quarta-feira, 31 de agosto de 2011

HOMOSSEXUALIDADE


A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma: “Quando errante, o que prefere o espírito: encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”.
Essa colocação da codificação demonstra a existência da bissexualidade psicológica do espírito, o que não identifica uma concordância com a vivência bissexual do ser enquanto encarnado no campo da genitalidade.
Posteriormente, essa postura doutrinária encontraria confirmação nos estudos da psicanálise.
Na Revista Espírita, Allan Kardec assim se expressa quanto às experiências sexuais do espírito em suas diversas encarnações: “É com o mesmo objetivo que os espíritos encarnam nos diferentes sexos. Aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer as provas. (...) Pode acontecer que o espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, fazendo com que, durante muito tempo, possa conservar no estado de espírito o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa”.
Por meio da mediunidade de Chico Xavier, André Luiz assim esclarece: “Na essência, o sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem”.
É essa condição de que o sexo seja mental, como bem esclarece a codificação e as obras secundárias, que pode explicar a questão da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a existência de tal condição, já que a morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas se sujeita às suas ordens. E essa estrutura psicológica na qual se erguem os destinos foi manipulada com os ingredientes do sexo através de milhares de reencarnações, conforme afirma Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier.

As causas morais

No campo das causas morais, encontramos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas tanto da posição masculina como da feminina, arruinando a vida de outros indivíduos, destruindo uniões e lares diversos. Elas são induzidas a procurar uma nova posição ao reencarnarem, em corpos físicos opostos às suas estruturas psicológicas, a fim de que possam aprender, em regime de prisão, a reajustarem seus próprios sentimentos.
Encontramos também aqueles que persistem nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso com a vida, que reencarnam assim na tentativa de retratarem suas posições em nova chance de resgate. São espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros, que encontram na questão da inversão sexual uma oportunidade para o refazimento de suas vidas, na qual a lei divina lhes coloca diante de situações semelhantes ao passado de faltas, cobrando-lhes posturas mais éticas perante si e o outro.

Causas educacionais

As causas educacionais podem ser agrupadas em atávicas e atuais. A atávica é resultado de vivências repetitivas dos espíritos em culturas e comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada, como na Grécia antiga e em certas tribos indígenas, ou nas sociedades culturais e religiosas que segregavam ou segregam seus membros, facilitando esse comportamento nas criaturas. Assim, ao reencarnarem em um local onde o homossexualismo não fosse mais aceito como prática livre, esbarrariam em sua condição viciosa.
Já dentro das atuais, temos aquelas causas advindas dos defeitos de educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria presente anteriormente, em que as paixões deterioradas do passado tendem a levar pais e parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao seu estado físico em seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem comportamentos ostensivamente incestuosos. Encontramos também os casos de pais contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma condição inversa ao de seu sexo físico ou aqueles dos quais a entidade reencarnante, ao perceber esse desejo inconsciente dos pais, busca se adaptar patologicamente a essa situação durante o processo da gestação.
Outra causa está na presença de segmentos atuais da sociedade e da cultura estimulando esse tipo de conduta, quando uma linguagem mais política e sem qualquer comprometimento ético, através dos vários meios de comunicação de massa, estimula e condiciona as criaturas a acreditarem que essas vivências seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha realizada pelo indivíduo. Esse posicionamento vai de encontro a uma visão social mais ampla, que continua atribuindo ao homossexualismo uma condição de marginalidade, mantendo um processo de segregação social e associando a ele outras posturas marginalizadas, como o abuso das drogas e a prostituição, agravando ainda mais a situação daqueles que optaram por esse caminho sexual.

Causas obsessivas

Entre esse tipo de causa, podemos citar os casos em que parceiros do passado delituoso, em processos homossexuais ou vivências heterossexuais pervertidas, reencontram-se em condição de ódio ou paixão doentia, estimulando uma postura homossexual no encarnado com o objetivo de atender o desencarnado em seus anseios viciosos ou de levar sua vítima para uma situação constrangedora e de intenso sofrimento.
Esses desencarnados poderiam estar em uma condição mental de homossexualidade ou não, induzindo o encarnado em um projeto de total desestruturação íntima e social.
O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem em uma encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os parceiros da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde geralmente o encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente pervertidas ou locais nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos, condicionando-se a essas práticas.
Uma outra situação possível, oriunda de um processo obsessivo, seria aquela na qual um espírito obsediando um encarnado em posição sexual inversa à sua, enfermado por uma interação intensa e duradoura, passa a sentir prazer sexual semelhante à sua vítima, pervertendo-se nesse campo e se condicionando a uma vivência homossexual em uma próxima encarnação.
Nesses casos, a situação obsessiva teria existido em uma encarnação anterior e a homossexualidade seria a desdita daquele que teria sido o algoz naquela vivência.
Seria o famoso caso em que “o tiro saiu pela culatra”.

