sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A “HEREGE” QUE ALCANÇOU A “SANTIDADE”


 
Sua comovente história tem inspirado numerosos escritores e cineastas.

Limito-me, neste trabalho, à citação de uns poucos, mais em evidência através dos anos.

De início, entre os primeiros, Schiller com "A donzela de Orléans", drama que inspirou a ópera do conhecido compositor russo Tchaikovski; George Bernard Shaw, que escreveu "Santa Joana", trabalho composto de seis cenas e um epílogo; Christine de Pisan, com "Balada de Joana d' Arc''; Chapelain, autor de "A PuceIa" e CIaudel, com a obra "Joana na fogueira", um oratório, com música de Honegger.

Entre os segundos, destaco Victor Fleming - "Joana d'Arc"; Otto Preminger - "Santa Joana"; Roberto Bresson - "O processo de Joana d' Arc" - e Carl Dreyer - "A paixão de Joana d' Arc".

 Com referência à literatura espírita, quem desconhece a extraordinária obra de Léon Denis, "Joana d' Arc"?

Aqueles que tiveram ensejo de ler o volume nº 12, referente ao ano de 1869, da Revista Espírita, na parte índice Biobibliográfico, encontram estes dados bem sintéticos:

"Joana d'Arc - Heroína francesa, nascida em 1412 em Domrémy, filha de modestos operários, levou vida humilde na infância, permanecendo analfabeta. Diz o seu confessor que era ignorante a ponto de apenas saber o Pai Nosso. Guardava o rebanho do pai e ajudava a mãe nos trabalhos domésticos. Piedosa, sensível, alma ardente; era patriota. (...) Ouvia vozes, que dizia serem de São Miguel, de Santa Catarina e Santa Margarida, que se manifestavam quando tinha ela 13 anos, mandando-a marchar em auxílio do Delfim. Foi nomeada "chefe de guerra".

Então intimou os ingleses a entregar as chaves dos lugares ocupados, em nome do rei do céu. Atacou-os, entrou em Orléans a 29 de abril e em pouco tempo os derrotou completamente.

Lutou contra os inimigos internos. Processada, foi queimada na praça do Vieux-Marché, em Ruão, a 30 de maio de 1431." (...)

(Nota - A entrada de Joana d' Arc com seu exército em Orléans, deu-se a 29 de abril de 1429.)

 A missão da donzela (fr. pucelle) de Orléans foi tão marcante que chegou a inspirar Gabrielle Jeffery, em 25 de março de 1911, a fundar a Sociedade Sufragante de Mulheres Católicas, a qual em 1923 mudaria o nome para Santa Aliança Internacional.

De acordo com dados colhidos, urna organização sem qualquer filiação política, de mulheres, a atribuir à situação geral de inferioridade reservada à mulher os grandes males do mundo.

Seu objetivo: o princípio cristão da equivalência dos sexos, pretendendo, assim, valorizar o trabalho e a eficácia da mulher católica, tornando-a útil à comunidade. No caso específico de Joana d' Arc, cujos feitos chegaram ao conhecimento de todos os países, sabemos que somente em 1894, por decreto do Papa Leão XIII, seria considerada venerável; em 1909 proclamada beata por Pio X e, finalmente, em 1920, inscrito seu nome no álbum dos santos.

Como se percebe, longos anos escoariam na ampulheta do tempo para que a heroína francesa tivesse o reconhecimento do trabalho realizado à frente de um exército, objetivando a libertação de sua pátria.

A par de inúmeras obras descritivas desse vulto que continua a ter um número cada vez maior de admiradores, duas merecem atenção mais particularizada em nos referindo à literatura espírita. Faço menção aos trabalhos "A história de Joana d' Arc ditada por ela mesma", recebida pela mediunidade de Ermance Dufaux, urna menina de 14 anos que também recebera obras referentes a Luís XI e Carlos VIII, e "Joana d' Arc", de autoria de Léon Denis, um dos mais completos trabalhos sobre a donzela de Orléans que a estante espírita possui.

