecar problemas atinentes às aflições que acometem os seres encarnados e forneceu valiosos subsídios, no sentido de lançar novas luzes sobre a problemática das adversidades terrenas. Durante toda sua vida, bastante atribulada, ele jamais deixou de escrever, falar, propagar e exemplificar aquilo que ensinava, tornando-se assim verdadeiro exemplo vivo de trabalho, perseverança e dedicação a uma causa nobre e altamente benéfica para a Humanidade.

Bibliografia:
Personagens do Espiritismo
Antonio de Souza Lucena - Paulo A. Godoy
Folhetim Espírita (nov./dez/86), matéria de autoria de Antonio Sérgio C. Piccolo

segunda-feira, 11 de abril de 2011

DESENCARNAÇÃO PREMATURA - ELES CONTINUAM VIVOS


Carlinhos veio para coroar uma união amorosa, nasceu e cresceu em ambiente repleto de afeto, criança inteligente e generosa, desde os primeiros anos demonstrava essas qualidades.
O garoto era a razão da vida dos pais, motivo de orgulho dos avós, verdadeiro xodó da família.
A vida transcorria tranqüila para todos, mas eis que um dia repentinamente a enfermidade bate a porta da família e leva consigo seu mais ilustre representante, Carlinhos, então com 7 anos, tem seus olhos fechados para a vida física.
A inconformação toma conta de todos, sobretudo do pai.
Revoltado, volta-se contra a Divina Providência.
Resolve ignorar completamente o Pai Celeste, negando sua existência.
Ainda hoje, após 4 anos do fato, quando alguém cita o nome de Deus podemos ver seu semblante de contrariedade.
Costuma questionar :
- Se Deus realmente existe, porque deixou meu filho, uma criança que tinha toda uma vida pela frente, morrer?
Certamente é uma dolorosa provação a morte de um filho em tenra idade, entretanto, temos que considerar que antes de termos filiação terrena, temos uma filiação divina – somos filhos de Deus, e o Pai de infinito amor não comete injustiças.
A vida prossegue em seus infinitos planos, nossos pequenos que se foram continuam a existir, a viver...
A Doutrina Espírita trata com propriedade do assunto, e Kardec em “O Livro dos Espíritos” faz a seguinte indagação aos mentores que o assistem:

199 - Por que a vida é muitas vezes interrompida na infância?
R – A duração da vida de uma criança pode ser, para o Espírito que nela está encarnado, o complemento de uma existência anterior interrompida antes do tempo. Sua morte é, muitas vezes, também uma provação ou uma expiação para os pais.

Em tudo há uma razão, uma finalidade!
Nada se perde na obra divina, natural a tristeza pela separação, o que não é natural é o sentimento de revolta que endurece o coração e insensibiliza.
A revolta aguça a tristeza e o sentimento de perda!
Temos no conhecimento espírita abençoada alavanca que nos oferece duas preciosas ferramentas – Conhecimento e motivação para prosseguir.
Quem teve um filho levado para outro plano da vida, ao invés de se revoltar, pode resignar-se ante o inevitável e alegrar a existência engajando-se em um trabalho num orfanato, irá assim, ocupar o tempo com o melhor antídoto contra a tristeza – o amor!
Portanto, confrade e confreira, ofereça essa dádiva do conhecimento espírita aos famintos de ânimo, para que assim, possam recuperar a alegria de viver e enxergar na morte de seus pequenos provações necessárias e não castigos ou indiferença do Pai Celeste.

sábado, 9 de abril de 2011

QUEM SOMOS NÓS, OS HOMENS DA TERRA?

