sábado, 31 de março de 2012

EM TRIBUTO AOS 143 ANOS DO DESENCARNE DE ALLAN KARDEC


Viveu na França do século XIX um homem extremamente estudioso, pesquisador, sensato, culto, poliglota, ético, educador, honesto, íntegro, conceituadíssimo na sociedade francesa e em grande parte da Europa e, sobretudo, possuidor de uma conduta moral ilibada. Esse homem era o professor Hyppolite Léon Denizard Rivail. Dominava os conhecimentos na área da Matemática, da Física, da Química, da Astronomia, da Biologia e foi o autor da mais conceituada Gramática Francesa da época. Foi um dos mais notáveis discípulos de Pestalozzi e tornou-se famoso na Europa pelos trabalhos admiráveis que realizou. Era também muito cético e bastante exigente quanto a tudo o que lhe apresentassem como diferente do senso comum. Nada poderia ser aceito se não passasse pelo crivo da lógica, da razão e do bom senso, fosse quem fosse o autor da idéia. Foi então convidado por uns amigos para assistir a uma reunião na casa de um deles, onde se processavam fenômenos mediúnicos. (Vale lembrar que a mediunidade não é um patrimônio do Espiritismo e já existia há milênios, muito antes da existência da Doutrina Espírita, sendo praticada em vários lugares do mundo, nas diversas camadas da população, independentemente de crença religiosa, já que é uma faculdade humana). Utilizando seu indispensável ceticismo, resolveu pesquisar profundamente os fenômenos e pode comprovar que, de fato, os espíritos dos chamados "mortos" se comunicavam com os "vivos", iniciando aí uma série de contatos e indagações àqueles espíritos, questionando-os dentro do mais absoluto rigor, exigido pelo seu conhecimento científico profundo, sem qualquer sistema preconcebido. Por essa sua seriedade, pelos requisitos culturais, intelectuais e sobretudo morais, foi então escolhido pelos espíritos para organizar em livros os ensinamentos que lhe foram passados, para que a humanidade tivesse conhecimento.

Num ato de extrema grandeza, conclui que os livros não deveriam ter seu nome como sendo o autor, haja vista que se tratava de um nome bastante famoso, o que faria com que a obra fosse vendida pelo autor e não pelo seu conteúdo. Preferiu então adotar um pseudônimo, escolhendo um nome que havia tido em encarnação anterior, que lhe fora revelado por Zéfiro, um espírito amigo. Esse nome fora Allan Kardec. DESENCARNOU NO DIA 31 DE MARÇO DE 1869, EM PARIS, ABSOLUTAMENTE LÚCIDO, EM FRANCA ATIVIDADE, QUANDO, JUNTAMENTE COM SEU EMPREGADO, ARRUMAVA LIVROS NAS ESTANTES DA SUA LIVRARIA, VITIMADO POR UM ANEURISMA CEREBRAL. Sua história mais detalhada pode ser conhecida no livro "O que é o Espiritismo", editado pela Federação Espírita Brasileira. Esse livro é um resumo da Doutrina dos Espíritos. Seu conhecimento mais profundo e detalhado só pode ser obtido com o estudo criterioso de suas obras básicas.





AFIRMATIVAS DOUTRINÁRIAS



FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - Somente com a prática da Caridade Material e Moral atingiremos nossa evolução espiritual.

DAR DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBER- Toda ajuda espiritual prestada é absolutamente gratuita; quer sejam: passes, água fluidificada, ou qualquer outro tipo de assistência.

Para a realização de uma sessão espírita não há material nenhum para ser utilizado porque não se usa, nem se recomenda: velas, incensos, imagens, amuletos, talismãs, paramentos, bebidas, fumo, animais, aves, etc. A Doutrina Espírita não admite isso. Como também não realiza nem promove casamentos, batizados e nenhum tipo de sacramento.

SE ALGUM DIA A CIÊNCIA PROVAR que a doutrina espírita está errada em algum ponto; ela se modificará.

