sábado, 31 de dezembro de 2011

OFEREÇA A OUTRA FACE


Quando falou que se alguém nos batesse numa face, deveríamos oferecer a outra, expressou um grandioso ensinamento que, se levado em conta, teríamos a solução para todas as situações desagradáveis que surgissem em nossa vida.
Oferecer a outra face não quer dizer dar o rosto para bater. É uma metáfora que sugere que se a situação nos chega de forma desagradável, devemos mostrar a face oposta.
Dar a outra face é mudar a paisagem, é uma ação positiva diante de uma negativa.
Assim, quando todos atiram pedras, ofereça uma flor.
Quando todos caminham para o lado errado, mostre o passo certo.
Se tudo estiver escuro, se nada puder ser visto, acenda você uma luz, ilumine as trevas com uma pequena lâmpada.
Quando todos estiverem chorando, dê o primeiro sorriso; não com lábios sorridentes, mas com um coração que compreenda, com braços que confortem.
Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho, ensine, começando por aprender, corrigindo-se a si mesmo.
Quando alguém estiver angustiado, mostre-lhe a face do conforto.
Se encontrar alguém em desespero, acene com a esperança, mesmo que isso seja um desafio para você mesmo.
Quando a terra dos corações estiver seca, que sua mão possa regá-las.
Quando a flor do afeto estiver sufocada pelos espinhos da incompreensão, que sua mão saiba arrancar a praga, afagar a pétala, acariciar a flor.
Onde haja portas fechadas para o entendimento, leve a chave da concórdia e da compreensão.
Onde o vento sopra, frio, enregelando corações, que o calor de sua alma seja proteção e abrigo.
Se alguém caminha sem rumo, mostre-lhe as pegadas que conduzem a um porto seguro.
Onde a crítica azeda for o assunto principal, ofereça uma palavra de otimismo, um raio de esperança, uma luz que rompe as trevas e clareia o ambiente mental.
Quando todos parecerem perdidos, mostre o caminho de volta.
Quando a face da solidão se mostrar como única alternativa na vida de alguém, seja uma presença que conforta, ainda que uma presença silenciosa.
Onde o manto escuro da morte se apresenta como um beco sem saída, fale da vida exuberante que aguarda os seres que fazem a passagem pela porta estreita do túmulo.
Seja você a oferecer a face sorridente e otimista da vida, onde a tristeza e o pessimismo marcam presença.

Pense nisso!
Num dia, que não vai muito distante, um homem especial nasceu na região da úmbria, na Itália.
Ele ficou conhecido como Francisco de Assis, pois foi em Assis que ele nasceu.
Aquele homem singular sabia o que Jesus pretendeu dizer quando falou sobre oferecer a outra face.
Sua vida foi um hino de paz, e sua oração ficou imortalizada nas páginas da história, como a oração de Francisco de Assis.
Ele pede ao senhor: “faze de mim um instrumento da tua paz”.
Onde houver ódio, faze que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erros, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Eis um homem que foi um verdadeiro instrumento da paz.

Equipe de Redação do Momento Espírita. Com base em mensagem de autoria ignorada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