Segundo podemos ler na obra de Canuto de Abreu, "O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária" (pág. 88), Ermance de Ia Jonchére Dufaux "colaborou, como médium, com Kardec, na elaboração da segunda edição de

'O Livro dos Espíritos', de 1860, que se popularizou. O seu guia espiritual deu grande incentivo a Kardec para publicar a 'Revue Spirite' e Ermance, com seu pai, o Senhor Dufaux, se tornou sócia fundadora da 'Societé Parisienne des Études Spirites', Podemos, também, considerá-Ia uma heroína espírita, pois, o seu livro - 'Histoire de Jeanne D'Arc, dictée par elle-même' (edição original de Meluu, Paris, 1855) - foi consumido na mesma fogueira em que arderam as obras de Kardec e de outros, acesa pelo auto-de-fé em Barcelona, Espanha, no dia 9 de outubro de 1861. 'Revue Spirite', dos meses de março, maio e junho de 1858, reproduz o seu manuscrito de 1857 'Confections de Louis XI. Histoire de sa vie dictée par lui meme'. 'Passou-se com ela (Ermance) um curioso fenômeno. A princípio era bom médium psicógrafo e escrevia com grande facilidade; pouco a pouco tornou-se médium falante (de incorporação ou psicofônico) e, à medida que esta nova faculdade se desenvolve, a primeira se atenua...' (registra Kardec, in 'Revue Spirite', janeiro de 1858)".

Conforme esclareci em Reformador de março de 1990, Kardec, que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a senhorita Ermance Dufaux, fez questão de frisar que “os incrédulos farão sempre mil e uma objeções; mas para nós, que vimos o médium, a origem do livro não poderia ser posta em dúvida”.

(...) sua instrução era a das meninas de família decente, educadas com cuidado, mas, ainda quando tivesse uma memória fenomenal, não seria nos livros clássicos que iria encontrar documentos íntimos, dificilmente encontradiços nos arquivos da época".

Infelizmente o livro não chegou até nós.

O que é de lamentar, porquanto seria interessante fonte de estudo.

Por outro lado, a obra de Léon Denis teve merecida divulgação por parte da Federação Espírita Brasileira. Trata-se de excelente biografia sobre a jovem que projetou Domrémy - sua cidade natal -, a todos os quadrantes. Além de apresentar dados biográficos, contém as opiniões favoráveis ou antagônicas àquela que fez coroar Carlos VII, em Reims, em 1429, e que, depois de repelir o exército inglês, teve sua condenação à fogueira por um tribunal camuflado de eclesiástico. Ainda na mesma obra fala o autor a respeito das vozes que a despertaram para sua missão. Vozes que a mantiveram firme durante longo tempo à frente das tropas francesas e que finalmente a sustentaram no momento do suplício das chamas.

Já na Introdução de seu livro cita Denis os que foram acordes em exaltá-la, considerando-a uma heroína de gênio, uma espécie de messias nacional: Michelet, Wallon, Quicherat, Henri Martin, Siméon Luce, Joseph Fabre, Vallet de Viriville, Lanéry d'Arc.

Mas não deixa passar a oportunidade para dizer:

"Enquanto de um lado, exaltando-a sobremaneira, procuram monopolizá-la e encerrar-lhe a personalidade no paraíso católico, de outro, por uma tática, ora brutal com Thalamas e Henri Bérenger, ora hábil e erudita, servida por um talento sem par, com Anatole France, esforçam-se por lhe amesquinhar o prestígio e reduzir-lhe a missão às proporções de um simples fato episódico.'

A par de todas as opiniões catalogadas por Léon Denis à figura de Joana d' Arc, dos comentários sobre as vozes que a assistiam e da missão cumprida à frente dos homens de armas, uma das páginas que muito nos elucida e conforta do ponto de vista espiritual é aquela expressa pela própria comunicação que ela deu por via mediúnica.

Confessa Denis que ele mesmo se esforçara no sentido de conseguir essa mensagem.

Escreveu ele: (Cap. XVIII)

"Cedendo aos nossos rogos, consentiu (Joana d'Arc) em resumir todo o seu pensamento numa mensagem, que nos consideramos no dever de reproduzir com escrupulosa fidelidade," (...)

