terça-feira, 15 de novembro de 2011

JUDAS


“Segundo várias comunicações, recebidas em ocasiões e lugares diversos, de elevados espíritos a serviço da verdade divina, este infeliz apóstolo, que tão desastrosamente faliu na missão que com instância solicitara, conseguiu, depois de múltiplas encarnações sofridas através de séculos, reparar todo o seu passado de triste memória, transformando-se, afinal, em Espírito de Luz, digno de volver a ocupar o posto que deixara vago no Colégio Apostólico, a sentar-se no trono de onde devera estar de há muito, como os seus companheiros de apostolado, exercendo o governo de uma das doze tribos de Israel, conforme a palavra evangélica. Tornou-se, em suma, digno do amor de Jesus que, por mais de uma vez afirmou que nenhuma se perderia das ovelhas que o Pai lhe dera para apascentar.
Tendo pago a sua dívida até o último centil, como o exige a Lei: a ovelha que tão gravemente desgarra, havendo alijado de si o pesado fardo da ambição que tantas desgraças lhe ocasionara, voltou ao aprisco, perlustrando a estrada das tarefas e missões humildes e dolorosas e elevando-se assim, gradativamente, aos olhos daquele que nunca deixara de amá-lo com entranhado amor.
Judas passou a História como símbolo da Traição. Só agora, decorridos quase dois milênios, graças à revelação espírita, os fatos se nos apresentam claramente compreensíveis, através de mensagens explicativas de Espíritos que foram seus contemporâneos e que, certamente com o propósito de nos advertirem, a nós que tivemos a felicidade, como aquele apóstolo, de conhecer o Cristo, na sua excelsitude espiritual e na grandiosidade do seu messianato, de que os tempos atuais são semelhantes, senão idênticos aos desse messianato e que, portanto, muito nos devemos precatar, para que não tenhamos de passar pelas mesmas dores e sofrimentos, pelas mesmas expiações e provas, a que se condenou o mesmo Judas pelo seu desvario. Dizem-nos as mensagens ou comunicações a que aludimos que ele foi vítima da sua tresloucada ambição.
Espírito inteligente, de grande desenvolvimento intelectual, ambicionou constituir-se elemento de grande prestígio social, capaz de resolver o problema do seu povo e de alça-lo a uma posição de completo domínio político.
Não concordava, pois, com a mansuetude, a humildade e o desinteresse do Mestre, com a sua preferência pelo convívio dos pequeninos, dos párias, dos oprimidos, dos que os grandes e poderosos exploravam, entendendo que tudo isso obstaria sempre a que o Senhor ascendesse ao fastígio a que ele, Judas o julgava com inconcusso direito. Achava que, pela força moral que demonstrava, pelo poder extraordinário de que dispunha o meigo Rabi, este seria precioso elemento para que ele, seu apóstolo, realizasse a conquista da posição de destaque e de mando com que sonhava.
Indubitavelmente, Judas não necessitava dos trinta dinheiros do seu trato com os príncipes dos sacerdotes. Que valor teria essa importância pecuniária, para ele que era o depositário do dinheiro da comunidade? O que queria, e a que visava era guindar-se ao mando supremo. Essa idéia o obsidiava e faz imaginar que Jesus não se entregaria e consentiria em ser proclamado Rei da Judéia; que lhe daria a ele o posto de seu primeiro ministro, investido, de modo absoluto, na direção política do país.
Logo, no entanto, viu que se enganara redondamente, que nada do que concebera se realizava que nada mais fizera do que sacrificar o Mestre amado ao ódio dos seus piores inimigos e perseguidores. Caindo então em si, foi presa de pavoroso remorso do mal que a sua ambição o levara a praticar contra aquele que tantas provas de amor lhe dera, depois de o haver admitido na companhia dos seus escolhidos. Desvairado, pois, alucinado, com a razão inteiramente obliterada, novo crime cometeu, maior talvez do que o primeiro, visto que, em face das leis divinas, acarreta conseqüências bem mais aflitivas e prolongadas do que qualquer outro, visto que se estendem quase sempre por múltiplas encarnações sucessivas.
Ora, pensando nesses acontecimentos, em que foi saliente protagonista o Iscariotes, cuja ambição de poder e mando o fez perder o muito que havia recebido à mente nos vem o que se passa nos dias de hoje, em que o Cristo nos envia, conforme prometera o Consolador, para relembrar e ampliar os seus ensinamentos. E o temor nos assalta, enchendo-nos de tristeza e amargura o espírito, de que também agora surjam, como desgraçadamente parece que já vai acontecendo, personalidades qual a do apóstolo que traiu, com ambições semelhantes às que o cegava, dominados igualmente pelo personalismo, pela vaidade, pela presunção, a quererem, na sua cegueira, valerem-se do Espiritismo para se colocarem em evidência, não só entre os companheiros que, por menos cautelosos, lhes sancionam, sem ponderação maior, as atitudes, senão ainda entre os profanos, induzindo-os a supor que o Espiritismo é uma seita, como tantas outras, onde o que domina é a política religiosa, servindo o Evangelho apenas de entorpecente espiritual empregado em doses adrede preparadas convenientemente. Aflige-nos a possibilidade de que tal se dê, porque esses se constituirão assim, sem disso muitas vezes se aperceberem por falta de vigilância e oração, elementos de perturbação e discórdia, de desarmonia e separatividade, num meio onde tudo deve ser união, bonomia, fraternidade e benignidade, já que ainda não pode ser amor.
Lamentabilíssimo que tal aconteça como lamentável foi o ato irrefletido do ambicioso irmão que supôs fácil utilizar-se do Cristo para execução de seus projetos de criatura falível, ainda carente do espírito da doutrina que lhe era pregada e exemplificada, ainda bem longe de compreender, em espírito e verdade, as palavras daquele que se dizia que era e será sempre - Caminho, Verdade e Vida.
Lamentabilíssimo sim, porque esses tais se condenarão a mais longa, penosa e árdua caminhada, para atingir a meta que todos havemos de alcançar, embora tenhamos a consoladora certeza de que lá chegarão como chegou o filho de Iscariotes; de que todos um dia nos reuniremos, pela misericórdia do Pai, em torno do Pastor divino, como se reuniu Judas aos onze companheiros que permaneceram fiéis aos compromissos que haviam assumido para com o mesmo Pastor.
Essa certeza não somente no-la dá a revelação atual, em seus desenvolvimentos da revelação anterior, como o próprio Judas, nas suas comunicações ou mensagens, dentre as quais destacaremos, pela sua tocante beleza e expressividade, a seguinte, que se encontra à pág. 392 do terceiro volume da grandiosa obra - “Os Quatro Evangelhos” de J. -B. Roustaing.:
“Segundo as explicações que os homens deram desses fatos (os da traição), Judas houvera sido de antemão escolhido e entregue ao ‘demônio’; fora criado para cometer o crime que praticou; sua alma fora vil, baixa, invejosa, cupidez, sanguinária, unicamente para que se cumprissem as profecias do Antigo Testamento. Quão manifesta, entretanto, é a justiça de Deus no ato do Espírito presunçoso, que pede para cooperar na grande obra e que, apesar de todas as observações, de todos os conselhos, se obstina em levar por diante a orgulhosa tentativa, confiando mais na sua presunção, do que na presciência daquele sob cuja inspiração seus guias lhe declaravam: Tu vais falir. Quão patente se mostra, ao mesmo tempo, naquele ato, a mão paternal sempre estendida para o filho indócil, a fim de levantá-lo após a queda, que lhe serviria de ensinamento e lhe faria germinar no coração a salutar humildade, que aí até então não encontrara acesso!
Oh! Como é grande esse Deus que permite que o filho culpado encontre, na sua própria indignidade, o ponto de apoio que o ajudará a subir para a perfeição! Oh! Quanto é bom aquele que está sempre pronto a perdoar ao que sinceramente se arrepende que pensa com suas mãos benfazejas as chagas dos nossos corações culpados, que nelas derrama o bálsamo da esperança e as cicatriza com o auxílio da expiação!
Bendito sejas tu, meu Deus!”