O ESPIRITISMO É A DOUTRINA DA FÉ RACIOCINADA.

FÉ RACIOCINADA É AQUELA QUE PODE ENCARAR A RAZÃO FACE A FACE EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE.

CRENÇA na existência de vida humana em outros planetas e possibilidade de reencarnações recíprocas. O Espiritismo é uma CIÊNCIA (de observação) e uma FILOSOFIA de conseqüências religiosas. Como RELIGIÃO difere das demais por não possuir dogmas, rituais, imagens, objetos de culto e sacerdócio organizado.

MORAL - A moral pregada pela doutrina é a contida no Evangelho de Jesus.

NASCER, VIVER, MORRER, RENASCER E PROGREDIR SEMPRE, TAL É A LEI.

Espíritas: amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.( O Espírito de Verdade )

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar sua inclinações más.

O Espiritismo, é a ciência que estuda os espíritos, sua origem, destino e natureza, bem como suas relações com o mundo corporal.

Allan Kardec.

quinta-feira, 29 de março de 2012

JEHANNE D’ARC

Cavalgava a frente do rei, armada dum arnês completo, com o estandarte desfraldado. Quando desarmada, trazia vestuário de cavaleiro, sapa­tos atados acima dos pés, gibão e calções justos, um capuz na cabeça; usava trajes muito nobres, de brocado de ouro e de seda, bastante grossos.

   Ela era bela e bem feita, robusta e infati­gável, tendo ao mesmo tempo um ar risonho e as lágrimas fáceis. Tem bom porte quando em armas e o busto belo. Suas sobrancelhas fina­mente desenhadas, sombreando belos olhos pardos, davam-lhe unia expressão de doçura infinita ao olhar inspirado. Os cabelos eram pretos e cortados curtos “em escudela”, de maneira a formarem na cabeça uma espécie de calota, se­melhante a um tecido de seda escura. O sem­blante da heroína, de traços regulares, tinha o cunho da doçura e da modéstia. Modelavam-lhe o corpo linhas cheias e harmoniosas. Desde os primeiros dias, surpreendem e encantam seus gestos desembaraçados de menina, sua graciosa flexibilidade em todas as circunstâncias e particularmente em trajes guerreiros a cavalo, empunhando a lança ou a bandeira. Enfim, o cân­dido fulgor de sua virgindade e a chama da inspiração lhe espargiam por sobre o conjunto “uma virtude secreta, que afastava os desejos carnais”, impondo respeito e atenção aos mais sensuais. Cobrem-na brilhantes atavios de guer­ra. As vestes e a bandeira são de alvos e preciosos tecidos como convinham, para lembrarem sua castidade e a missão angélica a que esta se achava ligada. Um suave reflexo lhe irradiava do semblante iluminado por um pensamento ín­timo. A alma, até certo ponto, esculpe os traços de seu invólucro. Por aí podemos fazer idéia da beleza daquele ser excepcional, do luzeiro nele oculto e que, fulgurando-lhe na fisionomia, em todos os seus atos rebrilha. Dela emanava uma serenidade, um eflúvio que envolvia todos os que se lhe aproximavam, acalmando os mais insubmissos. No torvelinho das batalhas e dos acampamentos, conserva sempre a calma, que é o apanágio das almas superiores. Aparece como uma flor das campinas da França, esbelta e ro­busta, fresca e perfumada.

Em seu caráter se casam e se fundem as qualidades aparentemente mais contraditórias: a força e a brandura, a energia e a meiguice, a providência e a sagacidade, o espírito arguto, engenhoso, penetrante, que em poucas palavras, nítidas e precisas, deslinda as mais difíceis ques­tões, aclara as situações mais ambíguas.

Uma influência do Além lhe aureola a fronte bela e grave e à emoção que incute se  agrega ­um sentimento de respeito. Sempre ponderada e circunspecta, alia a humildade da camponesa à nobreza da rainha, uma pureza absoluta a uma extrema audácia. A glória que a cinge pa­rece-lhe tão natural que nunca lhe ocorre envai­decer-se dela.