Adianta ele que a mensagem possuía todas as garantias desejáveis de autenticidade:

"O Espírito que a ditou escolheu para intérprete um médium que vivera no décimo quinto século e conservava, no seu "eu" profundo, lembranças, reminiscências daquela época. Por esta circunstância, possível lhe foi imprimir à linguagem, dentro de certos limites, o cunho do tempo."

Nesse sentido, o autor, ou seja, Léon Denis, teve o cuidado de colocar uma nota no rodapé da página para alertar os leitores:

"Objetar-me-ão, talvez, que Joana não sabia ler, nem escrever. Responderei que depois de sua morte trágica, ao regressar para o espaço, ela recobrou todos os seus conhecimentos anteriores."

A mensagem foi recebida no dia 15 de julho de 1909.  Não a transcreverei toda, limitando-me, apenas, a alguns tópicos.

Bastará, porém, para que percebamos a inteligência do Espírito comunicante.

A respeito da responsabilidade das encarnações, escreveu:

"(...) as vidas que o Senhor nos dá devem ser utilizadas santamente, a fim de estarmos em sua graça.(...)

Sobre a curiosa outorga de forças aos fracos, assim se expressou "Ele (ou seja Deus) sempre escolheu os fracos para realizar seus desígnios, porquanto sabe dar força ao cordeiro, conforme o prometeu;" (...)

Confessando com humildade a fraqueza e o medo que a assaltaram no dia-a-dia de sua vida, sobretudo, depois de estar consciente de sua missão, considerou:

"Ele me ocultou, por seus enviados, o fim doloroso que tive, compadecido da minha fraqueza e do medo que o sofrimento me causava; porém, chegada a hora, recebi, por intermédio daqueles enviados, toda a força e toda a coragem."

Com referência à alegria que experimentava ao ouvir as vozes que sempre a sustentaram no decorrer de seu trabalho missionário, de forma clara e objetiva escreveu:

"Dizer-vos o que se passava então em mim não é possível, porque eu não vos poderia descrever a minha alegria calma e intensa;" (...)

Finalmente, abrindo seu coração para manifestar o amor que dedicava à Igreja - à sombra da qual se criara -, mas ao mesmo tempo deixando perceber sua desilusão quanto a essa mesma Igreja, através da conduta dos adeptos que haviam plantado o ódio em suas fileiras no decurso dos anos, desabafou de forma muito incisiva:

- "Choro o ódio que plantaram entre seus irmãos, o mau grão que semearam no campo da Igreja e que levou esta mãe que tanto amei a procurar mais a fé do que o amor do perdão. É-me grato, entretanto, vê-los emendar-se a confessar um pouco o erro que cometeram; porém, não o fizeram como eu desejara e a minha afeição à Igreja se desligará cada vez mais desta antiga reitora de almas, para se dar tão-somente ao nosso doce e gracioso Senhor."

A comovente quão instrutiva mensagem, assinada com o nome Jehanne, é, assim, o espelho a refletir, ao mesmo tempo, a humildade e a superioridade moral da camponesa que um dia, acolhendo o chamado do Alto, partiu de sua quase desconhecida aldeia para libertar a França do jugo da Inglaterra!

*

No volume referente ao ano de 1869, da Revista Espírita, na mesma parte que trata dos dados biográficos de Joana d' Are lemos esta curiosa informação:

"(...) Dizia uma lenda que a realeza, perdida por uma mulher, seria salva por uma virgem. A mulher nefasta era Isabel da Baviera; a virgem libertadora - Joana D' Arc." (...)

Uma lenda que na verdade passou a constituir uma realidade, consoante os próprios dados fornecidos pela História.

Isabel da Baviera, rainha de França, nasceu em 1371,  tendo desencarnado em 1435.

Era filha de Estêvão Il, Duque da Baviera.

Possuidora de grande beleza, casou-se aos 15 anos com Carlos VI, sendo coroada em 1389.

Amava, de início, o marido, contudo, a corte corrupta que a cercava acabou por modificar sua vida: tomou-se frívola e imediatista.