Antônio Wantuil de Freitas que publicou, no Reformador (FEB) de Abril de 1943.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

RESPOSTA A UM CATÓLICO

         
Vou explicar-vos as razões porque efetivamente não sou cristão no sentido emprestado erroneamente a esta palavra pela igreja romana.
Para esta seita, ser cristão não é cumprir os preceitos admiráveis do Evangelho; não é imitar, quanto possível, as sublimes lições da vida de Jesus.
Tanto assim que, sendo o Mestre um simples carpinteiro, o papa é rei com todo o cortejo de mundanas grandezas.
Enquanto o Cristo vestia a túnica dos pastores que não tem onde repousar a cabeça, seus pretensos continuadores cobrem-se de ouro e de púrpuras, alardeiam uma pompa de caráter pagão, cercam-se de luxo familiar aos tiranos do tempo de Sermacherib.
O Filho de Maria era humilde e perdoava as ofensas alheias; a igreja católica mostra-se sob um orgulho indomável e amaldiçoa, desde séculos, a quantos se não submetam a seus dessarroados caprichos.
Cristo espalhava, sem remuneração, os benefícios de um amor incomparável; a igreja vende os sacramentos, negocia com a salvação das almas, trafica com o reino dos céus.
Cristo profligava os erros e o despotismo dos fariseus bafejados pela riqueza da Terra; a igreja rasteja aos pés dos potentados.
No Rabino genial, conjugam-se as perfeições do missionário cumprindo à risca os desígnios da Providência; na igreja proliferam os crimes e os atentados contra a vida e a consciência de nosso semelhante.
A disparidade entre o ensino de Jesus e o dos concílios romanos não precisa de mais exemplos para se impor com a força dos axiomas irrespondíveis.
Cristo, no conceito católico, é o homem escravizado ao culto externo, às regrinhas da disciplina religiosa, às bulas e pastorais ejaculadas, de vez em vez, pelo ralo das autoridades eclesiásticas.
Ouve missa, bate nos peitos, confessa ao padre as suas mazelas espirituais, usa a veste das procissões, torce entre os dedos, maquinalmente, as contas dos rosários e crê no sortilégio dos escapulários.
Vive transido com o horror blasfemo de um Deus vingativo e implacável que tem embaixadores na Terra para a regularização dos negócios celestes. Isto não o impede, entretanto, de alimentar ódios, intolerância, dureza de coração, maledicências venenosas, invejas surdas, ambições insuportáveis e apego aos bens temporais. Não o impede de desejar todo o mal possível ao próximo, de vangloriar-se com o alheio infortúnio, de rogar pragas, atirar esconjuros sobre os que não comungam com os seus ideais.
A piedade, a doçura, a indulgência, a mansidão... São coisas de que não se ocupa absolutamente.
Rezando a sua ‘salve rainha’ e pondo uma vela a arder em face do oratório bento, dá-se por satisfeito, repousa a consciência no cumprimento dessas puerilidades.
De tempos em tempos, a penitência dos confessionários, com a deglutição complementar da hóstia, lavam-lhe os pecados velhos. Julga-se, então, apto para subir entre serafins tangendo liras vaporosas aos esplendores da felicidade eterna.
Mas, como a morte parece-lhe longe, torna a pecar e copiosamente, fiado no perdão já tantas vezes concedido às suas faltas anteriores.
Entre a prática do bem, das virtudes humildes e o abster-se de carne às sextas-feiras, ele prefere este “último sacrifício”. É mais cômodo, mais ortodoxo e produz resultados extraordinários.
Pode-se realizá-lo conservando o orgulho, o egoísmo, a vaidade, os rancores rubros que geram as explosões de criminalidade.