Sob uma certa ingenuidade gaulesa que a enfaixa, nela se expande um senso profundo dos seres e das coisas, o qual, nos momentos decisivos, lhe sugere as inflexões capazes de atear o ardor nas almas e de, nos corações, rea­vivar os sentimentos fortes e generosos.

Era muito circunspecta e pouco loquaz, mas, quando falava, sua voz tinha vibrações que pe­netravam no íntimo dos ouvintes, nos quais sen­sibilizava fibras que lhes eram desconhecidas e que nenhum poder lograva ainda espertar a tal ponto.

Simples e despretensiosa, preferia esqui­var-se às “adorações” da multidão. Tinha paixão pelas belas armaduras e revelava um esmero muito puro e distinto nas mais insignificantes minudências do trato de sua pessoa e de seu vestuário. Os cortesãos lhe admiravam esses cuidados e as próprias damas muito natural­mente a houveram tomado por uma de sua hierarquia, tais a graça e a distinção que se lhe notavam.

Valente ao ponto de, nos combates, desafiar alegremente a morte, sem jamais dá-la a quem quer que fosse adoravelmente mulher, não dis­simulava o contentamento por possuir brilhantes armas e belos cavalos negros, sobretudo por serem estes tais e tão maliciosos que ninguém se atreveria a montá-los.            

Seu misticismo, de ordem elevada, asso­ciando o sentimento do belo ao do bem, nada tinha de comum com essa espécie de ascetismo que faz da negligência com o corpo e do exte­rior sórdido uma virtude e que parece ter por ideal o feio.

Tinha a pureza duma virgem e a intrepidez de um capitão; o recolhimento com que ora no templo e a viveza jovial nos acampamentos; a simplicidade de uma campônia e os gostos deli­cados de uma dama de alta estirpe; a graça, a bondade, de par com a audácia, a força, o gênio. Era uma missionária, uma enviada, um médium de Deus e, como em todos os missionários do Céu, para salvação dos povos, três grandes coisas nela preponderam: a inspiração, a ação e, por fim, a paixão, o sofrimento, que é o fecho, a apoteose de toda existência digna.

O que na sua personalidade, porém, predo­mina, é o espírito de sacrifício, é a bondade, o perdão, a caridade.·.



Léon Denis

(Do livro “Joana D’Arc” (Médium), de Léon Denis, págs. 245, 244, 245, 247, 248, 249, 252, 255, 255, 256 e 258 da 6ª edição da FEB. Trata-se apenas de elementos retirados do próprio processo de Joana D’Arc, configuran­do, pois, descritivas e pareceres absolutamente históricos.).

         Revista: Reformador, número 1, Janeiro 1972. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

PONTOS PRINCIPAIS DA DOUTRINA:


• Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

• Deus criou o Universo, que abrange todos os seres animados, e inanimados, materiais e imateriais.

• Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

• O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.

• O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.

• Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade.

• Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.

• A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.

• Há no homem três coisas: 1º, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2º, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3º, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

• Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.

• O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.

• O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.

• Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito maus, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.

• Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus de hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofre repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.

• Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passa por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante.

• Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos.

• A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.

• As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.

• As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.

• A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo.

• Na sua volta ao mundo dos Espíritos, a encontra todos aqueles que conheceram na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.

• O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.

• Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.

• Os nãos encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.

• Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.

• As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o ma: é-lhes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles.

• As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.

• Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.

• Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homes obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.

• Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.

• Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homes e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde reine ínfima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.

• A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros os que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de preceder, mesmo para as suas menores ações.

• Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteado todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.

• Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.

Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores.