Quando o marido enlouqueceu, separou-se dele, dedicando-se a Luís de Orléans. Após a célebre carnificina dos Armagnacs, tomou Isabel partido contra o próprio filho, o Delfim Carlos. Por sua vez, o assassinato de João sem Medo, que já a libertara anteriormente quando fora ela para o desterro, lançou-a nas mãos dos ingleses. Por conselho então de Filipe de Borgonha, entregou o reino ao então rei da Inglaterra: Henrique V!

Essa a França encontrada por Joana d' Are.

Esse o país do qual condoeram-se as "vozes".

Essa a terra que a menina nascida em Dornrémy haveria de libertar do jugo dos ingleses, afrontando a descrença e o escárnio de seus contemporâneos!

Que jamais poderiam acreditar em sua forças.

Que jamais poderiam julgá-la habilitada a vencer o exército inglês!

A história de Joana d' Arc é parte, afinal, da história que durou um século, entre a França e a Inglaterra, a partir do ano de 1337.

Não se tratava exatamente de um conflito entre dois povos constituídos em nações nitidamente diferenciadas.

Senão, vejamos.

Muitos "ingleses" eram normandos, isto é, franceses que chegaram à Inglaterra com Guilherme, o Conquistador, no ano de 1066. Por outro lado, muitos "franceses" eram bretões, ou seja, ingleses habitando há muitas décadas o norte da França!..

De qualquer forma, os ingleses obtiveram em 1415 uma vitória decisiva e, por um tratado assinado em Troyes, metade da França passou para o domínio de Henrique V, rei da Inglaterra, ficando a outra metade sob o governo de Carlos VI.

Morrendo Carlos VI, foi coroado rei da França o filho de Henrique V, um inglês, portanto! Para os franceses, todavia, rei mesmo era Carlos VII, filho do falecido monarca.

Entre os franceses que não aceitavam o domínio inglês estava a camponesa Joana.

A moça que haveria de enfrentar a Inglaterra!

Bastaria o ter ganho ela - distanciada de todo e qualquer conhecimento militar - uma simples batalha para já merecer o elogio de seu país. Entretanto, o que a História haveria de registrar em suas páginas, para espanto de todos, é que a Pucela venceria muitas batalhas, libertando o seu povo dos grilhões do domínio inglês. Tudo isso, lançando mão de incríveis táticas de guerra!

Esses feitos extraordinários, aliás, inspiraram na época inúmeras representações teatrais.

Por exemplo, numa teatralização ocorrida em 1456, em Orléans, um dos atores exclamava em determinado ponto da peça:

- Um só de nós vale por cem sob o estandarte da Pucela!

Afirmava Joana d'Arc possuir muito medo da traição. E foi justamente a traição que a levou à fogueira, após ter passado por um julgamento que a História registraria como inteiramente irregular, onde os gestos de traição surgiam a cada instante! 

Entre parênteses, devemos considerar que uma série de triunfos coroou esse martírio.

Em 1435, pelo Tratado de Arras, a região da Borgonha voltaria às mãos da França

Um ano mais tarde Paris foi reconquistada, seguindo-se a Guiena e a Normandia.

A tomada de Bordéus em 1453, na batalha de Castillon, pôs termo à guerra e dos outrora extensos domínios ingleses na França, só restaria o porto de Calais!

Mas, a respeito do julgamento irregular de Joana d' Are, da traição que a envolveu, um espírita da cidade de Antuérpia, ao tempo de Kardec, correspondente da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, teve a lembrança de enviar ao Codificador um artigo escrito por Natalis de Wailly. A esse mesmo artigo o correspondente teve igualmente o cuidado de juntar uma nota que segundo Kardec era fruto das pesquisas pessoais do remetente.

Dizia a nota (Revista Espirita, dezembro/1867):

"(...) Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, e um inquisidor chamado Lemaire, assistidos por sessenta assessores, foram os juízes de Jeanne. Seu processo foi instruído segundo as formas misteriosas e bárbaras da Inquisição, que havia jurado a sua perda. Ela quis louvar-se no julgamento do Papa e do Concílio de Bâle, mas o bispo se opôs. Um sacerdote, L'Oyseleur, a enganou, abusando da confissão, e lhe deu funestos conselhos. Por força de intrigas de toda sorte, ela foi condenada em 1431, a ser queimada viva como mentirosa, perniciosa, enganadora do povo, adivinha, blasfemadora de Deus, descrente na fé de Jesus-Cristo, gabola, idólatra, cruel, dissoluta, invocadora dos diabos, sistemática e herética."