Do livro: Orientações espirituais

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

INTERPRETAÇÕES ESPÍRITAS


Símbolo: Os Espíritas não adotam símbolo
O Deus: DEUS.
Interpretação da Morte: Para os Espíritas a verdadeira vida é a espiritual, morte é uma passagem de uma vida para outra, ou melhor, nunca morremos, ou somos espíritos encarnados ou desencarnados. A morte é o espírito abandonando o corpo e seguindo sua trajetória em busca da perfeição, continuando a estudar, trabalhar e se aperfeiçoando. Os Espíritas acreditam em reencarnação, é através dela que o espírito progride e somente assim, ficando nesse ciclo de aprendizado, acreditam existirem vários Mundos e este em que vivemos é o das "Expiações e Provas", existem outros inferiores e outros superiores, conforme os espíritos vão evoluindo vão mudando de Mundo sempre no ciclo de vida encarnada e espiritual até atingirem a condição de espírito PURO, que continuará trabalhando na orientação dos que estão numa evolução inferior.
Cremação: Para os Espíritas o que importa não é o corpo e sim o espírito, portanto a cremação do corpo é perfeitamente aceita, orientam, porém, para o desligamento mais tranqüilo do espírito do corpo dá-se um prazo de 72hs a contar da morte até a cremação.
Doação de órgãos: A doação de órgãos é vista como um ato de caridade e, portanto incentivada.
Suicídio: Quando se encarna tem-se uma programação (não se deve confundir programação com destino) de vida, esta não pode ser interrompida e ninguém nasce programado para suicidar-se; portanto é considerado um ato criminoso contra si.
Autópsia: Não há nenhuma restrição.
Eutanásia: Dentro da filosofia que todos nascemos com uma programação de vida, a eutanásia não é aceita. Ninguém tem a capacidade de saber o momento certo de interromper essa programação (não se deve confundir programação com destino).
Aborto: Aborto intencional é considerado crime, a não ser por orientação médica para se salvar a vida da mãe. A programação de vida da mãe já está em curso e é preferível sacrificar a vida que vai nascer, pois este espírito terá outras oportunidades para reencarnar.
Exumação: Não há nenhuma restrição.
Embalsamamento: Apesar dos espíritas não verem nenhuma justificativa para isso, não há restrições.

Ritual Fúnebre
Falecimento: Constatado com certeza o óbito, os familiares deverão, munidos dos documentos legais, contatar uma funerária para que solicite imediatamente o caixão, e seu pronto sepultamento. O corpo é colocado no caixão trajado com roupa (cedida pela família) que mais se caracterizava com o falecido (a). É costume se retirar os adornos (anéis, relógio, colar, etc.).
O Caixão: A família, dentro das suas condições financeiras, escolhe. Nenhuma recomendação ou prática especial é exigida.
Velório: Os Espíritas velam seus mortos tanto com caixão aberto como fechado, dependendo da vontade da família. O velório é dirigido ao espírito, onde os presentes permanecem em preces em intenção a Alma criando-se um clima de vibração positiva em favor ao espírito desencarnado. Chorar questionando-se a justiça da morte é considerado prejudicial a essa vibração positiva, bem como qualquer pensamento derrotista. O espírito se liga ao encarnado pelos pensamentos por isso vibrações positivas são benéficas. Música ambiente durante o velório é permitida, ajudando as vibrações positivas. Flores são recebidas embora não seja necessária. Os Espíritas não adotam o uso de velas. 
Condolências: As condolências são dirigidas aos enlutados (apesar dos Espíritas não adotarem o Luto como prática), evitando-se a expressão "Meus Pêsames", e sim "Meus Sentimentos".
Vestimentas: Os Espíritas não adotam a cor preta como de luto, é de bom tom que os visitantes estejam trajados com cores sóbrias e principalmente trajados decorosamente, com devido respeito e senso de reverência.
Os Enlutados: São todos aqueles que se sentirem nessa posição, independente do parentesco com o falecido (a).
Quem Pode ir ao Cemitério: Todas as pessoas que assim o quiserem.
Enterro: Os Espíritas procuram enterrar o mais rápido possível, sem restrição de dia da semana ou datas festivo-religiosas, apenas aguardam os trâmites burocráticos. 
Cortejo: Chegando-se ao cemitério o cortejo seguirá diretamente para o local do sepultamento que será enterrado sem nenhuma cerimônia litúrgica.
O Luto: Na comunidade Espírita, não há a prática do Luto. Após o enterro, os Espíritas não preveem nenhuma cerimônia, ou seja, missas ou orações em intenção aos mortos, sempre que desejam de acordo com o foro íntimo de cada um, rezam positivamente para pedir boas vibrações para os desencarnados, tampouco está previsto descerramento ou inaugurações de túmulos.
Quanto ao túmulo, os Espíritas não adotam imagens e este poderá ser feito de acordo com a vontade e posses dos familiares.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A VIDA NÃO É UMA DROGA



