segunda-feira, 31 de outubro de 2011

VIVENDO AS DIFERENÇAS


Conviver com diferenças à nossa volta parece ser o “destino” de cada um dos Espíritos, encarnados ou não. As distintas maneiras de pensar e agir, os diferentes tipos físicos, os variados gostos e tendências, as diversas formas de se expressar, compõem um mundo complexo, e, às vezes, provocam conflitos de toda ordem.
É necessário que todos reflitam seriamente sobre esta questão.
Dizemos todos, pois, de uma forma ou de outra, a discriminação ainda encontra abrigo em nosso íntimo. Apenas as diferentes formas de comportamento perante o que nos incomoda é que diferenciam os que se deixam levar pelos instintos, daqueles que submetem suas tendências naturais ao crivo da razão e do bom senso. Deste modo, alguns demonstram facilmente seu desagravo perante alguém ou alguma situação; outros, apesar de também divergirem, silenciam.
Infelizmente, a discriminação muitas vezes é palavra de ordem.
Contudo, é preciso entender que existem mudanças que, por sua importância para o funcionamento mais harmonioso da sociedade, se tornaram urgentes e imprescindíveis. Mas, como somos persistentes na manutenção de erros e vícios adquiridos durante seguidas encarnações, a própria necessidade levou os legisladores a elaborarem artigos e leis para impedir a impunidade e a manutenção do descaso perante as segregações. Por esta razão, foram criadas normas, tais como: o Estatuto do Idoso, as penas contra a discriminação racial, o Estatuto da Criança e do Adolescente, as regras sobre a inclusão social, o direito ao culto e à religião, dentre outros.
O esforço para a mudança está vindo, então, pela imposição e não por nossa reforma de valores. Todavia, já é um movimento que aponta para a melhoria social.
Toda discriminação denota desconhecimento das leis básicas da evolução espiritual, particularmente aquelas que se referem à reencarnação. Portanto, se nos desagradam esta ou aquela maneira de pensar ou as atitudes alheias, recordemos que a nossa própria forma de ponderar e agir sofre mudanças, mesmo no curso de uma única existência.
Se mantivermos distanciamento ou repulsa por pessoas de outras raças, reflitamos que essas diferenças são apenas externas, porque tais pessoas são Espíritos, independentemente dos corpos que animam.
Caso concluamos que o idoso já viveu o que a vida pôde lhe proporcionar e que agora se tornou um estorvo, tenhamos a certeza de que o tempo de vida é definido pela capacidade que cada um tem de colaborar com o progresso, mesmo quando este se faça através das dificuldades impostas pela doença ou pela dependência física.
Antes de sermos intolerantes com a religião alheia, relembremos que a evolução individual se realiza muito mais pelo que fazemos em benefício dos que nos cercam, do que pelas crenças que tenhamos acerca da vida presente e da futura.
Quando os hábitos de nossos familiares nos incomodam, saibamos que muitos deles toleram secretamente os nossos, em favor do equilíbrio doméstico.
Antes de rejeitarmos as ideias dos mais jovens, alegando a sua falta de experiência e a sua impetuosidade, ouçamo-las com paciência, recordando que, quando também jovens, sofríamos as mesmas censuras, embora tentássemos contribuir para entendê-las.
Modificações individuais e coletivas são indispensáveis, seja na maneira de agir ou de pensar.
Sabemos que elas não chegarão de surpresa; em realidade são o resultado das experimentações diárias que fazemos em busca de nosso ideal. Se quisermos realmente a mudança, comecemos por nós mesmos, não esperemos que ela se realize no outro. A tolerância e a simplicidade são as virtudes que precisamos desenvolver para tornar a vida mais fácil e mais proveitosa para todos.

Reformador Agosto 2011

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