quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DEPRESSÃO E INFLUÊNCIA ESPIRITUAL


Acompanhei um caso interessante de depressão com um componente espiritual presente. Um rapaz de vinte e dois anos, universitário, revelou a sua mãe seu descontentamento com seu curso e sua vontade de deixá-lo. Mesmo com os conselhos contrários da mãe ele abandonou a faculdade. Passou a ficar muito tempo em casa, em seu quarto e a falar de forma monossilábica.

 Emagreceu, pois comia muito pouco e passou a se demorar por muito tempo em frente à televisão. Ele morava só com a mãe. Seu pai havia falecido quando ele tinha doze anos e isso não abalou sua vida, pois sempre demonstrou disposição para viver e estudar.

 Sempre foi bom aluno e não apresentou, desde a morte do pai, nenhum sintoma de qualquer transtorno. Porém, de repente, já adulto, passou a ter um comportamento não habitual e de isolamento progressivo. Conduzido a um médico, a muito custo, pela mãe, foi diagnosticada a depressão. Passou a tomar remédios, porém sem alteração nos sintomas.

 A alguns quilômetros de sua casa, numa das reuniões mediúnicas do Centro Espírita Harmonia, apresentou-se um espírito dizendo-se sem fé e sem perspectiva em sua vida. Sabia que havia falecido há cerca de quarenta anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. Disse ter se dedicado à religião, tornando-se padre, mas que não tinha muita convicção em suas pregações e em sua fé. Fora levado à religião por influência da tradição familiar, que reservava um dos filhos para o ministério de evangelizar o próximo.

 Ele fora escolhido por ser o caçula. Mesmo aceitando o ofício, nunca se entusiasmou com a tarefa. Cometeu muitos desatinos, vivendo de forma moralmente condenável. Seus familiares se afastaram dele e seus fiéis não se sentiam bem ao seu lado nem o procuravam para conselhos. Achavam-no despreparado e evasivo em seus sermões. Viveu seus últimos dias doente, sem visitas e sem amigos. Faleceu com pouco mais de quarenta anos num hospital público, sem nenhum familiar próximo e sem que ninguém se lembrasse dele. Morreu como viveu, isolado e sem vínculos afetivos. Como a vida continua, perambulou pelo mundo dos espíritos em torno do ambiente religioso que viveu desnorteado procurando por Jesus e pelos santos da Igreja. Depois de algum tempo, sem encontrar o que esperava e sem saber o que fazer, à procura de algum referencial familiar, refugiou-se numa igreja distante daquela em que outrora pregara. Um dia, passados alguns anos desde seu falecimento, atraído por uma senhora que passou a ir àquela igreja, seguiu-a até sua casa. Lá encontrou um jovem universitário cheio de vida. Automaticamente ligou-se a ele por se sentir atraído pela sua jovialidade e disposição de viver.

 Seu interesse pela senhora se deu por causa da persistente oração que fazia em favor do filho. Ela notara que seu filho estava vivendo algum processo difícil, que não compreendia, então resolveu buscar auxílio nos santos de sua devoção. Seus pensamentos e a projeção mental da imagem do rapaz atraíram o padre desencarnado.



Ele a seguiu à saída da igreja sem saber ao certo aonde ia, porém algo o levava a ela. Seu desejo era mais forte do que sua consciência do ato. No íntimo achava que iria encontrar uma resposta para sua vida, que se achava paralisada. Chegando à casa dela, ao ver o rapaz, sentiu-se atraído a ele. Estremeceu como se estivesse diante de alguém muito importante em sua vida. Sentiu um frio dentro de si e leve tremor no corpo. Teve ímpetos de abraçá-lo, mas se conteve, temendo uma reação contrária por parte do rapaz. Naquele momento constatou que o conhecia de algum lugar e que ele era alguém muito querido seu. Por sua vez, o rapaz, ante a situação, sem saber da presença do espírito em sua casa, sentiu uma sensação de pesar e tristeza, aliadas a certa alegria íntima simultânea. Levantou-se da cama e foi à sala, na qual sua mãe acabara de entrar. Ali estavam os três num mesmo ambiente, porém só o espírito tinha consciência do fato. Os outros dois acreditavam estar sozinhos. O rapaz, ao cumprimentar sua mãe, sem perceber a presença do espírito, disse-lhe não estar se sentindo bem naquele momento e pediu-lhe que fizesse uma oração. Feita a oração, acompanhada pelo padre desencarnado, que se sentiu muito bem ali, o rapaz melhorou e voltou ao seu quarto.

 A partir daquele dia, por conta da presença de seu amigo padre desencarnado, sem disso ter consciência, foi se tornando uma pessoa isolada e sem ânimo para fazer o que habitualmente fazia. Depois de alguns dias sua mãe o levou a um médico.

 Um dia, a vizinha, após a mãe lhe ter contado que seu filho não passara bem no dia anterior, convidou-a a levá-lo a um Centro Espírita, pois acreditava que a ocorrência poderia estar associada a alguma influência espiritual. Provavelmente a vizinha agira sob inspiração de espíritos, inclusive quando conseguiu levá-los ao Centro Espírita dias depois. Após insistentes convites da mãe, o rapaz se decidiu a ir, mesmo contrariado.