Há livros que marcam a vida da gente. E quanto mais eles são relidos, mais aprofundam essa relação de osmose que têm com o leitor. Algumas frases, citações ou afirmações são tão fortes que é inevitável carregá-las para sempre conosco, fazendo com que sejam repetidas nos momentos apropriados, como se fossem de nossa criação (e passam de um certa forma a ser, porque a identificação faz com que a teoria se transforme em ação em nossa vida prática).
Um desses livros importantes para mim é “Adolescência normal”, dos psicólogos Arminda Aberastury e Maurício Knobel. Eles analisam o que chamam de síndrome normal da adolescência, um conjunto de características da vida do adolescente que, se não chega a determinar um aspecto doentio, é marcante enquanto hábito que os que passam por esta faixa etária vivenciam intensamente.
No livro, são citadas dez situações existenciais, dentre elas a relação muito próxima entre um ateísmo absoluto e um fervor religioso intenso, além de um progressivo afastamento da autoridade dos pais e paulatina transferência dessa submissão ao líder do grupo, passagem do auto-erotismo para a heterossexualidade.
Dentre outros itens, destaco um de importância fundamental para este artigo: a necessidade de o jovem se identificar com grupos relacionais, sejam eles o da escola, o de amigos do esporte, da música ou os que se reúnem em pontos de encontro, em shoppings, boates ou cinemas.
Este é um dos aspectos citados por jovens que foram entrevistados para uma pesquisa da Associação Parceria contra Drogas, entidade não oficial destinada a prevenir o vício entre jovens.
O trabalho da Associação foi realizado no ano passado e apresentou resultados reveladores, sobretudo no que toca à responsabilidade dos pais no crescimento do consumo de drogas na adolescência.
Setecentos jovens de 9 a 21 anos de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Campo Grande deram respostas profundamente esclarecedoras.
Elas revelam que famílias desestruturadas, tumultuadas e agressivas aproximam os filhos do controle dos traficantes.
O motivo básico para a procura por drogas, segundo os entrevistados, foi “fugir de problemas com a família/pais” (35%). Logo depois, com boa diferença, veio “querer ser aceito num grupo de amigos” (15%), e em terceiro, “experimentar sensações novas”. O item que citamos no início do artigo, o da necessidade de agir conforme as exigências do(s) grupos(s) para ser aceito por ele(s), ganhou destaque porque efetivamente é muito importante. Qual jovem não deseja ser admirado e querido, num momento de construção da própria identidade, como o que ocorre na adolescência?
O que falta, muitas vezes, é maior presença amorosa e educativa da família nesse momento, para que a pressão dos diversos grupos não seja perniciosa a ponto de levar o frágil homem em elaboração para a experiência perigosa das drogas.
O que alguns analistas concluíram a respeito da pesquisa é duro de ouvir ou de assumir, mas é importante para os pais. Muitas vezes, pais e traficantes agem como se fossem aliados. E isto não é exagero.
A pesquisa tentou estabelecer uma relação concreta entre os níveis de consumo de drogas lícitas e ilícitas com a relação familiar. Os dados indicaram que tanto os pais extremamente repressores e agressivos quanto os liberais acabam, no fim, dando-se as mãos.
Gente que não sabe dialogar, de ouvir os conflitos dos filhos ou de captar os sinais que eles dão a todo momento do que se passa em seu íntimo estão caminhando lado a lado com os permissivos, os chamados “pais adolescentes”, que não sabem definir limites para os filhos porque não conhecem a importância dos limites em suas próprias vidas.
Conheçamos um pouco mais do resultados para elaborar uma opinião de colorido espírita, a fim de reforçarmos nossa visão de mundo com a contribuição valiosa que a Doutrina dos Espíritos tem a nos oferecer.
Os jovens entrevistados foram divididos em três categorias, a partir do contato com as drogas: mais próximo, intermediário e mais afastado.
Os “mais próximos” são os que têm amigos usuários e que declararam que já experimentaram alguma droga ou fumaram maconha no último mês.
De cada 100 entrevistados, 27 afirmaram estar nessa categoria.
Para filhos de pais desunidos, essa porcentagem sobe para 34%. Entre os que se sentem rejeitados pelos pais, o índice sobe para 37%.
Nenhum dos itens, no entanto, foi maior que o de filhos de pais permissivos: 40%. Eis a confirmação dos perigos de uma educação sem limites, de filhos que se impõem ditatorialmente aos pais, aproveitando-se do medo que eles têm de aborrecê-los e acabar assumindo conflitos para os quais não se vêem preparados.
Resultado desta situação: está crescendo uma geração que não sabe se frustrar, que quer transformar o desejo em realidade a qualquer custo. São aqueles que não aprenderam a ouvir os outros, acham que são mais importantes do que qualquer coisa que existe na vida, que podem tirar a vida de adversários a qualquer contrariedade que estes lhes imponham, seja numa briga em uma festa, ou no trânsito, ou na rua.
Transferir esta situação para a realidade das drogas é possível, e as  conseqüências são muito parecidas, ou até piores.
O Espiritismo nos pede que estejamos muito atentos a tudo que diga respeito à vida íntima dos adolescentes, sejam eles nossos filhos, amigos de nossos filhos ou apenas nossos amigos ou conhecidos.
Nada de autoritarismo ou repressão injustificáveis. Se não sabemos agir diferente, é hora de abraçar a humildade e procurar um terapeuta para resolver essa questão. Quem acha que sempre está com a razão está na verdade a um passo da fascinação obsessiva.
É momento de oferecer ao jovem a compreensão de que a juventude é valiosa estação de aprendizado do Espírito reencarnado, rumo a conquistas definitivas no exercício da maturidade. É preciso ajudá-lo a entender que os anos fogosos da adolescência não existem apenas para que ele se deleite com a beleza física e a arte de seduzir, mas também como trampolim para amadurecimentos efetivos, para os quais o uso adequado das forças pessoais é imprescindível.
O Espiritismo pensa também que é necessário definir as formas, sejam elas psíquicas, intelectuais ou intuitivas, que devem caracterizar uma nova encarnação.
Esta foi uma preocupação de Allan Kardec, quando perguntou aos Espíritos o motivo da mudança que se opera no caráter da pessoa a uma certa idade, particularmente ao sair da adolescência. O Codificador quis saber se é o Espírito que se modifica, e o Benfeitor respondeu que isto ocorre porque o Espírito retorna, depois do período da infância, à sua natureza e se mostra tal qual era (questão 385, cap. VII – 2a parte).
Nesse retorno à influência do que trazem de características pessoais do passado, nossos filhos se mostram como integrantes do mundo, membros de grupos com os quais se afinizam, amigos de pessoas que podem ser dependentes de drogas e capazes de estabelecer com eles vínculos afetivos que vão merecer cuidadosos debates na intimidade do lar.
Os pais espíritas que se cuidem, portanto, tratando de evitar o tradicional mecanismo de defesa que teima em afirmar: “graças a Deus, aqui em casa isso não acontece”. A pergunta é: será que não acontece mesmo?
O que será melhor: forçá-los a se afastar das pessoas ditas “perigosas” ou colaborar com eles a todo momento, desde a infância, para que saibam efetivamente discernir o joio do trigo em todas as circunstâncias relacionais?
Eis aí uma situação muito difícil e delicada para todos. É nossa a chance de pelo menos refletir sobre ela ou continuar pensando que conosco nada disso acontece, mesmo que acreditemos piamente que já estamos dando tudo que é possível para evitar o problema dentro do lar.
Apenas para reflexão: 46% dos jovens entrevistados disseram que é muito fácil comprar cocaína, mesma facilidade encontrada por 36% dos que, eventualmente, buscassem crack e, mais surpreendente, por 26% dos que preferem heroína.
A proposta espírita continua, portanto, de pé. Não é possível permitir que o jovem transforme sua encarnação em uma droga de vida.
Nesse contexto, os pais devem se preocupar não só com o que os traficantes estão fazendo nas ruas, mas sobretudo com o que eles, pais, estão fazendo ou deixando de fazer dentro de casa. Desta atenção depende o futuro da geração em que nossos filhos estão inseridos e, por conseqüência, o mundo que eles vão dirigir dentro em breve.
Sugestão de leitura: O livro “Juventude Espírita” reúne excelentes artigos sobre a adolescência, trazendo resultados de pesquisas científicas atualíssimas, analisadas por psicólogos, educadores, sociólogos e assistentes sociais, todos espíritas, sobre a importância desse período na vida do ser humano. O livro é uma coletânea de ensaios inéditos escritos por autores como Hermínio Miranda, Elaine C. Ramazzini, Richard Simonetti e Heloísa Pires, dentre outros.
Reformador Agosto 2000