TESTEMUNHAS


A percepção que nós, encarnados e desencarnados, temos do mundo, do que ocorre à nossa volta, é proporcional à elevação do Espírito. À medida que vamos despertando novos patamares de consciência, por força do trabalho, da experiência e do progresso moral-intelectual, numa palavra, por força do merecimento, nossa percepção da realidade vai se ampliando.
Há tantas coisas acontecendo ao nosso redor que, se fosse possível assimilar todas, ao mesmo tempo ou de uma só vez, enlouqueceríamos.
Por isso, nosso foco de atenção é geralmente direcionado, de forma instintiva, às nossas necessidades e interesses imediatos.
Enquanto encarnados, habitamos um corpo denso que obscurece as percepções que temos do mundo que nos cerca. Captamos a realidade por meio dos limitadíssimos sentidos físicos: visão, audição, tato, paladar e olfato, que poderíamos designar por “janelas da alma”.
Entretanto, há outros canais que favorecem a eclosão das nossas potencialidades, por meio dos quais estamos em permanente contato com o mundo espiritual, ainda que inconscientemente: são os nossos pensamentos, a intuição, que alguns chamam de “sexto sentido”. Para isso, não é preciso que sejamos médiuns ostensivos, que dispõem das faculdades de clariaudiência e clarividência, por exemplo.
Os Espíritos desencarnados, livres da indumentária física, são bem mais sensíveis aos nossos apelos mentais, razão pela qual os atraímos com muita facilidade, pois somos todos quais “antenas psíquicas”, que tanto recebemos como emitimos ondas mentais, vibrações, em autêntico processo de sintonia – a base do fenômeno mediúnico.
O apóstolo Paulo nos fala, em Hebreus (12:1), sobre a “nuvem de testemunhas”, referindo-se aos Espíritos que nos observam e que nos alcançam onde estivermos, porque para eles não há barreiras físicas. A pergunta é: Que tipo de testemunhas nos acompanha?
Estamos sendo constantemente observados e influenciados, onde quer que estejamos no corpo ou fora dele. Temos testemunhas encarnadas, que são nossos familiares, os vizinhos, os colegas de trabalho, os amigos da roda social, em todos os setores da vida de relação. Tudo aquilo que sentimos, pensamos e fazemos igualmente pode interferir, de alguma forma, na vida de outras pessoas. Bem disse o filósofo anônimo, em poética hipérbole: “Um simples pensamento é capaz de afetar uma estrela!”.
Daí urge que zelemos sempre por uma conduta digna, para que os observadores tenham em nós um exemplo positivo em que se espelhar.
Se, por um lado, durante a vigília, temos como nos furtar às testemunhas encarnadas, recolhendo-nos em lugares privados, não temos, por outro, como fugir às testemunhas desencarnadas.
A qualidade de nossos pensamentos e de nossas ações é determinante para se aferir a categoria de Espíritos que nos espreitam.
É como se eles “ouvissem” nossos “acordes” mentais.
Entre tantos outros, no livro Sexo e Destino, de autoria do Espírito André Luiz, psicografado pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, encontramos diversos exemplos que ilustram a influência recíproca entre encarnados e desencarnados.
Particularmente, chamamos a atenção para o capítulo 6, primeira parte, em que o autor espiritual descreve a presença de dois desencarnados de baixa categoria moral, que montavam guarda no apartamento de Cláudio (encarnado), em preparativos de ações infelizes. Um deles, desejoso de fruir, irresponsavelmente, os prazeres da bebida alcoólica, induz o chefe de família, que lia um jornal em confortável poltrona, a tomar um gole de uísque, gesto repetido por influência do outro comparsa de aventuras.
Sendo a Terra um dos minúsculos orbes de nossa galáxia, ainda nas faixas evolutivas menos avançadas, sobretudo no aspecto moral, não é de se estranhar a preponderância de más companhias espirituais.
Entretanto, depende de nós modificar esta realidade, alterando nosso modo de sentir, pensar e proceder, pela reconstrução gradual de nossos hábitos.
Em realidade, a influência mental entre os encarnados e os desencarnados é um fato corriqueiro e incessante. Os Espíritos são uma das forças da Natureza e agem conforme essas leis. A interferência exercida por eles em nossos pensamentos e atos, tanto para o bem quanto para o mal (dependendo da natureza moral da Entidade influenciante) é tão grande que, a este respeito, foi dito a Kardec, em O Livro dos Espíritos, na questão 459: “[...] Influem [os Espíritos] a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.
O Benfeitor Emmanuel, em belíssima página, intitulada “As testemunhas”, desenvolve, com precisão, o assunto:
Este conceito de Paulo de Tarso merece considerações especiais, por parte dos aprendizes do Evangelho.
Cada existência humana é sempre valioso dia de luta – generoso degrau para a ascensão infinita – e, em qualquer posição que permaneça, a criatura estará cercada por enorme legião  de testemunhas. Não nos reportamos tão-somente àquelas que constituem parte integrante do quadro doméstico, mas, acima de tudo, aos amigos e benfeitores de cada homem, que o observam nos diferentes ângulos da vida, dos altiplanos da espiritualidade superior.
Em toda parte da Terra, o discípulo respira rodeado de grande nuvem de testemunhas espirituais, que lhe relacionam os passos e anotam as atitudes, porque ninguém alcança a experiência terrestre, a esmo, sem razões sólidas com bases no amor ou na justiça.
Antes da reencarnação, Espíritos generosos endossaram as súplicas da alma arrependida, juízes funcionaram nos processos que lhe dizem respeito, amigos interferiram nos serviços de auxílio, contribuindo na organização de particularidades da luta redentora... Esses irmãos e educadores passam a ser testemunhas permanentes do tutelado, enquanto perdura a nova tarefa, e lhe falam sem palavras, nos refolhos da consciência. Filhos e pais, esposos e esposas, irmãos e parentes consanguíneos do mundo são protagonistas do drama evolutivo. Os observadores, em geral, permanecem no outro lado da vida.
Faze, pois, o bem possível aos teus associados de luta, no dia de hoje, e não te esqueças dos que te acompanham, em espírito, cheios de preocupação e amor.
Nesta mensagem psicográfica, reportada pelo Benfeitor espiritual do médium, o apóstolo nos fala, com particular afeição, de outro tipo de testemunhas, aquelas que tutelam nossa jornada terrena, nossos guias ou protetores que nos estimulam para o bem, enquanto aguardam pacientes, por nossa melhoria, por nossa redenção espiritual.
Quando nos dispomos, efetivamente, a melhorar e a viver conforme as leis divinas, esforçando-nos por entender e vivenciar as lições de Jesus, as boas testemunhas redobram a vigilância, auxiliando-nos a evitar os equívocos, as quedas, e protegendo-nos dos males da ignorância, o que fortalece em nós a vontade e a fé em Deus.
Concluímos, pois, que nossos guardiões estão sempre dispostos a nos auxiliar, nos lances da vida, mas não nos iludamos: eles não farão por nós o que podemos e devemos fazer por nossas próprias forças: “Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará”.
Por fim, não nos esqueçamos de que a maior testemunha de nossos pensamentos e atos é a própria consciência, a lei divina insculpida em nós.

