domingo, 13 de novembro de 2011

OS "SÁBIOS" E A VERDADEIRA SABEDORIA



 "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus". Jesus inicia seu mais importante discurso, o Sermão do Monte, abençoando os pobres de espírito. E por pobres de espírito ele classificava os que possuíam humildade e simplicidade de coração, que eram discriminados pelos sábios e doutores daquele tempo, sendo colocados à parte como pessoas ignorantes e sem direito a adquirir conhecimento. Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando comenta esta frase de Jesus, diz que os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção.
Ao longo da história da humanidade constata-se que o homem, caminhando sempre pautado em seus próprios pensamentos e conceitos sobre a vida, sofreu enormemente as conseqüências de sua ignorância. Sem compreender a sua natureza divina e, portanto, imortal, e sem qualquer ajuda nesse sentido para que tivesse um entendimento superior sobre a vida, nada mais natural que assim fosse. Afinal, faz parte do amadurecimento do Espírito a luta pela construção de um pensamento mais justo que norteie as sociedades de maneira geral. O homem da atualidade, porém, já não pode dar a mesma desculpa, uma vez que atravessou todo esse pântano trevoso do conhecimento, palmilhou com sacrifício o século das luzes e adentrou no mundo moderno com toda a comodidade que a inteligência pode proporcionar ao homem, hoje cibernético e na era da chamada pós-modernidade. Com toda a ajuda possível para que tenha uma melhor compreensão acerca das suas ricas experiências de vida, deveria voltar-se finalmente para as questões mais essenciais da existência, quais sejam: quem é, de onde vem e para onde vai depois da morte.
Recentemente, uma conhecida revista de circulação nacional trouxe matéria com um psicólogo americano que se diz numa cruzada contra as crendices, mitos, superstições e tudo o que considera tolices. E nesse pacote inclui naturalmente a imortalidade da alma, a existência dos Espíritos e a comunicação entre os dois mundos. O doutor, que se considera um cientista, só crê no que vê e no que pode ser provado pelos estreitos limites da ciência ortodoxa. Afirma que acreditar em Espíritos é pernicioso, pois "quem acredita nisso pode acreditar em qualquer coisa". Mais adiante, entre outras coisas, diz que não há nenhuma evidência de que exista de fato vida após a morte e lança o anátema sobre a mediunidade e em todas as crenças, engrandecendo a ciência como única forma de crescimento e progresso para o homem. Em seu cartesiano pensamento, evidentemente não trabalha com a possibilidade de estar equivocado, e se define com um agnóstico, considerando Deus como um "problema insolúvel". O referido doutor é diretor da Sociedade dos Céticos, uma espécie de ONG, cujo nome por si só denota sua natureza e finalidade.
É certo que pessoas com esse pensamento existem a granel no seio desta humanidade. O homem inteligente, por sua imaturidade espiritual, pode fazer dessa ferramenta o móvel de sua desgraça. A soberba e a prepotência que alberga na alma exacerba-se substancialmente na presença de mentes privilegiadas que, não compreendendo que são agraciadas por Deus com sua inteligência por um justo motivo, fazem como o mau jardineiro que em vez de trabalhar no jardim com a enxada que lhe foi dada, ergue-a para ferir o seu Senhor, destruindo entre os homens a idéia da Providência, de uma inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. O orgulho do saber não o deixa entrever suas limitações e o faz expor-se de forma triste diante da vida, colocando-se muitas vezes como pai e mãe de todo o conhecimento, por deter o entendimento de uma pequena parte que a ciência pode alcançar com os olhos vesgos de uma época ainda incipiente em termos de compreensão da Verdade. O mundo, naturalmente, aplaude e reverencia.
É ainda Allan Kardec quem instrui sobre os inteligentes tolos: "Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível o que não compreendem... Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível". É evidente que o mestre lidou naquela época com a mesma doença. Só não contava que após quase um século e meio das verdades que trouxe ao planeta, a humanidade ainda estivesse dando ouvido a quimeras, festejando a zombaria de "cientistas" cegos, que não tem olhos de ver nem para separar joio de trigo, quanto mais para compreender que a verdadeira ciência caminha sempre com a idéia da limitação, simplesmente porque esbarra em uma sabedoria inalcançável aos diversos saberes humanos. Mas só a humildade é capaz de entender tal coisa. A prepotência valoriza os títulos dos doutores do mundo ao invés de buscar aprender a sabedoria de Deus.
E o que esperar de uma sociedade que se conduz pelas idéias do materialismo? O que acontecerá com os homens que vivem segundo a doutrina egoísta do niilismo, que prega a supremacia do eu, que acredita mais em si mesmo do que em Deus? O tempo dirá, pois chegará o dia em que eles se curvarão às evidências de suas inferioridades e verão que apesar de todo o conhecimento que supõem ter, jamais poderão aumentar um centímetro de sua estatura. Significa dizer que ficarão impotentes diante da Lei de Deus, quando chegar a hora de colherem os frutos de suas pobres semeaduras. E assim será. E para os pobres de espírito, ou seja, para os que possuem simplicidade e humildade de espírito, que venha o reino de Deus.

Mensagem mediúnica
O MAIOR NO REINO DE DEUS

"Que as bênçãos do Altíssimo desçam sobre vossas cabeças, discípulos da fé! Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre, em um dos seus discursos magistrais, declarou que o maior no reino dos céus seria aquele que melhor servisse ao seu irmão. Tão estranho ensino permaneceu mudo pelos séculos afora no coração dos homens. No despertar da terceira revelação de Deus aos homens, os Espíritos superiores trouxeram a chave dessa sabedoria, alicerçando o pensamento da doutrina de Jesus na lei de causa e efeito, na pluralidade dos mundos e nas múltiplas existências carnais do Espírito.
Nenhum homem entrará no entendimento do que seja o melhor servo em uma vida só, pois o verdadeiro servir passa pelos estágios da compreensão, entendimento e prática da Lei, coisa que não poderá ser plena e definitiva para o Espírito de uma só vez, em uma única existência carnal.
Caríssimos irmãos, como podereis compreender tal coisa se em vossos corações ainda pululam os germes da importância pessoal, do amor próprio e do egoísmo? Como podereis adentrar no reino de Deus se todo o vosso entendimento está entorpecido pelo vosso orgulho que não vos permite perceber quem sois verdadeiramente? Oh! Pobres criaturas que coam mosquitos e engolem camelos, não deixeis passar por vós esta exuberante oportunidade de serdes melhor a cada dia. Procurai em vossas intimidades a causa de vossos aborrecimentos, de vossas angustiosas noites mal dormidas e podereis identificar cada razão, dando nome a cada uma delas.
Deixai de lado vossos interesses pessoais e vos dedicais com afinco ao estudo e ao santo trabalho que vos foi confiado, quaisquer que seja ele, e vereis que vossas vidas serão transformadas pela ação benfazeja das forças espirituais que trabalham em nome do Bem. Sede fervorosos em vossas preces , diligentes nos cuidados, cuidando-vos uns dos outros.
Refreai a vossa língua e respeitai-vos como irmãos verdadeiros, mortificando vossas más inclinações nas relações cotidianas e disciplinando vossos pensamentos e vossa conduta como homem de Deus que convive no mundo. Alerta, pois, trabalhadores do Senhor! A seara é grande, mas os trabalhadores são muito poucos. Vós fostes chamados e estais entre eles. Avante, pois! Que Jesus vos abençoe. Graça e Paz sejam com todos."  
Espírito: João de Arimatéia
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec

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