sábado, 20 de agosto de 2011

A LEI DO PERDÃO


"Concilia-te com teu adversário, enquanto está a caminho com ele, antes que ele te entregue ao juiz e este te envie para prisão" - Jesus. (MAT. 5 – 25)

A Lei manda que nos reajustemos com o ofendido; isto, de preferência, antes que sejamos por ela julgados.

Quando ofendemos alguém, o débito é indireto para com o ofendido, e direto para com a Lei.

Admitamos que tenhamos ofendido uma pessoa de espírito elevado e que esta não houvera sentido a ofensa; nem por isso a falta deixa de existir.

Para corrigir o erro cometido, a reconciliação restaura em parte a nossa culpa, porém, sem dúvida alguma, sofreremos com atenuantes ou agravantes o mal que fizermos aos outros. Para nós que estamos na fase do aprendizado, estamos incluídos no "Quem com ferro fere, com o ferro será ferido". Ao sofrermos as conseqüências das faltas cometidas, vamos aprendendo a não mais cometê-las.

O ideal seria não existir o perdão; isto é, nunca cometermos erros para que venhamos precisar do perdão ou sentirmo-nos ofendidos a ponto de haver necessidade de sermos perdoados. Enquanto não chegarmos a esse estado de espirito, continuemos perdoando, conforme Jesus recomendara: “não sete vezes, mais setenta vezes sete vezes".

"Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um desses pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.

Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mais ai do homem pelo qual venha o escândalo!

Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.

“Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança fora de ti; melhor entrares na vida com um dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno do fogo”. (Mateus 18:6-9)

Por este relato, Jesus demonstrou a responsabilidade do erro, sendo que este é um dos grandes obstáculos que se interpõem ao ingresso de nossa libertação espiritual. Para tanto, necessário é voltar ao aprendizado, isto é, tornar ao corpo físico, tantas vezes quantas necessárias for atendendo ao imperativo do reajuste.

Não encontramos em nenhum capítulo Bíblico, salvo as enxertias, que o Reino dos Céus esteja à disposição de almas em pecado. Jamais poderemos estar em região alguma que não seja compatível com o nosso estado espiritual. A nossa condição vibracional tem que estar em harmonia com o ambiente em que respiramos.

Trata-se de uma normativa de conduta para os viajores da eternidade. Porque se dependesse unicamente de uma existência física, o céu ficaria praticamente vazio. A estada do Cristo entre nós teria sido vã e na separação das cabras e ovelhas não teríamos ovelha alguma; por certo só daria cabra na cabeça. * (alusão ao popular jogo do bicho)

Continuaríamos na triste condição de cabras a pastar, só encontrando nas ervas a razão para viver.

O fato de perdoar ou não, sentir-se ofendido ou não, está inserido no estado de espirito de cada um de nós. Paira sobre tudo a necessidade de reformular velhos conceitos, por sinal, alguns até já cristalizados nas entranhas de nossas almas, substituindo-os por outros objetivos de superioridade manifesta, de forma que a tranquilidade seja a tônica de nosso patrimônio espiritual, através das virtudes conquistadas com bravura e perseverança.

Você sabe que foi péssimo ser ofendido, tornou-se pior ofendendo também.

O revide é fácil, é próprio dos fracos. O corajoso suporta a ofensa e mantém o equilíbrio; o fraco destrambelha-se todo, permitindo que a ira comprometa a sua própria saúde física, desestabilizando a razão, cegando, temporariamente, o bastante para deixar frestas abertas em suas defesas que serão invadidas por vibrações de igual teor, danificando por muito tempo o seu estado físico e psicológico.

É bem diferente daquela passagem que Jesus, já preso e diante de Caifaz, respondendo a este com firmeza e humildade, recebe de uns dos soldados uma bofetada, agravada pela ironia: "é assim que responde ao Sumo Sacerdote”? Jesus , mais uma vez sereno, vira-se para o agressor e pergunta: "Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que me feres?" Depois desta, embora não haja nada escrito a respeito, duvido que aquele soldado tenha morrido sem antes fazer-se cristão. A pergunta dirigida ao esbirro ultrapassara aos ouvidos, a consciência, sem atingir a razão; focou-lhe direto com o poder da humildade, o coração endurecido. E este por certo quedou-se, como as trevas quedam-se diante da luz.

A humildade tem poderes para dissipar as trevas, instantaneamente.