Reformador Janeiro 2009

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

RENOVAÇÃO


            Na passagem ou no reinicio do calendário, terrestre, de mais um ano de atitudes, saibamos renovar nossos ideais, fazendo-os cada vez mais, atuantes, cada vez mais fortes, cada vez mais belos.
            Saibamos renovar nossos hábitos, tornando-os sempre mais justos, purificados e bons.
            Saibamos renovar nossa palavra, tornando-a mais e mais equilibrada, mais e mais voltada para Deus, revestindo-a de sentimento.
            Saibamos renovar nossos gestos, para que de imperativos, passem a ser convidativos, de modo que quem  nos veja agir sinta em nós a pessoa que deseja ajudar, e não a que deseja  mandar.
            Saibamos renovar nossos sentimentos, para que eles não sejam egoístas, mesquinhos, infelizes; ao contrário, que eles sejam úteis, elevados, sempre mais elevados.
            Saibamos renovar, a própria aparência, para que ela seja sempre um sinal de transformação, de um estado de renovação, um estado de melhoria íntima.
            Saibamos renovar hábitos, palavras e pensamentos, porque Deus é constante renovação e o homem, seu filho, deverá acompanhar a atitude paterna superior, para que também seja considerado como um ser renovado diariamente.
            Que Deus nos ajude neste momento, neste instante de coragem, em que precisamos renovar!
            Que Deus nos ajude no ano que se inicia, mostrando-nos a necessidade de renovação!
            Que sejamos encarados como espíritos renovados para o bem, não só hoje, mas sempre!
            Que Deus ajude a todos, hoje e sempre!
            Que assim seja!

