terça-feira, 17 de setembro de 2013

MORTE E RENASCIMENTO


O ser integral é viajante da Eternidade realizando o seu progresso etapa-a-etapa, de tal forma que as experiências vividas em cada jornada carnal estabelecem os mecanismos da evolução em referência à próxima, facultando-lhe intérmino desenvolvimento.

Desde quando criado, experimenta as incessantes transformações que o fazem desabrochar, arrebentando a masmorra em que se encarcera e crescendo na busca da sua destinação eterna - a perfeição relativa - que ainda não lhe é dado vislumbrar por falta de recursos e aptidões que lhe capacitem o entendimento em profundidade.

Cada realização conseguida se lhe insculpe de forma irrecusável nas tecelagens mais delicadas da organização sutil, que é o perispírito, o veículo modelador que lhe programa os futuros comportamentos para o processo de adiantamento moral no campo da matéria. Constituído de energia específica e plasmática, esse corpo intermediário encarrega-se de registrar todas as ocorrências morais e mentais que deverão consubstanciar a futura forma, o mecanismo de recuperação, o instrumento de conversão de valores que são necessários, tendo em vista a própria depuração.

Em face da conduta durante a existência física, de certo modo vão sendo delineados os processos para a libertação pelo veículo da morte, cuja ocorrência é muito mais grave do que pode parecer ao observador menos cuidadoso.

Morre-se ou desencarna-se conforme se vive. Os pensamentos e atos são implacáveis tecelões que se responsabilizam pelo deslinde final que liberta o Espírito do corpo.

Desse modo, a ocorrência terminal, encarregada de produzir a desencarnação, é resultado de todo o processo vivido durante o estágio orgânico. Cada qual experimenta o curso libertador de acordo com o procedimento mantido enquanto encarnado, o que se lhe transforma em futuros programas existenciais.

Uma desencarnação violenta não apenas produz grande perturbação, como também poderá responder pelo difícil porvindouro processo de renascimento corporal.

O suicídio, largamente programado, produz-lhe fundos traumas, elaborando uma próxima reencarnação que se lhe torna muito sofrida, desde a gestação com numerosas complicações antes e durante o parto, isto quando não é malograda por insucessos muito dolorosos. O enforcamento, por exemplo, elabora um renascimento sob a constrição do cordão umbilical em grave asfixia; o envenenamento estabelece o recomeço sob lesões cerebrais irrecuperáveis resultantes da anóxia; o afogamento gera ruptura da placenta antes do parto; o despedaçamento do corpo, porque se atirou das alturas ou sob veículos pesados, ou mutilações propositais, programa retorno sob posição inadequada, com impossibilidade de liberação, ou dá lugar a deformações congênitas, tais como desestruturação do conjunto orgânico e outras anomalias graves...

A forma angustiante do renascimento não impede, antes se vincula à existência que se fará assinalar pelos efeitos danosos do autocídio, que é sempre um mecanismo vergonhoso e cruel para o Espírito que força ausentar-se da matéria.

Ninguém, portanto, se evade impunemente dos deveres, sem que não volte a encontrá-los mais complexos e exigentes para serem solucionados.

São as condutas suicidas que respondem pelos processos degenerativos a que são submetidos muitos indivíduos que passam na Terra, a arrostar as consequências dessa insânia, dessa rebeldia contra as Soberanas Leis.

O ato desastroso, mediante o qual o infrator deseja fugir da consciência, mais se lhe fixa, impondo repetição do fenômeno da morte para aprender como respeitar os impositivos da vida.

Por outro lado, quando a partida da Terra se dá por acidentes que produzem grande pavor, esses podem comprometer o futuro retorno à matéria através de sofrimento cáustico que, por sua vez, se refletirá como aflições incessantes durante a jornada porvindoura, apresentando dores e conflitos inquietantes.

A criatura humana está sempre a semear e a colher dentro de um fatalismo de que não se pode evadir, porquanto o mesmo constitui o meio salutar e único para o desenvolvimento de todos os valores que se lhe encontram ínsitos.

Morte e renascimento são processos que se completam, por fazerem parte do mesmo fenômeno da vida. Porque o Espírito é o determinante da própria experiência iluminativa, tudo quanto elabora mentalmente e transforma ou não em ação, se lhe constituirá patrimônio pessoal, adquirindo mais significado quando concretizado através dos atos.

O pensamento é poderoso veículo, não apenas de comunicação e de crescimento individual, mas também de energia vigorosa que se movimenta no Universo, força cocriadora que o Espírito possui para ascender do primarismo às cumeadas do progresso. Por isso mesmo, deve ser muito bem direcionado, porque a toda emissão de onda mental corresponde uma sintonia equivalente, que se transformará em construção feliz ou desventurada conforme o conteúdo de que se faça portadora.

As marcas de nascimento, mais do que procedentes de fatores genéticos, são sinais programados pelo Espírito, consequentes à forma como lhe ocorreu a desencarnação anterior e que se imprimem nos códigos do DNA, qual se dá com os fenômenos do parto feliz, complicado ou malsucedido.

Antigo refrão assinala: Tal vida, qual morte, e podemos acrescentar que, de acordo com a morte assim será o recomeço da vida.

 

Joanna de Ângelis

Livro: Dias Gloriosos

Nenhum comentário:

Postar um comentário