- O Livro dos Espíritos

domingo, 11 de março de 2012

A PERSONALIDADE DE JOANNA D'ARC

 

O motivo que nos leva a escrever sobre a Donzela de Orleans, não é o de pormenorizar a sua vida, cheia de heroísmo e estoicidade, porque se acha descrita de modo magnífico na obra monumental de Léon Denis, que se intitula "Joana D'Arc Médium".  Essa obra é toda apoiada em documentos insofismáveis, da qual respigamos alguns dados para a elaboração desta despretensiosa monografia.

Foi com vistas ao período agudo por que passa a humanidade, pejada de sofrimentos e apreensões, que achamos de bom alvitre lembrar, aqui, a figura da grande guerreira que foi Joana D'Arc.

Os seus feitos nobilíssimos na expulsão dos ingleses da França, no século XV, foram decisivos para a independência e liberdade desta grande e portentosa nação, graças ao feliz desempenho da sua mediunidade.

Não é possível, a quem quer que seja, recordar esta criatura, sem citar algumas das suas inúmeras realizações alevantadoras.

É o que, com a devida vênia, tentaremos fazer, embora resumidamente.

O que torna mais admirável esta jovem extraordinária é a evidência das faculdades mediúnicas de que era possuidora, quais sejam: as da visão, audição e premonição, às quais obedecia sem discrepância.

Sem tais faculdades, de per si ela nada teria realizado, tendo-se em vista a sua pouca idade e a sua nenhuma cultura.

Joana D'Arc nasceu em Domremy (França) em 1412. Era filha de pobres lavradores. Quando não fiava a lã junto de sua mãe, apascentava o rebanho às margens do Vale do Mosa, tendo, muitas vezes, ladeado seu pai no manejo da charrua.

Joana era morena, alta, forte e bela; a sua voz era suave, a expressão graciosa, o todo modesto.

Em uma moça como quase todas de sua idade, sonhadora. Comprazia-se em contemplar o céu, à noite, quando pontilhado de estrelas; apreciava vaguear pelas frescas campinas, pelas manhãs e, à tarde, sentar-se sob o carvalho anoso, fronteiriço à sua casa, onde ouvia, embevecida, o tanger dos sinos da igreja de sua aldeia.

Joana frequentava assiduamente essa igreja, onde orava com devoção.

Próximo à sua casa havia um jardim, bem cuidado, onde igualmente costumava orar.

A sua primeira visão, segundo Léon Denis, teve-a ela nesse local, quando se achava em prece.

Nessa visão, aparece-lhe um espírito de grande formosura, cujo esplendor deslumbra-a. Em seguida, é S. Miguel que lhe surge com urna corte de espíritos puros, que lhe fala da situação angustiosa de seu país e lhe revela a missão que lhe estava destinada de salvá-Ia.

A princípio, Joana reluta, confessando sua incapacidade para tão alto desígnio, sendo encorajada  com a promessa de ajuda dos bons espíritos que a guiariam nesse arrojado empreendimento.

As entidades que mais frequentemente se comunicavam com ela, eram os espíritos boníssimos de Sta. Catarina, Sta. Margarida e S. Miguel, assim designados por ela, em virtude dos ensinamentos católicos, adquiridos naquela época em que o Catolicismo Romano imperava quase absoluto.

É de se notar que Joana jamais saiu de sua aldeia. Adorava seus pais, aos quais ajudava dedicadamente nos seus misteres e nunca ia deitar-se sem antes depositar-lhes na fronte seu ósculo filial.



Joana aceita a Missão

Um dia, na sua visão, reaparece lhe S. Miguel que lhe diz: "Filha de Deus, tu conduzirás o Delfim a Reims, a fim de que receba aí sua digna sagração". A essas palavras Joana junta-lhes ação. Assim, antes do romper da aurora, em plena estação hibernal, Joana se levanta da cama e, pé ante pé, sem fazer ruído para não trair o sono de seus pais que a impediriam, por certo, de realizar seu intento divino, faz uma mala de roupas, salta a janela de seu quarto e vai para onde mandam suas vozes.

Quando sua fuga se deu, para cumprimento dessa missão, contava Joana a idade de 17 anos.