               Espirito do Dr. Hermamm   

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

VARIAÇÕES DE HUMOR


-Eu estava muito bem, saudável, animado... De repente , sem motivo palpável , caí na "fossa" - uma angústia invencível , uma profunda sensação de infelicidade, como se a vida não tivesse mais graça...
Queixas assim são frequentes nas pessoas que procuram o Centro Espírita. Nesse estado toma corpo, não raro, a idéia de que a morte é a solução.
Conversávamos certa feita, num hospital, com um rapaz que tentara o suicídio ingerindo substância tóxica. Socorrido a tempo, amargava sofrida recuperação.
Tentamos definir o motivo de tão grave iniciativa:
-Alguma desilusão sentimental?
-Absolutamente. Não tenho namorada.
-Problemas familiares?
-Pelo contrário. Dou-me muito bem com meus pais e irmãos.
-Perdeu o emprego?
-Trabalho há anos na mesma firma. O patrão parece contente comigo.
-Então, o que foi?
-É que eu estava entediado de viver. Entrei em estado de tristeza e achei que seria melhor morrer.
-Já se sentiu assim, anteriormente?
-Sim, de vez em quando...
*****
Em psicologia o paciente poderia ser definido como ciclotímico , alguém com temperamento sujeito a variações intensas de humor - alegria e tristeza , euforia e angústia , serenidade e tensão. Tem períodos de grande energia, confiança, exaltação, alternados com aflições. Muita disposição e iniciativas hoje; amanhã temores e inibições.
Os períodos negativos podem prolongar-se, instalando a depressão, a exigir tratamento especializado na área da psiquiatria. Como ela se alterna com estados de euforia, em que o paciente parece totalmente recuperado, sem que nada tenha ocorrido para justificar a mudança de humor, emprega-se a expressão "depressão endógena”, algo que tem sua origem nas tendências constitucionais herdadas, algo que faz parte da personalidade do indivíduo.
Há uma retificação a fazer. A tendência à depressão é uma herança, realmente, não de nossos pais, mas de nós mesmos, porquanto as características fundamentais de nossa personalidade representam, essencialmente, a soma de nossas experiências em vidas pretéritas.
O que fizemos no passado determina o que somos no presente. Poderíamos colocar em dúvida a justiça de Deus se assim não fosse, porquanto é inadmissível, além de não encontrar respaldo científico, a existência de uma herança psicológica embutida nos elementos genéticos.
O que pesa sobre nossos ombros, favorecendo os estados depressivos, é a carga dos desvios cometidos, das tendências inferiores desenvolvidas, dos vícios cultivados, do mal praticado. Há pessoas que, pressionadas por esse peso mergulham tão fundo na angústia que parecem cultivar a volúpia do sofrimento, com o que comprometem a própria estabilidade física, favorecendo a evolução de desajustes intermináveis.
*****
De certa forma somos todos ciclotímicos, temos variações de humor, sem que isso se constitua num estado mórbido: hoje em paz com a vida; amanhã brigados com a humanidade. Nas nuvens por algum tempo; depois na "fossa".
E nem sempre, como ocorre com o paciente ciclotímico, há justificativa para essa alternância. Pelo contrário: frequentemente nosso humor opõe-se às circunstâncias, como o indivíduo plenamente realizado no terreno afetivo, social e profissional que, não obstante, experimenta períodos de angústia; no outro extremo, o doente preso ao leito, padecendo dores e incômodos, que tem momento de indefinível alegria e bem - estar.
Essa ciclotímia guarda relação com os processos de influência espiritual. Estados depressivos podem originar-se da atuação de Espíritos perturbados e perturbadores, que consciente ou inconscientemente nos assediam. Popularmente emprega-se o termo "encosto" para esse envolvimento.
Por outro lado, os estados de euforia, sem motivo aparente, resultam do contato com benfeitores espirituais que imprimem em nosso psiquismo algo de suas vibrações alentadoras.
-Hoje estou em estado de graça. Acordei bem disposto, feliz, sem nenhum "grilo" na cabeça - diz alguém, sem saber que tal disposição é fruto de ajuda recebida no plano espiritual durante as horas de sono físico, favorecendo lhe um "alto astral".
*****
Importante lembrar, também, o ambiente como fator de indução que pode precipitar estados de depressão, ou euforia.
Num velório, onde os familiares do morto deixam-se dominar pelo desespero, em angústia extrema, marcada por gritos e choro convulsivo, muita pessoas se sentirão deprimidas, porquanto os sentimentos negativos são tão contagiosos como uma gripe. Se não possuímos defesas espirituais tenderemos a assimilá-los com muita facilidade.
Inversamente, comparecendo a uma reunião de cunho religioso, onde se cultua a prece, no empenho de comunhão com a Espiritualidade, ouvindo exortações relacionadas com a virtude e o bem, experimentaremos maravilhosa sensação de paz, como se houvéssemos ingerido milagroso elixir.
Há outro aspecto muito interessante, abordado pelo Espírito François de Genève, no capítulo V, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo":
“Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida”? É que o vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia e vos julgais infelizes.
"Crede-me, resisti com energia a essas impressões, que vos enfraquece a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor; mas, não a busqueis neste mundo e, agora , quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem , para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva , aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantém cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra , tendes que desempenhar uma missão de que não suspeitais , quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para suportá-los. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra."
*****
Podemos concluir, em resumo, que a ciclotimia de nossa personalidade ocorre em função de pressões ambientes, de influências espirituais, do peso do passado e das saudades do além.
E como superar as variações de humor, mantendo a serenidade e a paz em todas as situações?
É evidente que não a faremos da noite para o dia, como quem opera um prodígio, mesmo porque isso envolve uma profunda mudança em nossa maneira de pensar e agir, o que pede o concurso do tempo.
Considerando, entretanto, que influências boas ou más passam necessariamente pelos condutos de nosso pensamento, podemos começar com o esforço por disciplinarmos nossa mente, não nos permitindo idéias negativas.
O apóstolo Paulo, orientando a comunidade cristã, em relação aos testemunhos necessários, ressalta bem isso, ao proclamar, na Epístola aos Filipenses (4:8):
"Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo tudo o que é puro tudo o que é amável tudo o que é de boa fama , se alguma virtude há e se algum louvor existe , seja isso o que ocupe o vosso pensamento".

Richard Simonetti
Página extraída da obra Espírita: "Uma Razão Para Viver"

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NOITE FELIZ(?) !