Quase sempre, quando a dor de cabeça nos atormenta, basta às vezes um comprimido de aspirina, ou semelhante, para dissipá-la. Assim é o perdão, tal qual o comprimido que precisamos ingerir para que não soframos tanto. Em primeiro lugar, necessitamos de aprender a perdoar a nós mesmos. Isto conseguido, o opositor quedar-se-á, também, não encontrando espaço para tornar a atingir-nos. "Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai Celestial vos perdoará" – Jesus (Mateus 6 - l4: 15) Até parece coisa de criança (se me deres, eu te darei; se não me deres também não te darei). Parece, mas não é. Se desejarmos receber, é necessário aprender a dar primeiro. Talvez seja este o primeiro passo para a caminhada redentora.

A Providência Divina dá sem que tenhamos méritos para tanto; é o "acréscimo de misericórdia”. É a imagem de um Pai que não deixa de socorrer um filho apesar da rebeldia deste e que quase sempre não sabe valorizar a ajuda paternal, mas "aquele que muito recebeu, mais lhe será exigido”.

O "oferecer a outra face" não se entende na permissividade de ser submisso. É não guardar ressentimentos de quem quer que seja. Parece que não, mas quem fica sempre mal é o ofensor. Mesmo não tendo consciência plena do erro cometido, sem dúvida, carregará o sentimento de culpa mesmo sem querer assumi-lo. O importante é que há de repará-lo. Só assim se libertará da falta cometida, assimilando o caminho da retidão. – Deus é paciência...

Quando cometemos uma série de erros, e nos fazemos irredutíveis na maneira de agir, Deus utiliza os nossos próprios erros e faz deles um amargo remédio para o nosso restabelecimento.

"Que mal fiz a Deus, para sofrer tanto?" – Pergunta comum para quem está passando por dura expiação. Outra: "até parece que atirei pedra na cruz".....

Realmente, o sofrimento é cruciante, chega até a ser desesperador. São fardos de nossas culpas, cujo resgate, por sinal, é sempre subdividido pela misericórdia Divina, de acordo com as nossas possibilidades. O peso do fardo que carregamos é sempre dosado proporcionalmente à nossa estrutura espiritual.

Orar, resistir, sofrendo com paciência, por certo permitirá que saiamos mais fortalecidos e mais experimentados em nosso "status quo" espiritual.

Em nosso espirito, o Ser, há uma roupagem de natureza quintessenciada que registra os menores atos de nossas vidas, memorizando-os em sua tessitura. Este corpo é vibrátil e, além de armazenar, reflete, todos os atos bons ou maus que tenhamos praticados em toda a nossa trajetória de evolução. Este corpo tem várias denominações: causal, períspirito, psicossoma ou outro nome que o defina. Ele tem a propriedade de registrar todos os nossos atos no transcurso dos milênios. Um pálido exemplo:

Admitamos que "A" tenha apunhalado covardemente as costas de "B", assassinando-o. De imediato, na mesma região desse seu corpo espiritual de "A" registrar-se-á este ato nefasto, e com o peso da culpa, de vibrátil aquela região faz-se opaca, dada a diminuição de sua vibração ocasionada pelo crime cometido, formando-se uma pequena ilha escura (processo de desaceleração).

"A" morre carregando aquela culpa registrada em seu corpo espiritual. Depois de socorrido por seus instrutores espirituais é analisada a situação e a forma pela qual "A" deverá resgatar aquela culpa.

"A" reencarna e além da luta remissora, há a necessidade de resgatar o crime que cometera contra "B".

Por suposição , quando chegar o momento propício para o seu resgate , ou débito daquela falta, "A" seja encaminhado a um emprego de vigia noturno, sujeito a friagens e intempéries.

No curso de um tempo, acontece o seguinte:

O corpo físico que age como um poderoso carvão, pelo processo de adsorção, propiciando a absorção das toxinas espirituais, que estão incrustadas naquela região afetada no corpo espiritual de "A".

Na medida em que isto acontece, o corpo somático (físico) enfraquece mais ainda ao receber aquelas vibrações deletérias, deixando-o à mercê de infiltração de vírus e bactérias etc... E, por suposição, acontece a tuberculose...

A região afetada do corpo espiritual de "A" volta aos poucos a sua aceleração normal, isto é, aqueles tipos de vibrações provocadas pelo crime cometido, (já absorvidas pelo corpo físico) , vão desaparecendo, ganhando a sua normalidade. Na mesma medida, o corpo físico passa a deteriorar-se com o avanço da moléstia, chegando à hemoptise (sangue pela boca), fazendo-o padecer os mesmos sofrimentos com que fizera "B" sofrer.

Por este processo de Causa e Efeito "A" resgata o crime praticado contra "B". O grau de sofrimento é que determina a restauração do reequilíbrio.

Em nosso corpo espiritual existem miríades de arquipélagos, uns mais outros menos densos, memorizando as faltas cometidas no curso dos milênios.

Na medida em que formos resgatando os nossos débitos, a nossa alma resplandece , eliminando paulatinamente a multidão de pecados, fazendo-a mais vibrátil, restaurando a paz e o equilíbrio.

O corpo espiritual demonstra tanto a opacidade quanto irradia os valores adquiridos. A esta irradiação chamamos de "aura", cartão de identidade de nossa personalidade evolutiva.

Insistimos em reafirmar as palavras de Jesus "o amor cobre multidões de pecados".

Quando se diz: "perdoar é divino" não se trata apenas de princípio filosófico, é uma atitude que poderíamos dizer físico-químico. Ao perdoar se estabelece um padrão vibratório, que, além de expulsar o desconforto, restitui a serenidade.