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Agora, vede o que é ser cristão segundo o espiritismo:
É ter gravado no recesso de nosso entendimento as passagens maravilhosas do Evangelho a fim de evitá-las nos casos concretos da existência humana. O espírita não bate nos peitos soturnamente, mas ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Não veste opa (capa sem mangas, mas com aberturas para enfiar os braços) nem se ajoelha ante imagens talhadas no mármore ou fundidas no bronze; adora o ser sensível com as efusões de sua alma extasiada com as magnificências da criação universal.
Para chegar no céu, dispensa o caminho dos confessionários e considera muito mais benéficos o perdão das injúrias, o amor à justiça, a piedade para todas as fraquezas, a doçura e o amparo para todos os infortúnios.
Faz-se menor entre os menores, combate a iniquidade, difunde a instrução, protege ao órfão, enxuga as lágrimas da viuvez desconsolada.
Não incensa aos orgulhosos cercados de grandezas e de glórias efêmeras, lastima-os.
Põe seus cuidados na vida futura, encara a dor como instrumento de progresso, resigna-se às opressoras contingências do planeta, porque a sua verdadeira pátria está além, no seio augusto da Misericórdia Suprema.
 As suas paixões guerreia sem cessar. E só se empenha tenazmente em conseguir moldar seu caráter nas linhas puras traçadas por Jesus para a edificação de todas as gerações.
Vianna de Carvalho
Reformador (FEB) 1.6.1918

domingo, 13 de novembro de 2011

OS "SÁBIOS" E A VERDADEIRA SABEDORIA



 "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus". Jesus inicia seu mais importante discurso, o Sermão do Monte, abençoando os pobres de espírito. E por pobres de espírito ele classificava os que possuíam humildade e simplicidade de coração, que eram discriminados pelos sábios e doutores daquele tempo, sendo colocados à parte como pessoas ignorantes e sem direito a adquirir conhecimento. Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando comenta esta frase de Jesus, diz que os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção.
Ao longo da história da humanidade constata-se que o homem, caminhando sempre pautado em seus próprios pensamentos e conceitos sobre a vida, sofreu enormemente as conseqüências de sua ignorância. Sem compreender a sua natureza divina e, portanto, imortal, e sem qualquer ajuda nesse sentido para que tivesse um entendimento superior sobre a vida, nada mais natural que assim fosse. Afinal, faz parte do amadurecimento do Espírito a luta pela construção de um pensamento mais justo que norteie as sociedades de maneira geral. O homem da atualidade, porém, já não pode dar a mesma desculpa, uma vez que atravessou todo esse pântano trevoso do conhecimento, palmilhou com sacrifício o século das luzes e adentrou no mundo moderno com toda a comodidade que a inteligência pode proporcionar ao homem, hoje cibernético e na era da chamada pós-modernidade. Com toda a ajuda possível para que tenha uma melhor compreensão acerca das suas ricas experiências de vida, deveria voltar-se finalmente para as questões mais essenciais da existência, quais sejam: quem é, de onde vem e para onde vai depois da morte.
Recentemente, uma conhecida revista de circulação nacional trouxe matéria com um psicólogo americano que se diz numa cruzada contra as crendices, mitos, superstições e tudo o que considera tolices. E nesse pacote inclui naturalmente a imortalidade da alma, a existência dos Espíritos e a comunicação entre os dois mundos. O doutor, que se considera um cientista, só crê no que vê e no que pode ser provado pelos estreitos limites da ciência ortodoxa. Afirma que acreditar em Espíritos é pernicioso, pois "quem acredita nisso pode acreditar em qualquer coisa". Mais adiante, entre outras coisas, diz que não há nenhuma evidência de que exista de fato vida após a morte e lança o anátema sobre a mediunidade e em todas as crenças, engrandecendo a ciência como única forma de crescimento e progresso para o homem. Em seu cartesiano pensamento, evidentemente não trabalha com a possibilidade de estar equivocado, e se define com um agnóstico, considerando Deus como um "problema insolúvel". O referido doutor é diretor da Sociedade dos Céticos, uma espécie de ONG, cujo nome por si só denota sua natureza e finalidade.
É certo que pessoas com esse pensamento existem a granel no seio desta humanidade. O homem inteligente, por sua imaturidade espiritual, pode fazer dessa ferramenta o móvel de sua desgraça. A soberba e a prepotência que alberga na alma exacerba-se substancialmente na presença de mentes privilegiadas que, não compreendendo que são agraciadas por Deus com sua inteligência por um justo motivo, fazem como o mau jardineiro que em vez de trabalhar no jardim com a enxada que lhe foi dada, ergue-a para ferir o seu Senhor, destruindo entre os homens a idéia da Providência, de uma inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. O orgulho do saber não o deixa entrever suas limitações e o faz expor-se de forma triste diante da vida, colocando-se muitas vezes como pai e mãe de todo o conhecimento, por deter o entendimento de uma pequena parte que a ciência pode alcançar com os olhos vesgos de uma época ainda incipiente em termos de compreensão da Verdade. O mundo, naturalmente, aplaude e reverencia.
É ainda Allan Kardec quem instrui sobre os inteligentes tolos: "Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível o que não compreendem... Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível". É evidente que o mestre lidou naquela época com a mesma doença. Só não contava que após quase um século e meio das verdades que trouxe ao planeta, a humanidade ainda estivesse dando ouvido a quimeras, festejando a zombaria de "cientistas" cegos, que não tem olhos de ver nem para separar joio de trigo, quanto mais para compreender que a verdadeira ciência caminha sempre com a idéia da limitação, simplesmente porque esbarra em uma sabedoria inalcançável aos diversos saberes humanos. Mas só a humildade é capaz de entender tal coisa. A prepotência valoriza os títulos dos doutores do mundo ao invés de buscar aprender a sabedoria de Deus.
E o que esperar de uma sociedade que se conduz pelas idéias do materialismo? O que acontecerá com os homens que vivem segundo a doutrina egoísta do niilismo, que prega a supremacia do eu, que acredita mais em si mesmo do que em Deus? O tempo dirá, pois chegará o dia em que eles se curvarão às evidências de suas inferioridades e verão que apesar de todo o conhecimento que supõem ter, jamais poderão aumentar um centímetro de sua estatura. Significa dizer que ficarão impotentes diante da Lei de Deus, quando chegar a hora de colherem os frutos de suas pobres semeaduras. E assim será. E para os pobres de espírito, ou seja, para os que possuem simplicidade e humildade de espírito, que venha o reino de Deus.