Só, ignorante, contando unicamente com o auxílio de seus espíritos, nos quais depositava toda a fé, ela deixa a aldeia que muito amava e onde nascera, e que não veria mais. Deixa ainda, o seu rebanho do qual nunca se tinha apartado e, conforme suas vozes, segue em direção a Paris, passando, antes, por Vaoucoleres, onde põe seu tio ao par do que lhe cumpria fazer por determinação do Alto.

Até então, sua vida havia transcorrido entre o trabalho, que muito amava, e o repouso.



A França no Século XV

Descrever a situação trágica, horrível, da França no século XV, não é fácil.

Tão somente lembraremos o leitor que, a luta contra a Inglaterra durava Já cem anos. Quanto à nobreza da França, esta tinha sido aniquilada em quatro derrotas sucessivas. Toda a França se achava dividida em partidos rivais, que se hostilizavam por querelas de somenos.

A França já se ressentia da sua insegurança. Ao seu Rei, então Carlos VII, falecia autoridade para as necessárias providências, por ter sido deserdado pelo pai, Carlos VI, que passou a coroa, num momento de demência[2], a Henrique da Inglaterra, o qual viu assim, com satisfação, que não demoraria a alargar-se seu Império.

Nessa situação miserabilíssima, é que aparece em cena Joana D'Arc.



Na prisão

Não foi fácil, a Joana, convencer Carlos VII, "rei de Bourges", (assim chamado por escárnio ) da sua alta missão de libertar a França.

Inúmeras provas foram-lhe pedidas por esse rei orgíaco, indiferente à sorte da Nação, que se chafurdava, e com ele o seu reino, nos prazeres das bacanais.

A muito custo, depois de satisfeita a corte e o Rei quanto às exigências de provas da sua missão divina, à Joana foi entregue o comando de um poderoso exército, com o qual deveria escrever a mais brilhante página da história militar do mundo.

Quando Joana surge na Iiça, Rouen capitula após encarniçadas batalhas, inimagináveis pelo horror com que se verificaram ..

A população de Paris, alquebrada pela fome e epidemias, achava-se nas mãos dos ingleses. Só Orleans, que mais tarde Joana libertaria, resistia com denodo.

Na França, reinava o pânico, o terror, as misérias e os incêndios oriundos das devastações da guerra.

Os campos, abandonados; as cidades, evacuadas pelos seus habitantes que, acovardados pelas constantes derrotas, buscavam no mato o abrigo que aquelas não lhes ofereciam.

Era esta, em rápidas palavras, a situação que Joana defrontou não sem grande pavor. Da fidelidade da sua missão ia depender o salvamento da França e do seu grande povo ao qual muito amava.

Joana, graças às suas faculdades mediúnicas, conseguiu entusiasmar esse povo desmoralizado, abatido pelos reveses anteriores, dando-lhes novas esperanças.

Todos os franceses queriam combater ao seu lado, após inteirados do seu papel providencial.

Assim é que, com Joana à frente de um grande exército, Orleans foi livrada do cerco dos ingleses, no domingueiro dia 8 de Maio de 1429, depois de terem suas fortificações sido tomadas uma a uma.

(sic.) Cada assalto era uma vitória.

Jargeau, Meung, Beaugency, são retomadas pelo seu exército.

Em Patay, os ingleses são batidos em campo raso e o Gal. Talbot, cognominado o "Aquiles da Inglaterra", que os comandava, cai prisioneiro. Seguem então, as tropas vitoriosas, sob o comando de Joana, para Reins, onde Carlos VII é sagrado Rei da França, cumprindo-se, assim, as palavras de S. Miguel, ditas à Joana, numa de suas visões

Apesar de todos esses triunfos, Joana não se deixa envaidecer. Continua sendo a mesma criatura de Domremy: humilde, bondosa e caritativa.