O mundo prepara-se para mais um Natal. As ruas iluminam-se chamando atenção e as músicas típicas da época dão o tom da festividade. Ao centro, a conhecida figura do "Papai Noel", embalando sonhos e fantasias infantis mas, por outro lado, alimentando também interesses puramente mercantilistas.
As famílias já pensam nos brindes, presentes e festas. Economia para presentear melhor, vestuários renovados, casas reformadas, viagens e sonhos...
Esta nos parece uma realidade bem próxima e nos agrada divagar pelo brilho das luzes... afinal, o Natal é uma festa de alegria. No entanto, se nos afastarmos um pouco desta visão, procurando analisar de maneira mais cuidadosa, de forma mais crítica e real, lembraremos inevitavelmente dos que ainda não podem se quer sonhar...
O mundo ilumina suas ruas, mas há alguns lugares que continuam obscuros, talvez para esconder aqueles que excluímos da festa.
E, na escuridão, o crack, a cocaína, a cola continuam vitimando crianças e jovens que não sonham mais;
...na escuridão, meninas mal saídas da infância servem de objeto sexual nas mãos prostituídas de aparentes homens de bem. Na noite de natal, possivelmente, estarão embriagadas ou drogadas para suportar a exploração;
...na escuridão, homens disputam comida com ratos, cães e urubus nos lixões, perdendo sua humanidade a pouco e pouco. Estes talvez consigam comer melhor na noite de natal, aproveitando o desperdício dos banquetes que deixará o lixo mais "rico";
...na escuridão, guetos que separam negros de brancos continuarão infectos e nas favelas as comemorações acontecerão, talvez, em meio à dor de um assassinato ou de um estupro;
...na escuridão doentes se amontoarão em corredores de hospitais públicos, crianças, mães e famílias inteiras estarão morrendo por causa de fome, por falta de vacina, de saneamento básico e de noções mínimas de higiene em recantos tristonhos das terras africanas, brasileiras e asiáticas;
...na escuridão, pais desempregados sequer podem pensar em presentes e entre lágrimas que cortam a alma, abandonam seus filhinhos em orfanatos, para que sobrevivam;
...na escuridão, cortando o ruído das ruas e dos bailes, serão ouvidos ‘gritos silenciosos’ de seres humanos expulsos dos ventres de suas mães que, inconscientes e equivocadas, tentam fugir de suas responsabilidades pelo caminho do aborto criminoso;
...na escuridão do sertão, nem o luar de lá consegue iluminar a dor da sede e da fome de famílias inteiras condenadas a beber lama e comer lagartos, enquanto bois e cabritos serão mortos para as festas dos fazendeiros donos das terras e dos açudes;
...na escuridão sob as marquises, velho morrerão de frio e crianças serão assassinadas por criminosos fardados;
...na escuridão, toda escuridão aparece...
E lá fora, sob o esplendor das luzes, estouram os ‘champanhes’ nas mesas corrompidas pela falta de ética e humanidade na política. Os escândalos e as fraudes são esquecidos sob o borbulhar da bebida e os detentores dos "podres poderes" da Terra seguem cegos e descompromissados com o povo;
A sociedade egoísta distribui cestas e brinquedos com os ‘pobrezinhos’ para tentar aliviar o fogo que lhes queima a consciência e falam em solidariedade como se fosse uma jóia a mais que pudessem expor pendurada no pescoço.
Perdoem-me se pareço duro demais. Muito mais dura, no entanto, é a realidade enfrentada por milhares, milhões de irmãos nossos espalhados pelo planeta inteiro. Lembrando-se deles, estamos lembrando-se daquele que é o motivo das comemorações natalinas. Aquele que em sábias palavras afirmou que tudo que fosse feito a um desses pequeninos seria feito a Ele próprio indiretamente. Ele que soube ser solidário de maneira plena, sem se corromper pela vaidade e pelo aplauso, foi muito além da esmola dada em uma noite. Investiu sua vida e sua morte para a transformação da sociedade. Lutou contra os preconceitos, convivendo com a "escória" sem falsos pudores e valorizou o ser humano como ninguém fez antes ou depois dele.
Vale a pena nos perguntar: então, por que Ele veio? Qual a razão histórica de sua vida? O que constituiu o objeto de suas atenções e qual o objetivo de todo seu esforço? Certamente que Ele não veio para aprofundar a diferença entre os homens, nem para manter os preconceitos e o egoísmo que têm gerado toda miséria no mundo. Sua vinda visava a educação plena do homem, estimulando a transformação do homo sapiens – lobo do próprio homem – no homo sapiens solidarius que não é só intelecto e começa a descobrir que não pode ser feliz sozinho; que se completa no bem do outro e que plenifica-se no amor ao próximo sem conotação sacramental, mas com sentido prático e efetivo. É o amor experienciado, vivido, que não se coaduna com o comodismo e a indiferença, e foge dos discursos vazios.
Jesus, talvez ainda seja o ilustre esquecido do Natal rico e mercantil dos "papais noéis marqueteiros" e nós, certamente, os grandes omissos desta triste e contraditória realidade. Não tenho a menor dúvida que enquanto comemos perus e distribuímos presentes, Ele deve estar muito, muito ocupado com os que foram excluídos de um FELIZ NATAL!


