terça-feira, 15 de maio de 2012

REFORMA ÍNTIMA: QUEM PRECISA?


Semper ascendens: (1) “De muito longe venho, em surtos milenários; vivi na luz dos sóis, vaguei por mil esferas e, preso ao turbilhão dos motos planetários, fui lodo e fui cristal, no alvor de priscas eras. Mil formas animei, nos reinos multifários: fui planta no verdor de frescas primaveras e, após desenvolver impulsos embrionários, galguei novos degraus: fui fera dentre as feras. Depois que em mim brilhou o facho da razão, fui o íncola feroz das tribos primitivas e como tal vivi, por vidas sucessivas. E sempre na espiral da eterna evolução, um dia alcançarei, em planos bem diversos, a glória de ser luz, na Luz dos universos”. (2)

Espíritos que somos, fomos todos criados “simples e ignorantes, isto é, sem saber”, (3) devendo, através das múltiplas chances encarnatórias, conhecerem a verdade e palmilhar a estrada da evolução rumo à perfeição, o que nos proporcionará “a pura e eterna felicidade”, (4) que é nossa destinação.

Jesus há mais de dois mil anos, ensinou-nos o Mandamento do Amor, base indispensável para qualquer melhoria individual e coletiva.

A seguir, com as importantes parábolas, Ele nos exemplificou quais atitudes devemos ou não tomar.

E, como roteiro seguro, receita para essa escalada luminosa rumo ao progresso, legou-nos as Bem-aventuranças, verdadeiro “coração” do Sermão da Montanha: aí, nessas pérolas inigualáveis de sabedoria e doçura, encontramos, em maravilhosa simplicidade, os recursos íntimos que devemos desenvolver em nós a fim de capacitar-nos para pensar, sentir e agir no bem.

Mais tarde, em pleno século XIX, a Doutrina Espírita veio, com a permissão de Deus e sob a orientação do Cristo, recordar-nos seus ensinos, enfatizando a necessidade de que os sigamos para sermos realmente felizes, o que é o anseio de toda a Humanidade.

Assim, com esclarecimentos detalhados, é-nos sinalizada, como imprescindível, a nossa reforma íntima, único meio de alcançarmos nossas metas de júbilo e pureza.

Aliás, Jesus já nos animava a encetar essa reconstrução interior, ao afirmar: “Vós sois a luz do mundo. (5) Vós sois o sal da terra”. (6) E nós, como estamos?

Apesar de todas essas informações, de todos esses avisos, muitos de nós ainda estamos claudicantes nesse mister, às vezes até caminhando invigilantes, descuidados, esquecendo que, embora o progresso seja uma lei divina, nós somos seres inteligentes: “o princípio inteligente do Universo”, (7) capazes de alcançar patamares evolutivos superiores, mais ou menos rapidamente, conforme o uso que façamos de nosso livre-arbítrio.

Por que é tão difícil praticarmos com autenticidade a Lei de Amor?

Para algumas pessoas, a palavra “amor” encerra tanta grandeza, tanta sensação de incomensurável, que não raro se sentem “esmagadas” e incompetentes ante esse peso, praticamente desistindo dessa inadiável empreitada.

Todos nós precisamos entender que “reformar” significa novamente dar forma a alguma coisa, “modificá-la para melhor”, e, porque não, “retocá-la”, “embelezá-la”... É higienizarmos nosso interior, sanando-o de miasmas pestilenciais, eliminando sombras persistentes, as quais, desavisadamente, permitimos que nos invadissem, e que insistem em querer ocultar a luz da verdade que irá nos libertar.

Um bom amigo nosso (Milton Menezes), em suas explanações em tarefas espíritas, costuma alertar a seus ouvintes de que, se não nos achamos aptos ainda a cultivar o amor incondicional, devemos dedicar-nos corajosa e persistentemente a semear e cultivar os “filhotes do amor” (respeito, paciência, tolerância, humildade, simplicidade etc.).

Desse modo, embora enfrentando numerosas dificuldades individuais, iremos paulatinamente eliminando erros e edificando virtudes, as quais nos levarão ao Amor Incondicional, semelhante ao de Jesus.

Por conseguinte, ouçamos a voz de Jesus em nós, e, com perseverança, anulemos conscientemente os adornos enganosos do Homem Velho, que nos cerceiam a evolução, e dediquemo-nos a esculpir em nós mesmos o Homem Novo, tornando-nos Cidadãos do Universo, dignos filhos amados de nosso Pai.

Não tenhamos dúvida de que, então, estaremos transformando a Terra realmente num mundo azul, belo e evangelizado.

Recordemos as palavras judiciosas do Dalai Lama: Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. [...] (8).



Reformador Maio 2010


1Latim: “Sempre ascendendo”.
2ROMANELLI, Rubens C. Primado do espírito, 3. ed. Belo Horizonte: Ed. Síntesi, 1965. Tópico III – Temas Filosóficos: Evolução, p. 55.
3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 115.
4Idem, ibidem.
5MATEUS, 5:14. Bíblia sagrada (CD--ROM). Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1996.
6MATEUS, 5:13. Idem.
7KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 23.
8Disponível em: www.pensador.info/autor/DalaiLama/.

Um comentário:

  1. Elenir Sampaio Coutinho7 de maio de 2013 10:22

    Achei lindíssima a citação de RUBENS ROMANELLI postado no início do seu texto! Copiei o nome do livro e seu autor e, obviamente, o lindo texto.
    Muito obrigada pela bela página! Joana D'Arc é um ser muito querido por quem tenho uma grande admiração, que me desperta grande ternura empatia.
    Tive oportunidade de estar em Paris, no local onde, infelizmente, por um ímpeto brutal, covarde, arrogante, cego aos mais simples traços de humanidade, ela foi queimada. É muito triste!!! Ficar frente a frente com essa realidade é profundamente desalentador.
    Mas, há muita LUZ a nossa volta e é fundamental olhar para ela, vivenciá-la e ajudar a espalhá-la por onde pudermos!
    Um grande abraço! Muita PAZ, muita LUZ!!!
    Elenir

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