Quando alguém abre a porta de uma geladeira, sente-se atingido por uma onda fria, gerada pelo refrigerador. Isto não aconteceria se, mesmo involuntariamente, não cedêssemos calor do corpo. A tendência é sempre para o equilíbrio e, quando não se der por livre e espontânea vontade, passa a ser exigido, independentemente de nossa vontade. Das ações e reações acabam por acontecer à precipitação dos elementos indispensáveis às novas composições ou diversificadas conseqüências.

Perdoar não é apenas divino. É um imperativo que devemos impor a nós mesmos, na tentativa de evitarmos a sintonia com a ofensa recebida. Procurar ao máximo não se sentir ofendido, não se permitindo vibrar na mesma faixa do agressor. Isto conseguido, evitamos, também, o "cair em tentação".

Pode ser difícil, mas tudo depende de exercício.

Virar as costas a uma agressão não é acovardar-se; é não permitir ser por ela atingido, o que nos causaria grandes prejuízos e por seqüência natural, a agressão voltaria a sua fonte emissora, no caso o próprio agressor.

O mal, por mais que se espalhe, está sempre ligado à fonte geradora.

Quando praticamos o Bem, o mecanismo é o mesmo.

Para melhor elucidação transcrevemos do livro "Vinha de Luz", de Emmanuel com o título:



O QUADRO NEGRO

"Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar àquela hora vos lembreis de que já vo-lo tinha dito"- Jesus (João, l6: 4.).

Referia-se Jesus aos próprios testemunhos, entretanto, podemos igualmente aplicar-lhe os divinos conceitos a nós mesmos, desencarnados e encarnados.

Cada discípulo terá sua hora de revelações do aproveitamento individual.

As escolas primárias não dispensam o habitual quadro-negro, destinado às demonstrações isoladas do aluno.

À frente do professor consciencioso, o aprendiz mostrará quanto lucrou, sem o recurso do plágio afetuoso, entre companheiros.

Sobre a zona escura, o giz claro definirá, fielmente, a posição firme ou insegura do estudante.

E não será isto mesmo o que se repete na escola vasta do mundo? O homem, nas lutas vulgares, poderá socorrer-se, indefinidamente, dos bons amigos.

O Pai permite semelhantes contatos para que as oportunidades de aprender se lhe tornem irrestritas; no entanto, lá vem "àquela hora" em que a criatura deve tomar o giz alvo e puro das realizações espirituais, colocando-se junto ao quadro negro das provas edificantes.

Alguns aprendizes fracassam porque não sabem multiplicar os bens, nem dividi-los. Ignoram como subtrair a luz das trevas, somam os conflitos e formam equações de ódio e vingança. Esquecem-se de que Jesus salientou o amor, por máxima glória em todas as situações do apostolado evangélico e que, mesmo na cruz, depois de receber os fatores da injúria, da perseguição, da ironia e do desprezo, somou-os na tábua do coração, extraindo a divina equação da serenidade, entendimento e perdão.

Oh! Vós, que ides ao quadro-negro das atividades terrestres, abandonai o giz escuro da desesperação. Escrevei em caracteres de luz o que aprendestes do Mestre Divino! Revelai o próprio valor! Lembrai-vos que instrutores benevolentes e sábios vos inspiram as mãos! Abençoai o quadro-negro que vos pede o giz do suor e lágrimas, porque junto deles podereis conquistar o curso maior!...
Texto retirado do Livro O ovo de Colombo de Milled Assed