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A CEIA DE NATAL


O sol começou a dar sinais do amor de Deus ao romper a noite e você já se levantou. Finalmente chegou o dia, a véspera de Natal. Desceu, sentindo o cheiro de café na cozinha. Sua mãe já estava cantarolando as músicas simples de fim de ano, como sempre.
 Sorriu para você e comentou:
--- Levantei mais cedo hoje, temos muito a fazer. Logo seus tios e tias estarão batendo a porta, porque a gente pensa que não, mas não demora muito já é noite. Em breve, estaremos reunidos para a ceia de Natal.
 Você beija-lhe a face e senta-se a mesa, respondendo:
--- Nossa, tem tanta gente que só vejo no Natal. Tantas coisas que aconteceram ao longo destes anos. Antigamente era eu a criança a solicitar os brinquedos, hoje presenteio meus filhos, hoje conto as histórias que já foram minhas histórias preferidas, hoje ensino a eles a tradição do Natal.
 Sua mãe, também se sentando a mesa com um pão quentinho nas mãos responde:
--- Esta é a melhor parte. Adoro a tradição do Natal. Família toda reunida, ceia de Natal, oração a meia-noite, abraços, amigo secreto, as histórias, o ano que vai terminando. Ah, finalmente é Natal... Você sabe que só encontro sua tia Cecília no Natal, e vem todo mundo para cá. Espero que esta tradição se mantenha na família, tem coisas que o mundo de hoje perdeu, e o Natal não pode ser uma delas.
 Após mais de uma hora de conversa, você resolveu dar início as preparações do dia. As músicas de Natal ecoavam pela casa e a árvore estava montada. Um a um, você foi colocando os presentes embaixo da árvore. Logo a campainha começou a tocar e os convidados foram chegando devagarzinho, um a um ou famílias inteiras. Abraços, sorrisos, crianças, a tarde foi chegando, conversas por toda a casa, travessas com diversos pratos, cada convidado trouxe um, era o espírito familiar.
 A noite chegou, a mesa foi sendo montada, risadas e contos sem fim, sorrisos, uma criança que chora às vezes, um pai que levanta mais a voz, uma mãe que assume a dificuldade, alguém que esqueceu o presente do amigo secreto, outro alguém que chega com as flores, alguém providencia os pratos, uma tia que traz os talheres, e as melhores roupas, e crianças no colo, e pais abraçam filhos, netos que declaram amor aos avós - é Natal!
 Como era tradição em sua casa, ceia mesmo somente a meia-noite, mas um bolo com chá antes e um lanche para as crianças sempre ia bem, assim, ninguém estaria morrendo de fome ao sentar a mesa.
 O relógio batia 23:55 horas quando sua mãe reuniu a todos na mesa. Era a hora da prece. Meia-noite em ponto todos silenciaram e foi a voz da matrona que ecoou pela sala:
--- Senhor, Mestre Jesus, aqui estamos reunidos nesta noite para comemorar Teu aniversário. Que suas bênçãos nos envolvam e sua presença nos traga misericórdia e paz. Obrigado Jesus por este ano, obrigado pelo Evangelho. Obrigado pela mesa farta, pela família reunida, por teu nascimento. Ah Mestre, quantos infelizes não têm a mesma sorte que nós, que tuas bênçãos não lhes falte também. Assim seja.
 Você então se levantou e com o coração cheio de alegria desejou a todos:
--- FELIZ NATAL!
 Todos se levantaram já se abraçando e saldaram:
--- FELIZ NATAL!
 Então a campainha tocou. Você estranhou, mas pensou que pudesse ser algum vizinho. Dirigindo-se a porta, a abriu. Um homem de olhos profundos, cabelos na altura do ombro, trajes a nazarena, estendeu as mãos e pegou as suas, dizendo:
--- Vim porque me chamastes. Solicitastes a pouco minhas bênçãos e minha misericórdia e paz.
 Seu coração disparou. Não podia ser, meu Deus... Sem conter a emoção, você balbuciou com insegurança, ajoelhando-se:
--- Jesus!...
 Sua mãe, ao lhe ouvir, dirigiu-se até a porta e ao te ver, olhou para o homem. Seu olhar encontrou o de Jesus e ela caiu de joelhos. Era o Mestre, era Jesus em sua casa...
 Com imenso amor, o Mestre caminhou solícito, ajudando todos que se ajoelharam a levantarem-se. Uma luz e um perfume indescritível invadiram o ambiente. Após a emoção inicial você convidou:
--- Mestre, sente-se a mesa conosco.
 Jesus então se aproximou da mesa, tocou de leve a toalha, seus olhos encheram-se de lágrimas e uma indescritível tristeza substituiu a vibração do ambiente.
 Você, em choque ao ver Jesus chorar, disse:
--- Mestre, por que está chorando? Viu alguma coisa triste, sentiu a aflição de alguém que não está aqui?
 Jesus, com uma tristeza profunda no olhar respondeu:
--- Não posso sentar a mesa convosco.
 Você, sem saber o que fazer, perguntou:
--- Por quê?
 Jesus, olhando em seus olhos, respondeu:
--- Porque em sua mesa estão as minhas criancinhas do coração. Jaz em sua toalha de Natal os corpos daqueles que escolhi para que me vissem primeiro em minha chegada a Terra. Na mesa em que reuniu sua família para comemorar meu aniversário cintila a dor, o sofrimento, o sangue, a infelicidade, a aflição daqueles que, esperando do homem o mais sublime amor, receberam, como Eu recebi, a ingratidão, a condenação, a miséria. Em sua mesa está a falta de amor ao próximo, a falta de compaixão e piedade, a falta de Evangelho. Enviei-te os animais para que os ensinasse o amparo do homem, e o que fizestes dos pequenos que te enviei? Confiei a você as almas tenras que transitam rumo à humanidade, e como foi que tratastes os animais? Acreditas mesmo que estás de acordo com as lições que te exemplifiquei? Achas que Deus, nosso Pai, criou os animais para vos servir? Se assim o fosse, meu filho, porque viria Eu para servir a vós? Até quando acreditarás que estás acima do mundo? Quando acordarás para teu papel de irmão mais velho? Por quanto tempo vos chorarei?
 Com imensa vergonha e dor, você, como todos, não teve coragem mais de olhar nos olhos de Jesus. O Mestre continuou:
--- O reino dos céus que prometi aproxima-se, mas para tanto, é preciso que aprendas a mais importante lição que deixei: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
 Em silêncio, Jesus deixou a casa, suas lágrimas derramadas sobre mesa transformaram-se em sangue. Você olhou a mesa e ecoou dentro de seu coração a voz profunda, mansa, mas triste de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei... te enviei os animais para que os ensinasse o amparo do homem, e o que fizestes dos pequenos que te enviei? Por quanto tempo vos chorarei?”