 Lá chegando, acompanhado pelo espírito, que mesmo tendo consciência do lugar para onde estava indo, não se incomodou, o rapaz assistiu a uma palestra e tomou passes. Disse à mãe que se sentiu bem e que retornaria lá na semana seguinte. Por sua vez, durante o passe, o padre se sentiu desligado dele e permaneceu na instituição, interessado no que lá ocorria. Viu que ali se falava de religião de forma diferente da que se acostumara a pregar, sem dogmatismo nem subserviência. A palestra da noite discorreu sobre o Cristo-homem, que realizou sua vida de acordo com seus firmes propósitos de educar as pessoas a também realizarem seu próprio destino. O Cristo era mostrado como uma pessoa e não como um Deus. Como alguém que era capaz de aceitar o outro com suas deficiências, sem lhes exigir santidade. Isso lhe foi muito útil e recebido como um alento, pois se sentia culpado pelo seu passado. Era como se o próprio Cristo o absolvesse, sendo mostrado simplesmente um ser humano como ele.

 Permaneceu ali naquela Instituição por alguns dias, até ser admitido numa de suas reuniões mediúnicas para o diálogo com aqueles que fazem parte do mundo do qual ele ainda não havia se desligado completamente.

 Na reunião mediúnica, questionado sobre os motivos pelos quais se ligara àquele rapaz, disse não saber, bem como não se lembrar de nada que se referisse aos dois. Passou a acompanha-lo como se o fizesse a um grande amigo. Gostava do rapaz, sentindo-se bem ao seu lado, porém sem perceber que estaria prejudicando sua vida. Sua ligação psíquica com o rapaz desencadeou os sintomas da depressão. Não entendia que seu próprio estado mental contaminava o do outro.

 Interessante como a influência espiritual, ou proximidade entre um espírito e outro que esteja em dimensão diferente, promove alterações psíquicas. Neste caso, pelo estado mental do padre falecido, a influência era negativa. Seria o que se chama de obsessão não intencional, por não haver desejo de domínio sobre o outro. Esse tipo de influência, que no caso específico contribuiu para a instalação da depressão, também é comum nos casos de síndrome de pânico. A proximidade psíquica entre espíritos desencarnado e encarnado pode provocar uma série de reações orgânicas concomitantemente a alterações no estado de consciência e em sua invasão pelo inconsciente.

 O estudo dos processos psicogênicos certamente conduzirá a uma percepção das influências espirituais, além de uma melhor compreensão a respeito do inconsciente.

 Passados alguns dias, após o desligamento voluntário do padre da companhia do rapaz, este veio a melhorar e a voltar à sua habitual jovialidade e ao interesse pelos estudos.

 Muitos casos de depressão possuem um componente espiritual de difícil percepção. Às vezes se trata de parentes desencarnados que se ligam, por laços afetivos, ao encarnado, mas que lhe contaminam com seus pensamentos derrotistas. Outras vezes, o depressivo pode perder a motivação para a vida, por saber de antemão que enfrentará grandes desafios decorrentes de seu passado culposo. Parece que ele quer recuar da prova ou expiação a enfrentar. Ao se aproximar o período em que enfrentará seu próprio passado, acercam-se dele, espíritos que, pelo estado em que se encontram, influenciam sobremaneira seu psiquismo.

 Depressivos desencarnados, quando se aproximam de pessoas pessimistas e frágeis psicologicamente, facilmente transmitem seus estados mentais. O processo de transferência se dá de períspirito a perispírito, de mente a mente, como num sistema de radiofrequência.

 Um emite e o outro capta, estando ambos na mesma freqüência psíquica. Como em todos os casos, vale a pena selecionar as companhias que se quer ter. Quem sintoniza com a depressão atrairá depressivos e desiludidos nos dois lados da vida: material e espiritual.

 A influência espiritual é fato normal, pois espíritos existem em toda parte. Alguns, mais adiantados, se estruturam em organizações espirituais que se assemelham às cidades, outros, ainda presos à sociedade terrena, permanecem vinculados ao que aqui ocorre. Estes últimos vivem e convivem com os encarnados, como se ainda estivessem no corpo físico. Transmitem e recebem fluidos, pensamentos e emoções. Adoecem e fazem adoecer.

 Parece uma sociedade dentro da outra, numa incrível comunhão de idéias e de sentimentos. Pode-se observar que algumas atitudes resultam de intenções de um lado e de outro.

 A depressão causada exclusivamente por influência espiritual, via de regra, apresenta sintomas mais perturbadores ao indivíduo, principalmente quanto à confusão mental que provoca.

 Neste caso, será imprescindível o tratamento espiritual, para o esclarecimento também do espírito que a desencadeia.

 A maneira mais adequada de identificar quando a depressão é causada por obsessão espiritual é verificar a existência de seus sintomas típicos. Os sintomas típicos da obsessão espiritual são:



1. Falhas freqüentes no curso, conteúdo ou forma do pensamento, com conseqüentes perturbações no contato com a realidade;

 

2. Alterações freqüentes de comportamento à revelia da pessoa, gerando constrangimentos e dificuldades em viver a normalidade cotidiana;



 3. Perturbações psicóticas (alucinações, delírios persecutórios, audição de vozes, etc.), que provoquem dificuldades de conciliação com a normalidade do ego;



 4. Alterações constantes da senso-percepção, promovendo constantes distorções na qualidade e quantidade do que é captado pelos cinco sentidos;



 5. Sintomas característicos da Síndrome de Pânico (taquicardia, sensação de asfixia, medo sem causa aparente, suor frio nas extremidades, medo de sair sozinho, etc.), provocando alterações na vida diária;

 

6. Sensações típicas da mediunidade não educada, perturbando a vida e as relações da pessoa;

 

7. Alterações constantes na quantidade e qualidade do sono, provocando insônias ou dormir em quantidade além do habitual;

 

8. Recorrências em distúrbios descritos pela Psiquiatria como Transtornos Mentais, exceto aqueles cujas causas se devem a problemas neurológicos e aos congênitos.

 Adenáuer Novaes

 Do livro: Alquimia do Amor, Depressão, Cura e Espiritualidade, 1ª Edição - Fundação Lar Harmonia

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