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

LÚCIFER


Segundo a mitologia católica e por herdade as reformadas (Luteranas) Deus teria criado Lúcifer, na qualidade de príncipe de luz e que este depois se revoltara contra o Criador, formando um reinado adverso, e que até os dias de hoje é o senhor absoluto do mal e responsável por quase todas as desgraças que acontece aos homens.
Pelo exposto acima, dá para sentir que a luz com que Lúcifer fora dotado graciosamente pelo Senhor de nada valera. Certamente porque não se tratava de uma conquista pessoal.
Sem o resguardo do esforço próprio em obediência a Lei dos méritos conferidos pela Evolução somos obrigados, sem outra alternativa admitir que a luz concedida por Deus a Lúcifer era falsa.
Sendo falsa a luz de Lúcifer e seus asseclas (anjos), daí perguntarmos se os anjos, arcanjos, querubins e serafins, teriam sido agraciados, também, com o mesmo tipo de luz que o Senhor dotara Lúcifer. Se assim for, é bem provável que o "Reino dos Céus" esteja sujeito a uma nova debandada ou revolta.
Admitindo a hipótese que Deus houvera dotado de Luz a qualquer entidade, esta Luz, jamais permitiria ao seu portador qualquer espécie de sentimento inferior e muito menos apagar-se-ia como o acionar de um interruptor qualquer. O agraciamento de Deus, jamais seria provisório.
A Luz de um espírito é o somatório dos valores e méritos, conquista pessoal que adquiriu no transcurso dos milênios. Não há como retroagir. É o mesmo que dizer que um homem já de idade madura, fisicamente falando, pudesse reconstituir as suas células e tornar-se jovem. A Lei da Natureza é dimensionada em todos os sentidos da evolução.
Caro leitor, analise com todo o entendimento que você tem de Deus. Vai aí uma pergunta: -
Quando Deus fez Lúcifer, Ele sabia, ou não, que tudo isto ia acontecer, isto é, que Lúcifer iria, ou não, se revoltar?
Qualquer que seja a sua resposta, você ficará em maus lençóis.
Se Ele sabia, sem dúvida alguma, esse Deus é mau. Além de sair Dele uma maldade, criou um opositor, não só capaz de fazer-Lhe frente, mas sobre tudo tirando-Lhe um dos principais atributos: O absolutismo, porque em verdade passou a existir um reinado em oposição ao Seu.
Se não sabia, faltou-lhe a Onisciência, outro atributo indispensável para um Deus perfeito.
Dá para observar claramente que Deus o Todo-Poderoso, Criador de todos os seres vivos e inanimados, não escapou da ótica humana que O dimensionou com os caracteres da própria imperfeição. Assim foram os deuses mitológicos: imagem e semelhança dos homens, sem nenhum senso de justiça, de bondade e sabedoria. "Deus é a inteligência Suprema, a causa primária de todas as coisas".
Essas crendices são frutos legítimos do abstracionismo de homens imperfeitos que se intitularam de teósofos, teólogos, cujas precariedades de seus entendimentos relacionados à Divindade estão proporcionadas às suas próprias limitações. Não encontraram uma configuração mais nobre que pudesse oferecer a Humanidade uma idéia melhor do Senhor. Acharam o que supunham ser... e bola pr’a frente. Afinal de contas eles acreditam ter um pouco de Deus também.
As entidades diabólicas, tantas vezes citadas na Bíblia, são espíritos que ainda estão na retaguarda na marcha da Evolução. Têm um vasto caminho de experiências a percorrer a sombra dos milênios. Os instintos e sentimentos negativos imperam na intimidade de sua individualidade. Por certo as Leis instituídas por Deus os farão despertar para as realidades superiores. Repetindo, a dor é o cinzel e em suas consciências, como na nossa, está instalada a existência do Criador, que um dia haverá de ser por todos nós reverenciada, inclusive por Lúcifer.
Imagine-se agora, caro leitor, você tendo à mão uma folha de papel branca, absolutamente branca e nela você colocasse com a sua caneta esferográfica, um pingo de tinta. Por certo a folha continuaria branca, porém, não mais absolutamente branca.
Por similitude, onde quer que seja, neste espaço incomensurável, o reinado de Lúcifer, e por minúsculo que seja já é uma oposição a Deus; e o pior, criado por Ele mesmo. Eu não faria isto, e você, caro leitor?
Será que Deus, que é Amor por excelência, achou por bem criar o mau? – Pense e analise.
E analisando essas criancices atribuídas a Deus, reflexo condicionado da nossa ótica infantil, acabamos por criar um figurino com vários tipos de demônios, tais como: capetas, satanazes, belzebus, lúcifer, belfejor, etc. que refletem também, a nossa natureza diabólica.
Não resta a menor dúvida de que existem, entidades e lugares demoníacos. São espíritos ainda endurecidos no mal, opção do seu livre arbítrio , que perturbam, provocando desordem por onde passam, mas não em caráter “ad-eternum’’”. São espíritos também em evolução que ainda se encontram no estágio primário da hierarquia espiritual.
Na cura de um jovem possesso, no Capítulo Fé, Jesus assevera: ‘’Esta casta de espírito não se expele senão por meio de oração e jejum’’ (Mat. 17 – 21) Casta, é um tipo hierárquico. Observando bem, caro leitor, analisando , veremos que a evolução dos seres vai desde a criação, até a dízima periódica enunciada no capítulo anterior. ( 0,999...).
Jesus determinou a expulsão do espírito mau porque tinha poderes para isto, e nós? Onde estão os exorcistas que procuram tal efeito com fórmulas cabalísticas? E que jejum é aquele a que Jesus se referia? Será que é o deixar de se alimentar por um determinado período? Isto realmente dá poderes mirabolantes? É lógico que Jesus se referia ao Jejum de ordem Moral, o máximo possível de abstinência do mal, de fundo espiritual e não de ordem material.
"A prece do justo pode muito" - Jesus.
Certa feita, conversando com um particular amigo Eduardo, advogado, desejoso que estava de conversar sobre assuntos espirituais, ele perguntara, logo após a leitura de um jornal, que narrava o episódio de um assalto a um determinado banco, em que uma bala perdida assassinara uma criança de oito anos.
- Explique-me, perguntou: Como é que Deus permite demônios como este conviver em nossa sociedade?
- Questão de ótica – respondi.
- Ótica?! - perguntou espantado.
Sim. Você disse que se trata de um demônio, eu sei que é um espírito cruel, mas Deus sabe que daqui há 30.000 ou 300.000.000 anos, ele será um anjo também e, do Reino dos Céus. Por outro lado, é bom lembrar que semelhante atrai semelhante, se este tipo de espírito ainda existe aqui na terra, quer encarnado ou em espírito, é porque o lado diabólico da humanidade o atrai e com ele se afina.