Mensagem mediúnica
O MAIOR NO REINO DE DEUS

"Que as bênçãos do Altíssimo desçam sobre vossas cabeças, discípulos da fé! Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre, em um dos seus discursos magistrais, declarou que o maior no reino dos céus seria aquele que melhor servisse ao seu irmão. Tão estranho ensino permaneceu mudo pelos séculos afora no coração dos homens. No despertar da terceira revelação de Deus aos homens, os Espíritos superiores trouxeram a chave dessa sabedoria, alicerçando o pensamento da doutrina de Jesus na lei de causa e efeito, na pluralidade dos mundos e nas múltiplas existências carnais do Espírito.
Nenhum homem entrará no entendimento do que seja o melhor servo em uma vida só, pois o verdadeiro servir passa pelos estágios da compreensão, entendimento e prática da Lei, coisa que não poderá ser plena e definitiva para o Espírito de uma só vez, em uma única existência carnal.
Caríssimos irmãos, como podereis compreender tal coisa se em vossos corações ainda pululam os germes da importância pessoal, do amor próprio e do egoísmo? Como podereis adentrar no reino de Deus se todo o vosso entendimento está entorpecido pelo vosso orgulho que não vos permite perceber quem sois verdadeiramente? Oh! Pobres criaturas que coam mosquitos e engolem camelos, não deixeis passar por vós esta exuberante oportunidade de serdes melhor a cada dia. Procurai em vossas intimidades a causa de vossos aborrecimentos, de vossas angustiosas noites mal dormidas e podereis identificar cada razão, dando nome a cada uma delas.
Deixai de lado vossos interesses pessoais e vos dedicais com afinco ao estudo e ao santo trabalho que vos foi confiado, quaisquer que seja ele, e vereis que vossas vidas serão transformadas pela ação benfazeja das forças espirituais que trabalham em nome do Bem. Sede fervorosos em vossas preces , diligentes nos cuidados, cuidando-vos uns dos outros.
Refreai a vossa língua e respeitai-vos como irmãos verdadeiros, mortificando vossas más inclinações nas relações cotidianas e disciplinando vossos pensamentos e vossa conduta como homem de Deus que convive no mundo. Alerta, pois, trabalhadores do Senhor! A seara é grande, mas os trabalhadores são muito poucos. Vós fostes chamados e estais entre eles. Avante, pois! Que Jesus vos abençoe. Graça e Paz sejam com todos."  
Espírito: João de Arimatéia
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A GRAVE QUESTÃO DA PREGUIÇA MENTAL