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O SENTIDO DO NATAL


Um homem deixou para fazer suas compras de Natal no último instante. Nas ruas o vai-e-vem da multidão apressada. Ele, entre esbarrões, comprando aqui e ali. De súbito, pula um moleque à sua frente pedindo, quase implorando para que ele comprasse duas canetas para ajudá-lo. Nervoso, ele manda o garoto sair da frente. Apressou o passo e só parou, quando percebeu que havia ganho certa distância do garoto.
Foi à loja de brinquedos e é mal atendido. A balconista, exausta e irritada, vende descortesias e ele prontamente deu o troco.
Ao voltar para casa, guiou o carro como se estivesse à frente de um exército inimigo, queixando-se sistematicamente de todos os que atravancavam o seu caminho.
Quando chegou enfim, mal-humorado, seu filho caçula recebeu-lhe com a ansiedade dos que aguardam uma notícia. A sala estava iluminada, em clima de festa. Sentindo a paz doméstica, recordou a sua vergonhosa performance naquela maratona de véspera de Natal. E observando a alegria de seu filho diante dos embrulhos coloridos, reviu arrependido a expressão tristonha da criança que tentou vender-lhe duas canetas. . .
Contou este fato a um amigo. Este, porém, disse-lhe:
- Meu amigo, você não entendeu o sentido do Natal. Esta comercialização é lamentável que, sob indução da propaganda, transforma o ato de presentear numa obrigação. Há quem se ofenda se não recebe algo dos familiares. É bom presentear, nos dá alegria. É sempre um gesto de carinho, uma manifestação de bem-querer. Mas, o ideal seria que não houvesse tempo certo para isso, tira muito a espontaneidade do gesto e a magia da dádiva. Porém, é sempre bom lembrar que nos reunimos para celebrar o nascimento de Jesus. E que Este, só renascerá, quando nos dispusermos a vivenciar integralmente sua mensagem. Portanto, amigo, vivencie o Natal amando ao próximo, fazendo aos outros o que gostaria que os outros lhe fizessem, porque tudo que fizermos ao menor de nossos irmãos, é ao "aniversariante" que estaremos fazendo. Este é o verdadeiro sentido do Natal. Mas lembre-se amigo, não espere o próximo Natal para consertar. . .
Envergonhado, o homem concordou com o amigo.
Muitos de nós nos comportamos como o homem da história. Por isso, na comemoração do nascimento de Jesus, que haja alegria, pois a lembrança do Cristo já é por si um estímulo espiritual a reflexões mais profundas; que se promovam festas na família, nas instituições ou nos ambientes de nossa convivência, mas que a alegria tenha um sentido mais elevado, não deixemos nos desvirtuar pelos desperdícios e pelos abusos que comprometem o corpo e o espírito. Procuremos “cristianizar” o Natal, ou seja, que as pessoas não se preocupem somente com a festa, com a comida, com os presentes, porque a festa não é do Papai Noel, é de Jesus. E quem deveria receber presentes é o aniversariante.
Então, perguntemos: “Que presente daremos à Jesus?”
Se ficarmos em dúvida, procuremos no Evangelho um pedido Dele para nós.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

COMO HOMENAGEAMOS O NASCIMENTO DO MENINO JESUS!


Um instrutor de elevada categoria espiritual chamou certa vez a nossa atenção para um quadro terráqueo, observando o NATAL, à meia-noite.

Estava reunida opulenta família, num lauto e elegante banquete. Sobre a mesa posta, guarnecida de alva toalha de linho belga, entre flores perfumadas e candelabros policromos, enfileiravam-se as mais fortes e exóticas bebidas, de permeio a indigestas comedorias natalinas.