A verdade sobre sua pessoa haveria, entretanto, de aparecer.

No ano de 1456, um quarto de século portanto depois de seu julgamento e condenação, o Papa Calixto Il, através de uma comissão eclesiástica, fez pronunciar a reabilitação de Joana d' Are, e por intermédio de solene sentença foi declarado que ela morrera mártir em defesa de seu rei, de sua pátria e de sua religião.

As condições de venerável, beata e santa só seriam admitidas pela Igreja a partir de quatro séculos mais tarde, conforme vimos anteriormente. Mais precisamente, nos anos de 1894, 1909 e 1920.

Quanto às reações à morte de Joana na fogueira, houve muitas que ficaram nas páginas da História.

Na Alemanha, em 1800, Schiller, através de trágico poema vingava Joana d' Are das insânias de Voltaire.

Goethe, reconhecendo o valor da obra de Schiller, escrevia a ele:

"Sua obra é tão boa, tão boa, e tão bela, que não vejo o que se lhe possa comparar."

Por sua vez A. W. Schlegel, um crítico eminente e amigo de Madame de Staël, consagrava uma peça em verso ao suplício da heroína, enquanto a própria Madame de Staël escrevia em seu livro "Da Alemanha":

"Só os franceses permitiram que se insultasse a memória de Joana."

A Itália também se incorporou, nessa época, ao grupo dos países que fizeram referências a Joana d' Arc. Destaca-se nesse particular a figura de Antônio Morosini, nobre veneziano e negociante armador. Com o título "A Crônica Geral de Veneza" ou "Diário", publicou um jornal mantido sem interrupção desde 1404 até 1434, a respeito do qual a Revue Hebdomadaire fez um comentário:

"Observador perspicaz e judicioso, Morosini intercalou no texto vinte e cinco cartas ou grupos de cartas, em que se relatavam as ações da PuceIa, à medida que iam sendo praticadas." (...)

Na Inglaterra, Sir Edward CIarke escrevia:

"(...) Consideramos Joana a maior heroína que o mundo já conheceu; lamentamos quanto com ela fizeram, o que tudo foi muito malfeito." (...)

Nesse mesmo país, James Darmester, em sua obra "Nouvelles Études Anglaises", deixaria uma curiosa observação:

"(...) Na Inglaterra, a vida de Joana d'Arc, a partir de sua morte até nossos dias, se divide em três períodos: feiticeira, heroína, santa; primeiramente, dois séculos de insultos e ódio; depois, um século de justiça humana; finalmente, em 1793, uma era de adoração e de apoteose!"

De minha parte, acrescento que à acusação de feiticeira, soube Joana d' Arc demonstrar ao mundo a confiança irrestrita que depositava nas vozes do céu que a assistiam, isto é, nos Espíritos que se postaram a seu lado, sustentando-a em todos os momentos; muitos anos depois, já na Espiritualidade, à expressão heroína, buscaria o cultivo da humildade de coração; e à designação de santa, manteria o raciocínio de que tanto ela quanto todos nós, não passamos, em verdade, de simples viajores na eterna caminhada em busca de novos estágios evolutivos ...

Em consequência, nenhuma criatura de bom senso poderá reclamar para si qualquer expressão de santidade, uma vez que "puro", na real acepção do termo, o Planeta somente conheceu um Espírito: - Jesus!

Difícil a alusão a todas as circunstâncias que cercaram a donzela de Orléans.

Difícil a consideração - em simples artigo -, a todos os segmentos correlacionados com as teses espíritas.

Desta forma é de grande proveito para o estudioso do Espiritismo a leitura da obra de Léon Denis, insistentemente mencionada neste trabalho.

 

Kleber Halfeld

Reformador (FEB) Janeiro 1995

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