quinta-feira, 19 de setembro de 2013

NATUREZA FLUÍDICA DO CORPO DE JESUS


 Supondes que Jesus, ao descer sobre a Terra,

Se envolvesse em matéria igual à em que se encerra

O vosso corpo? Não, isso é inadmissível,

Pois viver entre vós assim fora impossível.

Era sua matéria o fluido imponderável,

Do corpo a natureza era leve e mutável,

E para se tornar entre vós aparente,

Ele, que ocupa Além um lugar eminente,

Teve de lançar mão de meios inauditos

Cujo segredo está lá nos céus infinitos.

 

Não suponhais também que, por ser diferente

Do vosso o corpo seu, a agonia pungente

Não lhe fosse cruel nem a morte. A amargura

Tanto a alma fere mais quanto mais ela é pura

E menos material, porque dos sofrimentos

O efeito é mais cruel, maiores os tormentos.

E eis porque Jesus de uma só vez sofria

Mais do que todos nós uma mesma agonia.

Seja Ele abençoado e Deus lhe dê a glória!

Nunca seja seu nome esquecido na História!

Para tanto sofrer era mister no mundo

Que n'Ele fosse o amor eternal e profundo!

 

Bendito amigo que és de toda a Humanidade,

Ó Cristo amado, em quem o farol da verdade

Resplende em toda a parte apontando as estradas

Por onde hão de passar as almas adiantadas

Para alcançar do Pai o poder e o direito

À gratidão de todo o Universo perfeito!

Amados querubins, que no espaço ilimitado

Tendes sofrido assim quanto eis-nos estimado,

Que nunca vos cansais de guiar-nos generosos

E tão esforçadamente aos cimos gloriosos,

Que já haveis atingido, ó Espíritos nobres,

Recebei dos que são vossos irmãos mais pobres

A mais terna expressão, a mais santa e solene,

Da nossa gratidão, que é profunda e perene!

 

 

Victor Hugo, no livro ‘Les Vérités Eternelles.’

Tradução de Antônio Lima

Reformador (FEB) Abril 1947.

 

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