Um dos grandes obstáculos ao progresso humano está na preguiça mental. O homem prefere receber as informações “mastigadas” pela mídia ao invés de dedicar-se ao estudo que exige o raciocínio. A TV ainda impera sobre o livro.
Sabendo disso, muitos mestres, em todos os tempos, utilizam o recurso de contar estórias ou histórias para transmitir o ensinamento que se propõem a divulgar. E para prender a atenção do público a que se destina toda mensagem são revestida das mais variadas recursos que atraem.
Assim a TV, o rádio, o vídeo, o teatro. Muitas vezes o conteúdo não é bom, mas a embalagem atrai e prende a atenção. E engana como ocorre com a publicidade do cigarro, por exemplo...
E os espíritas, como ficamos? Temos uma maravilhosa mensagem, toda ela voltada para o crescimento do ser humano. Precisamos, sem dúvida, utilizar todos os modernos meios de comunicação para transmitir essa mensagem ao grande público. Os recursos tecnológicos da atualidade, como microfone, telão, vídeo, retroprojetor, projetor de slides, som, computador e outros facilitam muito a divulgação das idéias espíritas.
Voltando ao início de nosso pensamento, verificamos que o recurso de contar estórias ou histórias facilita e muito à transmissão da divulgação doutrinária. Não é por acaso que renomados autores encarnados e desencarnados usam a forma romanceada, e nem foi por outra razão que Jesus também usou as parábolas para ensinar. Este recurso realmente consegue transmitir o ensinamento com muita objetividade, facilita a memorização do ensinamento, prende a atenção. Na tribuna, por exemplo, ele tem um efeito excelente, principalmente se descontraído.
Mas, analisemos uma parábola de Jesus: A Parábola dos Dois Filhos. Em breve resumo, a parábola indica um Pai e dois filhos, convidados para trabalharem na vinha do Pai. O primeiro promete ir, mas não vai. Já o segundo filho, rebela-se dizendo que não vai, arrepende-se depois e acaba indo. À luz da Doutrina Espírita, podemos extrair o ensinamento da parábola. O texto em si é a embalagem que precisamos desembrulhar para conhecer o conteúdo e dele extrair o ensinamento. Também em breve resumo, podemos concluir que o Pai da parábola é Deus. Os filhos somos todos nós, detentores do livre-arbítrio, com a liberdade de opção de trabalhar ou não na seara do Pai. Seara é todo o campo de trabalho que Deus nos oferece.
Observemos que o Pai não impõe condições, nem reprova o comportamento. Respeita a liberdade dos filhos. Com o texto embalado pela estória, podem-se extrair muitos ensinamentos, em conteúdo e grande profundidade.
A parábola é um convite para sairmos da ociosidade, é um apelo ao trabalho em favor de um mundo melhor, porém a decisão é de cada um. Há muito que se fazer em favor uns dos outros, nos variados campos da atividade humana, mas também e principalmente no uso da caridade e do amor...
Já a assimilação do ensinamento só por palavras é como o filho que diz que vai e não vai, fica adiando sua transformação no bem ou o trabalho em favor do semelhante. Como diz a parábola, não é preferível o filho às vezes indisciplinado, mas que toma depois a decisão de se melhorar e trabalhar na vinha do Senhor? No pequeno exemplo da parábola referida está à embalagem a ser aberta e no seu interior a pérola do ensinamento. Libertemo-nos, pois, da preguiça mental e mergulhemos no raciocínio a fim de extrair da Doutrina Espírita, com sua extensa e variada literatura, as luzes do Evangelho de Jesus, a fim de não sermos os indecisos como cristãos de aparência que dizem, mas não fazem que adiem o progresso...
E para os que preferem a acomodação mental, continuemos a utilizar o recurso das estórias e histórias, a fim de fixar com mais facilidade a divulgação das idéias de Jesus e dos ideais de nossa querida Doutrina.
Para concluir, contudo, e considerando os valores libertadores trazidos pela Doutrina Espírita em favor do homem, trago aos leitores transcrição parcial do capítulo A Conclusão da Pesquisa, pelo Espírito Ignácio Bittencourt **, onde o autor, ao referir-se a minuciosa pesquisa levada a efeito nas Esperas Superiores, na qual os Excelsos Dirigentes do Espiritismo “chegaram à conclusão de que, junto às calamitosas quedas morais e às deserções deploráveis de numerosos companheiros responsáveis pelo serviço libertador, entre todas as causas que dificultam a marcha da Nova Revelação na Terra, destaca-se, em posição de espetacular e doloroso relevo, a preguiça mental”.

Orson Peter Carrara
REFORMADOR, NOVEMBRO, 1997

VIEIRA, Waldo. Seareiros de Volta, por Espíritos Diversos. 5ª ed. FEB, 1993

domingo, 6 de novembro de 2011

A LEI DO TRABALHO


O Livro Terceiro, capítulo III, da primeira obra básica da Codificação, aborda uma das leis mais importantes para o progresso dos seres: o trabalho. Afinal, o que é o trabalho e por que Deus o instituiu como lei comum a tudo e a todos? De acordo com o Dicionário Houaiss, o trabalho é o “conjunto de atividades, produtivas ou criativas, que o homem exerce para atingir determinado fim”. Entretanto, o trabalho transcende a essa conceituação usual, porquanto ele é inerente a todos os aspectos da Natureza:

O trabalho é uma lei para as humanidades planetárias, assim como para as sociedades do espaço. Desde o ser mais rudimentar até os Espíritos angélicos que velam pelos destinos dos mundos, cada um executa sua obra, sua parte, no grande concerto universal. (1)

Detenhamo-nos, entretanto, a investigar a Lei do Trabalho, dentro do âmbito social, humano, no qual se destaca como Lei Moral, segundo a concepção dos Espíritos superiores, e onde também se revela, de forma explícita, a perfeição das Leis Naturais. Neste aspecto, o trabalho não compreende apenas as ocupações materiais executadas com o auxílio do corpo físico, mas também as atividades de ordem intelectual, no campo das artes, da música, da filosofia, da religião, da ciência etc. O trabalho é imprescindível ao homem, não apenas porque é um meio de conservação do corpo, mas, sobretudo, de aperfeiçoamento da inteligência e da alma.

Nenhum Espírito, encarnado ou desencarnado, será capaz de progredir sem esforço próprio, que é indispensável ao equilíbrio. Com sua dedicação e gênio inventivo, com sua usina mental, que vibra em sintonia com as leis divinas, a criatura avança cada vez mais em busca da solução de seus problemas. Toda esta atividade compreende o trabalho, que nada mais é, segundo a raiz grega ergon, que ação, “movimento incessante da vida”. (2)

Utilizando o trabalho como veículo de renovação, o homem transformou completamente a face do Planeta e os seus próprios hábitos. Não fosse o trabalho, o homem permaneceria estacionado na infância moral e intelectual, no estado de natureza.

