sábado, 6 de agosto de 2011

CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DA EMANCIPAÇÃO DA ALMA


 O estudo da alma humana é um dos objetivos da Doutrina Espírita.
Para que este estudo seja realizado é fundamental observar os fenômenos em que a alma se encontra liberta do corpo físico. Estes fenômenos chamam-se emancipação da alma.
A melhor maneira de estudar a emancipação da alma é começando pelo capítulo VIII da Parte 2a de O Livro dos Espíritos, onde os Espíritos e Kardec apresentam ensinamentos fundamentais à compreensão do tema.
É preciso reconhecer que todos os encarnados podem, em espírito, deixar seu corpo físico e exercer atividades no plano espiritual com maior ou menor grau de liberdade.
Os Espíritos informam que a emancipação da alma acontece com muita freqüência.
Declaram que o Espírito encarnado aspira constantemente a libertar-se do corpo, e que durante o sono afrouxam-se os laços que prendem a alma ao corpo, podendo aquela lançar-se ao espaço e entrar em relação mais direta com outros Espíritos.
Ensinam, também, que, pelos sonhos, é possível julgar da liberdade do Espírito durante o sono; e que não é necessário o sono completo para a emancipação da alma, bastando que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Entretanto, percebe-se que o grau de liberdade do Espírito está diretamente relacionado com o grau de relaxamento do corpo físico.
No livro Estudando a Mediunidade, Martins Peralva ensina que os sonhos podem ser de três tipos. São eles:
a) Comuns: onde a alma, ao emancipar-se, fica à mercê dos seus pensamentos e da psicosfera que a envolve. São uma repercussão de nossas disposições físicas e psicológicas;
b) Reflexivos: acontecem devido à modificação vibratória resultante do desprendimento da alma, que permite que sejam acessados pela memória fatos, imagens, paisagem e acontecimentos remotos, desta e de outras vidas;
c) Espíritas: acontecem quando a alma, uma vez liberta, entra em relação com outros Espíritos encarnados e desencarnados, respeitando sempre as leis de afinidade e de sintonia.
Continuando o estudo da emancipação da alma em O Livro dos Espíritos, verifica-se que o sonambulismo é, também, um estado de independência da alma. Que pode ser natural ou induzido.
Durante o sonambulismo a alma tem percepções de que não dispõe no sonho,   que o sonho nada mais é que um estado de sonambulismo imperfeito.
Na clarividência sonambúlica é a alma que vê, podendo, assim, enxergar através de corpos opacos e a distância. A alma pode ainda acessar conhecimentos obtidos em outras existências. No caso do sonambulismo induzido, o sonâmbulo é susceptível à influência fluídica e às sugestões do magnetizador.
O sonâmbulo possui acesso a todas as suas potencialidades de Espírito.
Os Espíritos esclarecem também que, no sonambulismo, a alma está na posse de suas faculdades. Os órgãos materiais acham-se de certa forma em estado de catalepsia, deixando de receber as impressões exteriores.
Os conceitos de catalepsia, letargia e sonambulismo apresentam--se muitas vezes mal definidos e até de certa forma confusos. Isto se deve em parte aos magnetizadores, pioneiros no estudo do tema, os quais relatavam suas experiências em uma época onde não existia uniformização dos termos utilizados.
Para evitar dúvidas com relação aos conceitos de catalepsia, letargia e sonambulismo, é fundamental separar o grau de liberdade da alma do grau de relaxamento do corpo físico.
Conforme já foi dito, para que a alma se emancipe é necessário que o corpo se encontre relaxado. O relaxamento do corpo acontece em três diferentes graus. O primeiro grau de relaxamento é o sono. O segundo grau de relaxamento é a catalepsia, que corresponde à perda temporária da sensibilidade e do movimento, podendo  atingir uma ou mais partes do corpo físico. O terceiro grau de relaxamento é a letargia, em que a suspensão das forças vitais é geral, dando ao corpo todas as aparências de morte.
Outro estado de emancipação da alma é o êxtase, que corresponde a um sonambulismo mais apurado. No êxtase a alma é ainda mais independente que no sonambulismo.
Segue (nesta página) um esquema que objetiva relacionar o grau de relaxamento do corpo físico com o grau de liberdade da alma.
No estado de vigília, representado por um círculo vermelho, a alma encontra-se ligada ao corpo físico.
À medida que a alma (representada pela curva azul) se emancipa e afasta-se do corpo (representada pela curva preta), este se relaxa.
No estado de sono, a alma sonha. Quando o corpo entra no estado de catalepsia, a alma encontra-se em estado de sonambulismo. Por fim, quando o corpo entra em estado de letargia, a alma vive o êxtase.
Ressalta-se que a classificação apresentada tem caráter didático, e por isso, na prática, as fronteiras entre um e outro grau de emancipação são muito difíceis de ser definidas com exatidão.
Importante ressaltar que as atividades extra corpóreas refletem as reais e efetivas inclinações da alma, sejam elas superiores ou inferiores.
Quando libertos do corpo, os viciados buscam seus iguais.
De igual modo, o homem e a mulher de bem buscam atividades que os engrandeçam e que permitam que auxiliem seus semelhantes.
A vida que levamos em estado de vigília determina o tipo de ambiente que buscamos fora do corpo físico.
Que Jesus nos conceda sabedoria para cultivarmos um ambiente saudável durante o dia, a fim de que nos seja possível encontrar um ambiente de paz à noite.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 72. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1992. Parte 2a, cap. VIII.
2 _______. O Livro dos Médiuns. 55. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987, cap. VI e XIV.
3 Michaelus. Magnetismo Espiritual. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991.
4 Peralva, Martins. Estudando a Mediunidade. 9. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1983, cap. XVII, p. 97.

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