sábado, 9 de abril de 2011

QUEM SOMOS NÓS, OS HOMENS DA TERRA?

Não é difícil responder a essa pergunta. Somos seres imperfeitos, já que habitamos um mundo de provas e expiações. Parece-nos uma explicação perfeitamente razoável.
Por quanto tempo continuaremos imperfeitos e com mais tendências más do que boas? Agora, a resposta se torna mais difícil, porque isso depende de cada um, individualmente, embora o coletivo exerça alguma influência na melhora ou piora dos homens. Inclusive, porque a humanidade é a soma de todos nós. É a consciência planetária. Todavia, todos nós temos um direito sagrado que se chama livre-arbítrio que é o que decide se vamos melhorar ou piorar.
Por que razão nós ainda somos tão imperfeitos? A resposta primeira é: por ignorância. O desconhecimento dos valores verdadeiros nos prejudica mais do que os erros que cometemos. Há ocasiões em que fazemos o mal, imaginando que é um bem.
Por que somos ignorantes? Porque fomos criados por Deus simples e sem nenhum conhecimento e, a partir do momento em que migramos do raciocínio para a razão, nos enchemos de necessidades que nos criaram mais problemas que alegrias. Depois de estagiar nos reinos primários da criação, onde apenas nos defendíamos, sobrevivíamos e procriávamos, começamos a ter desejos: paixões, vaidades, ganâncias, avarezas, aflições, etc. Sufocamos as virtudes da paciência, da resignação, da fé e do desejo de crescimento moral que geralmente conflitam com o desenvolvimento material. “Ninguém pode adorar a dois senhores”, já nos ensinou Jesus!
Quanto tempo nós tivemos para aprender o que ainda desconhecemos?
Poderíamos dizer que isso é variável de indivíduo para indivíduo. Uns já viveram muitas encarnações; outros, menos que esses e, outros, até muito mais. Quantas? Centenas, milhares. Quem sabe? O certo é que foram inúmeras, e isso pode ser constatado pelo nosso atual momento. Se, com o conhecimento do Evangelho e – para nós – as orientações do Espiritismo, nosso avanço é tão pequeno, imaginemos a nossa estagnação, quando desconhecíamos as informações básicas que a Doutrina Espírita nos oferece. Diz-nos Emmanuel, no livro “Vinha de Luz”, que “o Evangelho não fala aos embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhe o concurso”.
Ainda somos daquelas pessoas que faltam com a palavra, que sentem desânimo diante dos menores obstáculos e que são insensíveis frente às misérias do mundo. Como não nos comportávamos, então, quando vivíamos como se esta vida fosse a única? Se nosso egoísmo, hoje, é avassalador, podemos imaginar como era antes deste conhecimento.
Qual a vantagem de melhorar, espiritualmente, enquanto vivemos num planeta inferior como o nosso? Onde iremos reencarnar, depois de vencer essa etapa? Vai valer a pena? As respostas são muitas...
Estamos informados de que a Terra está em transição e será, brevemente, um planeta melhor, pois ficará entre os chamados mundos de regeneração. Todavia, nada extraordinário quando comparado aos mundos felizes ou puros, habitados por espíritos que se aproximam da perfeição e que, segundo o Sermão da Montanha, serão os puros de coração que, bem-aventurados, verão Deus.
Considerando-se o avanço da Terra para um planeta de regeneração, seus habitantes deverão ter um aprimoramento bem maior que o nosso atual, para serem dignos de fazer parte da sua humanidade. Portanto, ficar na Terra, numa nova encarnação, já será um progresso extraordinário. Basta que nos lembremos dos banimentos dos habitantes de Capela – e outros similares – que foram desterrados de seus mundos, quando eles progrediram, em episódios similares ao que está ocorrendo com a Terra. Se não formos os Exilados Terráqueos, já devemos nos sentir recompensados por qualquer esforço que tenhamos feito, porque viveremos na nova Terra de menos doenças e conflitos, embora ainda o trabalho e o esforço de aprimoramento continuem sendo primordiais para o crescimento espiritual.
Por que se dá esse tipo de exílio? Porque a sintonia entre o planeta e o seu habitante é fundamental para que as partes se harmonizem. Emmanuel já disse que, sem antes cuidar do nosso aprimoramento, será inútil tentarmos nossa entrada em mundos adiantados, porquanto estaríamos órfãos de sintonia para corresponder aos apelos da Vida Superior. Ou seja, ninguém chega aos Planos Elevados por favorecimentos, mas por conquista pessoal e intransferível.
E se não conseguirmos progredir, o que acontecerá conosco?
Reviver-se-á o episódio de Capela, quando seremos transferidos para mundos primitivos ou inferiores, para ajudar com o conhecimento que aqui adquirimos. Todavia, caso não passemos nesse vestibular para ingressar no novo mundo, onde quer que reencarnemos, já seremos pessoas melhores, e teremos tarefas de auxílio ao próximo, amparados pela Espiritualidade Maior.
Servindo o semelhante, estaremos exercitando a nossa bondade, caridade, benevolência. Uma asa já estaria emplumada: a do conhecimento. A outra estava ainda implume: a da moral. E, sem as duas asas completas, ninguém voa. Pela misericórdia de Deus, recebemos novas oportunidades para um crescimento que poderia ter sido natural, espontâneo, mas que não encontrou eco em nosso coração e só se dará sob coação. Não a coação do castigo, da punição, mas da consciência que se verá cada vez mais cobrada pela vida, a fim de que o ser se humanize e compreenda que ninguém pode ser feliz sozinho.
Finalizamos com palavras de Kardec, do Livro “Da Comunhão do Pensamento”, editora CELD: “O conhecimento do Espiritismo não é indispensável à felicidade futura, porque não tem o privilégio de fazer eleitos. É um meio de chegar mais facilmente e mais seguramente ao objetivo, pela fé raciocinada que ele dá e à caridade que inspira. Ele ilumina o caminho, e o homem, não mais seguindo às cegas, marcha com mais segurança, pois ele compreende o bem e o mal; dá mais força para praticar um e evitar o outro. Para ser agradável a Deus, observar suas Leis, isto é, praticar a caridade que as resume a todas. Ora, a caridade pode ser praticada por todo o mundo. Despojar-se de todos os vícios e de todas as inclinações contrárias à caridade é, pois, condição essencial de salvação.”
Quem quiser, portanto, trate de salvar-se, porque o Espiritismo, ou qualquer outra religião, não salva ninguém. Apenas dá o roteiro. E o roteiro espírita é o mais lógico e o mais seguro!
Finalizamos com a afirmativa de Emmanuel: “o espírita não é melhor do que ninguém, mas tem de ser sempre melhor do que é.”

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