Para alguns linguistas, a palavra trabalho derivaria do latim tripalium, antigo instrumento, utilizado na Antiguidade, para torturar escravos. É, talvez, por isso que a ideia de trabalho estivesse primitivamente associada a sofrimento.

Além disso, o mito bíblico – de que o homem foi condenado a viver do próprio suor (3) contribui, à feição de atavismo religioso, para muitos considerarem o trabalho uma espécie de punição divina. Com o progresso da civilização, esse conceito depreciativo vem ganhando novos contornos. Evoluiu para esforço e depois para obra, passando o trabalho a ser recompensado proporcionalmente ao benefício que gera para a sociedade.

Hodiernamente, trabalhar, para muitas pessoas, é motivo de satisfação. É quando o homem se realiza, consciente da importância de seu ofício, por mais humilde e árido que seja, porque se sente útil à coletividade. Como os seres humanos têm constituição e resistência orgânicas diferentes, uns cansam mais facilmente que outros.Nesse ponto, necessitamos aprender a conhecer o próprio corpo, utilizando e condicionando o organismo conforme a estrutura física de cada um. Muitas vezes a mente quer, mas faltam energias.

Por isso, os Espíritos amigos alertam, na questão 683 de O Livro dos Espíritos, que o limite do trabalho é o das forças de cada um. De par com o trabalho, temos outra lei natural correspondente: a do repouso – descanso necessário ao refazimento do corpo físico e do intelecto, o qual não deve ser confundido com preguiça ou ociosidade, que constitui o descanso inoperante, imerecido. As consequências para o Espírito que permanece no ócio são a estagnação da inteligência, a rotina, a sensação de inutilidade, o tédio e o crescimento do mal. Contudo, não basta trabalhar. É preciso desempenhar o serviço com retidão: “O dever, lealmente cumprido, mantém a saúde da consciência”. (4)

O terceiro mandamento da lei mosaica, (5) que determina a guarda do sábado, representa, na realidade, o estabelecimento do descanso semanal como medida útil destinada a proteger o corpo do esgotamento resultante do trabalho. Os hebreus fizeram disso uma questão moral obrigatória, que foi assimilada por vários segmentos religiosos e perdura até hoje, com a adoção de um dia específico da semana reservado exclusivamente para descansar e louvar a Deus.

Jesus, entretanto, que também trabalhava aos sábados, curando e consolando os enfermos, deixou bem claro que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, (6) acentuando, ainda, que “meu Pai trabalha até hoje, e eu também”. (7) O bom senso nos diz que não é preciso, rigorosamente, descansar ou louvar a Deus num dia especificamente reservado para isso, seja domingo ou sábado. Afinal, tudo na vida é trabalho. Até o corpo humano trabalha, mesmo durante o repouso, como é o caso do cérebro e do coração. Certas instituições e profissionais, com os seus plantões, trabalham continuamente. Impraticável, pois, paralisar o mundo por causa de um dia do calendário humano. O que importa é que todos cultivemos os valores espirituais e descansemos,em momentos próprios, de acordo com as necessidades e conveniências de cada um, de sua profissão, de suas atividades, de seus limites.

Não se olvide, porém, a existência de abusos nessa área, sobretudo nos grandes centros urbanos, onde certas pessoas adquirem comportamentos compulsivos, em relação à atividade laboral. São conhecidas como workaholics, palavra inglesa que designa os indivíduos viciados em trabalho, seja por ambição ou ganância, seja por fuga psicológica ou outro motivo qualquer. Consideremos ainda a aposentadoria: mais que uma época destinada ao repouso, vem a ser um prêmio ao esforço despendido pelo homem, que lhe proporciona o indispensável sustento nos dias de velhice, período em que se lhe desvanecem as forças, o poder criativo e a agilidade na execução das tarefas de subsistência. É importante ressalvar, porém, que o declínio das atividades físicas na velhice se deve ao desgaste do corpo, mas o Espírito continua senhor de suas faculdades e do progresso alcançado.

Atualmente, o avanço da Medicina e das condições sociais permite ao homem o aumento gradativo de sua expectativa de vida. Sendo assim, mesmo quando se aposenta, não é recomendável ao indivíduo manter-se ocioso. Deve, aproveitando-se da experiência adquirida, procurar substituir a sua rotina por alguma atividade edificante, embora mais leve e mais adequada às suas aptidões, gostos e forças, de preferência em benefício do próximo, no trabalho voluntário, para que suas energias não venham a se deteriorar, lançando o na depressão e na sensação de inutilidade:

A evolução, a competência, o aprimoramento e a sublimação resultam do trabalho incessante. Quanto mais se nos avulta o conhecimento, mais nos sentimos distanciados do repouso. A inércia opera a coagulação de nossas forças mentais, nos planos mais baixos da vida. [...]  (8)

Isso não quer dizer que devemos esperar a aposentadoria, para só então praticar o bem, o qual podemos fazer diariamente, conciliando o com nossas tarefas normais, o que já nos servirá de planejamento e exercício para os dias de inatividade profissional. Grande número de pessoas não tem consciência da importância dessa fase. Muitas delas, no afã de gozarem a vida, interrompem as atividades profissionais na plenitude de suas forças físicas, sem qualquer preparo psicológico para administrar o seu tempo livre, e acabam adoecendo ou enveredando-se em vícios perniciosos à saúde física e moral. Para nos precatarmos contra esses males, é importante que nos conscientizemos de que o trabalho é uma dádiva que Deus nos conferiu para conquistarmos a redenção intelecto-moral por nosso próprio merecimento.