Não é difícil responder a essa pergunta. Somos seres imperfeitos, já que habitamos um mundo de provas e expiações. Parece-nos uma explicação perfeitamente razoável.
Por quanto tempo continuaremos imperfeitos e com mais tendências más do que boas? Agora, a resposta se torna mais difícil, porque isso depende de cada um, individualmente, embora o coletivo exerça alguma influência na melhora ou piora dos homens. Inclusive, porque a humanidade é a soma de todos nós. É a consciência planetária. Todavia, todos nós temos um direito sagrado que se chama livre-arbítrio que é o que decide se vamos melhorar ou piorar.
Por que razão nós ainda somos tão imperfeitos? A resposta primeira é: por ignorância. O desconhecimento dos valores verdadeiros nos prejudica mais do que os erros que cometemos. Há ocasiões em que fazemos o mal, imaginando que é um bem.
Por que somos ignorantes? Porque fomos criados por Deus simples e sem nenhum conhecimento e, a partir do momento em que migramos do raciocínio para a razão, nos enchemos de necessidades que nos criaram mais problemas que alegrias. Depois de estagiar nos reinos primários da criação, onde apenas nos defendíamos, sobrevivíamos e procriávamos, começamos a ter desejos: paixões, vaidades, ganâncias, avarezas, aflições, etc. Sufocamos as virtudes da paciência, da resignação, da fé e do desejo de crescimento moral que geralmente conflitam com o desenvolvimento material. “Ninguém pode adorar a dois senhores”, já nos ensinou Jesus!
Quanto tempo nós tivemos para aprender o que ainda desconhecemos?
Poderíamos dizer que isso é variável de indivíduo para indivíduo. Uns já viveram muitas encarnações; outros, menos que esses e, outros, até muito mais. Quantas? Centenas, milhares. Quem sabe? O certo é que foram inúmeras, e isso pode ser constatado pelo nosso atual momento. Se, com o conhecimento do Evangelho e – para nós – as orientações do Espiritismo, nosso avanço é tão pequeno, imaginemos a nossa estagnação, quando desconhecíamos as informações básicas que a Doutrina Espírita nos oferece. Diz-nos Emmanuel, no livro “Vinha de Luz”, que “o Evangelho não fala aos embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhe o concurso”.
Ainda somos daquelas pessoas que faltam com a palavra, que sentem desânimo diante dos menores obstáculos e que são insensíveis frente às misérias do mundo. Como não nos comportávamos, então, quando vivíamos como se esta vida fosse a única? Se nosso egoísmo, hoje, é avassalador, podemos imaginar como era antes deste conhecimento.
Qual a vantagem de melhorar, espiritualmente, enquanto vivemos num planeta inferior como o nosso? Onde iremos reencarnar, depois de vencer essa etapa? Vai valer a pena? As respostas são muitas...
Estamos informados de que a Terra está em transição e será, brevemente, um planeta melhor, pois ficará entre os chamados mundos de regeneração. Todavia, nada extraordinário quando comparado aos mundos felizes ou puros, habitados por espíritos que se aproximam da perfeição e que, segundo o Sermão da Montanha, serão os puros de coração que, bem-aventurados, verão Deus.
Considerando-se o avanço da Terra para um planeta de regeneração, seus habitantes deverão ter um aprimoramento bem maior que o nosso atual, para serem dignos de fazer parte da sua humanidade. Portanto, ficar na Terra, numa nova encarnação, já será um progresso extraordinário. Basta que nos lembremos dos banimentos dos habitantes de Capela – e outros similares – que foram desterrados de seus mundos, quando eles progrediram, em episódios similares ao que está ocorrendo com a Terra. Se não formos os Exilados Terráqueos, já devemos nos sentir recompensados por qualquer esforço que tenhamos feito, porque viveremos na nova Terra de menos doenças e conflitos, embora ainda o trabalho e o esforço de aprimoramento continuem sendo primordiais para o crescimento espiritual.
Por que se dá esse tipo de exílio? Porque a sintonia entre o planeta e o seu habitante é fundamental para que as partes se harmonizem. Emmanuel já disse que, sem antes cuidar do nosso aprimoramento, será inútil tentarmos nossa entrada em mundos adiantados, porquanto estaríamos órfãos de sintonia para corresponder aos apelos da Vida Superior. Ou seja, ninguém chega aos Planos Elevados por favorecimentos, mas por conquista pessoal e intransferível.
E se não conseguirmos progredir, o que acontecerá conosco?
Reviver-se-á o episódio de Capela, quando seremos transferidos para mundos primitivos ou inferiores, para ajudar com o conhecimento que aqui adquirimos. Todavia, caso não passemos nesse vestibular para ingressar no novo mundo, onde quer que reencarnemos, já seremos pessoas melhores, e teremos tarefas de auxílio ao próximo, amparados pela Espiritualidade Maior.
Servindo o semelhante, estaremos exercitando a nossa bondade, caridade, benevolência. Uma asa já estaria emplumada: a do conhecimento. A outra estava ainda implume: a da moral. E, sem as duas asas completas, ninguém voa. Pela misericórdia de Deus, recebemos novas oportunidades para um crescimento que poderia ter sido natural, espontâneo, mas que não encontrou eco em nosso coração e só se dará sob coação. Não a coação do castigo, da punição, mas da consciência que se verá cada vez mais cobrada pela vida, a fim de que o ser se humanize e compreenda que ninguém pode ser feliz sozinho.
Finalizamos com palavras de Kardec, do Livro “Da Comunhão do Pensamento”, editora CELD: “O conhecimento do Espiritismo não é indispensável à felicidade futura, porque não tem o privilégio de fazer eleitos. É um meio de chegar mais facilmente e mais seguramente ao objetivo, pela fé raciocinada que ele dá e à caridade que inspira. Ele ilumina o caminho, e o homem, não mais seguindo às cegas, marcha com mais segurança, pois ele compreende o bem e o mal; dá mais força para praticar um e evitar o outro. Para ser agradável a Deus, observar suas Leis, isto é, praticar a caridade que as resume a todas. Ora, a caridade pode ser praticada por todo o mundo. Despojar-se de todos os vícios e de todas as inclinações contrárias à caridade é, pois, condição essencial de salvação.”
Quem quiser, portanto, trate de salvar-se, porque o Espiritismo, ou qualquer outra religião, não salva ninguém. Apenas dá o roteiro. E o roteiro espírita é o mais lógico e o mais seguro!
Finalizamos com a afirmativa de Emmanuel: “o espírita não é melhor do que ninguém, mas tem de ser sempre melhor do que é.”