Após todos os sacrifícios por que passou nos campos de batalha, como se isso não bastasse, começa para ela um novo ciclo de outros mais acerbos, quando a ingratidão e a perfídia de alguns juízes se patenteiam de modo desumano e cruel.

Queremos nos referir aos interrogatórios execráveis que se seguiram às suas lutas heroicas, quando juízes mercenários, de conivência com os inimigos de sua Pátria, urdiram para perdê-Ia.

Um número superior a 60 juízes compõem o tribunal, sob a presidência do Bispo de Beauvais, a quem os ingleses prometeram o arcebispado de Rouen se desempenhasse seu papel conforme seus interesses. Soldados de má catadura guardavam as portas desse iniquo tribunal.

Os juízes, porém, nada conseguiam com as ciladas que armavam a Joana D'Arc nesses interrogatórios, porque, esta, sempre amparada por suas vozes, respondia-lhes à altura, confundindo-os muitas vezes, apesar da fadiga que lhe infligiam, deixando-a longo tempo de pé.

Assim procediam para desmoralizá-la no seio do seu povo, porque temiam-na quando pegava em armas.  Julgavam-na possuída de algum "encantamento".

Ansiavam seus inimigos, livrar-se dela a todo custo, porque só assim, pensavam, poderiam retomar a França. O clero não se sentia menos interessado na sua perda. Queria que ela renegasse à sua missão. Para isso, usavam de meios os mais hediondos, porque o clero sentia-se diminuído diante da superioridade dessa jovem que, com apenas 19 anos, salvava a França sob o influxo divino que intimamente reconhecia.

Em 1430, os Borgonheses tentam contra Compiégne.  Joana, diante disso, decide libertar essa praça, mas cai prisioneira de seus inimigos, que a vendem aos ingleses.

Carlos VII teve conhecimento de sua prisão, porém, nem sequer tentou resgatá-la.

Segundo a obra já referida, na prisão começa para Joana uma paixão de seis meses. Imaginem os leitores, a situação de uma moça de dezenove anos, posta sob a guarda de soldados sem brios, sensualistas, estúpidos. Atribuíam-lhe, eles, a causa de seus reveses , por isso, cevavam nela o seu ódio.

Nesse cárcere, acorrentada, indefesa, batiam-lhe, dirigiam-lhe desaforos e impropérios, tendo Joana resistido sempre às contínuas tentativas de animalesco sensualismo. Por isso não consentia ela em privar-se dos trajes masculinos, que lhe permitiam segurança contra esses ignóbeis atentados.

Apesar de todos esses sofrimentos, suportados com resignação inaudita, a sua fé em Deus e nas suas vozes permaneceu inabalável.

Momentos houve em que suas vozes a abandonaram, como que para sondar, no íntimo dessa criatura, até onde ia sua fé no Criador, sua perseverança no desempenho da missão que lhe fora confiada.



Joana é conduzida ao suplicio

O dia 30 de Maio de 1431, assinala o término da sua gloriosa missão na Terra. Nesse dia, os sinos bimbalham o dobre fúnebre desde á 8 horas da manhã. É que anunciam a morte de uma inocente criatura, cujo único crime fora ter amado e servido fielmente à sua Pátria.

Diante de tanta injustiça, de tantos sofrimentos, que iriam, dentro em breve, culminar numa fogueira, Joana chora amargamente. Preferiria, ela própria o diz, ser decapitada sete vezes, a morrer queimada.

Os monstros conduzem-na numa carreta. Oitocentos soldados ingleses escoltam-na até ao local do suplício. Grande multidão se comprime na praça onde Joana deveria receber o gênero de morte destinado aos piores assassinos.

Na praça Vieux-Marché, em Rouen, são erguidos três palanques, para serem ocupados pelos altos dignitários. Entre eles achavam-se presentes o Cardeal de Wenchester, o Bispo de Beauvais e o de Bolonha, e todos os juízes e capitães ingleses.