Dentre o que se enxergava sobre a mesa, sobressaiam nas lousas frias de um necrotério, os cadáveres de leitões recheados, besuntados de banha, trazendo espetadas rodelas de limão; cabritos tostados, quais mercadorias salvas de um incêndio, galinhas e perus ao forno, retorcidos, demonstrando os finais estertores de uma degola cruel; churrasco "mignon" no espetinho trabalhado com esmero.

Era de estarrecer! Quanta carnificina! Quanto sangue derramado, quanta dor e sofrimento causados aos pobres e inocentes animais.

Vibravam ainda no espaço as angustiantes lamentações que os coitadinhos dos animais deviam ter lançado violentamente aos céus, quando tiveram seus corações transpassados pelo punhal assassino do carrasco insensível.

O saudável cereal, o apreciado legume, a boa hortaliça e a suculenta fruta, apenas representam, naquela mesa, o insignificante papel de mero adorno culinário.

Quase no final do banquete, alguém, levanta a voz, e, a pretexto de prece de Natal, todos começam de afogadilho, a invocar Jesus, para que Ele, nesse seu glorioso dia, viesse abençoar a mesa posta, aquele matadouro doméstico de IRMÃOS menos evoluídos, aliás, nossos irmãos mais chegados.

Sem demora e, como por milagre, a cena mudou inteiramente. Os Espíritos presentes apreciavam a reunião de semblante triste, piedosos; alguns até choravam ante a brutal carnificina.

Após as invocações, Jesus compareceu! Sim; o Nazareno chegou! No luzidio cortejo do Mestre vinham também necessitados, esfomeados, doentes e maltrapilhos. Formou-se então, ao redor do repugnante festim, sem que disso os convivas tivessem a menor idéia, um enorme anfiteatro, abrigando milhares e milhares de entidades, permanecendo bem no centro, o grupo devorador de cadáveres, saudando e homenageando o Menino Jesus que acabava de nascer.

Jesus, o invocado, ofuscando a multidão presente pela luminosidade que d'Ele se desprendia, chegou e colocou-se em pé ante aquela turba. De semblante profundamente amargurado e triste, de coração opresso, abençoou não aquele infeliz ato que dera margem a tanta carnificina e dor, mas sim à inditosa família e seus convidados, implorando a Deus uma razão mais lúcida para as suas mentes.

Em seguida, ergue Jesus seu olhar plácido e indulgente e suplica ajoelhado a Deus: "Pai; Perdoa-os mais uma vez, pois ainda não chegaram a entender o não matarás... a ninguém!”.

EIS COMO HOMENAGEAMOS O MENINO JESUS!


(Mensagem recebida pela Fraternidade há quase 60 anos.).

domingo, 18 de dezembro de 2011

ALGO POR ELES NESTE NATAL


Compadece-te de todos aqueles que não podem ou não sabem esperar. Estão eles em toda parte...
Quase sempre são vítimas da inquietação e do medo. Observa quantos já transpuseram as linhas da própria segurança.
São casais que não se toleram nas primeiras rusgas do matrimônio e desfazem a união em que se compromissaram, abraçando riscos pelos quais, em muitas circunstâncias, cedo se encaminham para sofrimento maior;
São mães que rejeitam os filhos que carregam no seio, entregando-se à prática do aborto, recusando a presença de criaturas que se lhes fariam instrumentos de redenção e reconforto no futuro, caindo, às vezes, em largas faixas de doença ou desequilíbrio;
São homens que repelem os problemas inerentes às tarefas que lhes dizem respeito, escapando para situações duvidosas, sob a alegação de que procuram distração e repouso, quando apenas estão dilapidando a estabilidade das obras que, mais tarde, lhes propiciariam refazimento e descanso;
São amigos doentes ou desesperados que se rebelam contra os supostos desgostos da vida e se inclinam para o suicídio, destruindo os recursos e oportunidades que transportariam para a conquista da vitória e da paz em si mesmos;
São jovens, famintos de liberdade e prazer que, impedidos naturalmente do acesso a satisfações imediatas, se engolfam no abuso dos alucinógenos, estragando as faculdades com que o tempo os auxiliaria na construção da felicidade porvindoura.
Neste NATAL, façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança.
Pronuncia algumas frases de otimismo e encorajamento; escreve algum bilhete que os reanime para a bênção de viver e servir; estende simpatia em algum gesto espontâneo de gentileza; repete consideração e concurso amigo nos diálogos que colaborem na sustentação da paz e da solidariedade.
Não te declares sem possibilidade de contribuir, nem digas que tens todas as tuas horas repletas de encargos e serviços dos quais não te podes distanciar.
Faze algo, no soerguimento do bem.
Nas realizações da fraternidade, quem ama faz o tempo.

Da obra: Deus Aguarda. Ditado pelo Espírito Meimei.