sexta-feira, 27 de julho de 2012

O ESPIRITISMO PRECISA VOLTAR À SUA ORIGEM – A SIMPLICIDADE

A Doutrina Espírita, como princípio de uma Nova Ordem mundial, no campo dos projetos espirituais, é inexpugnável em qualquer quadrante do Orbe. Porém, lamentavelmente, o movimento Espírita é muito fracionado. Cada qual quer fazer um “espiritismo particular”.

Muitas lideranças doutrinárias complicam conteúdos que deveriam ser simples.

Coincidentemente, o Cristianismo, durante os três primeiros séculos, era, absurdamente, diferente do Cristianismo oficializado pelo Estado Romano, no Século V. O brilho translúcido, nascido na Galiléia, aos poucos, foi esmaecendo, até culminar nas densas brumas medievais. O que observamos, no movimento Espírita atual, é a reedição da desfiguração do projeto inicial, de 1857. Os comprometidos com o princípio unificacionista brasileiro precisam manter cautela para não perderem o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec, engendrando motivos à separatividade entre os adeptos da doutrina. Recordemos que a alma do Cristianismo puro estava estuante nas cidades de Nazaré, Jericó, Cafarnaum, Betsaida, dentre outras, e era diferente daquele Cristianismo das querelas e intrigas de Jerusalém.

O Espiritismo está sendo invadido pelo joio, extremamente prejudicial à realidade que a doutrina encerra, uma vez que vários pretensos seguidores/dirigentes introduzem perigosos modismos à prática Espírita, com inócuas terapias desobsessivas e, como se não bastasse, por mera vaidade, ostentam a insana idéia de superioridade sobre Kardec, alegando que o Codificar está ultrapassado. Será crível que Kardec imaginou esse tipo de movimento Espírita?

Ah! Que falta nos fazem os baluartes da simplicidade kardeciana, Bezerra, Eurípedes, Zilda Gama, Frederico Junior, Sayão, Bitencourt Sampaio, Guillon Ribeiro, Manoel Quintão!

Estamos convencidos de que o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como revelação.

O evangelho é a frondosa árvore fornecedora dos frutos do amor. Urge entronizar a força da mensagem de Jesus, sem receio dos “kardequiólogos de plantão”, os chamados “intelectuais” de nossas fileiras, sem medo das críticas dos espíritas de “gabinete”, dos patrulheiros ideológicos que pretendem assumir ou assenhorear as rédeas do movimento Espírita na Pátria do Cruzeiro do Sul.

O movimento Espírita não deveria se organizar à maneira dos movimentos sociais de hoje, sob pena de incentivar hierarquização com recaídas na pretensão vaticanista de infalibilidade. O que os Espíritas precisam é atentar, com mais critério, para os fundamentos doutrinários que nos impele à íntima reforma moral.

Nessa tarefa, individual, intransferível e impostergável, está a nossa melhor e obrigatória colaboração para com o avanço moral do Planeta em que vivemos, pois, moralizando-se cada unidade, moraliza-se o conjunto.

Um grande exemplo de espírita anti-burocrático foi Chico Xavier, considerado ultrapassado por muitos pretensos cientificistas ressurgidos das cinzas, do Século XIX, que tiveram, em Torterolli, a enfadonha liderança. Atualmente, jactam-se quais pretensos inovadores, porém, não conseguem acrescentar, sequer, uma palavra nova à Codificação. É urgente, pois, que preservemos o Espiritismo tal qual nos entregaram os Mensageiros do amor, bebendo-lhe a água pura, sem macular-lhe a cristalina fonte. A maior frustração do “Convertido de Damasco” se deu, exatamente, no Aerópago de Atenas, quando os intelectóides, de então, o dispensaram, alegando que haveriam de ouvi-lo em outra oportunidade.

O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do povo (que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos pomposos Congressos que só aguça vaidades), o Espiritismo dos velhos, o Espiritismo das crianças, o Espiritismo da natureza, o Espiritismo “céu aberto”. Que tal?

A rigor, a Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)." (1)

Louvemos os congressos, simpósios, seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas nunca nos esqueçamos de que a Doutrina Espírita não se tranca nos salões luxuosos, não se enclausura nos anfiteatros acadêmicos e nem se escraviza a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo o “elitismo às avessas”!

Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Graças a esses Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec.

Jorge Hessen

Fonte:

(1) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979

sábado, 14 de julho de 2012

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

Lembramos que no dia 14 esta sendo comemorado mais um aniversário da Revolução Francesa, representada pela Queda da Bastilha, revolução que veio mudar muitas coisas no mundo e que levantou uma flâmula capaz de incendiar o pensamento.
Liberdade, igualdade e fraternidade, eis um dístico que orgulharia a humanidade de qualquer época e lugar, flâmula que fez vibrar os franceses na revolução que levou a derruir a pavorosa prisão chamada Bastilha. Entretanto, as bastilhas continuam de pé nos corações egoístas.
O homem lentamente vai se livrando da sua belicosidade. Mas gostaríamos, como todos, de vê-lo trilhando os caminhos da paz. Os grandes aglomerados humanos parece neurotizar os seus habitantes, e a violência, estimulada pelos desníveis sociais, leva os homens ao desespero, e no desespero se armam, e no se armarem constroem as tragédias que os cronistas descrevem com sensibilidade.
Liberdade, palavra bonita e procurada com empenho. Liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de ser gente. Há quem se sinta prisioneiro, mesmo flutuando numa asa delta, e há quem, preso a um leito ou a uma cadeira de rodas, voa pelo espaço infinito qual condor dos Andes.
Igualdade. Utopia, pois sempre existirá as diferenças de méritos. Mas a igualdade aproximada é possível. O direito de viver corresponde ao direito de se ter dignidade de vida. Direito à alimentação, moradia, propriedade, escola, assistência médica, bem estar físico e mental.
Fraternidade. Ah, se existisse fraternidade, quão mais fácil seria a liberdade e a igualdade. Fraternidade que faria com que os homens se sentissem irmãos, se compreendessem, se amassem. Impossível? Não! Pois muitos já provaram que é possível amar o seu próximo.
É por isso que acreditamos que a sociedade de São Paulo, Rio ou de qualquer lugar poderá reverter a violência. É por isso que a Rede Boa Nova de Rádio mantém o programa Campanha Boa Nova Pela Paz, e convida seus ouvintes contra o mal, mas com amor no coração. Podemos conseguir a paz trabalhando por ela, mesmo sem sermos super-heróis, políticos, militares, ou prêmio Nobel da paz.
O homem que traz a paz no seu coração, é filho da paz, e sua presença acalma, tranquiliza. Assim foi Gandhi, assim foi Francisco de Assis, assim foi Hellen Keller, Madre Teresa, Francisco Cândido Xavier, Jesus de Nazaré... Estes e muitos outros que caminhando pelas trilhas do mundo, deixaram cair de suas sandálias poeira de estrelas, para iluminar o roteiro de quem quiser seguir por ele.
Lógico que precisamos mudar muita coisa. Precisamos cuidar das crianças abandonadas, precisamos corrigir as injustiças sociais, combater a miséria, criar empregos, e sobretudo combater as drogas, dando à nossa juventude uma razão maior e mais bela para se viver, colocando a droga no seu devido lugar, o lixo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VICISSITUDES DA VIDA MATERIAL.


Breve análise do significado da palavra “vicissitude” em face da questão 132 de O Livro dos Espíritos, bem como do “Prefácio” à Prece Pelos Doentes, do Capítulo XXVIII, item 77, de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

 Em O Livro dos Espíritos (1), Kardec indaga sobre o objetivo da encarnação dos Espíritos em corpos materiais. Os Espíritos Superiores respondem apontando duas finalidades: a primeira para que os Espíritos cheguem à perfeição a segunda para que cumpram sua parte na obra da Criação.

Analisaremos, apenas a primeira parte da resposta que foi nos seguintes termos: “Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisto é que consiste a expiação.”

Na mesma ordem de ideias, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (2), , Allan Kardec ensina que: “As doenças pertencem às provas e vicissitudes da vida terrena. São inerentes à grosseria da nossa natureza material e à inferioridade do mundo que habitamos.”

Mais uma vez temos o vocábulo “vicissitude”

Dizem os Espíritos que a expiação consiste em sofrer todas as vicissitudes da existência corporal. A expiação não é só uma reparação de erros como se pensa. É muito mais do que isto.

Para entendermos as lições acima indicadas, necessário verificarmos os significados da palavra “vicissitude”. São estas as acepções: 1. Sucessão de mudanças ou de alternâncias. Exemplo: acompanhar as vicissitudes das estações. Meu dia foi uma vicissitude de notícias tristes e alegres. 2. Sequência de coisas que se sucedem. Exemplo: As vicissitudes das gerações através dos séculos. 2.1. Variação decorrente de tais mudanças. Exemplo: Aos mais velhos desagradam certas vicissitudes. 3 instabilidade que conduz à imprevisibilidade eventualidade, acaso. Exemplo: É preciso ter persistência para enfrentar as vicissitudes da existência. 4. Condição que contraria, ou é desfavorável a algo ou alguém insucesso revés. Exemplo: Peço-lhe que me ajude nessa vicissitude. Etimologia. Do Latim: vicissitúdo,ìnis mudança, alteração troca de favores. (3).

Portanto, vicissitude significa as mudanças das coisas através do tempo. E, principalmente, as consequências destas mudanças.

Assim, um exemplo de vicissitude é o envelhecimento do corpo carnal. E a expiação consiste no desconforto que experimentamos com este envelhecimento. As dificuldades de se locomover, de se enxergar e as doenças decorrentes da idade avançada são exemplos de vicissitudes e de expiação, vez que a expiação consiste nas alterações físicas e psicológicas da existência corporal.

Urge meditemos sobre este conceito de expiação. Na condição de Espíritos encarnados estamos ligados a um corpo material que envelhece (vicissitude), criando para nós Espíritos desconforto em utilizá-lo, e, com isto ficamos submetidos à verdadeira expiação.

Finalizando, não devemos esquecer que mesmo sofrendo as vicissitudes da vida (expiação) Deus nos proporciona vários lenitivos. Assim é que temos a medicina, que com suas várias terapias elimina muitos dos desconfortos causados pelo envelhecimento (vicissitude). E na área propriamente humana temos várias providências legislativas para minimizar a expiação decorrente da vicissitude envelhecimento.

Concluindo, mesmo na expiação, Deus sempre está nos ajudando para que o desconforto expiatório não seja além do necessário para a nossa evolução.



Bibliografia:

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.. 43ª ed. São Paulo:Livraria Allan Kardec EditoraLake, 1984. Questão 132.

(2) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 43ª ed. São Paulo:Livraria Allan Kardec EditoraLake, 1984. Capítulo XXVIII, V-Preces Pelos Doentes e Obsedados. Item 77. Prefácio da Prece Pelos Doentes

(3) HOUAISS, Antônio. Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro:Editora Objetiva, 2000.