Depois destas reflexões, concluímos, com os Espíritos superiores, que o trabalho, seja ele profissional ou caritativo juntamente com a oração, constitui não só o móvel do progresso do ser, mas também a mais poderosa proteção contra o mal, uma vez que possibilita ao Espírito corrigir as imperfeições e disciplinar a própria vontade.



Christiano Torchi

Reformador Ago.2010


(1)Leon Denis - Depois da Morte – Cap. 52
(2)Espírito Emmanuel - Caminho Verdade e Vida – Cap.4
(3)Genesis, 3:19
(4)André Luiz – Conduta Espírita – Cap.8
(5)Êxodo, 20:8-11
(6)Marcos, 2:27
(7)João, 5:17
(8)André Luiz – Entre a Terra e o Céu – Cap.11

sábado, 5 de novembro de 2011

A CHARRUA DA EXISTÊNCIA TERRENA


 Uma fazenda serpenteada por caudaloso rio... Ventos suaves balsamizavam o ambiente naquela manhã outonal. Flores silvestres, multicores, formavam lindo tapete. Pássaros canoros iam e vinham. Musicalidade sublime patenteava na Natureza. Escreveu o Espírito Vianna de Carvalho: “A Natureza é um templo, no qual o coração se faz altar, convidando o ser à comunhão com a vida.”
Encostado na cerca de madeira, observava eu, com o olhar lúcido, um trabalhador que movimentava a charrua (arado grande de ferro) no amanho da terra, destinada ao plantio de arroz. Uma lembrança penetrou rapidamente o meu pensamento.
Certa vez, meu guia espiritual, solidário com o cipoal de dificuldades com o qual me deparava, disse-me afetuosamente: “Pegue a sua charrua e siga em frente, pois eu não o abandonarei nunca.” Viandantes da estrada terrena, cada um de nós possui a sua charrua particular, nascida da herança dos próprios atos. Olhando aquele quadro, de meu inconsciente brotou uma frase, anotada de algum livro: “O bem que distendemos pelo caminho é eterna semente de luz que plantamos no solo do futuro, por onde um dia chegarão nossos pés.” O homem e a charrua continuavam na sua faina...
Minha mente percorreu os hospitais, os cárceres, as favelas, os cortiços, os leprosários, os asilos, os orfanatos, os manicômios. São os portadores da charrua da dor e do sofrimento. Despontou em meu íntimo uma frase lapidar, emanada de um grande Espírito: “O rio das lágrimas tem suas nascentes no pretérito espiritual. Há dores que funcionam como reparação de culpas, reeducação disciplinadora e dores que constituem o aguilhão, impelindo-nos para frente.”
O trabalhador suarento movimentava a charrua e afastava os pedregulhos encontrados.
(...) Devemos converter as pedras do nosso orgulho em pães da humildade e do amor fraternal – recordava-me naquele instante de um escrito do Espírito Victor Hugo.
Um sabiá-laranjeira saltitava alegremente à procura de alimento, embelezando o ambiente. Ao longe, o gado passeava molemolente na pradaria. Pouco além, os silos guardavam as sementes que logo seriam plantadas. Outro magnífico ensinamento, retirado de um romance espírita, eclodiu-me no cérebro: “Armazena os grãos da vida, aprimorando a terra íntima do espírito para fecundá-los oportunamente.” Agradável aroma de terra revolvida era aspirado a plenos pulmões.
Leve chuva começava a cair, misturada aos raios de sol no horizonte. Educativa frase de um mentor espiritual surgiu-me na tela mental: “No terreno arroteado das nossas almas, as sementes, aquecidas pelo sol do amor deverão germinar com maior pujança, sob a chuva das bênçãos divinas.” E a charrua sulcava a terra... sacos de adubos lá estavam para serem depositados no terreno. “É sábio todo aquele que da luta retira os benefícios que o dignificam e deixa como adubo para outras conquistas os cadáveres das paixões vencidas”, escreveu o Espírito Victor Hugo. Meditando sobre aquele instrumento de trabalho, dou meia volta e sigo outros caminhos, relembrando palavras do Mentor Espiritual Emmanuel: “É necessário que o homem sincero tome lições com o Divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos à ‘terra de si mesmo’.”

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

É MAIS GRATIFICANTE

Paul ganhou de seu irmão, como presente de Natal, um automóvel novo.

No dia de Natal, quando Paul saiu de casa, percebeu que um moleque de rua estava andando em volta de seu brilhante carro zero, admirando-o.

Este carro é seu? Perguntou o menino.

Paul confirmou com a cabeça. Meu irmão me deu de presente no Natal.

O garoto estava maravilhado. Quer dizer que seu irmão deu a você e você não gastou nada? Cara, eu queria...

Paul julgou saber como o garoto completaria a frase. Por certo iria dizer que queria um irmão como o dele.

Mas o que o moleque disse deixou Paul perplexo.

Eu queria, continuou o garoto, poder ser um irmão assim.

Paul olhou para o garoto surpreso e, impulsivamente, lhe perguntou: Você gostaria de dar uma volta no meu automóvel?

Sim, eu adoraria.



Depois de uma voltinha, o menino virou-se e, com os olhos resplandecentes disse: Você se importa de passar em frente à minha casa?

Paul sorriu consigo mesmo, pensando que sabia exatamente o que o moleque queria. Certamente desejava mostrar aos vizinhos que podia voltar para casa num carrão.

Mas Paul se enganara outra vez.

Você dá uma paradinha ali onde estão aqueles dois degraus? Pediu o menino.

O garoto saiu do carro e subiu os degraus correndo. Logo, Paul o viu voltando. Mas não estava mais andando rápido, estava carregando seu irmãozinho paralítico.