Entre os palanques ergue-se um monte de lenha, de grande altura, dominando toda a praça. A intenção dos verdugos era aumentar o sofrimento de Joana, espetacularizando-Ihe a morte, a fim de que ela renegasse, pela dor, à sacrossanta missão e às suas vozes.

Nessa ocasião, é lido um libelo acusatório, composto de 70 artigos, no qual transparece todo o ódio, toda a calúnia dos seus inimigos.

Joana ora com fervor, em voz alta, e pede, nessa prece, Q Deus, que lhe dê a coragem precisa para suportar a prova final, sem queixumes, sem tergiversar.

Em seguida, implora o perdão divino aos seus algozes, tal como fizera Jesus quando pregado ao madeiro.

Em dado momento, suas palavras comovem aquela gente, em número superior a 10 mil pessoas, que soluçam ante os horrores daqueles momentos. Os próprios juízes, sentindo o remorso morder-lhes a consciência, choram diante dessa cena.

A um aceno do cardeal, Joana é amarrada ao poste fatídico, com fios de ferro.

A vítima dirige-se, então, a uma pessoa que se achava perto e pede-lhe que vá buscar uma cruz na igreja mais próxima. Ao ter o símbolo da dor entre as mãos, cobre-o de beijos e lágrimas. É que nesse momento trágico, ela queria ter diante de seus olhos a imagem do Crucificado, para inspirar-lhe a coragem de que carecia.

Naquele momento, Joana reviveu todo o seu passado de glórias, cheio de gratas recordações, que só pode acudir à mente das criaturas verdadeiramente puras, como ela, que ia, daí a instantes, sacrificar sua vida pela verdade.



Queimada Viva

Eis que o momento azado chega. Ao monte de lenha que se ergue da praça, os carrascos lançam fogo. As labaredas começam a subir atingindo a vitima. Já lambem suas carnes. O Bispo de Beanvais aproxima-se da fogueira e grita: "Joana! Abjura!" ao que lhe responde: "Bispo, morro por vossa causa, apelo de vosso julgamento para Deus!"

Quando o fogo começa a chamuscar seu corpo, Joana, estorcendo-se nos ferros onde se achava presa, grita à multidão: "Sim, minhas vozes vinham do Alto! Minhas vozes não me enganaram. Minhas revelações eram de Deus. Tudo que fiz, fi-Io por ordem de Deus!"

Seu corpo arde-se todo. Eis q:ue novo grito abafado pelo crepitar da fogueira, ecoa de dentro dela; era seu apelo ao mártir do GóIgota: "JESUS".

Seu corpo fora carbonizado nessa fogueira e reduzido a cinzas, as quais, depois foram lançadas ao Sena.

Desta forma, negaram-lhe seus inimigos uma sepultura onde pudessem seus admiradores ir pranteá-Ia!

Os ingleses pensavam terem vencido com a morte de Joana, Mas, enganavam-se. Carlos VII consegue reorganizar rapidamente suas tropas e ganhar as batalhas de Formigni e Castillon, findando-se, assim, a guerra com o triunfo dos franceses.

Seus inimigos mataram-na tal como queriam, isto é, lentamente, com requintes de crueldade.

Joana morreu para os ingleses, para a Terra; porém, viveu para o céu. É a recompensa divina.



Canonização de Joana

Alguns anos mais tarde, Joana é canonizada pela Igreja Romana, a mesma que a tinha acusado de herética. A sua santificação foi mais por conveniência política, que por outro motivo qualquer, porquanto Joana sempre inspirou à Igreja sentimento de repulsão em virtude da sua mediunidade; e por isso, era tida, pelo clero, como "feiticeira", por não querer obedecer-lhe negando a origem extraterrena da sua missão.

O processo de reabilitação de Joana, levado a efeito no século XV, marca a queda da Inquisição na França. Eis o que os franceses devem, ainda, a Joana D'Arc.

A vida de Joana D'Arc, verdadeiro martirológio, continuará sendo sempre a fonte inexaurível de supremos consolos a todos os que sofrem neste vale de dor.