Como se processa a evolução dos espíritos?
Ouvimos falar de satanases e diabos, eles continuam existindo. Afinal, como funciona o ciclo da Evolução?
Hoje, você poderá estar cursando uma Faculdade. Para chegar lá, encarou as séries primárias e secundárias, obedecendo aos critérios estabelecidos pela Instrução e a Cultura.
As séries primárias continuam atendendo os candidatos que chegam; por certo, estes, cursarão um dia a Faculdade que você cursou também.
Quantos satanases e diabos já passaram pelas séries primárias da Evolução? Eu, você e a maioria dos habitantes da Terra já fomos um deles (examine os vícios e as paixões que você aprendeu a dominar).
Existem muitos deles ainda, na mais variada camada social; bem ou mal trajados, todos os dias noticiam suas corrupções. E os desencarnados? . Bem, os tipos de procedimentos poderão ser os mais diversificados, mas o maquiavelismo é o mesmo e com mais propriedade, uma vez que na condição de desencarnados, levam uma vantagem a mais. Eles nos vêm e analisam melhor as nossas fraquezas, para melhor atacarem. Contudo, é bom lembrar que com ou sem o corpo físico, estão sempre a perturbar. Este ainda é o seu caráter.
Do tempo de Jesus para cá, muitos já se redimiram, entretanto, outros que ficaram na retaguarda, estão chegando...
Se continuamos ainda, na titânica luta das rejeições dos erros cometidos, sem dúvida alguma, no decorrer dos milênios, sairemos vencedores.
Muitos já alcançaram a sublimação.
Quando conversamos com uma criança, procuramos um linguajar ao nível de sua idade física ou mental, visando especialmente o seu conhecimento e vocabulário, com este critério conseguiremos ministrar-lhes ensinamentos necessários ao seu aprendizado.
Quando Jesus esteve fisicamente conosco, trazendo do Pai a Boa Nova, para o nosso aprendizado espiritual, Ele não poderia fugir dos entendimentos rudimentares de nossos conhecimentos. Daí, a razão pela qual Ele utilizara das parábolas para fazer-Se por nós entendido. Por vezes utilizava dos nossos próprios conceitos para ministrar os ensinamentos desejados.
Em nossos conceitos e conhecimentos de há 2.000 anos, como os de hoje, certas palavras faziam parte da crença popular, tais como: - "salvação", "ganhar a vida eterna", "satanás e seus asseclas" (símbolo do mal), inferno, etc.etc. Jesus em determinadas oportunidades utilizou a nossa forma de expressão e conhecimentos rudimentares para adentrar ao nosso entendimento.
"A palavra Geena, que aparece nas traduções do Evangelho, e que traduzimos por ‘’vale dos gemidos’’ é empregada sete vezes por Mateus (5:22, 29,30; l0: 28: l8: 9; 23:15, 33); três vezes em Marcos (9:43, 45,47); uma vez em Lucas (12:5) e uma vez em Tiago (3:6). Nunca a encontramos em João e nem em Paulo.
Nome antiquíssimo, já apareceu no Velho Testamento desde Josué.
Tratava-se de um vale e ameno, sempre verde, mesmo quando em volta todas as árvores haviam ressecadas pelo calor. Era onde estava construído o ‘’altar’’ de Molok (ou Melek), onde eram queimadas vivas as crianças, para aplacar essa terrível ‘’Divindade’’ (espírito atrasado).
Os próprios Reis Hebreus, Manacés e seu filho Acáz ali queimaram seus próprios filhos (2. Sam. 2: 21- 6). Contra esse costume desumano, Jeremias protestava revoltado. O Rei Josias destruiu o local do culto, fazendo dele depósito de lixo de Jerusalém e monturo, onde se lançavam cadáveres de animais, sendo tudo queimado para não empestiar a redondeza; com a morte de Josias, o culto foi restabelecido no mesmo vale. (2. Sam. 23:29, 30, 32, e 37 e Jer. 11: 9,10).
Também Ezequiel (20: 30-31) ameaça os Israelitas por essas crueldades inomináveis.
A idéia tomou corpo, passando o ‘’vale dos gemidos’’ a simbolizar ‘’o castigo que purifica os pecadores’’.
Essa a tradição rabínica (e provavelmente popular) na época de Jesus, e daí tê-la o Mestre aproveitado para dar aos seus discípulos a idéia da purificação dos erros cometidos através ‘’do fogo do vale dos gemidos’’.
Hoje, Geena significa inferno. Inferno criado por nós mesmos.
Se criamos Geenas para nós, por que dentro de nós não existiria Geena também?
A propósito transcrevo, a respeito, as palavras de Emmanuel do livro: Pão Nosso. Com o título:
O DIABO
Respondeu-lhe Jesus: “Não vos escolhi a vós, os doze”? e um de vós é o diabo? João 6:70
Quando a teologia se reporta ao Diabo, o crente imagina de imediato, o senhor absoluto do mal, dominando um inferno sem-fim.
Na concepção do aprendiz, a região amaldiçoada localiza-se em esfera distante, no seio de tormentosas trevas....
Sim, as zonas purgatoriais são inúmeras e sombrias, terríveis e dolorosas. Entretanto, consoante à afirmativa do próprio Jesus, o Diabo partilhava os serviços apostólicos, permanecia junto dos aprendizes e um deles seria representação do próprio gênio infernal. Basta isto para que nos informemos de que o termo "diabo" não indicava, no conceito do Mestre, um gigante de perversidade, poderoso e eterno, no espaço e no tempo. Designa o próprio homem, quando algemado às torpitudes do sentimento inferior.
Daí concluímos que cada criatura humana apresenta certa percentagem de expressão diabólica na parte inferior da sua personalidade.
Satanás simbolizara então a força contrária ao bem.
Quando o homem o descobre, no vasto mundo de si mesmo, compreende o mal, dá-lhe combate, evita o inferno intimo e desenvolve as qualidades divinas que o elevam à espiritualidade superior.
Grandes multidões mergulham em desespero seculares, porque não conseguiram ainda identificar semelhante verdade.
E comentando essa passagem de João somos compelidos a ponderar: "Se, entre os doze apóstolos, um havia que se convertera em diabo, não obstante a missão divina do círculo que se destinava a transformação do mundo, quantos existirão em cada grupo de homens comuns na Terra?”.
E o Diabo teve remorsos por haver traído o Mestre, arrependeu-se... e chegando ao desespero enforcou-se.... Afinal, o diabo arrepende-se ou não? . Se arrepende por que não ascender , também, ao curso da evolução ?.
Não tenha dúvida, caro leitor, que Jesus depois de ter-se desprendido da cruz, tenha procurado socorrer a Judas Iscariotes, em sua miserabilidade espiritual.
Atente bem, caro leitor, põe o seu raciocínio para funcionar e procure descobrir o que é satanás e onde é o inferno. Já não está muito difícil de concluir..
EXTRAÍDO DO LIVRO OVO DE COLOMBO  Milled Assed