Fê-lo sentar no degrau de baixo e, abraçando-o com força, mostrou o carro.

Lá está Buddy, exatamente como eu contei lá em cima! O irmão deu o carro a ele de presente de Natal e isso não lhe custou nem um centavo.

Algum dia eu vou dar a você um como este... Daí, você vai poder ver, por você mesmo, as coisas bonitas. As vitrinas enfeitadas no Natal, as ruas e árvores iluminadas, as belezas enfim, sobre as quais eu tenho tentado contar a você.

Paul saiu do carro, pegou o garotinho no colo e o colocou no banco da frente, a seu lado.

O irmão mais velho, com olhos brilhantes, sentou-se ao lado dele e os três começaram um inesquecível passeio de Natal.

Naquele momento, Paul compreendeu que é mais gratificante dar...



Uma história, uma lição...



Nesses tempos de tanto egoísmo, de individualismo e indiferença para com o sofrimento alheio, vale a pena refletirmos um pouco sobre esses pequenos gestos, que tanto engrandecem o homem.

Nesses tempos em que as criaturas estão ávidas por ter, e ter cada vez mais, vale pensarmos em conjugar o verbo ser.

Ser atencioso, ser caridoso, ser afetuoso, enfim, romper a concha do egoísmo e descobrir na doação aos semelhantes, a alegria de viver.



Pense nisso!

Diz um sábio provérbio chinês:



Se há luz na alma, haverá beleza na pessoa.

Se há beleza na pessoa, haverá harmonia no lar.

Se há harmonia no lar, haverá ordem na nação.

Se há ordem na nação, haverá paz no mundo.


Pensemos nisso!



Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DOENÇA E OPORTUNIDADE


Vez por outra nossa rotina é interrompida pelo advento de uma doença.
Então somos forçados a parar ou, pelo menos, a diminuir o ritmo de nossos afazeres.
É interessante que, em tais situações, invariavelmente reclamamos do incômodo, do transtorno, das tarefas interrompidas, etc.
No entanto, se analisarmos o fato do ponto de vista do espírito imortal e à luz dos ensinamentos espíritas, vamos chegar a reflexões interessantes…
Adoecemos porque o corpo físico deu um sinal de que algo não vai bem e é preciso atenção e cuidado. Na verdade, em muitos casos, o sinal já vem sendo dado há muito tempo, mas teimamos em não escutar porque nossa agenda não tem espaço para interrupções.
O corpo físico, entretanto, é só uma parte da estrutura do espírito encarnado.
Na sua integralidade, o encarnado é constituído pelo espírito imortal, o perispírito e o corpo material. Elementos que interagem e cujo estudo é fonte de muito esclarecimento para que possamos entender bem essa máquina complexa que é nosso instrumento de evolução.
Através dessa estrutura magnífica, o espírito encarnado vivencia as experiências do plano material, adquirindo cada vez mais conhecimentos que o auxiliarão a ampliar sua capacidade intelectual e moral, possibilitando um maior entendimento do real sentido da vida, para que então possa fazer escolhas mais compatíveis com as leis divinas.
Quando a doença nos atinge, somos forçados a perceber que o corpo não é indestrutível, que a ferramenta de trabalho precisa de cuidado e atenção constante, para que a tarefa possa ser cumprida conforme programada antes da nossa encarnação.
Então, podemos encarar a doença como oportunidade de rever nossas escolhas na vida. Refletir quais estão sendo nossos compromissos diários. Será que não estamos sobrecarregando o corpo, sem permitir o adequado descanso, necessário ao refazimento das forças físicas? Será que nossa alimentação, nessa vida tão corrida, não está sendo descuidada? Será que nosso temperamento irritado, intolerante, orgulhoso, ansioso, excessivamente preocupado não tem, igualmente, sobrecarregado nosso psiquismo e desarmonizado, com fluidos negativos, toda a estrutura orgânica, a ponto de criar verdadeiros nós vibratórios que desencadeiam muitas das doenças que conhecemos, principalmente as de natureza crônica ou autoimunes?
São muitas as prováveis causas dos nossos males físicos, mas é quase certo que, na sua grande maioria, tais causas estão relacionadas ao nosso desvio do “saudável caminho do meio”, como fala o Espírito Miramez. Bom senso, equilíbrio, cuidar do corpo e da mente, ter consciência de que somos espíritos imortais vivenciando uma etapa do maravilhoso projeto divino de evolução, projeto traçado especialmente para cada um de nós e possível através da ferramenta do corpo físico.
E, cada um traz consigo o corpo físico mais adequado e próprio para cumprir com esta etapa. Não é por acaso que somos como somos, até porque, como esclarecem os Benfeitores Espirituais, “o acaso não existe”. Somos todos diferentes, pois as necessidades de cada um são particulares, e é por isso que não existe uma receita única para o problema da saúde física e mental.
Cada um deve cuidar de se conhecer cada vez mais, tanto na esfera material como espiritual, pois o conjunto é uno, e o que projetamos da esfera mental interfere na física e vice-versa.
Abençoada doença! Seja descuido nosso na atual existência ou programação reencarnatória, o fato é que devemos aproveitar aquele momento para renovar nossa fé e nossa confiança em Deus, para refletir e adotar novas posturas na vida. É certo que ainda teremos muitos problemas físicos a enfrentar, e o segredo é como vamos decidir passar por tal experiência. Que possamos encarar tais situações como nos orientam os Espíritos mais elevados, aproveitando a oportunidade e agradecendo a Deus, pois, se sua lei é justa, justa é a causa da doença.
SEI 2181