Mártir da mediunidade, a sua fé em Deus, o seu amor a Jesus, cujo nome fora a sua derradeira palavra, reavivará a fé nos corações atribulados que a ela Se voltarem.

Formosa flor de Lorena! Donzela santa! Alma Iirial! Destas plagas sombrias e expiatórias, eu, humilde rabiscador destas linhas, saúdo-te ó pastora -de Domremy, heroína de OrIeans, mártir de Rouen!



Conclusão

Por que, dirão, Joana teria sofrido tanto? A verdade é que, ninguém sofre se não pecou. Esta é uma das leis divinas que cabia ao Espiritismo revelar aos homens, mostrando-lhes que Deus não é um experimentador de almas, concedendo, a umas privilégios, e a outras martírios.

A reencarnação, ensinada pelo Cristo e sancionada pelo Espiritismo, veio patentear aos homens a misericórdia Divina. Assim é que se numa existência o homem vem a falir, desarmonizando-se com as leis naturais estabelecidas por Deus, outra lhe é facultada, para que ele possa resgatar (mais duramente em virtude da sua reincidência no mal) o passado delituoso, e ascender, assim, a outros mundos mais felizes, que Deus destinou a todas as suas criaturas. Deus não criou estes mundos que gravitam no espaço imensurável, inutilmente. E o Cristo dissera que "nenhuma ovelha do seu rebanho se perderá,", o que equivale dizer: não existe o tão lendário inferno com a eternidade de suas penas.

O que existe, e isto é muito justo, porque se concilia perfeitamente com a justiça de Deus, é a reparação de erros; em seguida, provação, para ficar evidenciado se o pecador incorrerá ou não no mesmo erro ; após o que - redenção, uma vez triunfante da prova.



Uma encarnação passada de Joana, segundo um Espírito

H. de Campos, chamado com justeza o repórter do Além, lançou um pouco de luz sobre a vida da grande personagem de quem acima tratamos.

Das páginas de um de seus livros post-mortem, depreende-se que Joana fora a reencarnação do espírito de Judas Iscariotes.

Não deve causar estranheza aos espíritas, a diferença de sexos dessas duas existências, porquanto, o sexo, conforme nos ensina a Doutrina dos Espíritos, não é mais que um acidente na vida humana, necessário à execução dos desígnios divinos.

O ter sido, Joana D'Arc, a reencarnação do espírito de Judas Iscariotes, conforme revelação do espírito citado, deve ser motivo de júbilo, principalmente para os espíritas, porque isso vem demonstrar que o perdão de Jesus concedido a Judas, que o traiu, não foi em vão.

Consoante a concepção católica, Judas é um espírito errante, sem probabilidades de remissão, cuja eterna existência ele arrastará penando.

Assim sendo, perguntamos, de que valeu, então, ter Jesus perdoado a Judas? Felizmente assim não é. O perdão de Jesus não foi inútil. Judas penitenciou-se, pedindo a Deus uma nova existência, cheia de renúncia e de sofrimentos dolorosos, que se epilogou numa fogueira, na pessoa de Joana D'arc.

Que o espírito de Judas Iscariotes, emancipado aos olhos de Deus pelo seu martírio de Rouen, se compadeça dessas infelizes criaturas que, desconhecedoras da lei reencarnacionista, e da misericórdia do Pai ainda queimam - "o Judas de pano" - como desagravo à sua alta traição, ocorrida no passado remoto.

Não encerraremos esta página sem antes louvarmos a ideia do nosso amigo e confrade, José Russo, de dar ao Centro Espírita que fundou na cidade de Franca, o nome de "Judas Iscariotes".

Esse Centro, que traz no seu frontispício o nome de Judas Iscariotes, será, sempre, um protesto permanente aos detratores de sua memória.



 Demetri Abrão Nami

“Páginas Espíritas’ (Ed. Alarico 1960) publicado, pelo autor, em formato de opúsculo, em 1949.