sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CONSCIÊNCIA RESPONSÁVEL


Responsabilidade, em bom vernáculo, é a qualidade ou condição de responsável. O ser responsável, por extensão, é aquele que se desincumbe fielmente dos deveres e encargos que lhe são conferidos, que responde pelos próprios atos ou pelos de outrem, tornando-se de caráter moral, quando defende os valores éticos pertencentes aos outros e à vida.
A responsabilidade pode ser deferida, desde quando é delegada por uma autoridade ou Lei, a fim de ser cumprido o estatuto que estabelece e caracteriza os valores e compromissos a serem considerados.
Essa é a mais comum, encontrada em toda parte. Além dela, existe aquela que é conquistada pelo amadurecimento psicológico, pela conscientização o inerente às experiências resultantes da evolução.
Muitas vezes, a responsabilidade que se torna atributo do caráter moral do indivíduo faz-se grave empecilho ao processo de engrandecimento do ser, caso o seu portador se atenha à letra ou ao limite do estabelecido, sem examinar a necessidade que lhe é apresentada, do ponto de vista da compreensão.
Graças à conceituação de responsabilidade, criminosos de guerra e servidores rudes buscam passar a imagem de inocência ante a crueldade que aplicaram, informando que cumpriam ordem na desincumbência das infelizes tarefas e que estavam sujeitos a imposições mais altas que deveriam atender.
Outros, responsáveis por massacres cruéis e atitudes agressivas, refugiam-se na transferência de responsabilidade, elucidando que deveriam agir conforme o fizeram, ou sofreriam as conseqüências da desobediência.
Nas instituições militares a responsabilidade cega o indivíduo, de modo a obedecer sem raciocinar e a cumprir ordens sem discutí-las ou justificá-las.
Diz-se que, aqueles que se lhes submetem, tornam-se pessoas responsáveis.
Nesse capítulo incluiríamos os tímidos, os medrosos, os pusilânimes, os aproveitadores, todos não necessariamente portadores de responsabilidade.
Dessa forma, seria inculpado, porque responsável, zeloso pelas suas funções e deveres, Pilatos, que condenou Jesus à morte, embora O soubesse inocente.
Posto em cheque pela astúcia dos doutores judeus, de que Jesus dizia-se rei e ele representava o imperador, que era o seu rei, não O crucificar seria crime de traição em relação ao seu representado, com esse sofisma levando o pusilânime, irresponsavelmente, a mandar crucificar o Justo, lavando as mãos para liberar-se da culpa.
Os sicários dos campos de concentração e os belicosos sistemáticos fomentadores de guerras, que as fazem com crueldade, assim procedem, dizem, para se desincumbir das determinações que recebem dos seus chefes e comandantes.
A responsabilidade, para ser verdadeira, não pode compactuar com a delinqüência, nem ignorar os mínimos deveres de respeito para com a vida e para com as demais criaturas.
A responsabilidade que resulta do amadurecimento psicológico, e que é adquirida pela vivência das experiências humanas, harmoniza o dever com a compreensão das necessidades dos outros, conciliando o cumprimento das atividades com as circunstâncias nas quais se apresentam.
Quem assim age, responsavelmente, torna-se pessoa-ponte, ao invés de assumir a postura de ser obstáculo, gerando dificuldades e perturbações.
Nesse sentido, a visão do ser imortal contribui grandemente para entender a responsabilidade que se tem no mundo, porque é deferida desde o Mais Alto, como redargüiu Jesus ao seu inquisidor, que a tinha, por que lhe fora dada... 
E poderia perdê-la, qual ocorreu pouco depois, ao ser destituído da função, e
mais tarde, quando despojado do corpo pela morte...
Para a aquisição da responsabilidade consciente os valores eternos do Espírito são indispensáveis, de modo a serem absorvidos e vivenciados, ultrapassando os limites das determinações humanas de horizontes estreitos e curtos.
Considerando-se a existência física como sendo um breve período de aprendizagem, na larga faixa das sucessivas reencarnações, o ser adiciona ao conceito da responsabilidade os contributos do amor, dessa forma identificando os melhores meios para agir, quando pode e deve - com consciência - não se precipitando a tomar decisão, quando deve, mas não pode, ou quando pode, mas não deve - responsabilidade inconsciente.

Joanna de Ângelis
Divaldo Franco – livro Autodescobrimento - Editora LEAL

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